The End of All Things

Após o ataque, os portões de Hogwarts foram inundados com pessoas querendo ao menos tentar partir para este Novo Mundo. Depois do ataque, a sensação geral era de que qualquer chance que tivessem era melhor do que continuar ali.

No entanto, por mais que algumas centenas de pessoas tivessem conseguido se locomover de suas casas até Hogwarts, muitas não tiveram tempo, e à meia noite do dia 21 de dezembro, as Runas em torno do castelo selaram os terrenos para todos aqueles que, talvez, ainda quisessem entrar.

Naquela tarde, Shadow vira Kingsley Shacklebolt deixar Hogwarts, com um último olhar para escola, e a sombra em seu olhar dizia que ele sabia que seu futuro não era bom, que talvez ele mesmo conseguisse sentir que, ao fim de tudo, não haveria um futuro. Mas mesmo assim ele partiu, para ficar com a parte de seu povo que decidira não ir com Shadow, por menor que aquela parte fosse.

Na contagem final, eles haviam conseguido reunir nove mil novecentas e oitenta e três pessoas puramente humanas. Entre os bruxos e bruxas que tinham criatura mágica em seu sangue, não sabiam o número exato, já que partiriam involuntariamente com eles, todas, salvas, caso quisessem ou não.

As criaturas da floresta pareciam saber o que aconteceria àquela noite, e alguns dos centauros observavam silenciosos como as estrelas a movimentação nos terrenos do castelo.

Segundos antes das Runas fecharem os terrenos, Shadow e Draco observaram Aberforth sair dos terrenos de Hogwarts e ir em direção ao seu antigo bar – agora abandonado desde o ataque à vila, alguns meses antes.

Ao entardecer do dia vinte e dois, todas as pessoas que participariam do ritual estavam nos jardins de Hogwarts. Um vento forte soprava nos terrenos cobertos de neve, mas havia nele um silêncio ensurdecedor, uma magia quase palpável, algo de sufocante e estimulante ao mesmo tempo, como se a Magia soubesse exatamente o que iria acontecer em algumas horas.

Dispostas em um círculo, de mãos dadas, varinhas ao chão, apontando para o centro do círculo, onde o Castelo de Hogwarts se encontrava, os participantes aguardavam o momento exato do ritual.

Faltando alguns segundos para a meia-noite, Shadow chamou a atenção de todos eles, e quando o relógio que haviam posto exatamente no centro do terreno soou a primeira das doze badaladas, milhares de vozes podiam ser ouvidas, em um feitiço mais antigo do que qualquer um conseguiria se lembrar, das mais graves às mais agudas, em uma escala precisa e ainda assim simples, ate se tornarem uma só, ressoando no vento, no chão, na água, na Magia que circulava pelo Mundo.

Æt ǽhtgeweald galdorcræft

lǽdan ǽghwilclíffruma

to níwe léoht

ætbéon á on écnisse

innan galdorcræft

bletsian mid hleo

forniman, modor¹

Centenas e centenas de vezes ele foi repetido, até que não eram mais palavras, eram meramente sons, ar, voz, força e intenção. O desejo de sair, de partir, de nunca mais retornar e estarem, por fim, seguros, e nunca mais terem de olhar para este mundo que só havia lhes trazido sofrimento nos últimos anos.

E, aos poucos, as linhas que sabiam estar sob seus pés se tornaram visíveis, e pulsantes, com uma magia tão forte que era possível quase tocá-las. E impelidas por aquela visão, as milhares de vozes tornaram-se mais altas, mais fortes, mais certas, até que todo o terreno, todas as pessoas, estavam envoltas nos feixes de luz que vibravam, e corriam, se contorciam e se centravam neles. E as Runas desenhadas no chão estavam iluminadas e pulsantes. As linhas verdes e azuis flutuando, como se fossem córregos, e cada uma das pessoas e criaturas e artefatos mágicos que ali estavam brilhava com elas, até que eram todos um só, uma única corrente, de uma única cor, em um único som. O encantamento já não mais um encantamento, mas uma canção que parecia fazer o próprio chão vibrar e se contorcer. E os poucos que conseguiam manter seus olhos abertos conseguiam ver todas as formas ao seu redor brilharem, se difundirem e refazerem, renascerem em si, mas diferentes. Existirem, mas sumirem e piscarem, e tornarem-se visíveis mais uma vez, como se por alguns milésimos de segundos houvessem não existido.

E por fim, ao longo do que poderiam ter sido horas, dias ou apenas alguns segundos, a luz parecia ter sido sugada para a terra. A pulsação da mágica diminuiu, enfraqueceu e se foi, restando apenas o leve zumbido da magia inerente a cada um daqueles que ali estavam.

E então, como um só, caíram ao chão coberto de neve.

E à Magia, naquele instante, só restava esperar.

-x-

Começara como um desconforto. Como se alguma coisa não estivesse... certa. Como se a sua própria pele tivesse decidido que não era o lugar correto para estar, como se algo o chamasse, clamasse por ele, gritasse por libertação, mas ele não conseguiria dar.

E então a dor lancinante, brilhando em azul e verde e branco puro, como se estivesse sendo sugado da sua própria vida. E por alguns segundos, Kingsley se perguntou se era assim que deveria se sentir aqueles que recebiam o beijo de um dementador, mas pensamento e força e voz e choro e ar – tudo lhe escapava.

E talvez fosse o delírio da dor, o medo da morte repentina que surgia, o pensamento desesperador de que isso fosse algum ataque trouxa, mas King poderia jurar que via sua magia saindo por cada poro, cada pedacinho de pele, e correr, para longe dele, em azul royal e verde esmeralda.

E então o ar lhe faltou, e não havia ar, não havia luz, não havia sensação.

E, por fim, já não havia nada.

-x-

Uma ruína.

Alguns resquícios do que havia sido, sem dúvidas, um castelo algum dia.

Uma floresta seca, onde o canto de pássaros era raro, um lago de águas sujas, lamacentas, gramados extensos e mal cuidados.

Pedras e mais pedras, cobertas de neve.

Hogwarts, o último e maior refúgio do Mundo Bruxo Moderno, havia, por fim, caído.

-x-

Nenhum trouxa nunca conseguiu explicar com certeza, mas o fato era que na manhã do dia 23 de dezembro de 1998, o Mundo amanhecera sem Magia. Nada restara. Locais onde humanos não-mágicos jamais antes haviam entrado, agora eram meras ruínas, artefatos que até algumas horas antes poderiam ter enfeitiçado vilas inteiras, nada mais do que metal retorcido e pedras quebradas.

A contagem ultrapassava trezentas mil mortes, e ainda assim, eles comemoraram.

-x-

Não fora o primeiro a abrir os olhos. Mas quando o fez, desejou ter sido.

Harry olhou em volta, as pessoas ainda caídas na neve, algumas já acordadas, outras no processo de despertarem para um amanhecer claro, limpo, puro, mágico.

Algo havia mudado, algo estava diferente, mas ele não sabia o que era.

Olhando em volta, viu Draco ao seu lado, como se estivesse apenas esperando que acordasse, e então o loiro o tomou em seus braços, com uma risada alta, e lágrimas de alegria.

Rabastan e Rodolphus estavam a poucos passos, deslumbrados, olhando ao seu redor como se não pudessem acreditar no que viam. Narcissa e Lucius estavam abraçados, mais leves do que Harry jamais se lembrava de tê-los visto. Os Flamel brilhavam, sozinhos, como se o Novo Mundo tivesse lhe devolvido centenas de anos em juventude.

Aos poucos, cada pessoa caída se reergueu, olhando em volta com olhos incrédulos, admirando algo que eles haviam ajudado a Magia a fazer.

A Floresta Proibida e o castelo de Hogwarts e o Lago Negro, era tudo o mesmo, e completamente diferente. O som do vento, a maneira como o sol brilhava em seu rosto e refletia a neve em volta: igual, e único, e impossivelmente contraditório.

Estavam em um Novo Mundo.

Estavam a salvo.

E com os braços de Draco em volta de si, Harry sabia: estavam em paz.


Esta aqui é a tradução do encantamento lá em cima. Deus me ajude se alguém que efetivamente saiba inglês antigo chegue a ler isso, porque foi uma atrocidade da gramática, mas foi o que eu consegui fazer com um tradutor online.

¹Æt ǽhtgeweald galdorcræft (pelo poder da magia)

lǽdan ǽghwilc líffruma (guiar toda vida [fonte de toda vida = deus])

to níwe léoht (para um novo mundo)

ætbéon á on écnisse (que seja sem fim)

innan galdorcræft (em sua magia)

bletsian mid hleo (abençoe-nos com abrigo)

forniman, modor (leve-nos, mãe)


E esse foi o fim, o próximo é o Epílogo.

xD

R E V I E W !