Capítulo 36

EDWARD

Fomos literalmente inundados de presentes na manhã seguinte. Não que fossem para mim, ou para Bella. Os bebês nem haviam chegado e já tinham brinquedos para encher um quarto. Estava um clima tão bom, ficamos na frente da lareira comendo doces e abrindo pacotes até que a tarde virou noite e ninguém se deu conta. Quando chegamos em casa, a realidade bateu na minha porta. Eu teria que viajar logo depois do ano novo e precisava contar a ela.

"Amor, senta aqui? Dei leves batidinhas no sofá."

"Por que você está com cara de quem aprontou, Edward?"

Porra, essa mulher me conhecia melhor do que eu mesmo.

"Bella, eu vou ter que viajar. Para a Hungria."

"O filme?"

"Sim. Por três semanas."

"Quando?" Eu odiava quando ela economizava nas palavras.

"Depois do ano novo."

"Ok." Ela simplesmente se levantou e subiu para o quarto, me deixando na sala.

Eu subi atrás dela e quando cheguei no quarto, ela estava deitada de lado, encolhida na cama. Levei um tempo escovando os dentes e trocando de roupa, quando voltei ao quarto ela sequer tinha se mexido. Deitei de frente para ela a passei a mão por sua cintura a abraçando.

Ela gemeu e se aconchegou mais em mim.

"Por que você não me disse antes?"

"Eu não queria estragar o seu natal. Me desculpa?"

"É o seu trabalho, Edward. Não podemos fazer nada."

Ela estava tentando me dizer que estava tudo bem, mas eu percebi a angústia na sua voz.

"Amor, eu sei que você está preocupada, pois o médico mesmo disse que a partir de agora, qualquer dia é dia, mas eu tenho certeza que esses dois vão colaborar com o papai."

Ela chorou. E eu me odiei por estar fazendo-a passar por isso, mas não havia nada que eu pudesse fazer, a não ser confortá-la.

"Me desculpe, eu ando muito chorona ultimamente. Vá tranqüilo, nós vamos ficar bem. Sophie e Nathan irão se comportar, não é bebês?"

Ela conversava com a barriga. Eu também adorava falar com eles. Fazia alguns dias que havíamos decidido os nomes.

E eu não via a hora de conhecermos nossos filhos, mas eles teriam que esperar o papai voltar.

BELLA

Edward e eu passamos o réveillon com os amigos dele, que agora eram meus também em um bar charmoso no Navy Pier, que eu não conhecia e oferecia uma linda vista da cidade de Chicago – as beiras do lago Michigan. Passamos ótimos momentos, mas como tudo o que é bom dura pouco, logo estávamos de volta e Edward estava fazendo as malas.

"Amor, eu não quero ir."

"Edward, você sabe que tem que ir, para com isso."

"Eu sei, mas como eu vou conseguir me concentrar, se a minha cabeça estará aqui?"

"A gente vai se falar todos os dias, então você se dedique ao seu personagem cafajeste sabendo que eu estou bem aqui." Eu tentava animá-lo, mas eu mesma estava me sentindo desamparada.

"Promete que se algo acontecer, você me liga no mesmo instante?"

"Nada vai acontecer. Fica tranquilo."

"Promete?"

"Eu prometo. Agora apressa aí senão você perde o vôo. Não sei como Gianna ainda não está lá embaixo berrando com você."

"É eu estou realmente perdido. Duas mulheres mandado em mim e daqui a pouco serão três. Estou fodido."

"Sim, está, agora vamos?"

Nos sentamos no sofá aproveitando os últimos minutos antes do celular de Edward tocar. Estávamos nos comportando como um casal de adolescentes, agarrados um ao outro. Mas Gianna chegou, e ele teve que ir.

"Eu te amo, pequena. Se cuida e cuida desses dois aí, viu?"

"Eu também te amo, gigante. Eu cuido da gente."

Eu sentia que a nossa casa estava duas vezes maior. Eu não estava realmente sozinha. Corine morava com a gente agora. Ela era uma cozinheira incrível, e a gente se dava muito bem. Ela me fazia companhia e eu me sentia tranquila pelo fato de ela estar ali.

Edward me ligava todos os dias, como me prometeu, porém os horários eram muito loucos. Às vezes ele me ligava às duas da manhã, mas o importante era ouvir sua voz, apesar de cansada.

Uma semana depois, Dr. Adam afirmou que estava tudo normal, porém nenhum dos bebês encaixou, continuavam sentados, os danadinhos. Eu saía para caminhar todas as manhãs. Eu me senti bem, apesar do frio que fazia lá fora.

Na manhã do dia 12 de janeiro, eu acordei indisposta, mas me forcei a levantar. Tomei meu café com torradas e saí para caminhar, iria ver Esme. Porém, quando estava a apenas uma quadra de casa eu senti. Uma dor forte nas costas que me impossibilitou de me mexer por alguns instantes. Foi rápida, logo passou, mas me assustou para caramba. Resolvi apressar o passo e quando estava na varanda de casa de Esme e Carlisle a dor voltou com tudo, dez vezes mais forte. Sem querer eu gritei e me sentei na escada.

Esme me ouviu e saiu imediatamente para me socorrer. Colocou-me deitada no sofá e ligou para Dr. Adam. Ele nos pediu que controlássemos os intervalos das contrações e se chegassem a quinze minutos entre uma e outra, ele deveria ser avisado.

Ela quis ligar para Edward, mas eu a convenci e esperar, pois se fosse alarme falso ele ficaria louco por lá, sem poder fazer nada.

Então começou a briga com o relógio. De meia em meia hora, vinte em vinte minutos, até que Dr. Adam teve de ser avisado. Ele nos mandou seguir para o hospital. A dor era tão forte, que eu não consegui ligar para Edward, Esme fez isso. Ela avisou meus pais e minhas cunhadas. Carlisle que estava por perto, logo chegou também.

Fui levada para um quarto e Doutor Adam logo chegou para me examinar. Ele checou também os batimentos cardíacos dos bebês.

"Isabella, os batimentos de um dos bebês estão baixos, o que significa que ele está em sofrimento. Provavelmente, o cordão esteja em volta do pescoço, é comum acontecer, porém, teremos que fazer o parto agora. Não podemos mais esperar."

"Tudo bem, Doutor, faça o que for preciso, mas salve o meu bebê, por favor." Edward, eu queria você aqui comigo.

"Vai ficar tudo bem, não se preocupe."

Fui levada às pressas para o centro cirúrgico e Kate entrou comigo. Pouco tempo depois, Dr. Adam entrou e me avisou que iria começar. Eu ouvia os médicos e enfermeiros falando baixo e em termos que eu não entendia. Olhei para Kate, que estava sentada ao meu lado segurando minha mão, mas ela apenas deu de ombros e sorriu – como quem dizia: 'eu também não estou entendendo a conversa estranha deles'.

"Fique calma, querida, vai dar tudo certo." Kate disse acariciando o meu rosto.

Eu procurei me acalmar, pois era a única coisa que eu podia fazer pelos meus bebês naquele momento. Então, depois do que pareceu ser horas eu ouvi a voz do Doutor Adam.

"Isabella, pronta para conhecer seus filhos?" E então tudo ficou escuro.

EDWARD

Era a sétima vez que eu gravava a mesma cena. Só faltava ela para sermos liberados para o almoço, mas o ator que contracenava comigo não conseguia de forma alguma acertar o que o diretor pedia. Como bom profissional que era, esperei pacientemente junto com os outros enquanto ele se concentrava, e tentava de novo. Já tive meus dias de estragar o dia dos outros.

Quer dizer, ele não estava exatamente estragando o meu dia. Mas era no almoço que eu tirava o meu tempo para ligar para Chicago, e falar com Bella. E quanto mais tempo ficássemos aqui, menos tempo de almoço teríamos. E menos tempo eu teria para matar a saudade que eu sentia dela.

Somente duas horas depois a cena foi filmada corretamente, e estavam todos satisfeitos, correndo para seus trailers. Corri para o meu também, e me joguei deitado na cama que tinha no fundo. Assim que toquei na tela do celular me sentei de novo assustado, trinta chamadas não atendidas. Que porra louca era aquela?

Rolei o dedo para ver quem tanto me ligou, e vi as primeiras ligações de Bella. Depois se revezavam entre chamadas da minha mãe, do meu pai, Kate, Carmen e Jasper. Até de Renne tinha. Porra, por que tinha ligação dela para mim? Será que Bella estava achando que eu sumi, e os colocou à minha caça?

Sorri com aquilo. Não, claro que não era isso. Mas então, o que os teria feito procurar tanto por mim? Bom, mas eu acho que se fosse algo muito sério, teriam ligado para alguém da produção, e mandado me chamar.

O telefone não tocou enquanto eu mexia nele, então fui ao banheiro mijar, e o deixei no quarto. Tive que voltar correndo quando ouvi o toque da Bella.

"Oi amor, desculpa eu..." Fui interrompido pela voz da minha mãe afobada.

"Edward?! Edward meu filho, eles vão nascer." Sacudi a cabeça, confuso.

"Já? Mas ela está de oito meses. É prematuro. Não pode." Eu já estava de pé, passando a mão pelo cabelo, e procurando outra roupa para vestir, e me mandar dali.

"São gêmeos Edward. É normal."

"Não mãe. Não." Eu já estava fora do trailer, com a mesma roupa, e chamando alguém para me colocar no primeiro voo de volta.

"Se acalma meu filho."

"Só vou me acalmar quando eu chegar aí, e a vir. Vou pedir para alguém arrumar um avião particular para mim."

"Tudo bem, Edward. Tenha uma boa viajem."

"Obrigado. Mãe..."

"Sim, filho?"

"Cuida dela para mim."

"Vou cuidar. Vou cuidar."

Tudo certo para eu voltar para os Estados Unidos, fui para um pequeno aeroporto de Budapeste, e entrei em um jatinho particular. Em poucas horas – não, em muitas horas - eu veria as minhas três preciosidades. Ri com o pensamento, mas não foi um sorriso fácil. Eu estava apreensivo. Eu já sabia que o parto poderia ser prematuro, todos os vários livros que lemos, mais os vários médicos e familiares deixaram claro que era normal. Mas mesmo assim, eu não conseguia relaxar, e simplesmente ficar feliz pelo que estava acontecendo. Eu tinha que estar ao lado dela e não do outro lado do mundo.

Passei o voo todo com a mão no cabelo, me arrumando na poltrona, e apertando a correntinha que Bella me deu. Que bom que eu vim sozinho, porque, certamente, eu estaria estressando o meu acompanhante.

Enquanto o mundo passava pela janela, eu tentei fazer meus pensamentos buscarem momentos agradáveis para diminuir a tensão. Mas era em vão. Eu só conseguia pensar que não estaria lá para segurar a mão da Bella no parto. Que eu não seria uma das primeiras pessoas a ver meus filhos chegarem ao mundo. Que ela precisava de mim, e eu estava dentro da porra de um avião.

Eu tinha que ter ficado com ela. Tinha que ter pedido um tempo nas gravações para acompanhar esses últimos momentos. Será que tinha alguém com ela, quando a bolsa rompeu? E se ela estivesse sozinha, e por isso me ligou? Será que ela passou mal? E não tinha ninguém por perto? E isso acelerou o parto?

Porra, porra, porra, eu só estava me deixando mais nervoso.

Fechei os olhos com força, e comecei a pensar em como seria o rosto dos nossos filhos. Uma menininha linda, com os dentinhos da frente grandes como os de Bella, o narizinho dela, aqueles olhos castanhos. E um meninão com o meu sorriso, meus olhos, e o meu cabelo. Claro, porque Bella exigiu que nosso filho fosse uma cópia em miniatura do pai. Eu queria uma miniatura dela também, então...

Acabei dormindo no meio dos meus pensamentos, e fui acordado por Jasper me sacudindo na poltrona.

"Acorda Edward!"

Tomei um susto da porra, e levantei querendo socá-lo. Mas ele não estava com uma cara muito boa.

"O que foi?"

"Nada, vamos?"

"Jasper, não disfarça, o que houve?"

"Nada cara!"

"Porra, eu sei que você está mentindo!"

"Não sei porquê me mandaram vir buscar você. Que merda!"

Desci as escadas do avião tropeçando, e entrei no carro da mesma forma. Continuei perguntando o que havia acontecido, e Jasper continuou desviando das minhas perguntas.

"Que caralho de cara é essa então?"

"Eu não ainda fui no hospital porra! Não sei de nada! Pediram para eu vir pegar você aqui, e levar para lá! Só isso!"

Decidi acreditar nele, apesar de achar que escondia alguma informação nesse meio todo.

"Aliás, parabéns, papai." Ele abriu um sorriso genuíno, e eu me deixei rir junto com ele.

Chegamos finalmente ao hospital, e estavam todos com a mesma cara que Jasper. Olhei para ele de cara feia, mas ele apenas recuou, e minha mãe se pôs a frente para explicar.

"Ele não sabe de nada."

"Então tem algo?!"

"Bem..."


Beijo e até amanhã...