.::DE VOLTA AO VALE DAS FLORES::.
By DAMA 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaliah e Astréia são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
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Capitulo 29: Elos de prata e ouro.
.I.
Depois de duas horas vasculhando as lojas do shopping e de um cartão de crédito, com limite quase estourado, os dois sentaram-se em uma cafeteria, próximo à saída.
-Ainda não sei o que você vai fazer com esse monte de tralhas; o canceriano falou, enquanto faziam os pedidos.
-Tralha não, olha lá hein; Afrodite falou, lançando-lhe um olhar mortal.
-Que seja, você me arrastou no meio desse formigueiro, para que exatamente? –ele indagou.
-Antes de mais nada, tem uma coisa que eu queria perguntar; o pisciano falou, recostando-se melhor numa cadeira.
-O que?
-O que exatamente você e Yuuri têm?
-Como assim? –Guilherme perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Você sabe, qual tipo de relação? –ele falou, gesticulando casualmente, enquanto olhava com mais atenção um cardápio de tortas.
-Isso não é da sua conta; o canceriano falou com os orbes estreitos.
-Seu idiota, estou perguntando se vocês estavam namorando, noivos, ou qualquer outra coisa; Afrodite exasperou ao ver o olhar envenenado do outro sobre si e compreender o que ele estava pensando, principalmente ao vê-lo levemente corado. Mascara da Morte corando, definitivamente era algo bizarro; Afrodite pensou.
-Você poderia ter sido mais objetivo; Mascara da Morte resmungou.
-Idiota; ele resmungou, rolando os olhos. –E então?
-O que?
-Olha, se você não colaborar, não vai dar certo; o cavaleiro avisou.
-Que seja; o canceriano murmurou, dando um pesado suspiro. –Pelo menos até algumas semanas atrás estávamos namorando;
-Você diz, até ela contar que estava grávida?
-...; ele assentiu.
-E agora?
-Eu pretendo me casar com ela; Guilherme falou veemente.
-Ahn! Você já perguntou a Yuuri, se é isso que ela quer? –Afrodite indagou como quem não quer nada.
-É o mais certo a se fazer, não vou deixar meu filho nascer num lar desestruturado ou sem alguma estabilidade; o canceriano falou taxativo.
-Torno a perguntar, você falou com Yuuri sobre isso? -o cavaleiro rebateu, notando-o levemente nervoso ao começar a dobrar um guardanapinho de papel sobre a mesa e sem notar, rasgá-lo em vários pedacinhos.
-Não; ele confessou.
-E como espera casar com ela assim... Quer bancar o primata e arrastá-la para o altar quando lhe der na telha? –Afrodite exasperou.
-Oras, o que quer que eu faço? –Guilherme rebateu.
-Santa ignorância; o pisciano resmungou. –Porque não pergunta ao Mú, creio que ele deve saber bem como resolver esse tipo de situação; ele provocou.
-Grrrrrrrrrrr;
-Admita Guilherme, você só pensou na possibilidade de se casar com Yuuri porque se sentiu ameaçado; Afrodite falou, em tom sério.
-Hei! Eu n-...;
-Admita!
-Puff! –ele resmungou, cruzando os braços na frente do corpo, emburrado.
-Hoje é absolutamente normal casais que tem filhos, não se casarem... Você deveria saber que uma criança não é motivo suficiente para fazer um relacionamento dar certo; Afrodite falou em tom sério. –Agora se você esta se precipitando apenas por orgulho ferido, vai apenas destruir a relação de vocês;
-Não é orgulho ferido; o canceriano falou.
-Então, você esta querendo matar o Mú exatamente por quê? –Afrodite indagou, enquanto agradecia a garçonete que trouxera os cafés.
-Oras, como se não fosse óbvio. Como você quer que eu aceite que aquele carneiro fica flertando com a minha mulher? –ele vociferou.
-Guilherme... Coloca uma coisa nessa sua cabeça entupida de água salgada; o cavaleiro falou pausadamente. –O santuário todo sabe que o Mú está interessado na Mia e ele nunca fez questão de esconder isso. Se eles ainda não estão juntos, é uma decisão deles. Mas o resto é obvio... Agora você esta agindo como um homem das cavernas, por causa de um ciúme ridículo;
-Olha quem fala de ciúme, não fui eu que ataquei o Milo com uma planta carnívora; Guilherme rebateu mordaz.
-Detalhes; Afrodite falou, gesticulando distraidamente. –Mas a questão é que você não sabe o que quer dessa história e vai acabar metendo os pés pelas mãos; o cavaleiro completou.
-Puff! –ele resmungou, desviando o olhar.
-O que você sente realmente pela Yuuri? –Afrodite perguntou.
-Uhn?
-Não se faça de desentendido, você esta começando a me aborrecer; o cavaleiro avisou.
-O que quer que eu responda? –ele rebateu incerto.
-Não sou eu que estou buscando uma maneira de arrastar uma garota para o altar Guilherme; Afrodite falou, arqueando levemente a sobrancelha.
Suspirou pesadamente, aquilo estava ficando mais complicado do que desejava. Porque as coisas não poderiam ser mais simples? –ele se indagou.
-Porque isso não seria vida; o pisciano falou como se lesse seus pensamentos. –Agora, pense um pouco... O que acha que Yuuri vai fazer quando você chegar e falar que vocês têm de se casar, por causa da criança?
-Não sei; Guilherme confessou. A verdade é que essa era a pior parte, não saber o que ela faria nesse momento.
-Olha, pelo que conheço da Yuuri, o mínimo que ela vai fazer é quebrar a sua cara e terminar tudo; Afrodite falou, vendo-o cuspir o café que acabara de tomar.
-O que?
-Isso mesmo... E vai por mim, isso vai ser o mínimo. Ainda existem algumas possibilidades extras, como te deixar incapacitado para o resto da vida, ou com sérias dores de cabeça; ele continuou fazendo um sinalzinho em forma de 'V' pra ele.
-Impossível. Yuuri jamais faria isso; ele falou veemente.
-Tem certeza? –Afrodite rebateu, arqueando levemente as sobrancelhas.
-Aonde você quer chegar com isso? –Guilherme indagou.
-Simples meu caro amigo crustáceo; ele falou num leve tom de provocação. –Pelos motivos que vocês esta me dando agora, Yuuri jamais se casaria com você;
-Por quê? Ou você não acha certo querer dar um lar estável para uma criança?
-Não, pelo contrario, concordo plenamente com isso, porém é a forma como você esta colocando tudo é que esta errada; Afrodite falou. –A Yuuri pode ser uma amazona, mas como qualquer outra pessoa que já viu tudo que nós vimos, quer uma vida normal, com um namorado normal e de preferência que o pai do filho dela tenha cérebro; ele explicou, como se falasse com uma criança.
-Não entendo; ele balbuciou.
-Você já parou para pensar o que exatamente a Yuuri representa pra você?
-É claro que sim, eu a amo e-...; ele parou, vendo o cavaleiro erguer a mão.
-Você já disse isso a ela?
-Claro?
-Com que freqüência? –Afrodite perguntou, entretanto logo teve sua resposta ao vê-lo ficar mais vermelho que os cabelos de Marin. –Isso é mais grave do que imaginei; ele murmurou, balançando a cabeça levemente para os lados, em sinal de reprovação.
-Oras, você esta aqui para me julgar ou ajudar? –ele exasperou.
-Você tem certeza que é canceriano mesmo? – Afrodite indagou, ainda processando todo o conteúdo daquela conversa. –Ouvi dizer que os cancerianos são pessoas românticas, um pouco sensíveis. Neuróticas às vezes, mas não tão possessivas; ele falou, casualmente. –Mas ainda estou tentando ver em que parte disso tudo você se encaixa;
-Afrodite, estou falando sério; o canceriano resmungou.
-Eu também, meu caro. Eu também; ele afirmou. –Mas vamos fazer o teste... Vá falar com Yuuri e pergunte a ela se ela quer realmente se casar com você, pelos mesmos motivos, depois dependendo da resposta, nós vamos decidir como proceder;
-Mas...; ele hesitou.
-Se você acha que ela não vai aceitar... Ai é outra historia; Afrodite falou, num tom levemente irônico, sabia que ele jamais iria admitir isso. Então, era melhor deixá-lo quebrar a cara primeiro, depois oferecer o ombro pra chorar.
-Vou falar com ela; Guilherme falou.
-Ótimo, agora vamos logo, que eu tenho que levar essas coisas para casa; ele falou, indicando as sacolas.
-Você ainda não falou o que vai fazer com esse monte de tralhas; o canceriano comentou.
-Aguarde e confie; Afrodite respondeu, antes de terminarem os cafés e pagarem à conta, para irem embora.
.II.
Andou calmamente pelo caminho de seixos que levavam a entrada do vilarejo das amazonas, passando pelo Coliseu, distraída, mal notou um grupo de garotas passar por si, até que uma delas lhe chamou a atenção.
-Nossa que buquê;
-Uhn! -Ergueu a cabeça, notando que elas eram nada mais nada menos, do que Eurin, Yuuri, Litus e Shina. Franziu o cenho confusa, principalmente ao ver cada uma com uma rosa champanhe nas mãos.
-Como?
-Conta para gente, de quem você ganhou? –Litus perguntou curiosa, aproximando-se e indicando o buquê.
-Ahn! Bem...; ela balbuciou, sem saber como responder de uma maneira que não comprometesse a ambos.
-Oras, e vocês ainda tem duvidas que não foi do Mú; Eurin falou indicando a amazona, que em resposta ficou tão vermelha quanto as flores que carregava. –Não disse;
-Nossa, são muito bonitas mesmo; a jovem de orbes violeta comentou. –Só o Mú para fazer uma coisa dessas;
-Como? –Mia indagou confusa, voltando-se para Litus.
-Uma gentileza despretensiosa; Shina respondeu por ela. –Hoje ele chegou ao santuário e do nosso circulo de amizades, ele deu uma rosa dessas para cada garota; ela falou, indicando a que tinha nas mãos.
-É realmente muito bom ser mimada, nem que seja por um amigo; Litus completou aos suspiros.
-Ele... Ahn! Vocês podem me explicar direito, acho que perdi alguma coisa; Mia falou ainda confusa com aquela abordagem.
-Simples minha cara, é um pecado um homem desses ficar solteiro e se eu fosse você, já ia providenciando o padre; Eurin brincou, deixando-a ainda mais desconcertada.
-Agora falando sério, todas ganharam uma rosa... Mas não pense que ele esta bancando o Casa Nova, foi só uma gentileza. O Mú não parece se preocupar com o que os outros vão pensar e quando quer agradar, não poupa esforços; Shina explicou. –Qualidade que esta faltando em muitos homens hoje em dia; ela completou num murmúrio.
-Mas para você ele deu gérberas, o que mostra que você é diferente das outras; Litus comentou. –Ai que fofo; ela completou com ar infantil.
-Resumindo, com isso ele causou uma verdadeira revolução no santuário; Eurin falou.
-Entendo; ela murmurou, lançando um olhar de soslaio a amazona de melenas prateadas. Yuuri estava muito silenciosa.
-Bem, vamos indo agora... Até mais; Shina falou.
-Yuuri; ela chamou, antes que a amazona se afastasse.
-Sim!
-Podemos conversar?
-...; a amazona assentiu, despedindo-se das demais, voltou até onde ela estava.
Uhn! Tinha a leve impressão de que aquele silencio todo tinha nome e signo especifico; a jovem pensou, com ar preocupado.
-o-o-o-o-o-
Sentou-se em uma poltrona na biblioteca, folheando com cuidado um livro. Suspirou pesadamente, precisava guardá-lo em outro lugar. Ele estava mais frágil e as páginas poderiam se quebrar com facilidade por ser muito antigo.
Ouviu alguém bater na entrada do templo e em pensamentos, mandou entrar, dizendo para seguir até a biblioteca.
Fechou o livro que continha um belo brasão prateado na capa, guardando-o numa das prateleiras mais baixas, que pela lombada, não seria reconhecido facilmente. Entretanto, não poderia esquecê-lo ali de novo; ele pensou.
-Mú;
-Estou aqui Afrodite; ele avisou, tornando a sentar-se na poltrona.
-Nossa, havia me esquecido como esse lugar é grande e depois é Gêmeos que tem labirinto; o pisciano comentou entrando na sala.
-Como vai? –o ariano perguntou, indicando-lhe uma outra poltrona.
-Bem e você?
-Bem; ele limitou-se a responder.
-Então, já começou a receber as ameaças de morte? –Afrodite perguntou a queima-roupa.
-Uhn? –o cavaleiro murmurou, arqueando a sobrancelha.
-Oras, você sabe por quê; o pisciano falou, com um sorriso nada inocente.
-Afrodite, eu gostaria que você fosse mais objetivo... Isso é claro, se não for pedir de mais; Mú falou num leve serrar de orbes, o que dizia que sua paciência não estava lá muito grande naquele dia.
-Estou falando das rosas; Afrodite falou, optando por obedecer se quisesse conseguir algumas respostas.
-Ah sim! Só por isso, imagino que Mascara da Morte ainda esteja rosnando; ele falou como se desse pouca importância ao assunto.
-Então você já sabe? - o pisciano falou surpreso.
-Convenhamos Afrodite, Guilherme é o único que não percebeu o quanto Yuuri esta deprimida nos últimos dias; ele falou sério.
-É, mas vai falar para ele o 'por que'; o cavaleiro murmurou, pensativo. –Mas fiquei sabendo que nem o Kamus que é o ciumento assumido do santuário, não fez alarde; ele completou ainda surpreso com a noticia.
-Porque eles já passaram daquela fase de esclarecer 'em que pé' esta a relação; Mú falou, fazendo o sinal de aspas com a ponta dos dedos. –Insegurança, todo casal tem, mas saber dosá-la para não ficar cansativo é o segredo... Agora, uns e outros por ai, acham que é só colocar uma aliança no dedo e pronto. Fez-se o milagre de uma relação que vai um dia, fazer bodas de ouro; ele falou irônico.
-Mú, você ta me assuntando falando assim; Afrodite falou, encolhendo-se um pouco na poltrona.
O ariano não era de agir assim, alias, ele sempre foi o mais silencioso de todos, que até Shaka, que chegava a passar meses meditando, não era como ele. Mas ser tão objetivo dessa forma era de se estranhar, convenhamos.
-Só estou sendo lógico; Mú falou calmamente.
-Eu sei, só estou desacostumado a isso; o pisciano confessou. –Mas e as rosas? O que você pretendia realmente com elas? –ele não se conteve em perguntar.
-Não há segundas intenções Afrodite, se é isso que quer saber... O que não duvido já que, você já deve saber que Isadora ganhou uma; ele falou, desviando rapidamente o assunto.
-...; Afrodite assentiu. –Mas...;
-Me responda, com que freqüência você demonstra a sua filha e seus amigos, o quanto eles são importantes para você? –ele o cortou.
-Bem...; o cavaleiro balbuciou, pensando nas possibilidades.
A última vez que comparecera a uma reunião com as amigos fora a quase um mês, o que correspondia com o tempo que Aaliah estava fora, mas antes também as coisas já eram um pouco difíceis.
-Então?
-Ahn; ele balbuciou, fazendo a conta nos dedos antes de desistir.
-Como vocês são cansativos; Mú exasperou.
-Com licença; Celina falou, aparecendo na porta.
-Pode entrar, Celina; o ariano falou.
-Só vim avisar ao Afrodite que Aaliah ligou avisando que chega de madrugada, por volta das quatro;
-Como? –o cavaleiro falou surpreso.
-Ela disse que já estava embarcando e que ligou para o templo de Peixes e como ninguém atendeu, ligou lá para o último, quem passou o recado foi o papai; ela avisou.
-Ta certo, obrigado por me avisar; Afrodite agradeceu.
-Mestre, vou para o meu quarto agora; ela avisou.
-Tudo bem, Celina; o cavaleiro respondeu, vendo-a sair em seguida, fechando a porta atrás de si.
-Aaliah disse que voltaria só semana que vem; Afrodite comentou depois de alguns minutos de silêncio.
-Talvez ela tenha tido algum bom motivo para voltar antes; ele falou de maneira enigmática.
-As vezes que conversamos por telefone ela sempre disse que estava bem e não me pareceu que tivesse alguma coisa errada; Afrodite respondeu intrigado. –Bom, mas é melhor eu ir, tenho algumas coisas para resolver ainda;
-...; Mú assentiu, levantando-se para acompanhá-lo.
-A propósito; Afrodite falou, parando antes de sair. –Cuidado com o Shura, não sei com quem ele esta mais possesso, com você pela rosa, ou com o Milo, porque pegou a deixa e chamou a Shina pra jantar com ele; o pisciano avisou antes de se despedir e sair.
Suspirou pesadamente, mais essa... Pelo menos eles iriam aprender uma lição, por bem ou por mal, como diria a Laura. Por falar nela; ele pensou lembrando-se que precisava reunir os filmes que deixara na sala e devolver, antes que esquecesse novamente.
.III.
Sentaram-se em um banquinho, logo na entrada do vilarejo das amazonas. O calor estava diminuindo com a chegada das três horas.
-Yuuri, você esta se sentindo bem? –Mia começou, tentando abordar o assunto, com o máximo de sutileza possível.
-Bem... Tudo depende do ponto de vista; a amazona respondeu com um olhar perdido.
-Desculpe ser indiscreta, se não quiser falar sobre isso tudo bem, mas é algum problema com Guilherme? –a jovem indagou.
-Mais ou menos; Yuuri respondeu, com ar cansado. –Às vezes eu acho que estou sendo neurótica demais por causa da gravidez, outras que essa atenção toda dele é só por causa da criança... Enfim; ela falou, fazendo um gesto pesado com a mão ao afastar um mosquitinho imaginário da frente de seus olhos.
-Ouvi dizer que é normal mulheres grávidas ficarem mais sensíveis, por causa de toda a mudança que ocorre, não só física, mas pelos hormônios que deixam os nervos a flor da pele; Mia comentou pensativa. –Já pensou em conversar com Guilherme sobre isso;
-É bem capaz de ele querer que eu procure um terapeuta, do que encarar que estamos com sérios problemas de comunicação; Yuuri falou num leve tom de ironia. –Você é que tem sorte...;
-Uhn! –ela murmurou confusa.
-O Mú nunca escondeu de ninguém que gosta de você; a amazona falou sem notar que a jovem ficara escarlate.
-Co-mo dis-se?
-Isso mesmo, é só ver vocês dois juntos; Yuuri falou taxativa. –Quando ele fala com você até o tom de voz dele muda, fica mais macio e suave. Ele te olha como se você fosse à única mulher na face da terra e tudo o mais... O único que vejo agindo assim é o Kamus; ela completou.
-Ahn! Bem...; Mia balbuciou sem saber o que dizer. Alias, nunca havia reparado como agiam diferente um com o outro, mesmo na presença de algum amigo. Era algo inconsciente.
-Não que o Gui não seja carinhoso, ele é, mas... Às vezes acho que tento compensar a falta de atenção dele com desculpas. Não quero que ele viva em função de mim, mas expressar o que sente mais vezes não mata. Acho que por tudo que aconteceu, se retrair é a forma que ele tem pra se proteger, mas é difícil não se sentir frustrada quando você vê, por exemplo o Mú, sem pretensão alguma, dar uma rosa pra gente. Parece banal, mas faz a diferença; ela completou quase num sussurro.
-Entendo; Mia murmurou pensativa. Queria uma forma de ajudar, mas não conseguia pensar em uma de imediato que não fosse dar uma surra no canceriano por ser um idiota insensível. -Ahn! Você esta indo para onde com as meninas? –ela indagou, mudando de assunto, enquanto pensava em algo.
-Ia até Câncer pegar umas coisas que tenho lá e voltar para casa; Yuuri respondeu. –Não tem clima para ficar lá, depois do surto do Gui;
-Porque não vem comigo, o sol ainda esta quente para você ficar por ai. Pelo menos lá, você pode descansar; Mia sugeriu.
-Não quero incomodar; ela falou.
-Não vai, agora vem comigo... Antes de sair deixei um mate gelando e bolo de laranja pra acompanhar. Seria uma lastima ter de aproveitar isso sozinha, não acha? –Mia indagou como quem não quer nada.
-Sem duvidas; Yuuri respondeu pouco mais animada, seguindo com amazona para lá.
-o-o-o-o-o-
Estava chegando a Libra quando seus caminhos se cruzaram novamente, estancou com os pés em um dos últimos degraus, sem conseguir mover-se mais do que isso.
Fitou-a descer distraída, esperou-a se aproximar, antes de mostrar que estava ali.
-Oi;
Isadora deu um pulo ao ouvir a voz do cavaleiro, voltou-se na direção dele surpresa por encontrá-lo ali. Não que, não houvesse imaginado que encontrá-lo uma vez ou outra naquele mês fosse impossível, apenas não pensou que seria tão logo.
-Oi; ela respondeu hesitante.
-E então? Conseguiu encontrar o Milo? –Afrodite perguntou como quem não quer nada.
-...; a jovem assentiu. –Como você disse, ele estava escondido em Escorpião, fugindo do Shura; ela respondeu.
-Não me surpreendo; o pisciano murmurou, enquanto arrumava as sacolas que tinha em mãos. Aquele italiano ainda lhe pagava, sumira na primeira oportunidade e nem para lhe ajudar a carregar aquele monte de coisas; ele pensou, aborrecido.
-Mas é melhor eu ir, tenho de abrir a floricultura de novo; Isadora comentou, passando por ele.
-Isadora; o pisciano falou, segurando-lhe delicadamente pelo pulso, fazendo um malabarismo impressionante para trocar as sacolas de mão, sem derrubar nada.
-Uhn? -ela murmurou voltando-se para ele.
-Ahn! Aaliah ligou avisando que chega hoje de madrugada; Afrodite falou, se sentindo impelido a encontrar algum motivo para não deixá-la ir tão rápido.
-Eu sei, antes de embarcar ela me ligou; Isadora respondeu. Entretanto não iria contar para ele que ela estava voltando sozinha e que Shaka fora para Índia realmente. Deixaria que Aaliah escolhesse o momento certo para isso. –Bom, eu tenho mesmo que ir; ela falou nervosa para se afastar, antes que aquele acordo com Aaliah de um mês, caísse por terra.
-Até mais, então; Afrodite falou, afastando-se um pouco decepcionado. Ela estava realmente disposta a levar aquilo a sério e não havia nada que pudesse mudar isso; ele pensou, porém uma luz pareceu acender-se em sua mente.
-Até; ela falou começando a descer, mas a voz dele a deteve.
-Isadora;
-Sim; a jovem falou virando-se, mas surpreendeu-se ao vê-lo a sua frente lhe estendendo algo.
-Pra você; o cavaleiro falou um tanto quanto hesitante ao entregar-lhe as duas rosas que tinha em mãos. Uma azul e uma vermelha... Entrelaçadas. –Não sou tão bom quanto você ou Aishi para criá-las, mas estou começando a treinar;
-Obrigada; ela murmurou, levando as rosas até o nariz, aspirando à essência suave. –É muito gentil; a jovem balbuciou.
-Tenha um bom dia; Afrodite falou com um sorriso meigo nos lábios, antes de se afastar e continuar a subida.
Ficou ali ainda mais alguns segundos, até perdê-lo de vista. As rosas nas mãos e pensamentos turbulentos em sua mente. Olhou atentamente as duas rosas, tentando compreender o que fora aquilo, até lembrar-se das outras que estava na floricultura.
Arregalou os olhos, chocada com a constatação. Respirando fundo, afastou-se rapidamente do santuário, era melhor ir pensar em outro lugar, antes que as coisas acabassem complicando.
-o-o-o-o-o-
Procurou-a por todo o templo, até constatar que ela não estava em casa. Mas onde estaria? –ele se indagou. Lá fora estava muito quente e Yuuri sempre acabava se sentindo mal nesse tempo, então, ia para a arena de manhã cedo, mas saia antes do sol esquentar demais.
Sentiu o corpo gelar ao pensar na possibilidade dela ter desmaiado em algum lugar. Saiu rapidamente do templo, descendo as escadas correndo, porém estancou em Áries assim que viu seu guardião deixando o templo.
Ah, mas ia acertar as contas com aquele carneiro e ia ser agora...
.IV.
Encostou a porta de madeira, tomando o cuidado para não deixa-la ranger. Suspirou pesadamente, não queria tomar partido, mas era difícil manter a racionalidade quando se estava com vontade de matar alguém; Mia pensou, retirando da mesinha de centro da sala, os copos vazios que antes continham o mate.
Assim que chegaram, começaram a conversar, tentou manter a amazona distraída por algum tempo, mas não demorou para a mesma ficar amuada por causa das coisas que Guilherme falara.
Já tinha algum tempo que a vinha notando deprimida, mas preferiu não comentar por falta de intimidade suficiente, entretanto agora as coisas eram diferentes.
No primeiro momento, ficou confusa quanto ao que o ariano pretendia com as rosas, mas agora muitas coisas ficaram claras. Ele também havia notado o quanto ela estava deprimida e havia lhe dado uma das rosas, com a intenção de chamar a atenção do canceriano para esse detalhe e, tentar animá-la.
Mas se desse somente a ela, certamente surgiriam comentários nada agradáveis sobre algo que não existia. Então, ele entregou uma rosa a cada garota, assim, nenhuma delas poderia falar da outra. Já que todas ganharam.
Sabia que não devia ser nada fácil ficar sabendo que estava grávida, principalmente quando o relacionamento deles não completara um ano, mas qualquer um que os visse juntos sabia o quanto se amavam. Entretanto, existia uma grande diferença em sentir e demonstrar.
Colocou os copos na pia e o que sobrara do bolo de volta a geladeira. Será que poderia fazer alguma coisa? –ela se perguntou, pensando nas possibilidades.
Antes de cogitar mais alguma coisa, saiu rapidamente de casa. Quem sabe não pudesse ajudar em algo.
Chegou até entrada para os templos, só esperava encontrá-lo em Câncer, mas o que viu assim que começou a subir os degraus de Áries, lhe chocou e surpreendeu.
-Não seja idiota; o ariano vociferou.
-Oras, como se não fosse verdade; Mascara da Morte rebateu, fitando o ariano com olhar mortal.
-Se fosse menos cego teria percebido isso sozinho; Mú avisou, deixando-o ainda mais irado.
-Hei!
Antes que o canceriano pudesse falar algo, a voz de Mia o interrompeu. Voltaram-se para a amazona que terminava de subir os degraus.
Fitou os dois cavaleiros, vendo que aquela discussão deveria estar acontecendo há pouco tempo, já que sentia apenas o cosmo do canceriano oscilar, enquanto Mú continuava com a mesma expressão tranqüila de sempre, embora fosse evidente que estivesse aborrecido.
-O que esta acontecendo aqui? –ela perguntou.
-Isso não é da sua conta; o canceriano falou, porém o olhar envenenado que recebeu de Áries, lhe fez engolir em seco.
-Antes não, mas agora é; a amazona falou aproximando-se do ariano, que se estava a dois passos de distancia do outro cavaleiro era muito. –Mú, por gentileza, pode se afastar um pouquinho?
-Uhn? –ele murmurou arqueando a sobrancelha, mas ela apenas sorriu, como se dissesse 'anda logo'.
Afastou-se, decidindo pagar para ver o que ela iria fazer...
-O que pretende? –Guilherme indagou, porém no minuto seguinte sentia as costas chocarem-se contra um pilar de mármore e o abdômen se contrair num espasmo que lhe fez perder o fôlego.
-SEU IDIOTA INCENSSÍVEL; Mia berrou, pronta para partir pra cima dele de novo, tamanha era sua ira, porém o ariano foi mais rápido ao enlaçar-lhe pela cintura e deter-lhe.
-Você é louca, é? –o canceriano vociferou, mal conseguindo ficar em pé.
-Calma; Mú sussurrou, estreitando mais os braços em torno dela, até ampará-la com seu corpo, de forma que ela não pudesse se mover.
Sentia o cosmo da amazona ameaçando se descontrolar e expandir-se, foi quando seus olhos foram atraídos para algo curioso. Mesmo com os cabelos um pouco mais longos, pode ver com precisão o momento que os pequenos fios negros sobre a nuca se eriçaram, como os de um felino enfurecido.
Como reflexo, forçou o corpo para se soltar, quando as unhas tornaram-se mais longas.
-Guilherme, é melhor ir embora; o ariano falou, enquanto o canceriano levantava-se com dificuldade.
-Isso não acabou, Áries; ele avisou antes de se afastar, deixando rapidamente o limite dos templos, praguejando uma infinidade de impropérios em italiano.
-Xiiii, ele já foi; o cavaleiro sussurrou, tentando acalmá-la.
A intenção inicial era apenas conversar com ele e tentar fazer um meio de campo entre os dois, mas vê-lo discutindo com Mú, por algo que era obvio demais, fez seu sangue ferver. Entretanto, agora era outra coisa que fervia alem de seu sangue. Sua face.
Aos poucos foi soltando o aperto dos braços, deixando-a se acalmar por conta própria. Não poderia impedi-la de retalhar o canceriano, mas poderia retardar um pouco o processo de extermínio.
-É hora de recolher as garras, gatinha; ele sussurrou em tom travesso.
Sentiu-a estremecer e as unhas aos poucos diminuírem, já havia reparado que a maioria das amazonas desenvolvia essa técnica. De usar qualquer coisa como arma, principalmente potencializar o poder que as unhas tinham em combate. Tinha até medo de saber o que ela faria numa arena, lutando pra valer; ele pensou.
Fechou os olhos, sentindo a respiração aos poucos voltar ao normal. Céus, não deveria ter se descontrolado daquele jeito e se... Não, ele não poderia ter sentido nada de estranho, entretanto, por enquanto precisava de cautela; ela pensou, relaxando aos poucos.
Sabia que precisava sair dali, mas era tão difícil ordenar isso a seu cérebro, quando sentia-se completamente envolvida pela presença dele. Seu cosmo, seu cheiro... Tudo nele era um imã potencializado. Que lhe atraia e prendia, sem lhe deixar margem para se soltar.
Deu um baixo suspiro, acomodando-a melhor entre seus braços, até fazê-la encostar a cabeça sobre seu peito. Sentiu a fragrância suave emanada pelas madeixas negras e recostou-se no pilar atrás de si, levando-a consigo.
Apoiou o queixo sobre o ombro dela, enquanto soltava uma das mãos da cintura dela e passava sobre seu braço, numa caricia suave que a fez suspirar.
-Desculpe...; ela sussurrou, depois de alguns minutos de silêncio. –Acabei perdendo a calma;
-Agora esta tudo bem; ele respondeu, sussurrando contra seu ouvido.
Serrou um dos punhos, contendo um brevê estremecimento, quando um arrepio correu pelo meio de suas costas. Céus, ele devia ser proibido de ter esse efeito sobre si.
-Guilherme merecia mesmo uma lição; Mú falou em tom de brincadeira.
-Yuuri esta muito mal; Mia comentou, tentando mudar o rumo de seus pensamentos.
-Imagino, sabe onde ela está?
-...; a jovem assentiu. –A deixei em casa, estávamos conversando e ela sentiu um pouco de dor de cabeça por causa do calor e eu a fiz se deitar;
-Menos mal, eu estava saindo pra ver como estavam as coisas, quando encontrei com ele... Mas creio que a rosa seja o menor dos problemas do Guilherme;
-Como?
-Sabe aquele momento que o sexto sentido lhe diz que alguém vai quebrar muito a cara antes de aprender? –ele indagou, acomodando melhor as costas no pilar e no processo, rolando-lhe a face com os lábios.
-...; Mia assentiu freneticamente, tentando manter-se o mais imóvel possível. Não tinha mais garantia do seu auto-controle daquele jeito.
-Mas, agora só nos resta esperar e ver o que vai acontecer...; ele completou.
-Você esta certo, o que dava para fazer, já foi feito. Se bem que eu ainda acho que ele merece apanhar mais um pouco; Mia falou, com os orbes serrados de maneira perigosa, porém sua expressão logo se suavizou ao ouvir o riso cristalino do cavaleiro.
Olhou-o de soslaio, entretida em gravar a forma como os lábios bem desenhados curvavam-se num sorriso e os orbes verdes tornavam-se pouco mais escuros que o comum, que logo fixaram-se nos seus.
-Não duvido que você ainda queria retalhá-lo; Mú brincou. –Mas é melhor deixar um pouquinho para a Yuuri, não?
-É, fazer o que? –ela brincou, dando de ombros e desviando o olhar.
Agora ela estava realmente calma, poderia soltá-la e deixá-la se afastar, bem... Pelo menos era isso que sua razão dizia para fazer, mas com o auxilio de seu auto-controle, trancou o pensamentozinho inconveniente num lugarzinho bem afastado em sua mente, onde não sairia a menos que quisesse.
Estavam os dois ali, sozinhos, sem nenhum inconveniente por perto para atrapalhar. Não iria matar ninguém, permanecer mais um pouquinho daquela forma e ela também não parecia inclinada a sair dali tão cedo.
-Mas tem uma coisa; ele começou, tomando-lhe uma das mãos e aproximando-a do nível dos olhos.
-O que? –Mia perguntou com a voz tremula.
-Sei que esse tipo de técnica é normal entre vocês, mas cuidado quando alonga-las... Você pode acabar se cortando; Mú comentou, acariciando-lhe a mão, da palma as costas, fazendo-a estremecer, como se ondas magnéticas corressem por cada celular de seu corpo.
-Como? –ela perguntou ainda mais tremula.
-Amazonas, é normal amazonas potencializarem o cosmo e usá-lo para alongas as unhas e torná-las garras, não? –ele perguntou, mas não esperava uma resposta realmente.
Por um momento viu-se pulando no pescoço dele e lascando-lhe um beijo. Ele não sabia; ela pensou aliviada. Pelo menos por enquanto era melhor que ficasse assim.
-É, é sim; a amazona balbuciou tentando se conter. Embora a idéia inicial ainda fosse bem atraente.
Viu-o esticar o braço, fazendo com que o seu ficasse emparelhado ao dele e as mãos, quase se entrelaçassem. Foi com surpresa que duas pequenas centelhas, uma dourada e outra pratada, surgiram entre as mãos.
-O que é isso? –Mia perguntou confusa.
-Fragmentos de cosmo; ele respondeu movendo a mão e com isso o pontinho dourado seguiu o mesmo trajeto.
-Nunca tinha visto algo assim; ela comentou, acompanhando-lhe o movimento e a centelha prateada fez o mesmo percurso.
-É isso que da vida as armaduras; Mú explicou. –Pequenos pontinhos desse, repletos de vida, que as fazem ser o que são;
-Todas as armaduras têm? –Mia perguntou, virando-se de lado para poder fitá-lo, porém sem interromper o contato entre suas mãos.
-...; ele assentiu, pousando a mão sobre a dela e entrelaçando os dedos. Uma corrente fina de elos prateados e dourados surgiu entre a mão de ambos.
Sentiu os orbes marejarem e o coração ser tomada por uma emoção jamais sentia antes. Fitou os elos com surpresa, era como se flutuassem, enlaçando as mãos. Um soluço foi sufocado em sua garganta, enquanto seus pensamentos entravam em conflito, buscando por respostas. O que estava acontecendo?
-Mú;
Afastaram-se no susto, quando passos vindos do templo de Touro, lhes chamou a atenção.
-Ah desculpe, não sabiam que estavam conversando; Ilyria falou, com um sorriso sem graça.
-Tudo bem; Mia murmurou, ainda com o coração em disparada, confusa com as forças emoções que havia sentido, era como se ambos estivessem com pensamentos conectados por aqueles elos. Fora tão forte que sentia-se um pouco atordoada.
-Algum problema Ilyria? –Mú perguntou em tom neutro.
-Shion queria falar com você; ela avisou.
-Já estou indo; ele avisou, dando-lhe a deixa para ir.
-Bem, eu vou subindo na frente; a amazona falou rapidamente, antes de dar-lhes as costas.
-Ahn! É melhor você ir, deve ser importante; Mia falou, atrás de si.
-Duvido muito, mas...; Mú falou, com ar cansado. Será que um dia, pelo menos um, conseguiriam ficar juntos, sem ninguém atrapalhar? –ele se perguntou, voltando-se para ela.
-Conversamos depois?
-...; ela assentiu.
-Até mais, então; ele falou, antes de se afastar.
Viu-o caminhar em direção as escadarias de Touro e não pode conter a frustração que sentia. De novo; Mia pensou, dando um pesado suspiro. Abaixou os olhos em direção a sua mão, era como se ainda visse os elos ali.
-Mia;
Assustou-se ao ouvir a voz dele tão perto, pensou que ele já houvesse ido. Mal ergueu a cabeça, deparou-se com os orbes do cavaleiro sobre si. Instintivamente recuou um passo, mas não conseguiu afastar-se o suficiente para evitar o momento que os lábios dele tocaram os seus.
Estancou atônita, da mesma forma que tudo aconteceu, terminou. Ele acenou, afastando-se em seguida.
Chocada, encostou-se em um pilar, sentindo as pernas tremerem e por muito pouco não foi ao chão. Estremeceu, enquanto agora seu coração parecia bater na garganta e as mãos pareciam tão frias quanto gelo.
Fechou os olhos por alguns minutos, tentando entender como as coisas puderam acontecer tão rápidas, sem que percebesse o momento que tudo começou. Mas a frustração maior não era proveniente apenas do gostinho de 'quero mais' que ficara e sim, que ele nem estava ali para um 'bis'.
Deu um fino sorriso, antes de retomar o caminho de volta para a casa. Ergueu os orbes para o seu dando um meio suspiro.
Sabe aqueles dias que o resto do mundo pode estar coberto por uma nuvem negra e os poucos raios do sol que consegue atravessar aquela densidade, ironicamente estão recaindo sobre si. É, exatamente assim que estava se sentindo. Muito bem...
.V.
Oh garota nervosa, se não estivesse tão irritado com o ariano, teria admirado a audácia dela, mas outra hora falaria com ele. Nesse momento sua prioridade era encontrar Yuuri.
Pelo calor, ela não deveria estar na arena, então, talvez ela estivesse na casa de Shina ou Marin. Era melhor se apressar; ele pensou tomando o caminho para o vilarejo das amazonas.
Mal havia passado da entrada, encontrou-a saindo de uma das casas, que compunham varias fileiras, de no mínimo dez cada. Onde cada amazona habitava. Lembrava-se que a casa dela era próxima a entrada do bosque que levava ao Cabo, mas aquela era logo no começo. De quem seria? –ele se indagou se aproximando.
-Yuuri;
A amazona estancou na soleira da porta, por um momento pensou que ela fosse desmaiar por ficar tão pálida, apressou o paço indo encontrá-la, mas ela recuou, fazendo-o estancar aonde estava.
-O que quer? –ela perguntou, pensando seriamente em entrar e bater a porta na cara dele.
-Mio tesoroprecisamos conversar; ele falou hesitante.
-Acho que não temos muito que conversar... Não depois da sua ceninha na arena; a amazona falou, tentando manter o tom frio.
Não podia ficar fugindo, mas agora, a única coisa que queria era entrar de novo na casa de Mia e ficar lá, até ele ir.
-Por favor; o canceriano pediu.
-Pode começar, então; Yuuri falou, apoiando-se no batente da porta, esperando-o. Algo dentro de si dizia que não iria gostar nada nada do que ele iria falar, mas não podia se negar a ouvir.
-Precisamos nos casar; ele falou a queima roupa.
-Uhn! –ela murmurou num misto de choque e surpresa.
-Não podemos deixar que essa criança cresça sem um lar estável e-...; Guilherme parou de falar no momento que ela entrou novamente e bateu a porta na sua cara. –Yuuri;
-Vá embora; a amazona gritou lá de dentro.
Encolheu-se atrás da madeira fria, sentindo as lágrimas correrem de maneira furiosa por sua face. Doía demais saber que ele só estava fazendo isso por obrigação, pelo que conhecia do namorado, duvidava muito que ele houvesse pensado nessa possibilidade antes.
-Amore; Guilherme chamou, batendo levemente na porta.
Entrou em pânico ao sentir o cosmo dela desequilibrar-se e apagar. Olhou para todos os lados, não podia simplesmente arrombar a porta que ela estava ali atrás, deu a volta na casa, encontrando uma janela fechada, porém não trancada. Abriu-a e pulou.
Correu até a amazona desmaiada no chão, Yuuri embora tivesse a pele alva, estava muito pálida. Pegou-a no colo e deixou a casa rapidamente, precisava levá-la a um hospital, aquilo não era apenas efeito do calor demais; ele pensou, desesperando, pedindo aos deuses que nada acontecesse a ela.
-o-o-o-o-o-
Olhou atentamente as duas rosas azuis sobre a bancada, tentando entender como poderiam ser tão diferentes se vinham da mesma pessoa. A rosa que recebera pelo garotinho tinha um tom de azul beirando ao royal, porém a de Afrodite, era tão clara quanto os cabelos do mesmo.
As rosas vermelhas eram idênticas, isso não havia como contestar, mas o que estava lhe intrigando era as azuis; a jovem pensou confusa.
Ao deixar o santuário, passara boa parte da tarde tentando encontrar uma resposta lógica para aquilo, mas nada. Bufou exasperada, colocando a primeira rosa junto das demais que estavam chegando a cada meia em meia hora, e num solitário, as duas que ganhara do pisciano.
Aquilo era estranho, alias, muito estranho; Isadora pensou, voltando a trabalhar. Tinha alguns arranjos para fazer e depois quem sabe, conseguisse ter uma folguinha para analisar melhor àquelas rosas.
.VI.
Andava de um lado para o outro, a cada enfermeira que passava a sua frente, parava, pedindo informações, mas nada... Ninguém sabia de nada. Mas que inferno, como num hospital tão grande e cheio de funcionários, ninguém poderia saber de nada; ele pensou exasperado.
-Senhor Firenze;
Virou-se rapidamente ao encontrar um dos residentes de plantão, o garoto pareceu tremer um pouco, mas continuou, disposto a dar a noticia.
-A mãe e a criança estão bem;
-O que aconteceu? –Guilherme perguntou, suspirando aliviado.
-Queda de pressão, por isso ela acabou passando mal e desmaiando; ele explicou. –Mas já esta tudo bem, só precisará fazer muito repouso, evitar ficar exposta muito tempo ao sol e tomar bastante liquido, para não correr riscos de desidratação;
-...; ele assentiu. –Quando posso levá-la?
-Daqui a pouco, o resultado de alguns exames de rotina estão para chegar, ai o senhor poderá levá-la; o rapaz explicou. –Se quiser vê-la, a senhora já esta acordada;
-Obrigado; o canceriano falou, seguindo com ele pelos corredores do hospital, até o quarto que Yuuri estava.
Viu-o abrir a porta e logo lhe dar passagem. Prendeu a respiração ao vê-la ainda pálida, deitada sobre a cama, com uma expressão tranqüila. O médico se afastou, deixando-o sozinho no quarto.
Aproximou-se hesitante, vendo uma das mãos da jovem, pousada sobre o ventre de maneira protetora, ainda tinham alguns meses pela frente, mas já conseguia sentir um novo cosmo crescendo ali dentro.
Sentou-se em uma cadeira ao lado da cama, pousando a mão sobre a dela, deixando os dedos se entrelaçarem. Um nó formou-se em sua garganta ao pensar na possibilidade de perdê-la.
Não queria que aquilo voltasse a se repetir, jamais permitiria que Yuuri se aborrecesse novamente ou que ameaçasse tirá-la de si.
-Mio tesoro; ele sussurrou, pousando um beijo suave sobre a testa da jovem. Aos poucos viu-a abrir os orbes, porém o verde que via-se refletido, não tinham mais aquele brilho intenso de antes.
-Já posso ir embora? –ela perguntou com a voz rouca.
-O medico disse que ainda faltam alguns resultados de exames para chegar, mas que logo poderemos ir; ele respondeu, afagando-lhe os cabelos.
-...; a amazona assentiu, esquivando-se do toque dele, deitou-se de lado, de forma que ficasse de costas para ele.
-Bella; Guilherme sussurrou, tencionando se aproximar, mas estancou, vendo-a encolher-se um pouco, como se para evitar isso.
-Não vou me casar com você; ela falou por fim.
-É melhor descansar, não pense nisso agora... Outra hora conversamos; ele falou, mentalmente tentando se controlar para não discutir sobre aquilo agora.
-Não vou mudar de opinião Guilherme... Nem agora, nem depois; Yuuri respondeu.
-Mas...;
-Você quer que essa criança tenha uma vida estável, pois bem... Ela vai ter, mas não vou me casar por conta disso; ela continuou.
-Por quê?
-Porque não quero passar o resto da vida me lamentando por ter tomado uma decisão importante, pelos motivos errados; a amazona respondeu taxativa.
-Acha que, o que sentimos que temos um pelo outro não é o suficiente? –ele indagou, com a voz tremula.
-Não foi dessa forma que você colocou as coisas antes, quando exigiu que eu casasse com você por causa da criança; ela rebateu em tom sarcástico.
-Hei, eu não-...; Guilherme parou, lembrando-se das palavras de Afrodite. Céus, como poderia ter sido tão idiota; ele praguejou. Definitivamente, merecia a surra que levara de Mia. –Não queria que você pensasse isso; o canceriano completou num sussurro.
-Um pouco tarde não? –a retórica veio em igual tom.
Fitou-lhe as costas, por longos segundos, enquanto esteve perdido em pensamentos. Fora um completo idiota, alias, se existisse uma palavra para definir suas ultimas atitudes que fosse pior do que idiota, seu nome estaria na frente.
Continua...
Ainda não é o fim... Preparem-se para as surpresas...XD
