Autor: Yasmin
Categoria: Spoiler quinta temporada. E todo o resto. Multi-temporadas.
Classificação: T
Capítulos: 36 / ?
Completa: [] Yes [X] No
Advertências do Capítulo: Especulação da sexta temporada. SEM SPOILER.
Continuação da fic "No escuro" (você pode encontrá-la no meu perfil).
Disclaimer: Se "Bones" me pertencesse, eu seria milionária. Eu também não teria razão para especular sobre a sexta temporada... Só para constar: não sou milionária.
Nota da autora: Eu não sei o que estou fazendo (e eu acredito que, depois de todos esses capítulos, você já saiba disso). Divirtam-se, isso nunca foi betado.
Nota: Apenas porque eu amo fantasiar sobre como Hart Hanson ainda será bom com minha pessoa. (Eu sei, mera ilusão – I don't care, ok?)
Isso nunca foi betado.
Friendship / Humor / Hurt/ Comfort
PG-13 (T)
Velas
Quando houve a explosão e então o blecaute, ele estava na porta dela, se despedindo.
Booth não queria ir, mas era tarde e ambos estavam muito cansados depois de praticamente todo um dia juntos, atualizando um ao outro sobre como fora um ano atuando separadamente. Ele falou do quanto "seus garotos" haviam crescido. Ela lhe contou sobre as descoberta que fizera.
Brennan praticamente ordenou que ele entrasse de volta no apartamento. Não havia razão para ele se arriscar na rua até que soubessem o que fora aquela explosão e porque causara a falta de energia.
Booth quase podia jurar que tudo ocorrera por conta da sua idealização, de seu desejo de ficar próximo à Brennan. Era irracional, mas ele ainda sentia saudades mesmo a tendo a sua frente. Ele não conseguia tirar as mãos dela. E já não estava sendo tão sutil como gostaria.
Booth ainda teve a decência de protestar. A mulher ruiva insistiu e, finalmente, ele cedeu. "Só até que a energia volte". Brennan assentiu, ela se perguntava se ele sabia que o mais provável era que a energia só voltasse no dia seguinte.
Ela não protestaria se isso acontecesse. Sentira falta de Booth e tê-lo por perto era muito agradável. Apenas vê-lo fazia uma sensação quente de alivio vibrar por seu corpo. Ele estava seguro e voltara para ela. Era muito... gratificante.
Brennan acendeu algumas velas antigas, guardadas há um ano. – Você tem medo do escuro, Bones?
Carrancuda, ela ergueu a vista para o moreno, que sorriu zombeteiro à luz de velas. – Muito engraçado – comentou virando os olhos, seguindo até a cozinha e voltando com duas garrafas de cerveja ainda geladas, empurrando uma para as mãos dele. – É tudo que eu tenho na geladeira.
Ele riu, assentindo com a cabeça. – É tudo que eu tenho na minha também. Talvez pudéssemos fazer compras juntos amanhã.
-Talvez. E então eu poderia lhe convencer a comprar leguminosas mais saborosas e diminuir a quantidade de carne que come.
Ele sabia que ela estava brincando, mas ainda assim, Booth virou os olhos. – Eu gosto de carne, Bones. Quer saber? Talvez eu devesse lhe convencer a voltar a comer carne.
-Argh – a mulher zombou, fazendo careta.
Era estranho, mas, mesmo depois de um ano, eles podiam falar com a mesma facilidade de sempre. Como se fizesse apenas um dia que estiveram afastados.
Havia algumas diferenças, no entanto: Booth não conseguir manter suas mãos afastadas dela. Sua compulsão por tocá-la deixava-o sem jeito, mesmo que Brennan não parecesse se importar, ou notar. Brennan, por sua vez, não conseguia parar de olhar pra ele, procurar seu olhar. Ela não conseguia manter o sorriso afastado dos lábios, bastava encarar Booth e lá estava seu sorriso estúpido se fazendo notar. E, Deus, ela precisava olhá-lo. Instintivamente seus olhos procuravam por ele, como se quisesse ter certeza que ele era real. Que não iria desaparecer repentinamente como nos sonhos dela.
Ela tocou a mão dele livre sobre a mesa, como se quisesse lhe chamar a atenção. – É estranho, não é? Quero dizer, não parece que faz um ano que não nos vemos. Parece... a mesma coisa – ela franziu o cenho, não completamente certa se se fizera entender.
Booth assentiu, rindo-se. – Yeah. Quase a mesma coisa - Brennan ergueu a vista dos dedos dele brincando agora com os dela. – Você está ruiva – acrescentou suavemente.
-Quis dizer nossa... relação. Parceria. Não mudou nada.
Booth riu mais. – Eu sei, só brincando, Bones. Você não mudou nada – ele retirou a mão da dela e bateu com o indicador na testa dela, deixando-o lá. – Squint – ela moveu a cabeça e ele a seguiu com o dedo, tocando seu nariz. – Squint – repetiu. – Você ainda é minha squint preferida – acrescentou, e dessa vez apertou com o indicador e o polegar o nariz dela.
-Booth...! – ela se queixou.
-Eu machuquei você? – indagou aproximando-se. – Desculpe Bones – e lhe beijou a ponta do nariz. – Isso vai fazer sarar.
Oh Deus, ele estava bêbado não é?, Booth ponderou ao arrastar os lábios para o rosto da sua quase-parceira-de-novo.
Uhu, totalmente bêbado. Porque não conseguia encontrar razão para seu comportamento indesculpável. Ele sequer conseguia afastar a boca do rosto dela.
Francamente patético. Menos de um dia para arruinar tudo de novo.
Brennan lhe lançou um olhar avaliativo. – Você sabe que beijos não são curativos, certo?
Booth riu, sua mão acariciando o rosto da mulher, incapaz de parar a si mesmo. Como ela podia ser tão inocente algumas vezes? - Oh Bones, você está me matando aqui - Ela franziu o cenho e Booth a puxou levemente para si, lhe dispensando um curto beijo na têmpora. Observando a si mesmo, Booth suspirou, se afastou dela outra vez e empurrou sua garrafa de cerveja para longe. – Acho que estou bêbado.
-Isto é impossível. Você sequer tomou uma garrafa inteira!
-Bem, então estou com sono – ele resmungou, dando de ombros. Sentia necessidade de distância, antes que implorasse para abraçá-la. Deus, ele era tão ridículo...
-Oh. Bem, você pode usar o quarto de hóspedes.
Booth sorriu sem jeito. – Me desculpe pelo incomodo, Bones.
- x -
Uma vela dentro de um pequeno pires sobre o criado mudo iluminava o quarto de hóspedes, assim como a janela de vidro fechada.
Ela empurrou em suas mãos um grande travesseiro com seu cheiro, lençóis limpos e dois edredons; estava muito frio por conta do aquecedor desligado. - Você não é visitante aqui – retrucou quando Booth se queixou, trocista, sobre "como não era certo a visita forrar sua própria cama".
O sorriso dele foi enorme e Brennan se perguntou o que teria falado para que Booth lhe olhasse daquela forma encantada. – Eu já sou de casa, hm, Bones?
Ela decidiu ignorar o tom presunçoso dele, lhe dando as costas. Brennan virou lentamente sobre os próprios pés, em choque, quando seu travesseiro acertou exatamente sua cabeça.
Booth riu ligeiramente, antes de acrescentar: - Mamãe, eu acho que quero leite quente. Para conseguir dormir.
Calmamente, Brennan recolheu seu travesseiro e com toda força lançou de volta a Booth. Com toda a intenção de acertá-lo bem no estômago. O homem desviou no último momento e o travesseiro bateu no criado-mudo, derrubando o pires e a vela, caindo sobre o tapete no chão.
Com incredulidade e sem se mover, ambos viram o tapete lentamente pegar fogo.
-OH MEU DEUS, BONES! Você quer por fogo em sua própria casa? – pegando um dos lençóis, Booth o colocou em cima do fogo e passou a pisotear para extingui-lo.
-O quê? A culpa foi toda sua!
-Você derrubou a vela.
-Apenas porque você desviou do travesseiro.
Ela era mesmo inacreditável! Booth procurou seu olhar no escuro, sem sucesso. Ele estava iluminado pela janela, ela no breu. Desgostoso, se sentiu em desvantagem.
-Tanto faz – ele disse por fim, voltando-se para a cama, para arrumá-la.
Brennan voltou ao quarto minutos depois, uma colcha e um travesseiro em mãos e, mesmo com pijama duas peças folgado e mais masculino que pudera encontrar em seu guarda-roupa (ele imaginava), sua pose e olhar desafiante pareciam de uma rainha. Ele teria rido, mas queria parecer chateado com o que ocorrera mais cedo.
-Belo pijama.
Brennan não percebeu o tom zombeteiro de Booth, quando se sentou na cama, apenas olhou para si mesma, auto-consciente. - É o único desse tipo que tenho, assim como o mais quente que pude encontrar. Costumo dormir nua – ela deu de ombros.
Booth não precisava da imagem mental. Jesus Cristo.
Como de costume, Brennan não se sentia incomodada sobre qualquer coisa. Mesmo.
-Oh eu o fiz desconfortável, não é?
"Desconfortável" era a última palavra para o que ele sentia ao momento. Por fim, Booth deu de ombro, ciente de que envergonharia a si mesmo se abrisse a boca.
-Eu vou dormir aqui com você, hoje – ela informou. Como se a colcha extra e travesseiro que trouxera consigo já não lhe tivesse alertado. – Está muito frio e precisamos compartilhar o calor um do outro para que – ela começou a justificar, muito séria.
-Yeah, yeah. Eu sei. Gripe. Hipotermia. O que quer que seja – a interrompeu, incapaz de ouvi-la explicar de maneira squint porque precisavam estar na mesma cama. Ele iria enlouquecer a qualquer momento, consciente apenas que qualquer palavra na boca de Temperance Brennan era terrivelmente sensual.
-Boa noite, Bones – Booth bocejou, observando-a jogar os cobertores sobre ambos.
-Boa noite, Booth – suspirou.
Eles já haviam dividido uma cama em ocasiões anteriores, até mesmo uma cama bem menor que a que compartilhavam ao momento. E podiam dizer orgulhosamente que nunca tiveram qualquer problema, seus corpos certamente eram confortáveis ao redor do outro. Mas Booth se sentia inábil agora, com medo de fazer qualquer besteira que pudesse afastá-la outra vez dele.
Deus realmente gostava de brincar com ele, devia parecer divertido para Ele de alguma maneira. Booth ainda estava procurando a tal "graça". Suspirando, ele deitou de lado, fechando os olhos firmemente. A respiração de Brennan atingiu seu rosto um momento depois.
-Você está acordado?
-Estou tentando dormir. Shhh – ele murmurou em queixume.
Um minuto depois o dedo dela cutucou seu ombro levemente. – Booth... eu não estou com sono. E está muito frio mesmo com todos esses cobertores.
-O que você quer que eu faça, Bones? – era uma pergunta retórica e impaciente, que ela respondeu mesmo assim:
-Eu não sei. Fale comigo. – Ele não o fez, apenas resmungou e virou para o outro lado.
Booth abriu um dos olhos o que lhe pareceu um segundo depois, Brennan estava descaradamente se espremendo contra ele agora, buscando o pouco de calor que fosse. – Bones, eu preciso respirar.
-Não o estou impedindo, só estou às suas costas.
-Eu não posso dormir com você assim – rezingou mais claramente.
-Por quê? – Brennan indagou e não obteve resposta. - Booth, por que...? Oh. Oh Entendo. Bem, Booth é muito natural que-
-Oh Meu Deus. Não Bones.
-Estou dizendo apenas que—
-Por favor, Não.
Ela ficou em silêncio por exatos 30 segundos. Booth, tão inocente, pensara ter escapado por pouco da conversa mais constrangedora do século. Pobre homem... – Você não faz sexo há muito tempo? É isso que o está incomodando? Porque sei que sou uma mulher atraente e-
Booth gemeu e enterrou o rosto em seu travesseiro. Foi um grande erro, o cheiro de Brennan o engolfou. - Deus, por que você me odeia? - Booth indagou fracamente no travesseiro, fechando os olhos com força e aspirando como se tivesse acabado de sair da água.
A mão suave de Brennan deslizou com cuidado por seu ombro. – Booth? Você está bem?
Ele podia chorar. – Estou bem – disse em tom abafado.
-Está tudo bem, Booth. Eu também não tenho relações sexuais há mais de um ano. E eu, na verdade, acho sua presença muito estimulante. Essa memória pode ser utilizada em outra ocasião como-
Booth tapou sua boca observando Brennan o fitar entre diversão, desprezo e surpresa. - Shiiii – Insistiu com firmeza finalmente retirando a mão.
-Você não mudou nada, ainda tem os mesmo hábitos-
-Eu vou mostrar a você o "puritano" se não calar a boca, Bones – Booth a cortou roucamente, mas muito sério.
Ela deveria pelo menos afetar indignação e não estremecer em expectativa enquanto avaliava se deveria provocá-lo para que cumprisse sua promessa.
-Booth, francamente, só estou tentando deixá-lo menos desconfortável.
-Não está dando certo – retrucou entre dentes.
-Estou com frio – Brennan insistiu um minuto depois, sem se atrever a provocá-lo mais.
Reclamando sobre o quanto ela parecia uma garotinha de seis anos, Booth a puxou em seus braços. Seus dedos nas costas delas, para cima e para baixo. Sua respiração no lado de sua cabeça. Brennan deslizou uma perna entre as dele e suspirou alegremente quando deslizou um pouco sobre Booth. Ela o sentiu tenso e o apertou mais, sabendo que, com a sua "integridade", Booth a afastaria e, não havia chance remota de Brennan perder aquele calor. "Não seja um bebê" ela resmungou "Eu posso lidar com isso".
Booth não tinha tanta certeza se ele podia lidar. – Pare de se mover.
Brennan teve o desplante de rir, um riso rouco, rico e, Booth podia jurar, malicioso. – Desculpe.
-Você não parece sentir muito.
-E você parece uma noiva virgem.
-Como você pode saber? – indagou ironicamente.
Em repreensão, Brennan enterrou o rosto em seu pescoço. Satisfeita com o esgar dele e a forma como perdia a respiração que prendia. – Faz muito tempo não é? – ela indagou baixinho para ele, ao ouvido. – Faz muito tempo desde sua última relação sexual, certo?
-Não realmente.
Isso fez Brennan se erguer ligeiramente para encontrar seus olhos. – Você mente.
Booth sorriu com condescendência. – Você nunca irá saber com certeza, Bones.
-Bem, eu tenho certeza que faz muito tempo para mim.
Ela sentiu a respiraram ruidosa dele em seu rosto, assim como sentiu a mão dele acariciar seu cabelo antes de se afastar dela, cuidadosamente.
-Isso faz você quente não é? – ela zombou.
-Por que você está me provocando? – Booth finalmente indagou, chocado. Se o fazia quente? Ele queria arrastá-la para baixo dele e fazê-la gritar seu nome cada maldita vez que entrasse nela. Era isso que a declaração dela fazia com ele.
Brennan ponderou, ela gostava de provocá-lo. Era estranhamente reconfortante. Era divertido. A mulher suspirou por fim:
-Eu senti sua falta.
Booth riu fracamente. – E você sente necessidade de me constranger por todo tempo que estivemos longe?
-Oh Booth, vamos lá, você sabe que estou apenas brincando.
Booth suspirou sem vontade nenhuma de enfrentar uma discussão desse tipo com Bones, na cama. Ele fechou os olhos. Que Deus o abençoasse, porque seria uma longa noite...
- x -
Brennan acordou quando a energia voltou, duas horas mais tarde. Sentia-se aquecida e muito desmotivada a sair da cama para reajustar o aquecedor e desligar a luz da sala. De algum modo, mudara-se enquanto dormia e ao momento tinha Booth respirando regularmente em suas costas, um dos braços dele segurava sua cintura. Sua mão sob sua blusa, tocando seu estômago.
Brennan sabia que se tentasse sair do seu abraço, Booth iria acordar imediatamente. Resignadamente, Brennan tentou se afastar. Booth a apertou contra si, os reflexos dele eram mesmo incríveis.
-Bones?
-Eu preciso desligar as luzes.
-Quer que eu faça isso? – indagou, ainda que voltasse a se recostar em seu travesseiro, com toda intenção de dormir outra vez.
-Na verdade, eu quero.
-Boa tentativa – ele riu roucamente, fechando os olhos. Rindo, ele a puxou de volta para cama. – Eu tenho certeza que não vai matar ninguém umas quantas luzes por uma noite.
-Booth!
-Shiii – ele ordenou e antes que ela protestasse, a mão dele encontrou novamente sua pele. – Oh Deus, você é toda macia?
Como se respondia uma pergunta dessas?
A mão de Booth deslizou para cima, perigosamente próxima de seus seios. – Eu acho que sim – ele afirmou então, tornando a mão para baixo e parando de mover, para a decepção de Brennan.
A respiração ritmada dele ressoou às suas costas e a mulher se perguntou como alguém podia voltar a dormir tão rápido. E como ela poderia voltar a dormir quando todo seu torso parecia queimar depois do toque de Booth?
-Boa noite, Bones – os lábios dele encontraram o seu pescoço num beijo leve.
Brennan abriu os olhos.
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N/a: Regina, o livro que fiz menção no capítulo 20 se chama "Agora e Sempre", e é da Judith McNaught. Cuidado, é desaconselhável para menores.
