Disclaimer: Twilight e seus personagens pertencem à Stephenie Meyer. Esse Edward é todo meu.
Unfeeling
Extra #2 – Gravidez (Parte 3 – Final)
:: Edward POV ::
"Você tem certeza que está bem? Bella, você sabe que posso sair daqui a qualquer momento e ir pra casa." eu disse com o telefone entre a orelha e o ombro, enquanto Angela ia me dando papeis para assinar.
"Eu estou bem, Edward. Foi só uma dorzinha de nada. A Dra. Meyer disse que era normal, lembra? Estou com 39 semanas. É normal sentir uma pontadinha ou outra. É preparação para o parto. Não se preocupe, se eu precisar de você, eu ligo. E Alice está aqui." Bella disse na linha.
Mesmo sabendo que ela estava bem assistida, eu não relaxei.
"Mesmo assim. Me ligue se a menor coisa mudar."
Ela riu. "Prometo que ligo. Agora vá trabalhar e volte logo pra casa."
"Ok." eu sorri para o telefone. "Até mais tarde, amor."
"Até."
Desliguei o telefone e encarei Angela, que me olhava com um sorrisinho cretino.
"O que foi?"
"Você aí, todo preocupado. Quem te viu e quem te vê." ela riu.
Eu me senti corando, mas ignorei as risadinhas de Angela e voltei a trabalhar. "Você consegue me deixar sair mais cedo hoje, Ang? Não aguento ficar tão longe de Bella. Não agora que está tão perto da Elizabeth nascer."
"Vou ver o que posso fazer, chefinho." ela disse, dando uma piscadela. Eu sorri. "Agora leia esse formulário. O Comitê de Ética quer sua aprovação."
"Ok." eu bufei, e então encarei o papel à minha frente por cerca de dois segundos antes de minha mente começar a vagar.
Desde que eu tinha ido à consulta com Bella, e visto nossa filha no ultrasom, eu tinha praticamente mudado da água pro vinho. De repente, meus pensamentos não eram mais sobre se eu conseguiria ser um bom pai ou se eu conseguiria me controlar o suficiente para isso. Agora tudo que eu pensava era em fazer com que tudo fosse perfeito... Para Bella e para nosso bebê.
Foi uma mudança que deixou tanto Bella, Alice, Angela e até eu próprio em choque. Jasper me disse que sabia que mais cedo ou mais tarde eu aceitaria a ideia, o que me fazia pensar em como diabos ele me conhecia ao ponto de saber disso.
De qualquer jeito, foi uma mudança positiva. Logo estávamos montando o enxoval, e depois de mais um mês, eu pedi a Bella para se mudar e morar comigo e Alice. Eu não gostava nem um pouco da ideia dela morando sozinha enquanto estava grávida, mesmo que o apartamento dela fosse no mesmo prédio que o nosso.
Felizmente, ela aceitou sem maiores condições. Ela também não estava gostando muito da ideia de morar sozinha. Então, ela se mudou. Abri espaço no meu closet para suas coisas e basicamente rearrumei meu quarto inteiro para que ela pudesse dividir o espaço comigo.
Quem diria... Eu dividindo meu quarto com alguém. Bella e Alice estavam radiantes por serem 'colegas de quarto' outra vez, e eu confesso que às vezes precisava ligar para Jasper e Ben e ter uma noite de rapazes num bar qualquer. A quantidade de hormônio feminino naquele apartamento às vezes era sufocante.
O tempo tinha passado rápido depois disso. A barriga de Bella só crescia e crescia, e eu posso ou não ter chorado quando senti meu bebê mexendo na barriga dela pela primeira vez. Eu tinha me tornado um maldito pai coruja, e não tinha vergonha de admitir isso.
Ajudei Bella a montar o enxoval, e quando ela disse que queria homenagear a sua avó ao dar o nome dela ao nosso bebê, eu não discuti. Elizabeth era um lindo nome, afinal.
Agora, a apenas uma semana do previsto para o nascimento de Elizabeth, eu andava nervoso. Não com o parto em si, mas qualquer telefonema era motivo de eu querer pegar minhas chaves e ir correndo até Bella. Meu maior medo? Não estar lá quando ela entrasse em trabalho de parto. Eu sei. Pra quem tinha pânico de ser pai, era uma grande mudança.
Deus abençoe Alice por ela ter tirado a semana de folga para ficar com Bella. Bella tinha acabado de tirar sua licença maternidade, e eu estava tentado a tirar uma licença também, mas Alice foi uma santa. Ela me disse para trabalhar até o último minuto, então eu tiraria minha licença e poderia passar o primeiro mês do bebê com elas. Para acalmar minha mente, ela própria tirou uma folga de uma semana, para ficar com Bella o tempo todo.
Eu tinha muito a agradecer à minha irmã. Muito mesmo.
"Edward?" Angela me chamou, me tirando da minha divagação sem sentido.
Balancei a cabeça para clarear o cérebro.
"Sim?"
"O Sr. Matthews está lhe chamando para uma reunião de emergência." ela disse. "Algo a ver com os últimos espécimes que o laboratório recebeu."
Eu franzi, e então suspirei, lembrando do que se tratava e sabendo que com isso em pauta na reunião, não ia ter jeito de chegar em casa cedo.
Terminei de assinar o formulário que Angela me dera antes e me levantei, entregando o papel a ela quando passei.
"Por favor, cancele qualquer outra coisa que eu tenha esta tarde. Eu tenho a sensação que essa reunião vai demorar."
Ela me deu um sorriso de desculpas. "Claro. Tenha paciência."
"Vou tentar." eu disse, e então peguei o caminho do elevador.
~.~
Uma semana depois
Eu estava completamente fora de controle. O telefone do laboratório não podia tocar que eu pulava da cadeira. Esperava ansiosamente que Angela entrasse correndo e me dissesse que Bella tinha entrado em trabalho de parto. Mas isso nunca acontecia.
Eu tentei me concentrar no meu trabalho, mas era um esforço quase inútil. O dia inteiro, eu só pensava em Bella. Alice ainda estava lá com ela, e há dois dias que Bella tinha pequenas contrações sem nenhuma explicação. A obstetra dela disse que isso era normal, quase como uma preparação para o parto. Não era nada muito forte ou constante, e isso não era indicativo de levá-la para o hospital.
Era uma droga. Quer dizer, tudo que eu queria era ver a carinha de nossa filha, e eu queria estar lá quando o processo todo começasse. Mas o trabalho não me deixava faltar. Estávamos numa época crítica no laboratório, com várias pesquisas começando e outras terminando. Eu precisava estar lá, até o último minuto que eu pudesse.
No final do dia, eu dirigi para casa como um louco. Eu precisava ver minha garota.
A encontrei sentada no sofá com as pernas esticadas em cima da mesinha de café. Ela tinha suas duas mãos sobre sua barriga e a cabeça estava inclinada para trás, encostada em uma almofada na parte superior do sofá. Eu larguei minha pasta na poltrona e fui até ela.
"Bella?"
"Oi." ela disse, sem se mexer. "Estou um pouco mal-humorada. Não ligue." ela avisou.
Eu sorri e me sentei ao seu lado, colocando um beijo na sua barriga enorme.
"Lizzie, Lizzie, qual é o seu problema?" eu sussurrei para a bebê que se mexia. "Nós queremos vê-la, querida. Você não pode ficar muito mais tempo aí."
Bella soltou uma risadinha.
"É, fale com ela. Talvez ela escute o pai. Eu tenho a impressão que ela será a garotinha do papai." ela disse, abrindo os olhos e me olhando.
Eu sorri, me sentindo um pouco quente.
"Claro que ela vai." eu disse. "Farei tudo pra que isso aconteça."
Ela riu. "Tenho certeza que fará."
Alice apareceu, do nada, com uma xícara de chá e um prato de biscoitos. Ela os estendeu para Bella.
"Aqui. Lanchinho antes do jantar." ela disse, sentando na mesinha de centro à nossa frente.
"Oi Ali." eu cumprimentei.
"Oi Ed." ela sorriu. "Suas garotas aqui hoje estão dando trabalho."
Eu olhei para Bella sem entender, mas ela bebericava o chá como se nada estivesse acontecendo.
"O que foi?"
Alice suspirou. "As contrações aumentaram um pouco o ritmo, mas ainda nada que nos faça ir ao hospital."
"A garota é teimosa." disse Bella com um muxoxo. "Estou tentando fazer os exercícios que aprendi no pilates e alguns que a Dra. Meyer recomendou para auxiliar no trabalho de parto, mas até agora ela se recusa a sair."
"Mas... as contrações estão aumentando?" eu perguntei, um pouco perdido na conversa.
"Bem..." começou Alice. "Nos últimos dois dias Bella teve no máximo umas duas contrações no dia. Hoje foram cinco."
Eu arregalei os olhos e a olhei.
"Por que não me ligou?" reclamei.
Ela revirou os olhos e me olhou como se eu fosse um bobo por ter pensado nisso.
"Porque não tinha motivo para te alarmar. Angela me disse que você está tendo sucesso em ficar ansioso sozinho, eu não precisava acrescentar nada à equação."
Eu pisquei. "Quando ela te disse isso?"
"Ontem, quando eu liguei para você passar na mercearia. Lembra que eu falei com ela porque você estava numa reunião?"
Eu assenti, lembrando. Suspirei.
"Vocês duas adoram fofocar sobre mim."
Bella e Alice riram.
"Não é isso." Alice assegurou. "Só é bom ter uma de nós lá dentro sabendo o que você anda fazendo. Você sabe, nos manter informadas."
Ela deu uma piscadela, e eu soube que ela estava brincando.
Revirei os olhos, dei um beijo na têmpora de Bella e em sua barriga. Então dei um beijo na testa de Alice e me levantei.
"Vou tomar um banho. Vocês querem sair pra jantar?"
"Não dá." Bella reclamou. "Estou enorme. Não vou a lugar nenhum."
Eu suspirei, assentindo.
"Eu posso pedir comida em algum lugar." Alice ofereceu. "Eu realmente sou péssima na cozinha, e nossa cozinheira aqui," ela apontou pra Bella. "provavelmente não vai cozinhar hoje."
"Não mesmo." Bella riu.
Eu ri com ela, e então disse a Alice pra pedir alguma comida enquanto eu ia me limpar. Tinha sido um longo dia. E algo me dizia que ele estava bem longe de acabar.
~.~
Meu instinto, como quase sempre, estava certo. Bella teve mais duas contrações durante o jantar, fracas, porém com menos espaço de tempo.
Nos deitamos juntos no sofá para assistir qualquer besteira que estivesse passando, e Bella ficava o tempo todo se mexendo ao meu lado, tentando encontrar uma posição confortável, mas sem sucesso.
Fomos para a cama por volta das onze e meia da noite. Eu a embalei nos meus braços, enquanto ela acariciava a barriga e respirava fundo. Eu cantarolei até que ela dormiu.
Eu não demorei a dormir, mas então acordei com algo me empurrando, com força.
Quando abri os olhos ainda estava muito escuro, mas Bella estava sentada na cama com a mão no pé da barriga.
"O que houve?" eu perguntei, um pouco alarmado.
"Acho que está na hora. Eu não consigo dormir com essas contrações, e elas estão bem mais fortes."
Como se para provar seu ponto, outra contração veio. Eu soube porque de repente o rosto dela encheu de dor, e ela apertou o lençol com uma mão, fechando os olhos e tentando respirar. Após alguns segundos, ela exalou em alívio.
"Por favor, chame Alice. Ela pode me ajudar a me arrumar enquanto você prepara tudo pra irmos."
Eu assenti, atordoado, e fui até o quarto de Alice. Ela não estava muito feliz quando eu a acordei, mas logo que soube o motivo, pulou da cama e foi até o nosso quarto. Ela ajudou Bella a lavar o rosto e colocar um vestido confortável, enquanto eu pegava a bolsa da maternidade, já pronta há mais de uma semana.
Me troquei para um par de jeans e uma camiseta, coloquei uma jaqueta por cima e calcei meus tênis. Enfiei a carteira no bolso e peguei as chaves. Alice veio com Bella até a sala.
"As contrações estão aumentando." ela disse. "Vá com ela até o hospital. Vou ligar pra médica dela para avisar e estarei lá assim que puder."
Eu assenti. Ajudei Bella a ir até o elevador, e depois até o carro. A coloquei em segurança no banco de trás e prendi seu cinto.
"Respire fundo." eu disse, sabendo que ela já estava fazendo isso mas precisando fazer algo.
Ela assentiu. "Apenas vá o mais rápido que puder." Ela soltou um gemido de dor e eu corri para o banco do motorista.
Graças ao horário, não tinha trânsito. Chegamos no hospital vinte minutos depois. A Dra. Meyer, obstetra de Bella, já estava do lado de fora, com um maqueiro ao lado dela que segurava uma cadeira de rodas. Estacionei o mais próximo possível e ajudei Bella a sair.
Coloquei-a na cadeira de rodas, e enquanto a médica fazia algumas perguntas à Bella que não faziam sentido pra mim, o maqueiro empurrava a cadeira para dentro. Travei o carro e os segui.
Logo Bella estava deitada numa cama confortável em um quarto da maternidade. Suas contrações definitivamente estavam maiores agora. Eu me sentei numa cadeira ao lado dela, segurando sua mão. Ela apertava com mais força a cada contração. Eu não reclamei.
Horas se passaram. Alice chegou com Jasper em algum momento no início da manhã, quando a bolsa de Bella tinha acabado de romper.
Pouco depois das seis da manhã, Bella estava sentada na ponta da cama reclinável, com a Dra. Meyer sentada num banquinho logo à sua frente. Duas enfermeiras estavam atrás dela, completamente equipadas. Todos estávamos prontos para ver Lizzie.
Bella empurrou, gritou, puxou meu cabelo, apertou minha mão, e chorou. Eu tentava manter minhas emoções sob controle, lhe dizendo palavras de incentivo: você está indo muito bem, ou estou orgulhoso de você, ou ainda só mais um pouco, e até uns eu te amo de vez em quando.
E então, às 6:55, um choro de bebê invadiu o quarto. Bella relaxou o aperto em minha mão e respirou fundo, exausta, recostada na cama. A Dra. Meyer me deixou cortar o cordão umbilical.
Minhas mãos tremiam. Na minha frente, uma linda menina, ainda toda suja e gosmenta, chorava e esperneava. As enfermeiras a levaram para um canto do quarto onde a limparam, pesaram e examinaram.
Eu não conseguia respirar. Meu coração batia tão rápido que eu tinha certeza que os outros no quarto podiam ouvir. Então uma das enfermeiras, uma mulher de meia idade chamada Nancy, voltou, com Elizabeth enrolada num lençol rosa do hospital. Ela entregou o embrulho que se mexia à Bella, que tinha lágrimas nos olhos.
E quando eu pensava que não podia me apaixonar mais... Lá estava ela. O cabelo suado grudando no rosto, lágrimas correndo livremente pelo rosto. Ela estava uma bagunça, e ainda assim era a coisa mais linda que eu já tinha visto.
E o olhar em seu rosto ao olhar pra nossa filha... Deus, como eu amava essa mulher.
Me aproximei, e Bella me olhou com olhos brilhantes.
"Ela tem seu cabelo." ela riu.
Eu me aproximei, sorrindo e observei a bebê em seus braços. Ela tinha parado de chorar, e olhava para Bella. Seus olhos eram da exata cor dos de Bella, e o cabelo ruivo e espetado para todos os lados era definitivamente meu. Ela era nossa. Tudo nela dizia isso. A mistura perfeita.
Eu beijei sua pequena testa com amor.
"Olá Lizzie." eu disse baixinho, minha visão um pouco embaçada.
Ela remexeu no colo de Bella, que sorriu. "Eu sabia que ela seria a garota do papai. Bastou você falar com ela e ela quis sair para ver o papai bonitão."
Eu ri e lhe dei um beijo na boca, muito breve, mas cheio com meu amor e devoção à ela.
"Eu te amo. Obrigado."
Ela sorriu. "Eu que agradeço. E eu também te amo."
Eu não consegui fazer nada a não ser olhar para as duas por um bom tempo. Parecia que meu coração tinha inchado, dobrado de tamanho pra caber meu amor por elas.
Eu tinha percorrido um longo caminho... Quem adivinharia que eu acabaria sendo pai? Ou que teria uma mulher tão maravilhosa lutando para me fazer feliz?
Eu não merecia a vida que tinha, e eu sabia disso. Mas eu agradecia todos os dias pela minha segunda chance. Eu agradecia todos os dias por Bella me dar uma segunda chance. Não havia dúvidas que agora eu sentia.
E como sentia. Eu amava aquelas duas garotas com a minha vida. Eu não tinha dúvidas que literalmente morreria por elas, se necessário. Elas eram tudo pra mim.
Fiz uma promessa a mim mesmo. Enquanto eu vivesse, faria tudo ao meu alcance para fazer Bella e Elizabeth felizes. Eu as manteria bem, seguras e protegidas. Eu faria tudo para ver um sorriso no rosto das duas todos os dias.
Eu iria cuidar delas e amá-las por quanto tempo eu vivesse.
Elas eram a minha vida agora. E sempre seriam.
FIM
Desculpem a demora pra postar essa última parte, eu meio que perdi a inspiração e... Enfim. Ela voltou ontem e hoje e eu consegui terminar. Eu achei que ficou legal. Fui a única que me emocionei com o Edward vendo a filha pela primeira vez? Me deixem saber.
Essa é a última atualização da fic. Honestamente, eu agradeço cada comentário, favorito... mesmo. Obrigada. Vocês fizeram essa fic mais especial pra mim do que ela já era.
Nos vemos por aí em outras fics? Espero que sim.
Beijo, beijo,
Kessy.
