EPÍLOGO
- MARK! – Ele escutou a voz da sua mulher bradar dentro da casa e em seguida um choro alto, antes de assistir o garotinho de cabelos loiros sair em disparada pela porta da frente. – Mark Antony Boyer Prince, se você não vir aqui agora mesmo...! – Ela concluiu em tom de ameaça.
Sentado numa confortável cadeira de balanço na sua varanda, Severo limitou-se a rolar os olhos e voltar a sua atenção ao livro que tinha em mãos. Aquele tipo de briga já era tão comum em sua casa, que ele não se importava mais. A falta de sossego parecia ser um dos preços da paternidade: pelo que ele lembrava, tinha muito mais paz enquanto espionava o Lorde das Trevas, do que depois do nascimento do seu primogênito, Mark Antony.
- Papai! – O garoto, que agora estava com seis anos, ofegou. Os olhos acinzentados miraram Severo como se pedissem piedade; ele quase riu. – Eu não quero! Diga a ela que eu não vou!
Antes que Severo pudesse responder qualquer coisa, no entanto, Linda Marie apareceu à porta. Os longos cabelos loiros estavam presos num coque mal-arrumado e a maquiagem que ela costumava usar quando eles viviam juntos no mundo bruxo, agora era inexistente. As roupas também não eram mais as elegantes e caras; apenas uma calça jeans surrada e uma blusa de malha colada no corpo, que marcava a barriguinha novamente saliente. Não havia acessórios, não havia jóias da família Malfoy... não havia sequer sapatos em seus pés.
No entanto, Severo jamais a vira mais bonita.
Em seus braços, ela carregava a garotinha que Severo via como a sua estrela; a melhor coisa que ele já fizera em sua vida: a pequena Isabel tinha apenas dois anos e meio de idade e parecia endeusar o pai. Ela tinha os seus olhos, apesar de todo o resto ser simplesmente igual a Linda Marie – e ele adorava isso.
Naquele momento, infelizmente, ela esperneava nos braços da mãe.
- Severo! – Linda disse rispidamente, os olhos acinzentados fervilhando para ele. O garotinho escondeu-se atrás da cadeira do pai. – Diga ao seu filho para ir ao banheiro e tomar banho direito!
Severo olhou para o garotinho. Apesar de achar a situação ligeiramente cômica, ele forçou o seu olhar a tomar o tom intimidador que ele ainda usava em seus alunos.
- Mark – O garoto pareceu congelar. Não olhou o pai.
- Eu já tomei banho! – Ele tentou razoar.
- Obedeça à sua mãe – ele disse pausadamente, perigosamente. O garoto olhou de Severo para Linda, talvez preparando o seu próximo argumento. – Agora.
Com isso, a coragem de argumentar de Mark Antony desapareceu completamente. O garoto logo saiu detrás da cadeira do pai e entrou na casa, provavelmente tomando o rumo do banheiro – Mark jamais ousara desobedecer a uma ordem de Severo.
Linda suspirou, embalando Isabel em seus braços e se aproximando do marido.
- Eu não sei como você faz isso! – Ela disse frustrada. – Eu não sei o que fazer para Mark me obedecer!
Severo deu de ombros.
- Você é muito pequena; não coloca medo em ninguém.
Os olhos dela cerraram-se e, mais uma vez, ele sentiu vontade de rir – apenas não o fez porque o choro alto de Isabel quase perfurou o seu ouvido. Linda bufou e soltou um rosnado impaciente.
- Eu desisto! Acalme-a!
Severo tentou ficar com cara de poucos amigos, mas era impossível quando estava perto da filha. Assim, ele apenas suspirou, levantou-se e pegou Isabel, dando à sua esposa um descanso. Começou a balançar a garotinha em seus braços – ela se enroscou no pescoço do pai e ele deu um breve beijo nos cabelos loiros; mas ela não parou o escândalo.
- Isabel, já chega! – Ela simplesmente o ignorou. Severo olhou para Linda, que se recostava na cadeira que ele há pouco ocupara e fingia não mais escutar a filha – O que houve?
- Mark estava correndo de mim e acabou esbarrando nela.
- Apenas um acidente, então – Ele disse, embalando a filha.
- Acidente que poderia ser evitado se Mark não fosse tão parecido com você! Sinceramente, Severo, eu preferiria que nosso filho tivesse a sua aparência e a minha personalidade; ele seria mais calmo e tudo seria mais fácil.
Severo deu um meio-sorriso.
Como Linda e Severo planejavam ter apenas dois filhos, antes de Mark nascer, o casal combinara que Severo escolheria o nome do primogênito e ela apenas teria o poder de veto – situação que se inverteria com a chegada do segundo filho. Depois de meses e meses de vetos, eles finalmente concordaram em nomear a criança de Viktor. No entanto, quando o bebê finalmente nasceu e Linda viu os ralos cabelinhos quase brancos e os olhos acinzentados, não pôde deixar de lembrar o seu pai, Marco Malfoy... E Severo teve de concordar com a homenagem.
Certamente Linda pensara que o filho também teria a personalidade dos Malfoy... mas ele era um inconfundível Snape.
- Bem, reze para que Isabel seja mais parecida com você... E que o bebê que está por vir seja exatamente igual.
Linda suspirou novamente, passando as mãos pelo abdômen ligeiramente proeminente.
- Sim... eu queria falar sobre isso com você. É sobre a ultra-sonografia.
Ao ouvir falar do futuro irmãozinho, Isabel calou-se.
Severo franziu o cenho, imediatamente preocupado. Ele não gostava nem um pouco de estar vivendo entre trouxas, mas simplesmente não suportava que a sua esposa estivesse visitando médicos trouxas. Não confiava na aparelhagem, e achava um absurdo que Linda confiasse os cuidados de sua gestação a pessoas tão mal-preparadas.
No entanto, ela sempre o lembrava de que todos os dias trouxas nasciam sem problema de saúde algum, e que ela já tivera dois filhos naquele método.
Naquele dia, ela fora fazer a primeira ultra-sonografia da terceira gestação. Infelizmente, Severo estava trabalhando na Universidade de Ilha de Man, em Douglas, e não pôde participar; Linda não queria adiá-la.
- O que houve? Algo errado?
- Bem, depende. – Ela mordeu o lábio inferior e o olhou apreensiva. – Você vai ter que trabalhar mais para reformar a casa.
- Por quê?
- São três, Severo. Três bebês. Três batimentos cardíacos. – Ela o olhou, esperando alguma reação, mas Severo apenas continuou calado, olhando-a estupefato. – E a imagem mostrou três fetos. – Ainda, ele não disse nada. – Severo?
Ele suspirou, embalando a garotinha em seus braços. Os seus olhos se perderam.
- Bem... – Ele finalmente disse. – Nós realmente precisaremos reformar a casa.
Linda se levantou, apreensiva.
- Você está chateado?
- Chateado? Eu devo lhe lembrar que eu era quem queria ter filhos? – Ele sorriu. – O que me preocupa é que eu nunca gostei de números ímpares. Além do mais, você escolheu o nome de Mark, eu o de Isabel, você escolherá agora o do primeiro que nascer, eu o do segundo e você o do terceiro. Logo, precisaremos de uma quarta gestação.
Ela o olhou boquiaberta, obviamente não acreditando em seus ouvidos.
- Não! Severo, quem você está pensando que eu sou? Uma Weasley? Seis filhos? Isso é absurdo!
Ele deu de ombros e olhou para a sua filha, que ainda soluçava.
- Isabel, querida, o que você acha de ter cinco irmãozinhos?
A garotinha abriu um fraco sorriso.
- Bom!
Severo olhou para Linda como se aquilo resolvesse a questão. Ela rolou os olhos.
- Não. Não! Essa é a última!
- Antes do fim da guerra, você me disse que, se eu conseguisse sobreviver, o seu útero seria a minha propriedade, não?
- Não! Quer dizer, sim! Ainda assim...
- E você se lembra que o número original de filhos que eu queria era oito?
- Mas Severo-
- E nós não precisamos ter outro filho imediatamente depois dos trigêmeos. Nós poderemos esperar uns três ou quatro anos, até que você tenha saudade de trocar fraldas; o mesmo sentimento que você teve quando quis engravidar de Isabel, lembra?
Linda desviou o olhar.
- Lembro.
- Então?
- Seis filhos. Ok. Eu posso cuidar disso – Linda deu um sorriso sarcástico e depositou um beijo leve nos lábios de Severo. – No entanto, eu quero ver como você vai encontrar tempo para fazer o bebê, enquanto cuidamos de cinco crianças! – Ela riu triunfante do rosto ligeiramente dolorido de Severo; ele não tinha pensado naquele detalhe. – Eu vou ver se Mark está tomando banho.
E, sem mais, Linda deu meia-volta e adentrou a casa.
Severo suspirou e sentou-se na cadeira, segurando Isabel em seu colo. A menininha soluçou mais uma vez e ele viu que ela ainda tinha marcas de choro em seu rosto. Angustiado, ele beijou os cabelos loiros e pegou a sua varinha.
- Expectro patrono.
Ao ouvir as palavras, a garotinha olhou com atenção o espectro prateado deixar a varinha de Severo e tomar a forma de um leopardo – Severo percebeu a mudança do seu patrono apenas alguns anos, enquanto tentava colocar Mark para dormir. Ele não sabia exatamente quando o patrono havia deixado de ser uma corsa: se foi no momento em que Mark nascera, ou se foi antes, quando ele deixou o mundo mágico e passou a se concentrar apenas em Linda, já que o patrono era tão parecido com a leoa da esposa.
As mãozinhas pequenas de Isabel começaram a brincar com o leopardo espectral e, pouquíssimo tempo depois, a garotinha ria divertida. Ao ver que a filha estava totalmente calma, Severo fez o seu patrono sumir.
Isabel ficou em silêncio por alguns minutos, antes de perguntar com a sua voz fina e inocente:
- Papai? – Severo olhou para a garotinha loira em seus braços. – Você faz bebês?
O rosto de Severo corou.
- Não.
- Mas a mamãe disse que você faz. Como?
- Bem, pergunte à sua mãe.
- Mamãe está com o Mark. Como você faz bebês?
Severo tentou olhá-la de uma forma intimidadora, mas os grandes olhos negros não pareceram se assustar; Isabel continuava a olhá-lo com o mesmo tom curioso. Ele não segurou uma breve risada – curiosa, insistente e inconveniente. Isabel certamente tinha a mesma personalidade de Linda.
- Isabel, você não quer brincar?
Os olhos negros rapidamente mudaram de intrigados para excitados.
- Com as Barbies? – E Severo conseguia distraí-la facilmente. Definitivamente, igual à mãe. Ele assentiu. – Você que brincar também, papai?
O primeiro impulso foi responder que não – afinal, ele era Severo Snape. Ele não brincava de boneca! NO entanto, como negar qualquer coisa àquela pirralha?
Bufando, ele colocou a garota no chão e se levantou – Isabel imediatamente buscou a sua mão.
- Claro que quero.
A menina deu um sorriso que pareceu iluminar aquele fim de tarde e, com os seus passinhos curtos começou a carregar Severo para dentro de casa.
XxXxXxX
Agooooooora sim, acabou! Mesmo. Pra sempre. No more Linda!
Eu ia me aposentar, mas acho que quero escrever algo sobre as irmãs Black... Isso deve me deixar na ativa por mais uns dois anos.
Enfim, agradeço mto a minha amiga do coração, a Sheyla Snape, que betou a fic inteira. E, claro, quem betou o capítulo final: Florence D. P. Snape [Sim, eu tinha a cartola. Eu ainda acho difícil matar o Snapitxo!], [A casa apareceu antes, sim! Bem no comecinho da fic... se vc começou a reler, já passou por ele!], Tati C. Hopkins [Obrigadaaa! Eu achei que não seria justo se eles morressem... e eu jamais seria como a JKR! Aquela vaca.], Rossonera [Ahh, aposto que passou rápido! Espero que vc tenha gostado!], Nikki Sensei [Aww, obrigada! Fico feliz que você tenha gostado!] e Duaschais Seneschais [Ahhh, mas eu gosto tanto da Fleur! Ela é diva! Vou escrever a fic só pra convencer vc de que Fleur é legal! Ela é tão diva que copia vestido de Alexander McQueen pro casamento! Heuheuehuehuhe! Obrigada pelas suas reviews; elas fazem todo o trabalho de escrever valer a pena. E, como vc disse, adaptar a fic aos acontecimentos do livro deu um trabalhão; acho que eu tenho passagens de DH decoradas! Bjus!].
Então... tchau!
AH! E comentem o epílogo, please!
