Faz dias que não dou as caras na faculdade.
Só quem sabe o motivo são a Yori, o Ichiru, o Akatsuki e a Ágatha-san.
O Yagari está me ligando sem parar há 5 dias. Não quero falar com ele nesse momento. Na verdade, não quero falar com ninguém. A única pessoa com quem eu quero falar nesse momento é com o Zero, mas ele sumiu.
Isso mesmo. Ele sumiu. No dia seguinte da nossa conversa fui atrás dele para pedir que voltássemos (mesmo eu estando com o Yagari), mas o Ichiru me disse que ele não estava em casa. Disse que ele pegou o carro assim que clareou e não voltou até hoje. E isso tem exatamente 10 dias. Ninguém sabe dele e ele não dá notícias! Estou enlouquecendo aqui sem saber dele...
A Yori de vez em quando vem aqui em casa ver como estou. Ela disse que se eu piorasse, ela me levaria para a casa dela onde poderia ficar de olho em mim. Nem preciso dizer que eu me senti uma criança, né? Mas entendia a preocupação dela. Detestando admitir, mas eu acho que estou entrando em depressão. Uma profunda depressão.
Ágatha-san também vem aqui me ver. Ela até passa dias aqui em casa. Não ligo. Sinceramente nem noto que ela está aqui. Teve uma vez que ela até me ameaçou. Ela disse que se eu não melhorasse e me erguesse, ela ligaria para o Kaname e contaria tudo o que estava se passando comigo. Só que eu, chata do jeito que sou, disse que se ela fizesse isso só iria deixar o Kaname com mais uma preocupação na cabeça. Então ela desistiu de contar.
Até o Ichiru veio me visitar. O que não adiantou muito já que assim que o vi me lembrei do Zero e comecei a chorar... Conhecer o gêmeo do seu ex-namorado é algo muito ruim.
Neste momento eu estou deitada no sofá da sala comendo um pacote de Trakinas e vendo Titanic. Era para eu estar na faculdade, mas não senti vontade de ir novamente. Qual a minha surpresa ao ouvir o som da campainha. Achei estranho o horário já que todo mundo estava na faculdade. Mas fazer o que... Fui atender.
- KANAME?! – exclamei chocada. Não acredito que a Ágatha-san realmente ligou para ele.
- Desde quando você está assim?! – me perguntou irritado.
- Não quero falar com ninguém, Kaname. Nem mesmo com você. – deixei a porta aberta para ele passar e voltei para o meu sofá. – Eu só quero ficar sozinha.
- E você acha que ficar deitada nesse sofá, comendo e vendo filme triste vai resolver o seu problema?
- Não. Mas isso não importa. Só quero ficar sozinha.
- Yuuki, levanta AGORA desse sofá, vá tomar um banho e comer algo que preste. Você vai ficar doente assim!
- ENTÃO QUE EU FIQUE! – gritei. – Não quero mais saber de mais nada! EU O PERDI, KANAME! PARA SEMPRE! – comecei a chorar. – O Zero sumiu do mapa e não quer falar com ninguém! Eu o magoei! – ele veio me abraçar. Eu retribuí o abraço apertando-o mais forte.
- A culpa não é sua. Ele tomou a decisão dele. Ele deixou o caminho livre para você... – ele sabe. Ágatha-san deve ter contado a ele tudo.
- Mas porque eu fui perceber tão tarde que eu não consigo viver separada dele? – solucei. – Como eu fui burra!
- Yuuki... – ouvi meu celular tocar. – Quem é?
- O Yagari. – disse por causa do toque personalizado.
- A pessoa que você usou para tentar esquecer o Zero? – olhei para ele séria. – Desculpa. A Ágatha tem um jeito bem peculiar de narrar os acontecimentos... – ele riu sem graça.
- Só deixe tocar. Não quero falar com ele.
Nisso ouvimos uma grande barulheira lá fora. Ouvimos o barulho da sirena da patrulha do condomínio e os seguranças gritando com alguém. Estava bem perto. Eu e o Kaname nos entreolhamos preocupados e fomos até a janela ver o que estava acontecendo. Será que era um assalto? Abrimos a cortina e vimos a seguinte cena: Yagari sendo imobilizado por dois seguranças do condomínio. Entrei em pânico! Porque ele estava aqui? Como ele sabia onde eu morava? O que ele queria?
- YUUKI! – acordei de meus devaneios com ele gritando o meu nome. – EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ EM CASA! VEM AQUI! PRECISAMOS CONVERSAR! – estava com medo de qual seria o assunto.
- Acho melhor você ir logo lá. – sugeriu Kaname. – Antes que as coisas compliquem ainda mais.
- Tem razão. – e foi o que eu fiz. Saí de casa e fui até onde ele estava com os seguranças. Ele me olhou surpreso e feliz por me ver. – Podem largá-lo. Somos conhecidos. – falei aos seguranças. Eles se entreolharam receosos, mas obedeceram e foram embora.
- Yuuki! – Yagari veio me abraçar. – Senti sua falta! Não te via há dias! – me abraçou mais forte.
- Yagari, como você soube que eu morava aqui? Porque veio aqui? – sei que fui grossa, mas eu decidi uma coisa há alguns dias atrás: iria terminar com ele. E eu não poderia ser gentil com ele nesse momento.
- Precisamos conversar... – ele falou me olhou sério. – Podemos conversar na sua casa?
- Claro. – o guiei até minha casa.
Entramos em casa e pedi que ele esperasse enquanto eu arrumava um pouco a sala. Kaname apareceu e o cumprimentou. Ficaram conversando até eu terminar. Quando terminei, pedi que ele se sentasse no sofá para podermos conversar. Kaname disse que qualquer coisa que precisasse, estaria em seu quarto.
- Então... Sobre o que quer conversar? – perguntei séria.
- É verdade que você já dormiu com o Zero-sensei? – perguntou direto. Olhei-o chocada. Como ele tinha descoberto isso?!
- Quem te disse isso?
- Isso não interessa. – respondeu grosso. Nunca o tinha visto falando assim. – Quero saber se é verdade.
- É sim. – respondi. Do que adiantaria dizer que era uma mentira? Já chutei o balde a muito tempo. – Mas não tenho mais nada com ele.
- Porque nunca me contou?
- Não vi necessidade disso. – dei de ombros. – Já tínhamos terminado quando fiquei com você.
- Não viu necessidade? Eu sou seu namorado! – gritou furioso.
- Mesmo assim... – disse séria. – Você não respondeu a minha pergunta: Como descobriu que eu morava aqui?
- Natsuki me contou. Foi ela que me contou também que você tinha dormido com o Zero-sensei. Não acreditei, afinal, é a Natsuki, então eu vim perguntar pessoalmente. Pelo visto ela tinha razão. – disse ele dando um risinho debochado no final.
- Não sou igual a ela. Eu não "dormi" – coloquei aspas. – com ele. Eu NAMOREI ele. Ficamos juntos durante 1 mês.
- Uau! Grande namoro, hein... – falou irônico. – Você realmente esperava ter futuro com ele? Ele é um galinha! Já ficou com milhares de alunas e não se importa com nenhuma. Porque você achou que com você seria diferente? – ele pegou firme no meu braço.
- Não sei! – disse tentando em vão segurar minhas lágrimas. – Só ia saber se tentasse. E eu queria tentar... Só que fui burra e terminei tudo no primeiro desentendimento que tivemos! Eu o quero de volta.
- Você tem a mim! Porque precisa dele?!
- Porque eu o amo! Amei e sempre vou amar! Não consigo ficar sem pensar nele um dia se quer. Não consigo dormir sem sonhar com ele. Não consigo viver sem ele! Sinto muito, mas é assim... Não queria magoar você, mas... –ele me interrompeu.
- Esqueça. – ele soltou meu braço bruscamente me fazendo cair sentada no sofá. – Se você não me ama não posso fazer nada quanto a isso. Mas não espere que eu volte para você depois que o Zero-sensei se cansar de você.
Nós ficamos nos olhando. Ele foi totalmente grosso comigo, mas eu conseguia entender o lado dele. Ele está magoado e com o orgulho ferido. Não posso culpá-lo em absoluto por estar agindo daquela maneira. Eu só posso culpar uma pessoa: Natsuki. Ela não devia ter aberta aquela boca nojenta dela. Ela não o MENOR direito de contar para ele sobre mim e Zero. Eu teria contado. Aquela vaca... Dessa vez ela me paga.
- Sinto muito se te magoei. Pode ter certeza de que não era a minha intenção. Eu ia te contar. No tempo certo eu juro que ia te contar... – disse sincera. – Não queria que você tivesse descoberto por outras pessoas. Principalmente pela Natsuki. – disse agora com um tom de raiva na voz. – Não vou pedir para você me perdoar, mas peço que entenda o meu lado.
- Eu não quero entender o seu lado. – ele massageou as têmporas. - Só quero saber o porque.
- Não queria que soubesse. – falei como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – Eu realmente ia tentar gostar de você, mas... – não continuei. Nem foi preciso.
- Acho que você me respondeu tudo que eu queria. – ele disse rumando para a porta. – Fui feito de trouxa.
- Não! – gritei. Não queria que ele pensasse que eu fiz de propósito. – Eu gosto de você. Acho você um homem maravilhoso, mas não posso amar você. Tenho certeza que você ainda vai encontrar alguém que te mereça.
- Não quero outra pessoa. Quero você.
- Não pode me ter. Desculpa.
- Se eu disser que a culpa não é sua vai parecer que eu entendo o seu lado, né? – a voz dele me pareceu embargada. Ele estava chorando?! – Deixa pra lá. Acho que eu no fundo entendo o seu lado.
- Yagari... – o chamei. – Sinto muito mesmo.
- Esqueça. – ele deu de ombros. Ele não estava chorando afinal. – Pelo visto não vai mais fazer o intercâmbio, né? – eu ia responder, mas ele me adiantou. – Pergunta idiota. Se eu fosse você, eu ainda ia pelo menos visitar os seus pais. Acho que eles gostariam de sentir a sua presença.
- Eu vou assim que possível. Primeiro quero resolver as coisas por aqui. – sorri. Ele ainda se preocupava comigo.
- Você quem sabe... Tchau Yuuki. – e saiu.
Só consegui ouvir o barulho do carro se afastando. Respirei aliviada. Tinha terminado com ele. Agora, próximo passo: tomar um banho e ir para a faculdade resolver algumas coisas pendentes...
- Kaname! KANAME!
- Que foi sua doida?! Quer me matar do coração gritando desse jeito? – disse ele irritado descendo as escadas. – Achei que ele estivesse fazendo alguma coisa com você!
- Terminamos. – falei simplesmente. – Preciso ir para a faculdade. Me leva?
- O que você vai fazer lá? – perguntou ele desconfiado.
- Acerto de contas. – e pisquei.
Subi correndo as escadas e fui para o meu quarto. Tomei um bom banho e me vesti. Pus uma calça jeans, uma blusa regata preta e um All Star branco. Só levei meu celular comigo. Quando desci Kaname já me esperava na porta. Fomos no carro dele e durante o trajeto nós não falamos nada. Eu precisaria usar toda a paciência para o que estava por vir.
Finalmente chegamos na faculdade e eu fui direto para o hall dos elevadores. Kaname vinha atrás de mim. Desci no meu andar e percebi olhares tortos para mim. Me pergunto o porque. Quando entrei no corredor principal, consegui ver o meu alvo: Natsuki. Ela estava conversando com um grupo de garotas. E estavam rindo. Mas ELA não riria por muito tempo. Fui em sua direção, mas Kaname segurou o meu braço.
- Pense bem no que vai fazer... – pelo visto ele já percebeu o que eu estava aprontando.
- Kaname, ela merece. Ela acabou com a minha vida. – ok. Dramático demais, mas era meio verdade, não era? – Zero e eu não estamos juntos por causa dela!
- Vocês não estão juntos por sua causa. Foi você que terminou, lembra?
- Kaname... – falei em tom de advertência. – Cala a boca. – e 'puxei' meu braço de volta.
Voltei a andar na direação da Natsuki. Quando eu já estava bem perto, pude ouvir o motivo da conversa: Eu. Ela estava dizendo que eu não era mulher suficiente para prender um homem como o Zero. HA! Como se ela fosse muito, né? Só mesmo ficando grávida ela seria capaz de prender alguém! Isso só se o homem for muito burro! Finalmente já estava perto dela o bastante para socar-lhe a cara. Mas não vou fazer isso. Não... Eu iria me rebaixar demais. Vou fazer pior. Vou humilhá-la.
- Natsuki. – chamei. Ela virou para mim e me olhou surpresa.
- Ora, ora... Yuuki. Finalmente resolveu dar as caras por aqui, né? – disse debochada. – O que veio fazer aqui?
- Falar com você. – te socar, te chutar, quase te matar... Tantas coisas vinham na minha mente. Precisava me acalmar.
- Comigo? A que devo a honra? – novamente debochada. – Veio saber onde o Zero-sensei está?
- Não. – se bem que se ela soubesse iria ser de grande ajuda. – Vim conversar sobre outra coisa. Sobre o Yagari.
- Sobre o seu namorado?! Ops... Pelo visto agora é ex, né? – respira e conta até 20. Não. 20 é muito. Até 10. Respire e conte até 10. Na próxima não respondo por mim... JURO!
- Porque você contou para ele? O que você ganhou fazendo isso? Você é uma vaca! – ops... As ofensas não eram para sair agora.
- Vaca é você! Por culpa sua Zero-sensei sumiu! Ninguém sabe dele. – ela disse alterada. – Posso não ter ganho nada, mas você também agora está sozinha! Bem feito! – SPLASH! Dei uma tapa na cara dela. Ecoou por todo o corredor. – Sua...
- Você não tinha esse direito! – falei cravando minhas unhas no braço dela. – Você destruiu os sentimentos dele de uma maneira cruel! Ele não merecia. – apertei a unhada.
- Ah, que isso agora! Você nem gostava dele! Estava com ele para esquecer o Zero-sensei que eu sei! Não sou burra, sabe? – disse enquanto se encolhia de dor.
- Mas eu tinha algo por ele que você nunca vai entender. Respeito. Sabe o que é isso? R-E-S-P-E-I-T-O. Você é uma pobre coitada que precisou engravidar para conseguir o homem que ama. Sinto PENA de você. – falei mais alto perto de seus ouvidos. – Você acha que o conseguiu assim? Pois você se enganou muito grandemente. Nem que esse filho fosse dele, ele não ficaria com você. Sabe porque? Porque ele ME ama! Então, se eu fosse você, me recolhia a minha insignificância e ficava na minha. – soltei seu braço fortemente fazendo com que ela batesse com as costas na parede. – É só uma sugestão.
- Você... É RIDÍCULA! – ela ta pedindo para morrer. – Zero-sensei pode até amar você, mas sou quem está esperando um filho dele! Eu vou ser a MÃE do filho dele! Toma essa agora.
- Como eu disse antes, tenho pena de você. – falei muito calmamente. Já havia um pequeno grupo de pessoas acompanhando a nossa discussão. – Quanto a esse filho que você SUPOSTAMENTE está esperando, eu posso ficar tranquila. Não é do Zero.
- Repita isso para você mesma até se conformar. – falou rindo debochadamente. – O filho é meu e dele. Supere isso. Vá arrumar outro para esquecer o Zero-sensei, vai... Afinal, você já pescou dois trouxas, né? – SPLASH! Outra tapa. Dessa vez a empurrei contra a parede. Como era mesmo aquele golpe? Ah, sim! Apertei sua clavícula com força.
- Você é a piranha aqui. Abre as pernas para qualquer um e ainda tem a cara de pau de dizer que o filho é do homem que tem mais grana para te sustentar. Você é muito baixa! Dorme com vários ao mesmo tempo, detalhe: não importando se tem namorada ou não, e se acha a boazona. Vou te dizer uma coisa: espero que o pai dessa criança, se é que tem criança mesmo, seja um pobretão e você fique na miséria. Sinceramente tenho pena dessa criança por ter uma mãe como você. – ela, cheia de raiva, tentou pegar meu cabelo, mas eu apertei ainda mais sua clavícula. Ela se encolheu de dor.
- Tenho ódio de você! – ela gritou. – Ódio por você ser a escolhida dele! Eu odeio você! Espero que você nunca fique com ele!
- E EU ESPERO QUE VOCÊ APODREÇA SOZINHA E AMARGURADA! – falei mais alto ainda. Pude ouvir uns 'UHUL' e uns 'É ISSO AÍ' no meio da multidão. – E eu espero que você engula esse ódio por mim e morra engasgada! – a soltei. – Se aprontar comigo mais uma vez, saiba que não serei tão boazinha. – e fui embora.
Passei por toda a multidão que tinha visto nossa briga. Todos me olhavam surpresos. Acharam que eu não era boa de briga? HA! Provei o contrário, né? (risos). Agora eu só preciso encontrar o Zero. Preciso resolver tudo com ele. Preciso dizer que o amo e que preciso dele. Onde será que ele está? Meu celular está tocando. É a Yori!
- Oi Yori! – disse animada.
- Yuuki! Onde você está que não atende o telefone de casa? E que voz de animada é essa? – perguntou preocupada. Esqueci de avisar que estava vindo para a faculdade.
- Estou na faculdade, Yori. Esqueci de avisar. Desculpa. O Kaname apareceu lá em casa hoje de tarde e aconteceram umas coisas que depois eu te conto. Mas resumidamente, acabei de meter o pau na Natsuki. – pude ouvir ela gritar 'ARRASA!' do outro lado da linha. Não consegui conter o riso.
- Finalmente aquela escrota teve o que merece! – O.O! Depois a desbocada sou eu... – Você está no seu andar? Desce aqui!
- Estou descendo então.
Bom... O Kaname sumiu. Ia falar com ele que eu estava indo para o andar da Yori, mas não consegui encontrá-lo. Provavelmente deve estar matando as saudades com a Ágatha-san. Peguei o elevador e fui para o 2º andar. Yori estava me esperando. Assim que me viu correu para me abraçar. Ela parecia enormemente feliz em me ver. Retribuí seu abraço na mesma intensidade.
- Você parece bem melhor. Aquela surra te vez bem, hein... – brincou ela.
- Você não sabe o quanto. – eu ri. – Se eu continuasse agindo que nem uma adulta por mais alguns dias juro que enlouqueceria! Precisava extravazar de alguma maneira. Mas aquela surra não chegou nem perto do que eu queria fazer com ela.
- Mas você continua triste. – ela falou tristonha. – Nenhuma notícia do Zero até agora?
- Não. Eu estou contando com o Ichiru para saber onde ele está. Ninguém sabe dele.
- Será que ele não viajou? Para o exterior ou quem sabe até mesmo para o interior do país.
- Não tem como eu saber, Yori. – falei deprimida. – Ele não disse aonde ia. Simplesmente pegou o carro a sumiu.
- Não fique triste. Ele vai aparecer. Em algum momento ele tem que voltar, né?
- Já deveria ter voltado...
Ficamos conversando por mais alguns minutos até que deu a hora de todos saírem. Quando digo todos, quero dizer todos mesmo: Akatsuki, Yori, Ichiru e Ágatha-san. Como eu imaginava, Kaname estava mesmo com ela. Todos apareceram ao mesmo e decidimos sair. Advinha para onde fomos? SHOPPING!
Houve só uma pequena confusão ridícula (lê-se: Ichiru achou que tinha homens olhando para a Yori, mas sabe... Eles eram um casal gay. Estavam olhando era para ELE), mas nada que uma boa conversa não resolvesse (lê-se: Todo mundo rindo da cara do Ichiru). Devo dizer que fiquei incomodada com os casais. Eles pareciam tão felizes juntos. Não me entendam mal, não quero que eles se tornem infelizes, LONGE DISSO, eu só... Queria alguém para estar daquele jeito comigo, entendem?
Depois que demos nosso 'rolé', cada um foi para a sua casa. Quando chegamos, Kaname me obrigou a terminar de arrumar a casa. Ágatha-san me ajudou, então terminei rápido. Pelo visto ela iria dormir aqui. Eu espero não ouvir gemidos no meio da madrugada. Sério. Estou rezando desde já.
Quando ficou mais de noitinha, eu e Ágatha-san fomos para a cozinha fazer o jantar. Kaname, folgado do jeito que era, ficou só dando palpite. Depois de muito sacrifício para preparar o jantar, (também... com o Kaname falando que não queria isso nem aquilo) jantamos e cada um foi para o seu canto. Ou melhor dizendo, EU fui para o meu canto. Eles ficaram na sala vendo TV.
Tomei mais um banho e já estava com minha roupa de dormir.
Era mais ou menos umas três da manhã quando ouço barulho de carro na rua. Acordo irritada pela barulheira e decido ver o que estava acontecendo. Não que eu vá ver alguma coisa, já que a única coisa que eu consigo ver da minha janela é a lateral da casa do Zero. Virei minha cabeça o máximo que consegui para tentar ver o que estava acontecendo na rua. Quase surtei! Uma Hilux vermelha! Mas não uma Hilux vermelha qualquer. ERA A HILUX VERMELHA DO ZERO! ELE ESTAVA DE VOLTA!
Ele estava de volta! Eu PRECISAVA correr até ele! Precisava falar com ele! Desci correndo as escadas de casa e só faltou eu atravessar a porta. Corri para a rua e gritei o seu nome.
- ZERO! – coloquei toda a minha voz nesse grito. – ZERO!
