Gente nada aqui me pertence, personagens é a da S. Meyer e o livro da S. Mason ;D
CAPÍTULO 29
Pego minha bolsa, me despeço do meu pai às pressas e vou correndo para o Tristão com um certo nervosismo. Procuro as chaves da bolsa e fico imaginando por que Tanya quer me ver. Derrubo as malditas chaves no chão e, quando me abaixo par apanhá-las, olho inadvertidamente para as minhas roupas e fico horrorizada. Estou parecendo um anúncio de movimento grunge.
Quando cheguei do trabalho vesti minha roupa mais velha e confortável. Uma calça camuflada desbotada, com um detalhe interessante da época em que eu me divertia descolorindo roupas, e um blusão muito surrado, passado de irmão para irmão para irmã, que atualmente não seria usando nem mesmo pelos alternativos. O dito blusão está tudo furado de traça, dando para ver minha camiseta branca brilhante através dos furinhos que fizeram a festa das traças. Droga. Olho o relógio e vejo que não há tempo de mudar de roupa. Tanya vai ter de me aceitar assim, não é mesmo?
Engato a primeira em Tristão e partimos na direção da casa dos pais de Tanya.
Por que cargas d'água ela me terá telefonado? Será que está se sentindo sozinha? Será que quer mesmo conversar comigo? E o que foi feito das amigas dela? E da mãe e do pai e de todos os empregados da casa que devem morar lá? Ela não poderia bater um papo com eles? O organizador da cerimônia do casamento deve ser um cara legal. Além disso, Tanya acabou de me conhecer e eu não posso ser considerada sua amiga. E por que ela teve tanto interesse em fazer amizade comigo? Por que se deu a todo esse trabalho? Não sou das pessoas mais condescendentes. Não estou realmente entendendo nada.
Talvez ela queira me ver por alguma razão sinistra. Em uma rápida mudança de cenário vejo a mansão escura e sombria. Parece ter havido um corte de luz e todos os empregados da casa desapareceram misteriosamente. Eu me vejo entrando no escritório e me deparo com a figura linda e impassível de Tanya à luz de vela. Ela vem se encontrar comigo e – que choque, que horror! – na mãozinha delicada e muito bem tratada traz um machado!
Involuntariamente ponho minha mão não-tão-delicada no pescoço e levanto a cabeça. E digo para mim mesma, ela só quer bater um papo com você, bater um papo. Não há razão para todo esse drama.
Uns vinte minutos depois paro diante dos portões de ferro e aperto o botão do interfone. Com voz assustada me anuncio, e os portões se abrem lentamente como que me fazendo entrar no submundo do Hades( não dramatize, não dramatize). Noto a imensa marquise que cobre um dos lados do terreno, com se fosse um manjar branco, e estaciono o carro em frente à casa, agora sem todos aqueles BMWs e Audis que estavam ali no fim de semana passado. O motor do carro pára e olho para fora. Ótimo. A luz está acesa. É um bom indício.
Subo as escadas da entrada e, ao chegar à porta, toco a campainha. Para minha surpresa é a própria Tanya que atende.
- Bella! Como vai? Obrigada por vir até aqui.
- Foi um prazer. – Nós nos beijamos, a um metro de distância uma da outra, e atravessamos o longo corredor. Seu salto bate suavemente na superfície de madeira, enquanto meus tamancos enormes (um acessório absolutamente necessário para completar o estilo grunge) ressoam por trás dela. Tanya abre a porta do escritório, aquele mesmo onde Edward, eu, Alice e Jasper estivemos no fim de semana anterior. Só que dessa vez a lareira está acesa. O fogo crepita e banha a sala com uma luz suave e branda.
- O que você quer?
- O mesmo que você.
Tanya vai para o outro lado da sala, pega uma garrafa de vidro lapidado e despeja um liquido âmbar em dois sólidos copos de cristal. Ela devia estar tomando um suco enquanto me esperava. Nesse meio tempo dou uma olhada rápida na sala para ver se não há armas escondidas por trás dos sofás, na chaminé, por trás do relógio. Nos lugares de sempre, vocês sabem.
Eu me sento depressa na ponta de um sofá, ela me passa um copo e se senta na ponta do outro sofá, cruzando os tornozelos. Que droga. Quem não freqüentava uma escola de refinamento na Suíça acaba se comportando como um filhote de elefante. Tanya parece uma pantera.
- Então? – pergunto, para começar a conversa. – Está muito nervosa? – Tento imprimir algum sentimento às minhas palavras, mas elas mal me saem da minha garganta quando Tanya me fixa com seus olhos azuis.
- Acho melhor você não vir amanhã, Bella – ela me diz com toda a tranqüilidade, olhando para o copo.
Faz-se uma pausa enquanto tento compreender essa rápida mudança de humor. Dou um gole no uísque, que desce queimando minha garganta e me dando uma sensação de calor.
- Por que não? – pergunto com uma voz rouca da bebida. É bobagem perguntar porque ela vai me dizer de qualquer modo.
- Acho que você sabe por que não. Eu vi o programa de televisão e li os seus diários. – Ela se levanta de repente e vai até a lareira. Com a mão no consolo, vira-se para mim. Sem dúvida outra pose que lhe ensinaram na escola de refinamento. – Uma coisa patética, como são as cartas de amor. Você realmente acha que ele iria preferir você a mim? – Ela me olha de alto a baixo com um olhar gélido. Ah! Eu tenho de lhe dar razão nesse particular; há uma semana que isso não me sai da cabeça.
Uma repórter não-tão-loura-natural, com uns quilos a mais do que o desejável, e uma família com problemas de personalidade. Sim, posso ver muito bem a que ela se refere, mas aonde ela quer chegar é que e preocupa.
- Seria embaraçoso para nós dois sua presença aqui amanhã. É o nosso dia especial e não quero que seja estragado com lembranças da sua cara de infeliz. – Eu me esquivo porque essa me pegou em cheio.
- Você discutiu isso com ele? – pergunto baixinho. Na verdade, tão baixinho que mal dá para ouvir.
- Muitas vezes. Não me entenda mal, ele não desgosta de você, não é nada disso. Como foi mesmo que ele te chamou naquela noite?
- Eu não sei. Gorda? Burra? Desajeitada?
A risada de Tanya ressoa pela sala e me atinge como vidro quebrado quando ela se recorda da conversa obviamente divertida que os dois tiveram.
- Excêntrica! Ele te chamou de excêntrica!
Dou de ombros. Excêntrica não é tão ruim assim! Aliás, excêntrica é bem bom. Mas será que ele quis dizes excêntrica no sentindo de diferente e interessante ou no sentido de maluca? Começo a me sentir mal e não sei se vomito quieta no meu colo ou, melhor ainda, no dela.
Tanya ajoelha-se na frente da lareira para pegar o atiçador (Aaaah, prova!) vira-se para mim com o atiçador na mão e diz:
- Eu amo Edward, Bella. Amo Edward desesperadamente e não quero que você estrague a nossa festa de casamento. – Ela agita o atiçador no ar para reforçar seu ponto de vista, e começo a me sentir estranhamente hipnotizada com aquele fero subindo e descendo no ar, subindo... E... Descendo.
- Vai ser um dia muito feliz para você amanhã – digo freneticamente, ainda hipnotizada pelo atiçador de ferro batido balançando no ar. – Você conheceu Edward no centro beneficente, depois que Rob morreu, não é?
O rosto dela se suaviza e ela dá um ligeiro sorriso, olhando por cima do meu ombro e lembrando-se do passado.
- É, durante dois meses ele nos procurou toda semana. Na última visita esqueceu a carteira no centro. Eu podia ter corrido atrás dele, mas resolvi telefonar e me oferecer para entregar a carteira pessoalmente. Passei no seu trabalho no fim do dia e ele naturalmente me convidou para tomar um drinque em agradecimento. O resto, como dizem, é história. – Ela se ajoelha de novo e começa a atiçar o fogo.
Dou um suspiro de alívio. O atiçador é encostado na parede, pronto para ser usado caso eu comece a criar dificuldade.
Tanya continua a história.
– Ele foi muito reticente de início, pois estava saindo de um relacionamento recente. – Talvez Rose, pensei. – E não gostou disso tudo aqui. - Ela faz um gesto com a mão para mostrar o ambiente. — Mas eu mudei a cabeça dele. Quando as pessoas estão sofrendo ficam em posição realmente muito vulnerável. – Meu estômago começa a dar voltas só de pensar em Edward sofrendo. – Edward precisava de muito carinho e atenção, e com a experiência que eu adquiri no centro sabia exatamente como manipulá-lo.
Ela me olha com um ar superior.
- Então você "manipulou" Edward? – pergunto indignada e um pouco encorajada também. Ela estica a mão para pegar o atiçador, mas eu relaxo e olho com um ar intrigado.
- Bella... – diz Tanya da forma mais condescendente possível -... Não é só ele que eu manipulo, eu manipulo todo mundo. Você acha que é fácil ser rica? Acha? – Abro a boca para responder que tenho certeza de que para mim seria facílimo, mas não dou uma palavra com medo que ela resolva me agredir com o atiçador.
- Antigamente as pessoas se curvavam diante de nós e faziam mesuras. As pessoas nos respeitavam só porque tínhamos muito dinheiro. Hoje precisamos justificar por que temos dinheiro. Acho que a culpada disso é a Loteria. – Ela vai andando agitada até a janela. – As pessoas acham que gente rica não tem problemas. Não posso ficar zangada, nem ser grosseira com ninguém, senão corro o risco de ser chamada de puta rica. – Ela dá de ombros. – Eu me cansei disso. Até que um dia decidi ser boazinha e meiga com todo mundo.
- Por isso você foi trabalhar no centro beneficente de apoio aos desesperados?
- É, foi por isso que acabei trabalhando no centro. – Ela me olha, esperando que eu proteste. Mas não protesto; seu dedo está no gatilho e não tenho intenção de receber um tiro. – Eu me cansei dos pretendentes ricos que meu pai me apresentava disfarçadamente. O que eu queria, na verdade, era um homem bom, mas não sabia onde encontrar esse homem. Como eu não tinha qualificações, minha escolha de trabalho era limitada; o centro foi minha terceira tentativa, mas valeu a pena. Homens bons são difíceis de encontrar, Bella. Você deve saber disso.
Eu faço que sim, pois sei muito bem disso. E aquele "homem bom" específico é uma oportunidade que acontece uma única vez na vida, ao que eu saiba.
Tanya enrola uma mecha de cabelo nos dedos e assume um ar distante e sonhador.
– Especialmente um homem bom e honesto como Edward. – diz ela, voltando à realidade e olhando para mim. – E ele é uma potência na cama.
Baixo os olhos.
Essa me bate em cheio na boca do estômago, e quase me faz dobrar para frente. Uma potência, hein? Não que ele vá querer se engraçar para o meu lado, mas eu já sei o que estou perdendo. Ela vira para mim e olha pela janela.
- Vamos ficar muito mais tempo juntos quando ele sair do seu trabalho.
- Sair do seu trabalho? – eu digo em eco.
- Meu pai vai dar um cargo a ele na empresa.
- Mas Edward vai detestar isso! Ele adora o trabalho que faz! – exclamo.
- Veremos. – Minha cabeça dá voltas só de ouvir essa frase. Como ela conseguiu convencer Edward a desistir do seu trabalho? Não gosto nem de pensar nas várias possibilidades remotas.
Eu me levanto para ir embora. Já ouvi mais do que devia. Coloco com cuidado o copo em uma mesinha na lateral e, quando Tanya ouve minha movimentação, vira-se para mim.
- Não pense em sair correndo e contar tudo para ele, Bella. Edward está numa despedida de solteiro e você não vai conseguir encontrá-lo. E é melhor não aparecer aqui amanhã, senão vai ser expulsa pelos meus seguranças. Mesmo com sua ânsia de publicidade seria uma cena muito desagradável.
Sem conseguir dar uma só palavra, sacudo a cabeça.
- E nem passe pela sua cabeça entrar em contato com ele depois do nosso casamento. Vou dizer que você é uma mentirosa compulsiva. E ele vai acreditar em mim. – Faz-se uma pausa enquanto os olhos de Tanya me desafiam a rebelar-me. Ao ver que não tenho qualquer reação, ela dá de ombros e vira as costas novamente. – De qualquer jeito, não faz diferença. Edward é um homem de palavra. – diz, com um sorriso nos lábios. – A grande vantagem dos homens bons é que o compromisso que eles assumem é para o resto da vida.
- Por que cargas d'água você tentou ser minha amiga?
Ela dá de ombros de novo.
– Eu queria manter você por perto. Você... – seus olhos olham devagar para baixo- ... era muito atraente.
Saio da sala aos tropeções, com as lágrimas enuviando minha visão. Puxo com força a imensa porta de carvalho e corro para o Tristão.
Meu maravilhoso Tristão. Atrapalhada com as chaves, finalmente consigo ligar a ignição e rezo para ele não me deixar na mão. Minha rocha em um mar de desespero. Que não seja uma estrutura de areia escorregadia, murmuro para mim mesma quando o motor roda em seco "Vamos, Tristão!", digo batendo as mãos com raiva no painel. Quero sair daqui! Tenho a impressão de que os olhos de Tanya estão logo atrás de mim. Tento de novo, Tristão se desculpa e volta à vida. Engato a primeira, descemos a ladeira e saímos na estrada.
Relaxo um pouco depois de me afastar uns bons quilômetros de Tanya. Não é de surpreender que aquela puta seja amiga de Jessica Falsa Santa. As duas formam um par celestial. Não há dúvida de que Tanya é uma atriz e tanto; ela me enganou completamente. Suas habilidades teatrais dariam inveja à minha mãe.
Tenho de falar com Edward. Tenho de me encontrar com ele e contar tudo. Com a idéia fixa de cumprir essa missão, aperto o acelerador até embaixo. As sebes passam voando e aos poucos são substituídas por um cenário cada vez mais urbano. Um pensamento filtra-se num cantinho da minha cabeça e diminuo a velocidade. E se Edward não quiser saber nada disso? Pensando bem, essa vai ser a última coisa que ele vai querer saber na véspera do seu casamento.
Uma morena aloucada na frente da cavalaria, tocando a corneta ou algum outro instrumento, anunciando está ali para salvá-lo. E não pense, Bella Swan, que ele vai lhe agradecer por essas más notícias, que vai dar um rápido telefonema para o agente de viagem e sair de lua-de-mel com você. É bom parar agora mesmo com essa fantasia, ele a chamou de excêntrica, lembra? E Tanya, com esse papo de compromisso, está certa a respeito de uma coisa: Edward leva esse casamento muito a sério. Já deve ser considerar comprometido. Para ele, tecnicamente falando, quinze horas talvez não faça muita diferença.
Fico ruminando essas coisas e chego a uma conclusão. Edward precisa saber. Mesmo que nunca mais fale comigo, mesmo que decida manter seu compromisso, ainda assim ele precisa saber. Pelo menos uma vez na vida vou fazer a coisa certa. Tristão e eu aceleramos na direção do centro da cidade.
N/a: Postei dois capitulos de uma vez! Vocês devem percebe que o final está cada vez mais perto, na verdade, estamos a dois capitulos do final! Algumas coisas vão rolar até lá hauahsuahsa'.
Tanya é uma vaca no final de contas pessoal! Acho que ninguém ficou surpreso, Tanya sempre é a puta da historia mesmo. E agora? O que será que vai acontecer =D?
Obrigada Milla-pattz pelo review =D. Eu espero que continue gostando ;D.
E também a Deah Ricz, a fiel leitora! Espero que goste dos dois capitulos :*
Então é isso, pessoal! Até o penutimo capitulo!
Até ;*
Maça
