Bella morreu carbonizada.
Bella morreu carbonizada.
Essa frase ecoou repetidas vezes na mente de Edward que tentava assimilar o que aquilo queria dizer. Bella era sua mulher. Morrer, Bella morta? Não alguma coisa estava errada.
Bella não iria morrer não agora, ele sabia que ela não viveria para sempre, mas sempre imaginou que teria muitos anos para pensar no que fazer quando isso acontecesse. Mas o que fazer quando o que você não quer se tornar real? E você precisa lidar com isso? Mas como lidar se você não se senti mais vivo?
Morta. Sua Bella, sua esposa, sua vida, sua mulher, seu sorriso, sua amente, sua melhor amiga, sua companheira, morta. Morta.
Ele nunca mais veria seus sorrisos, sua voz, suas reclamações, nunca mais a veria dormir, nunca mais a veria piscar, nem a soar seu nariz, nem a peidar, ele nunca mais entrariam no banheiro enquanto ela estava lá, nunca mais brigariam, nunca mais diria que a amava, nunca mais seguraria a mão dela, nunca mais acariciaria as bochechas rosadas, nunca mais a beijaria, não sentiria mais seu sabor, nem a veria chorar, nem a rir, nem poderia mais abraça-la, nunca mais dormiria ao lado dela, nunca mais comeria uma comida feita por ela, nem teria motivos para acordar cedo e preparar um café da manhã especial, nunca mais tomaria banho com ela, nunca mais acariciaria seu corpo nu, nem faria amor com ela. Nunca mais.
Sua vida ainda tinha sentido?
Bella, a pessoa que ele não conseguiria viver sem, estava morta, não respirava mais o mesmo ar que ele, seu coração não mais batia, que sentido tinha sua vida agora?
— Edward? Edward? — Carlisle o chamava sem parar. — Meu filho se acalme você está pálido, respire fundo vai ficar tudo bem. — o pai disse preocupado. Edward perdeu suas forças e rolou pela cama, caindo no chão. A dor que sentiu na queda não foi maior do que a que sentia se coração, agora, estilhaçado, quebrado.
— NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO. — ele soltou um longo grito, forte, potente, seu rosto estava vermelho, seus dedos puxavam seu cabelo querendo sentir uma dor maior do que a que estava instalada em seu peito, mas nenhuma dor era maior da que agora estava costurada em seu peito, em todos os órgãos. — NÃO É MENTIRA. NÃO. ELA ESTÁ ESPERANDO POR MIM EM CASA. ELA ESTÁ LÁ. EU SÓ PRECISO IR ATÉ ELA. — ele gritava, tentando se levantar do chão, mas seus membros não tinham força suficiente para tal ato.
A sua força estava morta.
— Não, Edward. Ela não está lá. — Carlisle falou se agachando ao lado do filho.
— O que aconteceu? — ele conseguiu por para fora, sua garganta doía e estava seca, ele precisava saber o que havia acontecido. Ele precisava saber que tudo aquilo era uma mentira.
— Não sabemos ao certo, mas houve um acidente o carro de Bella capotou e explodiu, a equipe do corpo de bombeiros de Port Angeles veio mais rápido que pode e eles conseguiram tirar o... corpo dela, estava irreconhecível, mas tiraram isso do dedo dela. — Carlisle falou com dificuldade, ele sentia que havia perdido uma filha. Colocou a aliança de Bella na mão de Edward.
Este por sua vez não conseguiu fazer nada, encarava a simples aliança de aro dourado, ela usava sua aliança de noivado? Porque também não estava ali? Não conseguia se lembrar. Não tinha mais sentido fazer nada. Sua Bella estava morta. E ele já sabia qual teria que ser seu próximo passo.
— Onde está Emmett? E Renesmee? Porque ela a tiraria do carro, alguma coisa estar errada nisso pai. — Edward disse precisando descobrir como desenrolar o nó que havia sido formado. Ele conseguiria deixar seus filhos sem ambos os pais? Bella o perdoaria por isso? Não importava, ela estava morta.
— Nós ainda estamos estudando o caso Edward. — Ben se pronunciou pela primeira vez. — Logo deve sair o resultado da pericia.
— Emmett e Renesmee, onde eles estão? — ele repetiu, precisava saber dos seus filhos, o que seria deles sem a mãe? O que seria deles sem o pai?
— Emmett está com Esme eles ainda não sabem de nada, a não serem Alice e Jasper que estão com Renesmee, Jasper trouxe um pouco de leite doado do hospital de Port Angeles, vai ficar tudo bem.
Vai ficar tudo bem.
Impossível, aquilo acontecer.
Edward apenas assentiu sem dizer nada.
Ninguém o entenderia naquele momento.
Ele nunca mais veria Bella em sua vida, então a ficha caiu. Ele nunca mais veria Bella novamente.
Eu nunca mais vou ver Bella novamente, pensou. E isso foi como se fosse o que o seu corpo precisava para paralisar, não querer mais viver.
Edward arfou, puxando o ar de seus pulmões fortemente, mas ele não sentia suas mãos, seu corpo começou a tremer e o suor molhava seu corpo. Seu rosto estava pálida, não tinha sangue circulando sem seus lábios, ele sentia uma pressão muito forte em sua cabeça, nuca, pescoço.
— Eu... não... consigo... eu... ahh. — Edward falou embolado, não conseguindo respirar. Não conseguia falar.
— Edward, olhe para mim, respire fundo. — Carlisle falou, olhando seu filho, nunca havia visto ele daquele jeito, podia ver a veia em sua testa.
— E...A... NÃO... ...
Edward desmaiou.
Ele estava acordado já havia vinte minutos. Não se mexia. Mal piscava, respirava por instinto, Seu olhar era vago, sem direção. Carlisle havia contado para ele que ele havia ficado sem ar, sua pressão estava alta, 21 por 10 e que um vaso sanguíneo poderia ter rompido em seu cérebro e ele sofreria um AVC, por isso que Edward estava em observação no hospital. Mas enquanto Carlisle falava isso, ele não tinha certeza se seu filho o ouvia ou não. A aliança de Bella estava escondida em sua mão que estava fortemente fechada.
— Edward, meu filho, fale alguma coisa. — Carlisle pediu. — Esme está chegando aqui com Emmett. Você quer que nos contem para ele, ou você prefere contar? — Edward ficou em silêncio. — Edward eu sei que é difícil, mas você não pode ficar sem falar conosco.
Edward ouvia, se obrigava a compreender o que o pai dizia, era uma forma de manter sua mente longe, de lembranças que começavam a machucar. Seu filho, Emmett como ele reagiria? Eles precisavam ser forte? Edward sabia que não podia deixar ele desamparado. E sua princesinha, tão nova, mal havia completado um mês de vida e sua mãe agora estava... morta.
— Eu conto para ele. — foi o que ele sussurrou. Mas sua vontade era de dizer: Não você não sabe, ninguém sabe, nada tem mais sentido. Só me tira daqui e me leva para Bella, eu preciso dela, eu preciso...
Ele sabia que não conseguiria viver sem Bella. Mas ele sabia que não podia simplesmente se matar, infelizmente ele tinha seus filhos, não poderia deixar ambos sem os pais. Então, Edward tinha uma ideia, cuidaria dos seus filhos, os educaria da melhor forma possível, os amaria por ele e por Bella, viveria em função deles, apenas deles. E quando eles tivessem idade suficiente para seguir em frente sozinho, apenas os dois. Ele daria um jeito de se encontrar com Bella, mesmo não tendo a certeza se ele a veria depois da morte, mesmo não sabendo para onde iria, mas nunca seria feliz sem sua mulher ao seu lado. A sua felicidade, seu amor, sua vida, tinha nome e sobrenome e que estava prestes a estar em um atestado de óbito.
— Tudo bem, vou deixar você sozinho agora, preciso ver algumas coisas com Ben, por favor, Edward não faça nenhuma burrice. — Edward apenas assentiu, Carlisle deu um beijo no cabelo dele. Sofriam pelo seu filho. Mediu a pressão dele outra vez e viu que já estava normal.
— Pai. — Edward o chamou baixinho, não queria chorar na frente do seu pai. — O senhor pode trazer Renesmee aqui?
— É claro.
Alguns minutos depois Emmett entrou sozinho pela porta.
— Filho. — Edward falou já começando a chorar novamente, pegou o menino em seus braços o abraçando mais apertado possível. Sentando ele em seu colo, na cama do hospital.
— Papai, eu não consigo respirar. — o menino falou, Edward afrouxou um pouco o abraço.
— Me perdoa querido, eu te amo tanto, eu... eu... te amo... — Edward falou soluçando.
— Papai o que foi? O senhor está me assustando. Onde a mamãe está?
Edward não conseguiu responder, a perguntar só fez seu choro se intensificar ainda mais.
— Me perdoa, não a protegi como falei que faria. Eu falhei com ela, falhei com você... eu...eu não sei o que fazer... Ela... E-ela — ele falava para si mesmo.
— A mamãe nos deixou? — Emmett perguntou com lágrimas nos olhos. Edward apenas conseguiu assentir. — Foi por minha culpa papai, é por que eu sou doente, por isso ela deixou a gente...
— Não, Emmett, não é isso. — Edward se respirou fundo. — Ela... ela... não está mais entre a gente... ela está no céu agora. — Edward simplesmente não conseguiria se referir a Bella seguida de um verbo morto.
— E-ela m-morreu? — o menino perguntou, seus olhos caramelo estavam molhados, seu rosto úmido. Eles choravam.
Edward não conseguiu dizer mais nada, apenas apertou Emmett em seus braços, mas como consola-lo se ele também precisava de um ombro amigo, ombro amigo que ele sempre pedia a Bella. Sua ouvinte, quem o consolava.
Eles passaram vários minutos sentados na cama, abraçados, chorando, sem se importar com mais nada, soluços altos era o que preenchia o silêncio do quarto. Edward se obrigou a separar do seu filho quando ouviu batidas suaves vindas da porta.
— Posso entrar? — Esme perguntou, ela estava com o rosto vermelho, expressão preocupada.
— Vovó. — Emmett falou soluçando. Esme entrou empurrando um carrinho de bebe, que era diferente do que Bella usava mais cedo.
— Filha. — Edward falou. Ele pegou a menina em seus braços, ela estava dormindo. Ele apenas a acomodou em seus braços.
— Eu te amo, princesinha, eu te amo. Desculpe-me. — ele falou a ela a beijando carinhosamente.
— Não foi sua culpa, querido. — Esme falou abraçando Emmett. Edward balançou a cabeça, ignorando o que sua mãe disse.
— Filho se você quiser pode voltar para casa, mas terá que se alimentar e teremos que ficar de olho na sua pressão. — Carlisle falou.
— E-Eu não sei se consigo ir para casa agora. — ele sussurrou.
— Tudo bem o levaremos para nossa casa.
Já era mais de dez horas da noite, Edward estava sentado em sua antiga cama, Emmett estava no quarto ao lado. Quando eles haviam chegado, Rosalie estava na sala com sua mãe e Jasper, ela havia corrido para os braços de Emmett e o abraçado forte. Jasper estava tomando cuidado com Alice ela havia ficado muito nervosa e triste com a notícia, e isso era perigoso para a gravidez dela. Edward ficou abraçado por horas com Alice, seu corpo parecia não ter mais lágrimas para produzir, ele apenas olhava para o vago, às vezes seus olhos seguiam sua mãe que cuidava de Renesmee alimentando-a com o leito doado do hospital. Ele havia sido obrigado a comer um prato de sopa, mas assim que ficou sozinho para tomar um banho aproveitou e vomitou tudo no vaso, seu estomago não tinha capacidade para segurar mais nada. Ele não queria comer, não tinha vontade. Havia vestido um moletom que Jasper havia trazido da sua casa, passou no quarto de Emmett e o encontrou dormindo ao lado de Rosalie, seu rosto estava muito vermelho e seus olhos, um pouco inchados. Jasper havia conseguido fazer Alice descansar um pouco, depois de dar um calmante para ela, provavelmente ela só acordaria no dia seguinte. Carlisle estava cuidando do funeral, com certeza Edward não teria uma resposta se ele perguntasse de que cor seria o caixão, mesmo com o corpo não havia sido liberado.
Carlisle saiu do seu escritório quando viu pela janela a viatura de Ben se aproximando, ele se encaminhou para porta.
Eles se cumprimentaram rapidamente.
— Onde Edward está? — Ben perguntou. — Eu sei que é tarde, mas preciso falar com ele.
— No quarto dele. — disse Carlisle tristemente.
— Posso ir lá conversar com ele?
— Mas é claro.
Ben bateu na porta do quarto de Edward, mas ninguém respondeu, bateu outra vez e nada, deu um suspiro e girou a maçaneta, a porta se abriu.
Ele entrou no quarto abismado, a cama estava toda revirada, lençóis, no chão, travesseiros espalhados, uma abajur quebrada, estava tudo revirado, os pôster que ele tinha colado na adolescência na parede do quarto estava todos rasgados no chão e ele estava agachado puxando seus cabelos com força, podia ouvir soluços vindo de sua garganta, ele estava com um aspecto tão fragilizado, mesmo não vendo seu rosto. Ninguém da casa podia ouvi-los já que as paredes eram revestidas acusticamente.
— Edward. — Ben o chamou se ajoelhando em frente ao amigo.
— Ela me deixou... ela me deixou, Ben. — Edward disse chorando desesperado, sua voz não era mais o que um murmúrio.
— Eu sinto muito, meu amigo. — Ben disse tristemente. Conhecia Edward desde pequeno, estudaram sempre juntos, eram aqueles tipos de amigos inseparáveis, um sempre apoiava o outro, apenas haviam se separado quando Edward havia ido cursar medicina e Ben havia passado para virar um policial, Edward conheceu Jasper, Alice conheceu Jasper, mas Edward e Ben nunca haviam deixado de serem amigos, era quase como se fossem irmãos.
— Edward eu vim aqui como policial. — Ben começou depois de alguns minutos. — Nós estamos trabalhando com todas as hipóteses e eu queria discutir e fazer algumas perguntas para você.
— Eu não tenho cabeça para isso agora. — Edward falou, estranhando sua voz. Quanto tempo fazia que não bebia agua? Não importava.
— Eu imaginei, mas quanto mais rápido fizermos isso mais rápido isso irá acabar.
— Faça logo de uma vez. — ele se obrigou a dizer.
— Nós sabemos que Bella nunca abandonaria Renesmee ali sozinha, então primeiramente pensamos que alguém queria roubar o carro, Bella conseguiu que o ladrão deixasse Renesmee ali, mas ele queria levar Bella como refém. Mas depois de analisarmos alguns resultados da perícia vimos que o carro foi empurrado pela ribanceira e alguém furou o tanque de gasolina, achamos também alguns fósforos perto do local onde o carro caiu, alguém queria explodir o carro de propósito.
— Mas por quê? Porque não a tiraram dali?
— Bem, Bella estava com as mãos amarradas, com um pano na boca e nos olhos.
— Pare, por favor. — Edward pediu baixinho.
— Desculpe. Bom tinha outro carro esperando o ladrão, mas não conseguimos dizer se ele foi para o oeste ou leste. Mas Edward eu acho que queriam matar Bella. Pra que um ladrão roubaria um carro e depois fugiria sem ele? O carro apesar de está todo queimado, não mostra nem um sinal de arrombamento, nem nada, a bolsa e os documentos de Bella estão todos lá, apesar de estar queimado, você não notou falta de nada?
Edward o olhou.
— Tudo bem desculpe, mas Edward a questão é que estamos achando que alguém queria matar Bella para atingir você ou se vingar dela, vocês por acaso não tinham nenhum inimigo, ou tem?
— Não, não temos. — Edward respondeu rapidamente. — A não ser que tenha sido a mando de Marcus.
— Eu pensei nisso, mas Marcus nunca recebeu nenhuma visita, mas mesmo assim eu vou mandar alguém para interroga-lo. E tem outra coisa...
— O quê? — Ben respirou fundo, colocou a mão no ombro do amigo para consola-lo.
— Deram um tiro na testa dela.
Um tiro. Mataram sua esposa. Meu Deus.
— Quem poderia querer... matar...ela...? Se eu encontrasse essa pessoa eu não sei o que eu faria.
— Edward se acalme. — Ben pediu.
— ME ACALMAR COMO? — Edward explodiu. — MINHA ESPOSA ESTÁ MORTA. ASSASSINADA. VOCÊ SABE O QUE ISSO SIGNIFICA? ESTOU CANSADO DE OLHAR PARA CARA DE CADA UM DA MINHA FAMILIA E VER A CARA DE PENA DE VOCÊS. EU SÓ A QUERO, EU NÃO SEI O QUE VOU SER SEM ELA. EU PRECISO DELA. OS MEUS, OS NOSSOS FILHOS PRECISAM DELA. ELA É MEU AR, ELA É MEU TUDO E EU NUNCA MAIS VOU VER ELA, EU NÃO SEI O QUE FAZER... EU... EUU...
Edward gritava com tanta raiva, com tanto desespero que ele nem viu quando Carslie entrou no quarto com uma seringa na mão, nem sentiu a pontada no seu braço, ele dormiu rapidamente, Carlisle e Ben o deitaram na cama em silêncio.
— PAPAI. — Emmett entrou correndo no quarto e chorando, pulou na cama abraçando o corpo inconsciente do pai.
— Calma querido ele vai ficar bem. — Carlisle disse abraçando o neto. — Volte para seu quarto.
— NÃO, NÃO. EU QUERO FICAR COM O PAPAI. — O menino gritou chorando.
— Tudo bem, tudo bem. — Carlisle respirou. — Volte a dormir como seu pai. Amanhã tudo vai ficar bem. — mal sabia Carlisle o quão certo ele estava.
O calmante não fez efeito por muito tempo, logo Edward acordou suando e ofegante de um pesadelo, mas o que ele vivia agora era bem pior do medo em seus sonhos.
— Papai. — ele ouviu uma voz dizer, olhou para o lado e viu que Emmett estava sentado na poltrona preta que ele tinha no quarto.
— O que você está fazendo aqui? — Edward falou abrindo os braços, Emmett logo pulou no colo do pai.
— Eu não conseguia dormir. — Edward deitou na cama, com seu filho deitado em seu peito.
Eles ficaram em silêncio durante alguns minutos Edward acariciava as costas dele suavemente, sentindo uma lágrima solitária rolar por seus olhos.
— Papai, será que a mamãe virou uma estrela? — o menino perguntou, Edward olhou para a janela de seu quarto, era um pouco difícil ver estrelas em Forks, mas quando o clima deixava o céu se tornava muito bonito, mas ele não via mais beleza em nada.
— Se ela tiver virado uma estrela, é a mais brilhante e linda daquele céu. — Edward respondeu segurando seu choro.
Alguns minutos depois, ambos adormeceram perdidos em sua própria dor.
Quando Edward acordou, viu que estava sozinho no quarto. Encontrou uma calça jeans escura e uma blusa preta perto da sua cama, ao lado de uma bandeja com café da manha, ele ignorou a bandeja, mas vestiu a roupa. Fazendo tudo mecanicamente. Ele desceu as escadas encontrando toda sua família reunida na sala, todos vestiam roupas pretas, até Renesmee que estava nos braços de Jasper. Ele não conseguiu olhar para ninguém, Emmett foi correndo em sua direção e o abraçou. Ninguém conseguiu dizer nada. A expressão no rosto de Edward era tão desesperada, sem vida, e seus olhos verdes que sempre brilhavam eram o reflexo de sua alma quebrada, estilhaçada. Ele pegou Renesmee dos braços de Jasper e ninou-a, ela estava tão linda e seus olhos tão castanhos, como o de sua esposa. Será que ele conseguiria olhar para sua filha sem sentir dor?
Ele se sentou no sofá com Renesmee em seus braços e Emmett ao seu lado. Ficou ali com os dois, sem falar nada, só às vezes o beijava e sussurrava palavras de amor para eles.
— Querido... — Esme falou sentando do outro lado dele.
— Já vai ser o enterro? — ele se obrigou a perguntar. A frase saiu estrangulada de sua boca. — Ele teria coragem de ir? Ver sua esposa morta em um caixão? Se despedir dela? Dizer adeus a ela? Ele nunca deveria dizer adeus a ela, abandona-la.
— Não. — Esme falou. — Mas tem muitas pessoas querendo prestar os pêsames então decidimos fazer uma reunião. Já que nem sabemos quando vão liberar... o corpo.
— Eu não quero falar nem ver ninguém
— Tudo bem, nós não vamos te obrigar a nada. — Esme disse soluçando.
— Eu vou subir com meus filhos. — Edward falou se levantando.
— Edward, você tem que comer alguma coisa. — Esme falou, tinha a certeza que seu filho não havia tocado no café da manhã que ela havia feito.
Ele apenas balançou a cabeça e subiu as escadas com seus filhos. Não tinha apetite, se sentia tão fraco.
Edward não disse nada, nem Emmett. Ele apenas se deitou na cama, com o filho ao seu lado segurando sua mão e com Renesmee dormindo em seu peito.
Eles não saíram do quarto por horas, apenas ficaram lá os três unidos, às vezes corriam algumas lágrimas do rosto de Emmett e Edward, Renesmee que ainda não entendia que havia perdido a mãe só chorava quando sentia fome. Esme havia ido lá apenas uma vez para entregar uma mamadeira. Alice havia tentado fazer seu irmão sair do quarto e falar com algumas pessoas, mas não conseguiu.
No andar de baixo havia alguns médicos, colegas de trabalho de Bella, e alguns curiosos. O clima de morte era tenso. Foi antes das quatro da tarde que o telefone tocou, era o celular de Edward que estava ao seu lado no criado mudo.
Ele deixou o telefone tocar, não queria falar com ninguém. Ninguém mais era importante para ele a não ser seus filhos. O telefone parou mais logo voltou a tocar novamente.
— Papai o senhor não vai atender? — o Emmett falou depois de muito tempo em silêncio, sua voz era chorosa.
Edward apenas assentiu. Ele pegou o telefone, mais congelou vendo a foto de Bella na tela, a dor que sentia seu coração parecia haver triplicado. Ele estava sem ver ela há quantos dias? Ele não tinha a mínima noção. O rosto de Bella não saia de sua mente, seu corpo, seu sorriso, seu olhar. O telefone parou e ele só conseguia ficar olhando, paralisado. O telefone voltou a tocar, ele não conhecia o numero que estava ali.
— Papai atende. — o menino disse o despertando do transe.
Edward suspirou fechando os olhos e atendeu rapidamente o celular. Obrigou-se a dizer algo.
— Alô? — sua voz era aquela mesma?
— Edward Cullen?
— Sim?
— Sou Jhonny Lopez da RS Security. Lembra quando encomendou um rastreador?
— É claro.
— Ele acabou de ser ativado, foi o senhor que ativou? — Edward sentiu sua veia no pescoço pulsar forte. O que aquele cara estava tentando dizer?
— Não, ele fica na pulseira da minha... — Edward paralisou. Seus neurônios trabalhando rápido em uma solução.
— Senhor? Ainda está aí? Alô? Acho que caiu a...
— Eu estou aqui. — Edward falou rapidamente, será que Jhonny podia ouvir as batidas de seu coração. — Tem como saber a localização?
— É claro que tem senhor. Espere só um momento, tem uma caneta para anotar?
— Vou pegar. — Edward disse. Ele se levantou da cama em um pulo, o telefone grudado na sua orelha. Droga onde tinha uma caneta? Ele revirou todo seu quarto até encontrar uma caneta velha, mas não tinha um papel.
— Pode falar. — Edward disse mesmo sem ter um papel. Jhonny falou o endereço e Edward anotou em sua mão mesmo. — Obrigado cara, você pode estar salvando a minha vida. — Como ele não havia pensado nisso antes?
— Preciso acionar a policia? — Jhonny falou parecendo preocupado.
— Não. — Edward disse rapidamente. — Vou desligar.
— Nós agra...
Edward desligou antes que ele pudesse concluir.
— Papai o que houve?
— Eu não sei campão, preciso verificar uma coisa. Tome conta da sua irmã. — Edward a pegou no colo e deu um beijo nela. — Eu amo vocês. — ele falou a ambos.
Desceu as escadas rapidamente.
— Ben Cheney está aqui? — Ele perguntou a primeira pessoa que viu.
— Não, nós...
Edward saiu dali quando viu Jasper.
— Tome, cuide dela. — ele entregou sua filha ao tio rapidamente. Emmett aproveitou esse momento para ir.
— Edward a onde você vai?
Ele não respondeu. Pegou a chave do seu carro perto da porta e saiu.
Mal entrou no carro já deu a partida deixando uma família preocupada para trás, eles não perceberam que Emmett havia sumido.
Edward chegou a tempo recorde a delegacia, saiu do carro rapidamente.
— BEN? BEN? — ele o chamou desesperado.
— O que aconteceu, Edward?
— Eu preciso de sua arma.
— O QUÊ? Você está doido? Eu não vou deixar você se matar.
— Eu não vou me matar. — Edward disse impaciente vendo a arma dele em sua cintura.
— O que você vai fazer então? — perguntou desconfiado.
— Vou encontrar minha vida de volta.
— Olha Edward...
— Me desculpa por isso. — ele o interrompeu. Edward deu um soco em Ben que cambaleou surpreso e tomou a arma dele com agilidez, os dois policias da delegacia pularam, mas era tarde demais Edward já havia dado a partida no carro e saindo cantando pneu.
— Você está viva. Você está viva. — ele sussurrou para si mesmo.
Um sentimento nascia dentro dele.
Será que ela realmente estava viva? E se estivesse ele conseguiria trazer ela de volta a sua família? E se não estivesse, quem ativaria o rastreador? O que havia acontecido? Eram tantas perguntas em sua mente, ele não tinha tempo para pensar nisso agora.
Naquele momento, a única coisa que o mantinha vivo era a esperança.
Ele precisava encontrar, sua vida, Bella.
Notas da Autora:
Confesso que chorei revisando o capítulo, mesmo sabendo de tudo que vai acontecer kkkk
espero que tenham gostado amores e comentem.
A fic está em reta final, mais cinco capítulo se não me engano para acabar
beijos
