Capítulo 30


A madrugada de sábado começou com a luz do sol entrando por entre a cortina no quarto de Booth, o silêncio quebrado por um alarme estridente.

"Por que ajustou o despertador para tão cedo, Booth?" Temperance grunhiu, esticando o braço sobre o corpo dele, para desligar o maldito barulho.

"Porque..." Ele segurou a cintura dela e a puxou sobre seu corpo, e fungou o pescoço dela, fazendo-a rir incontrolavelmente. "Eu queria fazer amor com minha namorada várias vezes, enquanto estamos sozinhos."

"Sim, mas às cinco da manhã? Não está nem um pouco cansado depois dos exercícios de ontem à noite?"

"Nunca!" ele declarou, rindo entusiasmado. "Temos quase quatro horas para compensar. E, pelos meus cálculos, temos que fazer amor três vezes por dia pelos próximos trinta e dois anos, até estarmos quites." Booth girou-a, até estar sobre ela e beijou seu pescoço, fazendo-a ofegar em delícia.

"Não entendo como calculou isso" ela ofegou, enquanto ele trabalhava, descendo pelo corpo dela, parando a boca onde quer que quisesse. "Como conseguirá prever o tempo que ficaremos separados?"

"Eu inventei a conta, Bones," Booth murmurou contra a pele dela. De repente, ele ergueu a cabeça. "O que quer com 'tempo separados'?" ele exigiu, preocupado.

"Por que inventaria isso?" ela franziu as sobrancelhas, impressionada.

"Hey! Minha pergunta primeiro!" Booth se ergueu para olhar nos olhos dela. "De novo. O que quer dizer com 'tempos separados'?"

"Eu... só... Eu... há uma escavação. E eu estou indecisa se devo participar. Mas..."

"Você quer ir," Booth concluiu.

Ela assentiu. "Sim."

"Onde? E por quanto tempo?"

"Peru, por seis semanas, mas percebi que ficar todo o tempo lá seria impossível."

Booth suspirou. "Vou sentir muito a sua falta."

"Ou talvez pudesse me acompanhar, se quiser" Temperance sugeriu.

Ele torceu a boca. "Não sentirei tanta falta assim. E você terá seu telefone e laptop, certo?" Ele circulou o seio dela com os dedos. "Podemos 'conversar' todos os dias."

"'Conversar' você diz, usar a tecnologia moderna para benefício sexual?"

Booth riu. "Bones, você entendeu uma insinuação? Estou tão orgulhoso agora."

Ela sorriu. "Entendi? Entendi! Acho que estou... OHHH!"

A língua de Booth abriu as dobras dela, mandando uma onda inesperada de prazer pelo seu corpo. Deitado entre as pernas dela, ele lambeu entusiasmado o centro dela, provocando-a delicadamente com as pontas dos dedos. As mãos dela correram pelo cabelo macio, puxando-o para o ponto sensível que tremia desesperadamente. Como ele fazia isso de novo e de novo? E por que eles levaram tanto tempo para cruzar aquela maldita linha? Booth tinha razão. Eles tinham um tempo precioso para recuperar.


"Onde você foi? Na quarta à tarde?"

Temperance baixou a colher sobre o cereal à sua frente. "O que?"

"Bem... fui ao laboratório te surpreender. E Angela disse que você tinha saído. Para me ver, ela pensou. Mas você não foi ao Hoover. Eu perguntei." Booth encheu a boca de ovos, enquanto ela processava a pergunta.

"É isso que esperava, agora que estamos em um relacionamento mutuamente satisfatório? Saber precisamente onde estou e o que estou fazendo o tempo todo? Porque não sei se estou confortável com este grau de familiaridade."

"O que? Não!" ele disparou.

"Ainda preciso de um pouco de privacidade, Booth. Não posso deixar de ser eu mesma."

"Claro que não," Booth admitiu. "Sinto muito. Eu só... fiquei preocupado com você. E você tem estado um pouco distante nos últimos dias."

"Estou perfeitamente bem. Em eu comportamento não tem sido diferente do de costume."

Ele franziu a testa. "Verdade? Isto é normal?"

"É um problema? Estava esperando que eu me comportasse de forma diferente?"

"Não, não. Eu só... quer mais café?"

"Que horas Parker vai chegar?"

Booth olhou para o relógio. "A qualquer momento."

"Então, não." Temperance balançou a cabeça. "Obrigada. Seria mais prático sairmos o mais cedo possível."

"Mas ainda nem tomei banho!" ele protestou.

"Pode tomar banho quando sairmos."

"Huh?"

"Terá grande parte do dia para fazer suas coisas," ela disse.

Booth a encarou, confuso. "Achei que fosse com vocês até o museu."

"Eu nunca disse isso. Pedi se eu, sozinha, poderia ficar com Parker por um dia."

"Oh!" ele disse, baixo. "Entendo. Bem, acho que, se realmente não quer que eu vá, posso encontrar outra coisa para fazer."

"Seria melhor."

"Certo. Ok. Humm..."

O constrangimento foi quebrado por uma batida animada na porta. Booth correu para atender, e seu filho entrou, rapidamente despedindo-se da mãe.

"Bones!" Parker chamou, correndo para ela. "Oh, oi, Papai," ele acrescentou, os braços em volta da cintura de Temperance. Virando-se para ela, ele perguntou, "O bebê já vai chegar?"

"Oi, Parker. Não, ainda não." Ela olhou para Booth, com medo.

O sorriso caloroso de Booth diminuiu a ansiedade que ela sentiu com a situação. "Ei, amigão. Você passará o dia todo com Bones, então, por que não vem aqui e dá um abraço no seu pai, enquanto ela termina de tomar café?"

"Claro, papai. E o que vai fazer hoje?"

Booth franziu o cenho. Sem Bones. Sem Parker. Sem trabalho. O que ele faria hoje?


"Então, você entendeu a agenda de hoje, Parker?"

"Mnn hmm." Parker assentiu entusiasmado, enquanto Temperance estacionava o carro da vaga. "E tenho que ficar perto de você o tempo todo."

"Isso mesmo, Parker. Porque hoje será um dia muito cheio aqui. E temos um trabalho especial para fazer às onze horas exatamente."

"Temos?"

"Sim. Vamos inaugurar uma nova exibição. E terei que fazer um discurso. Mas pensei que você pudesse cortar a faixa, se quiser."

"Verdade? Nossa, isso é tão legal!"

Temperance franziu o cenho ao passageiro, pelo espelho retrovisor. "Isso é bom?"

"Duh!" Parker rolou os olhos à confusão dela.

"Não estou familiarizada com essa expressão, Parker. Pode, por favor, explicar?"


"Oi, Booth. Onde vocês estão? Achei que estariam aqui a essa hora." Booth parou para ouvir a mensagem que Angela deixou enquanto ele tomava banho. Agora, com nada mais ao redor da cintura a não ser uma toalha, ele ouviu atentamente. "Ainda não acredito que pediram a Bren para abrir oficialmente a exibição. De qualquer modo, acho que estão todos a caminho agora, então, te vejo logo."

"O que!" ele exclamou para a máquina, agora em silêncio. "Bones, por que não mencionaria algo tão importante?" Booth suspirou, secando o cabelo com a toalha. "Oh, sim. Porque não percebeu que é o tipo de coisa que é importante."

Seus pensamentos foram interrompidos por uma batida firme na porta. "Droga," ele murmurou, olhando para seu corpo nu. Rapidamente ele passou a toalha pela cintura e olhou pelo olho mágico. Apesar de constantemente dar sermão para Bones, ele finalmente aprendeu sua própria lição, após o incidente com o coveiro. "Droga," ele murmurou de novo, desta vez baixo. Seus pais o esperavam do outro lado da porta.


Temperance sentiu um imenso orgulho, vendo Parker entusiasmado com a nova exibição, que continha esqueletos de piratas de verdade, descobertos na Espanha, junto com seus tesouros. Havia sido considerada a descoberta do século, e o Jeffersonian teve a sorte de ficar o achado pelos próximos seis meses. Ela o levou a um tour particular, antes de oficialmente ser aberta ao público, então, quando chegou a hora da cerimônia oficial, ele estava radiante, e a imprensa fotográfica não se cansava dele.

Mais tarde, enquanto um repórter fazia perguntas, o celular de Temperance vibrou. O identificador de chamadas mostrou que era seu médico. Percebendo que precisava atender, ela se desculpou, dizendo a Parker para ficar exatamente onde estava, até ela voltar.

"Dr Martin, Temperance Brennan. Meus resultados já chegaram?"

"Sim, já. E são boas notícias. Nada anormal apareceu."

"Mas... e todos os meus sintomas?"

"Podem ser explicados por vários motivos," ele acrescentou. "Você disse que parou de tomar anticoncepcional."

"Sim."

"Todos os seus sintomas são hormonais. Pode simplesmente ser uma reação do medicamento saindo do seu organismo. Ou..." Ele fez uma pausa. "Uma em cada quatro mulheres abortam, no primeiro trimestre. Disse que nunca deixou de menstruar?"

"Não," ela respondeu baixo.

"E como está se sentindo hoje?"

"Todos os meus sintomas desapareceram desde que minha menstruação acabou, há dois dias," ela confirmou.

"Honestamente, se eu fosse arriscar um palpite, eu diria que foi o que aconteceu aqui. As estatísticas sugerem que você sofreu um aborto sem nem mesmo ter percebido que estava grávida."

"Oh, entendo." Mas ela pensou que estava grávida. E agora, doía demais saber que havia fracassado. "Obrigada por ligar," ela acrescentou. "Foi muita bondade sua tirar um tempo no final de semana."

Quando desligou o telefone, Temperance percebeu que estava em seu escritório. Onde ela estava quando recebeu a ligação? Sua mente estava vazia. Mas a imensa pilha de trabalho em sua mesa estava olhando diretamente para ela. O que quer que ela estivesse que estar fazendo agora, teria que esperar. Ela deu de ombros de puxou a pilha de papéis em sua direção. Isto a manteria ocupada por enquanto.


TBC