O chamado

Severus olhava furioso como Dumbledore continuava calado sem se explicar. Começava a perder sua paciência, não suportava que as pessoas se fizesse a interessante e não achava nenhum razoamento lógico para aquele estúpido comentário.

— Não vai dizer nada? —lhe repreendeu molesto. — Em todo caso, será melhor que me retire não tenho tempo que perder, Albus.

— Inquieta-me ver-te tão à defensiva, Severus, mais que nunca.

— Supõe que devo me ficar tranquilo enquanto nos ameaça?

— Eu jamais os ameaçaria. Em fim, não acho que possa o entender agora… A onde foram esta manhã, Severus? —perguntou conseguindo que o Professor ficasse em seu lugar.

— Já sabe, a Hogsmeade.

— É verdadeiro, sei-o. Faz aproximadamente uma hora recebi uma coruja da dona de uma loja. Ao que parece uns desconhecidos fizeram uso de seus números de conta para liquidar certa mercadoria que solicitaram seja enviada ao castelo… Uma mercadoria por verdadeiro muito suspeita para um colégio de adolescentes.

— Entendo, tem sido um grave erro de minha parte. —desculpou-se Severus mais tranquilo. — Porei mais cuidado para a próxima.

— Dantes jamais teria tido um descuido semelhante. Em fim, para valer espero que não se repita. Pedirei que seja cancelada a ordem.

— Não! —negou Severus com veemência. — Proibirei terminantemente que faças isso, Albus!

Dumbledore sorriu tristemente e voltou a sentar-se atrás de sua mesa, olhando como o Professor respirava agitado, como se estivesse assustado por algo terrivelmente ameaçante.

— Não pretendo lastimar a Harry. —assegurou Dumbledore. — Mas como justificaremos um berço no colégio?... sem contar claro, o desperdício que fizeram em artigos para bebê.

— Isso não importa a ninguém, pode dizer muitas coisas, as justificar como presente para alguém ou eu que sei, mas não permitirei que cancele essa ordem!

— Bem, isso farei, mas não me parece prudente que já estejam dando por fato que esse bebê será para vocês… Por direito, Weasley tem que ser tomado em conta.

— Para valer vai apoiá-los a eles e não a nós?

— Aceita que Draco não está emocionalmente capacitado para tomar uma decisão tão drástica, tem problemas ainda e não sabe o que está fazendo.

— Também não está emocionalmente capacitado para criar a esse menino e Harry e eu podemos o fazer.

— Talvez vocês também não o estejam. Deveria pensá-lo outra vez, Severus, verá que lhe dando gosto a Harry não é a forma de ajudar, pelo cedo eu tenho que te advertir que seguirei com meu apoio a Ronald Weasley.

— Faz o que considere pertinente… eu farei o mesmo.

Severus saiu do despacho deixando ao Diretor profundamente preocupado pela atitude do Pocionista, algo tinha que fazer para lhe ajudar a ver as coisas desde outro ponto de vista.

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Quando Severus regressou a sua habitação, Remus em seguida notou que algo passava e apressou a Sirius a se despedir. Ao ficar sozinhos, Harry olhou a seu casal sorrindo-lhe, não se esperava que este lhe abraçasse efusiva e possessivamente, quase surpreendendo pela força empregada.

— Que rico abraço, Sev, e não é que me queixe, mas a que se deve? —perguntou sentindo como o Professor lhe estreitava tão forte que parecia querer o introduzir baixo sua pele.

— A que te amo, te amo com loucura e vou lutar contra vento e maré contra todo aquele que pretenda te arrancar o sorriso.

— Obrigado, mas… que foi o que te disse Dumbledore para que te pusesses assim?

— Nada, tolices. Mas como parece estar apoiando sinceramente a Weasley, quero que saiba que não me deterá nem o fato de seu poder como pessoa ou como mago, lhe deterei no processo, Harry, e evitarei que te tire o que quer.

— Então é pelo do bebê?... Bom, não se preocupe, já escutaste o que disse Draco, cedo assinaremos e esse bebê será legalmente nosso.

Severus assentiu e afrouxou um pouco o abraço, mas permaneceu olhando o rosto sorridente de Harry por vários minutos, acariciando suas bochechas, em seus olhos adivinhava-se um profundo amor, um amor que era capaz de qualquer coisa por evitar que o sofrimento que vivia profundamente no coração de Harry se repetisse novamente.

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Draco correu novamente para a porta, tinha muito medo de que outra vez chegasse a decepção a sua alma quando se encontrasse com alguém que não fosse Ron. No entanto, agora não foi assim, o ruivo estava aí, e não pôde se conter, lhe abraçou pendurando de seu pescoço, tentando não notar que Ron mal lhe correspondia pese a que também não lhe apartava.

— Precisamos falar.

Draco assentiu e sujeitando da mão levou-lhe para o interior de sua habitação, assim que sentou-lhe em um dos cadeirões, ele ocupou o lugar sobre as pernas do ruivo e uniu seus lábios aos dele. Por uns segundos ambos decidiram não pensar em nada e somente se entregar a essa caricia. Suas línguas saudavam-se roçando-se e misturando suas umidades fazendo-os vibrar.

— Estranhei-te tanto. —sussurrou Ron ao ouvido de Draco depois de separar-se, este respondeu lambendo o lóbulo de sua orelha sedutoramente. — Também jogava muito de menos suas caricias, tudo de ti… e você?

O loiro Slytherin assentiu, não tinha nenhum desejo de se separar para usar seu varinha e poder pronunciar palavras, queria que com suas caricias e beijos fossem suficientes para lhe fazer ver ao ruivo quanto lhe amava, pese a que sua atitude podia dizer todo o contrário.

— Devo ir-me. Escapei-me um momento de meus pais, mas querem que regresse esta noite a casa com eles… não pude me negar.

Draco reagiu apertando-o mais fortemente, negando-se a soltá-lo enquanto olhava a porta como se fosse seu pior inimigo. Ron não queria se soltar também não, se sentia tão bem voltando a se sentir precisado por Draco, mas se sua mãe chegava ao descobrir era capaz de armar um rio e não queria mais dificuldades entre eles… após tudo, ainda tinha a esperança de que em um dia pudesse formar uma família com o loiro.

Finalmente Ron reuniu suas forças para separá-lo o mais delicadamente que pôde. Em seu caminho à porta não deixou de olhar, sentindo seu coração se fazer picado ao notar os olhos aguados de Draco o vendo partir desde seu lugar.

Ao ficar só, Draco apertou os punhos enquanto atrás dele, um jarro de porcelana saía voando pelos ares para ir a estrelar-se contra a parede. Nem sequer volteou a olhar a desordem, sua magia já se tinha demorado em se rebelar… Estava furioso com sua vida, com seu destino, com ele mesmo… Jamais deixaria de reprochar-se não se ter ficado aquela tarde nos braços de Ron, sua covardia para se enfrentar a Harry lhe arruinou suas ilusões. De não ter saído, agora seguramente estaria ditoso levando sua relação com Ron já à vista de todo mundo.

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Ao dia seguinte regressariam os alunos de Hogwarts, e quando Harry acordou abraçado de Severus, notou que este já se encontrava acordado e lhe olhava com doçura.

— Que horas são? —perguntou Harry sonolento.

— Falta pouco para as oito, se quer pode seguir dormindo, amanhã começam as classes e deve de estar totalmente reposto para elas.

— Não quero dormir e menos sabendo que amanhã deverei acordar em minha cama.

— Sei-o, gostaria que se mudasse para cá, mas ainda não é de conveniente.

— Entendo, não se preocupe.

Nesse momento tocaram à porta. Severus apressou-se a levantar-se colocando-se uma bata de dormir e foi para o despacho pois era por aí onde chamavam. Harry levantou-se rapidamente ao escutar que se tratava do berço que tinham pedido, e uns minutos mais tarde, conseguiam colocar em um lugar junto à cama.

— Para quando nasça o bebê já não estará no colégio, Harry, não te parece melhor ir buscando um lugar mais apropriado para começar nossa família?

— Claro, seria genial! Quando podemos o fazer?

— Não sei, talvez em algum fim de semana, ou quiçá até as férias de primavera.

Harry ia responder quando de repente Severus se levou a mão a seu antebraço esquerdo. O moreno de imediato abraçou-lhe temeroso.

— Sei que tens que ir, mas me promete que te cuidará, Sev.

— Por ti, regressarei a salvo. Amo-te.

Harry assentiu e muito a seu pesar teve que deixar que Severus se marchasse a cumprir seu labor de espião.

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Severus chegou à guarida, alegrava-se de levar a máscara de comensal colocada, pois nunca lhe tinha custado tanto poder reprimir um gesto nauseoso ao ver a seus colegas prostrados aos pés de Voldemort. Ainda que o que mais o revoltou foi ter que fazer o mesmo ocupando seu lugar na fileira.

Mal se ia inclinar quando um sinal do Senhor Escuro lhe impediu chamando a seu lado. O coração de Severus acelerou-se, aquilo lhe dava muito má espinha, sobretudo porque em seguida despediu aos demais comensais com a intenção de ficar a sozinhas com o Professor.

— Chegaram-me relatórios muito interessantes, Severus. —sibilou o monstro sujeitando ao moreno do queixo tirando-lhe a máscara. — Afirmam que te tens estado acercando demasiado a Potter, e segundo lembro, minhas ordens eram exatamente o contrário.

— Não o esqueci, Amo. —respondeu Snape com uma tranquilidade que a ele mesmo lhe surpreendeu sabendo o nervoso que se encontrava. — Mas tem sido uma indicação direta de Dumbledore… já sabe, quer estreitar laços entre seus aliados. —concluiu com um sorriso zombador.

— Já vejo… e em que tem consistido esse estreitamento de laços?

— Nada fora do comum, simplesmente fingir que nos levamos bem em frente aos demais.

— Como está atuando Potter ao respeito?

— Igual, fingindo que me suporta, mas não pode dissimular seu ódio, pelo menos não comigo.

Voldemort fez uma careta que tentou ser sorriso, Severus não pôde estar seguro de que lhe cria ou não, mas lhe tranquilizou que por fim lhe soltasse e caminhasse para seu trono onde se sentou cruzando as pernas. Sabendo o que isso significava, Severus conteve seu estômago e se prostrou a seus pés.

— Dá-me notícias de Draco Malfoy.

— Está grávido. —informou intencionalmente que o mago já devia o saber.

— Suponho que tens ideia de quem é o pai.

— Você, Meu Lord. —respondeu com lisonjeira.

— Bem… mas tenho entendido que teve alguém que se atreveu a tocar meu loiro. O labor de Lucius era averiguar de quem se tratava, mas depois de sua traição me temo que não será possível, averígue você, Severus, que quero fazer pedaços com minhas próprias mãos a esse impertinente.

— Assim o farei, Amo.

— Cuida de Draco, Severus. Como seu padrinho não será difícil que permaneça a seu lado, pelo menos por um tempo, depois o terei comigo para que juntos recebamos a nosso herdeiro.

Severus ocultou o calafrio que sentiu com as novas indicações, isso queria dizer sem lugar a dúvidas que Draco corria perigo, além de Ronald Weasley. Devia protegê-los a ambos lhes pondo sobre aviso, pelo menos em Hogwarts podiam estar a salvo.

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A seu regresso, Severus pôs ao tanto a Dumbledore, ele se encarregaria de aumentar as proteções sobre os alunos, em especial para Draco e Ron. Já não quis ficar muito tempo, ainda não se esquecia que tinha pendente visitar a Lucius, e para lá se dirigiu quando pôde sair do despacho de Dumbledore.

Draco sorriu ao vê-lo chegar e deu-lhe passo livre para o quarto de seu pai, este não tinha saído daí em horas, e preferiu os deixar a sozinhas para que falassem, esperando que Severus conseguisse o fazer reagir.

Severus não podia crer o que via, Lucius se encontrava em sua cama pese a ser mais de meio dia, nem sequer se tinha banhado e continuava com seu pijama posto.

— Nunca pensei que te veria assim. —comentou sentando na cama, apoiado sobre a cabeceira. — Ainda no colégio, quando entrava a tua habitação, assim fora em plena madrugada, sempre luzias impecável.

— Não venha a me repreender como se fosse um menino pequeno, não estou de humor, Severus.

— Já me dei conta disso. É patético dás-te conta?... Você, Lucius Malfoy, deprimido por amor.

— Severus, volta comigo.

— Sim, claro, agora mesmo lhe vou dizer a Harry que se esqueça de mim porque você anda deprimido. —caçoou intencionalmente que o loiro também o fazia.

— Que tem esse menino que não tenha eu?

— Deixemos de falar de Harry que te vou a entristecer mais com minha felicidade

— Eu nunca pensei que se sentisse tão mau perder a alguém. —comentou depois de sorrir amargamente. — Pensava que era fácil terminar uma relação e seguir com outra… mas agora preferiria ter morrido em mãos do Senhor Escuro, Severus. O que seja com tal de não sentir o que estou sentindo!

— Abstende de melodramas, agora é melhor que te esqueça um pouco de Lupin e te enfoques em teu filho.

— Chamou-te, verdade? —perguntou incorporando-se esquecendo por um momento seu problema com Remus. — Senti o chamado também.

— Sim, e segue encaprichado com Draco, e isso é o que mais me preocupa… Se tão só quisesse ao bebê saberíamos que o move uma razão de estratégia, mas se envolve caprichos ou sentimentos, o assunto se torna ainda mais grave.

— Achas que alguém como ele possa se apaixonar?

— Não o cria, mas se tivesses visto o ódio que notei em sua mirada ao referir ao traidor que ousou tocar a Draco antes, então também duvidaria.

— Não quisesse estar na pele de Weasley quando se inteire.

— Sei-o… eu também não.

Severus sentiu-se mais tranquilo quando viu a seu amigo se pôr de pé para banhar-se e se mudar de roupa, agora lhe via mais interessado em estar cerca de seu filho e lhe proteger.

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Essa noite, Severus sorria lisonjeado quando Harry lhe abraçou no meio de sua habitação e se negava terminantemente ao soltar.

— Harry Potter, tens que ir a esse jantar.

— Não quero. —grunhiu fazendo um bico adoravelmente infantil. — Quando saia daqui já não sei quando poderei voltar e não quero me separar de ti.

— Por isso não se preocupe, te castigarei durante a primeira classe que tenhamos.

— É até dentro de três dias!... Não quero ir, não quero e não irei!

— E daí pensa fazer?

— Não te soltar. —respondeu levantando sua mirada para sorrir-lhe. — Te manterei preso de mim até a eternidade.

— Soa tentador, mas não é possível pelo menos por esta noite… Eu devo estar presente ao jantar para dar as boas-vindas a meus alunos.

— Eu também sou teu aluno… porque não fica a me dar uma despedida?

Severus sorriu, não podia lhe dizer que não, era impossível o fazer, desde fazia tempo que Harry era mais que dono de seu coração, também sua vida e sua vontade lhe pertenciam. Sustentando lhe em seus braços levou-lhe para a cama, Harry riu contente de ter-se saído com a sua.

— Amo-te. —suspirou Harry recebendo os beijos de Severus, e suas mãos acariciavam apaixonadas o rosto do Pocionista.

Severus emitiu algo parecido a um "Eu mais", mas sua língua se encontrava demasiado ocupada como para se preocupar por uma excelente dicção. A Harry não se importou, podia sentir sua resposta na cada beijo e na cada roce de suas peles. Gemeu ao sentir a mão de Severus deslizando-se baixo suas calças para acariciar seu membro já erguendo-se. Nem conta deu-se quando o homem tinha baixado sua roupa também e conseguiu que ambos pênis se roçasse.

Harry se arqueou ante esse contato, rodeou a Severus com braços e pernas de maneira por demais possesiva, desfrutando enormemente quando o Professor começou a mover os quadris ritmicamente simulando frenéticas investidas.

— Deus… Sev!

Ansioso, Harry levou suas mãos para suas entrepernas e apertou fortemente ambas durezas. Severus gemeu um pouco ante a dor que lhe provocou a brusquidão do menor, este compreendeu e mitigou um pouco sua intensidade para desfrutar mais. Realizou movimentos circulares alternando-o com ascendentes, feliz de ver como Severus fechava os olhos em sinal de goze e suas bochechas transbordavam cor.

— Já podemos ir a jantar? —perguntou Severus com a respiração entrecortada depois de que ambos chegassem a um orgasmo em comum.

— De acordo. —aceitou resignado. — Mas faz favor, busca-te um pretexto para castigar-me em seguida, Sev.

— O farei na classe, te prometo. Não posso o fazer antes porque então lhe corresponderia a Minerva ter em seu despacho.

— Oh não, isso não! —exclamou com um sorriso travesso.

Uns minutos mais tarde, Harry chegava a seu lugar na mesa. O salão encontrava-se já transbordante de alunos e professores, regressava a algaravia ao ambiente escolar. Olhou a todos, conversando e rindo, se saudando como se tivessem passado meses. Um nodo formou-se em sua garganta, também para ele parecia que tinham passado séculos. Quando os despediu, ele tinha uma esperança tão formosa crescendo em seu interior.

Levou sua mão a seu ventre, acariciando lhe com profunda dor, sem poder crer ainda que já não tinha nada ali adentro. Ninguém a seu redor podia se imaginar o que sentia, nem sequer aqueles que estavam inteirados de sua desgraça. A seu lado, Hermione tomou-lhe a mão suavemente. Voltou-se a olhá-la e ela lhe sorriu.

— Não esteja triste… se vão dar conta.

— Descuida, já estou bem. —respondeu correspondendo a seu sorriso. — E Ron?

— Regressou no Expresso, mas preferiu ficar em sua habitação, acho que pensava ir visitar a Draco.

Harry assentiu e já não perguntou nada mais. Quis concentrar-se em comer, mas não tinha fome. Desde sua mesa, Severus observava-lhe cuidadosamente, sofreu ao notar seus olhos verdes contendo as lágrimas e agora estava preocupado de ver revolver sua comida sem se levar nada à boca.

Ia levantar-se para ir por ele, quando o braço de Albus lhe reteve em seu assento.

— Que sucede?

— Não vá, Severus. —disse-lhe em um tom que não admitia réplicas. — É comovedor que se apoiem em tudo, mas estão sendo demasiado dependentes um do outro… Harry também deve pôr de sua parte para sobrepor-se.

— É demasiado jovem para deixá-lo sozinho!

— Não te peço que lhe deixe só… tão só lhe dá a oportunidade de tentar sair à superfície por si mesmo.

Severus não estava conforme com essa explicação, quis se obrigar a não mover de seu lugar, mas era demasiado difícil, e mais vendo como Harry finalmente decidia abandonar o salão depois de que uma broma de seus colegas fez que toda a mesa Gryffindor estalasse em gargalhadas. Ele não estava para rir.

Decididamente se soltou de Dumbledore e foi atrás do menor.

— Harry! —chamou-lhe para detê-lo, o garoto corria para suas habitações e ao escutá-lo, deteve-se. Já não se importava se alguém podia os ver, regressou sobre seus passos aceitando o abraço que Severus lhe oferecia e chorou em seu peito.

— Quando vai passar isto, Severus?... Só a seu lado posso sentir consolo, e já quero ser como antes, quero viver como antes, Severus!

— Vamos a minhas habitações, não posso te deixar dormir só esta noite.

— Não, Sev. —respondeu afastando-se um pouco para limpar-se as lágrimas. — Não quero te provocar problemas com Dumbledore, ele só nos deu permissão até hoje.

— Vale-me um demônio Dumbledore!

— Não diga isso, ele te quer, ainda que agora se esteja afastando de nós te quer… E ademais, minha preocupação é você, não ele.

— Mas…

— Alguma noite tenho que dormir só, é melhor tentar de uma vez.

— De acordo, mas promete-me que se te sentes mau me irás buscar.

— O farei… Te amo muito, Severus!

O moreno lhe beijou suavemente dantes de deixá-lo ir. Harry subiu rapidamente as escadas para não se arrepender e aceitar a proposta de voltar às masmorras. Severus ficou aí vendo-lhe desaparecer e finalmente sentou-se em um dos degraus aproveitando a solidão do lugar. Um par de lágrimas rodaram para suas bochechas, apertou os lábios com fúria recordando em toda uma vida submergido na magia escura e em nenhum momento se lhe ocorreu proteger a seu filho.

Agora odiava não conhecer nenhum feitiço que curasse corações.

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Ron olhava sorridente como Draco devorava entusiasmado os chocolates que lhe tinha levado de presente. O Slytherin ainda embarrando-se os dedos luzia elegante e formoso.

— Dás-me um? —perguntou Ron.

Draco se corou ao não lhe ter oferecido antes e assentiu. Quis levar um chocolate à boca do ruivo, mas este o recusou para em seguida unir seus lábios aos do loiro, sugando e tirando o resto do doce com sua língua. Draco sorriu divertido e também muito excitado por aquela resposta. Dissimuladamente foi-se recostando sobre o sofá convidando a Ron a seguir-lhe. Este não se fez do rogado e em poucos segundos os chocolates ficavam esquecidos sobre a mesinha.

— Amo-te, furão. —lhe sussurrou ao ouvido. — As horas fizeram-me eternas, morria por regressar ao castelo e estar contigo.

—"Que tanto?" —perguntou o loiro sustentando da cara para olhar aos olhos.

— Como me perguntas isso?... Amo-te mais que nada nem ninguém no mundo!

—"Tanto como para esquecer dessa tolice de lutar pelo bebê?"

— Luto por isso precisamente porque te amo, Draco, porque não quero que sofra quando te dês conta que perdeste a seu filho por te deixar levar sem pensar bem.

—"Melhor vai-te, Ron… não quero discutir de isso"

Ron pôs-se de pé e marchou-se. Draco não podia achar que ele fizesse, também não que se tivesse atrevido ao pedir, mas já não achava a forma em fazer que o ruivo compreendesse seus motivos para atuar como o fazia.

Ao chegar a sua habitação, Ron encontrou-se a Harry, ambos estavam a sozinhas e se olharam direto aos olhos. O ruivo acercou-se à cama onde seu amigo repousava e se sentou a seu lado.

— Sem rancores?

— Eu não te guardo rancor, Ron, mas não sei porque não quer que fique com o bebê… Não quero te ferir, mas não acho que sejas capaz de cuidar você só.

— Nenhum pai sabe cuidar de seu filho desde o princípio, já aprenderei.

— Não me refiro a tua capacidade de criar a um filho, eu também não sei nada ao respeito… no entanto, não deve esquecer que não é seu e seu poder será algo que não saberá manejar.

— Vá, obrigado pelo voto de confiança. —respondeu sorrindo sinceramente. — Sei que não será fácil, mas eu sei que é meu filho e isso é o único que me fará não desistir de ter.

— Ron…

— Já, Harry, vejo que jamais chegaremos a nenhum acordo. Só espero que quando nasça o bebê saiba aceitar que é meu… eu sinto muito.

Ron pôs-se de pé e entrou ao banheiro, Harry sentiu-se mau de não lhe dizer que estavam pensando em se adiantar e assinar os papéis antes do nascimento.

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Nos dias continuaram seu curso, tudo parecia ter regressado à normalidade. Nenhum aluno de Hogwarts sabia sobre a gravidez de Draco nem de sua relação com Ronald, isso último devido a ordens expressas de Dumbledore. O Diretor preferiu não lhes dizer nada a respeito do perigo que corria Ron, sabia que o garoto não era precisamente um dos mais avantajados alunos e era melhor que se concentrasse em seus estudos, o temor seria seu pior inimigo.

Draco regressou a seus estudos, ainda que lhe frustrava não poder formular feitiços e ter que se conformar com praticar o movimento de varinha bem como realizar redações e tarefas várias. Ron tentava ajudar-lhe e armava-se de paciência quando o loiro a perdia.

Às vezes voltavam a discutir como antes, e Draco se deprimia mais sentindo que estava o perdendo e não poder fazer nada para o evitar… No entanto, Ron sempre regressava, aprendeu a se engolir seu orgulho sabendo que um Malfoy jamais o faria, e voltava ao lado de Draco.

Por sua vez, Harry e Severus passavam juntos o maior tempo possível. Já ambos sabiam que os Slytherin suspeitavam de sua relação, mas isso não se importavam demasiado, não lhes dariam mais oportunidades de falar, e a confirmação sobre o que viviam não sairia de lábios dos amigos de Harry.

Fevereiro deu passo a Março e acercavam-se as férias primaverares. Harry agora luzia mais feliz, além de que por fim tinham assinado os papéis onde Draco lhes cedia os direitos sobre seu filho, Severus lhe tinha prometido que dedicariam nesses dias a buscar uma casa que comprar, uma que tivesse um amplo jardim cheio de árvores enormes onde pudessem trepar seus filhos quando crescessem, de preferência em uma zona de magos para que pudessem jogar ao quiddith, o último sugestão de Harry, Severus simplesmente aceitou ainda que não muito convencido.

Aquela noite era mais que especial, os alunos partiriam pela manhã, de modo que Harry se permitiu se arriscar e passar a noite com Severus, ninguém lhe estranharia não o ver ante o ocupados que estariam arranjando suas coisas. Inclusive Hermione se iria também, tinha pensado lhe apresentar seus pais a Blaise.

Ron ainda tentava convencer a sua mãe de que lhe permitisse ficar a cuidar de Draco e ainda que Molly continuava se recusando, parecia que finalmente daria seu braço a torcer, sobretudo porque Bill lhes sugeriu que Ron se mantivesse ao pendente de que o loiro não assinasse nada, sem saber que já era demasiado tarde para o impedir.

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Harry mordia-se o lábio inferior, desde que tinham voltado a ter relações, não desaproveitavam ocasião para o fazer. Finalmente Harry se arqueou arquejando ruidosamente quando sentiu como seu interior se umedecia. Severus reagiu da mesma forma, desfrutando de sentir-se estreitado e os dedos de Harry afundando na pele de suas costas.

— Delicioso… —sussurrou deixando-se cair suavemente a um lado de Harry —… simplesmente, é delicioso, Harry.

— Eu? —perguntou rindo-se. — Se já se me fazia eterno para que chegassem férias!... agora me promete que me fará o amor pelo menos duas vezes ao dia.

— Tão só duas vezes?

— Bom, é que temos que deixar tempo livre para buscar nossa casa.

Severus sorriu, mas de imediato sua cara empalideceu. De um movimento sentou-se na cama, o braço doía como nunca dantes.

— Sentes-te bem? —perguntou Harry acariciando lhe o antebraço, justo onde estava a cicatriz que agora luzia quase machucada. — Porque está assim?

— É o chamado, Harry. —respondeu girando-se a olhá-lo intensamente. — Merlin, não pensei que seria tão cedo… agora não! —agregou estreitando ao garoto com força.

— Que passa, Sev?... Porque diz que é cedo se faz meses que não te chamava?

— Não é qualquer chamado. —disse-lhe apartando-se para sujeitar do rosto e obrigá-lo a olhar aos olhos. — É o grito de guerra, Harry… está-nos convocando para começar a última batalha.

Continua

Nota tradutor:

Nossa finalmente o chamado do grito da batalha final... o que será que vai acontecer nos próximos capítulos? Agora só falta somente mais cinco capitulo para o final dessa fic e vamo que vamo!

Vejo vocês nos próximos capítulos!

Ate breve!