32 Ciúme
No sábado, durante o café da manhã, Ron e Hermione começaram a falar sobre o início das férias, de modo que Harry pôde mergulhar com segurança em seus próprios pensamentos.
Ele tinha a sensação de que ainda podia sentir o toque de Severus em sua bochecha, isso o fazia tocar a face de vez em quando, como se esperasse encontrar os dedos frios e ásperos e tocá-los com sua mão.
Ontem ele conseguiu entrar na sala comunal no último minuto, Gina já havia contado a Ron, Hermione e Neville, que ele havia caído no corredor rumo a casa da Grifinória. Gina disse que Harry estava estranho, e o menino teve que se virar para arranjar uma boa mentira para explicar a eles por que quis ir ao banheiro e se demorou tanto lá. Informou sobre o aparecimento de Filch e contou da luta para livrar-se de Madame Norra. Ele convenceu-se que pelo menos alguns pontos da conversa era verdade.
Hermione não acreditou na sua história sobre tropeçar em uma estátua e ter arrebentado o tornozelo e ter obtido cortes e sangue nas mãos, mas não fez perguntas, ela fez tudo que podia para curá-lo. Ron mal falou, lançando olhares desconfiados a ambos, ele e Gina. Mas Harry já tinha tido o suficiente, e deixou claro para si que não iria empregar tempo explicando-se para ninguém.
Ron estava cada vez mais frustrado com sua absoluta possessividade em relação a sua irmã. Mas afinal, Gina não era uma criança e podia andar com quem ela quisesse. Não precisava se esconder.
Harry sabia como era esse sentimento. Só que ele tinha motivos para esconder as verdadeiras razões que o moviam para as masmorras. Se Gina insistisse em desafiar Ron, provavelmente poderia chegar à festa de Natal com um namorado misterioso e ninguém, absolutamente ninguém, exceto Ron, é claro, iria olhar para ela com desconfiança. Harry não tinha tal chance. Já imaginara a cara dos amigos se de repente entrasse com Severus ao seu lado...
Aparentemente, teria que se esconder para sempre. Terá que sempre inventar desculpas para estar com ele, esconder de todos. Mas Luna não esconderá seu segredo por toda vida...
"Até o final da vida?"
Corou ligeiramente quando ele percebeu o que acabou de pensar. Muito cedo para pensar nisso. Por enquanto, ele não tinha certeza nem mesmo sobre o dia seguinte, muito menos o ... "Resto da vida."
Outra questão era que Snape provavelmente preferiria ouvir todas as profecias diárias da Professora Trelawney, bebericando seus chás açucarados, em meio a aromatizadores embriagantes, do que ir com ele para uma festa, organizado pela "Auror rosa desajeitada."
Harry sorriu para si mesmo, vendo a imagem de Severus em sua imaginação, mas seu sorriso escondia uma sombra.
- Nós vamos nos divertir, hein, Harry?- Perguntou Ron, arrancando-o das profundezas de seus próprios pensamentos.- Dez dias sem aulas, sem testes e trabalhos de casa. E o mais importante, dez dias sem Snape- sorriu e deu um tapinha no ombro dele.- Não é uma perspectiva maravilhosa?
"Claro que não, seu idiota"- Harry pensou, sentindo uma raiva súbita de seu amigo.
- Teremos excelentes dias, e ele vai apodrecer no tédio de suas masmorras escuras, aposto que amaldiçoará a todos nós, por não poder descontar nada na gente e nem jogar lama em nós. Provavelmente vai descontar nos elfos domésticos quando forem levar sua refeição. Hahaha. Ok, ele é um bastardo seboso!- Ron começou a rir, mesmo debaixo do olhar repreensivo de Hermione, Harry sentiu algo gelado tomar conta de seu coração.
Ele sabia que provavelmente teria que deixar Hogwarts para os feriados. É claro que, como sempre, estava satisfeito com essa viagem, e aproveitaria a oportunidade para passar o Natal com os Weasley, Hermione, Gina ... E agora? Agora ele tinha a impressão de que seria para ele o maior castigo. Ele não queria sair. Ele queria passar este Natal com Severus. Ele realmente sonhou com isso. Por que não podem deixá-lo ali sozinho? Ron estava certo. Snape provavelmente sempre passava o Natal sozinho. E por isso ele nunca realmente comemorou. Ele não tinha ninguém com quem ele pudesse comemorá-lo, ninguém que quisesse passá-lo com ele.
Mas agora isso mudou. Tinha Harry.
- O que você acha?- Ron continuou, sorrindo maliciosamente.– Esse babaca ensebado já recebeu pelos menos algum presente de alguém?- Harry fez uma careta. Ele tentou, mas não conseguiu ouvir Severus ser insultado com um rosto de pedra. Com cada palavra, sentiu uma raiva crescer em relação ao amigo e ele não conseguia controlar isso.- Hahaha, provavelmente não. Quem quer dar-lhe presentes? A única coisa que ele merece é uma bomba de bosta. Talvez eu deva pedir a Fred e Jorge que mande uma para ele? Com o mecanismo de gatilho, que dispara na abertura. Hahaha. Conseguem imaginar?
- Não faça isso- Harry sibilou furiosamente, sentindo naquele momento que poderia pular no pescoço do amigo. Ron olhou para ele com surpresa. Felizmente, Harry ainda estava sóbrio o suficiente para pensar imediatamente em algo para dizer.- Quero dizer ... se um presente for endereçado a ele, ele desconfiaria, não é um tolo. Quando voltássemos das férias de Natal para Hogwarts, você teria sérios problemas. Ele iria descobrir a fonte desse presente e o transformaria em pó. Aconselho-o a simplesmente esquecer isso, Ron- acrescentou ele, embora a única coisa que ele queria era dar um golpe no rosto do amigo.
Ele gostava de Ron, ele gostava de sua companhia. Mas às vezes o irritava tanto que ele mal podia abster-se de levantar e ir a qualquer lugar que o pusesse bem longe de sua conversa idiota. Ou não responderia por algo que ele pudesse fazer e se arrepender mais tarde. Especialmente quando o amigo caia em Snape chamando-o de "safado, nojento, seboso."
Ron franziu a testa e suspirou pesadamente.
- Eu acho que você está certo, Harry ... Ah, mas poderia ser tão engraçado...
Hermione balançou a cabeça em piedade e virou-se para Harry:
- Você vai conosco para a festa organizada por Tonks, certo?
Harry balançou a cabeça, olhando para a mesa. Ainda assim, ele sentiu uma raiva queimando em seu interior. Por Ron, pelo que ele disse de Snape. E por Hermione, por não tê-lo contido. Raiva dos Weasleys, por todos os anos terem que convidá-lo para o Natal. E raiva por ele mesmo, pelo fato de que ele não tinha ideia de como escapar disso. Ele não podia simplesmente dizer que ele não queria passar o Natal com eles, porque iriam cravá-lo com perguntas "por quê?", e ele ainda não podia revelar a verdade.
Então, o que ele poderia fazer?
Ele teria de chegar a algo. E muito rapidamente!
Poderia deliberadamente quebrar sua perna?
Não, Pomfrey curaria a fratura em dois tempos...
Oh, pense, pense!
- Harry!- A voz de Hermione chamou sua atenção.– chegou uma coruja para você.
Harry se afastou de seus pensamentos e olhou para a Coruja de Celeiro, que aparentemente caiu no café da manhã de Ron, que a xingou de "pássaro desagradável" e tentou bani-lo de seu prato de ovos mexidos. Harry mal disfarçou o sorriso. Ele gostou dela imediatamente.
- O que é isso?- Hermione perguntou, quando o menino tirou do bico da coruja, um pequeno pedaço de papel e desdobrou-o.
"Harry, venha ao meu escritório depois do café da manhã. Eu gostaria de falar com você. Senha: Confeitos de Glacê".
"Albus Dumbledore."
- É de Dumbledore. Ele quer se encontrar comigo hoje- disse ele, franzindo o cenho e se perguntando o que ele poderia querer.
Ele olhou ao redor do Grande Salão. Dumbledore não estava no café da manhã. Severus também, mas no seu caso era normal. Claro que ele devia estar novamente ocupado no laboratório e não tinha tempo nem para comer. Oh, parecia que Harry teria que cuidar de suas refeições e ir até ele e simplesmente fazê-lo comer à força.
Ele não estava mais com fome, então pôde muito bem ir até o diretor agora. De qualquer maneira, não conseguia engolir mais nada, ele estava muito curioso e um pouco preocupado com isso antes do encontro.
Ele empurrou o prato e dizendo "nos vemos depois", deixou rapidamente o Grande Salão e fez o seu caminho para o escritório do diretor.
Quando chegou ao topo e foi aprovado pela Gárgula, bateu suavemente e esperou um momento para ser admitido no escritório. Dumbledore estava inclinado em um dos seus equipamentos complicados de astronomia.
- Oh, Harry, eu não imaginei que me atenderia tão rapidamente. Eu não quero tomar muito o seu tempo, tenho certeza que você tem planos interessantes para este dia. Sente-se.
O menino atendeu o comando. Dumbledore comportou-se como o de costume, não olhava para ele com desaprovação, certamente ainda não sabia nada sobre ele e Snape. Deu um suspiro de alívio e só agora percebeu o quanto ele estava tenso.
O diretor sentou-se atrás de sua mesa e cruzou as mãos sobre o balcão de mogno, olhando-o por cima dos óculos. As pálpebras enrugadas quase escondiam os olhos, agora azul desbotado, o brilho de diversão que havia em seus olhos, agora estava bastante obscuro, como feridas queimadas.
Harry sentiu um mal-estar indefinido. Embora o diretor estivesse tentando agir naturalmente, podia-se ver extrema fadiga em cada gesto dele. Devia estar muito mal. Mas ele queria manter as aparências a qualquer preço.
- Aceita chá com gotas de limão, Harry?
O menino piscou, surpreso com a pergunta repentina.
- Ee ... Não, obrigado. – Forçou-e a sorrir pálidamente.
- Eu lhe chamei aqui porque eu quero falar com você sobre seus planos de férias. Eu sei que todos os anos tem sido convidado para a casa dos Weasley, e eu sei o quanto você gosta da oportunidade de passar o Natal com amigos, mas nas atuais circunstâncias ... Sou forçado a pedir-lhe para repensar sobre essa decisão.
O menino franziu a testa, sem entender o que o diretor estava dizendo, mas tinha uma vaga sensação de que começava a ver uma pequena luz no fim do túnel.
- Provavelmente acho que o mundo fora de Hogwarts já não é tão seguro como era antes, e Voldemort tem espiões por toda parte. Molly e Arthur são grandes feiticeiros, mas estou com medo de que não sejam capazes de lhe dar a segurança adequada, se Voldemort descobrir onde você está, encontrará uma maneira de quebrar a segurança lançada ao longo da casa. Portanto, gostaria de saber se você está mesmo decidido a realmente ir passar as férias com eles. Eu ficaria muito mais calmo, se você ficasse em Hogwarts. Eu entendo se você se recusar, tenho certeza que você prefere muito mais passar férias em meio a um grupo de amigos, mas é para o seu próprio bem, Harry. Pense sobre isso.
Harry sentiu-se tonto.
"Você quer ficar em Hogwarts?"
"É claro que, sim!"
Com dificuldade ele conseguiu controlar um sorriso que ameaçava romper seus lábios.
Não, ele tinha que parecer triste. Bem triste, mas resignado com o seu destino.
- Eu já decidi, Professor. O senhor tem razão. Aqui eu vou estar mais seguro. Eu vou ficar. Acho que não há outra escolha.
- Estou feliz que você compreenda, menino. – o diretor parecia extremamente aliviado.- Claro, se você quiser, pode pedir para seus amigos ficarem com você, também há a possibilidade dos Weasley serem capazes de virem passar o natal em Hogwarts, tinham manifestado esse desejo, mas ...
- Não precisa! - Harry quase deu um pulo da cadeira. - Quero dizer ... Eu não quero estragar o Natal deles. Com certeza eles terão muita coisa na cabeça. Eu não quero atrapalhar. E eu os conheço tão bem que sei que irão tentar fazer isso, mas o senhor não vai deixar, não permitirá isso. Por favor. Eu não suportarei o pensamento de que eu poderia estragar o Natal deles. Hermione e Rony provavelmente também irão quere ficar comigo, mas tentarei convencê-los a irem. Vão ouvir o senhor. Gostaria que passassem o Natal com a família, estamos em uma verdadeira guerra eclodindo, devem fazer isso enquanto têm oportunidade! - Harry concluiu e respirou fundo, porque faltou fôlego.
Dumbledore sorriu para ele.
- Sempre pensando nos outros, Harry.
O menino olhou para baixo e fitou a borda da mesa.
Oh, por que se sentia tão vil? Mas tinha que ficar com Severus. Somente com Severus. Outros podem estragar tudo.
- Nesse caso não vou tomar mais seu tempo. E desculpe por ter feito você fazer uma escolha tão difícil, mas é para seu próprio bem, Harry. A menos que você queira mudar de ideia.
O garoto balançou a cabeça, não olhando para cima. Dumbledore poderia estar cansado e deprimido, mas certamente não era estúpido e se olhasse nos olhos de Harry, ele poderia descobrir tudo.
- Oh, e mais uma coisa. Professora Tonks me disse que queria organizar uma festa em Hogsmeade. Eu entendo que você também irá a essa festa, não, Harry? - Harry assentiu com a cabeça novamente. - Vou tentar oferecer a melhor proteção possível. Hogsmeade sempre foi um lugar muito seguro, mas, nestas circunstâncias, a melhor opção seria a de estender uma forte barreira de proteção em torno do local. Eu, bem como Professores McGonagall, Flitwick, Snape e Tonks, faremos isso, então você será capaz de brincar livremente, sem se preocupar com sua segurança. - Harry assentiu. - Então, vejo você lá, Harry. E tenha boas férias. - Dumbledore deu um sorriso pálido.
- Adeus, professor. - Harry levantou-se, curvou-se rapidamente e fugiu do gabinete, sem virar uma única vez.
Durante todo o dia Harry não viu Severus. É possível que ele tenha se trancado nas masmorras com raiva dos preparativos pré-Natal em Hogwarts. Em todos os lugares havia uma legião de alunos e professores adornando portas, janelas e corrimões, enfeites eram levitados até o topo das árvores de Natal, haviam guirlandas e visco pendurados sob os arcos do cruzamento entre os corredores. Juntamente com Hermione, Rony, Neville e Gina, decorava a árvore de Natal na Sala Comunal e adornava o dormitório.
Então, quando se jogou em cima da cama à noite, estava exausto. Mas isso não o impediu de quase que imediatamente passar a mão debaixo do travesseiro e puxar para fora o Mapa do Maroto, a fim de satisfazer a sua curiosidade e ver o que Severus estava fazendo. Ele encontrou-o em seu escritório.
Mas o homem não estava sozinho. Ao lado dele, viu um ponto com o nome de Theodore Nott. Snape raramente atribuia detenções aos alunos de sua casa, a menos que o Sonserina merecesse muito.
Harry colocou o mapa e se forçou a ir para o jantar. Severus não estava nele, mas ele esperava por isso. Ele olhou para a mesa da Sonserina e buscou Nott.
Estranhamente, Nott também não estava lá ...
Sentiu germinar nele uma sensação de ansiedade, que por enquanto não sabia especificar, então apenas suspirou e olhou para o prato a sua frente. Ele se sentiu um pouco desapontado por não poder ver Snape. Sim, é verdade que o viu no dia anterior, mas já começava a sentir falta.
Ainda não contou para os amigos que ele iria passar as férias em Hogwarts. Ele decidiu fazê-lo na amanhã seguinte. Talvez desta vez será capaz de chegar a alguns argumentos razoáveis, que irá convencê-los a deixá-lo sozinho. E ele sabia com certeza que eles não iriam gostar dessa ideia.
Depois do jantar, junto com Rony, Neville e Hermione, realizou uma tarefa de Transfiguração e Herbologia. Embora o Natal estisse se aproximando rapidamente, os professores pareciam não perceber de todo, pelo menos, se levasse em conta a quantidade de trabalho de casa. E eles sabiam por experiência, que era melhor adiantar todo o dever agora, se não quisesse perder todo o período de férias e o Natal, fazendo tarefa de casa.
Quando Harry finalmente voltou para o dormitório, já era muito tarde. Embora não fosse ainda dez horas. Quase imediatamente, passou as mãos sob o travesseiro e pegou o mapa. Quando desenrolou, quase engasgou com as jujubas que acabara de por na boca.
Nott permanecia na sala de Snape!
Harry aproximou seu rosto do pergaminho e franziu a testa. Parecia que Severus estava sentado em sua mesa, e o Sonserina... - Harry tomou ar - estava perigosamente perto dele, quase tocando-o!
Harry sentiu um desconfortável abraço no estômago, e seu coração acelerou dramaticamente. Ele cerrou os dentes e os punhos, porque de repente ele foi capturado por um impulso irresistível de quebrar alguma coisa. Uma parte de sua mente sabia que essa reação era ridícula, mas foi completamente dominada pela parte que queria reduzir Nott a pedaços.
Snape e o sonserina estavam juntos no escritório há mais de três horas, se não mais que isso! Nem apareceu para jantar! E ainda por cima estão tão ... perto!
Harry fechou os olhos, tentando se livrar das imagens desagradáveis, que fluiam para a superfície de sua mente. Imagens em que Severus e Nott...
"Não! Pare!"
É estúpido. Severus podia aceitar estudantes em seu escritório. Era professor. É normal que ... Mas por que diabos está demorando tanto? As detenções não duram mais de três horas.
Não percebendo o que estava fazendo, Harry começou a roer suas unhas olhando para o mapa com tal intensidade que os olhos quase lacrimejavam. Olhou nervosamente para o relógio.
Era dez para as dez horas.
"Por que ele não vai embora?"
Cinco para dez.
O ponto moveu-se e afastou-se de Severus. Por um tempo, ficou no meio do escritório, então ... afastou-se para a porta.
Harry suspirou com alívio. E quase imediatamente começou a rir, incapaz de acreditar no absurdo de suas suspeitas e reações.
Severus estava certo. Ele é muito impulsivo. Provavelmente terá que trabalhar seu auto-controle. E sua imaginação fétil, terá que controlar isso. De qualquer forma, afinal, ele confiava em Severus. Ele achava que sim.
Ele olhou novamente para o mapa. O homem desapareceu em seu laboratório. Provavelmente passará novamente a noite toda sentado.
Harry enfiou a mão no bolso, apertou sua mão ao redor da pedra e mandou:
"Boa noite, Severus."
Não recebeu uma resposta. Como de costume.
Ele suspirou profundamente, colocou a pedra no seu canto e arrastou-se para o banheiro.
Suas suspeitas estavam corretas. Hermione e Ron ficaram estupefatos quando Harry lhes disse que ficaria em Hogwarts durante os feriados. E tudo isso sozinho.
- Vamos ficar, ainda podemos ficar com você. Vou perguntar a mamãe e ao papai se podem vir. Vamos montar um Natal em família aqui. Com certeza terão muito prazer em passar a festividade em Hogwarts.
- Não, Ron. - Harry repetiu, provavelmente pela quinta vez na mesma conversa. - Dumbledore disse que ele nunca iria concordar com isso porque não quer estragar as suas férias em família. Além disso, como vai ficar o Carlinhos e o Gui? Essa é a rara oportunidade que eles têm de visitar a casa, e você quer forçá-los a passar a ceia de Natal com os seus antigos professores em Hogwarts. E Fred e Jorge? Duvido que eles vão se deliciar com a ideia de ficar sentado em uma mesa com Snape. - Ron estremeceu com estas palavras. Aparentemente ele também não sentiu alegria com essa visão.
- Mas, nesse caso, podemos ficar apenas nós.
- Não! Eu não quero estragar suas férias. Você deve passá-las com a família. Eu posso lidar com as minhas. Eu realmente vou ficar bem. Eu já tive férias piores.- Ele entendeu, que parecia dramático demais, então rapidamente tentou consertar com um largo sorriso. - São apenas alguns dias. Eu vou ficar bem.
Hermione, que passou a maior parte da conversa sem dizer nada, apenas olhou para Harry com preocupação e compaixão, ela suspirou e deu-lhe um sorriso triste.
- Você está certo, Harry. Meus pais não podem vir a Hogwarts, e eu gostaria de passar este Natal com eles. - Ela olhou com apreensão para Ron, mas o menino não comentou, olhando desanimado para as próprias mãos. – Passei o último com você, e está cada vez mais perigoso. Você sabe o que quero dizer. Poderemos não ter mais oportuidade mais tarde ... - Ela baixou a cabeça como se embaraçada com suas próprias palavras.
Ron olhou para ela derrotado.
Hermione estava certa e ele sabia bem.
Poderia ser o primeiro e... último Natal, que Harry teria uma chance para passar com Severus. "Vou fazê-lo! Não desperdiçarei esta oportunidade!". Ele tinha em mente o esboço de um plano de como chegar a este homem, porque, sabia que ele irá se defender com braços e pernas, e possivelmente dentes também. Mas no final vai ganhar. Harry estava tão firmemente convencido, que nada era capaz de minar a sua confiança.
Na parte da tarde eles receberam uma mensagem de Tonks, que queria se encontrar com eles e discutir os detalhes do evento de Natal. afinal, faltava apenas três dias. Soube que a festa será realizada na no Cabeça de Javali, em razão do Três Vassouras estar muito lotado e não poder alugar o salão inteiro para eles. Quando eles trocaram olhares céticos entre si, Tonks assegurou que enfeitaria tudo pessoalmente de modo que nem reconheceriam o lugar. A área será cercada por uma barreira de proteção criada por Dumbledore e os professores, para que haja oportunidades para quem desejar passear para um pouco além do local da festa. Claro, que não se poderá ultrapassar certa distância, não se pode ir além dos galpões, lá seria o mais distante que se poderia ir para ter um pouco de privacidade. Dizendo isso, ela riu e piscou para eles indiscretamente, Ron corou até as pontas do cabelo, Hermione teve um ataque de tosse, e Harry olhou para o banco, mordendo o lábio e tentando não rir. Só quando viu a reação dos seus dois melhores amigos, ele viu o grande abismo que existia entre eles. Se soubessem o que ele e Severus ...
Oh, ele preferiu não imaginar. Ele só sabia que decididamente a primeira reação seria devastadora. Mais tarde, poderia ser pior.
Após o encontro com McGonagall, Tonks agarrou-os e pediu que ajudassem na decoração de Natal. Hagrid trouxe a maior árvore de Natal que ele já vira. A Definição de suas roupas levou toda a tarde e parte da noite. Professora McGonagall parecia ser menos grave do que o normal e podia-se até dizer que foi muito legal com eles. Aparentemente, ela também caiu no clima festivo. Mesmo quando Ron acidentalmente ateou fogo na ponta da árvore, teve dela apenas um olhar de piedade, balançou a cabeça e rapidamente apagou o fogo.
Quando, Harry finalmente voltou para o dormitório, estava ainda mais exausto do que no dia anterior. Mas isso não o impediu de olhar para o mapa. Felizmente, naquele momento Severus estava sozinho. Harry passou tanto tempo observando o ponto se movimentar no pergaminho que, finalmente, adormeceu.
Ele acordou no meio da noite. Ainda estava usando as roupas do dia e no travesseiro ao seu lado estava o mapa.
Maravilha, estava tão cansado que acabou adormecendo completamente vestido. Levantou-se, esfregou o pescoço dolorido e estendeu-se, decidindo tomar um banho e trocar de roupa antes de ir dormir novamente. Estendeu a mão para o mapa e involuntariamente olhou para os aposentos de Severus.
Ele não estava neles. Parecia que mais uma vez passaria a noite no laboratório. Quando ele dorme? Porque não pode continuar a trabalhar tão duro.
Harry suspirou e pegou sua varinha para limpar o mapa, mas um movimento atraiu a sua atenção no canto do pergaminho. Fitou-o, sentindo o seu coração de repente acelerar.
Severus.
E Nott.
Eles caminhavam pelo corredor nas masmorras. Era como se estivessem voltando de algum lugar.
Harry sentiu uma onda repentina de raiva e decepção. Absteve-se no último momento, para não rasgar o mapa.
Como ele pôde? O que eles fizeram juntos no meio da noite? Onde eles estavam? Por que Snape saiu com Nott à noite? Por quê?
Seguiu-os tão de perto, como se para saltar para o mapa e encontrar-se onde eles estavam. Quando chegaram ao escritório de Snape, pararam por um momento.
Harry mordeu o lábio.
"Por favor, não entrem lá, não entrem!"
Nott se afastou e começou a se mover em direção ao dormitório da Sonserina, e Snape entrou em seu escritório.
Harry sentiu alívio. Mas quase que imediatamente ele foi engolfado pelo sentimento amargo da traição que partiu seu coração e mente. Suas mãos tremiam. Ele cerrou os punhos como que tentando controlar seus pensamentos. Mas o que havia para saber? Snape vagava à noite com algum sonserina feio, cujo pai era uma Comensal da Morte ...
Os olhos de Harry se arregalaram.
Era isse o significado daquilo? Poderia ser tão simples?
Impossível.
Ele cerrou os olhos e suspirou profundamente, tentando livrar-se do desejo de matar Severus e Nott.
Ele iria explicar tudo. Amanhã, quando for ter detenção com Snape, pedirá explicação. Se sua consciência estiver limpa, então lhe dirá a verdade. Mas se ele mentir ...
Ele suspirou de novo, se levantou e foi ao banheiro.
As aulas de segunda-feira pareciam impossíveis para suportar. História da Magia durou talvez duas vezes mais que o normal. Assim parecia a Harry. Quando ela finalmente acabou, ele esperou a aula de Poções, ele sentiu tanto alívio e tensão imensa, que no final das aulas aumentou quase para o estado crítico, uma vez que durante toda a lição Severus teimosamente evitou seu olhar. Mas, surpreendentemente, olhou em direção à mesa onde se sentou Nott. O menino respondeu o olhar, olhando diretamente em seus olhos.
Harry cerrou os dentes e quase quebrou a colher com a qual ele mexia sua poção. Ele sentia que em um pouco mais de tempo ele iria explodir como um caldeirão. A força dessa explosão iria varrer Nott da face da Terra.
- Harry, você está bem? - Hermione perguntou, preocupada, vendo que Harry estava mexendo o caldeirão com o cabo da colher como se não estivesse se dando conta de nada.- É o suficiente agitar a poção apenas cinco vezes no sentido horário, e você tem ...
- Tenho-o na bunda! - Harry resmungou, olhando para Nott com os olhos luzindo com sonhos de como ele poderia torturá-lo. No início usaria o Crucio. E então inventaria alguma coisa ...
A menina seguiu seu olhar, mas só viu um grupo de sonserinas ocupados, então ela deu de ombros e voltou para sua preparção.
Harry franziu o cenho, vendo que Snape finalmente decidiu caminhar ao redor da sala de aula e avaliar o trabalho dos alunos. Ele quase explode quando o professor parou perto de Nott, olhou para ele e... ele sorriu! Deve ter sido só um sorriso! Nada mais! Harry sabia quando e como Severus sorria, viu-o algumas vezes. E agora isto era o que ele estava fazendo! Ele sorriu, perverso, para a porra do Nott!
Oh, se ele quer brincar com isso, então vá em frente! Deixe só a aula acabar... Daria um jeito de ficar e ter uma conversa séria com ele!
E o pior foi que, quando Snape foi até o caldeirão e olhou para ele (sim, Harry sabia que estava completamente fodido, mas como ele podia se concentrar em tais condições?), Apenas fez uma careta e se afastou. Não olhou para ele e, o mais importante, não sorriu para ele! Então por que diabos, ele sorriu para Nott? Snape só podia sorrir para Harry! Só! Só ele merecia! Só ele passou por um inferno para buscá-lo! Então, por que ...?
Ele cerrou os olhos, sentindo-se amargurado e uma desagradável sensação de queimação e aperto na garganta. Tudo estava errado!
Uma vez que o sino soou, Harry explicou aos amigos que precisava peguntar a Snape se poderia lhe dar de presente a dispensa e perdão da detenção no dia de Natal (ele poderia pensar em nada melhor). Ele pediu que eles fossem em frente e prometeu que em breve se juntaria a eles. Mas tão logo a classe se esvaziou e Harry se virou para a mesa, quase caiu em seu próprio banco.
Nott estava ao lado de Snape, e conversava com ele! E parecia que não ia acabar em breve, colocou a sua bolsa no chão e inclinou-se despreocupadamente sobre a mesa, cruzando as mãos sobre o peito agindo tão livremente como se ele não falasse com um professor, apenas com um...
Os olhos de Harry foram mergulhados em uma fúria de fogo vermelho. Os olhos escuros de Severus por um momento se afastaram do Sonserina, e veio descansar sobre Harry. O menino sentiu a explosão de raiva que dificilmente poderia ser contida para não fazer algo estúpido. A única coisa que ele queria naquele momento ele atacar aquele sonserina nojento que estava se metendo entre ele e Severus! Seu Severus!
Ele cerrou os punhos quase à brancura, girou nos calcanhares e marchou para fora da classe, não se esquecendo de bater a porta atrás dele. Ele fez isso talvez até um pouco forte demais, pois os alunos andando na frente dele pularam para as paredes com o susto, fazendo um pouco de gesso cair do reboco.
Ron e Hermione viraram-se assustados. Harry correu até eles e rosnou:
- Mudei de ideia! Eu não vou pedir nada este bastardo oleoso!
Ele, então, passou por eles e foi em frente com um ritmo tal que quase não permitiu ser acompanhado pelos amigos.
"Oh, deixe a noite vir ..."
Harry não foi ao jantar. Ele sentou-se no dormitório e olhou para o mapa. Nott foi ao escritório de Snape depois da aula, o homem passou todo o tempo sentado. Durante todo o tempo, maldito! E eles também não foram ao jantar. Não era normal!
"Não, eu não aguento mais! Vou lá! Agora! E vou descobrir o que está acontecendo!"
Sua detenção só começaria às sete, logo após o jantar, mas poderia aparecer um pouco mais cedo.
Rapidamente empurrou o mapa no bolso, ele afundou um passo decisidido e caminhou para as masmorras.
Antes de chegar lá, rolavam por sua cabeça uma infinidade de planos de ação. Chegando lá, sacaria a varinha e amaldiçoaria ambos (se as portas estivessem fechadas, teria que fazer alguma coisa...), bom, ficaria de assalto na porta, tentaria ouvir alguma coisa da conversa de Snape, iria... escutar na porta, esperaria saber de algo. Era sua decisão. Por enquanto.
Ele colocou seu ouvido na superfície de madeira, mas ainda não conseguia ouvir nada além de silêncio absoluto. E isso significava que Severus certamente lançou um feitiço silenciador.
"Caramba!"
Harry chutou na porta. Uma e outra vez. Como previsto, nada aconteceu. Ele voltou pôs a mão no bolso e pegou sua varinha, para explodir a porta em pedacinhos, mas depois ... de repente ela se abriu.
Harry congelou, com a mão no bolso. Diante dele estava Nott. Quando viu Harry franziu a testa, surpreso. Mas muito rapidamente estampou um sorriso torto na boca.
- Potter ... Que surpresa, o que faz aqui?
Harry ficou mudo de raiva, rapidamente procurou em sua mente agitada, alguns apelidos relevantes que poderia dar ao sonserina, mas ele estava em condição tão confusa que nada criativo lhe ocorreu, então usou as primeiras palavras que fluíram:
- Seu nojento ... - Ele começou, mas parou quando Severus apareceu por trás do sonserina. Seus olhos se estreitaram em advertência, quando ele fitou Harry.
- É tudo por hoje, Sr. Nott. Você pode ir. Continuaremos nossas aulas após o Natal - disse ele, então se virou para Harry: - Entre, Sr. Potter. Eu nunca suspeitei que você estivesse tão ansioso para cumprir sua dentenção, aparceu mais cedo.
"Ah, não estava esperando?" - Harry pensou. - "Está surpreso por eu ter interrompido o que estava fazendo aqui e agora deve está louco... Ha!"
- Eu vim mais cedo, porque eu tinha um compromisso para depois da detenção! - Rosnou Harry e sentiu uma satisfação maliciosa, uma vez que Snape ergueu as sobrancelhas em surpresa.
- Boa noite, professor. - Nott inclinou-se ligeiramente, como se desconhecesse a tensão de faíscas no ar, e passou por Harry, atirando-lhe um sorriso desdenhoso. A mão do grifinória involuntariamente foi para sua varinha, mas parou devido o rosnar de Snape:
- Potter. Para dentro. Já.
Harry forçou-se a retirar a mão da varinha, apesar do fato do fato de que diante de seus olhos apareceu a maravilhosa imagem de Nott se contorcendo em espasmos de dor a seus pés, então bufou e caminhou ao lado do homem, não dirigiu a ele nem mesmo um olhar. Sentiu a raiva e a decepção mordendo-o, devorando-o tão insistentemente, que ele sabia que a qualquer momento iria esmagar algo. E que se Nott voltasse seria o alvo.
Assim que a porta foi fechada, Severus lançou um feitiço para bloquear a porta e silenciar, e depois atravessou o escritório e se sentou em sua mesa.
Tudo dentro de Harry tremia de tensão e raiva. Ele sabia que bastava apenas um empurrão para seu controle romper e ele mergulhar em um acesso de raiva.
- Sente-se. Eu não terminei. Se você decidiu vir mais cedo e sem aviso prévio para se comportar como um cão espumando, que alguém acidentalmente deixou cair a correia, então você deverá esperar um pouco e só depois irá me explicar o seu comportamento. E eu espero que você tenha uma boa explicação do por quê você parece querer amaldiçoar um dos meus alunos, porque eu não vou ...
Estas palavras fizeram o copo transbordar. Ele foi até ali para descobrir a verdade, porque Snape estava, aparentemente, o traíndo, desde o início, e ele se comportava como se ele não soubesse o que estava acontecendo, e, além disso ousava ixigir explicações da parte dele!
- Bastardo, desagradável! - Rugiu, sentindo a raiva e a frustração dominá-lo, o que em si era sufocante, a barragem finalmente quebrou e derramou por sua boca, querendo ser liberada. - Como você pôde? Como você pôde fazer isso?
Severus ficou em silêncio por um momento e olhou para ele com surpresa. Finalmente, franziu a testa e prendeu-lhe um olhar frio.
- Não fale comigo nesse tom , Potter.
- E isso é que eu vou fazer! - em poucos passos, Harry já se encontrava em sua mesa. Ele apoiou as mãos no balcão e dirigiu um olhar fervendo de raiva diretamente nos olhos de Snape. - Eu sei o que você estava fazendo com ele! Não me engana! Eu sei de tudo! Eu vi quanto tempo você passa com ele! Eu vi quando você foi com ele à noite para fora de Hogwarts! Eu o vi sorrindo! O que você está tendo com ele? Não sou o suficiente para você? - Sua voz vacilou um pouco, e Harry teve que parar para conseguir respirar.
Severus por um momento olhou para ele com espanto, mas rapidamente mudou a expressão, tomou um ar. .. zombandor e divertido. Recostou-se, cruzou os braços sobre o peito e franziu a testa.
-Então é isso, Potter. Está com ciúmes de mim e pensa que o traí com um sonserina, por isso decidiu vir aqui e fazer esse showzinho patético. Sinto muito por não ter batido palmas, mas eu estava com os dedos pegajosos. Não deu tempo de lançar um feitiço de limpeza quando tivemos que interromper nosso encontro agora pouco - Severus disse, sorrindo maliciosamente.
Harry sentiu uma explosão de ódio.
- Não zombe de mim! - Gritou, jogando tudo que tinha na mesa ao chão, num acesso de raiva. Pergaminho, tinta, algumas garrafas e livros despencaram no chão. Harry ouviu o vidro quebrar, mas quase não prestou atenção. Seus olhos estavam inundados de fogo vermelho, parecido com lava. Ele viu o rosto do homem mudar. Parecia um tanto ... chocado. Mas Harry já tinha caído no abismo da fúria de fogo, e nada era capaz de detê-lo. Ele bateu as mãos contra a mesa e se inclinou ainda mais para baixo e, a sua voz saiu da sua boca apenas como um assobio. – Estava fodendo-o, certo? Transou com ele sobre a mesa! Eu sei sobre isso! Bastardo, nojento! Onde você o tocou? E, além disso, eu não me importo! - Harry fechou os olhos e apertou as mãos dele aos ouvidos. - Eu não quero ouvir isso!
Quando as imagens de Nott nu deitado sobre a mesa com Severus sobre ele, surgiram em sua mente, sentiu a ira dolorosa perfurar seu estômago, como se o estraçalhasse, seu coração batia em um ritmo tão grande que suas têmporas pulsavam de forma frenética. Ele tinha a impressão de que iria queimar e virar cinzas.
Ele ouviu o som da cadeira e alguns passos rápidos. Foi agitado pelos ombros para forçá-lo a abrir os olhos.
- Se acalme imediatamente! - Severus rosnou, lançando-lhe um olhar penetrante. Seus dedos cerraram-se sobre a pele de Harry, mas ele conseguiu escapar e saltar fora, gritando:
- Não chegue perto de mim!
O homem franziu a testa e estendeu a mão. Agarrou Harry por sua camisa e deu um empurrão aproximando-o de si, então ele sussurrou venenosamente em sua face:
- Eu lhe disse para se acalmar, Potter! Se você não atender bem rapidamente isso poderá lhe trazer sérias consequências, e elas não serão nada agradáveis!
Harry começou a se contorcer. Ele não queria estar tão perto dele. Não depois disso, enquato surgia diante de seus olhos a visão dos dedos frios acariciando a pele de outra pessoa. Enquanto vislumbrava a capa preta caindo sobre outro corpo. Sobre outro corpo que não era o de Harry.
- Não me toque! - Gritou, torcendo-se e tentando escapar.
- Não tocá-lo? - O homem bufou. - Não me faça rir, Potter. Você só existe para o meu toque e você sabe disso.
Harry congelou, respirando pesadamente e olhando para o homem que parecia querer incinerá-lo. Severus estava em débito com ele.
A mente de Harry estava trabalhando a plena capacidade. Ele tentou ler algo nos semi-cerrados e raivosos olhos negros como túneis, mas não podia. Diante de seus olhos apareceram outras visões. E se Nott, e se ele não era o único? Se houvesse mais?
- Quem mais você fode, seu filho da puta? - Sibilou no final diretamente no rosto do homem.
- Todos, Potter. Cada estudante que vem ter detenção comigo. Esse lugar é decorado com orgias- disse Snape. Falava em um tom como se estivesse falando sobre o chá da tarde com os amigos, e não sobre...
Alguma coisa quebrou em Harry quando a sua imaginação lhe deu a imagem de Severus e... Ele puxou o ar com barulho, porque ele sentiu seus pulmões doerem como se não houvesse nada neles, não o permitindo respirar. Ele começou a engasgar, incapaz de lidar com o horror de seu coração quebrado em pedaços.
Os olhos de Severus se arregalaram quando viu a que estado suas palavras levaram Harry. Puxou-o anda mais perto e olhando com pavor para os olhos verdes, sussurrou:
- Droga, Potter! Não fodo cada aluno que permito no meu escritório.
Mas estas palavras não tinham nenhum efeito em Harry. Ele lutava por cada respiração, sentiu-se no meio da segunda tarefa do Torneio Tribruxo, quando nadou nas profundezas do lago em meio a criaturas aquáticas, quando começou a não conseguir mais respirar por mais duro que lutasse. Ele queria chegar a superfície, ele queria ser capaz de respirar novamente. Ele sentiu como se seus pulmões estivessem explodindo.
- Eu não posso ... respirar ... - Conseguiu espremer para fora, tentando desesperadamente respirar um pouco de ar.
A voz de Snape atravessou sua consciência:
- Olhe para mim, Potter! - Harry conseguiu levantar as pálpebras. E viu um olhar negro fitando-o, queimando com... ansiedade. - Acalme-se e respire profundamente. Não há ninguém, não precisa ficar assim. Pare com isso! - A voz de Severus perfurou o desespero de Harry.
Os pulmões de Harry explodiram com ar. Ele respirou fundo, sentindo o pânico diminuir lentamente. Mas a chama da raiva permanecia acesa e ardeu e queimou ainda mais quando notou que Snape estava o tempo todo zombando dele, como se quisesse puní-lo por alguma coisa. Queria dizer que ainda por cima ele era o culpado! Ele ...
- Não acredito em você! - Rosnou. - Não dá para você ... nunca mais deixe-o entrar aqui.
O olhar de Snape tornou-se mais uma vez frio, já que Harry voltara à ordem,poderia ficar bravo com ele à vontade. E até parecia estar ainda mais irritado porque ele foi forçado a dizer algo que não queria falar.
- Você não vai me ordenar nada, pirralho! Eu admito quem eu quiser aqui, e você vai se controlar para não fazer mais cenas de ciúmes! Saia e só volte quando esfriar! - Dizendo isso, Severus soltou dele e empurrou-o com firmeza para longe. Harry, desestabilizou-se um pouco, deu alguns passos para trás, mas eventualmente ele conseguiu recuperar o equilíbrio.
- Ótimo! Eu tive o suficiente! Eu deveria ganhar uma medalha por suportar você com ele! Mas acabou! Nunca mais irei por o pé aqui!
Os olhos do homem brilharam de raiva gelada, e os lábios apertaram-se tanto que quase ficaram brancos.
- Volte para seus amigos patéticos e não mostre mais a sua cara aqui!
- Ótimo! - Harry bufou. - Isso é o que eu pretendo fazer! Eu não serei o último! Você poder foder com aquele sonserina nojento o quanto você quiser ! Não me importo!
Ele virou-se tão abruptamente que quase vacilou, então se dirigiu para a saída. Ele agarrou a maçaneta, mas a porta estava trancada. Ele puxou-o uma e outra vez, sentindo que talvez fosse destruí-la, apenas para ser capaz de descarregar. Queria desintegrá-la e sair de dentro daquele inferno!
Mas a porta continuava fechada. Harry estava em um estado de tal descontrole que antes que um feitiço de desbloqueio pudesse ser lançado, certamente já teria esmagado a porta.
- Abra a porta, porra! Abra-a, agora! - Gritou, chutando com toda sua força a superfície de madeira. Pelo canto do olho viu um movimento atrás das costas. Ele virou-se bruscamente. Severus estava bem atrás dele e parecia que pretendia pegá-lo novamente. Harry levantou a mão, tentando afastá-lo, sem qualquer sucesso que seja! O homem agarrou-o e apertou-o dolorosamente. Harry gritou quando Snape virou a mão dele para trás e empurrou a face dele na porta, com toda sua força, pressionando-o na superfície de madeira.
Ele tentou libertar-se, mas o homem era mais forte. Ele não tinha nenhuma chance com ele.
Severus prendeu seu corpo, e Harry gemeu, sentindo dor incrível na mão torcida que Snape estava segurando tão firmemente, como se quisesse quebrá-la.
- Não me repila. - Ele ouviu o silvo venenoso em sua orelha direita. - Lembre-se disso. Porque a próxima vez que você tentar fazê-lo, não serei tão generoso, por isso não me empurre e em troca iremos acabar com essa farsa. - Ouvindo estas palavras, o estômago e o coração de Harry contraíram dolorosamente, oferecendo-lhe ainda mais dor do que sentia na mão torcida. - E agora, Potter ... vou lhe explicar algumas coisas. Primeiro, se você ignorar de novo meus comandos e aparecer aqui para fazer cena, despejando suas conjecturas emocionais e exageradas, apesar da ausência de qualquer evidência sólida, não vou me incomodar em lhe dar qualquer satisfação e baterei a porta em sua cara. Segundo: eu sou um professor e alunos, por vezes, vêm a mim tanto por conta de detenções, bem como por causa da tutoria, Potter. E se você não entende, então da próxima vez deixarei a porta aberta, para que ouça tudo. Você está satisfeito com esta solução? - Sem esperar por qualquer resposta de Harry, ele continuou. - E em terceiro lugar, não fodo ninguém, exceto você. Ninguém. E eu deveria ter lhe fornecido o suficiente, e se não foi o suficiente, então eu mostro a você imediatamente.
Harry sentiu o homem reforçar seu agarre. Ele tinha dificuldade para respirar e parecia que Severus também. Não deu tempo para pensar muito sobre isso, porque Snape agarrou-o pela roupa e o lançou firmemente sobre a mesa. Harry gritou, surpreso, e atingiu seu quadril na borda do tampo da mesa. Perdeu momentaneamente a orientação. Ele recuperou-a somente quando Severus veio até ele e o fitou com um olhar ardente, virou-o de costas e o empurrou na superfície.
Mas Harry não o permitiu. Ele empurrou com as mãos e afastou-se, lançando um olhar feroz a Snape.
- Eu quero ver você - ofegou, sentindo-se tremer. Com raiva, frustração e algo mais ... algo que floresceu nos seus lombos, tornando a única coisa que ele queria, a única coisa pela qual, neste momento, seria capaz de matar para obter, essa coisa ... era o homem em pé diante dele.
Severus atendeu seu pedido. Ele empurrou-o na mesa e tirou sua varinha. Uma onda despojou Harry da parte inferior da roupa, e, em seguida, repartiu o movimento em suas vestes, e deixou suas calças liberarem o membro. Os olhos de Harry brilharam quando viu o clarão, o pênis do homem duro e os cabelos escuros ao redor. Snape envolveu sua mão em torno de sua ereção e apotou-lhe sua varinha. Seu pênis foi coberto com uma substância brilhante, que foi espalhada por Severus ao longo do pênis em movimentos rápidos. Essa visão fez com que os olhos de Harry ampliassem com descrença, e seu coração quase pulou para fora do peito. Mas não pôde contemplar mais o gesto de Severus, no momento seguinte, Severus estava junto dele, sentou-o no balcão, empurrou-o para trás e levantou suas pernas. Ele descansou suas mãos nos ambos dele descançando as as mãos nos lados de sua cabeça e se inclinou sobre ele tão baixo que Harry não podia ver mais nada, a não ser o ardor dos olhos negros cintilando em fogo fixos no seu. Passou um momento, como que estudando os olhos verde de Harry, como se quisesse ir direto à sua mente, depois, ele entrou com um impulso suave. O corpo do grifinória se abriu diante dele, sentia-se explodir todar vez que mergulhava naquele olhar supreendente, mas desta vez havia algo mais. Obstinada determinação, obstinação e desejo de provar alguma coisa.
E Harry sentiu quando Severus saiu e empurrou de novo, e quase que imediatamente caminhando para o ritmo vertiginoso.
A íris dos olhos fugiram profundamente para cima do crânio, quando sentiu o prazer lhe perfurar, que tomava conta de seu corpo cada vez que tinha atingido o seu ponto de prazer.
- Olhe para mim! - Rosnou o homem, puxando seu membro para fora e em seguida punindo-o com um impulso extremamente afiado e poderoso.
O garoto gemeu alto, levantando os olhos, suspendeu a respiração, quando fitou os olhos de Severus novamente mergulhados em seus olhos, como se estivesse tentando lhe dizer algo muito importante.
Harry estava em chamas. Prazer em fogo. O fogo da raiva. Ele também queria rasgar Snape em pedaços, dividí-lo. Ele queria provocar-lhe a mesma dor que sentiu hoje, a dor que ele lhe causou. Sempre. Porque ele pertencia apenas a ele. Porque ele pertencia a Severus, e Severus lhe pertencia. Somente a ele.
Agarrou-o pelo manto, e o atraiu para ainda mais perto. Seus rostos estavam quase a milímetros de distância. Ele sentiu o hálito quente do homem em sua pele. Ele não via mais nada, além dos olhos de ébano negro invadindo sua mente.
- Você é só meu – disse com voz ofegante. - Só meu! Você pertence só a mim. Eu encontrei você. Pertenço a você. Se alguém tentar levá-lo de mim... Eu vou machucá-lo!
Severus congelou por um momento. Nas profundezas de seus olhos, tremulou alguma coisa. Uma sombra de satisfação surgiu em seu rosto, depois ele começou a entrar em Harry com velocidade ainda maior, com uma força ainda maior, com fervor ainda maior. Sim, se ele queria fazer aquilo para recompensar e punir, ao mesmo tempo.
Harry cerrou as pálpebras involuntariamente, mas então ele ouviu um rosnado selvagem:
- Você tem que olhar para mim, porra!
Quando ele ergueu as pálpebras, encontrou um olhar devastador e agressivo, que quase explodiu em sua alma. Ele devia a todo custo manter os olhos abertos. Mas era tão difícil quando cada tiro na sua próstata o privava da capacidade de pensar, enviando seus sentidos para o teto.
Um forte cheiro penetrava-lhe as narinas, o cheiro agridoce do homem, ouvia em seus ouvidos a sua respiração pesada, sentia as aspereza de suas vestes em sua pele, o calor da respiração, seus olhos não viam nada além da escuridão circundante. Snape estava sobre ele, estava dentro dele, ele estava em todo lugar. Ele o preenchia tanto que tinha a impressão de que não havia mais espaço para mais nada. Nem para Voldemort, para a guerra, nem aulas, amigos, passado e futuro. Isso tudo não poderia existir. Enquanto Severus estava ali, dentro dele, enquanto estivesse com ele ... nada mais importava.
Ele sorriu apertando mais o manto do homem. Severus, vendo seu sorriso, recuou um pouco para olhar para seu rosto inteiro. Ele lambeu os lábios e abrandou os movimentos, passando a penetrar lentamente, profundo, ao longo de cada empurrão, de sua boca começou a surgir, em voz baixa, quase sem fôlego, as seguintes palavras:
- Não. Há. Ninguém. Não . Há. Outros.
O estômago de Harry se virou, e seus olhos se arregalaram. Seu pênis estremeceu, ouvindo estas palavras, e a tensão dentro dele subiu para um estado de emergência. Ele sabia que bastava só mais um pouco, e ele ia...
Sentiu a palma de Severus deslizar em seu pescoço. O homem levantou a cabeça, aproximado-a de seu rosto. Ele inclinou-se e parou a boca a milímetros do seu ouvido. Dedos finos teceram em seus cabelos e os apertou firmemente. Harry ergueu as mãos para cima e as psssou ao redor do pescoço do homem em um aperto tão forte que nada seria capaz de romper com ele. Harry foi perfurado por tremores incontroláveis pelo corpo quando sentiu o hálito impossivelmente quente penetrando em sua mente em um sussurro rouco:
- Você...
Sentiu um profundo impulso em seu interior.
- ... é o ...
Lábios quentes, deslisaram no lóbulo da sua orelha.
- ... único ...
Dedos cravaram fortemente em seu corpo.
- ... Potter.
O sussuro foi quebrado por um gemido rouco quando Severus gozou nele, seu corpo convulsionou com tanta força sobre Harry que quase danificou a bancada. Agarrou as nádegas de Harry com força predatória, como se quisesse rasgá-lo em pedaços.
Mas Harry sentiu-se cair dentro do abismo do prazer do orgasmo. Tudo nele ardia e desintegrava-se, sob suas pálpebras, viu milhões de faíscas quentes que vagaram sobre a sua pele, irritando-a inteira. Ele pressionou o rosto no pescoço de Severus, sufocando seu grito rouco, por um momento, ambos não conseguiam respirar.
Ele queria continuar a sentí-lo derretendo dentro dele. Estava tão perto, podia sentir seu coração batendo alo lado do seu coração. Ele nunca, absolutamente nunca iria deixá-lo ir.
Ele não sabia quanto tempo havia passado. Ele tinha a impressão de que havia viajado para longe. Ele só via escuridão e ouvia apenas os sons das respirações altas, dele e de Severus, cortanto o silêncio quente.
O homem deitado sobre ele engasgou. Harry sentia o peso dele, sentia o seu peito subindo e descendo, ouvia sua respiração pesada. Sorriu para si mesmo.
Ele relaxou o abraço. Severus se afastou e endireitou-se, apoiando-se nos cotovelos. Harry prendeu a respiração, vendo o olhar nebuloso que o homem lhe lançou. O rosto de Severus estava tão perto ... Ele sentiu sua respiração acelerada, voltando lentamente ao normal.
E pela primeira vez ... já não queria mais nada. Se ao menos fosse sempre assim como agora. Se Severus apenas ficasse sempre com ele. Mais isso não pararia ali. Nunca.
Ele levantou a mão e tocou o rosto áspero, contemplando fascinado a piscar, fitou os olhos profundos e sussurrou baixinho:
- Eu sou apenas seu. Eu sempre o amarei.
Nesse momento, uma sombra escura apareceu nos olhos negros, e as rugras entre as sobrancelhas se aprofundaram. Harry sentiu a ansiedade, que não poderia ser justificada. Ele não gostava daquela sombra. Algo não estava certo. Já conseguia ver isso em Severus . Ele conhecia suas reações.
Ele franziu o cenho.
- Severus?
O homem apertou os lábios e se afastou. Harry, por um momento, não quis libertá-lo das suas garras, mas acabou por desistir. Sem uma palavra, observou Snape se levanta e puxa as calças. Ele não olhou para ele. Como se Harry tivesse dito algo errado.
- O que aconteceu? - Ele perguntou hesitante, elevando-se sobre os cotovelos. Ele queria se levantar, mas os músculos se recusaram a cooperar depois de um orgasmo tão intenso, não lhes queriam ouvir.
- Vista-se e me siga – Severus disse finalmente. Sua voz estava completamente calma.
Harry levantou a cabeça, olhando para as calças abotoadas do homem. Ele forçou seu corpo a se mover, e sentou-se sobre a mesa, olhando para os olhos de Snape que estreitaram-se de forma suspeita.
- E pare de olhar para mim assim, Potter - rosnou o homem, claramente irritado. - Talvez eu devesse dar-lhe uma foto? Então você poderia olhar à vontade, e eu pelo menos poderia ser polpado de suportar suas expreções faciais bobas.
Harry apertou os lábios. Bem, mais uma vez, Era Snape. Snape.
- É uma ideia muito boa - disse, sorrindo. - Eu vou pendurá-la na cama e vou me masturbar olhando para ela.
O homem lhe lançou um olhar meio irritado meio divertido.
- Como se você já não ... - Ele respondeu sarcasticamente.
- E como você sabe o que faço no meio da noite? - Ele perguntou em tom desafiador.
Severus estreitou os olhos. Em seus lábios apareceu um sorriso misterioso e torto.
- Imagino que faça o mesmo que eu.
Harry sentiu seu queixo cair no chão, mas não pôde responder, porque Severus bufou, virou-se e desapareceu por trás da porta que dava para seus aposentos.
O menino pulou da mesa para ir atrás dele, queria discutir o assunto, mas depois lembrou que ele não tinha ideia de onde estava a parte inferior de sua roupa.
- O que você fez com minhas calças! - Gritou em direção à porta aberta, olhando cuidadosamente ao redor, mas Snape não lhe respondeu. Ele suspirou, e entrou na sala de estar, sentindo uma chama calorosa no coração cheio de alegria, mas embaçada por uma sombra indefinida de ansiedade da qual ele não conseguia se livrar.
Ou talvez fosse apenas sua imaginação fértil?
CDN
Alma Frenz:
Gehenna, realmente o Harry ainda não compreendeu que ainda é cedo para tentar obter um beijo de Snape. A negativa de Snape em beijar Harry tem um fundamento muito angustiante, que só de pensar me dá vertigem e um aperto no coração, mas não posso adiantar nada para vocês, o máximo que eu posso dizer é: vocês compreenderão o motivo ao longo dos muitos capítulos que ainda tem pela frente, nenhum gesto dele, nenhum ato, nenhum comportamento está desprovido de uma razão forte. Fiquem de olho.
Miriette, fico muito feliz que esteja gostando do Desiderium Intimum, obrigada por comentar.
