Capitulo 36 – Uma Questão de Princípios
Sobrevoavam o oceano em seus pégasus por cerca de três horas, antes de avistarem o castelo de Hogwarts. Voldemort, Cronos e um Deus traidor iriam atacá-los em breve, embora fosse impossível determinar quando. O que os outros Deuses haviam decidido no Conselho – sobre deixar ou não os bruxos viverem - ainda era um mistério.
- Quem você acha que é o traidor? – Harry perguntou a Percy, enquanto ainda voavam.
- Não sei, no meu sonho estava escuro demais para ver o rosto dele... Não tenho nem idéia de quem seja...
- Você disse que estavam numa casa, certo?
Percy concordou com a cabeça.
- Como ela era?
- Velha, caindo aos pedaços. Cheiro de mofo por toda parte, as cortinas e poltronas rasgadas, com um chão se desfazendo. Basicamente, era isso.
O bruxo pareceu refletir por um segundo. Pouco provável... Pensou Harry
- Se um Deus estava lá – sugeriu Hermione -, isso quer dizer que um Deus não compareceu ao Conselho.
- Ou – tentou Rony – quer dizer que o Conselho já terminou...
Todos estremeceram. O que os Divinos teriam decidido?
- Senhor Dumbledore – perguntou Thalia ansiosa, sem saber como se referir ao diretor – Qual é o plano?
- Chame-me apenas de Dumbledore, ou professor, se preferir. Quanto ao plano... Bem, se o sonho de Percy estiver correto, Hogwarts já pode estar sob ataque quando chegarmos lá. Caso não esteja, informaremos a todos sobre o que está havendo. Dispensaremos aqueles que não quiserem participar da Guerra. Os que quiserem poderão ficar.
- E se os Deuses votarem pela eliminação do mundo Bruxo?
- Nesse caso, não poderemos fazer nada.
Quando aterrissaram no gramado de Hogwarts, perto das estufas, estava de noite. Assim, felizmente, não havia ninguém lá para vê-los. Percy ordenou que os pégasus procurassem os centauros na Floresta Negra e lá ficassem, até segundas ordens. Blackjack e os outros seguiram os comandos fielmente.
Caminharam em direção ao castelo.
- É estranho estar de volta ao castelo – sussurrou Gina – Agora que sabemos que existem outras coisas no mundo além dos bruxos.
Subiram as escadas diretamente para o escritório de Dumbledore. O diretor, no caminho, pediu aos quadros que acordassem os professores de Hogwarts, e pedir para que viessem falar com ele.
Quando chegaram no escritório, Dumbledore sentou-se atrás da escrivaninha.
- A profecia – começou o professor – diz que as sombras, todos terão que combater alguma idéia do que isso significa?
Todos balançaram a cabeça negativamente.
- Que somente juntos poderemos derrotar Cronos e Voldemort? – sugeriu Annabeth.
- Provavelmente sim – concordou Dumbledore – Somente unidos... Mas, existe uma coisa que me é estranha, na qual não consigo parar de pensar...
- O que é? – indagou Nico.
Antes que o professor tivesse tempo de responder, todavia, Minerva McGonagall entrou na sala, sem bater na porta.
- Pelas barbas de Merlin! – ela esbravejou quando viu Dumbledore – Então é verdade, você está em Hogwarts.
- Sim.
- Como fugiu de Azkaban? Oh, logo o Ministro estará aqui, será o primeiro lugar no qual irão procurar! Dumbledore, é melhor que você fuja! Eu lhe darei toda a cobertura do mundo, caso você precise, pode ter certeza disso...
- Minerva, sinto muito, mas não voltei aqui para fugir...
- Então, o que é? – perguntou ela curiosa.
- Prefiro, para evitar contar a história várias vezes, apenas dizer tudo quando todos estiverem aqui.
Snape entrou na sala com um sorriso torto.
- Sabia que não conseguiriam mantê-lo preso por muito tempo, Dumbledore. Mas não imaginava que você voltaria para o colégio assim tão cedo...
O diretor assentiu.
- Presumo que tenha um motivo para tal.
O diretor assentiu novamente. Então, pela primeira vez, os professores perceberam a presença dos garotos no colégio.
- Harry, Rony, Gina e Hermione... – sussurrou Minerva – Por que não estou surpresa em vê-los aqui? Quando percebi que vocês tinham sumido, me preocupei muito, sabiam? Onde é que os senhores estavam?
- Poupe-nos de explicações – pediu Snape – Estão aqui agora, mas é mais importante saber onde vão estar... E a resposta é: na detenção, pelo resto da vida escolar de vocês.
Dumbledore levantou a mão.
- Por favor, eles fugiram do colégio, sim. Mas foi por uma boa causa e mesmo depois que eu explicar toda a história vocês ainda quiserem colocá-los na detenção, então tudo bem.
E os professores viram os semideuses.
- E que são vocês? – perguntou Snape.
- Não se lembra de mim? – perguntou Percy.
- Nem de mim? – indagou Annabeth.
Os professores olharam para eles como se estivessem falando em grego antigo.
- Feitiço de apagar memória – explicou Dumbledore – Lancei em todo o colégio assim que vocês saíram, pela primeira vez.
Os professores foram chegando aos poucos. A professora Trelawney, Flitwick, Slughorn, e alguns outros. Todos ficavam devidamente surpreendidos em encontrar seu diretor no escritório, levando em consideração que ele deveria estar na prisão de maior segurança do planeta.
- Eu sei que vocês devem estar se perguntando o que faço aqui – começou Dumbledore – de onde surgiram os bruxos ao meu lado e quem são essas outras pessoas. Infelizmente, receio que não tenho tempo para lhes explicar tudo isso nos mínimos detalhes. Assim sendo, contarei uma versão resumida dos fatos e pedirei que a escutem e depois decidam o que querem fazer, sim?
Todos assentiram.
- Não existe forma fácil de dizer isso, então vou simplesmente falar: os Deuses Gregos existem.
A sala ficou em silêncio. Todos encaravam Dumbledore espantados. Sim, como eles temiam, Azkaban roubara a sanidade de seu diretor.
- Dumbledore... – começou Slughorn – Por que não se senta?
- Sim, sim – concordou Minerva – Talvez seja melhor descansar, creio que Azkaban deve ter sido realmente muito ruim...
- A reação de vocês é natural – afirmou Dumbledore – Todavia, não temos tempo para isso. Vocês precisam acreditar em mim. Eu descobri sobre a existência dos Deuses há muito tempo, quando pesquisava a origem dos bruxos. A história é bastante interessante e, se sobrevivermos a tudo o que vai acontecer, talvez eu conte a vocês algum dia... Mas o importante é: os Deuses existem. Não só existem como todas as histórias da mitologia grega são verdades... Todos os monstros, batalhas, tudo...
Snape deu um passo a frente.
- Então – como sempre, ele era o que tinha o raciocínio mais rápido –, eu imagino que esses garotos atrás de você sejam...
- Semideuses – concordou Dumbledore – Filhos de Deuses com mortais.
- Filho de Poseidon – Percy deu um passo a frente.
- Filha de Atena – Annabeth o seguiu.
- Filho de Hades – Nico falou.
- Filha de Zeus – apresentou-se Thalia.
- O Minstério – continuou Dumbledore – manteve isso em segredo por milhares de anos. Os Deuses temiam terem criado uma raça muito poderosa, os Bruxos, e que, caso um titã se unisse aos bruxos, eles sobrepujariam o Olimpo.
- Isso é insano... – tentou Slughorn.
- É a verdade. E o que eles temiam aconteceu. Voldemort, de alguma forma, descobriu sobre o Mundo Grego e se aliou a Cronos, Titã do Tempo e das Dúvidas. Eles planejam destruir não somente o Olimpo, como todo o Mundo Grego e Bruxo. Eles começaram uma nova era, na qual todos serão seus subordinados.
- Por que está nos contando tudo isso? – perguntou Snape – Devemos alertar o Ministério!
- Deveríamos – concordou Dumbledore – Mas Fudge se tornou irracional, ele quer tanto manter o Segredo a salvo, que não é capaz de ver o que é melhor para todos. Provavelmente apagaria todas as nossas memórias e deixaria que nossos inimigos tenham o que querem: o mundo. Nós precisamos agir.
- Mas... Eu não entendo – McGonagall estava confusa – Disse que descobriu isso há anos, por que está nos contando agora?
- Voldemort e Cronos. Descobrimos o plano deles e eles estão prestes a colocá-lo em prática.
- Isso quer dizer que...
- Que eles irão começar o ataque. E iniciarão por Hogwarts.
Todos os professores arregalaram os olhos.
- Por Hogwarts? Mas então...
- Sim, eles logo estarão aqui – confirmou Alvo.
- E o que você sugere? – perguntou Trelawney.
- Quero saber se vocês estão comigo? Não posso forçá-los a participar disso...
Todos pensaram por um segundo. McGonagall foi a primeira a dar um passo a frente.
- Já vivi longamente, se puder morrer em prol de todos os bruxos, será uma honra.
- Igualmente – disse Snape – Exceto pela parte do "viver longamente"...
No final, todos os professores estavam unidos.
- Temos que informar os alunos – disse Minerva.
Dumbledore assentiu.
- Vão, expliquem a todos eles toda a situação. Pergunte-lhes se querem participar. Os que não quiserem devem ser conduzidos para fora do colégio o quanto antes!
E assim, os preparativos para a Guerra começaram a ser feitos. Todos os professores disparam em direção aos Salões Comunais. Deixando Dumbledore sozinho com os Escolhidos.
- Ei – disse Nico – Eu estive pensando uma coisa... Como disseram, talvez o Deus traidor seja o que não compareceu ao Conselho, certo?
Todos assentiram.
- E, bem, nós sabemos que todos compareceram, exceto uma...
- Você lave essa sua boca! – Thalia deu um passo a frente para socá-lo, mas Rony a impediu.
- Acalme-se, faz sentido.
- Mas do que vocês estão falando? – perguntou Harry, confuso.
- Artemis – esclareceu Annabeth – Ela é a única Deusa que não compareceu ao Conselho.
- Por que foi capturada! – explodiu Thalia – Eu vi ela sendo capturada, ela o fez para me salva! É impossível que ela seja a traidora...
- Thalia está certa – informou Dumbledore – Artemis não foi vista desde que foi capturada e, como sabemos, o traidor está no Olimpo, recebendo informações diretas sobre os planos de Zeus...
- Onde possivelmente está Artemis? – perguntou Hermione, se mordendo de curiosidade. Ela detestava não saber das coisas.
Todos se puseram a pensar sobre o assunto. O poder da Deusa poderia ser útil na Guerra... Voldemort a capturou no sul dos Estados Unidos e, desde então, ninguém nunca mais ouvira falar dela. Nem mesmo os Deuses eram capaz de encontrá-la... Onde ela poderia estar?
- Não se preocupem – Dumbledore acalmou a todos – Iremos fazer Voldemort falar, tenham certeza disso. Ela vai aparecer...
- Esperemos que esteja certo.
- E, Thalia, sobre aquilo de destruir Zeus para salvar Artemis... Não se deixe convencer. Talvez Voldemort e Cronos até lhe devolvam Artemis, mas o Olimpo sem Zeus não se sustenta e logo tudo estaria perdido. Não importa o que digam, você não pode aceitar o que Cronos lhe diz.
A filha de Zeus assentiu. Ouviram-se passos correndo, do lado de fora. McGonagall entrou apressada na sala, sem bater e esbaforida de tanto correr.
- Alvo, alvo – disse ela pegando fôlego – estão aqui. Eles estão aqui...
- Mas, o quê? – explodiu Nico – É muito cedo! Não estamos prontos!
- Teremos que estar... – disse Harry – é melhor irmos...
- Harry, espere! – pediu Dumbledore, mas o garoto já tinha saído porta a fora, seguido por todos os escolhidos.
Minerva olhou para o diretor sem saber o que fazer. Dumbledore suspirou.
- É hora da Guerra, Minerva. Aqueles que decidiram ficar... É hora de lutarem...
Harry ia na frente de todos, caminhando a passos largos.
Atravessaram as escadarias e saíram pela porta da frente. Estavam na entrada de Hogwarts. Os bruxos tinham suas varinhas em punhos. Percy tinha Contracorrente. Thalia carregava uma espada longa e Annabeth uma adaga. Nico tinha uma espada, mas não parecia saber como usá-la.
- Eles querem destruir o Mundo Bruxo – sussurrou Harry.
- Querem destruir o Mundo Grego – acrescentou Percy.
- Vão destruir tudo – corrigiu Annabeth.
- Nós somos os únicos que podem impedi-los... – falou Harry.
- E iremos. – finalizou Percy.
Estavam prontos para a batalha.
- HAHAHAHA! – a risada ecoou pelas colunas de pedra – Os Oito reunidos! Eu tentei evitar que isso acontecesse, é verdade, mas visto que não foi possível, acho que terei que fazer do jeito mais difícil – Voldemort apareceu no campo de visão dos oito, caminhando vagarosamente – Matá-los um a um... Avada Kedavra!
- Protego!
Pararam de lançar feitiços e se encararam. Nagini deslizava pelos pés de seu mestre.
- Ainda dá tempo de parar – comentou Nico – Você não tem que fazer isso, pode simplesmente ser preso.
- É inútil discutir com ele, Nico... – tentou Rony.
- E por que eu deveria desistir? – Voldemort estava curioso.
- Somos dois mundos inteiros, contra somente você e Cronos. E além disso, temos a Profecia, ela nos disse como ganhar de vocês...
O bruxo das trevas abriu um largo sorriso.
- Dois mundos inteiros... Contra nós? Ah, vocês se esquecem de algo... Cronos é um titã! Pai dos Deuses! E eu sou o maior bruxo que já existiu! Nunca se esqueçam disso...
- É mentira! – exclamou Harry – O maior bruxo é Dumbledore!
Voldemort olhou para Harry com seus olhos ofídicos. Sua cara era uma incógnita.
- Dumbledore? – ele perguntou calmamente – Alvo Dumbledore? Vamos ver se você ainda terá esse pensamento no final da noite... Quando eu tiver ganhado... E Dumbledore estiver morto! Crucius!
Todos desviaram da magia.
- Avada Kedavra! Expelliarmus! Bombarda! – Voldemort lançava uma magia atrás da outra.
Na maior parte do caso, eles desviavam. Quando podiam, defendiam com Protego, ou redirecionavam a magia com Bronze Celestial. Por fim, terminaram por cercar Voldemort.
- Mesmo que você seja o melhor bruxo – disse Annabeth, quando todos estavam ao redor de Voldemort e ele não tinha para onde fugir – ainda está em menor número, não conseguirá... Desista...
- Desistir? – ele ergueu uma sobrancelha – Menor número? Você não tem idéia do que está enfrentando, tem? Isso aqui está apenas começando... – e então ele deu a ordem. Sua voz foi fria como a noite. Uma única palavra, que causou tamanha dor. Foi quase um sussurro – Ataquem...
E o caos foi feito em Hogwarts. Manchas negras cruzaram o céu do colégio. Comensais da Morte. Eles lançavam magias explosivas, destruindo a estrutura do colégio. Os professores, desprevenidos, não tinham tido tempo de lançar qualquer feitiço protetor. Estavam completamente desarmados. As Górgonas surgiram de trás das colunas de pedra. Dracaenaes também se revelaram.
- Olha o que temos aqui – disse Medusa – Se não é Percy Jackson... A praga que me mandou par ao Tártaro! – sua voz estava cheia de escárnio.
- E os outros também... – disse outra irmã Górgona – Miséraveisss... Nos transformaram em cálices!
Voldemort tinha um sorriso de orelha para orelha, enquanto todos os seus comensais destruíam o colégio.
- Vejo que vocês já se conhecem... Pois bem, ainda tem um velho amigo de vocês aqui... Vocês tiveram a oportunidade de conhecê-lo em Nova York... – e convocou a besta.
Seus passos faziam o solo tremer. Percy compreendeu de imediato do que se tratava. Annabeth e os outros semideuses logo se seguiram a compreensão. Os bruxos, só se lembraram quando finalmente viram – com exceção de Gina e Rony, que não estavam presentes na ocasião. Eles viram a Químera se aproximando.
- Vejo que vocês tem muito o que por em dia. É uma coincidência, eu também tenho muito o que por em dia... Com Dumbledore.
Ao dizer isso, disparou como uma mancha negra em direção a torre do diretor.
- Encarcerous! – tentou Harry – Volte aqui, covarde!
Mas Voldemort já estava longe demais para ouvir. E Harry tinha problemas mais imediatos com o que se preocupar. Qualquer coisa haver com górgonas vingativas, dracaenaes iradas e uma quimera descontrolada. Apenas o básico.
Dentro do colégio, podia-se ouvir o barulho de magias sendo lançadas. A briga com os Comensais já tivera início dentro do castelo.
- Harry - disse Percy sem tirar os olhos da Químera – Vá para dentro.
- O quê? Não vou sair daqui...
- Vá! Encontre Voldemort e detenha-o!
- Dumbledore sabe se cuidar, vocês precisam de ajuda.
- Não sei qual deles é mais forte – admitiu Annabeth – mas já ouvi o bastante de Voldemort para saber que ele deve ser temido. Talvez seja melhor que você vá, nós também sabemos nos cuidar...
O bruxo não precisou de um segundo motivo. Colocou-se a correr, castelo adentro. Rumo a torre de Dumbledore.
- E vocês, seus bichos feios – falou Percy – Vamos resolver nossos problemas de uma vez por todos.
Medusa saltou sobre Percy, mas ele aparatou a cauda dela com Contracorrente. Ela girou, tentando cravar suas unhas no pescoço do Príncipe do Mar, mas ele se agachou velozmente, rolando pelo chão.
- Petrificus Totalus! – gritou Gina, acertando uma das irmãs górgonas em cheio.
Nada aconteceu. A serpente encarou-a estupefata.
- Garota estúpida... Está mesmo tentando transformar uma Górgona em... pedra?
- Não, apenas mantê-la distraída – Gina soltou um risinho, enquanto a espada de Thalia perfurava a Górgona e a partia em duas. O monstro se transformou em poeira e desapareceu, sendo enviado para o Tártaro.
Nessa hora, os portões do castelo de Hogwarts se abriram e vários bruxos saíram lá de dentro, numa guerra de feitiço com os Comensais. Era um show de luzes. Haviam raios verdes, vermelhos e azuis. Escudos acima de tudo. Ouviam-se gritos, risadas, soluços, tudo.
- A batalha já começou! – gritou Percy.
- É melhor nos separarmos – sugeriu Hemrione.
Annbeth assentiu.
- Eu irei com Percy, lidaremos com a Químera – disse ela – Nico e Thalia, detenham os Comensais. Hermione, Rony e Gina, cuidem das Górgonas e Dracaenae.
E assim foi feito.
- Podia ser pior... – disse Rony no meio do combate, ofegante, com a varinha em punho.
- Estupefaça! – gritou Gina para uma Górgona – É mesmo? Como?
- Podiam ser aranhas no lugar de serpentes, isso sim seria um problema.
Uma dracaenae saltou sobre eles mas Hermione a repeliu com um bombarda.
- Vera Verto! – ela tentou transformar os monstros em cálices, tinha funcionado no passado. Mas eles estavam mais espertos que antes e desviavam dessa magia.
Eram duas górgonas – visto que Thalia já havia partido uma – e três dracaenae. Medusa girou seu corpo, batendo com a cauda nas costas de Gina e fazendo com que a garota caísse sobre seus próprios joelhos. O monstro saltou sobre a indefesa menina.
- Estupore! – Rony gritou e Medusa voou para longe, mas uma dracaenae já estava sobre Gina.
Mas a ruiva estava esperta. Rapidamente rolou para o lado e gritou:
- Vera Verto!
A enorme serpente contorceu-se até virar um lindo cálice de ouro. Todos os monstros urraram em protesto. Ao redor de tudo isso, a luta com os Comensais se acirrava ainda mais. Gina ergueu-se de um salto.
- Encarcerous! – Hermione mirou em Medusa, mas o monstro desviou sem maiores dificuldades.
Uma Dracaenae se atirou sobre Hermione, enquanto ela estava distraída atacando medusa, e a prendeu com sua enorme cauda. Enforcando a garota e apertando a caixa torácica da garota até que seus ossos quase se partissem.
- Arrrrghh! – ela gritou.
- Estupefa...! – gritou Gina mirando na Dracaenae.
- Espera, você vai acertar na Hermione!
Gina parou no meio do feitiço, mas Medusa não parou. A Górgona acertou uma caudada na mão da garota fazendo com sua varinha voasse para longe, deslizando pelo chão.
- ARGGGHHH! – Hermione ainda gritava.
- Ai, droga! – gritou Rony consigo mesmo, eram muitos inimigos contra apenas três... O que ele podia fazer? Pensa, pensa... – Imperius!
Um raio vermelho se deslocou da varinha do bruxo até a dracaenae que apertava Hermione e a acertou em cheio.
- Solte-a! – ordenou Rony – Ataque as Górgonas!
E a Dracaenae obedeceu fielmente, liberando a bruxa e se jogando contra a irmã de medusa.
- Accio varinha! – gritou Hermione assim que estava solta. A varinha de Gina voou para mão de Hermione, assim que a bruxa segurou a varinha, jogou-a para Gina que a agarrou no ar.
- Depulso! – gritou a ruiva.
A magia acertou na irmã de medusa, atirando-a contra uma das colunas. Nesse momento, as garras da Dracaenae se cravaram na górgona, transformando-a em poeira.
- NÃÃÃO! – Medusa explodiu – Pagarão caro por isso, eu lhes prometo! – e atirou-se sobre Hermione.
- Proteja-a! – exigiu Rony, e a Dracaenae se pôs entre Hermione e Medusa, mas o golpe da Górgona acertou a Dracaenae, transformando-a em poeira e enviando-a para o tártaro.
- Não! – disse Medusa novamente, recuando.
- Falta só uma Górgona e uma Dracaenae! – Rony assoviou – Nada mal, time, nada mal mesmo.
- Annabeth! – Percy gritou arremessando a adaga da garota de volta para ela.
A garota pegou-a no ar e, em seguida, deslizou pelo chão desviando das enormes garras da Químera. O monstro soltou fogo pela boca de dragão. Os dois semideuses desviaram facilmente, mas o fogo acertou alguns bruxos e Comensais que lutavam nas redondezas.
Percy espetou Contracorrente numa das pernas de Químera, mas sua pele devia ser feita de diamante, pois nem um arranhão sequer foi feito. O mesmo problema da biblioteca, um monstro imbatível...
- Annabeth! Como se mata uma Químera?
- Segundo a lenda... – Annabeth checou rapidamente sua memória – um herói uma vez destruiu-a, cortando a cabeça dela,voando em um pégasus...
- Um pégasus? Mas nós o mandamos para a Floresta Negra!
Ele rolou no chão, desviando de uma dentada da cabeça de Leão da Químera.
- Então é bom pensarmos em alguma coisa...
O monstro soltou mais fogo. Fogo, fogo, fogo...
- Fogo! – gritou Percy – É isso! Eu preciso de água!
- Água? Percy... Essa idéia não é muito melhor que a do Pégasus, não temos nem um dos dois...
Percy desviou de uma patada da Químera e interceptou um Comensal da Morte, bateu com a parte chata de Contracorrente na cabeça dele e o bruxo caiu desmaiado. O semideus olhou para o aluno que estava enfrentando o Comensal.
- Hã... Com licença – pediu ele – Pode me dar um pouco d'água?
O estudante estava confuso.
- Água, sabe? Dá pra fazer um pouco? – Percy se lembrava que, enquanto estava disfarçado de estudante de Hogwarts, Harry tinha lançado um feitiço nele, criado água, durante a detenção de Snape. O semideus defendeu outro Comensal.
O aluno assentiu com a cabeça.
- Aqua Eructo! – e um jato de água saiu da varinha do estudante – Me ajude a controlar isso aqui, ok?
Percy controlou a água com seus braços, formando uma enorme esfera controlada de água. A Químera preparou-se para soltar outra baforada de fogo, mirando em Annabeth. Percy enviou a água para proteger a amiga, criando uma barreira. O estudante ajudava os movimentos de Percy controlando a água com a , do contrário seria muito difícil até mesmo para um filho de Poseidon controlar toda aquela quantidade de água.
Percy jogou toda a água em cima da Químera, prendendo-a numa espécie de bolha aquática.
- Thalia! Não que eu queira interromper, mas dá uma ajudinha aqui?
A filha de Zeus olhou para Percy, enquanto Nico defendia um Comensal. Quando viu Químera cercada por água, entendeu todo o plano em um único segundo. Ela assentiu com a cabeça.
Concentrou todas as suas energias na espada que tinha em mãos, fez uma prece silenciosa a seu pai, mirou e atirou sua arma como se fosse uma lança. A espada voou em direção a Químera e atingiu-a no centro da cabeça de leão. Quando a arma colidiu, explodiu em relâmpagos e raios, eletrocutando a enorme besta.
Ouviu-se um enorme rugido de dor, que as três cabeças da Químera soltaram simultaneamente. E então, o monstro caiu no chão, com um baque surdo. Em seguida, transformou-se em poeira.
Harry subia as escadas da torre tão veloz quanto podia.
Havia briga em absolutamente todos os lugares. Jatos de luz voavam por sua frente, por suas costas e ao seu lado, fossem eles de Comensais ou de estudantes. Viu Slughorn protegendo alguns alunos do primeiro ano, que não tiveram tido tempo para fugir. Minerva, junto com alguns alunos do sétimo ano da Grifinória e da Corvinal formavam um espécie de esquadrão de avanço. Defendiam a todos e em seguida contra-atacavam os bruxos das trevas, repelindo-os para fora do colégio.
O garoto gostaria de poder parar e ajudar a todos e, de fato, as vezes lançava uma magia aqui e ali, mas não tinha tempo para isso. Chegou até a estátua de dragão que levava a sala de Dumbledore, a passagem já estava aberta. Voldemort já devia ter subido – provavelmente usaram alguma magia para abrir a passagem, visto que não conhecia a senha.
Harry subiu as escadas com o coração na mão. Ele conseguia ouvir os gritos do diretor e do Lord das Trevas, magias poderosas estavam sendo lançadas. Quando terminou as escadas, atirou-se contra a porta, abrindo-a com os ombros.
A sala que Harry encontrou nem sequer se parecia com aquela que ele tinha abandonado a alguns minutos. Os quadros estavam todos caídos no chão, quebrados ou se quebrando. Todos os personagens haviam abandonado-os, deixando apenas uma moldura vazia. Os livros, que antes estavam na prateleira, estavam jogados e estraçalhados pelo chão, pedaços de folha de papel contaminavam o ar. Havia vidro e poeira. A Fênix de Dumbledore sobrevoava a sala fazendo círculos e, hora ou outra, descia e atacava Voldemort com as patas.
- Harry! – disse o diretor quando o viu – O que está fazendo aqui? Saia!
- Não! Eu vim ajudá-lo!
- Isso não é conveniente? – se intrometeu Voldemort- Assim posso matar os dois juntos... Avada Kedavra!
- Depulso!
O feitiço de Voldemort foi destinado a Harry, mas o Depulso de Dumbledore atingiu o garoto primeiro, jogando o para trás – contra a penseira. O Avada Kedavra passou por onde Harry tinha estado há uma fração de segundos atrás, colidindo contra a parede.
- Confringo! – Dumbledore lançou contra Voldemort, mas o inimigo se defendeu com uma magia não verbal. Harry se levantou.
- Glassius! – gritou o garoto, mas novamente Voldemort se defendeu – Expelliarmus!
- Avada Kedavra!
- Protego!
- Podemos ficar aqui a noite inteira sem um vencedor, Alvo... – disse Voldemort.
- Ou você pode se render – ele disse lançando um feitiço não verbal no Lord das Trevas – O que for mais conveniente.
- Receio que eu tenha vindo para cá com um objetivo, e não saio daqui sem ele...
- E qual é o objetivo?
- Eliminar os Escolhidos, por serem a maior ameaça que há para mim e Cronos, e eliminar você, apenas por uma questão de princípios... Crucios!
- Protego! Como sempre, vaidoso... Vai me eliminar apenas por princípios? Sabia que me enfrentar pode lhe custar tudo, não sabia?
- Estou confiante de que vou ganhar.
- Tom Riddle... – Dumbledore suspirou – Ainda não se tocou? Você e Cronos, com seus Comensais e monstros, podem até formar um exército impressionante... Mas, nós somos todo o mundo bruxo e grego unidos. Como pode competir com isso? Em breve o Ministério estará aqui... Como pode estar tão certo de que vão ganhar?
- Eu sei que vamos ganhar. Vocês podem até estar em maior número... Mas, não podem usar magia negra como nós podemos. Entenda, é apenas uma questão de princípios, vê? ANIMUS CORPUS!
Voldemort não mirou isso em Dumbledore, mas sim para fora da janela. O jato de luz atravessou a janela e se espalhou pelo mundo. O diretor olhou estupefato para Voldemort.
- ...O que foi que você fez? – ele não conseguia acreditar.
- Eu acabei de criar alguns milhares de Inferi, entende? Temos mortos no nosso time. Sabe como sei que ganharemos? Vocês podem até afastar os inferis e, talvez eliminá-los, mas eu sempre posso trazê-los de volta... Vocês não estão em maior número, nós estamos.
- Você criou inferis? – Dumbledore ainda não conseguia acreditar. Aquilo sim era algo preocupante...
- Mortos vivos... – sussurrou Harry.
Voldemort sorriu.
- Sim, mas querem saber? Acho que já perdi tempo demais aqui com vocês... Vamos acabar logo com isso, tenho uma Guerra para ganhar. – Voldemort olhou para todo o papel, restos dos livros de Dumbledore, que havia espalhado pelo chão – Fogomalditus!
E uma enorme labareda de chamas em forma de serpente saiu da varinha de Voldemort. O fogo pegou rapidamente no papel e em menos de cinco segundos a sala de Dumbledore eclodia em chamas. Voldemort ainda lançou um incêndio na porta.
- Divirtam-se com isso... – disse ele e desapareceu como uma mancha escura, saindo pela janela.
- Professor! – gritou Harry. O fogo na sala tornava tudo difícil de se ver – Aguamenti! – mas a magia era fraca demais para deter um feitiço como o Fogo Maldito.
Dumbledore ergueu sua varinha acima da cabeça.
- REGERE ELEMENTUM! – disse ele, girando violentamente sua varinha por cima da cabeça. Ele parecia estar concentrando cada fibra do seu ser nessa tarefa. As chamas obedeceram a seu comando e começou a seguir sua varinha. O Fogo Maldito formou uma espécie de anel acima de Dumbledore, enquanto esse sacudia a varinha. Dumbledore quase não conseguia falar, de tanto esforço – Harry... Saia... da Sala...
- Mas...
- Saia!
Harry atravessou a porta – que agora estava sem chamas, visto que Dumbledore as controlava – e desceu as escadas em um salto. Não estava gostando nada daquilo. Nada mesmo. Dumbledore? Como ele sairia da sala? O garoto quis voltar para lá e ajudá-lo, mas sabia que nunca conseguiria ajudar alguém como Dumbledore. Pelo contrário, apenas atrapalharia... Esperava que o diretor conseguisse sair dessa a salvo...
Thalia atravessou Circe com sua recém recuperada espada. O monstro se desfez em poeira. Nico, ao seu lado dava cabo de dois Comensais. Eram muitos. Muitos Comensais e muitos monstros. Chegava a ser difícil dizer quando tantas pessoas apareceram. Era muita gente. Os Comensais e os monstros estavam causando um estrago e tanto. Ouvia-se os gritos do castelo...
- Thalia, o que faremos? – perguntou Nico entre um golpe e outro.
- Eu não sei! Tem muitos inimigos! – ela cortou a cabeça de uma dracaenae.
- É melhor pensarmos em alguma coisa...
Percy e Annabeth, como haviam acabado com a Químera agora lutavam junto com Thalia e Nico. Pelo menos lutaram, até que Percy avistou o Minotauro. Desnecessário dizer que a visão do rival despertou antigos ressentimentos em ambos, e os dois partiram para o combate.
Encontraram Yaxley e Bellatrix Lestrange aterrorizando alguns alunos do quinto ano.
- Por que não assustam alguém do seu tamanho? – sugeriu Nico.
Bellatrix olhou para ele com seu olhar brincalhão. Em seguida fez uma cara de bebê.
- E você é do meu tamanho, é? Quer brigar comigo? Quer? Avada Kedavra!
Nico refletiu o golpe com seu Bronze Celestial.
- Uh, uma espada que reflete magia. Tenho que me lembrar de destruir isso, depois que te matar – afirmou a Srta. Lestrange.
- Você? – Annabeth avistou Yaxley.
- Fico feliz em ver que você ainda se lembra de mim... Creio que deixamos alguns assuntos inacabados na biblioteca de Nova York, não é verdade?
- Sim, certamente deixamos – o olhar de Annabeth estava sombrio como a noite - Você e Lúcio queimaram a biblioteca... Tem alguma idéia de quanto conhecimento estava armazenado ali? ELES TINHAM UM ANDAR SOMENTE PARA ARQUITETURA! VOU ARRANCAR-LHE A ALMA!
E ao gritar isso, a garota partiu para o ataque. Todavia, antes que pudesse chegar perto o bastante de Yaxley, para que seu punhal o atingisse, apareceu algo no céu. Poucas pessoas viram que o raio de luz havia saído de uma torre. Mas muitas o viram, quando ele penetrou no solo.
Segundos de ansiedade. Os Comensais sabiam o que aquilo significavam e sorriram. Os alunos mais velhos entenderam o feitiço e temeram, os mais novos apenas ficaram curiosos para saber o que tudo aquilo significava.
Demorou cerca de um minuto. Um apreensivo e silencioso minuto, no qual todas as lutas permaneceram paradas. O primeiro sinal foi uma mão que se ergueu da terra. Uma mão feita somente por osso, sem pele alguma. Em seguida, centenas de corpos de mortos vivos saíram das terra. Eram somente esqueleto. Os alunos gritaram desesperados. Paralelamente, os Comensais e monstros gargalharam vendo a reação de seus inimigos.
- Nico – disse Thalia, pálida como o mármore – Lembra-se do que disse sobre eles serem muitos?
O garoto assentiu gélido até a espinha.
- Aham...
- Pois é, a situação acaba de ficar consideravelmente pior...
Quase como se os eventos tivessem sido planejados, eles aconteceram. Simultaneamente. No mesmo momento em que os mortos vivos se ergueram, ouviu-se o som de uma trombeta, vindo do horizonte. Ele fez vibrar o ar, ensurdecedor.
Todos olharam para a entrada de Hogwarts a tempo de ver um centauro se postando a frente de um exército de guerreiros. Quíron estava com a corneta, e os guerreiros haviam chegado. Os semideuses haviam chegado. O Acampamento Meio-Sangue estava ali, em Hogwarts. Reforços...
Ninguém poderia ter notado. Deveras, no meio daquela confusão! Se ninguém notou, quem diria Annabeth? Não, a situação passara completamente despercebida pela garota. E por Percy e Thlia também. No final, se resumia a esses três, eles eram os únicos que tinham uma verdadeira chance de reconhecê-lo. Nessa confusão, ninguém notara, mas Luke – ou deveria ser dito Cronos? – também estava em Hogwarts. Manteve-se calmo até o momento, mas a situação estava prestes a virar. Cronos tinha o poder para criar um grande estrago no Mundo Bruxo, e estava disposto a fazê-lo...
