MOMENTOS - XXXV


EPOV

Depois que entrei no meu carro, deixei escapar um suspiro pesado de alívio. Não quero mais nenhum problema em minha vida agora. Eu já tinha mais do que suficientes. Tinha felicidade e stress o suficiente para um mesmo ser humano. Não preciso de mais nada para ocupar o meu tempo. Ia além de mim, ter que lidar com tudo o que estava acontecendo entre Bella e eu. E entre faculdade, médicos, bebês, amigos e família, eu mal tinha energia suficiente para chegar até cama à noite.

Olhei para o meu celular e vi que era um pouquinho além das 11:30. Sabia que minha mãe estaria me ligando em breve para o almoço. Ela queria passar o maior tempo possível conosco. Eu não tinha certeza qual era a motivação instantânea dela para isso, mas sabia que ia ter que tolerar isso de qualquer jeito. E sinceramente, eu não estava nenhum pouco afim. Decidi ligar para Bella, só para ver se ela precisava de alguma coisa, já que estava no caminho de casa. Talvez ela não estivesse se sentindo bem e poderíamos cancelar isso e ficar o dia em casa.

Não me interpretem mal, eu adoro minha mãe, mas eu precisava de uma pausa.

Tentei primeiro o telefone de casa e comecei a ficar um pouco em pânico quando ninguém atendeu. Talvez eu estivesse pirando à toa, agindo irracionalmente. Ela era uma mulher adulta e poderia muito bem sair sozinha. Quem sabe, ela já estivesse com minha mãe. Provavelmente foi exatamente isso que aconteceu, imbecil. Pensei comigo mesmo enquanto tentava me acalmar. Eu apenas odiava deixá-la sozinha desde quando ela teve que se internar, por volta do ano novo. Eu estava sempre preocupado agora.

Digitei o telefone Bella, esperando impacientemente para que ela atendesse. Depois do terceiro toque, ela finalmente atendeu, para meu alívio. - "Oi, amor." - Ela gritou sobre um alto ruído ao fundo.

"Onde no mundo você está?" - perguntei, um pouco surpreso. Não imaginava nenhum lugar tão barulhento onde Bella pudesse estar. Eu conseguia som de música e conversas e, em seguida, um barulho soando muito alto. Era realmente muito estranho. Quase como se o som de mensageiro-dos-ventos.

"Oh, eu estou vendo algumas lojas com a com Alice." - Ela gritou.

"Sinto muito" - eu disse sem jeito, fazendo-a rir baixinho; o som que aquecia minha alma de muitas maneiras.

"Não, foi minha ideia. Eu queria sair um pouco." - Ela respondeu.

"Peça então para Alice checar por mim se você está com febre."

"Ha. Ha. Ha. Você é tão engraçado, Edward Cullen." - Bella disse, um pouco aborrecida com a minha provocação. Eu sabia que ela deveria estar meio enfezadinha, o que era bastante bonitinho, na verdade. - "Por que você não liga pra sua mãe e todos nós podemos nos encontrar aqui? Vamos comer sushi".

"Bella, você não deve abusar de tanto sushi, já que está grávida" - Eu disse em um tom de aviso.

"Eu vou comer sushi" - Bella disse categórica. Eu sabia que ela não iria me escutar, mas mesmo assim, valia a pena tentar pelo menos.

"Bella, eu acho que -"

"Eu. Vou. Comer. Sushi." - Ela disse com uma voz tão firme que me surpreendeu.

"Não discuta com essa gestante! Ela é assustadora!" - Eu ouvi o aviso de Alice no outro lado da linha com uma risada. Ouvi um estouro e, em seguida, o riso aumentou. - "Oww! Ela me bateu! Edward, venha me salvar!"

"Pare de bater nas suas amigas, amor" - eu provoquei.

"Por quê? É divertido." - Ela disse com uma voz alegre. Eu quase podia ver o pequeno sorriso presunçoso em seu rosto enquanto deveria estar encarando Alice. Tenho certeza que dentro de um segundo, alguma das duas estaria dando língua.

"Você pode querer que ela ainda seja sua amiga no futuro."

"Tá, tá, tá." - Bella suspirou dramaticamente, trazendo outra risada de Alice que escutei ao fundo. - "Vá em frente e chame a sua mãe, ok? Nós vamos nos encontrar na Sushiko por volta das 12:15, tudo bem?

"Tudo bem, por mim." - Sorri com sua felicidade. - "Eu te ligo quando chegar lá, caso chegue antes. Eu te amo."

"Eu também te amo." - Ela suspirou. - "Até logo".

BPOV

Após o telefonema de Edward, nós ainda tínhamos cerca de 45 minutos para matar o tempo. Eu não tinha certeza para onde estávamos indo. Depois do showzinho dramático da Alice, eu não ia permitir que ela tentasse fazer compras para mim. Eu não seria sua boneca Barbie para que ela brincasse mais tarde.

Nós caminhamos ao redor do calçadão, indo para a zona intermediária. Já tínhamos enfrentado as extremidades da rua, e agora estávamos tentando evitar a multidão que superlotava o local – além do mais já tínhamos visitados todos os estabelecimentos daquela área e precisávamos de algo novo para olhar.

"Aaaah" - Alice parou em frente a loja chamada Carter Children. Eu nunca estive lá antes. Sempre tive algum compromisso e acabava simplesmente passando direto, não podendo entrar nela. - "Olha só que fofo!" - Ela grunhiu com um grande sorriso. - "Você quer entrar?"

"Eu não sei..." - disse eu, olhando as roupas com curiosidade.

"Vai ser divertido darmos só uma olhadinha, pelo menos. E veja por esse ângulo; eu não posso comprar roupas pra você aí dentro."

Eu suspirei e sorri. - "Tudo bem, então. Nada de especial pra mim."

Alice riu e envolveu um braço solto em volta do meu ombro. Debrucei-me contra ela, quase como se fosse um apoio.

Tudo lá dentro era dividido por sexo principalmente, mas havia um monte de coisas verde-claro, amarelo, e marfim que ficava bem tanto em meninas quanto em meninos. Por alguma razão, eu não podia parar de sorrir enquanto olhava para tudo isso. Eu segui em linha reta e peguei uma lençol branco, salpicada com bolinhas verdes e amarelas e com uma fila de patinhos na barra. Eu ri, erguendo-o para visualiza-lo melhor.

"Ah, que esse é tão lindo!" - Alice disse com uma voz infantil. - "Você não consegue imaginar seus pimpolhos usando um desses?"

"Eu consigo" - eu balancei a cabeça. - "Realmente consigo."

EPOV

Peguei minha mãe na entrada de seu hotel - que não ficava a mais de cinco minutos de distância do calçadão de compras - e tagarelamos sobre o que nos vinha à mente. Ela falou sobre o seu negócio e como ela já estava pensando em se aposentar. Eu sabia que meu pai estava pensando nisso também. Eles tinham o dinheiro suficiente e agora queriam usá-lo para mimar seus netos. Eu tinha a sensação que, onde quer que Bella e eu nos estabelecêssemos, meus pais teriam uma pequena casa por perto. Provavelmente, grande o suficiente para eles e seus netos. Meus filhos não poderiam viver lá o tempo todo, mas tenho certeza de que eles os visitariam ... muito.

"Como está Bella está se sentindo?" - Minha mãe perguntou enquanto estacionávamos e rapidamente ela saia do carro e fechava a porta atrás dela suavemente. Ela estava tratando o Volvo com se fosse de cristal. Era um pouco engraçado, mas gentil ao mesmo tempo. Ela sabia que esse carro era o meu bebê...

"Ela parecia bastante deprimida ontem à noite, porém ela parecia mais feliz quando nós conversamos pelo telefone." - disse-lhe honestamente.

Ela assentiu com a cabeça, pensativa. - "Bella está tendo um momento difícil agora. Ela está confusa e com medo."

"Sobre o que ela está confusa?" - Eu perguntei, surpreso com suas palavras.

Minha mãe mordeu seus lábios e imediatamente eu soube que ela estava escondendo algo. - "Bella é jovem e-"

"Mãe!"- Eu avisei, querendo saber somente a verdade. Se ela soubesse de algo que pudesse ajudar, eu precisava saber.

"Eu não tenho esse direito, querido!" - Minha mãe se defendeu rapidamente. - "Se tivesse, eu já teria lhe dito. Não é nada ruim, somente muita coisa para segurar. Ela não estava esperando por isso e sem contar que ela não está sabendo lidar com o que Deus lhe deu. Bebês não são um mar de rosas, meu bem. "

"Eu sei, eu sei." - Suspirei, passando a mão pelo meu cabelo. - "Só não sei o que fazer para que ela se sinta melhor. Eu me sinto tão inútil."

"Às vezes, não há nada que se possa fazer. Às vezes, basta apenas deixar as pessoas lidarem com seus problemas por conta própria. Ela virá até você quando estiver pronta."

Nossa conversa terminou quando chegamos em frente ao restaurante. Bella estava segurando algumas sacolas grandes e tinha um sorriso enorme no rosto. Eu sorri de volta, incapaz de me conter. Ela ficava além de linda, quando sorria daquele jeito.

"Meu Deus, o que é tudo isso?" - Eu ri quando nos sentamos à mesa.

"Ela comprou a loja de bebês inteirinha." - Alice riu, depois que se sentou ao lado da minha mãe. Ela inclinou-se, dando um abraço apertado em minha mãe. - "Bom te ver de novo, Esme."

"Você também, querida." - Minha mãe sorriu antes de voltar sua atenção para minha esposa muito feliz. - "Deixe-me ver! Você devia ter me ligado!"

"Bem, não é nada. Só são algumas coisinhas que tanto meninos quanto meninas podem usar, já que não sabemos nada ainda. Eu comprei dois de cada um."

"Em todos os tamanho." - Alice acrescentou com uma risadinha. - "Eu nunca vi Bella tão empolgada dentro de uma loja assim. Foi assustador."

"Caramba, mulher. Se você continuar desse jeito nós vamos precisar de uma casa maior!" - Eu brinquei, tentando puxar uma das sacolas da minha mãe para dar uma olhadinha. Ela deu um tapa na minha mão, sem nem sequer tirar os olhos da bolsa enquanto me batia. Ela retirou alguma coisa, revirando-o para frente e para trás. Olhei confuso para aquela coisapor um momento. Eu nunca tinha visto ninguém usando nada parecido com isso antes. - "O que é isso?"

"É um body. Veja, ele se fecha aqui na parte de baixo." - Bella explicou, pegando a roupa amarela e branca virando e me mostrando a abertura. Ela correu seus dedos sobre ele, com um olhar de admiração em seus olhos.

"Isso é um pato bordado aqui na bunda?"

Minha mãe começou a rir da minha confusão, colocando as mãos sobre os olhos enquanto ela tentava ficar séria. - "Oh, você têm tanto a aprender..."

BPOV

Alice pegou uma outra roupinha com uma risada. - "Olha essa, tem sapinhos!"

"Por que alguém iria querer sapos na bunda?" - Esme bateu na mão de Edward, então riu. - "O quê?" - Edward riu de volta. - "Quer dizer, sim, é bonitinho e tal. Mas pra quê?" - Ele olhou para mim com uma expressão feliz e eu não pude deixar de sorrir de volta.

"Você apenas não entende." - Minha sogra disse alegremente. - "Vou logo avisando mocinho, você tem muito o que aprender ainda. Ok, Bella, da próxima vez que você sentir vontade de fazer compras, ligue para mim, eu quero ajudá-la."

"Meu Deus, de fato, vamos ter que procurar outra casa pra guardar tudo isso, quando você entrar de vez nessa." - Edward brincou, sorrindo maliciosamente. "Agora, que tal pegarmos a sobremesa?"

EPOV

Mais tarde naquela noite, assim que chegamos em casa desabamos na cama. Não era tarde, mas nós dois precisávamos levantar cedo amanhã. Eu tinha várias coisas em minha mente. Bella rastejou pro meu lado, colocando a cabeça na minha barriga. Seus dedos desenhavam padrões na minha pele e seu hálito quente fluía nos pelos do meu abdômen.

"O que você está pensando?" - Bella perguntou baixinho, olhando para mim.

"Eu não tenho certeza se quero te dizer." - disse-lhe com sinceridade. Ela me olhou confusa, levantando um pouco para olhar para mim. Eu suspirei, esfregando uma mão nas costas do meu pescoço com força. - "Eu vi Irina, hoje na faculdade."

"Oh." - ela murmurou, deitando-se de volta, mas desta vez não por cima de mim. - "O que ela fez desta vez?"

"Só conversamos."

"Sobre?" Bella pediu, ganhando outro suspiro meu. Sinceramente, eu não queria ter que responder a esta pergunta. - "Edward, o que aconteceu?" - Ela perguntou de novo, já que não tinha respondido.

"Ela somente foi..." - Eu balancei minha cabeça e bufei. - "Não importa. Honestamente, eu não me dei ao trabalho de parar e ter algum tipo de conversa decente com ela. Eu só não queria te dizer, porque não foi nada e não quis incomodá-la. Eu só não quero que haja segredos entre nós. "

Bella fez uma careta, correndo uma mão suavemente sobre seu estômago, enquanto pensava. - "Às vezes, há algumas coisas que precisam ser mantidas só pra si mesmo."

"Você queria que eu tivesse mantido isso pra mim?"

Bella fechou os olhos. - "Não, não é isso. É só... esquece."

"Meu amor, me diga o que você está em mente e que anda te incomodando tanto. Isso vai fazer você se sentir melhor." – Virei-me de lado e coloquei minha mão na bochecha dela, esfregando o polegar sobre o seu nariz.

"Eu não quero ter mais filhos, Edward."