Ao Domingo posso ficar no jardim toda a manhã, eu gosto de fazer isso principalmente agora que posso andar e tenho a Amora. As flores começaram a florir e os arbustos precisavam de uma poda. Sempre me deixaram podar os arbustos dos caminhos do jardim e cuidar das flores. Era uma das minhas actividades que apenas podia fazer na primavera e verão.

A Amora olhou para os dois. O Ezra e o Eric ocuparam o outro dado do jardim onde havia bancos de pedra e um pequeno lago com peixes que apenas se criam nesta altura. "Fica aqui pequena… eles precisam falar." Eu acariciei-a antes de colocar o meu chapéu abas largas, calçar as luvas e pegara a tesoura para podar os pequenos arbustos perto das roseiras. Sentia-me observada pelos dois homens atrás de mim. Eu olhei para trás, sorri-lhes e eles fizeram o mesmo.

Está na hora de começar a executar o meu plano… era simples… eu apenas tinha de fazer exactamente o oposto do que tenho feito até agora. Tenho de parecer apaixonada, olhar para o Ezra o tempo todo, interagir mais com ele e parecer um pouco tola durante as nossas conversas em público. Eu sei que ele vai ficar confuso e fazer de tudo para parecer normal. A minha avó sabe, mas agora o meu objectivo é que o Sr. Fitzgerald e o meu pai notem. Isso fará os dois falarem sobre mim e o Ezra.

"Gostas de trabalhar nesta casa?" O meu pai pergunta.

"Sim. É o meu primeiro trabalho, não me posso queixar. O Sr. Montgomery paga bem pela educação da filha."

"A Aria parece-me uma jovem impecável. Ela fez 19 anos, não é?" Ele pergunta.

"Sim, fez 19 no dia em que chegaram." Eu disse. "Ela tem uma personalidade delicada, todos a tratam com muito cuidado devido à sua ex-condição."

"Mas agora ela pode andar pequenas distâncias e ficar de pé sozinha. Achas que ela vai recuperar ou regredir?"

"Claro que ela vai recuperar… porque diz isso?"

"Digo isto porque o pai ela referiu que a morte da mãe dela causou isso. Como achas que ela vai reagir à morte da avó?"

"O quê?"

"Tu não sabes?" Eu olhei para ele. "A avó dela tem um cancro, foi o que o pai dela me disse."

"Eu não sabia isso."

"Bom… vamos esperar que leve bem a situação."

Conhecendo-a como conheço ela não vai levar bem. Ela vai ficar no quarto o tempo todo a chorar e sem comer, vai ficar magra e fraca e talvez até pare de andar. No momento pareceu tudo muito claro… a passagem de jóias de família importantes para a Aria e a permanência prolongada da senhora na casa.

"Vai ser difícil para ela."

"Tu conhece-la bem talvez a possas ajudar filho." Ouvi-lo chamar-me filho era estranho. "Desculpa… eu sei que pode não ser apropriado chamar-te assim ainda."

"Tudo bem… eu não estou habituado, mas talvez deve começar a acostumar-me."

"Obrigado pela oportunidade." Ele diz.

"Foi ela." Eu olhei para ele. "Foi a Aria que me convenceu a dar-lhe uma oportunidade. Ela deu-me o discurso de ter perdido a mãe e que eu não podia perder o senhor por ser teimoso."

"Ela conhece-te bem… deve gostar muito de ti." Ele diz.

"Eu cuido dela, eu ajudei-a a andar. Apenas isso." Digo.

"Eu diria que não és apenas isso para ela. Ela olha muito para ti, ela pede a tua ajuda e ainda te dá sugestões." Ele ficou parado por algum tempo a observá-la a podar os arbustos. Ela olhou com um sorriso na nossa direcção algumas vezes. "Ela tem sentimentos por ti e está nitidamente à espera que retribuas." Eu olhei um pouco chocado e neguei. "Ezra…" Ele bateu-me nas costas. "Posso ser velho, mas não sou cego nem parvo. A jovem gosta de ti… tu gostas dela?"

"Eu sou professor dela."

"Eu não perguntei isso… não está em causa…"

"Eu sou professor dela."

"Eu sei, tem calma." Ele olhou novamente para ela e observou durante alguns segundos. "Olha para ela." Eu fiz isso. "Diz-me o que vês."

"Vejo a Aria a podar os arbustos."

"Não… tu estás apenas a olhar, não estás a ver."

"Eu estou a ver."

"Então o que vês?" Ele pergunta de novo.

"Eu já respondi a essa pergunta."

"Rapaz… é impossível… a tua mente está fechada." Ele suspirou. "Esquece que és professor dela… finge que nunca a viste na vida… o que vês?" Ele afagou a barba. Eu percebi onde ele queria chegar. "Eu não vou dizer ao pai dela o que me disseres agora." Ele assegurou.

Eu olhei para ela e permiti-me ver. "O olhar dela é sonhador, ela está a pensar enquanto está a podar."

"Mais. Fala-me da aparência dela." Ele pediu.

"Eu não posso… isso é errado."

"Vais dizer-me que nunca olhaste para ela dessa maneira? Tu és um homem e é perfeitamente normal seres atraído por uma mulher. Ainda por cima ela é uma mulher bonita, jovem e rica… se eu tivesse a tua idade ela não me ia escapar." Eu olhei para ele chocado. "Vá… fala-me da aparência dela."

Eu olhei para ela novamente. "Ela parece diferente hoje."

"Diferente como?"

"Bem… Ela nunca apanha o cabelo dela ou usa chapéu, mas fica-lhe muito bem apesar de gostar mais quando as ondas suaves do seu cabelo lhe caem soltos pelas costas. Ela usa geralmente saias um pouco acima dos tornozelos, esta é a primeira vez que usa por baixo do joelho. Não me surpreende porque ela referiu que seria mais fácil andar sem todo o tecido a atrapalhar. De qualquer forma a camisa e a saia ficam perfeitas nela, fazem realçar ainda mais a sua beleza." Eu acrescentei. Ela olhou para nós e sorri. "A tez dela é perfeita, os olhos impressionantes e o sorriso é o mais bonito que alguma vez vi. Os lábios dela…" Calei-me.

"Dão vontade de beijar?" Eu concordei envergonhado por deixar isso tão claro. Ele colocou a mão no meu ombro. "Tu também gostas dela rapaz."

"Não posso."

"Tens razão… mas talvez esteja na altura de lutares antes que seja tarde demais."

"Lutar?"

"Achas que ela vai ser solteira para sempre? Tu sabes o que tens de fazer." Ele estava mesmo a propor que me despedisse.

"E depois? Não é fácil encontrar um trabalho nesta altura e o pai dela…"

"Ezra… podes trabalhar para mim por um tempo ou permanentemente. És meu filho, não te deixaria de fora, afinal ainda és meu herdeiro e o negócio precisa de um futuro." Ele diz.

"E depois? Para o Sr. Montgomery sempre vou ser o seu ex-professor. Também não a quero deixar quando a avó morrer."

"Está na altura de fazer escolhas. A tua cabeça tem muitas dúvidas, mas acredita que existe uma solução para tudo. Tens várias portas, só tens de escolher."

"E se escolher mal?"

"A morte é a única coisa que não tem solução." Ele diz antes de se levantar e entrar na mansão.


(shanalystuff. tumblr. com) Publiquei as imagens deste e outros capítulos! Sintam-se à vontade para fazer perguntas pelo tumblr ou aqui :)

Muito obrigado pelo comentário EzriaBeauty! :3 O que acharam desta conversa entre pai e filho? Acham que o Eric vai ajudar o Ezra e a Aria?

Espero que tenham gostado! Muito obrigada por lerem e pelo apoio! Até ao próximo capítulo! Beijinhos!