.madeira.

Não entendeu onde Remus estava lhe levando, mas então desceram um lance de escada e o homem parou na frente de uma porta castanha avermelhada, batendo devagar na madeira e esperando. Harry queria perguntar o que estava acontecendo, mas então, escutou passos rápidos. Virou-se totalmente, encarando a porta ansioso para ver o que poderia ter do lado de dentro.

A maçaneta girou e a madeira se afastou do batente, mostrando um elfo doméstico de pele acinzentada, olhos esbugalhados, e de sorriso no rosto, observando os dois. Lupin sorriu e virou o rosto para Harry.

-Esse é Limi. Limi esse é o garoto que lhe falei.

O elfo olhou Harry e sorriu, mostrando seus dentinhos estranhos para o rapaz, e abriu ainda mais a porta. Remus entrou e Harry o seguiu, não entendendo nada. O elfo fechou a porta e correu para a frente deles, e com sua voz quase fina demais para um elfo macho, ele disse:

-É um prazer, Sr. Harry Potter.

-É um prazer, Limi.

Harry segurou na mão pequena e fria do elfo, e o pequeno sorria e olhava para Remus, como que o agradecendo. Harry entendera que Remus falara dele para o elfo, mas não entendera o porquê, mas quando fora perguntar o que estava acontecendo, uma voz feminina soou de outro cômodo.

-Quem era, Limi?

O elfo correu para dentro do outro cômodo e voltou segurando a mão de uma mulher muito velha. A senhora estava curvada pela idade, usando um vestido estampado de flores vermelhas e chinelos de pêlo avermelhado, cabelos bem brancos e presos em um coque bem firme no topo da cabeça, óculos de lentes grossas e pele clara e enrugada. Harry pensou que ela deveria ser a imagem de todas as avós do mundo.

Harry sorriu quando a mulher levantou seus olhos castanhos para ele, observando-o com atenção, e depois observando Remus. Quando reconheceu o mais velho, sorriu abertamente, mostrando os dentes já amarelados.

-Oh, Remus Lupin, que bom vê-lo. – a senhora estava realmente feliz em ver Remus e Harry quase não acreditou que a mulher reconhecera Remus, mas não falara nada sobre ele. Ficou genuinamente alegre. – Sentem-se, sentem-se.

Limi ajudou a velha senhora a sentar-se em uma cadeira de balanço perto da porta do que deveria ser o quarto, e logo após correu por uma outra porta, que deveria ser a cozinha. Harry ficou em silêncio esperando para saber o que estava acontecendo. Lupin sentou-se a seu lado no sofá, e sorrindo virou-se para a mulher.

-Sra. Beeker, esse é Harry Potter.

A senhora virou o rosto novamente para Harry e sorriu, balançando a cabeça, fazendo Harry fazer o mesmo.

-Eu o reconheci, mas acho que ele não gosta disso, não é? – Harry apenas sorriu e assentiu brevemente. – Mas é ótimo que já esteja aqui, meu rapaz.

Ficou novamente perdido e Remus antecipou-se, mas então Limi entrou na sala carregando uma bandeja enorme com chá, suco de abóbora, xícaras, copos, cestas pequenas com pedaços de bolos e bolachas. Harry apenas observou como o elfo fazia tudo isso sorrindo para os três presentes. O moreno achou que mesmo com o elfo sorrindo e se portando assim Hermione ficaria indignada.

-Obrigada, Limi. – a mulher disse, e acariciou a cabeça do elfo, que fechou os olhos e sorriu ainda mais. Aquilo lembrou a Harry um cachorro quando é acariciado pelo dono. – Fique conosco para saber das notícias.

-Sim, sim, obrigado.

-Pois bem. – Remus disse tomando a dianteira da conversa, fazendo que Harry ficasse ainda mais ansioso, queria muito saber o que estava acontecendo, quem era aquela mulher e o que ela tinha a ver com o que estava acontecendo. – A senhora Beeker está mudando-se para a casa do filho mais velho, e esse apartamento estará a venda. – os olhos de Lupin colaram-se nos verdes de Harry. O moreno, porém não entendeu bem o que aquela frase queria dizer. – Logo, pensei em você.

A mente de Harry levou alguns segundos para processar o que Remus havia falado, e quando conseguiu entender que ele queria que Harry comprasse o apartamento, o moreno observou o rosto do Lobisomem, e após viu o rosto da senhora e do elfo. Os três tinham a mesma expectativa nas faces, como que esperando que Harry dissesse 'sim'.

Por um momento pensou em recusar e dizer que não estava querendo comprar casa nem ao menos ficar tanto tempo em Londres. Mas então pensou em como sentira saudade de casa, de sua cidade e de seus amigos. Observou a sala a seu redor, olhando o teto pintado de branco, mas o chão feito de madeira. E aquela madeira era de um vermelho queimado, assim como a porta, mas menos escura.

E a madeira lhe pareceu quente. Parecia que de algum modo aquele chão estava pegando fogo, estava queimando bem debaixo de seus pés. Não conseguia tirar os olhos de lá, parecia que estavam presos aquelas madeiras, e então a lembrança acolhedora de que aquelas madeiras lhe lembravam a madeira a queimar na lareira do Salão Comunal da Gryffindor. Era uma boa lembrança, uma lembrança que ele percebeu que lhe fazia muita falta.

Sorriu disso e sentiu a mão de Lupin a lhe segurar o ombro, era como se tivesse acordado de um sonho. Virou seus olhos para Remus, vendo que ele esperava que Harry dissesse algo. O moreno respirou fundo e olhando no rosto da senhora, que sorria como se soubesse o que ele estivera a pensar e sentir.

-A senhora já tem outros compradores?

-Não. A primeira pessoa que me apareceu com a proposta foi Remus.

-Assim que ela me contou, fiz a proposta que ela esperasse um pouco mais. Disse que falaria com você, veria se você realmente estava voltando e se estava procurando uma casa. – Lupin parecia feliz de verdade por estar a falar essas coisas para Harry, e o rapaz sorriu com essa felicidade do outro. – O que me diz?

O moreno ainda levou alguns momentos. Observou outra vez o piso de madeira que parecia chamá-lo para se deitar, ter mais lembranças, sentir mais saudades de coisas boas. Com toda a certeza a mulher não pediria muito pelo apartamento, e ele poderia pagar. Gastaria bastante com essa compra e móveis, mas esse pensamento lhe fez ficar feliz, como se estivesse tendo algo se espalhando dentro de si, começando pelo peito, correndo todo seu corpo.

A idéia de ter uma casa, sua casa. Seu canto, seu espaço, um lugar que seria somente seu. Sorriu disso, e sentiu-se muito bem com a idéia. Era como se fosse o final de algo e começo de outra coisa totalmente diferente.

-Ok. Eu compro.