"Caminhando através de um sonho...
Eu vejo você.
Minha luz na escuridão respirando a esperança de uma vida nova.
Agora eu vivo através de você e você através de mim.
Encantador...
Eu rezo em meu coração para que este sonho nunca termine.
Eu me vejo através dos seus olhos
Vivendo a vida e voando alto
Sua vida ilumina o caminho para o paraíso
Então eu ofereço minha vida como sacrifício
Eu vivo através do seu amor
Você me ensina a ver tudo que é belo
Meus sentidos tocam suas palavras eu nunca imaginei
Agora eu te dou minha esperança
Eu me rendo
Eu rezo em meu coração para que este mundo nunca termine
Eu me vejo através dos seus olhos
Vivendo a vida e voando alto
Seu amor ilumina o caminho para o paraíso
Então eu ofereço minha vida
Eu ofereço meu amor pra você
Quando meu coração estava fechado
(e meu espírito estava preso)
Para o mundo que você tem me mostrado
Mas meus olhos não podiam distinguir
Todas as cores do amor e da vida para sempre...
E sempre.
Eu me vejo através dos seus olhos
Voando alto
Seu amor ilumina o caminho para o paraíso
Então eu ofereço a minha vida como sacrifício
Eu vivo através do seu amor
Eu vivo através da sua vida"
I See You – Leona Lewis.
Eu não dormi nada na noite que antecedia a cesárea de Lauren e quando o dia amanheceu eu resolvi levantar.
Dois motivos me tiraram o sono. A ansiedade de um evento importante no qual havia muita espectativa, que era a cesárea de Lauren. E de uma forma estranha eu não queria deixar Forks. Era como se a mágica fosse ser deixada ali e Bella e Carlie passassem a não existir mais na minha vida.
Eu me lembrei de Miami quando fomos lá pela última vez. Eu tive a mesma sensação e dias depois Bella me deixou. Um frio percorreu minha espinha com esse pensamento e eu precisei tocar Bella pra lembrar que ela estava mesmo ali, que era real.
Meu corpo já estava dolorido de ficar tanto tempo parado na mesma posição sem fazer nada. Eu apenas velei o sono de Bella a noite toda e ficava olhando a pele do seu ventre se movimentar com os movimentos de Claire dentro dele. Já era visível as travessuras da nossa pequena e eu olhava fascinado.
Por um momento eu me perguntei como as mulhers conseguiam dormir com uma criança se movendo dentro delas, mas eu logo cheguei a conclusão que elas eram perfeitas e nasceram pra isso.
Instinto talvez.
Talvez seja milagre. Coisas que só Deus explicaria.
Eu beijei a bochecha de Bella, quase sem encostar meus lábios em sua pele. Levantei, fiz minha barba e minha higiene pessoal.
Voltei pro quarto e Bella ainda dormia em nossa cama, seminua. No corpo dela um top curto vermelho, que deixava toda sua barriga a mostra, e uma das suas calcinhas short. Ela estava deitada de lado e usava uns quatro travesseiros juntos. Um na cabeça, um apoiando as costas, um apoiando a barriga e outro entre as pernas.
Eu sorri ao lembrar que na primeira semana que viemos pra nossa casa tivemos que comprar correndo todos esses travesseiros pra que ela dormisse confortavelmente.
Ela estava ainda mais linda e eu me segurei pra não acordá-la e tomá-la novamente naquela cama. Ela precisava de descanso depois da noite passada. Minha menina estava se tornando cada vez mais uma "pequena insaciável" e pedi mentalmente – umas mil vezes. – que aqueles hormônios nunca mais a abandonasse. Nunca.
Sua barriga estava ainda maior, ela dizia que não, mas eu sabia que estava. Eu via que estava.
Eu admirava encantado às mudanças do seu corpo. Por quatro anos eu vi isso acontecer várias e várias vezes, mas ver a minha mulher... não tinha preço.
Bella continuava baixinha e magra, quem a olhasse de costas nunca diria que ela estava grávida, talvez seu quadril um pouco aumentado a denunciasse, mas eu me arriscava a dizer que ela ainda estava mais gostosa do que era antes.
Eu acho que os meus hormônios estavam tão excitados quanto os dela. Bom, dizem que os maridos ficam grávidos junto com as esposas, talvez o meu nível de testosterona acreditasse nisso. Eu não sabia se era porque ela queria sexo toda hora. Eu mal tinha tempo de me recuperar entre uma e outra, mas Jesus! Eu queria tanto quanto ela e às vezes até me esquecia que ela tinha que se alimentar enquanto eu saboreava sua pele com a minha língua.
Estávamos com quase 7 meses de gestação.
Na última consulta Carlie estava com 40 cm e pesava quase 1kg e meio. Essas medidas me fizeram suspirar de alívio porque se acontecesse alguma emergência, nossa menina já tinha um bom peso. Mas nós acreditávamos que estava tudo bem. Eu e Dr. Jones estávamos confiantes com o parto de Bella, que infelizmente teria que ser cesáreo. Seu útero ainda estava fino e nós temíamos que ele não fosse agüentar durante a força do parto e as contrações e se rompesse. Era melhor não arriscar.
Bella era precisosa demais pra mim, assim como Carlie, e eu nunca colocaria a vida dela em risco dessa forma. Eu cuidaria dela depois da cirugia, talvez contratássemos alguém pra ajudá-la com Carlie nos primeiros meses ou mamãe poderia ajudá-la. Mas tudo ficaria bem.
Como Bella podia dizer que a sua barriga não havia crescido?
Pra mim, era visível.
Ao olhá-la eu só tive a confirmação de como elas eram importantes na minha vida e como eu não via à hora de conhecer a nossa garotinha e segurá-la em meus braços.
Deus! Quantos bebês eu segurei pela primeira vezes!
E agora seria o meu bebê. Meu e de Bella.
Eu seria a primeira pessoa do mundo a segurá-la e meu coração inchava só de pensar nisso.
Eu esperava que Bella quisesse mais filhos.
Eu queria meia dúzia deles.
Todos com os olhos e cabelos cor de chocolate. Timidos como ela e que suas bochechas corassem quando fossem surpreendidos ou quando estivessem envergonhados. Que tivessem nossa mania de passar a mão nos cabelos ou puxá-los quando estivessem nervosos.
A meiguice de Bella e seu eterno estado de espírito de menina, que eu amava e admirava tanto quando a mulher forte que ela era.
Eu queria que ela fizesse literatura depois que Carlie nascesse. Eu ainda realizaria o sonho dela em ser professora. O sonho de Charlie.
Eu não me contive e toquei seu rosto.
Ela se mexeu um pouco e deu um meio sorriso.
Quando abriu os olhos ela resmungou.
- Você fez a barba. – fez uma careta.
- Fiz sim. – disse alisando seus cabelos. – Desculpa ter te acordado. Durma, ainda está cedo.
- Que horas são? – ela se esticou.
- Não são nem 7 meu anjo, durma. – beijei seus cabelos.
- Como posso dormir sem você aqui? – ela fez um bico.
- Eu perdi o sono. – disse nervoso.
- Você nem dormiu Edward. – ela revirou os olhos. – Eu te conheço o suficiente pra saber que você está ansioso demais pra dormir.
- Eu não dormi. – admiti olhando pra ela.
- Vem cá. – ela esticou um braço pra mim e eu me deitei mais na cama. Eu estava meio sentado antes.
Eu deitei e ela se aninhou ao meu braço, sua barriga estava quase em cima do meu abdome.
Eu dormi.
Bastou Bella coçar suavemente meus cabelos, ou escová-los com os dedos que eu dormi.
O efeito calmante que ela exercia em mim era supreendente e fascinante.
- Meu anjo... – o meu anjo sussurrava pra mim. – Vamos gatão, está na hora.
Sua risada invadiu meus ouvidos.
Eu me espreguicei e abri meus olhos.
- Que horas são? – perguntei com a voz rouca.
- Quase duas amor. – ela sentou na cama.
A cirurgia era as 4. Eu ainda tinha tempo pra tirar mais um cochilo e...
Meu pensamento morreu quando eu vi que Bella estava apenas de roupão sentada na cama.
O nó estava bem fechado, mas a curva deliciosa dos seus seios sobresaltava no decote do roupão.
- Você está tentando me seduzir? – perguntei apontando pros seus seios.
Ela olhou pro topo deles com uma cara de inocente e sorriu cheia de malícia.
- Oh, isso? – ela abriu o roupão. – Não, me desculpe, foi apenas um descuido meu.
Eu sorri torto pra ela.
- Tudo bem. – fiz um gesto de desdém. – Eu mal tinha reparado.
Ela se levantou no colchão e tirou toda a porra do roupão.
- Ops, eu estou muiiiiito descuidada hoje. – mordeu os lábios.
Eu sentei rápido e desajeitado na cama e a segurei pelo quadril.
- Eu acho que devo te lembrar de como ser uma boa menina meu anjo. – distribui beijos pela pele do seu baixo ventre enquanto minha mão direita deslizava pelo seu sexo úmido.
- Faça isso... – ela sussurrou.
Eu afastei suas pernas e ataquei seu sexo com a minha boca, até ela explodir ainda em pé cama.
Ela me empurrou com o pé pra que eu deitasse na cama e eu me joguei de costas no colchão, ela sentou em meu quadril e me recebeu dentro dela, fazendo eu me perder no seu calor e perder meus sentidos por alguns segundos.
Eu coloquei minhas mãos por baixo do seu quadril, a ajudando a subir e descer em mim.
Mal tínhamos começado e seu primeiro orgasmo a atingiu. Quando o meu chegou, ela me acompanhou mais uma vez.
Ela estava tão ofegante, ainda comigo dentro dela, que a cada respiração sua barriga se contraia.
- Respire anjo. – eu pedi alisando seu quadril suavemente.
- Estou... tentando. – ela fez uma careta.
- Te machuquei? – minhas mãos agora acariciavam seu ventre.
- Você acabou comigo. – ela riu.
- Foi você quem pediu por isso. – a lembrei.
Ela saiu do meu quadril, fazendo com que eu me sentisse sozinho e vazio sem seu calor em volta de mim e deitou ao meu lado.
- Precisamos nos arrumar. – ela disse quando se aninhou a mim.
- Aonde você vai? – quis saber.
- Vou ao hospital com você. – ela disse como se fosse óbvio.
- Eu prefiro que não vá. – falei.
- Porque não? – ela levantou a cabeça e me olhou ofendida.
- Meu anjo, um hospital não é lugar pra uma mulher grávida. – falei. Deus me livre se ela pegasse alguma doença ou infecção por lá.
- Eu sei que não é, mas meu futuro marido fará uma grande operação hoje à tarde e eu quero estar lá pra apoiá-lo quando ele precisar. – ela disse calmamente.
Eu sorri e tirei uma mecha da sua franja que caira em seus olhos.
- Como não amar você Isabella Swan? – perguntei mais pra mim mesmo.
Ela sorriu e me beijou.
- Vamos Dr. Cullen, precisamos de um banho. – ela se levantou nua e foi em direção ao banheiro.
Perdição... seu quadril gritava.
Nós tomamos um banho juntos. Eu a ensaboei e lavei seus cabelos enquanto ela gemia e resmungava que eu a estava excitando.
Nos vestimos com roupas de frio adequadas a Forks e fomos pro hospital na caminhonete.
Eu insisti em comprarmos um carro novo, mas Bella disse que só iria se desfazer da Chevy quando ela morresse e eu estava pensando seriamente em adiantar o processo de falecimento do museu ambulante.
Eu não insisti mais. Eu sabia que a casa já tinha sido uma surpresa de bom tamanho e como quase não viríamos a Forks, deixaríamos a Chevy na garagem. Talvez eu tivesse sorte de quando voltar a Forks ela não ligasse mais e eu também deixei pra comprar um carro pra ela em NY.
O volvo era nosso, mas agora iríamos comprar algo como uma minivan já que éramos uma família.
Meu pai não estava mais em Forks e eu desejei que ele estivesse hoje, seria bom tê-lo por perto no centro cirúrgico, mas ele tinha suas obrigações no Presbiterian e teve que ir.
Quando chegamos ao hospital eu fui direto a sala dos médicos. Vesti meu pijama verde e guardei minha mochila.
Eu nunca deixava de notar os olhares curiosos das pessoas em mim e Bella. Principalmente nela.
As pessoas se perguntavam como a filha do chefe Swan volta pra cidade depois de dois anos, mãe solteira e do nada eu apareço e um anel surge no seu dedo anelar.
No início Bella se sentia mal por ser alvo de fofocas, como nos primeiros dias que ela ficou comigo do hotel e não saía do quarto nem pra comer. Eu que levava suas refeições até ela.
Eu a entendia. Cidade pequena, o que mais as pessoas querem é uma fofoca.
De uns dias pra cá eu percebi que ela não ligava mais pra isso. Ela andava orgulhosa exibindo sua barriga e de mãos dadas comigo aonde íamos em Forks.
Eu a levei comigo até o quarto de Lauren. Nossos dedos sempre entrelaçados.
Mike e os pais de Lauren estavam lá.
Eu os cumprimentei e Bella os abraçou. Quando ela abraçou Mike minha vontade era arrancá-la dos braços dele, mas me contive.
- Como se sente? – perguntei a Lauren.
- Ansiosa. – ela esfregava uma mão na outra. – Vai dar tudo certo não vai? – ela perguntou a mim.
- Faremos o possível Lauren. O que depender de mim dará sim tudo certo. – a tranqüilizei. – A equipe já está esperando a hora que os seus bebês nascerem, eles estarão em boas mãos.
- Você também está querida. – Mike disse a ela. – Dr. Cullen é o mais indicado pra fazer isso.
Ela começou a chorar.
Eu resolvi sair e deixar que sua família a confortasse.
Eu pedi licença a eles e avisei que dentro de 20 minutos viriam buscá-la pra levá-la ao centro cirúrgico.
- Eu preciso ir. – eu disse a Bella quando saímos do quarto. – Não vou ficar tranqüilo com você sozinha por aqui anjo.
- Edward... – ela me repreendeu. – Eu vim pra justamente te deixar calmo meu amor, vai dar tudo certo e eu estarei te esperando aqui fora.
- Eu sei que sim. – encostei minha testa na sua.
- Vai agora. – ela disse. – Eu estarei aqui, não se preocupe, ok?
Eu sorri pra ela antes de beijá-la e voltei a encostar minha testa na dela.
- Daqui a 2 meses seremos nós. – eu disse com um sorriso bobo nos lábios.
- Eu não vejo a hora. – ela retribuiu o mesmo sorriso bobo.
Anunciaram meu nome no alto falante dizendo que a equipe me aguardava no centro cirúrgico.
- Não quer mesmo ir pra casa anjo? – perguntei a ela. – Vai demorar algumas horas.
- Eu vou te esperar. – ela sorriu.
Eu a beijei mais uma vez. Um beijo doce e casto.
E fomos andando até a porta do centro cirúrgico. Tinha uma sala de espera por ali, onde a família dos pacientes esperava a cirugia acabar e foi ali que eu a deixei.
Quando eu passei por aquela porta eu deixei todos os problemas lá fora.
Eu sabia que Bella estaria bem. Estávamos no hospital e nada de ruim aconteceria a ela. Até se ela passasse mal, eu sabia que ela teria a assistência que precisaria.
Eu cumprimentei a equipe e fui até o tanque. Fiz a "esterilização" das minhas mãos junto com Alec, Peter e Victoria que também estavam ali se preparando.
Até Dr. Jones me ajudaria no parto e estranhamente eu estava me sentindo mais seguro com ele ali.
Quando cheguei a sala, Lauren já estava anestesiada, mas acordada e a sua mãe a fazia companhia. Eu pensei em perguntar por que Mike não estava ali e o pior, onde ele estaria.
Eu abstraí o fato de provavelmente ele estar na sala de espera com Bella.
A cirgurgia foi um sucesso. Eu tive que fazer um corte de cesárea maior que o habitual pra que os bebês não sofressem nenhum tipo de dano nos membros.
Depois que eu os tirei, os dois choravam muito, eu os entreguei pra um auxiliar e ele os levou a incubadora que tinha ali.
Agora os gêmeos eram responsabilidade do resto da equipe e minha prioridade era Lauren.
Eu fechei seu corte, camada por camada e finalmente encerramos a cirurgia.
Durou quase 6 horas.
Quando tudo acabou eu só pensava em Bella sozinha na sala de espera.
- Acabamos. – eu avisei a Lauren, enquanto a equipe de enfermeiros e técnicos a limpavam.
- Obrigada Dr. Cullen e os bebês? – ela quis saber.
- Com os pediatras. – falei. – Já, já você irá vê-los.
Ela assentiu e eu fui dar uma olhada nos bebês.
Eles eram lindos e separá-los não seria tão difícil. Pelo menos pelo que eu pude ver.
Eu finalmente tirei todos meus adornos. Máscara, touca, propé, luvas e saí da sala.
Eu precisava de um banho antes de ver Bella, mas eu só avisaria a ela e Mike que acabou e a levaria comigo até a sala dos médicos.
Eu estava faminto também.
Eu segui animado pelo corredor. Lauren e os bebês estavam bem e isso significava que minha missão havia sido cumprida.
Quando eu cheguei a sala de espera eu estaqueei.
Que porra era aquela?
Bella estava agarrada a Mike, quase no colo dele. Ela alisava aquela porra de cabelo loiro dele como ela fazia com o meu, escovando com os dedos. A cabeça dele estava no vão do pescoço dela e ele tinha um sorriso idiota nos lábios.
Meu sangue subiu todo pra cabeça e a touca que eu segurava em uma de minhas mãos quase virou pó de tanto que eu a apertei.
Quanto tempo se passou desde que eu cheguei?
2 minutos.
Meia hora.
1 hora.
Ele não ia soltar ela?
Aquilo era demais pra mim. Eu decidi sair de perto senão eu quebraria a cara dele.
Que inferno! A mulher dele acaba de ganhar os bebês e ele agarra a minha?
Quando eu ia me virar, Mike – que estava com a cabeça apoiada no ombro de Bella que dava pra mim – me viu.
Oh, sim, desculpe. Eu existo porra!
- Eles estão bem. – foi a única coisa que eu consegui dizer. Eles ainda nem haviam se separado e eu já tinha saído dali.
- Edward! – eu ouvi Bella me gritar e andei mais rápido.
Eu esperava que ela não cometesse a loucura de correr atrás de mim.
Eu não fui pra sala dos médicos, fui pro terraço, mas antes me certifiquei que ela não me seguia.
Quando eu cheguei lá, tinha um rapaz. Pelo uniforme, era enfermeiro. E – obrigado Deus! – ele fumava.
- E Lauren? – ele perguntou puxando assunto.
- Está bem. Deve estar descendo pro quarto agora. – falei.
Ele tragou o cigarro e quando soltou a fumaça, aquela maldita nicotina me invadiu.
- Me arruma um? – pedi sem graça.
Eu nunca tinha pedido um cigarro a alguém, em 15 anos de vício. Eu odiava não ter meus próprios cigarros, mas eu estava parando por causa de Bella e Carlie.
Mas hoje, agora, eu precisava fumar.
- Pode ficar, está acabando. – ele me passou uma cartela e dentro tinha 3 cigarros.
Vai ver que ele viu minha cara de viciado desesperado.
Ele acendeu um pra mim antes de sair do terraço.
Eu fiquei ali, fumando e sentindo a leve tontura que aquelas malditas 4.000 substâncias químicas causava em mim por estar tanto tempo sem fumar.
Eu já fumava o terceiro. Eu precisava acender um com o outro já que não tinha isqueiro.
Eu encarei o cigarro e o traguei mais uma vez.
- Maldito vício. – murmurei encarando aquilo que eu sabia que um dia ia me matar.
- Você tinha largado ele. – eu não precisava me virar pra ver quem era.
Eu reconheceria aquela voz mesmo se estivesse surdo. Ela devia estar na porta, a uns 4 metros de mim. Ela não entraria enquanto eu estivesse fumando.
Eu não respondi.
- Fiquei sabendo que correu tudo bem... – ela disse.
Não respondi e também não me virei pra encará-la.
- Eu vi os bebês, são lindos. – sua voz me passava angustia, mas mesmo assim não respondi.
Eu traguei meu cigarro mais uma vez rezando pra que ele não acabasse. Eu queria ficar sozinho e se ele acabasse Bella se aproximaria.
- Edward... – eu a cortei.
- Me espere lá embaixo Isabella, eu já desço. – pedi. Eu pude ouvir a espereza na minha voz.
- Eu não vou sair enquanto não me ouvir. – eu traguei o cigarro e o apaguei no chão.
- Então curta o frio de Forks sozinha. – eu passei por ela e saí.
Eu estava cego de ciúmes.
Alguém tinha tocado o que era meu.
E o pior...
Alguém que teve ela antes de eu conhecê-la.
Isso só fez meu ciúme aumentar e minha vontade era socar a cara de Mike Newton por um dia ele ter beijado Bella como eu beijo ela.
Tocado na pele dela como eu toco. Saber seu ponto fraco e onde ela gostava de ser tocada...
Eu fui andando furioso até a sala dos médicos, peguei minha mochila e entrei no vestiário.
Eu tomei uma ducha quente e coloquei a roupa que eu tinha usado pra vim pro hospital.
Quando eu saí do vestiário, Bella estava sentada no sofá da sala.
- Será que você pode agir como homem e conversar? – ela perguntou fria.
- Eu não quero conversar com você. – disse guardando minhas coisas de higiene pessoal na mochila. – Podemos ir? Eu estou com fome e você precisa comer. – disse sem emoção.
Ela revirou os olhos e nós saímos.
Já era um pouco mais de 10hs da noite e não tinha nada aberto, então eu resolvi ir direto pra casa e comer qualquer coisa que tivesse por lá.
Eu deixei minha mochila no sofá e fui pra cozinha.
Fiz dois sanduiches de geléia de uva que eu sabia que Bella gostava e a chamei.
- Isabella vem comer.
- Estou sem fome. – ela gritou da sala.
- Eu não vou chamar de novo. – deixei que ela percebesse o quanto eu estava irritado pelo meu tom de voz.
A TV foi desligada.
Ela apareceu na porta da cozinha com os braços cruzados na frente do peito e apoiadas em cima da barriga.
- Eu não quero comer e não vou comer Edward. Você não manda em mim. – ela jogou as palavras.
- Mas você carrega a minha filha e enquanto ela estiver ai... – apontei sua barriga. – Você deve se cuidar.
Ela ficou quieta e respirou fundo.
- Sente-se e coma Isabella. – disse frio.
- Pára. De. Me. Chamar. Disso. – ela disse entre os dentes.
- Até onde eu sei é seu nome. – eu larguei meu sanduíche no prato e a encarei. – Você não gosta quando eu te chamo de Isabella, ou é uma regra geral? Sim, porque eu já ouvi Mike te chamar assim e você não reclamou.
Ela corou, mas dessa vez foi de raiva.
- Eu odeio você! – ela gritou. – Odeio essa sua prepotência de dono da razão. Você sequer me ouviu Edward! Que inferno! – ela ainda gritava.
- Coma. – ordenei calmamente.
- Pro inferno você e seu sanduíche. – ela se virou e saiu da cozinha.
Eu ainda acabei de comer meu sanduíche e tomei um copo de água.
Coloquei um copo de suco pra ela e fui até o quarto.
Ela estava deitada de lado, virada pra janela e seus soluços ecoavam pelo quarto.
- Seu sanduíche está aqui. – eu disse.
Eu ainda estava muito puto e realmente, naquele momento, não importava dela estar chorando. Eu nem sequer sei se eu queria uma explicação praquilo que eu vi no hospital.
- Me deixe... Ed-ward. – ela soluçou.
Eu deixei.
Saí do quarto com meu travesseiro e deitei no sofá.
Talvez o cansaço de 6 horas de tensão em pé me fez adormecer rápido.
Eu acordei tarde e a sensação de estar livre de obrigações era maravilhosa. Eu só precisava dar uma olhada em Lauren e seus pontos hoje e amanhã e voltaríamos pra NY.
Eu ainda estava deitado no sofá, dolorido por ele não comportar meu corpo inteiro, quando vi Bella passando de um lado pro outro na sala.
Ela ia e voltava entre o banheiro social, a cozinha e nosso quarto.
Eu me levantei e fui até o quarto, onde ela estava agora, eu devia desculpas a ela por ter deixado que ela chorasse sozinha ontem, mas eu não pediria enquanto ela me desse uma explicação convincente sobre o que eu vi ontem na sala de espera.
- Isabella? – eu a chamei preocupado quando entrei no quarto e vi apenas uma bolsa de viagem em cima da cama.
Ela saiu do banheiro – me ignorando completamente. – e jogou algo que estava em suas mãos dentro da bolsa, a fechando com violência.
- O que pensa que está fazendo? – perguntei irritado.
Ela se virou e me olhou.
- Estou indo pra casa de Sue. – ela disse. – Ela já está avisada.
- Não, eu acho que você não vai. – eu cruzei os braços na frente do peito.
- Eu acho que eu já te disse que você não manda em mim Edward. – ela falou meio alterada.
- Pode ser que sim, mas você não vai a lugar algum. – disse firme. – Não enquanto carregar a minha filha.
- Você é a porra de um hipócrita! – ela gritou. – Cadê aquela merda de conversa de "você não me deixou explicar" ou "precisávamos ter conversado". Você me julgou e está fazendo o mesmo que eu.
Eu andei pelo quarto e me sentei na poltrona que tinha ali. Meus braços ainda cruzados.
- Vá em frente. Se tiver uma explicação pra o que eu vi, eu vou te ouvir. – falei calmamente.
Ela passou a mãos pelos cabelos nervosamente e sentou na cama.
- Mike é meu amigo Edward. – ela levantou os olhos e me fitou.
- Amigo Bella? – sorri sem humor. – Vocês namoraram por quanto tempo? – perguntei.
- Quase 3 anos. – ela respondeu. – Mas isso não significa nada! Ele não é nada pra mim há 2 anos Edward. Pelo amor de Deus!
- Como você se sentiria se fosse o contrário Isabella? – perguntei. – Como você se sentiria se me visse abraçado a Jessica com ela quase em meu colo enquanto eu alisava a PORRA DO CABELO DELA? – eu gritei.
Ela ficou quieta e fitou os pés.
- Bom, seu silêncio já me diz tudo. – me levantei da poltrona. – Desfaça essa bolsa e arrume suas malas. Amanhã vamos pra NY.
- Eu não sei mais se quero ir. – ela me olhou. – Você não acredita em mim, não me deixa nem explicar... o que eu vou fazer em NY?
- Isabella faça a porra das suas malas e não discuta, ok? – pedi com raiva.
- Como você acha que eu me senti quando me disse que estava com Jessica nos últimos 4 meses? – ela quase sussurrou.
- Nós não estávamos juntos nos últimos 4 meses. – eu disse.
- Você dormiu com ela? – ela me olhou. Seus olhos estavam tristes agora.
- Não. – me limitei a responder.
Dormir, no sentido literal da palavra, eu não tinha.
- Você transou com ela Edward? – ela enfatizou.
- Bella... – eu esfreguei a palma direita no rosto.
- Que direito você acha que tem de me condenar por um abraço em um ex, se enquanto estávamos separados você comia a sua ex Edward? Você é hipócrita! – sua voz estava seca e agressiva.
- Eu não transei com a Jessica, ok? – deixei claro.
Foi quase, mas quando eu estava quase dentro dela e vi o rosto de Bella, eu percebi a merda que eu estava fazendo.
- Eu não acredito em você. – ela disse com escárnio.
- Porque você estava abraçada a Mike Bella? – perguntei calmamente.
- Oh... – ela fingiu suspresa. – Agora você quer saber? – ela foi irônica.
- Sim. – me limitei a responder.
Ela revirou os olhos e se ajeitou na cama.
- Mike é meu amigo Edward, nem sei desde quando. Erámos amigos muito antes de namorados e ele estava num momento difícil. Estava preocupado com os seus filhos e Lauren... e eu só estava tentando confortá-lo.
- Sentando no colo dele? – agora eu perguntei com ironia.
- Você é um idiota! – ela balançou a cabeça.
Eu a deixei sentada na cama e me tranquei no banheiro.
Tomei um banho e quando voltei pro quarto ela não estava lá.
Eu me arrumei pra ir ao hospital e liguei pra Sue.
Eu pedi a ela que viesse ficar com Bella por algumas horas. Eu sabia que ela era teimosa e orgulhosa o suficiente pra não me avisar se acontecesse alguma coisa com ela ou Carlie.
Quando Sue chegou, eu saí.
Eu fiz minha rotina com Lauren e graças a Deus ela estava se recuperando bem. Vi os bebês e os médicos decidiram operá-los daqui a 15 dias.
Quando cheguei em casa, Sue via televisão na sala sozinha.
- Como ela esta? – perguntei a Sue depois que fechei a porta.
- Agora está dormindo, mas ela chorou a tarde inteira Edward. – ela se levantou do sofá. – Veja bem o que você está fazendo meu filho. Bella é louca por você e você por ela, mas você está deixando um ciúme sem sentido te cegar.
- Você não viu o que eu vi Sue. – eu balancei a cabeça.
- Eu já vi várias vezes meu filho. – ela disse. – Bella é muito apegada e carinhosa demais. Ela é assim com todos desde de Seth que é como um irmão pra ela até os meninos da reserva. Ela é inocente Edward e as vezes não percebe a malícia das pessoas, mas seu coração enorme a faz agir por impulso.
- Eu sei Sue. – eu sabia que ela estava certa. Bella tinha um coração enorme e eu já tinha visto ela abraçar Jasper com intimidade demais.
Talvez fosse paranóia minha.
Eu estava vendo coisas que não existem?
Talvez eu esteja ficando louco.
Eu esfreguei a mão no rosto e fitei Sue.
- Obrigado por ficar com ela. – eu disse. – Talvez amanhã já podemos ir pra casa.
- Ela me disse que não vai, mas eu sei que ela quer ir. – Sue deu um pequeno sorriso. – Ela enjoou e vomitou algumas vezes hoje e eu vou te pedir pra não ser tão agressivo com ela Edward. Conversem com calma e não deixe nada atrapalhar o amor de vocês.
Eu a acompanhei até a porta quando ela disse que tinha que ir pro restaurante e nos despedimos, depois que eu a agradeci mais uma vez.
Eu fui até o quarto e Bella dormia virada pra janela.
Eu parei a sua frente e era impossível não perceber seus olhos inchados e o nariz vermelho, assim como uns pequenos espasmos de soluço que seu peito ainda dava.
Eu me senti um monstro. Por ter sentido um ciúme tão doentio, por não ter a escutado, por não me importar que ela chorasse, por deixar que ela dormisse sozinha e fazê-la pensar que eu transei com Jessica.
Eu tomei um banho e coloquei uma calça de flanela.
Quando retornei ao quarto eu deitei atrás dela e moldei nossos corpos, passando um braço por sua cintura e descansando minha mão em seu ventre.
Nós não dissemos nada, mas eu sabia que ele tinha acordado quando ela voltou a soluçar.
- Eu queria que você acre-ditasse e-em mim. – ela disse entre os seus soluços.
- Eu acredito meu anjo. Me desculpe. – pedi escondendo meu rosto em seu pescoço, absorvendo seu cheiro fresco de morango.
- Eu amo você Edward e você duvidou de mim. – ela disse com a voz embargada.
- Me desculpe Bella, mas eu senti um ciúme louco quando te vi abraçada a ele. – me defendi.
- Pelo menos você sabe agora como me sinto em relação à Jessica. – ela disse.
- Eu não tive ninguém nesses 4 meses Bella. – eu disse. – Se eu disser pra você que eu não tentei, eu estaria mentindo. Eu tentei, mas nenhuma era você anjo. Nenhum corpo era como o seu, nenhuma tinha o seu cheiro ou seu gosto... eu só queria você e isso, nenhuma delas podia me dar.
Ela virou e ficou de frente pra mim.
- Me desculpe por ter sido um grosso. – pedi. - Sue disse que passou mal...
- Enjôo. – ela disse.
Eu a abracei, a aninhando em meu braço.
- Está tudo bem, não está? – perguntei. Eu me referia a nós dois.
- Vai ficar. – ela levantou a mão e começou a escovar meu rosto onde, até ontem, estava minha barba.
- Eu gosto da sua barba crescida. – ela sussurrou.
- Vou deixar crescer de novo. – eu sorri antes de beijar seus cabelos.
- Só um pouquinho. – ela deu uma risada.
- Só um pouquinho.
Nós dormimos abraçado um no outro e acordamos na mesma posição.
Bella ficou em casa fazendo as malas enquanto eu ia fazer minha rotina no hospital.
Lauren já estava bem e eu dei alta a ela.
Quase no final da tarde Bella foi me buscar e nós nos despedimos da equipe de NY e do Dr. Jones, que nos deu o prontuário de Bella e todos os seus exames pra que entregássemos a Luka em NY.
Devo confessar que eu senti um pouco de culpa quando Bella se despediu friamente de Mike.
Nos despedimos de Sue e sua família também. Alguns amigos de Bella da reserva estavam por lá e fizeram uma grande festa de despedida pra Bella. Ela chorou como uma criança.
A van do hospital nos levou até o aeroporto em Seattle e depois de algumas horas por lá, embarcamos rumo a NY.
Estávamos voltando pra casa e Bella estava feliz.
Mas aquela sensação me acompanhava durante a viagem.
Eu abracei mais o corpo de Bella naquela poltrona da primeira classe esperando que aquela sensação fosse embora enquanto minha mente repetia "ela está aqui, nada vai acontecer".
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