Capítulo 35: Chaves

(Tradução: DeNobrega)

Eu esperei até que Emmett e Rosalie fossem para o aeroporto, e nem um segundo a mais, para dar a Edward seu presente de Natal.

"O que é isso?", Edward perguntou, de pé na sala de estar carregando Masen contra seu peito, enquanto eu segurava a caixa embrulhada para ele.

"Pa!", Masen disse sem papas na língua e em seguida, colocou dois dedos na boca. Sua pronuncia estava se desenvolvendo mais a cada dia, tornando-o mais precioso quando falava.

"Sim Masen, é para o papai. É seu presente de Natal", eu disse a Edward. "Abra-o."

"O Natal é daqui quatro dias."

"Mas você precisa disso agora, abre logo e pare de reclamar."

Eu o levei para o sofá e fiz que ele sentasse, depois peguei Masen de seu colo para que as mãos de Edward ficassem livres. Masen se contorceu para descer no chão, se apoiou na almofada do sofá e então se equilibrando foi em direção a sua cesta de brinquedos. Edward rasgou o embrulho de seu presente, revelando a primeira edição de Hemingway que eu encontrei acidentalmente em um brechó local. Eu paguei um dólar por ele e não tinha ideia do quanto realmente valia. A única razão pela qual eu o peguei da prateleira foi porque ele era grande, grosso e azul escuro entre uma seção de livros de bolso. Mas nada disso tinha um grande significado para mim, já que o verdadeiro presente de Edward estava dentro do livro.

"Death in the Afternoon", Edward disse. "Esta é uma primeira edição?"

*DEATH IN THE AFTERNOON: Livro escrito por Ernest Hemingway sobre a cerimônia e as tradições das touradas espanholas.

Eu balancei a cabeça.

"Como você...? Isso tem que valer mais de cem dólares. E nesta condição..." Ele virou o livro, passando a mão ao longo das bordas em busca de falhas.

"Abra-o, Edward."

Ele abriu a capa e em seu colo caíram duas chaves. Ele as pegou. "Você me deu chaves?"

"Sim, eu te dei chaves, mas você está fazendo a pergunta errada. Pergunte-me o que elas abrem."

"O que elas abrem?" Ele olhou de soslaio para mim, e então olhou na direção de Masen balançando as chaves. "Olha Masen", ele disse, e eu me virei para ver que Masen estava indo para o vaso de plantas e Edward o distraiu na hora certa. Masen se aproximou e avançou para as chaves. "Deixe-as fora de sua boca", Edward disse. "O que elas abrem Bella?"

"Eu não vou dizer."

"Eu deveria adivinhar?"

"Oh, não. Você nunca adivinharia. Eu vou mostrar o que elas abrem, mas em primeiro lugar, só assim para não haver nenhuma surpresa, confusão ou qualquer coisa, você tem que saber que elas vieram de Caius."

Ele riu. "Isso é uma piada? Caius te deu as chaves para me dar?"

"Você vai ver o porquê. Vamos."

Eu peguei Masen, peguei a bolsa de bebê e Edward me seguiu para fora do apartamento até a parada de ônibus. Apesar de novembro ter sido um mês chuvoso, dezembro nos concedeu o sol. O ar estava gelado, enquanto o sol ardia nos nossos olhos. Precisávamos dos óculos que Emmett havia nos dado um ano atrás para nos proteger. Eles estavam guardados em uma gaveta no quarto, fazendo nada de útil no momento. Pegamos o ônibus para Escondido Village, onde eu guiei Edward para dentro do prédio.

"É aqui onde Caius mora?" Edward perguntou.

"Sim, e finja que você vive aqui também."

"Fingir para quem? Ninguém está por perto."

Ele estava certo, o lugar estava quase deserto. A maioria dos alunos já tinha viajado para os feriados.

"Bem, apenas por precaução", eu disse.

"E como eu digo que vivo aqui? Anuncio a todos que cruzarem nosso caminho? 'Ei, eu moro aqui."

Eu ri. "Sim, exatamente. Faça isso" Eu segurei a porta aberta para ele, e o levei para a sala de comunitária e para outra porta que estava trancada.

Eu entreguei as chaves a Edward. "Abra."

Ele girou a chave. "E o que tem atrás da porta número dois, Masen?" Ele congelou quando viu. O grande piano preto no centro da sala, com a luz do teto refletida nele.

"Bella...", ele disse, e sua boca aberta transformou-se em um sorriso. Seu rosto se iluminou. "É um Steinway. Não pode ser. Isso está certo? Podemos estar aqui?"

"Você tem a chave, não tem? E você mora aqui, estou certa?"

Ele balançou a cabeça e caminhou até o piano. Eu peguei Masen dele. "Toque para nós, Edward. É a sua vez de nos presentear."

Antes de se sentar para tocar, ele me beijou. "Obrigado, amor. Obrigado. Você não faz ideia do que isso significa para mim."

"Mô", Masen disse, e ele recebeu um beijo de nós dois por isso.

"Eu acho que tenho uma ideia do que isso significa Edward. É por isso que eu dei as chaves para você. Você pode entrar e tocar sempre que quiser. Exceto, provavelmente no meio da noite. Às vezes pode haver uma lista de espera. Caius não tinha certeza já que ele nunca vem aqui."

"Sente-se comigo." Ele deu um tapinha no banco e eu me sentei ao lado dele enquanto ele tocava. Desta vez, ao contrário do passado, eu segurei Masen para que ele não batesse nas teclas enquanto Edward tocava a canção que ele tinha memorizado ou que tinha composto.

"Ouça", eu sussurrei para Masen. "Ouça o papai tocando".

Ficamos na sala por três horas com Edward tocando. Em alguns momentos Masen quis correr em volta da sala e eu o persegui até que ele estivesse cansado, e então eu o amamentei. Ele adormeceu no meu ombro enquanto estávamos sentados no banco do piano com Edward ainda tocando. Minhas costas começaram a doer, então eu levei Masen até o sofá para deitá-lo.

"Você está cansada?" Edward perguntou.

"Nem um pouco." Eu voltei para o banco e beijei sua bochecha.

"Nós deveríamos ter trazido pelo menos o livro com a gente para que você tivesse algo para ler."

"Eu não quero ler. Quero ouvir seu coração cantar. Continue tocando".

"Aqui, me dê as suas mãos", ele disse, estendi minhas mãos e com a interrupção da música, a sala ficou abruptamente tranquila.

Ele pegou minhas mãos e as colocou sobre as teclas, empurrando meus dedos, tocando sua música. Foi mais lento, mas era melodia. Eu virei a cabeça para ele sorrindo e ele beijou meus lábios, quando nossas mãos relaxaram contra as teclas. Ele pegou meu rosto, me inclinou para ele e me segurou ali.

"Bella...", ele disse ainda me beijando.

"O quê?"

Ele me levantou em seu colo, com meus joelhos em cada lado dele contra o banco, com as mãos no meu traseiro. Ele esfregou as minhas coxas uma e outra vez.

"Só Bella. Isso é tudo. Só você". Ele sorriu quando me beijou, e então eu passei meus braços ao redor de seu pescoço e lhe dei um bom, longo e apertado abraço.

"Eu espero que você esteja feliz."

"Você está aqui, não está?" ele disse, esfregando minhas costas com as duas mãos. "Mas obrigado, Bella. Eu precisava disso. Eu realmente precisava disso."

"Eu sei."

***NWY***

O céu estava com um tom de azul profundo, se aproximando da cor roxa. Era opaco, denso e quase tangível, com a noite deixando o dia passar. Se o seu braço fosse comprido o suficiente, você seria capaz de pegar um pedaço do céu e colocá-lo em seu bolso. Saímos na noite em uma única peça de roupa e voltamos para o nosso prédio, mas só entramos para pegar casacos, toucas e luvas. Depois entramos no carro de Edward, colocamos Masen confortável em seu assento e partimos para uma fazenda de árvores local.

Eu fechei meu casaco e peguei as luvas na bolsa de Masen para cobrir as mãos, quando o ar frio se intensificou. Nós escolhemos o nosso pequeno pinheiro sob a luz amarela artificial de vários lampiões. Um poste preto de ferro alto e fino, com ganchos na ponta segurava as lanternas que aparentemente, deveriam ter sido acesas com fogo em vez de eletricidade.

Enquanto os funcionários aparavam o tronco da nossa árvore, tiravam as farpas, acrescentavam um suporte para nós e embrulhavam, nós visitamos a fazenda. Papai Noel estava sentado em seu trono perto da lanchonete e nós entramos na fila. Masen nunca tinha visto o Papai Noel e ao que parece, à medida que nos aproximávamos naquela noite, ele preferia que o Noel continuasse um desconhecido.

"Traga-o para mim", o Papai Noel pediu.

Eu tentei, mas Masen virou a cabeça, viu o homem barbudo e começou a chorar.

"Eu não posso fazer isso", eu disse. "Vamos esquecer isso, Edward." Eu levei Masen de volta para o meu peito, ele escondeu o rosto e seu choro acalmou.

"Por que você não tira a foto com ele?" Edward perguntou.

"Você também. Vamos todos sair nela."

"Eu não vou tirar uma foto com o Papai Noel."

"Vamos lá, cara grande, não vai te matar." Eu o puxei pelos dedos. "Você não tem que se sentar em seu colo." Ele me seguiu até o Papai Noel e ficou atrás de mim enquanto eu me sentei no colo do Papai Noel segurando Masen bem perto, sussurrando em seus ouvidos.

"Mamãe está com você", eu disse.

"Observe essas mãos, Papai Noel", Edward disse, e nós rimos assim quando a foto foi tirada.

Masen que provavelmente estava aliviado por ter conseguido sair das garras do Papai Noel vivo sorriu quando entramos no trenó de madeira puxado por cavalos que nos levou sem neve sobre as terras da fazenda de pinheiros. Nós nos cobrimos com o cobertor de flanela fornecido e era aconchegante o suficiente para ficar ali, mas aparentemente isso não era permitido. Uma vez que o trenó rolou até parar, estavam nos esperando para desembarcar.

Paramos na nossa terceira e última etapa da noite para comprar um pequeno saco de pipoca e um pouco de cidra quente, eu gostei de sentar nas cadeiras de plástico espalhadas ao redor da fogueira. À medida que o ar ficou frio o suficiente para nos mostrar a nossa própria respiração, decidimos que era hora de ir para casa. Masen concordou bocejando.

Edward prendeu nossa árvore no teto com um percevejo e a colocou no canto entre a estante que segurava a televisão e a parede com a grande janela. Foi necessário apenas um fio de lâmpadas coloridas para acendê-la, e havia três enfeites, os únicos que tínhamos e que ganhamos de Esme e Carlisle. O de Masen enfeitou o meio, eu do lado direito, Edward do lado esquerdo e ficou lindo. Nós nos sentamos juntos no sofá e ficamos apreciando nossa árvore, como se as luzes que piscavam pudessem influenciar os ramos a se levantar e dançar. Mas ela estava tão imóvel quanto os nossos olhos sobre ela.

A caixa de pizza quase vazia, os pratos de papel, as latas de refrigerante e os nossos pés repousavam na mesa bagunçada. Na nossa frente eu peguei um porta-retratos e coloquei a nossa foto de família junto com o Papai Noel. Embaixo da árvore tinha um presente para Masen e ele brincava com o laço dourado do embrulho. Não haveriam outros presentes embaixo da árvore, já que eu antecipei o presente de Edward e de qualquer maneira o seu era grande demais para caber na nossa árvore.

Na manhã de Natal, Edward pegou o meu presente no quarto de Emmett. Era uma videira em um vaso com um laço em torno dele.

"Eu sei que não é tão significativo quanto o presente que você me deu", ele disse.

Eu cobri minha boca com a mão. "Eu sonhei com isso uma vez", eu disse. "Este presente representa... nós. Nada poderia ser mais significativo." Eu me levantei e o abracei.

No meio do vaso havia uma vareta para que a videira se agarrasse e crescesse de forma apropriada. Ela era alta, mas não tinha de folhas durante o inverno. Eu sabia que com o cuidado necessário, ela estaria linda na primavera e eu a colocaria no chão da sacada embaixo da janela do quarto. Por enquanto eu a deixaria na frente da grande janela onde batia mais sol. Edward me deu algumas informações sobre como cuidar, regar e adubar. Eu cuidaria dela diariamente, muitas vezes, como se fosse outro bebê.

"O cara me disse que em um vaso, não dará tantos frutos, mas eu acho que será o suficiente para nós. O importante é a poda."

Eu não tinha retirado os meus braços do pescoço de Edward e nem queria, mas Masen tinha engatinhado debaixo da árvore de natal, o nosso próprio pequeno presente, e estava tentando se levantar, mas os galhos estavam em seu caminho. Ele soltou um grito frustrado. Eu ri e o resgatei da árvore que era enorme para ele e peguei o seu presente para que ele abrisse.

Nosso presente para ele era um filhote de cachorro com rodinhas ao invés de patas com uma corda para que ele pudesse puxá-lo ao redor do apartamento. Ele decidiu levá-lo em um círculo e o cachorro tombava para os lados. Mas ele não se importava se o cachorro estava de pé ou de lado, ele estava encantado com a forma que o cachorro o seguia. Ele sorriu e riu de seu novo amigo.

Enquanto a maioria das pessoas jantou assados ou peru, eu fiz o que chamei de Salada de Taco Natalina. Eu adicionei as calorias que eu precisava para o meu peso e os nutrientes que eu precisava para a minha anemia tudo em um único prato. Naquela noite nós permitimos que Masen ficasse acordado até mais tarde do que ele já tinha ficado e levamos duas taças de champanhe para a sala de estar. Masen puxou seu cão em círculos quando Edward e eu nos inclinamos um contra o outro no sofá. Eu tomei um gole da minha bebida e descansei minha cabeça em seu peito.

"Minha mãe sempre quis ter a maior árvore", eu disse. "Ela queria que tocasse o nosso teto. Masen, não o coloque na mesa. Deixe-o no chão." Eu apontei. "O cachorro tem que ficar no chão."

Ele olhou para mim com os olhos arregalados, se perguntando se eu estava falando sério. Será que ele realmente iria parar de balançar-lo através do ar quando descobrisse como era divertido? Será que ele voltaria a arrastá-lo de forma correta, agora que descobriu que nos móveis é mais divertido? "No chão", eu disse, apontando novamente.

Ele jogou-o no chão.

"Role", eu disse, fazendo o movimento com a minha mão livre para lhe mostrar. Ele se sentou e empurrou o cachorro para trás, depois o virou de cabeça para baixo e estudou como as rodas funcionavam.

"Então vocês tinham grandes árvores?" Edward perguntou.

"Não. Ela sempre quis as grandes, mas elas eram muito caras. Uma vez tivemos uma que faltava apenas um palmo ou quase isso para alcançar o teto. Ela disse que ia comprar uma estrela maior para colocar no topo, apenas para que ela tocasse o teto. Mas eu disse a ela que se ela planejava gastar dinheiro em uma estrela, ela poderia muito bem ter ido com a árvore maior. Ela disse que um dia iria comprar a árvore mais requintada. Eu disse a ela que se ela planejava gastar dinheiro com uma árvore assim, ela poderia muito bem comprar uma árvore maior."

"Bella sempre sendo pratica. O que ela disse?"

"Que eu era inteligente e que ela iria comprar a grande árvore no próximo ano, mas não comprou." Eu ri, imaginando se agora com Phil ela tinha árvores grandes. Eu me senti incomoda por não saber a resposta. Eu me encostei em Edward novamente, olhando para Masen, que ainda estava girando as rodas do filhote de cachorro.

"Eu tenho um segredo para te contar", Edward disse.

Eu me virei e olhei para ele. "Qual é?"

"Fui eu que entortei o ramo da nossa árvore de Natal em casa. Não entortou por ter sido guardada, mas quando minha mãe assumiu que foi por isso, eu deixei que ela acreditasse."

"Como você fez isso?"

"Eu tinha quatorze anos e insisti em pegar a árvore no sótão. Eu tinha visto Emmett carregar uma árvore natural sozinho, então eu tinha certeza que eu poderia carregar a falsa. Mas eu a deixei cair." Ele riu. "Ela caiu na escada e quando eu a peguei, eu vi o ramo torto . Nesse ano eu coloquei a árvore com o ramo torto na parte de trás, mas minha mãe percebeu isso de qualquer maneira, porque ela sempre enfeitava a parte de trás, assim como a frente. Eu fiquei surpreso que ela gostou do ramo torto. Ela virou a árvore ao contrario e desde então nós tivemos o ramo torto para frente."

"Sua mãe é engraçada", eu disse.

"Ela disse que era como meu avô. Ele andava curvado, mas ainda era amado e ninguém tentava escondê-lo. Embora, eu não ache que o meu pai se importaria de escondê-lo de vez em quando."

"E você deixou que sua mãe acreditasse que personalizou uma arvore artificial."

Edward me beijou. "Você faria a mesma coisa."

Eu balancei a cabeça, porque ele estava certo. Esse ramo torto era minha parte favorita daquela árvore.

Masen brincou com o cachorro virado de lado até o fim da noite. Ele o arrastou por entre as pernas de Edward e estendeu a mão com um "Pa", e um grunhido que soou um pouco como "colo".

"Vem cá, meu rapaz", Edward disse pegando-o. Masen se aconchegou em seu pai, esfregando a testa no peito de Edward, seu rosto estava enterrado. Edward beijou sua cabeça e eu dei um tapinha em suas costas e sorri, pensando que a única coisa que faltava nessa noite de Natal era um fogo crepitante.

"Pena que não temos uma lareira", eu disse. E quando eu ouvi as palavras saírem da minha boca, elas soaram pesadas, como cubos de gelo que caiam de um copo sobre o piso de madeira e eu reconheci a grande falha no meu devaneio. Eu sempre tive momentos perfeitos, e vinha pelo menos com uma coisa que faltava que poderia torná-lo ainda mais perfeito. E se tivéssemos uma lareira, eu poderia sentir falta de mais alguma coisa esta noite? Eu me lembrei do meu aniversário de dezoito anos, ainda grávida, com meu filho saudável crescendo dentro de mim, enquanto eu balançava lentamente em um balanço ao lado de Edward, amando o momento e depois em voz alta, desejando que eu pudesse ver as estrelas no céu. Edward tinha mostrado que elas estavam debaixo dos meus olhos fechados. E então, nosso dia em Half Moon Bay, eu tinha ido tão longe, que inventei um universo alternativo para nós, como se aquele momento não fosse bom o suficiente. Mas era.

Eu olhei para Edward, que estava prestes a dizer algo. Provavelmente pensando em alguma forma de me dar o fogo crepitante que eu desejava.

"Vamos", eu disse, pegando sua mão. "Pegue seu casaco."

Nós pegamos nossos casacos, eu vesti Masen com o dele, os levei para fora na porta da frente. Eu olhei para o céu de inverno e todas as estrelas estavam à vista. Elas estavam tão baixas e brilhantes que pareciam faíscas de um incêndio.

"O que estamos fazendo aqui fora no frio?", Edward perguntou.

"Olhe para cima", eu disse "Nós podemos ver todas as estrelas. Mesmo em dezembro." Eu sorri para o céu e senti Edward apertar a minha mão. Eu aprendi em vinte segundos a viver o momento. Eu tentarei não esquecê-lo, porque não pensar sobre o futuro ou passado e nas outras pessoas era uma sensação maravilhosa. Eu permitiria em minha cabeça apenas pensamentos sobre nós e sobre o presente, o agora.

Não importa quantas vezes eu ouvi a frase: "Pare e cheire as rosas." Isso não significava nada para mim até que eu encontrar o significado. No meu caso, no Natal, eu parei e olhei para as estrelas.

***NWY***

Quando Emmett e Rosalie foram para Forks no dia vinte e um de dezembro, eles saíram brigando do apartamento. Quando voltaram no dia trinta de dezembro, eles eram só sorrisos e seguindo seus passos chegando quase na mesma hora, Alice e Jasper invadiram o apartamento pela nossa porta da frente, pegando todos nós de surpresa. Eu pisquei algumas vezes antes de acreditar que Alice estava em carne e osso diante de mim. E então eu a abracei, balançando nós duas e nem sequer a soltei quando abracei Jasper e ela foi esmagada entre nós, mas ninguém reclamou.

"O que você está fazendo aqui?" Rosalie quase gritou arrancando Alice do meu alcance. Eu fiz de tudo para que ela não levasse Alice tão facilmente para longe de mim, mas ela finalmente conseguiu e levou a nossa pequena amiga em seus braços. Eu olhei para elas como se Alice fosse uma espécie de celebridade. E isso fez Jasper rir.

"O que fod-diabos está acontecendo?" Emmett disse, lançando um rápido olhar para mim, se corrigindo quase soltando um palavrão.

"Nós não poderíamos passar o Ano Novo sem vocês", Alice disse, e eu ouvi de perto, me deleitando com sua voz infantil. Eu sabia que sentia falta dela, mas eu não estava ciente de quanto até que ela estava em pé na minha frente. Bem ali. Eu podia tocá-la. E toquei.

"Bella", ela disse com o nariz enrugado. "Eu sou real."

"Será que você sabia sobre isso?" Edward perguntou.

"Ninguém sabia", Jasper respondeu.

"Masen!" Alice disse enquanto Jasper o pegava. Ela tirou Masen do colo dele e o abraçou bem apertado antes que Jasper começasse a reclamar e ela tivesse que devolver meu bebê.

Havia algo diferente em Jasper e Alice. Eles estavam mais felizes. Eu sabia que a felicidade de Jasper vinha de seu trabalho. Ele alcançou a satisfação profissional em sua vida com dezenove anos. Mas a mudança em Alice era de outra coisa. Algo que eu não conseguia descobrir. Eu a olhei de cima para baixo, de um lado para o outro, em diagonal, tentando descobrir isso. Então avistei algo em seu dedo. Havia um anel nele, que não estava ali antes. Ela notou que eu estava encarando seu dedo e me deu um olhar que me disse para ficar quieta. Eu podia manter em segredo, mas eu não podia ficar quieta sem saber detalhes.

"Alice", eu disse, como se eu fosse sua mãe e não melhor amiga. "Venha para o meu quarto agora."

Ela obedeceu e Rosalie nos seguiu também. Envergonhada por não ter feito a cama ainda, eu rapidamente joguei as cobertas por cima e as estiquei.

Eu não podia dizer nada. Eu tinha que deixar Alice falar primeiro. Ela ergueu a mão esquerda.

"É um anel de compromisso. E eu não sou mais virgem."

A segunda parte de seu depoimento eu não estava esperando. Pela reação de Rosalie ela tampouco esperava.

"O que você quer dizer com não é mais virgem?" Rosalie perguntou. "Nós todos já sabíamos".

"Não. Eu era uma virgem, Rose. Jasper e eu, nunca, bem, não até que fizemos recentemente."

Os olhos de Rosalie se estreitaram e ela parecia estar pensando sobre isso até que entendeu. "Então é por isso que Jasper sempre agiu estranho quando falávamos sobre lingerie ou sexo. Ele queria, mas não fazia."

"Oh, eu queria, mas prometi a minha mãe e para mim que eu iria esperar até o casamento."

Rosalie riu até que percebeu que Alice estava falando sério e que ela era a única rindo. Ela limpou a garganta. "Por que você nunca me contou?", ela perguntou.

"É por isso", Alice apontou para ela. "E por respeito à Jasper. Ele não precisava que todos os seus amigos e não amigos soubessem que ele era virgem."

"O que a fez mudar de ideia?" Eu perguntei.

"Bem, você estava certa, Bella. Estando tão perto, compartilhando a mesma cama noite após noite, era quase impossível não fazer. E eu queria muito. E quero dizer, muito. E eu poderia dizer o mesmo deJasper e Deus se não tomou cada grama de suas forças para nos impedir de fazer todas as noites. "

"Mas no final, não impediu", eu disse.

"Bella, você sabe que eu estava pronta, porque se eu não estivesse Jasper seria incapaz de ir até o fim. E ele me deu primeiro o anel de compromisso. Por respeito. Nós conversamos, sabíamos que eventualmente iríamos nos casar, mas ele queria ter certeza de que eu soubesse que isso era o que ele queria."

Eu lhe dei um abraço. "Alice, parabéns. E não por ter relações sexuais, mas pelo seu relacionamento".

"E quanto a você e Emmett?" Alice perguntou Rosalie. "Como é que vocês dois estão?"

"Estamos bem, por quê?" Rosalie deu de ombros.

"Porque Bella me escreveu. Disse que vocês dois não estavam se dando bem."

Os olhos de Rosalie dispararam em minha direção e eu fechei os meus.

"Não era fofoca, Rose, eu juro. Era preocupação."

Rosalie riu. "Eu não sei por que você estava tão preocupada a ponto de escrever para Alice sobre isso. Emmett e eu sempre brigamos. Funciona como nossas preliminares."

"Não é o mesmo tipo de briga", eu disse. "Vocês dois realmente ficam bravos um com o outro."

"Mas fazemos isso a todo o momento. Não há nada de errado com a gente. Nós estamos bem."

Eu deixei o meu olhar pairar nela. Será que ela realmente queria dizer que eles estavam bem ou estava tentando duramente se convencer ao mesmo tempo em que tentava convencer a mim?

"Não comece a nos julgar só porque não somos como você e Edward. Confie em mim, não comece, porque se você fizer isso, eu vou começar a julgar o seu relacionamento também."

"O quê?" Eu perguntei.

"Não faça perguntas, a menos que você deseje a resposta", Rosalie disse.

"Rose", eu disse, com minha voz calma. Eu peguei a mão dela. "Eu não estou te julgando."

Ela retirou a mão. "Chame do que quiser, mas você está sugerindo que o meu relacionamento está em perigo. Bem, não está. Então, pare!"

"Ok. Vou parar."

Rosalie olhou para mim por um longo tempo. Eu olhei para Alice, que estava tão silenciosa quanto Rosalie, parecendo perplexa com a cena que acabou de acontecer na frente dela. Eu estava tão confusa.

"Bella", Rosalie disse, e quando eu olhei para ela, seus olhos estavam calmos e cheios de lágrimas. "Eu sinto muito."

"Eu vou ver o meu bebê, Masen", Alice disse. Ela saiu, fechando a porta atrás dela e foi aí que Rosalie se permitiu quebrar.

Eu a deixei chorar no meu ombro, passando minha mão em seu cabelo, até que ela se afastou e se sentou na cama. Ela balançou a cabeça. "Você está certa. Algo está acontecendo com o meu relacionamento, e eu não consigo entender o que é ou impedir. É como..." ela limpou debaixo dos seus olhos, "... Eu sei que eu não deveria dizer certas coisas, mas mesmo assim eu digo."

"Por quê?"

"Eu não sei. Se eu soubesse, eu pararia."

"Emmett pensa que é a distância", eu disse. "E ele provavelmente está certo e se você adicionar o estresse da faculdade, é compreensível."

"Você falou com Emmett, também?" Ela fungou.

"Um pouco".

"Você falou com Emmett, Alice e tenho certeza que com Edward também, mas não comigo. Por que você não falou comigo sobre isso?"

Eu ainda não tinha pensado nisso. Eu tentei encontrar uma resposta, mas tudo o que eu podia fazer era olhar para ela.

"Você tem estado tão distante", Rosalie disse. "Você está aqui, mas é como se você estivesse tão distante quanto Alice e ela estava do outro lado do país."

Eu tentei me lembrar da última conversa verdadeira que tive com Rosalie, uma que não fosse algum tipo de brincadeira ou jogo, mas eu não conseguia. Fazia muito tempo. E se fosse eu que estivesse distante? Será que eu a empurrei para longe? Mas ela também poderia ter falado comigo.

"Rosalie, se você precisar ou quiser falar comigo sobre qualquer coisa, tudo que você tem a fazer é me dizer. Estou aqui para você."

Ela balançou a cabeça. "Você tem Edward, Masen e em seguida você adoeceu. Eu não poderia acrescentar a isso os meus próprios problemas."

"Você sabe o que precisamos?" Eu disse, sentando ao lado dela. "Um fim de semana só de garotas. Eu vou... Eu vou deixar Masen com Edward e irei te visitar em Berkeley. Pode ser?"

"Eu adoraria isso." Ela sorriu para mim e acenou com a cabeça. "Mas você realmente conseguiria deixar Masen?"

"Eu acho que conseguiria por uma noite. Talvez eu possa tentar até duas." Eu ri de como era difícil simplesmente pensar em ficar longe dele.

"Tudo bem." Ela assentiu com a cabeça. "Quando você estiver pronta, venha me visitar." Ela me abraçou. "Obrigada, Bella. E eu sinto muito por ter brigado com você. Você e Edward são perfeitos. Fodidamente perfeitos."

Havia algo no tom de sua voz durante a sua última frase. Eu não mencionei isso, talvez eu não estivesse sendo positiva, mas soou um pouco como... desprezo.


N/T: Depois de um tempo maravilhoso em família com direito a presentes inesperados, eis que a realidade volta com tudo, trazendo uma grande visita e uma Rosalie mostrando suas garras, será? Não gosto dela desde o início. Não conseguiria aguentar e suportar como Bella fez. Bem... agora o que nos resta é esperar pelo próximo capítulo e torcer para ela não atrapalhar nosso casal, não é?

Beijinhos, Dé.