Nome Original: Dragon and Angel

Autora: DragonsAngel68

Tradutora: HunterChild

Disclaimer: tanto a autora quanto eu não possuímos nenhum dos personagens que possam ser reconhecidos como integrantes do fantástico mundo de Harry Potter, todos eles pertencem à J. K. Rowling, a autora apenas gosta de brincar um pouco com eles, e eu apenas passo a fic original para o português

N/T

Nossa, nem tenho o que dizer. Sei que demorei horrores e nem vou tentar me explicar, porque sei que vou me enrolar ainda mais... Não sei quando o próximo capítulo será postado. Atualmente, minha vida está no modo "um minuto de cada vez", alguém conhece?

Bem, vou parar de encher linguiça e deixar vocês lerem o capítulo.

Aviso da autora: Lúcio é um Comensal da Morte impiedoso e isso aparece neste capítulo. Embora ele não seja fisicamente violento, ele se comporta de forma questionável. Eu achei difícil escrever isso, mas queria que ficasse de acordo com o seu personagem (que provavelmente precisa de terapia). Por favor, estejam avisados de que vocês podem não gostar do que vão ler, pois é severo e beira o abuso mental/emocional. Vocês foram avisados, este capítulo pode perturbá-los e, se ainda assim quiserem lê-lo, por favor, não reclamem.


PROPRIEDADES MALFOY

Lúcio entrou no escritório de seu filho. "Draco, como não temos nenhuma reunião hoje, eu gostaria de cuidar daquele pequeno problema com Drake."

Draco ergueu os olhos do livro-razão que examinava. "O que exatamente ele fez?"

"Ele desapareceu enquanto a sua mãe cuidava de Angelique na loja de vestes de Madame Malkins. Eu estava no Gringotes," Lúcio informou.

Recostando-se em sua cadeira, Draco sorriu, "Onde você o achou?"

"Borgin e Burkes," Lúcio respondeu simplesmente.

Draco imediatamente se endireitou. "O quê? Isso fica na Travessa do Tranco."

"Sei perfeitamente onde a loja se localiza, Draco," Lúcio respondeu desdenhosamente. "O que torna ainda mais urgente a necessidade de punição; receio que ele se machuque se continuar a desaparecer."

Draco não podia discutir com Lúcio e inquiriu cuidadosamente, "Você gostaria de ir na casa dos Weasley?"

"Eu preferiria que você trouxesse Drake até aqui. Eu gostaria de ter uma conversa particular com ele sobre o seu comportamento."

"Posso falar com a Ginny se você quiser; talvez ela possa trazê-lo."

"Sim, faça isso."

Draco se levantou e foi até a lareira. Apanhando um punhado de pó de Flú no pote de mármore sobre o consolo da lareira, ele o jogou nas chamas.

"A Toca," ele disse claramente antes de desaparecer na rede.

Quando parou de girar, Draco se com o ângulo de visão da lareira da cozinha da casa da família de Ginny.

"Oh, Draco, você me assustou," Ginny exclamou, uma mão sobre o peito.

Olhando precariamente para a grande concha que ela tinha em uma das mãos, Draco perguntou, "O que você está fazendo com isso?"

"Bem, eu estava prestes a mexer a sopa, que está fervendo."

Draco olhou ao seu redor e viu que, de fato, sua cabeça flutuava acima de um caldeirão cheio de sopa fervente.

Sorrindo atrevidamente, ele deu de ombros, "Desculpa."

"Tudo bem, então você tem tanta saudade de mim que não consegue esperar até a noite?"

"Sim, eu sinto a sua falta; especialmente ontem à noite."

"Verdade?"

"Verdade, mas não é por isso que estou aqui."

Parecendo um pouco desapontada, ela respondeu, "Oh."

"Meu pai pediu para perguntar se você pode levar o Drake para a empresa; nós temos um pequeno problema de disciplina a discutir com ele."

"Oh, Draco, não posso. A Katie entrou em trabalho de parto hoje cedo, então eu estou cuidando de Alastair."

"A sua mãe não pode cuidar dele?" Draco perguntou, tentando associar o nome a um rosto.

"A minha mãe está com o Jorge e a Katie. Vocês podem vir aqui."

"Droga. Olha, tudo bem se eu pegar o Drake? Acho que o meu pai quer fazer isso em seu próprio ambiente."

"Tudo bem, mas por que o Lúcio acharia necessário estar no seu próprio ambiente para disciplinar um garoto de quatro anos?"

"Alguma coisa a ver com jogo mental; meu pai é um expert neles e estar no seu ambiente lhe dá uma vantagem imediata."

Ginny suspirou; ela nunca entenderia a psique masculina e a incessante necessidade deles de se provarem mais poderosos do que os outros. "Entendi. Que horas você vem?"

"Daqui a uns quinze minutos, tudo bem?"

"Tudo bem, vou tentar aprontar o Drake."

"Obrigado, amor, até já." A cabeça de Draco desapareceu da lareira.

Ginny mexeu rapidamente a sopa antes de sair atrás de Drake para limpá-lo o suficiente para que ele pudesse visitar a Propriedades Malfoy.


"Ela pode trazê-lo?"

"Não, eu vou ter de ir buscá-lo; parece que uma das cunhadas dela está dando à luz, então a Ginny está cuidando do filho mais velho dela."

Lúcio desdenhou, "Aquela família já não deu cria a ruivos suficientes?"

"Parece que não."

"Quando você pode ir buscá-lo?"

"Eu disse a ela que apareceria lá daqui a quinze minutos."

"Ótimo. Talvez você possa se oferecer para ficar com Drake durante o dia. Ginevra obviamente tem uma criança extra para cuidar e seria mais fácil para ela se Drake estivesse aqui. Não fará mal nenhum ao garoto começar a aprender sobre os negócios da família."

"Vou ver o que ela acha."

"Bom. Presumo que você trará o garoto para mim assim que ele chegar."

"Claro, pai."

"Vejo você, então."

Quando Lúcio saiu de seu escritório, Draco esvaziou a sua escrivaninha, apanhou sua capa e desaparatou. Ao chegar nos fundos da casa, ele entrou pela porta dos fundos em um aposento cheio de barulho e crianças.

Alastair parou, encarando Draco com os olhos arregalados. O bebê ruivo parecia pronto para gritar.

"Papai," Angel deu um gritinho enquanto se precipitava em sua direção.

Relaxando imediatamente, Alastair lembrou quem era o estranho bruxo loiro assim que Angel abriu a boca.

"Tio Draco," o bebê de dois anos deu um grito agudo, fazendo Draco se encolher.

"Olá..." Draco pausou e se perguntou, qual é o nome desse pirralho?

"É Alastair, papai," Angel lhe disse enquanto revirava os olhos.

Draco tentou parecer indignado, "Eu sabia disso; olá, Alastair."

Sorrindo, Angel olhou para o pai, "Não sabia, não."

"Hey, princesa, cadê a sua mãe?"

"Lá em cima, tentando fazer o Drake vestir as vestes," ela assentiu sabiamente.

"Ele está dando trabalho?"

Angel deu a Draco um olhar conhecedor que dizia tudo: quando é que o seu gêmeo não dava trabalho quando se tratava de roupas que alguém queria que ele vestisse?

"Acho que vou subir e ver se a sua mãe precisa de ajuda." Dando uma piscadela para sua filha, Draco foi em direção às escadas.

Draco pôde ouvir Drake brigando com a mãe da escada.

"Drake, por favor, o seu pai vai chegar a qualquer instante; agora, ponha estas vestes."

"NÃO! Não vou colocar elas. Quero ficar com essas."

"Drake, você tem até três para começar a trocar de roupa ou a minha varinha vai encontrar o seu bumbum."

"NÃO! Elas pinicam."

"Um... Dois... Três."

"NÃO!"

"Volte aqui."

Drake correu para o corredor. Infelizmente para ele, ele deu de cara com Draco, que pegou seu filh, que esperneava, e entrou no quarto.

"Draco," uma Ginny de aparência muito irritada disse.

"Perdeu alguma coisa?"

"Eu esperava que ele já estivesse pronto, mas ele está não está cooperando."

"Foi o que eu ouvi."

Draco foi até Ginny, Drake ainda se contorcendo em seu colo; inclinou-se e deu um beijo casto nos lábios de Ginny.

"Por que você não desce e deixa eu me entender com Drake?"

"Tem certeza?"

"Absoluta, além disso, ele tem de se vestir adequadamente para ir ao escritório- você pode imaginar como o avô dele vai reagir se ele não estiver vestido adequadamente," Draco piscou para Ginny.

Sorrindo diabolicamente, ela concordou. "Ah, sim, imagino que isso não seria agradável."

"Eu não vou vestir elas," Drake declarou raivosamente dos braços de seu pai.

Vendo Ginny começar a formar uma resposta para a impertinência de seu filho, Draco interveio, "Gin, vá, eu me entendo com ele."

Draco esperou até que Ginny saísse do quarto e seus passos fossem ouvidos descendo a escada antes de fechar a porta do pequeno quarto e colocar Drake no chão diante de si.

"Certo, acho que essas são as vestes que sua mãe separou para você, não?"

"Sim, mas eu não vestir elas- elas pinicam e eu fico igual a um babaca."

"Você vai parecer ainda mais babaca se aparecer no escritório desse jeito," Draco argumentou. "Dê uma olhada nas minhas vestes."

Draco deu uma volta diante de seu filho, fazendo com que ele visse completamente as vestes executivas que ele vestia todos os dias.

"Você pareceria um tanto bobo entrando no escritório como um moleque de rua, não?"

"Todo mundo se veste assim?" Drake perguntou ceticamente.

"Yep, todo mundo."

"Oh... Bem, acho que eu posso..." O garoto concordou relutantemente.

"Ótimo."

Tão logo Drake fora convencido de que vestes formais eram necessárias no escritório, ele estava pronto em instantes. Ele ainda não estava feliz em vestir as roupas sociais e seus resmungos sobre a injustiça de sua situação e o quão babaca ele parecia ainda podiam ser ouvidos quando eles entraram na cozinha.

"Acho que estamos prontos," Draco disse.

"Como você... Sem derramamento de sangue?" Ginny fitava, assombrada, seu filho perfeitamente vestido, embora infeliz.

"Com o charme Malfoy, o uso da violência se torna desnecessário," Draco sorriu.

"Eu não estava falando sobre o sangue dele sendo derramado."

Draco deu um risinho, "Ele não levaria a melhor de jeito nenhum."

"É mesmo?" Ginny ergueu a sobrancelha e meneou a cabeça na direção de Drake.

Drake estava perto da porta dos fundos e puxava ferozmente as suas vestes e resmungava sobre o quão indigno era ter de vestir aquilo.

"Drake," Draco só teve de rosnar uma vez e as mãos do garoto imediatamente se afrouxaram.

Encarando Draco insolentemente, ele murmurou, "A gente vai ou não?"

"Ah, sim, eu vou levar você até o seu avô com você neste humor; estou certo de que ele vai gostar," Draco lhe informou casualmente enquanto via os olhos de seu filho se arregalarem com a menção de seu avô.

Então ele já viu como é o meu pai, Draco desdenhou para si mesmo, antes tarde do que nunca.

"Papai, posso ir junto?" Angelique perguntou docemente.

Olhando para o rosto de sua filha, Draco foi subitamente esmagado por culpa. "Sinto muito, querida, o seu avô precisa falar com o Drake sobre o que aconteceu no sábado." Ele assistiu enquanto o lábio dela tremeu levemente e acrescentou baixinho, "Cá entre nós, eu acho que não vai ser muito divertido- o seu avô está um tanto bravo com Drake."

"Mas eu quero ir. Eu quero ver o avô."

"E quem vai me ajudar a cuidar do Alastair?" Ginny perguntou. "E quando os bebês chegarem, você não vai querer vê-los imediatamente?"

"Ah é, eu tinha esquecido," Angel disse pensativamente. "Tudo bem, papai. Eu vou ficar e ajudar a mamãe."

Draco se abaixou e a pegou no colo, dando-lhe um beijo antes de colocá-la no chão novamente. "Boa menina."

Tomando Ginny em seus braços, ele fez questão de beijá-la intensamente antes de ir até a porta. Draco sorriu convencidamente ao ver a careta de Drake e então pegou a sua mão para levá-lo até o jardim.

Draco levou Drake diretamente ao escritório de Lúcio, sentando-o em uma das cadeiras da sala de espera. "Você fique aqui e eu vou falar para o seu avô que você chegou."

"Sim, papai."


Draco meneou a cabeça ao passar pela secretária de Lúcio enquanto entrava no escritório ricamente decorado de seu pai.

"Pai."

"Draco, você trouxe o Drake?" Lúcio olhou para Draco.

"Sim, ele está esperando lá fora," Draco respondeu, jogando a cabeça na direção da porta.

Lúcio se ergueu de sua enorme escrivaninha, "Ótimo, bem, por que não resolvemos logo esse problema?"

"Umm... É, claro."

"Há algum problema?"

"Angel. Ela pediu para vir, e eu tive de dizer não," Draco exalou pesadamente enquanto corria a mão pelo cabelo.

Lúcio sorriu, "Ah, ela fez você se sentir culpado."

"É, e ela não teve de se empenhar muito, disse que também queria ver você."

"Bem, vamos escolher alguma coisa especial para ela, e você pode entregar hoje à noite quando você levar o Drake para casa, ou podemos mandar entregar."

"Mmm..."

"Ela vai superar isso, filho."

"É, eu sei disso, mas depois do olhar que ela me deu, eu me pergunto se eu vou."

Lúcio deu um risinho, "Você vai superar isso, eu garanto."

"Espero que sim."

"Vou buscar o Drake e então podemos começar."

Lúcio atravessou o aposento e foi até a sua sala de espera. Drake estava sentado, casmurro, na cadeira em que Draco o deixara, dedilhando distraidamente as suas vestes formais.

Lúcio olhou para a sua secretária, "Não quero ser interrompido."

"Sim, senhor."

"Drake- venha."

Drake ergueu o olhar para seu avô e tremeu involuntariamente ao ver a expressão austera em seu rosto.

"Sim, avô."

Ele desceu da cadeira e seguiu Lúcio até o escritório. Drake não perdeu o olhar de simpatia que a secretária lhe deu, o que o deixou ainda mais apreensivo do que antes. Lúcio fechou a porta atrás de Drake com um ruído ressonante que pareceu sacudir o pequeno corpo do garoto.

Sorrindo desprezivelmente, Lúcio continuou a incitar Drake. "Venha, Drake, diante da minha escrivaninha," ele rosnou enquanto andava confiantemente até a sua cadeira.

Drake foi lentamente até a escrivaninha; seu pai estava sentado em uma das cadeiras de visitante ao seu lado. Quando Drake olhou para ele, percebeu que a expressão de Draco era ilegível. Ele havia moldado seus traços perfeitamente; até mesmo seus olhos estavam vazios de tal forma que assustaram o jovem bruxo- ele sabia que não tinha amigos naquele aposento e naquele instante.

Lúcio correu o olhar pelo garoto antes de começar rispidamente, "Drake, temos algo sério a discutir."

"Sim." Drake não pôde evitar um olhar na direção de seu pai, em busca de apoio.

"Não olhe para o seu pai," Lúcio rosnou enquanto se curvava por sobre a escrivaninha.

O lábio de Drake começou a tremer, "S-sim, avô."

"Você sabe por que está aqui?"

Drake assentiu.

"Bom- eu lhe disse no sábado que conversaria com o seu pai antes de aplicar uma punição."

Drake assentiu novamente, mostrando que entendera.

Lúcio sorriu; ele sabia que o garoto estava com medo- ele esperava que a experiência pudesse eliminar aquele hábito desapontador de uma vez por todas, deixando a necessidade de castigos severos para trás. Ele certamente não apreciava aquele papel, mas como fora com ele que Drake fora mal comportado, ele julgava essencial que o castigo fosse dado por ele, em vez de Draco.

Draco observava seu filho atentamente. Ele sabia, por experiência própria, o quão aterrorizante o seu pai podia ser sob a perspectiva de uma criança, tendo recebido alguns sermões e castigos de Lúcio. Àquele ponto, Drake estão tão amedrontado que tremia visivelmente, e seu lábio começara a tremer, ainda que não tivesse deixado uma única lágrima escapar- por enquanto. Aparentar estar impassível estava ficando mais difícil conforme seu pai continuava, embora ele tivesse avisado Lúcio de que, se ele fosse longe demais, ele não hesitaria em intervir.

"Eu tenho um aposento especial nas masmorras que julgo que vai me ajudar com a punição que tenho em mente."

Ao ouvir a menção das masmorras, os olhos de Draco se arregalaram; ele achara que o tal aposento havia sido desmantelado anos antes, mas tudo indicava que não, a julgar pela expressão no rosto de Lúcio.

Lúcio se ergueu graciosamente de sua cadeira, apanhou sua bengala e foi até a porta.

"Drake?"

Drake foi lentamente até a porta aberta, sem hesitar ao alcançar seu avô. Ele continuou até a porta externa do escritório e se pôs a esperar nervosamente.

Draco se levantou apressadamente e foi até Lúcio. "Pai, aquele aposento- por que ele ainda existe?"

"Eu simplesmente ainda não o desmontei."

"Eu não acho apropriado que meu filho seja levado até lá."

"Draco, você realmente acha que eu machucaria o garoto?" Lúcio inquiriu de maneira condescendente.

"Eu... não," Draco suspirou pesadamente; ele não sabia o que pensar.

"Eu só quero assustá-lo, mostrar do que sou capaz se ele não se comportar."

Draco respirou fundo; ele não sabia o que fazer- Ginny não gostaria do que havia naquele aposento e se Drake dissesse algo comprometedor à pessoa errada, batidas seriam feitas novamente em todas as propriedades Malfoy.

"Eu não vou machucá-lo; ele é meu neto," Lúcio lhe garantiu. "Alguma vez eu te machuquei?"

Draco o olhou e ergueu a sobrancelha.

"Aquilo não foi intencional- você nunca devia ter entrado na frente do elfo doméstico que eu estava punindo," Lúcio cedeu impacientemente.

"Muito bem, leve-o até lá embaixo se você realmente acha necessário, mas como você vai fazer ele ficar de bico fechado?"

"Ele é seu filho, não deve ser difícil," Lúcio desdenhou. "Eu sugiro que você permaneça aqui."

Lúcio foi até onde Drake ainda esperava, pegou-o pela mão e o conduziu para fora. Draco permaneceu à porta e assistiu enquanto seu pai levava seu filho para os horrores pessoalmente conhecidos da masmorra da Propriedades Malfoy. Ainda angustiado por sua decisão, ele nervosamente correu a mão pelo cabelo.

"Está tudo bem, querido, o senhor Malfoy realmente ama aquele garoto," a secretária garantiu em tons maternais.

Ela era a secretária de Lúcio desde que Draco se entendia por gente e provavelmente sabia mais sobre a família Malfoy do que qualquer outra pessoa. Ainda mais importante, o patriarca Malfoy confiava nela implicitamente; para Draco, ela era como uma tia solteirona que o paparicava sempre que podia. Ela sabia perfeitamente o que estava acontecendo e para onde o jovem Drake estava sendo levado. Durante os anos, ela vira Lúcio arrastar um Draco muito mais novo, usualmente chutando e gritando, para a masmorra muitas vezes. Ele sempre voltara em boas condições de saúde e ela não temia pelo bem-estar de Drake.


Lúcio foi o percurso todo de mãos dadas com Drake até o subsolo do prédio que abrigava a Propriedades Malfoy. Eles chamaram um bom tanto de atenção, na forma de olhares, enquanto andavam juntos pelos corredores; os empregados tiveram compostura suficiente para esperar até que o dono da empresa não pudesse mais ouvi-los antes de começar a fofocar com seus colegas sobre a identidade do garotinho e aonde o sr Malfoy o estava levando, todos haviam percebido que o menino não parecia nada feliz. O consenso final foi de que o garoto era o herdeiro Malfoy, devido às semelhanças físicas. Alguns dos empregados mais antigos eram familiares com a masmorra, mas não disseram nada, com receio de que o Malfoy mais velho descobrisse e reativasse o aposento que lá havia.

Aproximando-se de uma porta que talvez fora de madeira clara quando nova, mas que havia escurecido durante os anos, atingindo um tom negro, Lúcio murmurou uma senha que Drake não conseguiu ouvir, de tão alto que seu coração batia. A porta se abriu sozinha, revelando um aposento escuro e úmido, feito de pedra.

"Entre," Lúcio grunhiu, enquanto puxava a mão de Drake apenas para enfatizar o que dizia.

Drake não conseguiu conter um guincho enquanto era puxado para dentro do aposento frio. Ele estava tentando não olhar ao seu redor, mas não pôde se conter, pois nunca vira nenhuma dos objetos ali existentes.

Lúcio lançara um feitiço para acender as tochas nas paredes, dando ao aposento uma atmosfera lúgubre. Espalhados pelo aposento, diversos objetos pareceram assustadores para Drake; vários deles possuíam correntes e havia uma parede com diversos tipos de chicotes, bastões e outros objetos que ele não sabia identificar.

"Venha, Drake, vou te mostrar o que tenho aqui."

Drake seguiu Lúcio cautelosamente, adentrando ainda mais o aposento úmido. Ele estava indo em direção a um aparato particularmente amedrontador feito de madeira velha: havia três buracos na barra de cima e nas pernas, perto do chão, havia correntes com algemas enferrujadas nas pontas.

"Você sabe o que é isto?"

"Não, avô."

"Você nunca viu um, nem mesmo em um livro de histórias?"

"Não."

"Bem, por que eu não te mostro como ele funciona?" Lúcio sugeriu em um tom que poderia ser tido como generoso, não fossem as circunstâncias.

Drake olhou cuidadosamente o aparato antes de concordar hesitante. "Tudo bem."

"Venha aqui."

Drake se postou na frente da estrutura. Lúcio acenou a varinha e a barra de cima se abriu ao meio, abrindo-se de um lado, Drake podia ouvir as velhas dobradiças reclamando.

"Bem, aproxime-se, garoto."

Drake se aproximou um pouco, mas não o suficiente para agradar Lúcio, pois ele agarrou o garoto trêmulo pelo ombro, trazendo-o contra a madeira.

"Eu disse que ia te mostrar isto. Agora, ponha as mãos aqui e o pescoço no buraco maior," Lúcio instruiu.

Drake, sem se atrever a desafiar seu avô, com medo de piorar o seu castigo, obedeceu. Assim que seu pescoço encostou na madeira, Lúcio o prendeu com a mão enluvada, segurando-o no lugar. Com outro aceno de sua varinha, a parte de cima se fechou, prendendo Drake instantaneamente.

Os olhos de Drake se arregalaram em pânico quando Lúcio prendeu cada um de seus pés a uma corrente.

"Agora, você sabe como este aparato se chama?"

"Não, avô," Drake respondeu com uma voz apertada.

"Isto é um tronco, e é usado para conter pessoas que precisam ser punidas." Lúcio observava atentamente a expressão de Drake. Ele estava surpreso pelo fato do garoto ainda não ter começado a gritar; embora parecesse querer, e isto intrigou Lúcio, qualquer criança daquela idade já teria cedido.

Lúcio foi até a parede onde estavam os chicotes e outras parafernálias. Escolhendo um chicote particularmente grosso, ele se postou diante de Drake, se certificando de que o garoto podia ver o chicote claramente.

"Você sabe o que é isto?" Lúcio brandiu o chicote diante de seus olhos.

Drake pareceu petrificado enquanto dizia engasgado, "Um chicote."

"Correto," Lúcio disse em voz arrastada enquanto estalava o chicote diante de seu rosto, fazendo com que Drake se encolhesse involuntariamente, não que ele pudesse se afastar naquele momento.

Lúcio sorriu com desprezo, "E você sabe para que eu uso isto?"

"Não," Drake guinchou.

Lúcio estava estarrecido; o garoto ainda não havia cedido, e ele estava ficando sem opções.

"Se me lembro bem, este chicote encontrou-se pela última vez com o seu pai quando ele fugiu da sua avó enquanto ela fazia compras no Beco Diagonal."

Drake emitiu um som estrangulado. Finalmente, Lúcio pensou que o som se intensificaria, mas então o garoto preso no tronco silenciou. Cada vez mais frustrado com a recusa do garoto em ceder, Lúcio deu a volta nele. Ele ergueu o chicote e o trouxe ao chão bem próximo do bumbum vulnerável do garoto, sorrindo satisfeito quando Drake soltou um uivo de medo e tentou se afastar para evitar o chicote, que nem encostara nele.

"Você não vai aceitar sua punição como um homem?" Lúcio rosnou para ele. Não faria mal algum continuar por mais algum tempo, apenas para reforçar a sua posição.

Drake estava tão aterrorizado que não conseguia falar; em vez disso, tudo o que podia ser ouvido eram uivos de terror. Lúcio permaneceu atrás dele por um momento, ouvindo o garoto tentar implorar para não ser chicoteado. Finalmente admitindo que o garoto já tivera o suficiente, ele se postou diante dele. Ao ver Lúcio diante de si, Drake começou a ir para trás em uma tentativa desesperada de se libertar. Lúcio acenou a varinha e murmurou o encantamento que faria com que Drake fosse solto.

Ele estava puxando com tanta força que, quando a barra de cima se abriu, foi voando para trás, aterrisando no chão frio de pedra. Ele se arrastou para trás, a fim de ficar o mais longe possível de seu avô.

Lúcio sorriu e atravessou o aposento para se postar diante do garoto.

"Levante-se," Lúcio rosnou.

Drake pareceu quase incapaz de obedecer; seus movimentos para trás não haviam cessado, e seu olhar estava fixo no outro bruxo.

Ficando impaciente, Lúcio puxou seu neto para que se levantasse. Assim que os pés de Drake tocaram o chão, ele continuou a recuar, até que estivesse contra a parede e Lúcio estivesse perigosamente perto.

Lúcio se inclinou, se certificando de que tinha contato visual com Drake. "Agora você sabe do que sou capaz e, caso você fuja de alguém durante um passeio, pode ter certeza de que o chicote não errará."

Drake encarou os olhos de mercúrio de seu avô; ele tremia profusamente e era incapaz de controlar o seu choro alto.

"Você entendeu?"

Drake só conseguiu assentir.

"Ótimo, agora eu sugiro que você se recomponha para que possamos encontrar o seu pai."

Drake levou um certo tempo até conseguir algum controle sobre suas emoções. Quando ele conseguiu, Lúcio pegou sua mão e começou a conduzi-lo para fora do aposento.

"Você não contará a ninguém sobre esta pequena discussão."

"Sim, avô," Drake respondeu baixinho.

Lúcio sorriu; ele duvidava de que Drake o contestaria novamente.


Os funcionários da Propriedades Malfoy foram bastante cautelosos para não deixar que Lúcio percebesse seus olhares de pena para Drake enquanto o par voltava para o escritório principal. Todos perceberam que o pequeno garoto chorara e não tinham dúvida alguma de que seu chefe implacável punira seu neto de uma forma bárbara.

Draco estava andando em círculos no escritório de seu pai quando Lúcio e Drake reapareceram.

Olhando cuidadosamente para Drake, ele disse para Lúcio, "Vocês demoraram."

"A mãe dele foi de que Casa em Hogwarts?"

Franzindo a testa, Draco não entendeu o que a Casa de Ginny em Hogwarts tinha a ver com as presentes circunstâncias, mas respondeu ainda assim. "Grifinória."

"Foi o que pensei," ele disse e então acrescentou enquanto entrava no escritório, "Coragem estúpida."

Draco meramente arqueou uma sobrancelha, implorando para que seu pai explicasse, mas recebeu apenas um aceno quase invisível de cabeça.

Lúcio ergueu o olhar depois de se sentar atrás da escrivaninha. "Talvez você possa levar Drake ao lavatório; ele precisa lavar o rosto. Tenho algumas coisas a resolver, e então podemos mostrar o prédio para ele."

"Muito bem, vou levá-lo para o meu lavatório pessoal. Nos vemos em breve," Draco concordou prontamente, visto que isto lhe daria a oportunidade de verificar se Drake estava bem sem Lúcio bafejando em seu pescoço, e talvez influenciando as palavras de Drake com a sua presença. "Venha Drake, vamos para o meu escritório."

Draco levou seu filho até seu escritório, assentindo apenas para sua secretária antes de fechar firmemente a porta atrás de Drake.

"Antes de mais nada, venha se sentar aqui," Draco indicou um sofá.

Drake foi até o sofá e subiu no lado mais distante. Draco o observou enquanto ele se virava e se sentava, esperando quase nervosamente.

Draco se sentou perto de Drake. "Você está bem?"

"Sim."

"Tem certeza? Você pode me contar o que quiser, você sabe."

"Não posso, o avô disse."

"Sei- bem, você sabe, acho que ele não se referia a mim."

"Ele disse para não falar para ninguém."

Suspirando pesadamente, Draco teve de admitir: ele certamente estava de bico fechado. "Olha, me conte, Drake, e prometo que não vou dizer a ele; não tem como ele descobrir."

Drake olhou ceticamente para seu pai. Ele estava dividido entre despejar tudo o que acontecera na masmorra e ficar de boca fechada, com medo de agravar seu avô, para que ele não cumprisse a promessa de punição física.

"Vamos, Drake, ele não saber que você me contou, e, se ele descobrir, vou proibi-lo de te punir."

Drake olhou esperançosamente para Draco. Ele podia realmente vetar um castigo?

"Drake, eu sou o seu pai, você só recebe um castigo se eu deixar."

Os olhos do garoto se arregalaram com o comentário. Seu pai havia permitido sua punição, e agora ele queria falar sobre isso.

Draco observou a expressão amedrontada se intensificar no rosto de Drake e se perguntou, brevemente, o que provocara tal reação antes de perceber o que dissera.

Chutando-se mentalmente, Draco inspirou e tentou formular uma explicação.

"Drake, eu- eu quero saber como o meu pai te puniu. Eu de fato aprovei alguma forma de punição, pois você se comportou mal, mas há apenas duas pessoas que sabem o que aconteceu naquele aposento, e eu quero a sua versão dos fatos."

Drake respirou fundo, trêmulo. "Tinha um tronco, acho que era esse o nome que o avô disse, e ele... Ele me prendeu lá." Respirando fundo novamente ele se forçou a não chorar. "E ele pegou um chicote na parede..."

"Quê? Merlin, Drake, ele não te chicoteou, chicoteou?"

"Não, Papai, mas por pouco. Eu senti as minhas vestes se mexerem quando o chicote passou."

Um suspiro de alívio escapou de Draco. "Graças aos céus, mais alguma coisa?"

"Ele disse que se eu fugisse de novo, o chicote não ia errar," o garoto murmurou em uma voz trêmula.

"Mmm... Então ele não te machucou?"

"Não, papai."

"Mas ele te assustou?"

Drake assentiu levemente. Draco pensou cuidadosamente antes de continuar.

"Drake, você tem de tomar cuidado para não contrariar o meu pai. Embora ele te ame muito, ele não hesitaria em te punir por alguma travessura, e as punições dele são severas- não são algo que eu quero que você tenha de suportar. Você promete que vai se comportar melhor daqui em diante?"

Quando Drake ergueu o olhar, uma lágrima deslizou por seu rosto, "Eu prometo, papai."

"Bom garoto, venha aqui." Draco puxou seu filho para o seu colo e permaneceu com ele por algum tempo.


Algum tempo depois, Lúcio entrou em seu escritório, sem bater, imediatamente observando a cena diante de si; Draco ainda estava no sofá com Drake no colo.

Ele franziu a testa em desaprovação. "Não me parece que Drake já tenha ido ao banheiro."

"Não, pai, ele não foi; nós estamos conversando."

"Certo," Lúcio sorriu, fazendo com que Drake se encolhesse contra Draco.

"Drake, por que você não vai lavar o rosto? Quando estivermos prontos, vamos levar você para conhecer a empresa," Draco sugeriu gentilmente.

Draco esperou até que a porta do banheiro se fechasse antes de se levantar para encarar Lúcio. "Você o assustou."

"Creio que era esse o objetivo."

"Não tanto assim, ele realmente está com medo de você."

"Vou reparar esta situação antes do fim do dia- foi por isso que sugeri que o garoto passasse o dia conosco.

"Você realmente acha que ele vai aceitar isso- você não pode comprá-lo, ele não é a Angel."

"Sei perfeitamente com quem estou lidando, Draco. Ele é teimoso, mas eu sou mais."

"Pai, eu odiaria que você arruinasse o seu relacionamento com o Drake por causa desse orgulho estúpido."

Lúcio desdenhou, "Orgulho- não lhe faria mal algum se você tivesse mais."

"Eu sinceramente acho que você tem o suficiente para nós dois, pai," Draco retrucou em voz arrastada.

"Você vai aprender, talvez tarde demais, que não é saudável atender todas as vontades de uma criança, e é melhor um castigo severo do que muito que não surtem efeito."

"Bem, espero que você esteja certo."

"Eu estou certo, Draco- confie em mim; ele vai perdoar, mesmo que esteja com medo de mim no momento. Além disso, não fará mal algum a Drake se preocupar com o que sou capaz de fazer- isso pode ajudar a evitar futuros incidentes."

"Você deve rezar para que ele não mencione a pequena discussão que teve com você para seu tio ou padrinho; eles são Aurores."

"Ele é um Malfoy- não vai espalhar segredos familiares."

"Vai rezando."

Drake abriu a porta do banheiro, "Papai, estou pronto."

"Ótimo. Podemos começar então?" Draco respondeu, olhando para seu pai.

Lúcio sorriu, "Sim, podemos."

Os três Malfoy saíram do escritório de Draco, começando o passeio pelos últimos andares do prédio. Lúcio apresentou Drake a todos os chefes de departamento e alguns outros funcionários favorecidos pelo patriarca Malfoy. Todos foram polidos com o garoto, e com bons motivos: a empresa seria dele algum dia.

Após almoçarem em um pequeno restaurante, Lúcio insistiu em achar um presente para agradar Angelique. Depois de muita discussão, os três bruxos acabaram por entrar na joalheria, selecionando algumas peças caras.

Lúcio apanhou uma pulseira de platina; observando seus enfeites delicados, percebeu que cada um deles era ornado por um rubi.

Lúcio olhou para a atendente. "Quero este com esmeraldas em vez de rubis."

"É claro, senhor, quer que eu prepare?"

"Sim, vá em frente e, enquanto faz isso, adicione o brasão Malfoy aos enfeites."

"Como quiser, senhor."

"Virei buscar à tarde."

A atendente empalideceu, mas concordou.

Eles passaram a tarde terminando o passeio pela Propriedades Malfoys, conhecendo mais pessoas polidas e apertando mais mãos. Drake estava ficando um pouco cansado dos olhares que recebia e sabia que a grande parte das pessoas que conhecera só fora educada com ele por causa de seu avô. Ele ficou muito feliz quando seu pai anunciou que era hora de voltar para casa.


Draco aparatou com Drake no jardim dos fundos da Toca, logo na porta. Draco ficou imediatamente alarmado com o silêncio da casa.

"Drake, acho que não tem ninguém em casa."

Drake correu para a escada. "A mamãe deve estar lá em cima."

"Talvez," Draco murmurou pensativamente.

Alguns minutos depois, Drake voltou para a cozinha, "Mamãe não está aqui."

"Talvez ela tenha ido para o hospital," Draco sugeriu.

"Você vai ficar comigo, papai?"

"O que você acha de irmos para a Mansão e esperarmos lá?"

"Mas como a mamãe vai ficar sabendo que estou lá?"

"Vou deixar um bilhete," Draco informou. "Agora, você sabe onde tem pergaminho e penas?"

"Acho que ali naquela gaveta."

Draco foi até as gavetas que Drake apontara e abriu cada gaveta até achar o que precisava. Sentando-se à mesa da cozinha, Draco alisou o pergaminho e mergulhou a pena no tinteiro.

Querida Gin,

Presumo que você esteja no St. Mungo's, não se preocupe com o Drake. Vou levá-lo para a Mansão e ficar com ele durante a noite. Me chame via Flú quando chegar, não importa a hora.

Com amor,

Draco

Tampando o tinteiro, Draco o pôs em cima do pergaminho, bem como a pena, na esperança de chamar a atenção para aquele pequeno bilhete, e Ginny não ficasse preocupada com Drake.

Sorrindo para seu filho, Draco pensou que aquela era a primeira decisão que tomava sozinho com relação aos filhos, e se sentiu bem com isso. "Pronto?"

"Pronto."

"Ótimo, vamos então."

Eles foram até a porta dos fundos, mas pausaram antes de abri-la quando ouviram dois estalos de aparatações. Ouvindo a maçaneta girar, Draco puxou Drake para fora do caminho enquanto Rony escancarava a porta para que Pansy entrasse.

"Seu idiota- você quase derrubou o Drake," Draco atacou assim que o ruivo entrou em seu campo de visão.

Rony franziu a testa para o loiro, "Quê?"

"Não passou pela sua cabeça que poderia ter alguém atrás da porta, prestes a sair da casa?"

"Nope, considerando que não deveria ter ninguém aqui."

"Drake, vamos, não estou com paciência para lidar com esse imbecil hoje. Pansy," Draco acenou a cabeça em cumprimento à bruxa.

Draco fez que ia sair, mas a mão de Rony agarrou seu braço.

"E aonde você pensa que vai com o meu sobrinho?" Rony rosnou.

Draco encarou seu velho inimigo. "Estou levando o meu filho para a Mansão, visto que a mãe dele não está aqui."

"Bem, eu estou aqui agora, Drake pode ficar comigo," Rony respondeu enquanto soltava o braço de Draco e fazia pose de importante.

"Acho que não."

"Estou dizendo, Malfoy, se você levar o meu sobrinho a algum lugar, vai haver problemas."

Erguendo uma sobrancelha para seu rival, Draco sorriu friamente. "Problemas? Eu realmente acho que é você que vai ter problemas se tentar me impedir de levar meu filho."

Draco deu outro passo em direção à porta.

"Estou te avisando, Malfoy."

"Rony, eu realmente acho que..." Pansy começou, mas foi prontamente interrompida por Draco; parecia que os dois haviam esquecido que ela estava no aposento.

"Você pode me avisar o quanto quiser, Weasley; não fará diferença alguma- vou levar Drake comigo para a Mansão. Ele ficará lá até que a mãe dele me diga o que fazer. Deixei um bilhete para a sua irmã em cima da mesa- faça com que ela o veja," Draco estava se irritando rapidamente enquanto sorria em desdém para o irmão de Ginny. "Venha, Drake."

Drake se aproximou de seu pai. Ele ouvira o tom de sua voz e não era estúpido o bastante para desobedecê-lo quando ele soava como seu avô quando estava furioso.

Rony agarrou a mão de Drake. "Você vai ficar aqui comigo e com a sua tia Pansy."

Draco apanhou sua varinha e a apontou para o coração de Rony. "Solte o meu filho agora," ele disse em uma voz perigosamente baixa.

Rony se virou lentamente para olhar Draco de frente; ele fora treinado para tais circunstâncias, mas com Drake no caminho ele não podia pôr seu treinamento em prática. Em vez disso, ele soltou o braço do garoto, vendo um sorriso provocador surgir no rosto de Draco. Enquanto obedecia, Rony não pôde conter sua reação.

Sem ter afastado muito a sua mão de Drake, ele mergulhou para a frente, desviando rapidamente da varinha de Draco, e empurrou o garoto para longe, ao mesmo tempo em que apanhava sua varinha, prontamente se afastando para ter mais espaço.

"Ronald Weasley!" Pansy gritou com ele.

Ignorando a mulher, Rony não tirou os olhos do bruxo loiro, que fora o primeiro a sacar sua varinha. "Vamos, Malfoy- quer duelar?"

"Você vai pagar por isso, Weasel," Draco rosnou, os dentes cerrados.

Embora quisesse desesperadamente ver como seu filho, que chorava, estava, Draco manteve contato visual com o homem que o desafiara. Ele não queria duelar dentro da casa e certamente não diante de seu filho, caso o duelo ficasse perigoso demais, mas ele não parecia ter escolha.

Rony lhe deu um sorriso de desprezo. Draco ficou estarrecido ao observar o Auror- ele quase conseguia ver o processo de pensar acontecendo e não ficou surpreso quando o bruxo gritou, "Estupefaça."

Desviando-se facilmente, Draco retaliou rapidamente. "Expelliarmus."

"Protego. Rictusempra."

"Protego. Petrificus Totalus."

"Protego."

"Incarcerous." Cordas grossas voaram da varinha de Draco e se enrolaram ao redor de Rony, prendendo-o efetivamente. Draco não parou ali, "Expelliarmus. Petrificus Totalus."

O corpo alto de Rony caiu no chão como uma tábua de madeira e Draco se postou acima dele.

Dando um sorriso maldoso enquanto apontava a varinha para o peito do Auror, ele rosnou, "Você sabe, Weasel, já tive o suficiente vindo de você. O que você acha de acabarmos com isso agora?"

Os olhos de Rony se moviam rapidamente de um lado a outro; era como se ele pudesse ler os pensamentos de Draco.

"Avada..."

Pansy se adiantou e agarrou a varinha de Draco, apontando-a para longe de seu namorado. "Draco, guarde a sua varinha. Não precisamos ir tão longe," ela disse em tom neutro.

"Muito pelo contrário, Pansy. Estou cansado desse babaca e tenho toda a intenção de resolver o meu problema."

"Draco, realmente, usar uma Imperdoável em um Auror- você quer passar o resto dos seus dias em Azkaban, isso é, claro, se o Harry não te matar enquanto te prende."

"Pans..."

"Olha, vai com o Drake para a Mansão. Eu falo para a Ginny onde vocês estão."

Ele suspirou pesadamente, "Tudo bem."

Draco foi até seu filho, que ainda soluçava, pegou-o no colo e deixou a casa, desaparatando para a Mansão assim que chegou ao jardim.

Após chegar quase que instantaneamente na entrada da Mansão, Draco continuou com Drake no colo enquanto ia até a sala de inverno de sua mãe. Lúcio e Narcisa já estavam de pé e indo em direção à porta quando ele entrou na sala.

"O que aconteceu?" Lúcio exigiu.

"Um encontro com Rony Weasley; ele jogou Drake no chão. Mãe, você pode checá-lo e realizar os feitiços necessários?" Draco explicou brevemente enquanto colocava Drake gentilmente em uma cadeira.

"É claro, querido," Narcisa foi até seu neto, a varinha na mão.

"Onde está Angelique?" Lúcio perguntou rispidamente.

"Com a Ginny, pelo que sei. Nós chegamos na Toca e não tinha ninguém. Estávamos quase de saída quando Rony e Pansy apareceram."

Ajoelhando-se diante da cadeira onde Drake estava, Narcisa olhou o garotinho atentamente. "Drake, querido, você pode me dizer onde está doendo?"

"Meu braço, minha perna e aqui do lado," Drake apontou cada área dolorida em seu corpinho.

"Tudo bem, querido. Vou passar a varinha por você só para ver qual é o problema."

Drake assentiu e limpou o nariz na manga de sua veste.

Narcisa passou a varinha pelo corpo dele e usou o seu conhecimento de feitiços médicos para ajudar a aliviar a dor. Ela ficou aliviada ao não encontrar nenhum osso quebrado; parecia haver apenas escoriações e talvez um pouco de choque.

Narcisa sorriu calorosamente para seu neto. "Você está melhor agora, querido?"

"Sim, obrigado, avó."

"Ótimo, bem, acho que talvez seja bom você tomar um banho quente e então podemos jantar. Pelo que entendi, você teve um dia cheio hoje."

Narcisa se levantou e estendeu a mão para Drake; ele ergueu os olhos, que estavam cheios de lágrimas.

"Eu quero a minha mamãe," ele disse com dificuldade enquanto lágrimas lhe escorriam pelo rosto.

Draco se aproximou imediatamente. "Hey, Drake, eu estou aqui e a sua mãe vai entrar em contato assim que chegar em casa, okay?"

"Mas ela não vai fazer isso se estiver brava porque você duelou com o tio Rony."

Draco sorriu, "Ah, ela vai entrar em contato sim, nem que seja só para gritar comigo."

"Mmm... Ela gosta de gritar quando fica brava."

"É, eu acho que tem algo a ver com o cabelo."

Drake franziu a testa, não entendendo a referência ao cabelo de sua mãe.

"Vá com a sua avó e tome o seu banho."

"Sim, papai."

Drake pegou a mão de Narcisa e deixou que ela o conduzisse para fora da sala.

Lúcio esperou até que tivesse certeza de que não seria ouvido por Narcisa e Drake antes de se virar para Draco.

"Houve um duelo?"

"Sim," Draco suspirou e explicou detalhadamente os eventos que haviam tomado lugar.

Lúcio ouviu em silêncio durante a maior parte da narrativa, mas não pôde se conter por um momento. "Você ia matá-lo?"

Draco passou uma mão pelo cabelo de forma brusca, "Ia, mas a Pansy me impediu."

"Na frente do Drake, você ia matar o tio dele?"

"Sim, pode começar, pai, pode dizer como eu fui estúpido e irresponsável- eu perdi o controle," Draco gritou frustrado.

"Eu estava meramente sugerindo que talvez tivesse sido prudente mandar o garoto para outro aposento."

"Quê?"

"E sempre é uma boa idéia fazer com que tudo pareça um acidente ou uma morte natural para evitar Azkaban."

Draco apenas sacudiu a cabeça em descrença enquanto seu pai sorria.


Drake não comeu muito durante o jantar, apesar das tentativas de Narcisa. Lúcio dissera a ela que não se atarantasse muito com o garoto- ele provavelmente estava cansado depois do dia que tivera, e estava certo; não muito após a família ter se acomodado na sala de estar, a cabeça de Drake começou a pender.

"Drake, é hora de ir para a cama, despeça-se de todo mundo," Draco lhe disse gentilmente.

"Eu ainda não estou cansado, papai."

"É por isso que você está quase dormindo sentado. Vamos, despeça-se."

"Sim, papai," Drake resmungou enquanto se levantava de sua cadeira e foi até seus avós, desejando-lhes boa noite.

Draco esperou pacientemente enquanto seu filho fazia as despedidas se arrastarem e então o levou até a sua suíte.

"Papai?"

Draco estava ajeitando os cobertores ao redor de seu corpo. "Sim?"

"Você não gosta muito do tio Rony, né?"

Draco empalideceu, "Umm... As coisas são um pouco complicadas entre seu tio e eu."

"Por quê?"

"Aconteceram algumas coisas há muito tempo, antes de você nascer, e acho que nenhum de nós dois está disposto a esquecê-las.

"Oh."

"Você está bem agora?"

"Sim."

"Ótimo, te vejo pela manhã."

"Boa noite, papai."

Draco se virou e só conseguiu chegar até a porta.

"Papai?"

"Sim, Drake?"

"Você quase usou o Avada no tio Rony."

Draco se encolheu; ele se perguntou brevemente como é que seu filho sabia sobre uma Imperdoável antes de lembrar que o garoto ainda esperava uma resposta. "É, foi um pouco bobo da minha parte."

"É."

"Onde você aprendeu sobre esta maldição?"

"Eu ouvi o tio Harry e o tio Rony falando dela um dia."

"Certo," Draco respondeu, fazendo uma anotação mental para avisar os dois Aurores para que tomassem mais cuidado com quem podia estar escutando enquanto eles discutiam tais assuntos.

"Boa noite, papai."

"É, boa noite, Drake."

Enquanto Draco fechava a porta do quarto, ele quase deu de cara com Lúcio.

"Ginevra está esperando para falar com você na sala de estar."

"Ela está aqui?"

"Não, via Flú."

"Obrigado, pai," Draco disse enquanto se apressava a descer as escadas.

Lúcio, com muito cuidado, abriu um pouco a porta e permaneceu ali, observando seu neto adormecer; um sorriso caloroso agraciando suas feições.

"Gin."

"Oh, Draco."

"Você foi para o hospital durante a tarde?"

"Sim, Katie teve alguns problemas."

"Oh... umm... Ela está bem agora?"

"Sim, ela está bem, e os bebês também."

"Bebês?"

"Gêmeos, Pippa e Scarlett."

"Meninas, dê a ela os parabéns por mim."

"Pode deixar."

"Acabei de colocar Drake na cama; ele teve um dia cheio."

"Sim, a Pansy me contou."

"É... Olha, Gin, eu sinto muito, perdi o controle- foi um péssimo exemplo para o Drake."

"Sim, foi, ele está bem?"

"Sim, ele está bem."

"Pansy disse que o Rony o empurrou."

"Ah, sim, minha mãe cuidou disso. Acho que ele estava mais chocado que realmente machucado."

"Imagino. Ele nunca tinha visto um duelo antes. Ele só tinha visto os garotos se divertindo. Pansy disse que foi um tanto intenso."

Draco franziu a testa, era como se ela não soubesse que ele quase matara o irmão dela, mas ela teria de ser informada; ele não conseguia imaginar que o Weasel ficara quieto.

Engolindo com dificuldade, "Eu quase o matei."

Ginny sorriu levemente, "Eu sei, ele me contou, e fico feliz por você me contar."

"Você quer dizer que eu estou perdoado?"

"Eu não disse isso. Vou dar a você o mesmo tratamento que dei ao Rony quando descobri o que havia acontecido, mas isso vai ter de esperar até eu te ver e estar menos exausta."

"Por que você não vai para a cama, amor?"

"Eu quero. E o Drake?"

"Ele está dormindo. Eu o levo até aí amanhã antes de ir para o trabalho."

"Obrigada."

"Agora vá para a cama, bruxa; você está com uma aparência horrível."

"Pode deixar... Ah, tinha uma coruja esperando pela Angel quando chegamos em casa. Você não sabe nada sobre isso, sabe?"

"Bem, mais ou menos. Meu pai mandou uma pulseira para ela por ter tido de ficar em casa."

"Draco, eu vi a pulseira, e ela é... É de verdade."

"Claro que é."

"Mas ela só tem..."

"Deixe-a aproveitar, Gin; ele escolheu a pulseira com muito cuidado, e insistiu que o brasão da família fosse acrescentado ao desenho original."

"Eu tenho medo de que ela perca a pulseira."

"Não se preocupe, não importaria se isso acontecesse. Meu pai simplesmente daria outra."

"Draco..."

"Shh... Boa noite, amor."

"Tudo bem, boa noite. Te vejo pela manhã."

"Bem cedinho."