– Aimi, já disse que não e não!

– Mãe! Já tenho 21 anos! – Aimi proclamava com a voz alta – Preciso ajudar nos custos dessa casa...

– Fala baixo!

– Não dá para falar baixo e nem me calar, é irritante demais! Já se passaram sete anos, eu trancafiada aqui como se fosse um vaso de decoração! Seu trabalho como cozinheira e costureira não tá dando para sustentar a casa!

A mãe começou a chorar. Tess, o irmão mais velho de Aimi que estava transformado em um cachorro de brinquedo, observava tudo. Sete anos se passaram e ele já havia se conformado em ficar assim. Mas ver a mãe e irmã brigando por causa da "prisão" da jovem ruiva era horrível. Nada podia fazer.

– Mamãe... deixa-me procurar algum trabalho... aqui mesmo em Dressrosa, não vou sair do país!

– Prefiro mendigar nas ruas com você ao meu lado, que viver sozinha e perder mais um dos meus!

– Mamãe, isso não vai acontecer! Dressrosa é agora um lugar pacífico! Nosso rei prospera junto com Dressrosa, não lê os jornais?

A velha sentou à mesa e continuou a chorar. Tess aproximou-se aos pés de sua mãe, que olhava o brinquedo.

– ...se ao menos Tess estivesse aqui... ele te protegia. Ele trabalharia para nós.

– Eu também posso, mamãe!

– Vai por mim... se você sair daqui... não voltará mais... – e caiu aos choros e soluços.

Aimi puxou outra cadeira e sentou à mesa também.

– Confia em mim, mãe! Garanto a você que vou ajudar a prosperarmos juntas! Você sabe bem... já está mais velha e com problemas de saúde. Quero muito poder arranjar um emprego e conseguir dinheiro para te ajudar, também. Isso me dói bastante, não poder te ajudar como se deve!

– Se quer mesmo que eu tenha paz interior... peço que não saia daqui agora. Espera mais um pouco...

– Já são sete anos trancafiada aqui, mamãe! Eu também não devo estar com a melhor saúde. Precisamos juntas lutar para vencer! Eu tenho que sair de casa e arrumar dinheiro para ajudar. Aceita isso, mamãe. Já imaginou eu ficar doente seriamente? E morrer aqui em frente a você?

– Ah, vira essa boca para lá! – a mulher se levantou, indo pegar seus bordados.

– Não é tão ruim ou até pior que me ver correr risco fora de casa?

A mulher se calou, se isolando em uma cadeira de balanço e terminando seus bordados. Tess ficou nos pés de Aimi, então.

– Mãe... espero ouvir sua permissão... pois por respeito, espero ouvir isso. Mas sairei de qualquer jeito, viu?!

– Faça o que quiser!

– Sério?

– Deixa-me em paz!

Aimi sentiu lágrimas virem em seus olhos. A ruiva de longos cabelos ondulados se levantou, sorridente. Mas não quis se aproximar da mãe mal-humorada. Naquela manhã mesmo, ela colocou o melhor vestido, a melhor maquiagem e o melhor sorriso estampado no rosto. Era motivo de celebração, o qual só dividia com Tess, abraçando-o muito.

– Viu só, Peludinho?! A gente tem que celebrar muito, pois hoje começa uma nova fase na vida de nossa família!

Tess chorava junto, mas como brinquedo, não podia expressar suas emoções. Apenas abanava o rabinho de lata e olhava para Aimi, que havia se tornado uma bela moça.

Ao sair de casa, ela respirou bem fundo. O ar puro da rua. A animação. Pessoas andando, crianças correndo. Uma adolescência perdida confinada em casa, mas isso era passado. Uma das vizinhas observou uma mulher ruiva saindo da casa de sua velha amiga.

– Ei... aquela não é Aimi? – esta mesma vizinha perguntou a uma senhora mais próxima.

– Aimi? Nossa! Aquela mulher?

– E ela está saindo sem a permissão da mãe?!

– Vamos até a nossa amiga contar, talvez ela esteja fugindo.

– Humm... para quem está fugindo, está muito calma. E alegre demais!

Elas abandonaram o que faziam para bater à porta da casa da mãe de Aimi, que atendeu séria.

– Nós vimos Aimi sair daqui sem sua permissão...

– Eu a permiti. Aliás, não permito e nem proíbo mais nada. Já é maior de idade e livre para fazer o que quiser!

E caiu no chão aos choros, sendo acudida pelas duas mulheres.

...

Aimi passou uns dias fora de casa – tinha deixado um bilhete para a mãe em cima da mesa antes de sair. Em uma praça de Acacia – onde morava -, ela lia o jornal do dia que havia comprado. Curiosamente, olhou um anúncio que lhe chamou atenção.

"Trabalhadores para o Rei à procura: Estamos recrutando pessoas de todas as idades para que possam ser útil e contribuir para o reinado de Dressrosa e servir a Vossa Majestade Donquixote Doflamingo."

E ela leu todo o artigo envolvido naquele anúncio. Havia vários tipos de serviços, até educacional para crianças e adolescentes. Tudo encaminhado para serem úteis para o rei futuramente. Um deles ela destacou com um lápis.

"Mulheres, maiores de idade, estão sendo recrutadas para serviços domésticos e afins. Todos os benefícios e direitos incluídos. Favor apresentar-se aos Oficiais no palácio. Das oito até às vinte horas."

– Esse mesmo! Esse emprego que eu quero! – disse a garota, levantando-se e indo até o palácio se apresentar como uma candidata. Seria uma longa caminhada, mas era preciso fazer tudo logo. Prometeu para si mesmo que voltaria com um emprego para a casa.

Sentiu uma leve emoção em estar diante do grande palácio de Dressrosa. Lembrou-se da vez em que esteve diante de Doflamingo...

Doflamingo agradava o povo com um discurso simples. Ele, no fundo, curtia ser bajulado como um rei – o rei que sempre foi daquele lugar, junto aos seus ancestrais. Quando Aimi percebeu, estava engolida no meio daquela gente. Mais pessoas tinham aparecido atrás dela. Mas o que importava naquele momento era conhecer no novo rei, o rei que só tinha conhecido pelos jornais. Empolgada, ela resolveu se aproximar mais. Ficou bem perto do palanque enorme e guardado por homens enormes e vestidos tão individualmente caracterizados... e todos saudavam o rei, e ela também.

Ao acabar o discurso, ele saiu dali e os outros do bando foram expulsando as pessoas do caminho. Muita gente quis aproveitar-se e por na frente dela, fosse para lhe cumprimentar ou admirar pessoalmente. Aimi tentou evitar aquela multidão, mas não conseguiu. E sem querer, estava mais perto dos oficiais e do loiro de casaco de penas de flamingo. Um grupo passou correndo até ele, e derrubou Aimi no chão com certa violência, fazendo-a gritar de dor. Havia batido com a lateral do quadril esquerdo no chão e sentiu uma forte dor, sem contar que também acertou a lateral do corpo no chão. O gritinho chamou a atenção do próprio, que olhou para trás.

– Alguma criança foi atingida?

– Não sei, Doffy. Mas deixa-os para lá, eles que se resolvam. – disse Diamante.

Algo fez Doflamingo parar e voltar um pouco mais para trás. A voz infanto-juvenil pedia socorro. Aimi não conseguia se levantar e estava quase sendo pisoteada. Ele ordenou que todos parassem ali, e seguiu em direção aos gritos. As pessoas abriram o caminho. Incrivelmente, todos lhe obedeceram e ele pode andar no meio do povo sem ser agarrado pelos fãs. E encontrou uma pequena criatura, chorando, caída no chão com a mão no quadril. Foi até ela. Aimi chorava desesperada, achando que morreria pisoteada ali, até que viu enormes pés pararem diante dela. Ela olhou para cima. O próprio rei foi até ela para ver o que acontecia. Ele se agachou e estendeu a mão enorme. Ela olhava-o assustada, mas entendeu que ele queria ajudar.

– Está tudo bem, agora. – disse ele, esperando ela lhe dar a mãozinha para ele a levantar.

Ela olhou para ele com seus olhos negros, umedecidos. Deu a mão para ele, que a levantou. Mesmo de pé, ela ainda estava com a mão no quadril.

– Eu ouvi os gritos de uma menina e não poderia deixar morrer assim, pisoteada.

– ...obrigada. – Aimi agradeceu em tom baixo, abaixando a cabeça. Estava tão sem-jeito diante de uma figura tão importante e poderosa como Doflamingo.

– Fufufu... você está bem? – ele olhou para a lateral esquerda da menina ruiva.

– ..estou... ai, está tudo bem...

– É, Doflamingo... aquela menina cresceu... e agora está aqui procurando um trabalho em seu castelo... – ela comentou para si, lembrando-se disso.

Ela foi recebida por Baby 5.

– O que deseja, plebeia?

– Olha, vim por causa desse anúncio aqui. – Aimi mostrou o jornal para ela. Baby 5, também mais mulher agora, dava uma baforada em seu cigarro. – gostaria que nosso rei pudesse me dar a oportunidade de poder lhe servir.

Baby 5 olhou rapidamente Aimi da cabeça para baixo.

– Pode entrar, moça! – disse a morena, acolhendo a ruiva amistosamente.

A jovem Aimi ficou maravilhada por pisar em um lugar tão chique. Haviam outras pessoas pelo jardim do castelo, na maioria mulheres. Passou pela piscina enorme do castelo, com um pouco menos de dez garotas esbeltas em biquínis meio indiscretos.

– Vamos falar com o rei?

– Não... primeiramente você falará com nossos oficiais.

– Ah, sim.

E estes olharam Aimi curiosos, vendo uma excelente mão na roda – no meio dos funcionários que trabalhavam para o rei. Como era bem bonita, logo acharam que Doflamingo a usaria para ser uma de suas "garotas", como aquelas outras que Aimi viu na piscina. Em recentes anos, Doflamingo acatou a sugestão de Diamante em ter umas garotas exclusivas para se divertir, visto que a solidão o deixava mais "carente" perante mulheres. Mas Aimi queria o serviço doméstico, e destacou isso.

– Sou hábil nos serviços domésticos. Se quiserem, posso fazer uma amostra do meu serviço hoje mesmo.

– Bhé-hehehehe... isso quem vai decidir é o nosso rei, minha querida! – disse Trebol, analisando-a de cima para baixo.

– Claro, claro... o que ele quiser. – Aimi concordou.

Uma pequena ansiedade a deixava levemente tensa. Rever aquele rei... e poder finalmente trabalhar para ele para ajudar a mãe... seria o sonho realizado em menos de doze horas.

Doflamingo mandou chama-la até a grande varanda do palácio, onde estava descansando. Aimi foi deixada ali por Baby 5, que pediu licença antes de sair. Ele estava de costas até então, quando virou e deparou-se com aquela criatura diante de si. Sorriu longamente.

– Ora... se passou pelos meus oficiais, é porque é de confiança!

A voz grave e levemente áspera dele a fez tremer por dentro. Aimi parecia hipnotizada em vê-lo. E ele impressionou-se de cara com a boa aparência da mulher que estava diante de si.

– Aproxima-se... senta aqui, vamos nos conhecer. – ele tirou a almofada de uma das cadeiras para ela se sentar, enquanto ele sentava-se na outra cadeira à frente desta.

Aimi aproximou-se timidamente, com o jornal enrolado na mão, e se sentou. De repente, Doflamingo sentiu algo familiar e inexplicável na figura de Aimi. Como se... já tivesse visto uma vez aqueles olhos negros e dóceis.

– Então, quer trabalhar para mim?

– Sim...

– E por quer?

Ela não soube responder aquela pergunta por alguns segundos, até que conseguiu falar.

– Eu... estou a procura de um trabalho... para ajudar minha velha e adoecida mãe... que já não dá mais conta em sustentar a casa sozinha.

– Humm... – ele coçava o queixo enquanto ouvia – por uma boa razão você quer trabalhar aqui... e já teve outra experiência de trabalho?

– Não, senhor. Apenas ajudava a minha mãe a vender as peças de bordado dentro de casa, eu nunca saí dela durante a adolescência. – Aimi falou tudo inocentemente. Não sentiu necessidade de falar a total verdade sobre seu passado.

– Como?! Vivia trancafiada? – ele perguntou surpreso.

– É... desde a perda do meu pai e desaparecimento do meu irmão, ela me protegia muito. Tudo por causa daquele maldito rei anterior.

– Fufufufu... é verdade. Riku foi muito mau naquele dia, não é? – ele ajeitou os óculos, aproximando-se um pouco mais dela arrastando a sua cadeira.

– Bom, mas preferia continuar a falar sobre minha possibilidade aqui...

– Ah, claro... ah, já está aceita!

– Sério?!

– É!

Aimi abriu um belo sorriso, feliz em ter conseguido tão rápido.

– Ah... – ela se levantou – eu... nem sei como agradecer...

– Sendo uma boa serva!

– Eu... antes, posso ir falar com a minha mãe e contar a novidade para ela?

– Heheh... pode. Mas olha... avisa também que passará a morar aqui quando vier trabalhar para mim.

– ...ah... – ela falou meio desapontada.

– Que foi?

– É que... não sei como minha mãe vai reagir... eu achava que poderia continuar a morar com ela...

– Você vem de Acacia, não é?

– Sim.

– Bom caminho até aqui.

– Mamãe pode vir junto?

Doflamingo não gostou da ideia de trazer uma velha doente para lá, mas nada falou sobre isso, camuflando sua resposta.

– Bom... para morar aqui... tem que ser útil em algum trabalho.

– Minha mãe borda diversas peças, eu também sei fazer isso.

De repente, ele se lembrou de Melissa. Apertou os lábios, ao ouvi-la falar disso, pois Melissa também o fazia. Já tinha se esquecido de seu primeiro amor, e agora... havia se lembrado dela. Mas não sentiu nenhum tipo de melancolia ou tristeza. Sentiu uma saudável nostalgia ao observar aquela moça tão doce lhe falando.

– Pensarei a respeito... mas permitirei que volte para falar com sua mãe. Mas amanhã, às duas da tarde, esteja aqui novamente. Sem falta, ...é, qual é seu nome mesmo?

– Aimi.

– Aimi... Aimi... – ele repetia o nome como se lhe agradasse. Secretamente, ela sentia arrepios leves ao ouvir seu nome na voz dele.

– Prometo estar aqui nesse horário, Vossa Majestade.

– Por favor... como um membro de nossa família, pode me chamar pelo nome. – ele abraçou-a pelo ombro, caminhando com ela até onde estava Baby 5, que foi ordenada a leva-la para a casa através de um veículo móvel. Aimi agradeceu muito a ele, beijando-lhe a mão enorme. De repente, ele a olhou com a boca semiaberta e ela sentiu enrubescer levemente. Ele disfarçou com um sorriso mágico que a fez fixar os olhos nele. O que acontecia consigo, Aimi não entendia. Porém, despediu-se do rei como uma plebeia apenas.

A ruiva entrou em sua casa extremamente alegre, procurando pela mãe.

– Mamãe! Consegui um trabalho no palácio do rei!

– ...como? – a mãe apareceu na porta da cozinha. Estava com grossas olheiras, devido aos choros naquele dia.

– Sim, mamãe! Eu falei com o próprio rei!

– Mentira, isso é impossível!

– Olha isso aqui, mamãe... – ela mostrou o jornal e o tal anúncio – fui hoje mesmo e fui recebida pelos oficiais do rei, e amanhã mesmo, às duas horas, devo me apresentar oficialmente para o rei. E... passarei a viver lá, mas prometo vim vê-la todos os fins de semana...

– O quê?! Eu ouvi direito?! Vai morar lá e me deixar aqui sozinha?! – a velha se descontrolou, largou tudo o que estava fazendo e colocou as mãos na cintura, abismada com o que a filha dissera. Era óbvio que em sua mente traumatizada com o passado apenas veria aquilo como uma forma da filha ser tirada dela para um trabalho tão sujo como o que ela imaginava.

– Calma, mãe! – a jovem tentou acalmá-la. Já sabia que aquela seria a reação de sua mãe, mas não pensou que talvez pudesse ser pior.

– Vai ser o quê, hein?! Concubina do rei, não é? – ela cuspiu as palavras com nojo, vendo a filha, vestida de forma decente diante dela, de repente ser tornada nada além de uma mulher fácil para os desejos do rei.

– Mamãe!

A mulher estava cega de ira e de medo. Ela empurrou as louças que lavara no chão, com raiva por aquela situação. Como tudo aquilo foi acontecer? A garota tinha que crescer e querer ser independente, claro, os jovens eram todos assim...

Mas para ser uma simples concubina. Aquilo era o fim. A filha que tanto protegeu a vida inteira, manteve sã e salva da crueldade daquele país simplesmente queria largar tudo, demonstrar completa ingratidão para ser uma mulherzinha sem caráter?

– Já entendi... – ela estreitou os olhos, apontando para a porta e mordendo o lábio inferior antes de falar. -E te digo mais: se sair daqui para ir trabalhar, faça o favor de nunca mais voltar!

Aimi ficou pasma em ouvir aquilo da mãe. Ela sentiu o coração sendo partido naquele momento por ver uma reação tão horrível de sua mãe. Ela tentou alcançar a mulher, mas ela recuou alguns passos para ficar longe.

– Mãe... você pensa do que fala antes?

– Nem preciso pensar muito, minha filha...

– Eu vou ser uma empregada doméstica, apenas... e não a concubina do rei. E mais, eu vou convencer ele a...

– CHEGA! – berrou o mais alto o possível.

Tess foi até os pés da senhora. Ele apenas queria acalmá-la, queria que aquela gritaria acabasse. Era triste ver a mãe sofrendo daquela forma por Aimi. Ele chorou um pouco, tentando alcançar o final do avental dela, afim de ao menos tentar fazê-la parar de chorar, mas o que aconteceu foi o completo oposto. Ela olhou pra ele com desgosto e o chutou. Ele se chocou contra a parede, e sentiu como se nenhuma peça quebrada fosse suficiente para extrapolar a dor que sentia no coração.

– Brinquedo estúpido! Não venha me aborrecer!

– MÃE! – agora foi Aimi quem gritou, indo socorrer Tess, horrorizada e com lágrimas nos olhos. Ajoelhou-se diante do brinquedo choroso e o pegou, com tanto afeto que era como se soubesse que era o irmão que estava ali dentro daquele corpo de lata. Com ele no colo e abração firmemente, encarou a mãe desesperada – eu vou levar o Peludinho comigo! Mas fique ciente que ainda vou ajudar aqui em casa com o dinheiro do meu trabalho.

– Não quero mais nada vindo de você!

– Não diga isso, mãe!

Peludinho conseguia emitir ganidos de choro. Tess realmente chorava e ficou surpreso em poder expressar isso como brinquedo. Era a primeira vez que isso acontecia. Depois de uma longa noite de discussão, Aimi ainda dormiu em casa com seu irmão transformado em brinquedo nos braços.

E no dia seguinte, ao ir embora, surpreendeu-se com o brinquedo recusar em sair de casa.

– Mas Peludinho... viu como a mamãe é brava? Imagina ela nas crises enquanto estiver só! Ela vai te quebrar todo!

Tess se esforçava para passar confiança pelos olhos de plástico. Aimi pareceu entender aquilo com o coração.

– Você acha que, sem você aqui, a mamãe vai enlouquecer. Não é?

E o cachorro de brinquedo abanou o rabo, afirmando.

– Meu amiguinho, voltarei breve para vê-los. Espero muito que você esteja bem e que não precise te consertar...

Aimi despediu-se então do brinquedo aos choros e foi embora. Depois de um tempo, veio a mãe até a porta e olhou o brinquedo que parecia ter vida própria. Haviam muitos brinquedos assim pelas ruas. Ela se agachou ao lado do inimaginável filho e acariciou a cabeça de lata.

– Desculpa-me... você não tem culpa de nada... somente ela mesmo.

E pegando o cachorro de brinquedo no colo, entrou em casa trancando a porta.