Música do capítulo: "Lucky", de Jason Mraz e Colbie Caillat.


Capítulo 35 – Este é quem eu sou

Tradução: Ju Martinhão

~ Edward ~

Era fim de tarde quando chegamos a Hoquiam. A chuva, que foi ficando cada vez mais pesada enquanto o dia passava, agora descia em cascatas, ofuscando os edifícios e árvores e carros que passavam em tons irreconhecíveis de verde e cinza.

Eu me inclinei para a frente no banco do motorista, esticando o pescoço para mais perto do pára-brisa para tentar enxergar os sinais de trânsito, mas Charlie e Jake eram mais familiarizados com a área do que eu e me garantiram que estávamos quase lá. Quando o sinal de néon vermelho borrado do edifício quadrado de tijolo vermelho e concreto - escurecido para um marrom enlameado pela chuva forte - apareceu de repente através das cortinas de chuva. Eu puxei o carro alugado no monte de cascalho. As pequenas pedras fizeram sons de trituração enquanto atiravam contra os pneus e no fundo do carro. Estacionei no fundo antes de desligar o motor. No silêncio, o som da chuva batendo contra o carro misturado com a alta cacofonia de música do interior do bar batia em uma batida desconexa só audível para nós três.

"Agora, Edward, como um homem, eu entendo por que você precisa fazer isso, mas eu prometi para a minha filha que eu me certificaria que você ficasse o mais calmo possível. E Jake está aqui junto para o passeio, no caso de Paul ter algumas ideias sobre chantagear você".

"Charlie, o pedido de Bella lá foi bastante geral, porém." Jake apontou do assento do passageiro ao meu lado. Ele virou-se para enfrentar o Chefe no banco de trás.

"Quero dizer, você e eu não conhecemos Edward por tanto tempo, é meio difícil para nós saber o que é a calma para ele. Poderia ser qualquer coisa de apertar as mãos em seus lados, a espancar Paul até ficar a um centímetro da sua vida." Ele deu de ombros. "Quem somos nós para julgar?"

Eu podia ver como Jake e eu - agora que ele voltou seus interesses românticos para outro lugar – poderíamos um dia ser amigos.

Charlie franziu a testa, sorrindo. Ele colocou uma das mãos para cima, com a palma para fora. "Agora, agora, meninos. Nós não estamos aqui para lutar com Paul." Com os nossos gemidos baixos, ele nos nivelou com um olhar severo. "Paul precisa saber que Bella e Maddie têm Edward aqui para cuidar delas agora, para que ele nunca tente puxar sua merda de novo-"

"Exatamente".

"Isso é o que eu estou dizendo".

"Mas." Charlie falou sobre nós em voz alta, parando para inalar uma golfada de ar. Seus olhos estavam escuros, e suas narinas inflamadas, fazendo seu bigode contrair. No entanto, quando ele falou novamente, sua voz era calma. De certa forma, ele me lembrou de Carlisle.

"Enquanto eu estiver por perto, não haverá quaisquer punhos voando. Entenderam?"

Nem Jake nem eu respondemos imediatamente.

"Eu disse, estamos entendidos?" Ele perguntou de novo, levantando uma sobrancelha.

"Sim, Chefe." Eu suspirei. "Estamos entendidos".

Jake chupou seus dentes. "Sim, claro, claro, Charlie. Estamos entendidos." Ele amuou.

"Tudo bem então." Charlie disse, colocando a mão na maçaneta da porta e abrindo metade dela. "Vamos colocar este show na estrada".

O bar estava escuro e enfumaçado. Uma banda de rock raivosa lamentava alto sobre os alto-falantes quando nós três entramos. Demetri tinha me dito exatamente onde encontrá-lo. Aparentemente, Paul tinha uma rotina de passar seus dias com bebidas baratas e mulheres ainda mais baratas antes de ir trabalhar no cassino, onde ele acabaria jogando fora todo o dinheiro que não tinha gastado no bar.

Quando Jake me deu um tapinha no ombro e apontou para o balcão do bar, para a parte de trás dos ombros largos de um homem alto de cabelo escuro, que poderia quase ter sido Jake por trás, eu me permiti uma fração de segundo de pena. Balançando a cabeça, eu me perguntei que tipo de merda na cabeça esse cara devia ter. Para uma vez ter feito uma decisão consciente de riscar Bella e Maddie para este tipo de existência. Ele tinha tudo: uma bela mulher, uma menininha adorável, e ele tinha jogado fora, em vez de agradecer suas estrelas da sorte todos os malditos dias e noites.

Mas, no segundo seguinte, uma mulher morena magra estilo Margarida em uma blusa tomara que caia preta e short curto desfiado se aproximou dele e colocou seu braço em volta do pescoço dele. Ela disse alguma coisa em seu ouvido e ele passou o braço em volta da cintura magra dela, puxando-a para ele e cavando seu rosto em seu peito. Ela gritou de alegria, e ele riu bastante.

Toda a pena derreteu. Meu lábio superior torceu para cima, meu sangue ferveu nas minhas veias.

Foi apenas alguns dias atrás que ele disse para Bella - minha Bella - que a queria de volta. Meus punhos cerraram firmemente dentro dos bolsos do meu casaco, onde eu os tinha enfiado para tentar manter a minha promessa a Bella e ao Chefe.

No entanto, ali estava ele, empurrando seu rosto em um par de peitos magros. Ele nunca mereceu Bella. E a verdade era que eu não tinha certeza se eu merecia também. Mas, de uma coisa eu tinha certeza, eu a mimaria e a Maddie até o dia que eu desse o meu último suspiro, e eu gastaria todo o meu tempo entre agora e depois fazendo tudo que podia para fazê-las felizes.

E seguras.

Fiz o meu caminho para o banco onde Paul estava sentado cuidando de uma dose em uma das mão e a bunda da Margarida na outra.

"Mantenha a calma, filho." Charlie murmurou atrás de mim, onde ele e Jake pararam para esperar.

Demorou alguns segundos para que tanto Paul quanto o seu punhado de carne percebessem que havia alguém parado bem atrás deles. A garota virou-se primeiro, e embora eu tivesse mantido meus olhos na parte de trás da cabeça de Paul, pela minha visão periférica eu vi quando seus olhos pesadamente maquiados arregalaram. Ela me olhou de cima a baixo sem pudor, seus grandes lábios vermelhos virando para cima.

"Bem, bem, o que temos aqui?" Ela ronronou.

Isso fez com que Paul finalmente virasse em seu banco. Ele me viu e franziu a testa.

"Quem diabos-" Seus olhos atiraram para atrás de mim, avistando Jake e Charlie.

Ele sorriu, ignorando-me pelo momento. "Bem, olhe o que o vento soprou para cá. Se não é o meu irmãozinho e sogro favoritos".

Charlie e Jacob disseram algo em resposta, mas eu não tinha ideia do que era, porque ao mesmo tempo em que eles estavam falando, eu olhei uniformemente para Paul e disse através dos dentes cerrados.

"Ele. Não. É. Seu. Sogro".

Isso chamou a atenção de Paul de volta para mim. Ele me estudou cuidadosamente antes de um flash de reconhecimento cruzar suas feições, arregalando seus olhos.

Ele bufou. "Edward Cullen".

Eu não disse nada.

"Parece que aquela minha esposa não perdeu tempo para correr para o seu namoradinho rico".

"Sua esposa?" Margarida perguntou, afastando-se dele. Nenhum de nós deu um olhar para ela. Irritada, Margarida se afastou com uma bufada exagerada.

"Pense bem antes de chamar Bella de sua esposa novamente." Eu disse friamente, alto o suficiente para ter certeza que ele me ouviu sobre os tambores e guitarras elétricas no fundo.

Seus lábios se curvaram para cima. "O que diabos você quer, Cullen? Você e sua comitiva vieram à procura de carne?" Seus olhos atiraram de volta para onde Jake e Charlie estavam parados. "Qual é o problema? Você é maricas demais," ele cuspiu, "para vir me encontrar sozinho?"

Minhas mãos apertaram ainda mais forte dentro dos meus bolsos. Meus dedos cravaram em minhas palmas, sangue quente correu lentamente pelas minhas mãos.

Eu bufei. "Eles estão aqui para o seu bem-estar, não meu".

Ele riu. "Ah, é mesmo?"

Eu falei através dos dentes cerrados. "Eu estou aqui para deixar uma coisa bem clara para você. Essa merda que você empurrou alguns dias atrás? Isso. Não acontecerá. Novamente. Você não ligará para Bella, você não se aproximará a menos de 30 quilômetros dela, ou de Madisen, você nem sequer verificará a porra do status dela no Facebook a partir de agora".

Paul riu de novo e abaixou a cabeça, coçando o nariz com o dedo médio. Ele olhou para cima e pegou seu copo. Pela tonalidade vermelha dos seus olhos, não era o primeiro da noite.

"Ou o quê?"

Eu o encarei. "Ou eu terei a certeza que aquela viagem que você fez para Nova York custe a você de três a cinco anos. Pelo que eu ouvi, você já tem alguns problemas no seu prato." Eu dei de ombros. "Cabe a você se quer adicionar outro".

Um canto da sua boca levantou em um sorriso assimétrico. Ele levantou o copo aos lábios e engoliu facilmente, limpando a boca com as costas da mão e batendo o copo no balcão antes de sinalizar para outro.

"Você sabe, todos vocês, belos menininhos ricos, são a mesma merda." Ele disse, mantendo seus olhos no balcão do bar. "Sempre pensando que vocês podem conseguir o que querem, ameaçando com processos judiciais e tribunais e seus advogadozinhos desonestos para lutar todas as batalhas por vocês." Ele me olhou de cima a baixo com desdém e bufou. "Sim, você é exatamente o tipo de cara que eu esperaria que a minha esp-" - ele sorriu - "Com quem eu esperaria que... Bella acabasse. Alguém tão fodidamente pronto e disposto a lutar pela sua honra".

Seus olhos atiraram para atrás de mim novamente. "Tome o meu irmãozinho ali como exemplo. Você sabia que ele esteve morrendo de vontade de ser aquele a defender a honra da Bells por anos?"

"Seu maldito filho de uma-" Jake rosnou alguns metros atrás de mim. Eu ouvi alguns barulhos e a voz de Charlie, tentando acalmá-lo.

Eu sorri e fechei meus olhos por um momento, mas não me virei.

Paul riu e pegou sua nova dose. Ele a girou ao redor um pouco antes de levantá-la para mim e engoli-la de uma só vez. O barman nos olhava com cautela enquanto limpava o balcão ao lado de Paul.

"Eu não estou aqui para discutir a sua porcaria de rivalidade entre irmãos, ou suas manias de inferioridade com o seu irmão. Como eu disse, eu estou aqui apenas para uma coisa. Para que você saiba que eu estou aqui agora," - puxei uma mão fechada para fora do meu bolso e apontei meu polegar em direção ao meu peito - "para Bella e Maddie, e se você algum dia chegar perto delas novamente," eu rosnei, "será comigo que você terá que lidar. De uma forma, ou de outra. No tribunal, ou fora dele. Você entendeu?"

Suas narinas inflamaram. Seus lábios viraram para cima em um grunhido, olhos negros brilhando na névoa cinzenta de fumaça que nos rodeava. Percebi como ele estava respirando pesadamente, ao mesmo tempo em que percebi que meu peito arfava exatamente tão forte.

Mas Paul não estava preparado para entender.

"Você ouviu isso, irmãozinho?" Ele gritou, mantendo os olhos em mim.

O desafio em sua expressão enviou uma onda de adrenalina pulsando furiosamente através das minhas veias.

A verdade era que, este momento tinha sido inevitável desde o dia em que eu tinha encontrado Bella chorando na escadaria dos nossos escritórios, quando ele tinha entrado com os papéis de custódia. E o olhar em seus olhos deixou claro que ele não tinha nenhuma intenção de tentar corrigir toda a dor que ele causou a Bella desde o momento em que entrou na vida dela.

"Parece que nós dois estamos sem sorte desta vez, mano." Ele disse para Jake, enquanto ainda olhava para mim. "Oh, bem." Ele riu e se levantou. "Bella ainda é jovem. Você ainda pode ter sua chance. Então nós três podemos nos reunir e trocar notas. O que você acha?" Ele sorriu amplamente.

Claro que eu sabia que ele estava me incitando.

Eu tinha retido muita coisa, na verdade. Eu realmente tinha a intenção de tentar o meu melhor para impedir que isso ficasse físico. Paul cruzou a linha no momento em que entrou no avião para Nova York. Cada palavra que eu permiti que ele pronunciasse entre aquele momento e agora foi uma prova para o meu amor e respeito por Bella.

Mas esse idiota fodido obviamente precisava que a linha fosse traçada para ele de forma clara, para que ele nunca mais esquecesse onde ela estava. Pelo bem de todos nós.

Por respeito a Charlie, eu me virei para dar-lhe um aviso.

Charlie já estava atrás de mim. Ele bateu no meu ombro duas vezes e me nivelou com um olhar firme.

"Edward, como Chefe de Polícia, eu tenho que lembrá-lo que se você começar a brigar aqui, os policiais serão chamados." Ele me olhou atentamente. "Como pai de Bella, eu ficarei lá fora, não vendo nada, e me aproximando do Chefe de Polícia de Hoquiam quando ele chegar. Faça isso rápido".

Eu assenti e me virei de volta. Com um soco de satisfação, meu punho bateu na mandíbula de Paul, derrubando-o para trás. Sua cabeça empurrou diretamente sobre o balcão do bar quando ele cambaleou para trás, mas, quando ele se recuperou, seus punhos voaram no ar, aterrissando um golpe contra a minha costela esquerda. Eu o encontrei com um golpe diretamente contra o seu estômago, dobrando-o.

Pela minha periferia, eu estava ciente do enorme bartender conversando animadamente ao telefone, a multidão reunida em torno de nós, a música rude ainda tocando no fundo, Charlie saindo, e Jake – parado no meio do bar com seus pés firmemente plantados sobre o chão sujo, os braços cruzados rigidamente contra o seu peito - certificando-se que isso ficasse entre Paul e eu.

Porque existem laços mais fortes do que o sangue.

Como o axioma indiscutível de que Maddie era minha filha, tanto quanto ela era de Bella. De alguma forma, ao longo do tempo e do espaço, nós a criaríamos juntos e, no final do dia, haveria tanto de mim nela como haveria de Bella.

E, como o fato de que o Chefe fazia parte da minha família de fato, ainda não no papel. Algo que eu trabalharia para corrigir assim que voltasse para Nova York.

E o fato de que, apesar de Jake não ter mais sentimentos românticos por Bella, ele sempre a amaria. Ela era sua família de uma forma que Paul, seu próprio sangue, nunca seria.

Esse era o laço que ligava todos nós juntos, porque não importa o que aconteça, nós todos protegemos a nossa família.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Estava escuro na hora que estacionei o carro alugado ao lado da viatura de Charlie no aeroporto. A chuva havia diminuído em algum lugar entre Hoquiam e aqui, deixando uma noite fria e nebulosa em sua esteira.

"Dê uma olhada nessa costela quando você voltar para Nova York, ouviu?" Charlie disse solenemente do assento do passageiro.

Eu ri. "É apenas um machucado, Charlie, ficará bem".

"Mmm." Ele murmurou, alisando seu bigode com um dedo.

Jake riu do banco de trás. Ele estava com um humor extremamente otimista desde que deixamos Hoquiam, apesar da pequena força policial que estava esperando do lado de fora quando nós finalmente saímos do bar. Mas eles nos deixaram passar sem dizer uma palavra, havia olhos saltando em todo o lugar, mas nunca pousando sobre nós.

Maldição, era bom ter um Chefe de Polícia do seu lado.

"Sim." Jake riu, "Eu tenho certeza que a costela machucada de Edward vai se curar muito mais rápido do que o nariz de Paul. Aquela merda nunca será colocada exatamente no lugar certo novamente. Vai totalmente estragar aquela cara dele." Ele riu de novo.

"Mmm." Charlie murmurou de novo, esfregando seu queixo, pensativo. "Bella terá a minha cabeça por isso. Talvez você não deva dizer nada para ela".

"Charlie, eu aprendi minha lição sobre esconder as coisas da sua filha. Não vale a pena." Eu dei de ombros. "Ela me pediu para tentar, e eu tentei. Eu sou apenas humano".

"Mmm." Charlie murmurou.

Jake riu. "Olha, caras, tem sido ótimo, mas Leah está me esperando em casa, e eu não posso esperar para contar a ela como as coisas foram hoje. Ela adora uma boa história de luta".

Eu sorri.

Mas Jake tinha me dado cobertura hoje, ainda mais do que eu honestamente esperava que ele desse. Ainda era um pouco estranho pensar nele como algo além de um rival. Mas era óbvio que ele era louco por Leah, e eu poderia dizer que o que Bella uma vez havia dito sobre ele e eu era verdade, nós poderíamos ser bons amigos um dia.

"Jake." Eu disse, virando-me para encará-lo, "Obrigado por hoje, cara. Eu quero que você saiba que eu realmente... aprecio você ter mantido aquela multidão no bar na baía".

Ele bufou. "Sim, claro, claro, embora eu tenha que ser honesto com você, eu não tinha certeza se você tinha isso em você. Quero dizer, você não é exatamente fraco nem nada, mas, porra – desculpe, Charlie, quero dizer, merda - Paul é maior do que eu".

Tanto Charlie quanto eu sorrimos.

"Sim, bem, você sabe o que eles dizem, quanto maior eles são..." Um lado da minha boca se curvou em um sorriso.

"Mais dura é a queda!" Jake riu gostosamente. "Teve a sua bunda chutada pelo belo menininho rico!"

Revirei meus olhos.

Jake riu. "Brincando. Estamos bem, homem?" Ele acrescentou através das sobrancelhas levantadas.

Eu sabia que ele queria dizer muito mais do que apenas hoje.

"Sim. Sim, nós estamos bem".

Ele sorriu e se inclinou para frente em seu assento para dar um tapinha no meu ombro uma vez. "Cuide-se, homem. Diga oi para Bella por mim e dê à minha sobrinha um beijo do seu tio".

"Eu darei".

Ele abriu a porta do carro e se dirigiu para a viatura da polícia de Charlie.

Charlie começou a abrir sua porta. Eu limpei minha garganta. "Chefe, posso falar com você por um minuto?" Pela primeira vez hoje, minha voz tremia de nervoso.

O bigode de Charlie contraiu. "Claro." Ele respondeu com cautela, fechando a porta de novo e virando para a frente. "O que está em sua mente?"

Eu engoli em seco. "Senhor, quero dizer, Chefe, quero dizer, Charlie." Eu gaguejei nervosamente, olhando para a frente, minhas mãos ainda no volante. Eu inalei uma respiração profunda. "Charlie, você sabe que eu amo a sua filha e neta mais do que minha própria vida".

Ele exalou pesadamente. "Sim, eu meio que entendi isso".

Meu coração batia forte em meu peito. "Bem, mesmo que seja apenas um curto - quero dizer, embora possa parecer que foi apenas - quero dizer, tem sido longo o suficiente para mim - o que estou tentando dizer é que eu já sei-"

"Simplesmente cuspa, filho." Quando eu parei, ele exalou exasperado. Com o canto do meu olho, eu vi metade do seu bigode se contorcer. "Olha, eu sei o que você está tentando me perguntar, e eu aprecio isso, filho. Mas você não precisa da minha permissão, e se o que você está pedindo é a minha bênção, você já a tem por um tempo agora, antes mesmo da exibição de Bruce Banner esta tarde." Ele riu. "Sim, isso é rápido." Ele afirmou. Então ele suspirou pensativamente, provavelmente recordando sua própria corrida em seu primeiro casamento. "E, em circunstâncias diferentes, eu estaria ao telefone implorando para a minha filha adiar por um tempo, mas... olhe, você provou-se para mim, Edward, mesmo que nunca tenha sido para mim para quem você teve que se provar. Mas eu vejo que você não é quem todos aqueles tablóides o fizeram parecer, e eu confio a minha família a você, porque eu sei que você vai valorizá-las da maneira que eu valorizo".

"Eu vou, senhor, Charlie." Eu jurei com convicção completa. "Eu vou".

Nós dois nos encaramos por alguns instantes.

"Tudo bem então." Ele disse finalmente. Então ele se virou e abriu a porta, saindo para o nevoeiro, e deixando claro que aquelas seriam suas últimas palavras para mim esta noite.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Um mês depois:

A grande lareira de pedra lisa no meio do quarto queimava brilhantemente, iluminando o quarto inteiro em um brilho incandescente e fornecendo exatamente o calor suficiente para que Bella e eu estivéssemos deitados confortavelmente sob o edredom pesado na cama de dossel. Fora da janela da sacada, a neve caindo iluminava a noite escura, fazendo com que parecesse início da tarde, e não tarde da noite. As montanhas de Vermont cobertas de neve ao longe eram altas e imponentes, seus picos brancos brilhando.

Bella descansava do meu lado, enrolada em mim, com a cabeça sobre o meu peito. Lentamente, sua respiração voltou ao normal, mas eu ainda podia sentir seu coração martelando, da mesma forma que o meu estava, do jeito que sempre acontecia quando ela estava em meus braços, principalmente depois de uma sessão de amor alucinante.

Eu respirava pesadamente. "Acho que nós temos conseguido um trabalho melhor este fim de semana apenas ficando nessa cabana do que teríamos esquiando aquelas montanhas".

"Eu disse a você." Ela murmurou, correndo uma mão languidamente para cima e para baixo no meu peito. A luz do fogo pegou o anel na sua mão esquerda, e cada vez que ela a movia, um prisma de facetas multicoloridas dançava ao redor do quarto. Eu sorri e trouxe sua mão aos meus lábios, beijando as pontas dos seus dedos.

"De um jeito ou de outro, eu vou levá-la naquela montanha novamente".

Ela riu em meu peito, puxando os pêlos finos sobre ele. "Eu acho que não. Eu quase quebrei meu pescoço, Edward!"

"Eu nunca deixaria isso acontecer." Eu assegurei a ela com um beijo no topo da sua cabeça.

Nossos olhos se encontraram de repente, ambos arregalados e conscientes. "As Montanhas Olímpicas?" Eu perguntei.

Ela sorriu amplamente em resposta. "As Montanhas Olímpicas".

Agarrei seus ombros e a arrastei suavemente para cima para encontrar minha boca, puxando seu lábio superior entre os meus antes de correr minha língua ao longo do seu lábio inferior. Ela abriu sua boca avidamente e deixou sua própria língua sair para brincar.

Depois de alguns minutos, eu me afastei o suficiente para olhar em seus olhos.

"Tudo bem. Então, nós temos a lista de convidados, apenas familiares e amigos íntimos. Agora temos o lugar, as Montanhas Olímpicas. Tudo o que precisamos é uma data, amor".

Bella moveu suas mãos para cima, para brincar com o meu cabelo. Eu abri e fechei meus olhos, cantarolando baixinho em contentamento.

Ela esperou um pouco antes de falar. "Para quando Jenks disse que a próxima audiência foi marcada?"

"Na última semana de fevereiro".

Ela olhou através de mim, para fora das janelas escurecidas, pensativamente.

"Não se preocupe, amor." Eu disse. "Mesmo que Paul não apareça, Jenks e Demetri foram capazes de reunir informações suficientes para apresentar ao tribunal, deixando claro que Paul não está apto a dividir a custódia de Maddie".

Ela assentiu, ainda olhando para fora da janela. Eu beijei seu queixo suavemente. "E então nós podemos iniciar um processo de adoção." Eu sussurrei.

Ela sorriu e acenou com a cabeça mais uma vez, suspirando profundamente. Finalmente, ela encontrou meus olhos. "Eu só queria que não tivesse que ser dessa maneira. Eu gostaria... que ele não brigasse e tornasse isso tão feio. Você entende que é a única razão pela qual eu não posso escolher uma data ainda, certo?" Eu levantei a mão e a corri através do seu longo cabelo grosso, sorrindo para deixá-la saber que eu entendia.

Eu sabia que Bella estava tão ansiosa para ligar-se a mim em todos os sentidos possíveis quanto eu estava. Mas, quando nos casássemos, ela queria que fosse sobre nós três começando nossa nova vida juntos. Não com um processo judicial e as batalhas legais.

Nós nem sempre gostávamos das decisões que tivemos que tomar - como quando eu tinha ido ver Paul no mês passado, ou quando Bella tinha insistido em estar lá quando tínhamos confrontado Tanya - mas nós sempre as discutíamos, e sempre chegávamos a uma decisão que ambos poderíamos aceitar. Nesse meio tempo, ela usava o anel na mão esquerda orgulhosamente, nunca o tirando, nunca o escondendo, nem mesmo da imprensa.

Claro, eles tinham ficado malucos quando perceberam que Bella e eu tínhamos ficado noivos, mas, ao longo das últimas semanas, o fascínio com a nova queridinha da América, e comigo, tinha finalmente começado a diminuir. Eu acho que o fato daquele cara vampiro ter um novo filme saindo tinha algo a ver com isso.

Às vezes eu pegava Bella deitada na cama, ou na pia, ou apenas sentada e lendo um livro, e de repente seus olhos iriam para a sua mão esquerda, e ela a levantava perto do seu rosto, olhando para ele com admiração e carinho que me tiravam o fôlego. E então ela viraria sua mão de um lado para outro, observando como o lindo diamante azul pegava qualquer luz que estivesse na sala e explodia em uma mistura de cores, como as milhares e milhares de partículas de glitter com as quais Maddie tinha estrategicamente banhado o apartamento no mês passado.

Às vezes ela me pegava olhando para ela, e seu rosto se quebrava no sorriso mais glorioso, seus olhos dançando, compartilhando todos os seus segredos comigo, cada segredo que eu estive morrendo de vontade de saber desde aquele dia em agosto passado, quando eu tinha primeiramente colocado os olhos nela.

Deixei minha mão vagar sobre o seu rosto, traçando seus olhos escuros, descendo pelo seu pequeno nariz, em torno dos seus lábios macios.

"Bella, contanto que eu tenha você e Maddie, eu sei que tudo vai dar certo".

Ela beijou meu dedo, e depois pegou a minha mão entre as dela e a colocou em seu peito antes de abaixar a cabeça sobre o meu peito de novo e suspirar suavemente.

Nós voltamos para a cidade depois de passar o fim de semana em Vermont – o presente de Natal de Bella para mim - e pegamos nossa filha da casa da minha mãe. Por mais que sentíssemos a falta dela, Maddie tinha ficado muito ocupada com sua vovó e vovô para sentir muito a nossa falta.

Estas últimas semanas - desde que Bella e eu tínhamos finalmente esclarecido as coisas um com o outro sobre tudo, e a imprensa estava finalmente nos deixando em paz, e Tanya e Paul tinham sido colocados em seus lugares – tinham sido muito mais relaxantes para nós três. Estávamos finalmente livres para fazer o que quiséssemos, e assim fizemos.

Levamos Maddie para o parque, ao zoológico, aos museus. Saímos para comer uma pizza, comemos cachorros-quentes dos vendedores de esquina enquanto passeávamos pelo Central Park. Nós levamos Maddie ao Serendipity para sua sobremesa favorita, pelo menos uma vez por mês. E também dávamos tempo a Maddie com o resto da sua família ansiosa e disposta, para que Bella e eu pudéssemos ter algum tempo a sós. Jantares agradáveis (não frutos do mar crus); passeios tranquilos e privados através do Central Park, longas noites sozinhos em frente à lareira.

Nós continuamos alternando entre o meu apartamento e o de Bella. Eu sempre amaria a cidade, mas Bella tinha se acostumado ao Brooklyn, sua vida mais calma, a proximidade com a babá de Maddie, e até mesmo a minha irmã irritante. Era outra decisão que teríamos que enfrentar nos próximos meses, mas nós enfrentaríamos juntos.

A Premiação Clio foi realizada no terceiro sábado de fevereiro. Bella e eu chegamos com uma Rosalie imensamente grávida e seu marido orgulhoso, e uma enfeitada Alice e seu noivo. Até mesmo James, aquele filho da puta, compareceu. Eu tinha que admitir, ele tinha desempenhado um papel importante na campanha Bumbum de Bebê no ano anterior, e sua presença já não me incomodava, de qualquer maneira. Eu era confiante no fato de que Bella era minha. E James poderia olhá-la às escondidas - ou o que ele pensava que era às escondidas, o filho da puta burro - tanto quanto ele queria. Seria sempre comigo que ela iria para casa.

Eu não podia culpá-lo por olhá-la, de qualquer maneira, pobre desgraçado. Bella estava incrivelmente gloriosa naquela noite. Ela usava um vestido de baile azul escuro sem alças até o chão que abraçava suas curvas antes de esvoaçar na parte inferior. Em seu pescoço estava o seu colar de safira, e em suas orelhas estavam os brincos de safira correspondentes. E, como sempre, seu anel de noivado era a única peça de jóia em seus dedos. Mais uma vez, os paparazzi enlouqueceram naquela noite, tirando fotos e mais fotos de nós dois, e, especialmente dela, depois que ela ganhou o Clio Ouro pelo Projeto Mais Inovador. Meu coração estava perto de estourar com orgulho, tanto que eu nem me importei que, pela primeira vez desde que começamos a CCW, eu tive que me contentar com um Clio Prata. Felix Vega, do Grupo Crepúsculo, ganhou o meu ouro.

Você não pode vencer todos eles.

Mas eu ganhei o mais importante, e isso é tudo o que importava.

Poucos dias depois, na audiência que Jay Jenks marcou para definir a custódia de Maddie, Paul infelizmente, mas sem surpresa, não apareceu. Jenks, portanto, iniciou um processo para retirar à força os direitos parentais de Paul, algo que estivemos tentando evitar. Olhei para Bella através da pequena mesa, onde estivemos sentados por mais de uma hora com Jenks, à espera de Paul e seu advogado aparecerem. Ela suspirou e estendeu a mão debaixo da mesa para a minha, apertando-a entre as suas.

Sim, ainda haveria tempos difíceis. Mas nós passaríamos por eles juntos.

Poucos dias depois, voltei para casa depois de uma longa corrida noturna no Central Park. Correr ainda era uma parte muito importante da minha vida, e provavelmente sempre seria. Isso me ajudava a limpar minha mente, a ficar sozinho com meus pensamentos, a colocar as coisas em perspectiva. Até mesmo coisas estúpidas como um dia estressante no trabalho, Rosalie entregando mais trabalho para Bella e eu em perfeita sintonia com o crescimento da sua barriga, minha irmã Alice ficando no meu pé sobre a promessa de manter o meu cabelo sob controle para o dia do seu casamento. 'Muito perturbador', ela o chamava, o que diabos isso significava.

E a custódia da minha filha. Sempre a custódia da minha filha.

Então eu corri, quilômetros após quilômetro, sentindo o alongamento dos meus membros, o aperto no meu abdômen, minha mente clareando. O vento soprava contra a minha mandíbula, ao mesmo tempo que o suor escorria pelo lado do meu rosto e contra as minhas costelas.

Bella lia para aliviar seu estresse, eu corria. Com o resto nós lidamos conjuntamente.

O apartamento estava quieto quando entrei depois da minha corrida. Já tínhamos colocado Maddie na cama para dormir, em uma bela cama de dossel branco que tinha sido entregue há poucos dias. Alguns dos seus brinquedos e livros estavam em seu quarto também, mas tínhamos segurado a pintura e decoração, até que tomássemos uma decisão sobre onde moraríamos.

Acendi a luz na sala de estar enquanto eu andava pelo apartamento. Bella provavelmente estava no chuveiro, preparando-se para dormir. Corri para a cozinha para pegar uma garrafa de água, ansioso para me juntar a Bella sob um bom fluxo de água quente. Levantei minha camiseta sobre a minha cabeça e congelei com ela sobre meus braços quando avistei Bella parada ao lado da janela em seu roupão branco, olhando para os arranha-céus iluminados brilhantemente além da cidade, o telefone agarrado firmemente em uma mão.

"Bella?" Atirei a camiseta de lado.

Ela se virou para olhar para mim, surpresa, como se estivesse tão perdida em pensamentos que não tinha sequer me ouvido entrar. Em dois passos rápidos eu estava ao seu lado.

"Você está bem, amor?"

Ela assentiu lentamente, sua expressão cheia de choque.

Olhei para o telefone e o tirei da sua mão. Seus olhos seguiram meus movimentos.

"O que aconteceu?"

Seus olhos voltaram para os meus. Ela piscou duas vezes. "Era Jenks".

Meu coração parou. "O que ele disse?"

"Ele disse..." Ela começou lentamente, como se ainda estivesse muito assustada para falar. Ela respirou fundo e continuou com a voz trêmula. "Ele disse que o advogado de Paul entrou em contato com ele esta tarde".

Meus punhos cerraram aos meus lados. Por uma fração de segundo, eu contemplei fazer uma segunda viagem a Washington nos próximos dias.

"Ele disse... Paul... Paul assinou os papéis de rescisão".

"O quê?"

Sua boca transformou-se em um pequeno sorriso, incerto. "Sim. Eles enviaram por sedex para Jenks esta tarde, e nós temos que comparecer ao tribunal na sexta-feira, mas... mas eles estão assinados." Ela disse lentamente, como se estivesse tendo um tempo difícil acreditando nas palavras que ela estava falando. "Jenks os avaliou. Ele disse que está tudo em ordem".

Eu a encarei, muito espantado para dizer alguma coisa.

"Ele disse que Paul anexou um post-it aos papéis. Ele disse, 'Eu não posso dar nada a ela, mas eu não tirarei dela'".

Eu fiz uma careta. "Você sabe o que isso significa?"

Ela olhou por mim, como se estivesse lembrando de algo. "Sim, eu acho que sei".

Pela segunda vez em um mês, Bella e eu comparecemos ao tribunal. Sentados à pequena mesa de mogno mais uma vez, ela segurou minha mão com força sobre a mesa, apenas afrouxando seu aperto uma vez quando o juiz confirmou que todos os papéis estavam em ordem, e que Paul tinha 60 dias para rescindir a papelada depois que a custódia total de Madisen Grace Swan fosse concedida à sua mãe.

Jenks levantou-se, ajustando os botões em seu terno caro antes de limpar a garganta.

"Nós temos mais um pedido, meritíssima. Meus clientes gostariam de iniciar um processo para que o Sr. Edward Cullen, noivo da Srta. Swan, possa adotar oficialmente a Srta. Madisen Swan, uma vez que o período de espera de 60 dias expirar".

Eu engoli em seco nervosamente. Agora era a minha vez de segurar a mão de Bella em um aperto forte.

A juíza deu uma olhada na papelada adicional que Jenks tinha colocado à sua frente, levantando o olhar para mim e me olhando com cuidado.

"Sr. Cullen?"

Eu me levantei. "Sim, meritíssima".

"Você percebe a enormidade de tal processo. Esta não é uma decisão que deve ser feita por um capricho".

Eu balancei a cabeça respeitosamente. "Eu garanto a você, meritíssima, que isto não é um capricho." Virei-me rapidamente e olhei para Bella. Ela me deu um sorriso encorajador, seus olhos chocolate cheios de amor e confiança. Virei-me para encarar a juíza.

"Com todo o respeito, Sr. Cullen." Ela continuou, "Nos últimos anos, você e suas... aventuras, têm sido muito visivelmente exibidas para todo o mundo ver. Este não é o estilo de vida no qual eu concordaria em colocar uma criança".

"Eu não sou mais aquele homem".

"Tudo bem." Ela disse lentamente. "Mas se você realmente não é mais aquele homem, eu preciso de alguma garantia de que você sabe quem você é. Uma criança precisa de ambos os pais para orientá-la ao longo da vida, e você não pode ser um guia se você não sabe quem você é".

"Eu sei quem eu sou, meritíssima." Eu disse, pela primeira vez na minha vida plenamente confiante desse fato.

"Eu não sou infalível, e, sim, eu tomei algumas más decisões. Mas essas decisões ruins não me definem, meritíssima. Eu sou definido pela minha dedicação à minha família, uma característica que foi incutida em mim quando criança pela minha própria mãe e pai. Eu sou definido pela minha capacidade de ganhar a dedicação das pessoas que eu amo. E se você nos conceder esta petição, eu ainda serei definido pelo meu papel como pai de Maddie – Madisen." Eu me corrigi. "Porque quem eu sou, meritíssima, é o homem que não quer nada mais do que tê-la como minha filha, e sua mãe como minha esposa".

Durante um longo tempo, a juíza me estudou através dos olhos examinadores, enquanto eu segurava minha respiração ansiosamente. Mas eu não retiraria nenhuma palavra que eu disse, porque eu finalmente me encontrei, e eu devia tudo à minha filha e minha futura esposa.

Uma semana depois, Bella, Maddie e eu estávamos desfrutando de um dia da primavera no Central Park. Era o início de março e as árvores estavam começando a mostrar sinais de vida novamente, botões verdes espreitavam de cada ramo, a grama que tinha murchado, amarelado e secado durante o inverno já estava se transformando em lâminas vigorosas do gramado musgo colorido, exuberante e macia debaixo do cobertor que tínhamos espalhado. Algumas dezenas de outros cobertores estavam espalhados no grande gramado nesta manhã; moradores da cidade, pálidos dos longos meses de inverno, assim como turistas, todos aproveitando o raro dia quente, tomando sol sobre cobertores, passando bolas de futebol de um lado a outro, jogando Frisbees um para o outro e empinando pipas sobre as árvores e entre os edifícios da cidade cinza pré-guerra, tijolo e argamassa de estátuas de gárgulas brilhando sob o sol da primavera.

O som das risadinhas de Maddie flutuou através da brisa morna e eu abri meus olhos, levantando minha cabeça de onde eu estava descansando sobre o cobertor. A cabeça de Bella estava no meu estômago, adicionando uma camada extra de calor.

Maddie estava correndo com duas outras menininhas da sua idade, Emma e Julie. Ao longo do último par de semanas, com o tempo esquentando, nós encontramos com elas e seus pais algumas vezes enquanto estávamos no parque. As três menininhas tinham rapidamente se tornado boas amigas, compartilhando seu amor por princesas e Dora e chocolate.

Eu ri quando vi minha filha apontando para um esquilo carregando uma bolota por uma árvore e gritando de alegria. Abaixei minha cabeça novamente e fechei meus olhos por um momento. Os raios de sol caíam sobre os meus olhos, deixando uma impressão de tons dourados do rosto sorridente de Maddie gravado por trás das minhas pálpebras.

"Ela realmente se diverte com essas meninas, não é?" Eu murmurei baixinho, descansando minha cabeça sobre uma mão e correndo a outra através do cabelo macio de Bella.

"Mmhm." Bella respondeu.

"Eu prefiro que ela brinque com elas do que com aqueles meninos pés no saco do Brooklyn, de qualquer maneira." Eu murmurei, fazendo uma careta quando me lembrei de suas mães patéticas.

Bella riu, deslocando a cabeça sobre o meu estômago. "Você não pode mantê-la longe dos meninos para sempre, Edward".

Eu sorri, meus olhos ainda fechados. "Observe-me".

Bella riu novamente. Sua cabeça deixando meu estômago e, de repente, os raios dourados aquecendo meus olhos fechados desapareceram e total escuridão dançou sobre os meus olhos. Quando eu os abri de volta, Bella tinha a parte superior do seu corpo retorcida em cima de mim, apoiando seu peso com um braço de cada lado meu.

Ela mordeu seu lábio, uma expressão pensativa em seu rosto. "Na verdade, eu estava conversando com a mãe de Julie no outro dia".

"Sobre?"

"Bem... Maddie começará o jardim de infância em setembro... a mãe de Julie estava me contando sobre a escola que Julie e Emma estão. Deve ser realmente boa. Mas a lista de espera geralmente começa assim que você descobre que está grávida, e está fechada para o registro de setembro há um tempo agora." Ela revirou seus olhos.

Eu balancei minha cabeça. Bella baixou os olhos para o meu peito. "Eu, uh, falei com Esme ontem".

Isso tudo iria para algum lugar.

"E então?"

"Ela tem uma boa amizade com um dos membros da diretoria da escola." Ela mordeu seu lábio novamente. "Ela, uh... ela disse que se nós quisermos, ela pode provavelmente conseguir que Maddie seja registrada lá para setembro".

Eu fiz uma careta intrigada. "Onde é a escola?"

"Não muito longe. Apenas a alguns quarteirões daqui".

"Do nosso apartamento aqui?"

Ela assentiu, um sorriso lento rastejando sobre a sua boca.

Eu sorri largamente. "Bem, bem, bem." Eu ri, "A Srta. Isabella Swan realmente pediu e aceitou um favor da sua futura sogra?'

Ela corou e me empurrou no estômago com o braço. Segurei seus braços e ela caiu plana em cima de mim, rindo. Embalei sua cabeça em minhas mãos e trouxe sua boca para baixo para encontrar a minha, beijando-a suavemente.

"Então, nós estamos mantendo o nosso endereço no Central Park West?" Eu perguntei quando ela se afastou.

Ela assentiu lentamente com um sorriso. "Estamos mantendo o endereço no Central Park West." Ela olhou para cima e examinou o grande prado, Maddie brincando com suas amigas, os pássaros da primavera voando de árvore em árvore, os sons de pessoas rindo e brincando com amigos e familiares.

Ela suspirou. "Eu acho que posso me acostumar a ter o Central Park como o meu quintal".

Eu sorri, porque isso era uma das coisas que eu sempre amei sobre onde eu morava.

Os olhos de Bella encontraram os meus novamente, e desta vez eles estavam brilhando de emoção.

"E, eu estava pensando que," - ela estendeu a mão e traçou meus olhos com um dedo - "o segundo sábado de julho deve nos dar tempo suficiente para que possamos ter certeza de que temos tudo em ordem, a mudança, os papéis da adoção, Rose terá tido o bebê, tempo suficiente terá passado após o casamento de Alice e Jasper... então..." Ela terminou com uma voz trêmula.

Meu coração disparou.

"Então, no segundo sábado de julho?" Eu perguntei, esfregando círculos na sua nuca.

Ela sorriu feliz. "Segundo sábado de julho".

Olhamos um para o outro por alguns segundos maravilhosos e, em seguida, ela jogou seus braços ao redor de mim. Eu ri muito e ela gritou de alegria.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Algumas semanas mais tarde, Maddie e eu estávamos dando um passeio pai-filha tardio de primavera. No dia anterior, tínhamos acabado de terminar de mudar todas as coisas de Bella e Maddie. A tinta tinha secado no novo quarto de Maddie, cheio de murais de contos de fadas de princesas e castelos em meio a um exuberante parque verde, tudo rodeado por arranha-céus cor de rosa e pontes púrpura que brilhavam à luz do sol. Quando Bella mostrou para Maddie seu quarto acabado, Maddie saltou para cima e para baixo, batendo as mãozinhas juntas em voz alta em aprovação.

Agora, enquanto a minha mãe, Bella, Alice e Rose estavam cuidando de alguns preparativos finais para o casamento de Alice, Maddie e eu passamos algum tempo de qualidade juntos. Embora eu estivesse reconhecidamente nervoso sobre o que eu queria discutir com ela hoje.

Paramos em frente ao grande lago no meio do parque. Os raios dourados caíam sobre ele, fazendo-o brilhar intensamente, como milhares de diamantes embutidos na água. Eu me abaixei e peguei algumas pequenas pedras lisas, entregando metade delas para Maddie.

Eu joguei uma no lago, onde aterrissou com um pequeno splash, espalhando algumas gotas de água sobre ele. Ela me olhou com cuidado, e, em seguida, escolheu uma das suas próprias pedras e puxou o braço para trás, movendo-o para a frente rapidamente e soltando a pedra. Ela riu quando ela desembarcou com um splash maior do que o meu.

Nós alternamos jogar pedras na água.

"Então, você gosta do seu novo quarto de princesa?" Eu perguntei.

"É muuuito liiiindo, papai! Mamãe diz que ela vai me dar uma moldula especial pala as lindas figulas que eu desenhei de mim, você e a mamãe. Assim, nós podemos pendular soble a minha linda cama".

"Essa é uma boa ideia." Eu ri. "Tenho certeza que será a imagem mais bonita de todas".

Ela colocou um dedo no seu queixo pensativamente. "Talvez. Mas as pintulas da mamãe são lindas também." Ela permitiu com um encolher de ombros.

Eu ri. Então eu limpei minha garganta.

"Maddie, princesa, você se lembra como a mamãe e eu explicamos que vamos nos casar em algumas semanas?"

"Uh huh. E eu vou ser a menina floir. Assim como quando a tia Ally se casar." Ela riu alegremente.

"Certo." Eu concordei, nervoso. "Bem, uh, quando a mamãe e eu nos casarmos, o sobrenome dela vai mudar. Ela não será mais Bella Swan. Ela será Bella Cullen".

Ela parou de atirar suas pedras e se virou para mim com uma careta. "Mas ela ainda vai ser a mesma mamãe?"

Eu me ajoelhei na frente dela e coloquei uma mão em seu ombro. "Sim, princesa. Ela ainda será a mesma mamãe, ela só terá um sobrenome diferente".

Suas pequenas sobrancelhas marrons franziram juntas, pensativamente, seus olhos escuros nunca deixando os meus.

"E eu, papai?"

Eu engoli em seco, apertando o meu domínio sobre o seu pequeno ombro.

"Bem, princesa, mamãe e eu queremos que o seu último nome seja Cullen também, mas ele não tem que mudar imediatamente." Eu me apressei em dizer. "Você ainda pode ser Maddie Swan por um pouco mais de tempo, se você quiser. Mas quando você começar a escola-"

De repente, seus bracinhos quentes estavam envolvidos ao redor do meu pescoço. Ela me segurou com força antes de se afastar para olhar nos meus olhos.

"Você quer dizer que eu sou Maddie Gwace Tullen agola?" Ela respirou.

Eu balancei a cabeça lentamente. "Você é Maddie Grace Cullen agora".

"Agola?" Ela perguntou de novo.

"Sim, princesa, agora." A juíza tinha assinado os papéis há dois dias.

"Mas, está tudo bem se você esquecer às vezes, ou se você ainda quiser dizer Maddie Swan às vezes-"

Ela envolveu seus braços em torno do meu pescoço novamente.

"Oh, papai, agola eu sou Tullen como você e tia Ally, e a vovó e o vovô, e o tio Emmett e tia Rosie, e logo a mamãe vai ser Tullen como nós!"

Eu olhei para a minha filha, tão doce e inocente, e fechei meus olhos por dois segundos, agradecendo a quem quer que estivesse lá em cima pelo dia em que ele a tinha dado para mim, pelo dia em que ele tinha me dado uma chance para provar que eu era digno dela e sua mãe.

Depois de atirar pedras por um pouco mais de tempo, peguei sua mãozinha na minha e, juntos, nós caminhamos de volta para casa, sua pequena pulseira de prata pendurada em seu braço e tilintando entre nós enquanto caminhávamos e conversávamos pelo nosso caminho através do parque. Nós tínhamos adicionado mais um par de pingentes desde o inverno; um pinguim - seu animal favorito sempre que íamos ao jardim zoológico - e um coração. Mas, mesmo que ela ainda não soubesse ler, ela sempre dizia que seu pingente de 'Menininha do Papai' era o seu favorito, porque o seu papai deu para ela no dia especial, quando sua mamãe ganhou o anel especial.

Olhei para a minha princesa e, instintivamente, seus olhos olharam para cima para mim. Ela sorriu largamente e abraçou minha coxa. "Eu te amo, papai".

Algumas semanas atrás, a juíza Riley me perguntou se eu sabia quem eu era.

Eu sei.

Eu sou Edward Cullen, filho de Esme Cullen, mãe, avó e filantropa, e de Carlisle Cullen, cirurgião cardíaco, marido devotado, pai e avô.

Eu sou um executivo de publicidade de sucesso. Eu sou um ávido atleta. Eu sou um homem que ama a vida na cidade. Que adora o ar livre. Que aprendeu o valor da família sobre a superficialidade.

Mas, mais do que isso, eu logo serei o marido mais dedicado possível para Isabella Cullen, e pai de Madisen Cullen.

Eu sou o homem que estará lá para elas, sempre.

Este é quem eu sou.


Nota:

Este foi o último capítulo "normal", agora restam 3 epílogos. O que acharam desse confronto com Paul, ele teve o que merecia, não é?! E essa Maddie fofa demais por se tornar uma Tullen... hahaha

Que tal vc's atingirem as 2.000 reviews? Aí eu posto cap. na quinta-feira...

Bjs,

Ju