- Capitulo Trinta e Cinco-
O principio do fim
"Severus bocejou. Merlim! Sentia como se seus ossos estalassem de velhos. Havia tomado um banho leve e estava mais que pronto para dormir. Seus colegas de dormitório dormiam a sono alto e até mesmo Montgomery naquela noite parecia estar enfeitiçado.
Abriu as cortinas da sua cama, piscando incrédulo quando conseguiu atinar com quem estava ali.
- Cavendish?– Cassandra pulou ao escutar a voz dele. Estava ajoelhada, com seu travesseiro nos braços, o rosto enterrado nele. Usava um pijama branco, as pantufas de coelho estavam ao lado da cama.
- Severus?! – ela ficou vermelha. Ele reparou que ela não largara o travesseiro.
- O que está fazendo aqui?
- Quem?
- O diretor Dumbledore!– a resposta sarcástica fez Cassandra engolir em seco.
- Procurando balas de limão. – Cassandra recuou quando ele estreitou os olhos.
- Quero saber o que você está fazendo cheirando o meu travesseiro.
- Você respondeu a sua pergunta. Estou cheirando o seu travesseiro.– apertou-o com mais força.
- Para que?
- Para... – Cassandra desviou o olhar. Severus a olhou, por uma fração de segundo, antes de perder a cabeça.
- Saia daqui. – Cassandra o olhou magoada. Ele continuou, sem se importar que a dor nos olhos dela o machucasse– você está namorando Montgomery. Não quero uma...
- Para proteger você.
- O sussurro foi um pouco mais que uma brisa.
- Faça-me o favor Cavendish. Eu não vejo nenhuma ameaça. Aliás, eu vejo sim. Você! É disso que quer me proteger? Dos seus sonhos malucos?
- Meu único sonho maluco é ter filhos seus!– ela retrucou, erguendo-se, a medida que se aproximava– É entrar em uma igreja, aceitar ser sua mulher para o resto dos nossos dias. É conseguir ver o seu sorriso. Ver os seus cabelos embranquecendo. É saber que você está ao meu lado, pronto para me proteger, ralhar comigo ou estar ali.
Ela jogou os cabelos para trás, uma pequena parte roçando no rosto dele. Ele perdeu o pouco de controle que possuía, puxando-a para si, calando a boca dela com um beijo. Ela retribuiu, enroscando seus braços no pescoço dele.
Quando se afastaram, ambos estavam ofegantes. Cassandra descansou o rosto no peito dele.
- É muito complicado, Severus.
- Tente me explicar. Eu não sou burro.
- Sei disso melhor que ninguém. Nunca duvide que eu te amo! Eu vou até o inferno, se for preciso, para ver você em segurança e feliz.
- Você é a minha felicidade! Se você não estiver nos meus braços, quero que você saiba de uma coisa.
- O que – Cassandra o olhou confiante.
- Eu estava certa!– Severus respondeu, com a voz de Lílian– Você está namorando o Eddie para esconder o Snape de Minir!"
Cassandra abriu os olhos, deparando-se com Lílian que tinha uma expressão triunfante no olhar.
- Sua mãe não lhe disse que é perigoso acordar alguém dormindo?
- Seria perigoso se você fosse sonâmbula. Mas considerando o estado do seu urso... É perigoso para mim também. Vai que você sonhando pensa que eu sou o Snape e me agarra? Vou detestar ter que te azarar.
- Vai para o inferno. – Cassandra apertou um pouco mais o urso que tinha nos braços, virando-se para o lado, fechou os olhos.
- Isso depende. Não vou encontrar o Snape por lá, do jeito que você o está tratando?
Cassandra ficou muda, apertando os lábio inferior com os dentes.
- Sabe, eu nunca pensei que você fosse capaz disso, Cass. E eu sei com certeza que...
- Banho frio ajuda a dormir? – a pergunta azeda da loira fez a ruiva rir.
Não sei. Não costumo sonhar com o snape. Acho até que para mim, ele tem o efeito contrário. Me deixa acordada. É claro que estou me referindo ao banho, não ao Snape. – Lílian resolveu provocar Cassandra sem dó.
- Evans, se você não parar, eu vou levantar, e vou pedir um espaço da cama do Tiago.
- Por mim tudo bem... mas o que será que o Snape vai pensar se descobrir que... – Lílian se calou, quando Cassandra levantou, jogando as cobertas com violência.
- Pronuncie novamente o nome daquele monitor, Lílian Evans, e você vai ver do que eu sou capaz.
- Lílian ficou em silencio. Um sorriso diabólico surgiu no seu rosto antes dela pronunciar as palavras seguintes.
- Severus Prince Snape.
Cassandra grunhiu de exasperação. Pegou o travesseiro, o urso que estava abraçada e marchou para fora do quarto. Começou a rir, quando saiu para fora e viu Potter ser praticamente atirado escada abaixo, com o travesseiro voando por cima dele.
- Só ganha a sua cama de volta se conseguir der um jeito na ruiva!
Eddie levantou sedo aquele dia, antes mesmo que Rachel e Severus. Dirigiu-se sozinho ao salão principal, quando estava quase na porta ouviu alguém o chamar. Voltou-se curioso e deu de cara com Fage.
- Oi Eddie!- falou ela lançando-lhe um sorriso sedutor.
- Ah... olá Fage...
- Gostava mais quando me chamava pelo primeiro nome!- ela fez beicinho.
- Olha Fage eu estou...
- Namorando eu sei!
Eddie ergueu as sobrancelhas. O que aquela maluca queria?
- Sabe fiquei muito triste quando soube que não teríamos mais chance!- ela pôs as mãos no peito dele se aproximando perigosamente.
- Você sabia que não teríamos mais chances quando terminamos- Ele tirou as mãos dela e se afastou.
- Ora Eddie sempre há uma esperança.
- Esquece fage! Cassandra e eu estamos muito bem!
- Ah!
A ruiva baixou o rosto. Eddie já ia saindo quando ela voltou a falar- Não queria lhe falar mas...
- Se não é da sua conta não se meta!- disse ele num tom ameno.
- Bem é que... não quero que sofra!
Ela olhou o nos olhos com o melhor olhar de sinceridade.
- Mas eu não gosto de gente mentirosa.
- Aconselho a pensar muito bem antes de falar mal de Cassandra, Fage!- Eddie advertiu.
- Bem é que não acho justo ela namorar você quando esta noiva de outro cara...
- Do que está falando? Essa historia já se resolveu há muito tempo...
- Não seja ingênuo Eddie. Ela ainda esta noiva de Diego Garcia. Nunca reparou como ela o trata? Como é carinhosa com ele?
- Eles são amigos Fage!- Eddie já estava começando a irritar-se
- São noivos. Eu os vi! Sei que ainda são noivos e que vão se casar...
- E como você sabe disso?- ele cruzou os braços no peito.
- Ah coisas que é melhor você não saber!
Fage sorriu maliciosa. Eddie riu pelo nariz.
- Tenha um bom dia Fage!
E dando-lhe as costas entrou no salão. Sabia que Cassandra não ia se casar. Se bem que ela nunca dissera isso com todas as letras. Será que Fage estava certa? Balançou a cabeça com força, mas que bobagem! Tentou convence-se mas a pulga da desconfiança já fora implantada nele.
Quando Severus e Rachel entraram no salão, ele já estava cheio de estudantes. Eddie estava sentado a mesa da Grifinória lendo o Profeta diário, provavelmente a espera de Cassandra, por isso os dois sentaram-se sozinhos a ponta da mesa da sonserina. Rachel logo percebeu que um grupinho de garotas tomava café na outra ponta da mesa. Não gostou nada disso.
- Espere ai. Deixa-me ver se entendi direito.– Angélica lançou um olhar disfarçado para Snape.– A Cassandra dormiu na cama do Tiago?
- Depois que estava tendo um sonho com o Ranhoso? – Beatrice completou a frase da sonserina.
- Trice, por favor – Alice chamou a atenção da colega.
- Está bem. Do monitor rabugento, que seja.– as garotas estavam tomando o café na mesa da sonserina. Lílian acabara de relatar o que acontecera na noite anterior.
- E eu não acredito que ela ficou zangada porque você disse que estava certa!
- Acredite se quiser, Angélica. Cassandra ficou... digamos que furiosa é um elogio.– Lílian deu uma risadinha. As outras três garotas se encararam e começaram a rir.
- Bem, já selecionamos as próximas vitimas então?– Angélica abriu um sorriso que Remo ao percebe-lo, na mesa da Grifinória, sentiu um calafrio.
- Vitimas não. Felizardos!– Alice corrigiu.
- Só que vocês estão esquecendo de um detalhe alto, loiro, bonito, inteligente e charmoso.
- Podem deixar que o Montgomery eu consolo.– Beatrice se ofereceu.
- E a Glenn? – Alice ficou preocupada. Ela não era cega, percebera bem o interesse da sonserina.
- Vamos deixa-la catando pulgas no Sirius!– Beatrice tinha os olhos brilhantes. Quando percebeu que Eddie as estava observando, atirou-lhe um beijo.
- Assanhada. – Rachel bufou. Severus ergueu o olhar da xícara de café.
- Já percebeu quantas vezes falou essa palavra hoje?
- Não estou me referindo a Cavendish e sim a Johnson! Ela não para de olhar o Eddie!
- Admita que está com ciúmes, agarre o Montgomery e não me incomode mais. – Severus sugeriu. Tivera um bonito sonho com Cassandra e não seria a irmã que o iria irritar.
- Esqueceu de dizer deixe o caminho livre para mim!– Rachel bufou novamente, quando escutou o grupinho rir novamente. As quatro ergueram a xícara de café como se estivessem comemorando algo.
- Bem, sou mais velho, não sou? De vez em quando mereço um agrado – riu quando Rachel ergueu a mão, segurando um biscoito, pronto para lhe atirar– Acho que não quero um biscoito hoje, obrigado.
- Agrado!– Rachel bufou– Eu te odeio sabia?
- E o Montgomery te ama.– Rachel estreitou os olhos.
- E você não?
- Digamos, que eu consigo te suportar com esse gênio pavoroso.– Rachel ficou com a boca aberta.
- O que você e a Cavendish andaram fazendo?
- Nada!- o tom de Severus ficou subitamente seco– E não vamos fazer nada. Porque você não vai atrás do...
- Sirius Black! – a voz de Cassandra fez os irmãos se virarem para a mesa da grifinória. Ela estava entrando no salão, com Black atrás.
O moreno ergueu os braços, falando algo bem baixinho. Cassandra afastou-se dele, com os olhos estreitados, pisando com força. Quando estava se aproximando da mesa da sonserina, Severus levantou-se para sair. Ficaram frente a frente por um segundo, antes de Cassandra bufar.
– A culpa é toda sua!
- Desculpe? Não compreendi. – a voz de Severus soou suave.
Ela o encarou com uma expressão de raiva por mais alguns segundos antes de se virar e sair do Salão Comunal.
- Snape, o que você aprontou com a Cassandra?- Eddie se aproximou deles, com a testa franzida.
- Não vejo com essa garota desde ontem à tarde. O que acha que posso ter feito?
- Muitas coisas!– Beatrice gritou, as amigas rindo. Elas haviam acompanhado a amiga com os olhos e depois continuado a conversar.
- Então isso quer dizer que?– Lílian perguntou em voz alta. As amigas responderam gritando.
- A Lílian está certa!– Bateram as xícaras de café como se brindassem.
À tarde não demorou a chegar. Depois do almoço eles ainda tinham algum tempo de descanso e preguiça. Rachel se despediu de Eddie e Severus e saiu pelo corredor de modo apresado. Nem um dos sonserinos entendendo a presa e agitação da garota.
A sonserina caminhou apresada pelo corredor, saiu pela porta lateral e se escondeu atrás do grande pilar que separava a varanda do jardim, mais a frente viu um grupinho de garotas fofocando. Uma delas se afastou e foi em direção a Diego Garcia. Poucos instantes depois voltou com ele em seu encalço.
A sonserina sorriu quando as garotas começaram a rir baixinho. Seu plano dera certo afinal e logo ela estaria livre de Cassandra Cavendish. Estava perdida em pensamentos quando ouviu o grito de Cassandra. Observou a cena em silêncio mas com um sorriso no rosto.
Diego estava agora, sentado no chão, tinha uma expressão de peixe morto. Os olhos estranhamente sem brilho e fora de foco, os lábios contorcidos em um sorriso frouxo e as mãos largadas ao lado do corpo.
- Mantenha-se longe dele!- Cassandra exigiu caminhando rapidamente ate o grupinho. Fage riu.
- Agora que estávamos nos divertindo!
Ela lançou um olhar a Eddie que parara a alguns passos de distancia, observando a namorada de modo curioso.
- Não é gatinho?
- É!- respondeu Diego- Se divertindo.
Fage segurou Diego pelo queixo e o forçou a levantar, mordeu o lábio e se aproximou colando a boca na dele. Cassandra ferveu e puxou a ruiva pelo cotovelo. Diego voltou a cair sentado no chão.
- Vamos embora Garcia!- berrou ela.
- Ele não pode ouvir!- murmurou Fage- Ele é meu, Cassandra!
Um grupo de garotos se aproximou. Os estudantes agora paravam para ver.
- O que esta acontecendo aqui?- perguntou Remo com autoridade.
Cassandra ainda prendia fortemente o cotovelo de Fage.
- Nada de mais. Não se metam!
- De o antídoto a ele!- exigiu Cassandra. Fage riu.
- Não dei a ele uma poção do amor! Ele gosta mesmo de mim não acha?
- Enfeitiçou ele, não enfeitiçou? DIGA LOGO O QUE FEZ COM ELE!
- Já disse que não fiz nada... e vai morrer tentando descobrir o que é!
Cassandra deu as costas a ruiva levando as mãos ao rosto tamanha era sua raiva e indignação.
Fage fez biquinho.
- A Cassinha vai desistir do noivinho assim tão fácil? Pobrezinho vai ficar tão desolado... vou ter que consola-lo não acha?
Ouve tempo somente para Lupin segurar Cassandra pela cintura. Mas ela já acertara Fage com um tapa. A ruiva inchou de raiva. Ouve um segundo de tensão quando a Corvinal agarrou Cassandra pelos cabelos, mas foi logo afastada por Sirius.
- Desista Grifinória! Ele é meu!- berrou Fage!
- Vou arrebentar você!- urrou Cassandra tentando se desvencilhar.
- Fage!- advertiu Eddie que agora se aproximava para tentar ajudar Lupin a segurar Cassandra.
- Você roubou meu namorado agora eu roubo o seu!
- Cachorra!
- Vem aqui e eu te mostro sua...
As garotas espernearam. Cassandra chutou Lupin e ele a soltou, Eddie tentou segura-la mas ela acertou-o também. Ela caminhou em direção a Fage cuspindo vespas. Sirius puxava a ruiva para trás esperando um milagre.
- ME DIGA LOGO COMO LIBERTA-LO!- exigiu Cassandra. Fage riu.
- A princesinha nunca leu um conto de fadas?
Cassandra puxou a varinha mas alguém segurou seu pulso. Ela se voltou.
- Ela não vale a pena!- murmurou Severus.
- Me larga Snape!- murmurou ela com raiva.
- Nem pensar!
Rachel, que observava tudo de longe, se surpreendeu ao ver Severus a puxar pela cintura e com uma das mãos a prendendo junto ao corpo a desarmar. O sonserino a olhou zangado.
- Diego ainda esta enfeitiçado!
Fez sinal a sirius que levou Fage para longe, a ruiva bufava e esperneava mas o Grifinório ainda era mais forte. Cassandra se soltou de Severus tremendo um pouco por raiva e um pouco pela proximidade dele com ela. Aproximou-se de Diego, Eddie arfava em um canto só observando.
A loira se ajoelhou à frente do garoto. Passou as maos pelo rosto dele murmurando algo em espanhol. O corvinal a olhava de modo vazio.
- Diego!?
Não houve resposta. A loira levantou a mao e numa tentativa desesperada deu um tapa no rosto do garoto. Mas ele meramente sorriu mais abobado ainda.
Definitivamente ele estava enfeitiçado, mas ela não tinha certeza do que Fage fizera. "A princezinha nunca leu um conto de fadas?" a voz de Fage despertou algo em sua mente.
- Não adianta!-0 falou Lupin cansado- Se ela o enfentiçou so uma coisa vai acorda-lo.
Cassandra ainda olhava Diego nos olhos. Ela suspirou.
- Um beijo de amor!- murmurou ela.
Eddie deixou o queixo cair. Ela não ia fazer o que ele estava pensando que ia, ia? Cassandra não pareceu perceber que alem do namorado e de Remo Lupin metade de Hogwarts observava a cena em silêncio.
Cassandra pensou se o amor que sentia por Diego. Será que seria o suficiente? Eles se conheciam a muito mais tempo do que qualquer outro. Tinha uma relação de amizade tão profunda que um era capaz de sentir o que o outro sentia. Amavam-se com a mesma intensidade, mas se amavam como irmãos. Ela suspirou novamente. Seu amor por ele tinha que bastar.
A grifinória se inclinou e colou os lábios nos dele. Eddie não esboçou nenhuma reação. Severus bateu com a mão na testa e Lupin tentou impedi-la. Quando Cassandra se afastou e observou Diego ele ainda a encarava indiferente. Demorou alguns segundos para ele balançar a cabeça e a olhar curioso.
- Que foi?
A garota se jogou nos braços dele rindo.
- AI! Mas por Merlim o que aconteceu?
Cassandra começou a falar muito rápido e observou ao redor. Todos a olhavam curiosos. Seu olhar recaiu sobre Eddie. Havia um misto de tristeza e zanga em seu olhar. O sonserino lhe deu as costas e saiu silencioso.
- Eddie! Eddie?
Chamou ele se levantando e indo atrás dele.
- Será que alguém pode me explicar o que aconteceu aqui?- perguntou Diego ainda sentando no chão.
Lupin estendeu a mão para o garoto e murmurou.
- Uma catástrofe!
A porta da sala de transfigurações abriu-se com força e bateu na parede. Eddie entrou bufando. Como Cassandra fora capaz de beija-lo? Como ela pudera trai-lo dessa maneira? Fage estava certa ó tempo todo. Seu peito ardeu de ciúmes e humilhação. Chutou uma cadeira mas só conseguiu uma dor aguda no pé.
- Eddie?!- chamou Cassandra baixinho.
- Não se atreva!- falou ele entre dentes.
- Temos que conversar!- ela tentou se aproximas mas ele a afastou com um olhar.
- Não há nada para ser dito!
- Você precisa de uma explicação!
- Não preciso de nada! FORA!
- Não quer me ouvir porque? Esta agindo como um imbecil...
- Você beija outro cara na frente da escola inteira e ainda me chama de imbecil! Talvez eu deva ser mesmo... por confiar em você...
- Não me venha com essa... sabia muito bem que não estou apaixonada por você! Sempre soube... Sempre fui honesta! Nunca, jamais trairia você, por nada nem ninguém mas...
- MAS O QUE? NÃO RESISTIU AO CHARME DO SEU NOIVINHO!
Cassandra se voltou passando a mão pelos lábios.
- Eu devia...devia ter te contado!
- Ter me contado? Então é verdade? Você estava mentindo para mim? Esse tempo todo?
- Nunca menti... mas a historia é mais complicada do que parece!
- Não há nada de complicado. Você o ama! O ama e mentiu pra mim!
- EU O AMO! O AMO DO FUNDO DE MINHA ALMA! MAS O AMO COMO IRMÃO! SERÁ QUE NÃO VÊ? SOMOS IRMÃOS, PODEMOS NÃO TER O MESMO SANGUE MAS CRESCEMOS COMO SE FOSSEMOS GÊMEOS! SE É DIFÍCIL PARA VOCÊ ENTENDER ISSO ENTÃO NÃO DEVIA ESTAR COM VOCÊ!
- ÓTIMO!
- ÓTIMO!
Cassandra se voltou para sair mas desistiu, se voltou de modo raivoso.
- Não te devo satisfações mas não vou deixar que me trate como uma mentirosa. Diego e eu não vamos nos casar. Somos noivos sim mas porque o avô dele o quer! Não há como dizer não para um homem como Dom Rafael. Ele esta morrendo, Eddie! Essa é o ultimo desejo dele. Você faria o que se estivesse em meu lugar?
Eddie picou para ela, depois passou as mãos pelos cabelos.
- Estou sendo ridículo não estou?
- Ridículo? Eu diria mais! Infantil para variar, miserável e principalmente deplorável!
Eddie comprimiu os lábios, sentou-se em uma cadeira e apoiou as mãos em uma cadeira.
- Estou enlouquecendo! Devo estar. Como posso agir assim? Desde sempre soube que você gostava do Severus, soube que estávamos junto por comodidade, conveniência! Agi como um imbecil.
Cassandra se aproximou e se ajoelhou à frente dele.
- É por causa da Rachel não é?
Eddie a encarou sombrio.
- Em parte, ela vem agido de modo estranho. Parece perturbada. Já não consigo ver nela a menina doce...
Cassandra riu.
- Desculpe!- Eddie a olhou com curiosidade- É que é difícil ver a Rachel como uma menina doce!
- Eu sei! Por isso estou preocupado. Ela nunca foi má, sei que não era gentil ou educada, mas era só para manter as pessoas afastadas, mas agora. Ela anda com uma mania tola de querer se vingar da família Snape!
- Não a culpo!- Cassandra sentou-se ao lado dele- Deve ser horrível... quero dizer a historia dela não é um conto de fadas não é?
- Eu sei! E com essa do Sirius... ela esta se distanciando de mim. Fico preocupado.
Houve um instante de silêncio e Cassandra o encarou.
- Então vai concordar que nossa historia não vai ter um final muito feliz não é?
Eddie a olhou curioso.
- Olha não esta dando certo. Não adianta nada tentarmos esquece-los dessa maneira. Bater com a cabeça na parede não ajuda em nada. Então é preferível...
Ela se calou.
- Lutar por eles?- Eddie sugeriu
- Isso seria como agarrar um dragão pela cauda! Com as unhas!
- Bem alguém já tentou?
- Creio que não!- ela sorriu tristemente
- Vai ter que ser a primeira!
Ele suspirou se levantando.
- Então vai desistir?
- Vamos admitir! Rachel nunca vai ser minha! Ela nem...
- Eddie cegueira é um defeito exclusivamente dos Snapes! Ela gosta de você, mas por algum mortivo não quer admitir.
Ele se calou observando a janela. Uma dúzia de pássaros fazia algazarra pelo lado de fora do batente. Cassandra sorriu.
- Se houvesse uma chance. Por mais pequena que fosse. Você se arriscaria por ela?
Eddie a encarou de modo decidido.
- Arriscaria minha vida por ela!
Cassandra sorriu.
- Então vou te ajudar! Você tem o direito de ser feliz mesmo que seja com aquela criatura burra!
Eddie riu alto.
- Essa eu quero ver!
Cassandra deu de ombros.
- Pensando bem... ela não é só burra. É cega e idiota.
- E o Snape?
- Traços familiares são fáceis de serem feitos!
Ela se levantou animada.
- Ora!– deu de ombros novamente- Se aqueles dois cegos e idiotas não perceberam ainda, não acha que está na hora de alguém dar a eles o que merecem?
- E exatamente vamos dar o que a eles?
Eddie sorriu malicioso. Conhecia o suficiente da loira para saber quando ela estava decidia a algo. Por mais que isso lhe custasse algumas horas elaborando um belo plano.
- Você eu não sei como vai tratar a Rachel... Mas eu... - deu uma risadinha- Severus Snape pode ir aproveitando os últimos dias de tranqüilidade. Porque depois...
Eddie não pode se conter riu murmurando:
- Coitado.
Fincaram ali por muito tempo ainda, em silêncio pensando. Só deixaram a sala quando a sineta tocou. Cassandra foi para a aula de Feitiços e Eddie se dirigiu para a beira do lago. Ficou a tarde pensando em tudo o que se passara até aquele momento. Em Cassandra e em seu ciúmes. Tentou por em ordem seu sentimentos em relação a grifinória.
Ficou pensando no que Cassandra lhe dissera sobre Rachel e em como ela estava agindo estranhamente ultimamente. Voltou ao castelo muito tempo depois sem sentir fome ao passar pelo salão comunal e sentir o cheiro do jantar.
Eddie não sabia para onde ir, sua mente estava embaralhada. Sentia uma dor aguda na nuca. Desejou poder ler a mente de Rachel ao menos uma vê na vida... deixou seus pés o guiar. Caminhou lentamente pelos corredores com as mãos nos bolsos. Precisava esfriar a cabeça, não estava conseguindo raciocinar direito. Suspirou com pesar.
Parou de chofre, estava com o pé no primeiro degrau da escada que levava ao quarto feminino da Sonserina. Mais um milímetro e soaria uma campainha alta e triste e os degraus sumiriam sob seus pés. Olhou para o alto da escada e sorriu malicioso.
Quando chegou ao corredor ouviu uma musica alta tocar e pode distinguir somente alguns versos a voz de Rachel.
- You make me dizzy running circles in my head…One of these days I'll chase you down…Well look who's going crazy now…
Riu alto, bateu na porta com os nós dos dedos, a musica continuava a tocar alto e animadamente. Abriu a porta devagar e deparou com uma cena que ele jamais esqueceria. Rachel pulava sobre a cama. Usava a saia uniforme de hogwarts e a parte de cima do pijama laranja flamejante. Ela gingava de modo gracioso e agitado enquanto cantava animada.
- You can see this on my face….It's all for you
Eddie cruzou os braços analisando-a enquanto ria. Porque ela se parecia tanto com uma criança? Porque às vezes era capaz de uma atitude tola e amável? Sentiu sorte de si mesmo. Tudo bem que ela não o olhava como ele queria mas sentiu-se um felizardo por encontrar uma amiga como ela. Rachel se voltou com um salto e seus olhos encontraram o de Eddie, ela parou abruptamente e percebeu o sorriso dele.
A sonserina sentiu o rosto esquentar e deu um passo atrás se estatelando não chão! Eddie pulou sobre a cama e a observou de costas no chão. Ela riu nervosa, sentou-se rígida.
- O que esta fazendo aqui?- deu um tapa na testa- Como chegou até aqui!
- Não posso contar meu segredinho ou você acaba por me entregar.
- Não sou dedo duro!- falou ela animada levantando-se de um salto.
A musica continuativa a tocar alto.
One of these days I'll phase you out, burn it in the blast off, burn it in the blast off, watching me crawl away, try to get out, try to get out
Rachel caminhou até o bidê e fechou a pequena caixa de madeira, o quarto silenciou de tal modo que ela podia ouvir a respiração de Eddie. Ela desejou abrir a caixa novamente. Voltou-se e tentou sorriu, mas os músculos de seu rosto se recusaram terminantemente.
- E então o que te trás até aqui?
- Nada, só queria ver onde você dormia.
O garoto se estirou na cama e ela sorriu.
- Essa é a cama da Vargas!
- Ah!- falou ele se levantando rapidamente- Nesse caso...onde esta o pó de mico?
Ela riu se aproximando.
- Aposto que não veio até aqui para ver o meu quarto e apesar de tentador também não veio para por pó de mico na cama da Vargas.
Ele baixou o olhar.
- O que aconteceu?
- Como algumas vezes você pode ver o que me atormenta e outras...- suspirou.
- E outras o que?
- Ricochetear nas paredes feito um cão cego?
Rachel sentiu os músculos travarem. Do que ele estava falando? Encarou-o nos olhos tentando ver algo, o garoto se voltou.
- Terminou com a cascavel não foi?
Havia um tom de tristeza na voz dela que fez Eddie suspirar. "Então ela não estava feliz por eu me afastar de Cassandra?"
- Acho que sim!
Rachel socou o ar. Eddie se voltou notando a movimentação, Rachel sorriu amarelo. Ergueu a sobrancelha curioso.
- Acha que sim?- perguntou ela nervosa- Eddie precisa parar de estudar e namorar mais! Como alguém pode não saber quanto terminou o namoro ou não!
- É difícil quando se trata da Cavendish!- disse ele dando de ombros.
Rachel desviou o olhar.
- Ficou magoado?- perguntou temendo a resposta e temendo sua reação. Sabia que se ele estivesse infeliz iria querer que ele voltasse a namorar a Cavendish.
- Não sei!- ele suspirou sentando-se na cama.
Ela sentiu raiva da Cassandra. Sentou-se ao lado do garoto e o puxou para um abraço o aconchegando e lhe fazendo cafuné de forma carinhosa.
Sentiu ele relaxar. Como ela odiava aquela loira aguada. Ela iria pagar cada momento de tristeza de Eddie "Ah isso ia!", então para seu desespero lembrou-se que fora ela quem armara tudo para Cassandra dar fim ao namoro. Sentiu o coração quebrar em mil pedaços por perceber que fizera seu melhor amigo sofrer e ser completamente esmagado ao contatar que precisava juntar os dois novamente. Podia odiar Cassandra com toda sua força mas mais forte que qualquer outra coisa era o amor que ela sentia por Eddie.
"Amor?!" Levantou-se de um salto. Eddie abriu os olhos e a encarou de modo estranho.
- O que foi?- perguntou sentido. Não queria sair daquele abraço nunca mais.
Ela encarou os olhos castanhos sem saber o que dizer. Se apaixonar por Eddie era uma coisa mas ama-lo! Ama-lo era loucura. Balançou a cabeça de modo efusivo.
- As garotas já devem estar voltando do jantar!
Eddie levantou a sobrancelha quando foi agarrado pelo punho e puxado para fora do quarto.
- Não quero me encrencar!- respondeu ela batendo a porta.
Rachel ouviu a exclamação do garoto por detrás da porta e escorregou ate o chão. Amor? Não isso não estava certo. Amava Eddie desde o momento que o vira, mas o amava como a um irmão... mas agora... agora os sentimentos se misturavam e o amor que ela sentia não era o mesmo. Ela sabia disso. Mas não podia. Não queria ama-lo daquela forma. Bateu com a cabeça na porta. Essa situação exigia decisões drásticas e ela sabia quem iria ajuda-la.
Notas:
Luci... o que a convivencia com a rachel nao faz...
Lele... que bom. Agora que tal esse??
Ps: talvez semana q vem nao tenha capitulo, mesmo com comentarios. Explicacoes? Peçam a outra pessoa... beijos!!!
