Capítulo XXXVI: Os Borrões de James Cowl

Virei aquele pequeno e fino livro de todos os lados possíveis.

Não havia nada de estranho nele, nem mesmo uma pista do que Inu Taisho pensava ao mandar Sesshoumaru me entregar aquele livrinho infantil.

Eu ainda não havia começado a lê-lo, pois na ultima semana estávamos mais preocupados em rever e refazer os planos de marcha das tropas.

Eu sinceramente achava que devia ser uma mensagem codificada... Mas como eu iria saber?

Suspirei e abri o livro.

Ele deveria ter umas oitenta páginas e sua capa era de couro marrom.

As letras das paginas por sua vez eram feitas à mão, mas eram tão bem desenhadas que dava gosto só de ficar olhando.

Abri na primeira pagina da história e assim ela começava...

--

Enquanto o sol despontava no céu e a neve que recobria os picos das montanhas tomava uma cor dourada, ele lavava o rosto em uma espécie de bacia de pedra que ficava no quintal da casa.

James bem sabia que o tipo de trabalho que fazia precisava de sua atenção tão logo acordasse, e quanto mais cedo isso ocorresse melhor.

Imagine, James, um garoto que mal tinha doze anos trabalhava mais que qualquer adulto que conhecesse. Não que seu trabalho fosse cansativo, ao contrário, fazia o que sempre adorara fazer.

Não era um trabalho braçal, no entanto também não chegava a ser mental. Era um trabalho estranho e mais complexo que qualquer outro.

Vestiu a camisa de algodão branco e entrou na choupana.

Como você ainda não sabe, James é um garoto órfão, perdera sua mãe aos sete anos e nunca conhecera o pai.

Mas vivia com sua avó em uma casa humilde e sem muitos confortos.

E como ele nunca cobrara por trabalhar, não podia oferecer a avó mais cuidados, apesar de querer.

Mas mesmo com suas habilidades sendo usadas sem intuito de lucro, as pessoas do povoado sempre lhe ajudavam com o que podiam, e apesar de ele ser um garoto orgulhoso suas necessidades falavam mais alto que qualquer amor próprio.

Sua avó acordou logo ele entrou dentro da casa, como já era de se esperar, e logo ela o animou com seu jeito alegre e espontâneo, de quem acreditava piamente que o dia seria ótimo.

Não demorou muito e alguém bateu na porta de azevinho.

Ele nem foi perguntar a causa da visita, pegou seu caderno de desenho, sua pena e o tinteiro. (...)

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Sesshoumaru olhava sem muito interesse o treino daqueles soldados.

Eles tentavam ser os melhores, e eu ficava feliz por isso.

- Olá! – falei me aproximando dele e sorrindo.

Ele olhou para mim e fez um trejeito com a cabeça.

- como eles estão indo? – perguntei.

- pior do que eu esperava! – ele respondeu e começou a andar de volta para o castelo.

Eu o acompanhei.

- ei... E você fala assim tão calmo? –

Ele olhou para mim e sorriu.

Não aqueles meio sorrisos cínicos pelos qual eu já estava 'quase' acostumada, mas um sorriso sincero.

Pisquei surpresa.

Ele segurou minha mão.

- não há outro modo de falar! – ele falou calmamente.

Mordi o lábio inferior.

- o que te aconteceu em, Sesshoumaru? – perguntei já não agüentando de curiosidade – você está tão diferente! – falei olhando-o indagadora.

Ele colocou as mãos no quadril. Detalhe: minha mão ainda estava presa entre as dele.

- essa mudança repentina se chama contentamento... – franzi o sobrolho – não é esse contentamento que os humanos usam, é Contentamento! Assim é o termo que os Yokais dão para quando uma grande guerra se aproxima... Olhe para Kurosaki! – e o obedeci. Foi quando eu vi que eu em seu rosto havia um meio sorriso. E eu nunca havia visto Kurosaki sorrindo.

Olhei também para os outros Yokais.

Eles estavam do mesmo modo.

- por isso nós somos tão bons em estratégias de guerra! – explicou Sesshoumaru vendo minha confusão – a guerra é mais que uma batalha, é nossa essência! –

- está querendo dizer... que um Yokai se sente feliz quando há guerra? – falei até mesmo um pouco horrorizada – Está querendo dizer que vocês se DIVERTEM com a guerra?! –

- Sim... – ele respondeu sem rodeios – mas a guerra também não é só um modo de divertimento dos humanos? –

Naquele momento, pela primeira vez em minha vida, senti vontade de esbofetear Sesshoumaru.

- o quê? –

- não me leve a mal... – ele resmungou – mas quando se vive mais que os humanos nós acabamos aprendendo sobre eles, mesmo sem querer! –

Eu ainda não conseguia compreender.

- Até mesmo para aqueles que vão para a batalha acham divertido no começo, até que se vêm frente a morte! – ele fechou os olhos por um instante. Divertimento? Quando se entra na guerra? Eu não havia achado aquilo... Ou havia? – mas o real divertimento é para aqueles que comandam tudo... –

- como? Está querendo dizer que eu, Fkake ou Mailon somos esses? – falei um pouco ofendida.

Ele balançou a cabeça negativamente.

- estou falando daqueles que não entram na guerra de jeito nenhum... como... os conselheiros reais! – olhei para Sesshoumaru. Parecia que, de certa forma, Sesshoumaru queria me avisar de algo que eu não conseguia entender.

- mas... o Inuyasha também é um Yokai e... – falei aleatoriamente.

- sei, sei, e mesmo assim ele não está rindo que nem idiota e fazendo piadas com as arvores... – ele suspirou – isso é por que apesar de ele ser um Yokai na fisiologia, ele é um humano de espírito... – ele segurou meu queixo levemente – Um Yokai acha uma grande guerra divertida não por que gosta de desgraça... é por que não há modo mais honroso para um Yokai morrer do que em uma batalha de peso! – e ele sorriu.

Mesmo eu sabendo a causa do sorriso ainda achava estranho.

Depois ele simplesmente virou as costas e se foi.

Fiquei ainda minutos olhando ele andar com seus passos firmes até que virei e continuei meu caminho.

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(...) Abriu a porta e uma moça em seus vinte e dois anos entrou pelo portal sem cerimônia e se sentou no tapete de pêlo de lobo que estava estendido na sala.

A garota se chamava Cecília, ela todo o dia antes de trabalhar visitava James.

- eu tenho uma pergunta, Jem! – ela falou excitada.

- pode falar Ceci! – disse ele com um sorriso inocente.

Sabe, aqueles que somente crianças esperançosas conseguiam fazer.

- quanto falta para que Dave volte para casa? – disse ela se referindo ao irmão que viajara a menos de uma semana para tentar ser aprendiz de ferreiro.

Ele pegou a pena e respirou fundo antes de apoiá-la no papel.

Começou então a se perder em seus pensamentos, procurando aquela linha de pensamento que sempre necessitava para poder desenhar.

Os contornos e detalhes foram aparecendo no papel de acordo com os movimentos de sua mão.

Ele não sabia o que desenhava só movimentava-se como seu corpo e coração desejavam, sem se importar em retratar algo realmente coerente.

E logo sentiu que era o momento de parar.

Olhou para o desenho, esse mostrava uma raposa de olhar astuto olhando para um galho congelado. Ao lado da raposa havia um lírio desengonçado, mas forte. E atrás do lírio se via uma espécie de fumaça, não, neblina que iria logo alcançar a frágil raposa.

Aquilo não parecia ter sentido algum para a pobre moça que olhava ansiosa.

Mas James, que entendia cada contorno e cada traço, sabia exatamente o que o desenho revelava. (...)

­--

- quer dizer que vocês queriam esconder que iriam se casar? – falei com a mão nos quadris.

- Ah, Kagome... Eu ia te contar hoje! – falou Sangô abraçando Miroku.

Inuyasha se aproximou.

- sei... – ele resmungou e sorriu – e quando vai ser o casamento? –

- hoje ainda se pudermos! – disse Miroku sorrindo aliviado ao ver que nós havíamos perdoado eles.

OooOooOooOooO

O casamento não foi naquele MESMO dia. Mas sim no dia seguinte.

Eu mal podia acreditar que aquilo havia acontecido tão rápido.

Só para constar, eu ia ser a madrinha e o Inuyasha o padrinho.

- e então Sangô como você está se sentindo? – perguntei sorridente.

- e se eu te falar que nem eu mesma sei? – ela falou mais sorridente que eu e os olhos brilhando mais que qualquer outra coisa.

Sorri de volta e ajudei a abotoar o vestido.

Alguém bateu na porta.

Eu já sabia quem era.

- INUYASHA! – gritei – VEM AQUI E LEVA O MIROKU EMBORA! –

- K-chan! – falou Miroku choroso – por favor, me deixa entrar! –

- eu já disse que você não vai ajudar a Sangô a vestir o vestido! – repliquei.

- K-chan!! – ele falou triste e batendo com os punhos na porta, desolado.

- sem falar que ver o vestido antes do casamento dá azar! – falei quase rindo do tom de voz dele.

- azar é ficar mais de meia hora sem pôr a mão na minha sangozinha! – ele gritou – e do que adianta se eu vou arrancar esse vestido com os dentes depois? –

Olhei para Sangô essa estava mais vermelha que a rosa que estava na penteadeira.

Mal tivemos tempo para replicar, pois ouvimos:

- SAI INUYASHA! – era Miroku – NÃO ME ATRAPALHA, SE TENTAR ME TIRAR DAQUI DA PORTA EU TE DOU UMAS... O que o Sesshoumaru está fazendo aqui? –

Ficamos atentas querendo ouvir o que eles conversavam.

- eu o chamei para ajudar a te tirar daqui! – respondeu Inuyasha.

- Não!! Me solta Sesshoumaru! INUYASHA! Seu desgraçado filho da... – Berrava Miroku.

- nós não combinamos de colocar os seios da minha mãe e a bunda da Sangô em uma caixa e nunca mais abri-la? –

- To nem ai!! Seu filho de uma égua, me solta! Eu juro que te parto a cara! – de repente tudo ficou silencioso – calma... Sesshoumaru! – ele disse dessa vez com medo – Já estou voltando! Sangô AMOR não demora! – e ouvimos passos apressados.

- é seu olhar de sou uma bicha que quebrou uma unha deu certo, Sesshoumaru! – desdenhou Inuyasha.

- o que nunca deu certo foram suas tentativas de ser inteligente! – respondeu o irmão friamente – Kagome, decora tudo que acontecer no casamento! Logo logo será o nosso! – e ouviu-se passos se afastando.

- SESSHOUMARU VOLTA AQUI, MALDITO! – gritou Inuyasha e mais passos apressados foram ouvidos.

Olhei para Sangô e comecei a rir.

Mandei-a sentar para eu arrumar o cabelo dela.

Quando sem mais nem menos ouvimos lá fora:

- você me dá coca e chocolate que eu dou um jeito de te colocar naquele quarto! – Aquela voz era de Fkake.

- feito! – falou Miroku.

- volto já, Sangô! – falei meigamente e pegando uma vassoura. Abri a porta do quarto, tranquei por fora e sai correndo atrás da Fkake gritando.

Quando Fkake notou o que estava acontecendo saiu correndo aos tropeções corredor acima e passando apressada por Weslley que ia na direção de Miroku.

- FKAKE! VOCÊ IA TRAIR A SANGÔ POR CHOCOLATES E COCA? – gritei.

- eu trocava até minha avó por chocolate imagine a Sangô! – gritou ela de volta, rindo.

A perseguição durou minutos e ela de repente voltou indo na direção do quarto de Sangô.

Só soube que era o quarto da Sangô por que vi o Weslley falando para o Miroku:

- Pensa miroku... Você terá que agüentar ela de TPM... Terá que pagar as contas... E olha só: As chances dela ficar gorda e cheia de estrias são muito grandes! – foi quando ele interrompeu a fala e olhou para eu e Fkake correndo na direção dele.

- Esquece Miroku, casa com ela! É a única normal por aqui! – replicou Weslley. Mas Polly estava virando o corredor e lançou um olhar de como é que é para ele.

Ele sorriu amarelo e falou:

- amor! –

Eu nem ouvia mais a conversa corria apressada atrás de Fkake.

Entrei no quarto suada e ofegante. Sangô olhou para mim e perguntou:

- encontrou o Katrina ai fora? – eu sorri e voltei a minha atenção para ela.

Quando terminou de se arrumar ela estava perfeita.

Linda em um vestido bege que as criadas haviam feito a mais de uma semana para ela.

Saímos do quarto e fomos à direção da sala de orações que havia no palácio.

Enquanto ela entrava na capela eu olhei para Miroku.

Pois enquanto todos os que estavam ali (e eram realmente muitos) olhavam para Sangô, eles não viam a expressão de felicidade e prazer que havia no rosto de Miroku.

Sorri para Inuyasha, esse estava tão feliz quanto eu com o casamento daqueles dois.

Kirara e Giant estavam ao lado dos noivos.

Enquanto Yan e Crys estavam lá no fundo olhando o casório.

Quando o arcebispo os declarou casados, Yan deu um rugido de felicidade que fez a igreja tremer, e as pessoas saltarem assustadas. Mas eu sorri feliz com o imperioso rugido.

E Crys começou a bater as asas agitada e feliz fazendo com que as pétalas das rosas brancas que estavam nos bancos voassem charmosas para Miroku e Sangô.

Eu estava tão feliz e emocionada que mal poderia descrever em algumas palavras.

E eu na verdade estava tentando aproveitar aqueles momentos felizes, já que eu sabia que nos dias seguintes talvez eu não os tivesse.

OooOooOooOooO

Estavam todos os amigos em volta de Sangô enquanto ela abria os presentes de casamento.

A festa do casamento estava acontecendo ali só com os mais íntimos e ela resolvera abrir os presentes naquele momento e na frente de todos.

O presente de Inuyasha havia sido um porrete estranho com pregos na ponta, o cartão dizia que ela iria precisar, nós fingimos que não havíamos entendido que era por causa de Miroku.

O meu havia sido um livro estranho com um teor bem parecido com o do Kama Sutra, esse livro eu havia achado na biblioteca, nem me lembro onde (ou não quero dizer, não faz diferença).

Na hora em que ela o viu escondeu novamente, mas Miroku esperto como só ele havia notado e eles brigaram por que ele queria ver o livro.

Havia também o de Fkake, que era uma poção energética. Quando perguntaram o porquê ela respondeu que era para Miroku e Sangô aproveitarem a lua-de-mel bem direitinho.

Tinha o de Polly, que era um chicote, com um recado dizendo que masoquismo estava na moda.

O de Weslley era uma venda, dizendo que sadismo estava mais na moda que o tradicional masoquismo.

Crys, Giant, Kirara e Yan se juntaram para fazer o presente, e o deles era o presente mais 'normal' do pedaço, pois eram dois colares de estrela que ao ficarem perto um do outro ficavam transparentes.

Havia o presente de Sesshoumaru, ele havia dado um saco de moedas de ouro, já que ele havia dito que não tinha paciência para escolher presentes.

E no meio do monte de presentes Sangô achou o de Mailon. Ela abriu entusiasmada.

E tirou um elmo de dentro. No cartão estava escrito:

Como eu aposto que o Inuyasha vai te dar algo para bater no Miroku acredito que ele precisa de algum presente que também o ajude!

Mailon Omse

P.s.: Se o Miroku não der conta do recado é só me mandar o recado, eu faço isso por ele.

- Mailon se você não tivesse me dado o elmo eu juro que te matava! – falou Miroku pro cartão como se Mailon pudesse ouvi-lo.

Enquanto ela abria outros presentes ouvimos Fkake cantar sem mais nem menos:

- a perereca da vizinha está presa na gaiola... xô perereca... xô perereca! – todos olharam para ela quase que imediatamente.

- o que é isso, Fkake? – perguntou Inuyasha assustado.

- Goku... – ela respondeu.

- Goku? – repetiu Inuyasha.

- segunda mente do mal! – ela falou com expressão de drogada e todos desataram a rir.

--

(...)- Ceci, ele não voltará, viajará para o norte com seu mestre na arte de moldar ferros e conhecerá uma moça pela qual se apaixonará! – Ceci olhou tristemente para o desenho, nunca James errara em alguma adivinhação, e sabia que não seria aquela a primeira vez.

Jem por sua vez se doía por dizer a moça que nunca mais veria o irmão, mas não podia mentir para ela.

Ela se levantou e com um gesto desengonçado beijou-lhe o rosto, em uma forma de agradecimento.

- obrigada por não mentir para mim! – respondeu ela saindo da casa.

James se sentiu triste, mas sabia que nada poderia fazer.

Pelo menos agora você sabe qual o trabalho do nosso inteligente garoto.

Ele sabia adivinhar o futuro pelos desenhos que fazia, e por incrível que pareça, ele não sabia o motivo de ter aquele poder.

E era exatamente aquilo que o atormentava nos últimos tempos.

Já ouvira vários comentários no vilarejo que diziam que aquela adivinhação era um forma do demônio controlar a vida dos moradores da vila. Ou que a mãe de James engravidara de um gigante e por isso ele tinha aqueles poderes. Havia ainda aqueles que diziam que a avó dele era que o controlava para mentir para as pessoas.

O garoto, como bem sabemos, não passava de uma criança, e por isso, sem querer, começou a realmente pensar que havia algo errado consigo mesmo.

E queria descobrir a todo custo o porquê de ele poder ler os desenhos, mas aquela seria uma jornada para qual talvez ele não estivesse totalmente preparado. (...)

--

- nós precisamos treinar... – falei enquanto eu e Inuyasha estávamos na varanda do segundo andar do castelo.

- como? – ele perguntou, já que eu havia falado tão baixo que ele mal ouvira.

- nós precisamos treinar! – respondi – nós já vimos como Naraku é forte, não sei se terei coragem de enfrentá-lo... – ele ficou pensativo e depois falou:

- então que voltemos aos velhos tempos... – ele sorriu – vamos só esperar o Miroku e a Sangô conseguirem ficar mais de uma hora longe um do outro e botaremos a mão na massa! – ele sorriu maliciosamente.

- isso vai demorar muito, muito mesmo! – sussurrei – então, enquanto isso, eu tenho uma missão a cumprir! – e em meu rosto surgiu um sorriso macabro – e você vai me ajudar! –

OooOooOooOooO

- Quê? – falou Weslley surpreso – eu não sei se vou poder te ajudar nisso, K-chan! – ele fez expressão de pesar.

- por que não? – perguntei com cara de pidona.

- por que a Fkake é mais escorregadia que sabonete molhado em uma mão cheia de óleo! – ele respondeu.

- ah... Por favor! – pedi. Ouvi Inuyasha fungar atrás de mim – o Mailon é meu irmão, eu tenho que saber as intenções dela com ele... –

- olha, eu posso responder por ela... – ele suspirou e tentou fazer uma imitação da voz de Fkake – eu quero descobrir se ele tem piolho! –

- ah... qual é, Well! – falei dengosa.

- Kagome... – falou Inuyasha baixinho – se eu vou ter que ouvir você chamando esse cara de Well mais uma vez daqui que acabe a conversa eu me mato! –

- isso é algo que eu quero presenciar! – falou Weslley sorrindo daquele jeito sonso que Fkake sempre fazia.

- OK cabelo de mico-leão – falou Inuyasha zangado pegando no braço de Weslley – vamos logo fazer o que a Kagome quer que eu estou com fome! –

- se não tem jeito! – gemeu Weslley.

- Vamos, Fkake, você gosta ou não do Mailon? – falei com as mãos na cintura, enquanto ela estava acuada dentro de uma tenda.

- nem um pouco, ele tira muita onda da cara dos outros... E eu odeio quem faz isso! – ela respondeu sorrindo indiferente.

- macaco não olha para o próprio rabo! – recitou Inuyasha.

- eu odeio quem faz isso exatamente por que só eu posso fazer... – ela continuou.

- e como você explica o fato de você mal ter saído de sua tenda desde que o Mailon foi embora? – perguntou Weslley.

- pagando promessa já que me livrei daquela pulga! – ela falou balançando a cabeça.

- tem certeza que ele é a pulga? – falou Inuyasha olhando para os lados.

- então, explica o porquê de você mal comer desde a mesma época... – continuou a interrogar Weslley.

- alívio! – ela replicou de pronto.

- alívio causa falta de apetite? – perguntei.

- eu só tenho apetite para batata frita, e nas ultimas semanas aqui no acampamento só tem ensopado de legumes! -

- mas ontem foi feijoada! – falou Inuyasha.

- é que quando eu cheguei já havia acabado a feijoada, então eu comi ensopado requentado de ante ontem! – ela falou quase que instantaneamente e com expressão de tédio.

- Não sobrou ensopado ante ontem! – sorriu Weslley.

- claro que tinha, você não conhece o Dannah, mão de vaca como só ele! -

- mas eu vi quando você chegou para comer ontem... E foi uma das primeiras a pegar a comida, como então já havia acabado a feijoada?! – falou Weslley.

- aquele era meu lanche das dez horas! –foi a resposta.

- lanche das dez horas à uma hora? – falou Weslley sem acreditar.

- é que se lembra que eu fui à China faz uns três anos, sabe: fuso horário diferente, meu relógio nunca concertou desde aquele tempo! – ela disse rolando os olhos.

- você nem usa relógio! – gritou Weslley já tão incrédulo que mal controlava o tom da voz.

- relógio biológico, nunca ouviu falar? - ela disse com expressão de sabichona.

- então me explica como você sempre se atrasou para escola? – ele disse colocando as mãos no quadril e pagando para ver ela se safar dessa.

- a culpa não é do meu relógio biológico e sim do Yu-Gi-Oh que só passava as doze e meia! – ela respondeu.

- mas Yu-Gi-Oh só passou nesse horário por um ano! E você se atrasou a VIDA INTEIRA! – ele gritou as ultimas palavras. E eu olhei de relance para Inuyasha que olhava tudo surpreso e divertido.

- sempre havia desenhos bons nesse horário! – ela falou dando língua para ele.

- e é? E quando havia prova de manhã? Por que você chegava oito e meia? Havia desenhos bons nesse horário também? –

- claro que tinha: Pica pau, Papa léguas, Pernalonga... – ela falou sorrindo.

Ele bateu no próprio rosto.

- ei vocês não estão fugindo do assunto? – perguntou Inuyasha.

- e as vezes que você se atrasou para máquina de dança? – Weslley falou.

- pura canalhice, Mor! – ela respondeu sorrindo.

Aquela briga durou quase mais meia hora e Weslley estava quase desistindo.

Até que a face dele se iluminou.

- Fkake, eu vou fazer você confessar seu amor pelo Mailon – ele disse com firmeza.

- que amor? Que confissão? Vocês estão loucos! – disse Fkake espanando as mãos umas nas outras.

- responde rápido! – ele fechou a cara – bebida favorita? –

- coca... – ela respondeu com expressão de tédio.

- mais rápido! – ele gritou – comida favorita? –

- estrogonofe! – ela respondeu imediatamente.

- desenho favorito? –

- Dragon Ball Z! –

- o que você odeia? –

- que me acordem de madrugada – ela respondeu.

- Quem você ama? –

- Mailon... – ela esperou uma nova pergunta e então notou o que tinha falado – espera... você falou ama? Eu entendi: de quem você ganha... – eu não precisava de mais nada. Com um sorriso no rosto puxei Inuyasha pelo braço e sai da tenda.

- ei, EU OUVI GANHA! – ainda a ouvi gritar.

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(...) – Eu tenho que ir! – ele falou com lágrimas nos olhos.

- não, Jem! – disse sua avó – por favor, não vá! –

- eu tenho que saber o porquê de eu entender esses desenhos! E se eu realmente for filho de um gigante? – ele falou aflito.

A mulher idosa sorriu e o abraçou.

- Oh, meu menino! Você não é filho de um gigante! – ela suspirou – você é filho de um homem, um homem normal que teve um romance tórrido com minha filha, e se foi sem saber que deixara para trás uma sementinha de seu ser! – o garoto escondeu o rosto no peito da velha senhora – mas sei que não se inquietará até descobri a verdade por você mesmo, não é? –

Ele balançou a cabeça negativamente com tanta força e convicção que o coração da bondosa senhora doeu.

- filho, eu só peço que espere mais alguns anos! – ela disse sabendo que não poderia impedir dele ir atrás do mistério que eram suas habilidades.

- quantos anos? – ele perguntou levantando o rosto.

Ela suspirou tristemente.

- dois anos, Jem, somente dois anos! – (...)

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- vamos começar pelos treinos mais básicos! – sugeriu Inuyasha – os de controle do elemento –

- os de defesa e ataque ou só de controle mesmo? – perguntou Sangô. Se aproximando abraçada com Miroku, agora seu marido.

- os de defesa e ataque! – sugeriu ele – primeiro eu e Miroku! –

E Miroku sorriu entusiasmado.

Os dois ficaram em posição de ataque.

- pronto? – perguntou Inuyasha.

- na verdade eu estou meio enferrujado! – e sorrindo e sem fazer um mínimo movimento a terra se abriu com a pressão da água que saiu em um jato acertando o rosto de Inuyasha.

Esse surpreso fez uma parede básica e firme a sua frente. Mas já estava ensopado.

Eu e Sangô nos sentamos ao lado de Fkake e Polly que haviam decidido assistir ao treino.

Era verdade, Inuyasha e Miroku estavam um pouco enferrujados, mas não demorou muito e aquele exercício os fez voltar a agilidade mental de antigamente.

- uau! – falou Polly surpresa – por que eles não lutaram assim contra o Naraku a um mês atrás? – ela falou maravilhada.

- às vezes até nós mesmos nos esquecemos de nossas habilidades! – sorriu Sangô.

Olhei para Fkake, essa observava tudo atenta, mas não parecia tão maravilhada quanto Polly.

A expressão dela chegava a beirar algumas que Mailon sempre fazia, o que o convívio não fazia.

- no que você está pensando, Fkake? – perguntei.

- vocês podem controlar o elemento... – ela coçou o queixo sorridente – vocês poderiam matar milhões de inimigos com um único gesto! –

- Não Fkake! – respondi – infelizmente o nosso poder só é forte quando o foco do poder está a menos de dez metros, a mais que isso mal podemos controlar o elemento! – respondi.

- sério? – ela falou decepcionada – Droga, se vocês pudessem poderíamos vencer a guerra! – mas logo ela voltou a sorrir.

Continuei a olhar a luta de Inuyasha e Miroku. Mas em minha mente estava outra coisa.

O sacrifício da alma.

Se nós o fizéssemos, talvez teríamos o poder necessário.

Você vai apanhar se pensar nisso novamente!

Reclamou Crystal em meu pensamento.

E logo calei minhas idéias.

Nem minha própria mente era um lugar seguro.

Eu ouvi isso!

OooOooOooOooO

Depois de uma semana os treinos (que duravam mais de doze hora e incluíam um pouco de tudo que havíamos aprendido) haviam se tornado uma espécie de Show.

Sim, isso mesmo.

Nas horas vaga, de almoço, de cabulação e etc os soldados iam assistir ao treino.

No começo os nossos expectadores eram só Fkake e Polly, depois vieram Weslley e Aggie. E depois de dois dias havia mais de sessenta pessoas assistindo os treinos.

Mas depois de algumas horas de treino nem nos recordávamos onde estávamos.

Só nos dávamos conta do suor que fazia o cabelo grudar na testa, de uma ou outra mosca imbecil que nos enchia o saco, ou ainda quando a Fkake jogava uma ameixa na gente. (n/a: isso é a cara da Fkake¬¬)

Só que os treinos valiam a pena, eu havia me esquecido como era a sensação de lutar somente usando o pensamento.

E mais, eu ainda havia descoberto uma nova forma de usar o ar.

Eu concentrava em fazer o ar girar em volta do meu antebraço tão rápido que ele se tornava uma espécie de disco tão afiado que cortaria até mesmo a barreira de Inuyasha.

Esse por sua vez havia descoberto uma forma de endurecer sua barreira de terra com pedregulhos tirados de camadas mais fundas.

- se concentre, Kagome! – reclamou Inuyasha.

- Se concentre você em deixar essa barreira mais forte! – e movimentei os braços fazendo os discos de ar saírem voando destruidores em sua direção.

O primeiro disco se chocou na barreira e se dissipou, o segundo, no entanto destruiu a barreira em pequenos pedaços de argila.

- Maldição... – resmungou Inuyasha – esses discos são muito rápidos, não dá tempo de levantar mais que cinco barreiras consecutivas! –

- você tem parar de levantar camadas de barreiras e levantar uma barreira definitiva! – falou Miroku cansado.

- você sabe a quantidade de energia que eu gasto para levantar uma maldita camada definitiva com mais de cinqüenta centímetros? – gritou Inuyasha.

- aposto que a mesma de erguer mil litros de água! – Miroku gritou de volta com raiva – pare de resmungar Inuyasha e faça logo essa droga de barreira! – os dois pararam respirando rapidamente.

Coitados, estavam uma pilha de nervos.

Inuyasha balançou a cabeça estranhamente.

- pela primeira vez na vida vou seguir um conselho seu Miroku! – e voltou-se para mim.

- se seguisse desde quando nos conhecemos você se sairia bem melhor... – disse Miroku agora sorrindo.

- ah, claro!- replicou Inuyasha – seu primeiro conselho foi passar a mão na bunda da Kagome! – Inuyasha lançou um olhar mortal para Miroku.

- e hoje vocês são namorados! – ele balançou os ombros com entusiasmo e varias pessoas riram.

- não por muito tempo! – falou uma voz repentinamente.

Paramos ao ver Sesshoumaru.

- olha só onde eu encontro os homens que deveriam estar treinando... – ele balançou a cabeça ao ver os soldados sentados olhando o treino. Ele olhou para mim – quer dizer, não é a toa que eles estão aqui... – entendi imediatamente que ele estava falando da minha roupa de couro de dragão e da de Sangô de caçadora de Yokais.

- o que é dessa vez, Sesshoumaru? – gritou Inuyasha – arranja outro irmão para encher o saco, e de preferência dê em cima da namorada desse em vez da minha... – Sesshoumaru virou as costas e ainda falou por cima do ombro:

- a sua namorada é mais bonita... – e se foi deixando Inuyasha a ponto de explodir.

--

(...)Agora sua jornada finalmente poderia começar.

Apesar de quatro anos atrás o jovem Jem ter aceitado esperar dois anos, sua avó ficara incrivelmente doente, e ele nunca poderia deixá-la.

Nunca!

E acabara até mesmo esquecendo da idéia de ir atrás de seu passado, mas sua avó falecera, como era de se esperar de tudo na vida dele. Ele estava realmente certo que em sua vida nada podia ficar por muito tempo, e aquilo o tornara frio.

Fazia meses desde a morte de sua avó, ele se trancara em sua casa durante esses meses, e então se lembrara do desejo de saber o por que de saber ler os desenhos.

Sua jornada começava naquele momento, quando ele decidiu primeiro visitar um mago do outro lado do império e descobrir se tinha algum poder mágico.

Arrumou suas coisas em uma pequena mochila, e de seus pertences os que ele mais tinha ciúmes era de seu caderno de desenhos, sua pena e a imagem de sua mãe que ele sempre carregara consigo desde que ele tinha oito anos.

Que vida triste não tinha nosso agora rapaz, com dezesseis anos, perdera tudo que um dia lhe valera na vida e tendo como incentivo uma misera imagem feita por ele da mulher que ele mais amara na vida.

Colocou a imagem no bolso e trancou a porta de casa.

Naquele momento ele pensava em que dia voltaria àquela modesta moradia. (...)

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Aquela manhã de quinta-feira mal me revelava o que aconteceria logo a seguir.

Lá estávamos nós no treino quando na minha frente cai um pássaro enorme.

E eu reconheci esse pássaro quase que imediatamente.

Era o falcão que eu havia pedido para levar a mensagem para Zack.

Ele estava muito ferido. Faltavam várias penas na cauda e as pernas estavam cheias de sulcos profundos.

Estava respirando, mas muito lentamente. Estava na cara que ele estava morrendo e que voara até ali por pura teimosia.

- tem... ta... ram pegar... a mensa... gem... de reposta – ele sussurrou.

- não fale nada! – falei com os olhos úmidos, e irrequieta.

Ele fechou os olhos e continuou a respirar lentamente.

Estava realmente morrendo.

- droga! – falou Miroku.

- Inuyasha... – falei de cabeça baixa – você me leva até meu quarto depois? –

- como? – ele falou sem entender.

Segurei o falcão gentilmente e falei em sussurros:

- Kirious Kluiê, naiju Lafun octirius! – senti a vista ficar turva enquanto o corpo frágil do falcão esquentava e minhas mãos tremiam.

Logo eu não via mais nada.

OooOooOooOooO

Sons longínquos.

Luz borrada.

Boca seca.

Era tudo que eu sentia e ouvia naquele momento enquanto acordava lentamente.

Como que eu estivesse nadando e voltando a superfície da água.

Abri os olhos.

- está acordada! – falou Crystal feliz roçando a ponta da asa em meu rosto.

Pisquei os olhos tentando acordar realmente.

Bocejei, espreguicei e relembrei por que estava dormindo.

- por quanto tempo dormi? – perguntei com cara de drogada.

- um dia – respondeu algo ao meu lado.

Olhei e vi o falcão que eu havia salvado.

- é a segunda vez que você salva minha vida! – ele sussurrou – Não acredito que um Obrigada sirva para lhe agradecer! –

Sorri, não havia nada que eu pudesse falar.

- onde está, Inuyasha? – perguntei.

- o Miroku e a Sangô trancaram ele no quarto dele, ele mal dormiu de tão preocupado! – sorri.

- aquele besta! – falei me levantando da cama e esticando os braços – Ioshi, hora de voltar ao trabalho pesado! – sorri para Crystal e olhei para o falcão – você disse algo sobre uma mensagem de resposta... – ele estendeu a pata mostrando um papel amarelado amarrado.

- ninguém leu ainda! – ele comentou.

Peguei o papel e li.

Dobrei-o novamente.

- o que a mensagem diz? – perguntou Crystal.

- que Zack vai investigar e que quando tiver uma resposta ele próprio virá trazê-la! – olhei para Crys – mas o fato de terem atacado o falcão é o suficiente para mostrar que Naraku está no penhasco Siriukilah... – amassei o papel nas mãos – já é hora de fazermos planos contra aquele traste! –

OooOooOooOooO

Era noite e todos estavam jantando sentados em tocos de madeira improvisados.

- podem ter sido os ladrões... – respondeu Miroku.

- ah, claro eles iriam atacar falcões para se alimentar... – falou Inuyasha resmungando.

- não, mas eles sabem que podem receber muito por uma informação... – respondeu Sangô – nós não podemos declarar somente por isso que Naraku está escondido em Siriukilah... –

- para mim isso é o suficiente! – resmunguei – o que você acha Giant? – perguntei, afinal a tartaruga gigante era a mais sábia entre nós.

- eu não sei dizer... – ela respondeu cautelosa – poderia ser somente um pelotão de batedores, nós sabemos que eles andam por Elpard tomando pequenos vilarejos... –

- é verdade, Kagome! – disse Miroku – não é a toa que Moh'r está quase lotada de pessoas, mesmo sendo a cidade de alvo principal...

- e é isso que tem me preocupado... – comentou Sangô – Moh'r não é segura! –

Inuyasha abriu a boca para replicar quando Fkake chegou dizendo:

- venham rápido! – nos levantamos apressados.

- o que está acontecendo? – perguntei enquanto a seguíamos.

- duas figuras totalmente vestidas de negro entraram no acampamento! Os soldados os tomaram como inimigos e estão tentando ataca-los. Mas os guerreiros estão apanhando feio, acredito que precisaremos de ajuda. A não ser, claro, que Sesshoumaru e os treinadores já tenham atacado! –

- será o Zack? – perguntei – mas nós mal recebemos a mensagem! –

Ao chegarmos ao local indicado vimos duas figuras vestidas totalmente de negro, até mesmo rostos.

E quem lutava com esses homens eram Sesshoumaru e Kurosaki.

Sesshoumaru mal lutava mais parecia examinar o inimigo.

Aqueles movimentos...

Onde eu já os havia visto?

Um dos inimigos deu um mortal para trás e se colocou em forma de combate lutando com Sesshoumaru.

Logo deu murros e chutes com uma habilidade que não havia antes. O que demonstrava que do mesmo modo que Sesshoumaru examinava o inimigo, o inimigo o examinava.

A luta durou mais dois minutos, e Sesshoumaru conseguiu imobilizar o outro.

- esse estilo de luta... Eu já o vi antes... – falou Inuyasha ao meu lado.

Foi então que um par de olhos castanhos, que observavam por entre uma fenda na roupa, olhou para mim.

Olhos femininos e de cílios espessos.

A minha reação foi instantânea: tentei entrar na mente dos invasores.

Uma das mentes se retraiu imediatamente, outra, no entanto, permitiu a passagem.

Eram ciganos...

- Sesshoumaru! – gritei – Pare! – e sai correndo na direção dele – ela não é perigo! –

- você que acha! – falou Sesshoumaru. Foi então que eu vi um punhal na mão da pequena figura vestida de negro, esse punhal estava encostado às costelas de Sesshoumaru.

Foi então que entendi, Sesshoumaru a estava imobilizando, mas ela também estava imobilizando ele.

Nos olhos de Sesshoumaru havia ameaças silenciosas e fatais, ele havia encontrado um inimigo a altura dele.

Ele me olhou silenciosamente e afrouxou o braço.

O punhal se afastou de suas costelas e eles se afastaram um do outro.

Tudo estava silencioso.

- Rin... – chamei baixinho. O rosto envolto de pano escuro se virou para mim. Era Rin... Seus olhos se estreitaram o que evidenciava um sorriso.

Sorriso que se desfez quando ela voltou a olhar para Sesshoumaru.

Ela vagarosamente desenrolou o turbante e o véu.

Sesshoumaru não pareceu surpreso ao ver que ela era uma mulher, pois com certeza já havia notado isso pelo tamanho e peso dela. Nem tão pouco se perturbou com a beleza clássica dela.

- Quem são vocês? – ele perguntou olhando de soslaio para o outro invasor.

- Ciganos, e você um Yokai muito grosseiro! – ela falou enquanto o outro cigano também se revelava, era Rashid, o primo de Rin.

- não importa quem você é... O quer aqui? – perguntou Kurosaki.

- deveria falar melhor com uma Queirah, Yokai! – Queirah para os ciganos era o mesmo que futuro líder.

- Queirah? – indagou Sesshoumaru.

Sangô se adiantou em direção de Rin e lhe deu um abraço apertado.

- Olá, Tia! – Sorriu Rin.

Sangô somente riu de volta.

- Tia? – perguntou Fkake que também observava.

Aquele local já estava tão apinhado de gente, e em tal confusão que mais parecia que alguém havia decidido morrer no meio de uma multidão. Em todo canto era ouvido: Quê? Já acabou? ou Eles são amigos? ou ainda qual deles apanhou mais?

- Nós viemos trazer a resposta dos Ciganos! – explicou Rashid. E Sesshoumaru ainda parecia um pouco confuso – mas esses soldados imbecis tinham que nos atacar! – apesar da palavra imbecil ter sido dirigida aos soldados a olhada de Rashid evidenciou claramente que a ofensa eram para os Yokais.

Resolvi ignorar as explicações e me dirigi a Rin.

- Rin! – falei abraçando-a – já estava com saudades! –

Ela sorriu fracamente e me abraçou.

- quem é o babaca ali, hem? – ela perguntou apontando para Sesshoumaru que já começava a se afastar.

- O irmão do Inuyasha, Sesshoumaru! – respondeu Miroku se aproximando.

- o seu ex-namorado? Ah, ainda bem que trocou ele pelo... – e Rin parou repentinamente fechando os olhos.

Ela começou a cair como se estivesse tonta... Estava desmaiando.

Foi Rashid que a segurou.

- Rin! – falei preocupada.

- Desculpe, Kagome! – falou Rashid preocupado olhando para uma Rin desfalecida nos braços – é melhor deixar as novidades para amanhã... Estamos a dias sem comer, por causa do Vanvorins... Encontramos um batalhão mais ao sul! – olhei para Rin, ela realmente estava pálida.

- vamos levá-la para o palácio... – sugeriu Inuyasha.

--

(...) - está me dizendo que eu não tenho nenhum poder mágico? – disse James incrédulo.

- Estou sim! – disse o mago pelo qual ele andara procurando durante os últimos três meses – garoto, eu mesmo lhe expliquei que um mago sente a magia fluir dentro de si, e você me respondeu que só sentia essa magia quando desenhava! –

- e? –

- isso significa claramente que você não é um mago, pois um verdadeiro bruxo sente a magia a todo o momento! - respondeu o velho mordendo insistentemente uma espécie de raiz seca.

- mas se eu sinto essa magia! – ele exclamou.

- está bem, meu jovem, nesse caso, por favor, fale a palavra Urau; Mas tente fazer como se você quisesse que realmente algo acontecesse! –

- Urau! – ele disse com firmeza.

Nada aconteceu!

- como vê, não há um pingo de magia em você, rapaz! – o homem olhou com pena para James – acredito que a mágica esteja nos objetos que você usa para desenhar! –

Jem abaixou a cabeça.

Ele ficara aqueles três meses tentando se convencer que realmente deveria existir magia em seu ser e naquele momento descobrira que suas esperanças eram infundadas.

Olhou novamente para o velho mago.

Se a magia estava nos objetos que usava. Então iria procurar os criadores deles.

E o primeiro seria o fabricante daquela pena especial para escrituras. (...)

--

De fato Rin era muito forte, um dia depois de ter desmaiado já estava de pé e sorrindo a toa. Claro, com Rashid sempre a sua cola.

Mais três dias e ela parecia tão radiante como da ultima vez que eu havia visto.

- Os Ciganos vão ajudar, Ônix! – declarou Rin na frente de todo o conselho, generais, comandantes e, claramente, de nós.

Os conselheiros se sentiram quase horrorizados pelo fato de Rin chamar a Rainha somente pelo primeiro nome.

Mas os ciganos nunca reconheceram a realeza da rainha.

- Isso é ótimo! – falou a Rainha com uma expressão aliviada.

- Só esperamos as ordens! – ela respondeu.

Olhei para Rin, naquele momento ela parecia tão imponente e aristocrática.

Tão plena do poder que tinha em mãos.

Linda, forte e futuramente a líder de um povo.

Olhei para o outro lado da mesa.

Sesshoumaru a observava, muito estranhamente para alguém que nunca demonstrava sentimento algum.

Por outro lado Rin parecia ter uma antipatia enorme por ele, jurava de pé junto que ele era horrível, que era ranzinza e tinha cara de velho que se perguntava onde Judas perdeu as botas.

Adjetivos que faziam Inuyasha quase ir rir da cara de Sesshoumaru, e se não fosse o velho instinto de sobrevivência ele faria provavelmente.

- Os ciganos são ótimos guerreiros! – falou Fkake olhando pra Rin – me sinto até melhor em saber que os teremos como aliados... –

- Sim, ótimos guerreiros, sobreviventes e inteligentes líderes... – comentou a rainha pensativa – minha menina, - ela olhou para Rin – eu tenho uma missão para seu povo, a missão mais importante da guerra... – ela respirou – eu preciso que os Ciganos protejam o povo... –

- como? – indagou Rin e se entreolhou com Rashid que estava ao seu lado.

- Eu mandarei toda a população de Elpard para as cidades do deserto... – a rainha explicou – os Ciganos terão que proteger essas pessoas... Se por acaso nós perdermos a batalha... –

- isso é loucura! – exclamou Inuyasha quase que imediatamente.

- não, não é! – falou Miroku – as cidades do deserto são isoladas, seguras e apesar da localização tem um ótimo abastecimento de comida e água... –

- Mas não estão prontas para receber tantas pessoas... – falei surpresa.

- essas pessoas não sabem como viver no deserto... – respondeu Fkake - é como querer fazer um peixe de água doce entrar na água salgado ou vice e versa... –

- os salmões fazem isso! – riu Sangô.

- Por favor, me ouçam... – pediu a rainha – será somente por uns cinco dias, até a batalha acabar... –

- mas se Elpard perder, os ciganos conseguirão proteger o povo? – indagou Sesshoumaru calmamente.

- Não nos subestime... – falou Rin seriamente e encarando-o.

- estou sendo realista... – ele argumentou.

Novamente aquele clima pesado.

- Eu já vi a Sangô lutando... – comentou Fkake – e se os ciganos lutam tão bem quanto ela que também é uma cigana, eles com certeza conseguirão... –

- vocês poderiam fazer isso? – perguntou a rainha.

- nós tentaremos! – falou Rin se levantando – irei hoje mesmo! –

- Não! – falou Rashid segurando o braço de Rin – eu irei e darei o recado a Tarik... –

- O que você deseja Rashid? – ela perguntou.

- você será de mais serventia aqui, uma guerreira como você pode fazer um grande estrago... – Rin olhou surpresa.

- eu quero estar com meu povo... – ela falou rispidamente.

- eu a conheço, Rin... Você não suportará esperar... – ele sorriu para ela de forma cúmplice e se levantou – mate o máximo possível de Vanvorins... Com a licença de todos... – e se retirou do salão.

Ela olhou para a porta que se fechou.

Ainda estava surpresa demais para esboçar alguma reação.

E os segundos passaram, até que ela finalmente entendeu o que acontecera.

Sua reação foi soltar um impropério feio, MUITO feio.

A sorte dela é que só quem havia entendido fomos eu, Inuyasha, Miroku, Sangô, Fkake e Weslley, por sermos de outra era.

Para os outros ela havia falado uma palavra sem sentido.

Mas para aqueles que haviam entendido a reação foi diversa.

Fkake gritou: é isso ai garota!

Inuyasha, Weslley e Sangô olharam escandalizados e surpresos.

Já eu e Miroku começamos a rir descaradamente.

- Rin, você é minha ídolo agora... – riu Fkake mais ainda.

--

(...) Fora trabalhoso achar o fabricante da pena.

Ele era um homem carrancudo e de jeito frágil que morava em uma cidade bem ao sul, tão ao sul que beirava a floresta dos Yokais.

James não demorou a explicar a situação para o homem, lhe dizendo o que fazia e que desconfiava da pena.

- você pode mesmo ler o futuro? Então me prove! – falou o homem.

- me faça uma pergunta! – disse o rapaz.

- então me diga o que acontecerá daqui as dois meses em minha vida? – o homem falou estreitando os olhos.

James começou a desenhar. Sempre com aquela mesma magia que sentia.

Quando parou estava no papel um vidro de perfume, onde dentro desse vidro parecia boiar uma pequena mosca. E a tampa do perfume tinha o formato de uma labareda.

- Seu filho mais velho vai se casar com uma camponesa da qual o senhor não se agrada! – disse James.

O homem ficou surpreso.

James esperou que o homem lhe revelasse que realmente existia magia na pena, mas, por mais incrédulo que ficou James, na verdade o homem tentou lhe tomar a pena e o caderno em que escrevia das mãos.

James, mesmo surpreso, pulou para cá e para lá e conseguiu correr.

Mas infelizmente deixou cair a pena em sua fuga. (...)

--

- Eu não acredito que Rashid foi embora sem mim! – resmungou Rin, algo que ela fazia muito nos últimos três dias.

Inuyasha sorriu olhando-a e se inclinou beijando minha nuca.

Mas eu encarava Rin, e resmunguei para Inuyasha:

- quando ela não reclama de Rashid ela fala que o Sesshoumaru tem cara de quem chupa limão... – e olhei para ele.

Ele sorriu.

- e ela não está errada! – ele riu mais forte ainda - por isso que adoro você, Rin! – ele disse enquanto a olhava, sentada no tronco a nossa frente.

- que coisa terrível! – falei sorrindo – o Sesshoumaru é o maior gato! –

- Às vezes eu acho que você faz isso de propósito! – ele reclamou.

- mas ele é lindo! – repliquei com uma piscadela.

Rin que ouvia nossa conversa falou:

- Ele não é lá essas coisas! – ela balançou os ombros – Eu o acho do tipo bem insosso! – e torceu a boca e bocejou.

- bom saber disso! – falou o próprio Sesshoumaru sentando ao lado dela. Ela se assustou e com um sobressalto segurou a gola do quimono dele e ergueu a mão preparando um soco.

Acredita que ele nem ao menos ergueu uma sobrancelha?

- que garota brava... – ele comentou encarando-a.

Ela o soltou com um solavanco e virou para frente carrancuda.

- não me assuste de novo ou eu parto essa sua meia-lua em duas! – ela estava realmente com raiva.

- se você conseguir! – eu, Inuyasha e Fkake observamos aquela cena em silencio.

Até Inuyasha estava com medo de Sesshoumaru apanhar.

Três minutos se passaram sem nenhuma palavra ser pronunciada por ninguém.

A raiva de Rin foi diminuindo e ela ficou encabulada.

- eu pensei que Mailon estaria por aqui... – falou Rin depois de alguns segundos vendo que ninguém faria nada.

- ele teve que voltar para as montanhas Maolinguun – respondi sorrindo.

- ah, que pena. Eu o adorei, um ótimo amigo! – e ela riu – ele foi o assunto do mês depois que vocês foram embora, as ciganas não paravam de falar no elfo gatão... – ela riu gostosamente.

Sesshoumaru foi o primeiro a olhar de soslaio para Fkake.

Essa observava tudo atenta, mas sem fazer um misero comentário.

Todos sabiam que ela estava se sentindo triste.

Ela sorriu falsamente e despistou:

- e então Sesshoumaru, como estão indo os soldados? – ele a observou por alguns segundos.

- se fossem Yokais se sairiam bem melhor! – falou Sesshoumaru – mas para humanos estão indo bem, em duas semanas estarão finalmente prontos para uma verdadeira guerra! – ela sorriu e voltou a ficar quieta.

Um pequeno pássaro pousou em minha perna.

Ele me observou e eu o observei.

- o duque elfo me manda à guardiã para perguntar como está a irmã dele! – falou ele com sua voz fina e rápida, Inuyasha e Fkake, que entendiam o que o pássaro dizia, observaram-me atentos – e também pede notícias da comandante do exército real... –

Fkake dessa vez me olhou curiosa, provavelmente querendo saber que era o tal duque elfo.

Não seria eu a dizer que era Mailon...

- Diga ao duque que a irmã dele está bem que e que a comandante morre de saudades dele! – sussurrei para o pássaro.

Levantei a cabeça.

- fale também que a batalha será em breve! – o pássaro acenou afirmativamente.

- o duque também me pediu para informar que logo a irmã dele estará recebendo uma mensagem dele... –

- eu a esperarei! – respondi.

Rin e Sesshoumaru me olharam indagadores.

Sorrindo respondi:

- preocupações de irmão... –

OooOooOooOooO

E lá estava eu deitada no meu quarto, com a Crys roçando o nariz macio na minha perna enquanto resmungava estar com saudades de Cliah, quando bateram na minha porta.

Levantei-me preguiçosa e abri a porta.

Era uma criada.

- Argletan-sama e Crystal-sama, pedem suas presenças no salão principal... – e ela fez uma profunda reverência.

- estaremos logo lá – falou Crys atrás de mim e eu acenei afirmativamente.

A criada se foi.

- o que será dessa vez? – perguntei entrando novamente e pegando minha espada e o arco.

- eu tenho um leve palpite! – Crys respondeu e saímos para o corredor apressadas.

Ao descermos a escadaria nos encontramos com Sangô e Kirara, que estava em sua forma de pequena gata de dois rabos.

Chegamos ao salão no exato momento em que Yan pulava do alto da escadaria diretamente no chão.

No salão já estavam a rainha, Fkake, Sesshoumaru, Weslley e Rin.

Ao nos aproximarmos não vimos nada de estranho.

Até o momento em que o portão principal abriu e entraram três pessoas.

Como a luz repentina que a porta libertou nos borrou a visão, não podíamos distinguir os dito cujos.

Mas ao se aproximarem eu reconheci o que guiava o grupo.

Não me pergunte o por que, mas meus olhos se encheram de lágrimas.

Não sei se foi por que eu já havia me convencido que eu nunca mais o veria, ou por que o sorriso confiante ainda estava no rosto dele.

Sorri alegre e aliviada (alívio que eu não entendi) e me adiantei.

- Zack! – sussurrei quando estava a menos de dois metros dele.

O sorriso dele abriu ainda mais.

- estava com saudades! – e ele segurou meus ombros enquanto me olhava nos olhos.

Talvez observando o efeito que a guerra havia feito em mim.

Ele continuava igual;

Cabelos castanhos, olhos verdes brilhantes, voz de Tziano Ferro (N/a: quem já ouviu esse cantor sabe o que eu estou falando uhauhauahuah).

Ele abriu um sorriso e me abraçou.

- Ih, Inuyasha, se mata! – falava Fkake atrás de mim – a Kagome só pode ter uma imã para macho gato, não é possível! – e Inuyasha sorriu.

Apesar de todas as crises de ciúmes dele, ele sabia que podia confiar em mim.

- acabamos nos vendo de novo! – ele sussurrou ainda me abraçando.

- esse é o poder do Até logo! – falei sorrindo.

Ele se afastou e falou em voz doce:

- essa aqui é Natasha, Kagome! – e uma sereia de cabelos castanhos e olhos dourados sorriu – ela é minha noiva! –

Olhei surpresa para Zack e depois para a noiva dele, ela era realmente bonita. E tinha um olhar gentil.

Dei uma risada e pulei nele feliz.

- ah, que bom! – e olhei para Natasha – garota de sorte! – falei sincera.

Ela sorriu.

- sim... – e ela me observou falando para Zack – ela é tão linda quanto você me falou... – arqueei uma sobrancelha e observei Zack.

Ele deu uma risada divertida.

- eu não disse? –

Olhei para um lado e vi que o terceiro sereiano na verdade era Kliork, o ex treinador de Miroku.

Ele se adiantou para a rainha e com certa petulância falou:

- peço uma audiência com a rainha, temos noticias preocupantes! –

A rainha suspirou.

Olhei para Zack indagadora e ele falou no meu ouvido:

- não sei se é uma notícia boa ou ruim, mas você estava certa -

--

(...) James se sentou à beira de um rio. Já estava bem longe do lugar onde o fabricante de penas para escritura tentara lhe atacar. Mas notou agora que havia deixado a pena cair.

Ele ficou aflito, pois ele achava que era a pena que lhe dava seus poderes mágicos.

Olhou para o caderno que estava em suas mãos.

E agora! O que faria?

Sem a pena ele poderia continuar a desenhar e desvendar o futuro?

Não sabia, e tinha medo de descobrir.

E ao mesmo tempo queria descobrir imediatamente.

Vendo que a curiosidade vencia, ele abriu o caderno em uma folha limpa e afogou a ponta do dedo indicador no tinteiro.

Mas havia outro problema. Ele nunca tentara desvendar o futuro para si mesmo, pois ele sabia o quanto custava saber do futuro.

Suspirou e pensou em uma pergunta:

- um dia vou saber a causa de eu poder ler os desenhos? – a pergunta era simples e possivelmente o desenho também seria.

O que apareceu na folha foi uma pequena rosa de macieira caída no meio de uma poça de sangue.

Aquilo significava um sim.

Entusiasmado com a resposta ele se levantou de um pulo e pôs-se a pensar em qual seria seu próximo passo. (...)

--

Lá estávamos nós (o nós implica em eu, Inuyasha, Sangô, Miroku, Rin, Fkake, Weslley, Zack, Natasha e Sesshoumaru) sentados no chão (menos Sesshoumaru que estava em pé) conversando em uma espécie de reunião extraordinária.

- Aquele maldito Naraku realmente está no penhasco Siriukilah? – rosnou Inuyasha inconformado – e o exército dele? –

- ele dividiu o exército em três... – respondeu Zack – um terço está em navios no mar, e o resto em terra, esperando no vale do rio Toark, perto da foz –

- o que diabos será que ele quer? – pensou alto Miroku.

- não fazemos idéia – respondeu Natasha – mas deve estar tramando atacar Elpard antes da lua branca! –

- o fato é que sabemos onde ele está, mas ele deve estar tramando algo e me pergunto em como embosca-lo – comentou Sangô.

- na verdade eu tenho uma idéia... – e Zack pegou um galho nas mãos e começou a desenhar um esquema do que seria o penhasco Siriukilah. Dando ênfase no rio Toark que cortava o penhasco no meio e que fazia um estreito vale no fundo do precipício. O que originava uma passagem bem estreita para uma luta – a idéia é a seguinte...

(N/a: se eu explicar agora o plano não vai ter graça nenhuma na hora da luta, então, enquanto a luta estiver acontecendo, capitulo que vem, eu vou estar parando a luta para mostrar a Kagome lembrando do Zack falando do plano, certo?).

Ouvíamos tudo atentamente.

Dando nosso parecer aqui e ali.

O que menos falou foi Sesshoumaru, o que significava que ou o plano estava muito bom ou ele iria corrigir os erros no final.

- ... e como eu ainda não sei sobre o que a rainha dirá dessa ultima parte – falou Zack se referindo a própria mãe – eu não irei apresentar a idéia ao conselho! Se acontecer, melhor! –

Sesshoumaru coçou o queixo.

- o melhor seria que nem mesmo a rainha Ônix soubesse que as sereias vão fazer isso! – respondeu ele - temos que manter esse plano B realmente como surpresa... –

Zack o olhou e acenou afirmativamente.

- Ok, então esse será um segredo somente entre nós! – então ele voltou a desenhar indicando as tropas – e é aqui que nós pegamos eles... –

- ótimo plano... – falou Rin.

- um pouco falho, mas pode funcionar – replicou Sesshoumaru.

- então, agora é apresentar o plano para a rainha e os conselheiros e esperar para ver se eles aprovam... – resmunguei.

Fkake riu.

- Kagome, aqueles que realmente comandam essa guerra... Com exceção de Mailon e Shaaron, estão aqui nesse momento... O nosso único empecilho são só aqueles benditos conselheiros reais... –

- vamos esperar para ver o que a reunião de amanhã dará... – replicou Zack pensativo.

OooOooOooOooO

Estávamos todos sentados na grande mesa esperando que os conselheiros e a rainha voltassem.

Ansiosos, cansados e levemente irritados pelos comentários dos conselheiros, esperávamos.

Havia aqueles que demonstravam calma, por já estarem acostumados.

E havia aqueles como nós, que eram guerreiros de primeira guerra, e estavam hesitantes.

A porta abriu-se e a rainha adentrou.

Ela se sentou na cabeceira e suspirou.

Olhou para cada um de nós, sabe aquele olhar de professor quando observa qual dos alunos está conversando.

Analisando, hesitando.

- garotos... – falou ela. A verdade era que alguns eram velhos, mas tinham aparência de jovens, mas isso não importava – A verdade é que esse plano me dá medo... e aos conselheiros também... – ela parecia que ia negar o plano – mas eu confiaria minha vida a vocês... e há algo que quero mais que tudo, vingar minha filha! – ela respirou fundo e olhou para cima com os olhos rasos de água – não é o sentimento mais nobre, mas é o que tem me mantido em pé desde a morte dela! – a voz dela estava rouca e falhava – filhos, ao contrário do que me disseram para fazer, nesse momento eu permito que esse plano siga em frente! – Zack sorriu e nos entreolhamos com olahres de comemoração. Mas quando ela falou aquilo um conselheiro se levantou com raiva:

- nós havíamos combinado que... – e a rainha também se levantou dizendo:

- lembre-se que eu sou a rainha! - A voz era autoritária e o homem voltou a se sentar com medo – e eu escolho que o plano siga em frente! – até nós estávamos surpresos, antes de ela voltar a se sentar passou-se algum tempo enquanto ela observava o peso de suas palavras - Mas o problema é quem levará a mensagem... – e ela voltou a se sentar, enquanto olhava pensativa para Sesshoumaru – você tem que treinar as tropas e Zack tem que explicar o plano para os outros comandantes – ela coçou o canto da boca – vocês poderiam ensinar o caminho para os mensageiros... –

Olhei pausadamente para a rainha e lembrei de uma mensagem que eu havia recebido mais cedo, de Mailon.

Tateei o quimono e puxei o pedaço de papel amarelado onde estava escrito:

Maninha, preciso que você venha aos elfos antes da batalha começar...

Há algo que você precisa saber.

Mailon

P.s.: dê um jeito de trazer a pentelha da Fkake com você... Mamãe quer conhecê-la.

(n/a: só para explicar; a Kagome recebeu a mensagem no período entre o plano do Zack sendo exposto para eles e o plano sendo exposto para o conselho, e para dar o efeito que eu queria decidi mostrar a mensagem depois).

Disfarçadamente eu entreguei a mensagem para Fkake que leu pausadamente.

Ela levantou os olhos, mas não os focou em mim, só devolveu a mensagem e acenou afirmativamente.

- majestade – falei interrompendo a fala de Zack – se a senhora nos permitir, nós, os guardiões, podemos levar às raças, nós sabemos o caminho e somos os filhos dos lideres... – Sangô, Miroku e Inuyasha olharam para mim como se aquela idéia tivesse passado pela cabeça deles.

- vocês fariam isso? – a rainha perguntou surpresa. Miroku desviou o olhar de mim e respondeu:

- podemos – e sorriu para Sangô - mas temos que ir o mais antes possível -

- podemos estar indo amanhã, se a senhora nos permitir – comentou Sangô.

- está bem! – respondeu a rainha – mandarei que preparem tudo... – e sorrindo para Zack respondeu: - eu mandarei chamar todos os magos que estão no futuro para a guerra! –

- perfeito! – disse Zack.

- que dia seria melhor para pôr o plano em prática? – perguntou a rainha.

- daqui a uma semana! – respondeu Zack.

--

(...) Ele olhou novamente para a grande casa que havia a sua frente.

Quando James vira que não era a pena que lhe dava o poder de desvendar o futuro ele então achou que talvez seria o caderno que ele usava.

O problema era que o caderno fora feito por ele próprio com a massa de uma árvore chamada ''queribian''. Então ele resolvera procurar um especialista em árvores para lhe dizer se havia alguma propriedade mágica na planta.

Respirou fundo e tirou do bolso traseiro uma imagem que ele tinha da mãe dele.

Ele fizera aquele desenho a muito tempo para nunca esquecer o rosto da mãe. E toda vez que segurava aquele misero desenho, sentia-se forte e reconfortado. Recolocou a imagem no bolso e bateu forte no portão clamando por atenção (...)

--

Enquanto eu tirava da mochila os arreios de ouro para colocá-los em Crys vi Sesshoumaru se aproximar. Esperei ele chegar mais perto para ver o que ele queria.

- você faria um favor para mim, Kagome? – perguntou Sesshoumaru.

- depende do favor, agora eu sou uma garota com namorado! – sorri.

Ele revirou os olhos e deu um leve sorriso.

- então já era meu segundo pedido! – ele falou olhando de rabo de olho para Inuyasha – logo quando eu estava disposto em pedir para você ficar trancada no meu quarto comigo por um mês... –

Inuyasha que ouviu falou sem olhar para Sesshoumaru:

- e quando o mês acabar você passa um ano em coma no hospital! –

- aonde? – perguntou Sesshoumaru desdenhoso.

- Feh! – resmungou Inuyasha.

- vamos, fale qual o favor que temos que ir logo a Fkake chegue! – falei sorrindo.

- fale uma coisa para Mailon por mim: - e ele se aproximou falando em meu ouvido – diga que é possível que ele esteja certo, e que a única maneira de remediar é 'atrasar' – e vi-o afastar o rosto.

- eu não entendi, mas tudo bem! – ele acenou afirmativamente e deu um aceno de despedida.

OooOooOooOooO

- Isso é estranho – falou Miroku jogando uma pedra na fogueira, já fazia dois dias que havíamos saído do palácio de Moh'r, e no dia seguinte nos separaríamos – é a primeira vez que vamos nos separar depois de quase um ano! – ele reclamou.

- mas só vamos demorar uns cinco dias espero – falei olhando de relance para Fkake, que estava longe encostada a uma arvore com a silhueta desenhada pela luz da lua – Crys é muito rápida, mas de qualquer jeito chegaremos em cima da batalha! – falei alisando a crina loira de Crystal.

- sim, na hora de vestir a armadura e entrar no campo de batalha – e Inuyasha, que estava encostado a uma das laterais de Yan, estendeu a mão e puxou meu braço fazendo com que minha cabeça repousasse no colo dele.

Ele beijou meu nariz sorridente e ao erguer novamente a cabeça resmungou para Sangô:

- hora de abrir o jogo, sagozinha... – Inuyasha deu um sorriso estranho. Miroku ficou vermelho e apertou os punhos.

- Você nem sabe o que eu quero dizer e você já está ficando com raiva? – disse Inuyasha com cara de sacana.

- Inuyasha... – rosnou Miroku.

- em, Sangô! – riu Inuyasha – como o Miroku é casado? –

- está gostando de tirar onda, não é? – reclamou Miroku se inclinando para frente – e você, Inuyasha, quando vai tomar coragem e pedir a Kagome em casamento? – Inuyasha e eu estacamos.

Casamento?

Eu e Inuyasha, casados?

Aquilo me pareceu tão assustador.

O olhar de Inuyasha era estranho, e o meu, como não estaria?

- Provavelmente em breve – falou Inuyasha que foi o primeiro a se recompor.

Em breve?

Olhei para ele surpresa e indagadora, mas ele não me encarou de modo algum.

Miroku sorriu vendo que eu estava encabulada.

- ah, mas não fuja do assunto, Miroku! – rebateu Inuyasha balançando os ombros – Vocês já estão casados a mais de um mês, e como você é/era uma mulherengo consagrado eu achei que a essa altura do campeonato a Sangô já estaria grávida! – olhei Miroku apertar os punhos.

Mas uma risada foi ouvida.

Era Sangô.

- e quem disse que não estou? – pela cara do Miroku nesse momento nem ele mesmo sabia dessa.

OooOooOooOooO

- e então – falou Fkake ao amanhecer enquanto recolhíamos nossos pertences – como vamos fazer? –

- verdade – falei – aonde vamos nos encontrar? –

- melhor nos encontrarmos em Moh'r! – falou Sangô – e voltarmos o mais rápido possível! –

- certo! – falou Miroku distraído, ele estava assim desde a noite passada.

- então isso é um Até Logo? – perguntei.

- acho que sim! – sorriu Sangô.

- só se for para vocês... – resmungou Inuyasha fechando a mochila e se levantando - - toma cuidado! – ele falou se aproximando e sussurrou – volte a salvo! – ele pediu respirando fundo.

Olhei nos olhos dele.

- e agora? Vai virar as costas e ir embora? – perguntei com um arquear de sobrancelha e com expressão infantil. Ele sorriu maliciosamente.

- o que faria se eu fizesse isso? – ele perguntou sorrindo.

Balancei a cabeça fingindo que estava pensando.

- provavelmente correria atrás de você e cravaria uma flecha nas suas costas – sorri.

- Oh, eu não quero isso! – e ele se inclinou beijando minha testa – satisfeita? –

- aham! Isso foi muito satisfatório! –

- estou aliviado! – e ele riu.

- Inuyasha, vamos! – falou Yan.

- agüenta firme, Yan! – ele respondeu sem olhar para trás. E se inclinou novamente, mas dessa vez ele beijou o lugar desejado.

Era finalmente um beijo.

Mas não aquele beijo selvagem, mas sim um beijo lento e que possuía todo contato possível.

Delicioso, quente, ofegante.

Fkake bateu no ombro de Inuyasha e falou:

- a vela está começando a derreter, Totóyasha! – e enquanto isso Giant comentou que nós éramos chicletes, Sangô riu divertida, Yan resmungou exasperado, Crys disse que nós éramos fofos e Miroku falou com voz débil que queria castanhas (acho que ele nem estava vendo o que falava, coitado).

- tenham calma! – resmunguei com voz abafada.

- você só vão ficar longe um do outro por uma semana, não um ano! – disse Kirara rindo.

Yan mordeu a camisa de Inuyasha e o puxou.

Esse ainda deu um ultimo selinho esforçado e riu.

- Ok, apaixonados! – riu Giant – hora de irmos! –

Encaramos uns aos outros por alguns segundos e viramos as costas.

Fkake seguia ao meu lado enquanto eu me afastava cada vez mais e mais do meu namorado e esse por sua vez de Miroku e Sangô.

- agora somos só nós, Fkake! – falei sorrindo.

- ainda bem que tenho a Crys para me proteger dessa sua mente sórdida! – falou ela se agarrando ao pescoço de Crys.

- não se preocupe Fkake, eu não deixo a Kagome abusar de você! – Crys brincou.

- que ótimo, por que meu amor é totalmente do... –

- Mailon! – interrompi.

- eu ia dizer que era do meu pai – ela respondeu séria e com olhar de 'idiota'.

- mas isso não quer dizer que nós não possamos ser cunhadas, Fkake! – sorri.

- prefiro ser sua pedra no sapato que sua cunhada! – e ela me olhou de canto de olho.

- jura? Eu não acredito!! – e ela riu.

--

(...)Que surpresa ele não tinha naquele momento.

O tal especialista era uma mulher. E muito bonita devia se acrescentar, ele mesmo confessara, quando adulto, que ela era uma das mulheres mais lindas que ele já vira.

- na verdade a queribian tem propriedades mágicas sim... Mas é tão fraco que não sei dizer se ela é a causadora desse fenômeno. – ela falou com sua voz de sereia.

- e quais propriedades são essas? – perguntou ele ansioso. Talvez ele tivesse achado naquele momento a resposta para as suas duvidas.

- nada mais que cura de pequenos ferimentos... – ela falou sorrindo tristemente.

O coração dele pareceu pesar de tristeza.

Não, não era o caderno.

E então o que mais seria?

Ele agradeceu cabisbaixa e com uma reverencia desajeitada saiu de lá com um andar pertencente de uma pessoa abatida. (...)

--

- como os elfos conseguem morar nas montanhas? – perguntou Fkake após quase meio dia de viagem, depois de algumas horas Crys havia se disponibilizado para viajarmos pelo ar.

- na verdade a montanha é uma fachada para um vale que há atrás... – respondi por sobre o ombro.

- e quanto tempo até lá? – ela perguntou ansiosa.

- mais umas três horas... Ansiosa para ver o Mailon? – brinquei.

- ansiosa para pôr os pés no chão! – ela falou, e era verdade, eu a sentia tremer.

- você precisa aprender a lidar com esse medo! – comentei.

- talvez um dia eu consiga! – ela reclamou.

--

(...) Como ele fora cair naquela armadilha?

Como ele fora pego por aqueles ladrões inescrupulosos?

Ele fora um imbecil. Esquecera completamente de sua meta de descobrir o que o fazia conseguir ler o futuro só por que talvez houvesse achado o pai.

Mas a pista o levara para aquela armadilha.

Um homem fedorento e com uma barba embaraçada começou a tatear os bolsos de James.

E a única coisa que achou foi aquela imagem da mãe de James que ele sempre levava consigo.

O homem riu abertamente e o chamou de tolo.

- olha aqui, Charles! – gritou o homem de barba embaraçada para uma figura esguia, montada em um cavalo marrom, e com o rosto coberto por um capuz negro – o moleque não tem dinheiro nenhum, só a imagem de uma mulher! – e os ladrões começaram a rir, enquanto o homem barbudo balançava a imagem da mãe de James como um idiota.

Jem sentiu o coração apertar.

A figura toda vestida de negro desceu do cavalo.

James abaixou a cabeça e fez uma pergunta mentalmente.

- eu vou sair vivo? – e esticou o dedo para desenhar na areia a resposta. (...)

--

- que livrinho é esse que você tanto lê? – Fkake perguntou com o rosto praticamente em cima do meu.

Eu fechei o livro e pulei para trás assustada.

Como havíamos parado para almoçar eu aproveitei para terminar de ler o livro que estava quase no final.

- Que susto! – reclamei com o livro apertado contra o peito.

Ela tirou o livro das minhas mãos e virou de cabeça para baixo.

- ah, que decepção, eu pensei que era hentai! – ela reclamou fazendo beiço e olhando a capa – e como é esse livro? – ela perguntou – já sei, conta a história dos alienígenas de júpiter que vieram a terra para comprar uma tela desse tal de James Cowl, por que a pintura indicava a direção para a galáxia do mundo do superman! – ela bateu palmas entusiasmada – Uou, esse livro deve ser o máximo! – quando ela terminou estava rachando de rir.

- eu ainda não terminei de ler – falei ainda rindo – mas quando eu terminar eu juro que eu lhe conto –

- está bem – e ela devolveu o livro – pode continuar a ler! –

--

(...)Mas a resposta não veio.

Ele sentiu como se algo muito importante houvesse sido tirado dele. Algo com qual sem ele não poderia viver.

Jem sentiu desespero, o dom dele havia sumido.

Mas por quê?

Ele não provara a muito tempo que não eram as coisas que ele usava que lhe dava o poder? Então o que era?

Ele então olhou para a imagem da mãe na mão do ladrão.

E foi como se finalmente tivesse achado a resposta. James não teve tempo de reclamar e pedir a imagem, ou de se alegrar por finalmente ter entendido.

Pois viu quando o chefe dos ladrões, aquele homem que estava de capuz olhou a imagem da mãe dele.

Ele se sentiu apreensivo. A causa ele não sabia.

O chefe dos ladrões era alto e veio em sua direção.

Agachou-se e ficou com o rosto sombreado quase da altura do de James.

- de onde conhece essa mulher? – perguntou o homem.

- e por que você quer saber? – respondeu James.

- responda logo, insolente! – reclamou o Charles, pelo menos era assim que James achava que ele se chamava.

- é minha mãe, ô imbecil! – disse James com raiva.

Charles tirou o capuz do rosto.

E o corpo de James estremeceu.

Ele se sentia como se estivesse frente a um espelho. Na sua frente havia um rosto igual ao seu, uns vinte anos mais velho, mas igual ao seu.

Eles não precisaram trocar uma única palavra.

O entendimento foi mútuo, eram pai e filho.

--

- Caramba! – exclamei.

- que foi? – perguntou Fkake logo após.

- nada não, é só o livro! – falei apontando.

- terminou? – ela perguntou.

Olhei as páginas e vi que faltava somente o epílogo.

- praticamente sim! – e ela se levantou indicando que já era hora de voltarmos a viagem.

Fechei o livro e guardei na mochila.

Crys, estamos te esperando.

- deve faltar só uma hora até o elfos, não? – perguntou Fkake apagando o fogo com um pouco de areia.

- sim! – respondi.

Crys pousou a minha frente.

- Vamos garotas que estamos quase chegando! – ela disse alegre.

Pulei em Crys e estendi a mão para Fkake que pela primeira vez não hesitou em montar em Crys.

Fkake ficou na minha frente e eu atrás, pois eu sabia me equilibrar melhor.

- sabe, Kagome! – falou Fkake quando já estávamos no alto – já faz um tempo que a gente se conhece... e eu seria capaz de confiar minha vida a você –

- agora você vai dizer que me ama e que quer se casar comigo! – falei balançando a cabeça – desculpe, mas só te aceito como cunhada! –

- Touché! – falou Fkake rindo e abraçando o pescoço de Crys.

- calma, garota, eu não sou o Mailon! – reclamou Crys olhando para trás. (N/a:como o nome Mailon estah sendo usado nos últimos parágrafos ¬¬)

- ops, Urso de pelúcia errado! – e ela se endireitou ainda gargalhando.

-o que você iria falar? – perguntei.

- ah, eu ia falar que eu nem sei sua historia – ela falou olhando por sobre o ombro.

- você quer que eu conte? – perguntei.

O sorriso dela foi a resposta.

OooOooOooOooO

Ela me olhou surpresa quando terminei de contar.

- Caramba! E eu achava que tinha passado por problemas! – e ela riu.

- e a sua história, Fkake? – perguntei.

Ela ficou levemente séria.

- não é lá muito interessante, a filha de um anjo caído com uma humana... –

- verdade, eu ouvi Mailon comentar sobre isso – e curiosa perguntei – e como seu pai é? –

- ele nunca envelhece, sempre com a aparência de um rapaz de vinte e cinco anos, e como ele convive com minha mãe, sabe aquela história de anjos irradiarem energia positiva, ela acaba não envelhecendo também – ela riu – quando ele ia me buscar na escola já perguntaram se ele era meu namorado! - e ela riu – deixa eu ver o que mais... sou maga desde os cinco anos, maga completa desde os quinze, conheci o Weslley com oito anos, namorei com ele até os onze... –

- você namorou com o Weslley? – arregalei os olhos.

- sim, mas era só por telefone, quando a gente se encontrava a gente corria um do outro! – e ela riu muito alto – acho que o resto você deve imaginar, fui convocada para participar dos magos montanheses, o oráculo me escolheu como líder... –

- foi difícil liderar dez mil pessoas? – perguntei.

- sem o Weslley com certeza seria impossível – e ela fez um jóia com a mão – ele é o cara! –

Quando abri a boca para replicar vi que mais a frente estava a abertura da caverna, na base das montanhas Maoliguun.

- Chegamos! – sussurrei.

Crys pousou na frente da gruta.

Saltei e ajudei Fkake a descer.

Olhei para o alto.

- há algo errado! – sussurrei.

- o que há? – perguntou Fkake.

- há uns dois segundos atrás deveriam ter aparecido uns duzentos elfos... – sussurrei.

- talvez eles estejam tirando uma soneca! – ela sugeriu.

- vamos! – chamei.

Entramos na caverna e quando tudo escureceu Fkake fez uma magia de iluminação.

- será que aconteceu algo com os elfos? – perguntei para Crys.

- não faço a menor idéia! – ela respondeu.

Seguimos passagem adentro até que ouvimos um zumbido e uma flecha passou rente ao meu ouvido.

Olhamos assustadas e em forma de combate esperamos uma silhueta se aproximar.

Quando a luz da magia de Fkake mostrou um elfo loiro eu suspirei aliviada.

O elfo baixou o arco.

- um lorde cavalo alado? – e ele analisou a mim e Fkake – e duas elfas! –

- como você sabe que eu sou uma elfa? – perguntou Fkake.

- suas orelhas! – e ele apontou. Quando ela pôs as mãos nas orelhas as sentiu pontudas.

- Quê? – gritou Fkake.

- você está em solo elfo, Fkake! – explicou Crys – aqui as verdadeiras formas são reveladas... –

- estão procurando a entrada para a cidade suspensa? – ele perguntou.

- sim! – respondi.

- eu sinto muito, mas não é permitido a entrada nem a saída de ninguém... – ele fez um olhar de quem sentia muito – são ordens do atual duque e da duquesa... –

- a grã-duquesa ainda está impossibilitada de reinar? – perguntou Crys.

- não, mas ela vai estar fora do posto por mais dois meses! – ele falou.

- a entrada e saída da cidade suspensa estam proibidas até mesmo para os duques? – perguntou Crys.

- eles são os únicos permitidos a passagem... –

- nesse caso deixe-nos passar, ela é duquesa Kagome... – Continuou Crys.

- eu já suspeitava! – ele sorriu – me acompanhem! – e saiu andando.

A cidade suspensa estava tão quieta e silenciosa. E era estranho! Claro, haviam os elfos que me olharam curiosos, mas ao me reconhecerem acenaram e sorriram.

- você é popular aqui! – riu Fkake ainda tocando as orelhas.

- é por que você ainda não viu o Mailon andando por essa cidade! – falei rindo. (n/a: coitado do Mailon deve estar com as orelhas queimando, mas eh isso que da ter irmã coruja e um amor teimoso).

Quando avistei o palácio vi uma figura conhecida descer as escadas de madeira, era Laymê.

Ela pulou os dois últimos degraus e se aproximou com um sorriso de orelha a orelha.

- Não acredito! – ela falou rindo.

- olá! – falei abraçando ela – e então – falei olhando para a barriga dela, já que ela já estava grávida a uns quatro meses – quando verei meu sobrinho? –

- daqui a uns onze meses! – ela sorriu.

- onze? Qual o tempo de gestação de um elfo? – perguntei surpresa.

- um ano e quatro meses! – e ela riu olhando para Fkake com os olhos apertados – uma elfa de cabelos negros? Eu pensei que o único elfo de cabelos negros que existia era a Kagome! –

- ah, me deixa apresentar, essa é Fkake Horaki! – falei para Laymê – Fkake, essa é Laymê Omse, minha irmã e do Mailon! –

- ah... – ela falou estendendo a mão – prazer! –

Laymê riu gostosa.

- você é a Fkake? – e Laymê balançou a cabeça – o Mailon me falou de você, só que ele não me disse que você era tão bonita. A única coisa que ele falava era que você era baixinha e tinha olhos de coruja! – Fkake ficou vermelha.

- ah, foi? – e ela sorriu sem graça.

Laymê riu mais ainda.

- afinal, eu pensei que só ia te ver na batalha, Kagome! – disse Laymê curiosa.

- eu vim trazer a mensagem do plano de batalha para os elfos! – Laymê ficou séria.

- entendo! – ela chamou um elfo guarda – chame Awnore, por favor! – ela pediu o elfo acenou afirmativamente e saiu andando – infelizmente o Awnore é o único general que está aqui! –

- e Mailon, onde está? – perguntei.

- daqui a dois dias é o dia em que os cavalos alados sem companheiros iram escolher os seus... – e ela sorriu – ele foi ontem, ele ficou quase três meses fora do posto dele! –

- E Biondha? – os olhos dela ficaram brilhantes.

- está com Mailon! – e ela nos chamou para acompanha-la – enquanto Awnore é chamado, acho que mamãe gostaria de ver vocês! –

OooOooOooOooO

- Kagome? – falou a duquesa se levantando da cadeira em que estava sentada.

- mãe!? – eu falei preocupada e me aproximando.

- mãe? – comentou Fkake olhando para a duquesa – ela parece ser sua irmã! –

A duquesa sorriu e enquanto me abraçava observou Fkake.

- como a senhora está? – perguntei.

- muito melhor agora! – ela segurou meu rosto.

- Mailon conseguiu achar maldito que tentou envenenar a senhora? – meu olhar era sério.

- sim, ele conseguiu! Era um elfo manchado – elfo manchado era o mesmo que um elfo desgarrado, ela suspirou – só não sei se alguém vai conseguir acha-lo depois que Mailon o achou! –

- Mailon, fez o trabalho direito, então! – e a abracei mais uma vez – Bom, essa é Fkake Horaki... Fkake, essa é minha mãe a grã-duquesa Zouniakle! –

- Fkake? – e minha mãe se aproximou dela observando-a bem, o olhar foi de aprovação – o gosto do Mailon melhorou bastante, então! – e ela foi direto ao assunto – ele me disse que você é uma elfa! –

- de acordo com o livro que eu li, acho que sou sim! Apesar que ainda tenho desconfiança daquele maldito livro! – e Fkake sorriu.

- você é a filha de um anjo? – perguntou Zouniakle.

- sim, sou filha do anjo caído Lucius Horaki – e ela ficou séria – antes de virar um aetéreo ele era o segundo anjo da casa do príncipe Gabriel! –

- segundo anjo? – e Zouniakle parecia surpresa.

- sim! – falou Fkake.

- nossa raça de elfos é descendente de Laimitiel, décimo sétimo anjo da casa do príncipe Uriel, – Zouniakle se sentou novamente – e Reikius, vigésima anjo da casa do príncipe Uriel, os dois foram banidos do exército dos céus por se apaixonarem um pelo outro! Seu sangue é mais nobre que o meu! – Fkake negou com a cabeça.

- apesar de meu pai ter sido um anjo de porte antes de se tornar aetéreo eu também sou filha de uma humana... – e Fkake segurou as mãos da duquesa – o sangue da senhora é bem mais nobre que o meu, pois descende de dois anjos e o meu... – e Fkake parou de falar arregalando os olhos.

- Fkake? – perguntei.

Então ela desatou em uma gargalhada escandalosa, sem ritmo e desengonçada.

- Fkake, o que está acontecendo? – mas ela não parava de rir.

Asuka, pedi para a minha segunda mente, veja o que está acontecendo!

Só um segundo!

E foi esse o tempo que demorou.

Deus do céu, falava ela rindo, você tem que ver isso!

Ok!

Ao entrar na mente de Fkake vi uma confusão só.

O que aconteceu?

Parece que a Sayo, segunda mente da Polly, estava na mente da Fkake, quando ela deu um tapa na bunda do Goku, ele tomou o ar e agora está correndo atrás dela para dar o troco.

Foi quando eu vi o tal Goku correndo atrás de uma garota bonita e dizendo: pára e você nunca vai se arrepender, meu tapa é com carinho!

Não teve jeito, desatei a rir.

Agora não era somente a Fkake rindo com um desgraçada (isso fez sentido?), mas sim duas loucas dobrando de tanto dar risada.

e a risada aumentou quando a outra segunda mente da Fkake, o Richard, que namorava com a Asuka se aproximou dela tampando os olhos dela e gritando: Goku, deixa de baixaria na frente da minha namorada!

E o Goku gritava de volta: leva ela pro seu quarto e mostra você a baixaria!

Era o que faltava, era Sayo correndo na frente, Goku correndo atrás dela, e Richard com um taco de beisebol atrás do Goku.

A risada ia parar cedo?

Se a Laymê não houvesse chegado naquele momento e dito que Awnore esperava, provavelmente sim.

OooOooOooOooO

- é um plano bom! – falou Awnore admirado – irei passar tudo para as tropas logo, irei esperar as ordens do general superior e estaremos em marcha! –

- que ótimo! – falei sorrindo.

- e então... – e ele sorriu – como vai Inuyasha meu lindo? –

- ai! – falou Fkake colocando a mão no coração.

Olhei para ela de rabo de olho.

- ele está ótimo! – garanti.

- namorando alguém? – ele perguntou.

- sim, está namorando comigo! – e dei um sorriso amarelo.

- me empresta ele por quinze dias? – pediu Awnore.

- não dá, o Mailon já me pediu ele por um ano! – Fkake começou a rir.

- ah, não acredito que o Mailon preferiu o Inuyasha que a mim! – Fkake riria daquela vez? Que nada, ela se engasgou com o próprio cuspe.

Awnore olhou para ela de uma forma que dizia que sabia que ela gostava do Mailon.

- falando em Mailon... – e me inclinei para a frente – o caminho para os arqueiros de elite ainda está aberto? –

- sim! Com cavalos alados deve-se demorar um dia! – falou ele olhando para Crys.

- amanhã estaremos indo, então! – falei voltando a ficar ereta.

- então, mande uma beijo para o Mailon e para o Inuyasha por mim! – e se levantou com um aceno.

--

(...) James passou a viver com o pai, que lhe ensinou tudo que sabia na arte de lutar.

O fato era que Charles não sabia da existência de James, e ficara um pouco enfurecido com isso.

Mas ele era um ótimo pai.

Finalmente Jem entendera o que o fazia ter seu dom. Nada mais era do que a imagem da mãe que ele nunca tirara de perto de si.

Ele acreditava que o dom provinha do amor e da fé com qual ele havia desenhado o rosto da mãe no papel de queribian, se era realmente isso ele não tinha certeza.

E a verdade é que por muito tempo ele se sentiu idiota, a resposta estava embaixo do seu nariz.

--

- QUE DIABOS! – gritei.

- o que foi? – perguntou Fkake enquanto descascava uma maçã.

- essa droga de livro! – estávamos a meio caminho dos arqueiros de elite e só faltava o final do livro, e eu havia resolvido ler ele achando que teria alguma coisa que me ajudaria – que decepção! –

- o livro é tão ruim assim? – perguntou Fkake com os olhos arregalados.

- não... Mas, poxa eu esperava algo mais! – reclamei – Sesshoumaru me disse que Inu Taisho achava que esse livro fosse me ajudar, mas eu não entendi como! O livro é bom até, uma bela historia para crianças, mas eu queria uma pista! –

- ah, vai ver é uma frase ou uma palavra qualquer! – mas eu estava zangada e não queria achar uma saída, essa era a verdade – e calma, lembre-se que isso ai é algo que poderia te ajudar

Olhei para Fkake que estava fazendo uma careta séria.

-é...- falei em tom de reclamação.

E ela sorriu.

- você está parecendo um menino do buxão! – e ela caiu na gargalhada.

- um o que? – perguntei já com trejeito de risada.

E ela começou mais uma das suas explicações mirabolantes quanto aos apelidos.

Quando ela terminou eu já estava mais calma.

- Fkake, posso fazer uma pergunta? – perguntei. (n/a: jura? oO)

- se eu responder que sim você já vai para a segunda! -

- Ok, você disse que seu pai era segundo anjo da casa do príncipe alguma coisa... – e fiz cara de criança curiosa – o que significa? –

- de acordo com o que meu pai explicou o exército celeste se divide em sete casas que são regidas pelos setes arcanjos mais fortes do céu, eu não lembro o nome de todos, mas alguns são Amitiel, Gabriel, Miguel, Uriel, Rafael, Shamael e o ultimo não me lembro. Desses sete arcanjos o mais forte é o Gabriel, apesar de alguns dizerem que Miguel é mais experiente. Miguel é o segundo em questão de força, e então vem, respectivamente, Shamael, Rafael, Amitiel, Uriel e aquele que não me lembro, entendeu até aqui? –

Acenei afirmativamente.

- garota esperta, papai demorou doze anos para me ensinar – e ela riu, depois limpou a garganta – as sete casas então possuem tantos anjos que é impossível se contar. Os mais fortes estão na casa de Gabriel, os segundos mais fortes na casa de Miguel e assim por diante. Mas dentro das casas também há essa seleção de força, por exemplo: o mais forte, que é o arcanjo regente ou príncipe, é o anjo número um. O anjo numero dois é aquele que é mais forte que todos os anjos, mas menos forte que os anjos regentes, o numero três é aquele abaixo somente do anjo numero dois e dos príncipes... – (n/a: só para lembrar a todos que estão lendo, essa história é uma FICÇÃO, o que eu escrevo não significa nada)

- Uau! – falei admirada – seu pai era o segundo anjo da casa de... –

- Gabriel! – ela completou. Ai eu fiquei mais impressionada.

- seu pai era o mais forte de todos os anjos? – ela riu.

- hoje não é mais, ele foi banido do céu por se apaixonar por uma humana! – e Fkake me olhou sorridente – geralmente os anjos são banidos do céu por causa do amor... –

- e quanto ao lúcifer? – falei.

- amor aos seus ideais! – ela respondeu – papai disse que antes mesmo de Gabriel nascer Lúcifer já havia sido banido... –

- dá até arrepios! –

- sim, dá! – e Fkake começou a rir.

OooOooOooOooO

Pelo alto das árvores, Crys voava.

Pelo jeito que ela mexia as orelhas dava para ver que estava agitada.

- Crys? – perguntei.

- é ótimo voltar para casa! – falou ela e quando olhei para frente e vi uma grande montanha se estender pelo horizonte.

- estamos chegando, Fkake! – falei por sobre o ombro.

- Ok! – e ela tossiu – senhores passageiros por favor mantenham os braços nos limites do cavalo! –

- olha o respeito! – reclamou Crys.

Fkake olhou para trás.

- urra, o respeito passou tão rápido que nem vi! -

OooOooOooOooOOooOooOooOooOOooOooOooOooOOooOooOooOooOOooOooOooOooOOooOooOooOooOOooOooO

Olha soh quem resolveu aparecer!!

uahuahauha, sei que demorei mas o capitulo ficou bem grandinho neh??

(grandnho?? 34 paginas)

pessoal, infelizmente eu estou muito ocupada ultimamente então não vai dar para eu responder as reviews nesse capitulo tb...

eu estou correndo contra o tempo ultimamente!!uahuahuaha

-

às leitoras novas: valeu gente! adorei as reviews.

aos leitores antigos (a maioria amigos): naum estou respondendo as reviews mas v sabem que eu sempre leio e adorei todas as que recebi!!

-

Agora vamos a um assunto sério:

eu queria a opnião de vocês quanto a uma encruzilhada em que estou...

Os Guariões dos Elementos tem qatro possiveis finais, tres deles os leitores iram odiar, mas é original.

mas o que realmente me está ecncucando eh o seguinte, quando essa hiostoria acabar provavelmente eu vou ter que escrever uma continuação, Os Guardiões dos Elementos dois. onde não é mais uma guerra em Elpard mas um probleminha que os Guardiões teram.

a pergunta eh a seguinte: o que vcs acham sobre Guardiões dos Elementos ter uma continuação??


Capitulo grandinho... mereço pelo menos uma review neh?