Capítulo 35 – Festa Surpresa

4 de Junho de 1994

Harry acordou bem cedinho e desceu as escadas.

No dia seguinte seria o aniversário do seu Querubim Platinado e ainda não havia conseguido decidir qual seria o presente perfeito para lhe oferecer.

Draco adorara a fénix que lhe dera no ano anterior. Como faria este ano para igualar essa façanha? Aries fora o momento alto da sua busca por presentes para o loirinho e agora as ideias tinham secado tal qual uma fonte sem água. Para falar a verdade, senão tivesse sido pelo incidente entre o basilisco e Fawkes, na Câmara dos Segredos, nunca lhe teria ocorrido um presente tão bom.

Não conhecia Draco muito bem, desconhecia os seus gostos e hobbies; então, como é que era suposto encontrar o presente perfeito para o loiro?

"Hermione! Eles agora são super amigos…", bufou perante o mero pensamento. "Provavelmente já deve conhecê-lo melhor do que eu alguma vez o farei." Sem saber bem o porquê, Harry sentiu uma sensação de queimação nas suas bochechas. A que se devia aquele ardor nas suas veias, o coração palpitante, que lutava freneticamente, tentando saltar do seu peito e o suor a escorrer pelas têmporas?

"Sempre que me aproximo a eles, Hermione começa falar de coisas que não entendo. Acaso é algum tipo de código secreto que só as pessoas super inteligentes entendem ou é mesmo pensado só para me deixar de lado?", a desconfiança estava a manchar as suas infantis divagações. "Aqueles dois parecem estar a falar chinês a maior parte do tempo!"

Meia hora depois já era possível escutar alguns ruídos do andar de cima. Os alunos começavam a despertar, ansiosos pela visita a Hogsmeade, afinal de contas, era finalmente sábado e logo terminaria o Ano Letivo, pelo que já não ficavam muitas oportunidades de visitar a aldeia.

Hermione bocejou, descendo as escadas ainda de pijama.

― Harry!? O que é que fazes a pé tão cedo? ― perguntou curiosa, sentando-se no sofá ao lado do moreno.

― Hmm… Amanhã é…

― Claro! ― exclamou repentinamente, interrompendo o amigo ― Draco faz anos! Já compraste o presente ou vais aproveitar a ida a Hogsmeade?

― Não sei o que lhe hei-de oferecer. Ele está encantado com a fénix e temo desapontá-lo este ano ― murmurou Harry, com a cabeça gacha.

― Tenho a solução perfeita para a tua aflição!

― Qual? ― perguntou ansioso.

― Vamos necessitar reforços… ― disse com tom misterioso.

― E quem seriam esses tão aclamados reforços? ― perguntou, rezando interiormente que não envolvesse Slytherins com tendências homicidas.

― Espera e verás! ― respondeu, levantando-se com um salto energético e subindo as escadas quase a correr, deixando o Menino-Que-Sobreviveu a remoer no assunto.

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Hermione encarava os seus aliados com ferocidade.

― Entenderam?

― Sim, Capitã! ― gritaram todos em uníssono.

― Pois, então, mãos à obra que o tempo escasseia!

O grupo dispersou-se em diversas direções.

― Era mesmo necessário isto tudo?

― Queres ou não queres dar-lhe um presente memorável?

― Claro que quero, mas… isto parece um pouco… hm… exagerado. Não achas?

― Vê e aprende, que eu não duro sempre, Harry! Vê e aprende… ― concluiu Hermione, portando o seu sorriso de sabe-tudo, já familiar para a maioria dos presentes.

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A noite chegou e os gémeos Weasley bateram à porta da Casa das Serpentes.

― Devem ser muito corajosos ou muito loucos para virem aqui sem a proteção de um exército devidamente treinado ― expôs a Tirana de Slytherin, abrindo a porta para encarar os ruivos, que portavam tremendos sorrisos. ― Não há dúvida alguma de que nenhum de vocês possui amor à vida ou ainda que seja um apego mínimo à vossa própria segurança.

― Viemos informar o nosso bebé de que deve comparecer no Campo de Quidditch amanhã, às três da tarde ― clamaram em sincronia que outros jurariam ter sido ensaiada.

― Porquê?

― Surpresa! ― exclamou um dos gémeos, espreitando para dentro da Sala Comum.

― O que é que pensas que estás a fazer? ― perguntou Pansy, movendo-se para o lado para obstruir a linha de visão do ruivo.

― Não te preocupes, não estou a espiar a vossa Casa, só quero ver o meu Dragãozinho! O meu filho não me tem visitado. George, porque é que o nosso filho não nos vem ver? ― choramingou Fred, sendo imediatamente consolado num apertado abraço.

Pansy sentiu um tique nervoso surgir na sua sobrancelha. Claro que adorava os gémeos, mas por segurança, até descobrir mais sobre o Admirador Secreto, a garota tinha cortado a exposição de Draco o máximo possível. Nada de sair a passear sem companhia e muito menos visitar outras casas. Algo lhe dizia que não podia tomar por assentado que o Ladrão de Dragõezinhos era da sua própria casa, pelo que era melhor assegurar-se de manter o loirinho afastado das outras casas e dos horrendos perigos que estas representavam.

Ninguém e isso quer dizer mesmo ninguém, lhe ia roubar o seu Pequeno Dragão, nem que para isso tivesse que o trancar no alto de uma torre, resguardado por uma besta feroz, como aquela princesa do conto muggle que Draco lera na semana passada às suas mascotes. Nem perguntem… O menino estava aborrecido e recluso. As coisas que passam quando não se tem contacto com o mundo exterior… Coisas malucas que acontecem quando não se fala com outra pessoa para além de Pansy e dos seus animais de estimação… Assustador!

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5 de Junho de 1994

A porta do quarto deslizou silenciosamente, cinco cabeças alinharam-se verticalmente, espreitando de forma cautelosa.

― Nesse mesmo dia celebrou-se o casamento entre a bela princesa Aurora e o corajoso Príncipe, que viveram felizes para sempre. ― Draco fechou o livro e pousou-o em cima da cama, acariciando as cabecitas diminutas das suas meninas.

― Nível de loucura mínimo! ― constatou Daphne com voz praticamente inaudível.

― É seguro entrar ― concluiu Theodore.

― Mais tarde temos que falar, Pansy. Não podes cortar-lhe completamente o contacto humano… Draco vai enlouquecer.

― Há um mundo perigoso lá fora, Blaise! ― defendeu-se a loira visivelmente indignada sem querer dar o braço a torcer ― Draco é um inocente e indefeso cordeirinho num mundo repleto de lobos…

― Falam disso mais tarde, agora temos de fazer com que Dray fique minimamente apresentável. ― Millicent colocou os cotovelos em cima da cabeça de Blaise sem tirar os olhos da estranha pintura que se apresentava à sua frente; um pequeno de orbes prateadas completamente despenteado e com roupas desarranjadas.

― Sim, ele nunca permitiria que… ― Pansy recordou o diálogo com os gémeos e a sua própria surpresa.

― Shh! Ele já nos viu ― murmurou Blaise, jogando os braços de Millie para o lado, antes que estes cavassem um buraco através do seu crânio.

― Bom dia, Draco! ― disseram todos, atropelando-se uns aos outros para serem os primeiros a felicitá-lo ― Feliz aniversário!

― Vem! ― Pansy puxou o menor pela mão e guiou-o até ao quarto de banho.

― Ah! Isso é que não ― reclamou Blaise, com um forte rubor ―, se alguém vai ajudar o Draco a tomar banho… ― Numa atitude inusualmente tímida, Blaise começou a mover as mãos, esfregando-as incansavelmente. ― E-Esse so-sou e-eu… ― Plash! Pansy deu-lhe uma chapada. ― Auch!

― Tarado!

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Draco tentava não tropeçar em nada, mas a fita que vendava os seus olhos não ajudava muito.

― Já chegámos? ― perguntou o loiro, movendo a cabeça para os lados, ao não saber onde estavam os seus amigos ― Ah! ― gritou o menino ao bater contra um degrau e cair para a frente, sendo amparado por alguém ― Hã?… Hmm… Obrigado, ca… ― Apalpa os braços musculosos. ― cavalheiro desconhecido.

― Ei, não te aproveites, degenerado! ― Draco escutou Pansy gritar e empurrar o seu misterioso salvador.

― Quem era? ― perguntou o Dragão com interesse.

― Ninguém importante!

― Como ass… ― Pansy pisa o pé do pervertido, segundo ela. ― Sua… ― sussurrou o desconhecido, agachando-se para analisar o dano que a Tirana lhe causara.

― Estavas a tentar dizer alguma coisa, McLaggen? ― O Gryffindor olhou para cima e avistou os ferozes e penetrantes olhos da serpente.

― Não! Nada!

― Bem me parecia!

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Neville corria pelo campo com um desfile de flores a levitar atrás dele.

― Chegaste mesmo a tempo, Nev! ― disse Hermione, começando a posicionar os arranjos sobre as mesas ― Onde está a comi… ― Dobby aparatou à sua frente e juntamente com ele, apareceu um banquete. ― Asseguraste-te de só servir os pratos favoritos do Draco, certo? ― O elfo doméstico assentiu entusiasmadamente. ― Obrigada, Dobby! Toma ― Deu-lhe um par de meias. ―, Draco mencionou que estavas a colecionar meias com desenhos de criaturas mágicas. Esta é uma edição limitada de unicórnios dourados. ― O elfo saltitou alegremente e desapareceu com uma vénia. ― Estão aí parados a fazer exatamente o quê? ― gritou na direção de uns poucos preguiçosos ― Têm que estar tudo pronto até às três. Mexam-se! ― ordenou o frenesim de cabeleira acastanhada.

― Olhem só a Capitã Granger! ― brincou Lee Jordan, que se colara aos gémeos, desejoso de se unir a uma boa festa ― Aquela garota vai ser alguém um dia… Basta ver como é boa a dar ordens. Deveria passar a chamá-la Futura Ministra Granger? Não quero ficar em maus lençóis com ela!

― Sem dúvida nenhuma! ― respondeu George, procurando o irmão com a mirada ― Mas que merda está aqui a fazer aquele tipo?

― Oliver? Pensei que te davas bem com ele?…

― Dou-me bem com ele no campo… Durante um jogo… Não quando se está a jogar em cima do meu Fred!

― Eu sabia! ― gritou o negro em êxtase.

― Sabias o quê?

― Que tu gostas do Fred!

― É claro que gosto dele, é meu irmão ― respondeu George com rapidez.

― Hm..hm… Só isso? ― perguntou com um sorriso travesso e uma mirada que gritava a viva voz "Nessa nem tu crês".

― N-Não lhe digas…

― Descansa em paz, o teu segredo está bem guardado comigo. Mais seguro não poderia estar, o mesmo não se pode dizer do rabiosque de Freddie, hã? ― Deu uma palmada solidária nas costas do amigo. ― Não, estou a falar a sério! Wood parece pronto para lhe saltar em cima e o teu irmão não nota nadinha de nada.

― O quê? ― gritou alarmado ― Fred! Fred! ― O ruivo esbracejava e pulava, tentando atrair a atenção do outro. ― Tenho de ir! ― E correu de encontro ao par de leões.

― Sim, sim, eu sei, o traseiro do Fred é só teu. Boa sorte, amigo! Posso ser o padrinho de casamen… Oh! Eh!? Já lá chegou? Acaso tem foguetes nos pés? ― ponderava o moreno, enquanto assistia à batalha de olhares perfurantes que os pretendentes de Fred dividiam ― Isto vai ser tão divertido! Onde está o fedelho da câmara fotográfica quando se precisa dele? Queria imortalizar este momento para posterioridade…

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― Já podes tirar a faixa ― disse Pansy, soltando os ombros do menor.

― Feliz aniversário! ― gritaram os seus amigos em uníssono.

― O meu presente primeiro, obviamente! ― disse Pansy, sem direito a reclamações.

― Onde está? ― perguntou o loiro com curiosidade.

― Sou demasiado grande para embrulhar, não achas, meu pequeno?

― Papi! ― gritou Draco, correndo até Lucius e jogando-se nos seus braços.

― Parabéns, campeão! Agora, o teu presente. ― Deu-lhe uma pequena caixa. ― Pertencia à tua mãe. ― Draco encarou o embrulho com devoção e abriu-o cuidadosamente, para não o rasgar. As lágrimas brilharam travessamente. ― Cissa teria desejado que… Wow! Calma, filho ― disse o patriarca Malfoy ao ser abraçado surpresamente pelo menor.

― É maravilhoso, papá! Adorei! ― Draco retirou o Diário de Gestação que pertencera a Narcisa do interior da caixa.

― Desde que soube que vinhas a caminho… ― A dor misturava-se com a alegria, gerando um fino rio de lágrimas. ― Cissa escrevia todos os dias. ― Lucius pega no diário e abre na primeira página. ― Vês! Todas as entradas começam com "Para o meu bebé"…

Os loiros abraçaram-se, as emoções fluíam com força suficiente para derrubar qualquer barreira.

As festividades decorreram com tranquilidade. Os presentes foram recepcionados por Pansy e Lucius, que desgostoso de ter sabido que o seu bebé tinha um pretendente anónimo, necessitava alguém em quem descarregar a frustração… E nada melhor do que aquele bando de fedelhos que se achavam bons o suficiente para estarem presentes na Festa de Aniversário do seu filhinho.

Lucius realizava todo o tipo de feitiços reveladores e aqueles que considerava de conteúdo inadequado eram descartados. Se os estudantes pensavam que Pansy era dura, era porque ainda não tinham tido o desprazer de conhecer Lord Malfoy.

A noite já caía e as pessoas começavam por fim a regressar aos seus respectivos dormitórios.

― Então… Hmm… O que achaste da festa? ― perguntou Harry com o nervosismo à flor da pele.

― Foi fantástica! Obrigado, Harry… e Hermione ― completou ao ver a menina aproximar-se com rosto cansado.

― Ora! Não foi nada, Dray. ― Hermione empurrou subtilmente o amigo na direção do loiro e acenou com a cabeça.

― Hm… Pois… Parabéns, Draco! Tem uma boa noite!

― Hm… Sim, tu também, Harry ― disse Draco, antes de ser arrastado por uma possessa Tirana, que reclamava sobre a falta de classe dos penetras, referindo-se a um par de Slytherins que ela tinha feito questão de expulsar da festa a pontapés, quando os apanhou a tentar batizar o ponche de frutas, sendo que nem sequer tinham sido convidados para início de questão.

― A sério, Harry? Tem uma boa noite? ― Hermione repetiu as palavras de Harry, concedendo-lhes um toque de sarcasmo. ― Tens o quê, cinco anos? Nem sei para que é que me dou ao trabalho de te ajudar…!?

― Hã? ― O Menino-Que-Sobreviveu observou a amiga abandonar o Campo de Quidditch com passadas largas e furiosas.

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Mal entrou no quarto, Draco deu pela falta de Lyrae, encontrando-a de seguida a lutar contra um colar que se enroscara à sua volta, prendendo-a e delimitando o movimento das suas asas.

― Shh! Calma, pequena… Deixa-me ajudar-te! ― O loiro desenroscou o fio e acariciou a cabeça do dragão albino, que choramingava baixinho. ― Pronto, já passou, Ly! Vai ficar tudo bem!

Draco pousou o colar na mesa de cabeceira e pegou cuidadosamente em Lyrae, deixando-a no ninho, junto a Aries.

― Evitas de te esconder, Lynx ― disse ao ver o gatito atrás de um par de livros e agarrando-o com agilidade ― Tens andado a fugir de mim há meses… Mas o ferimento já deveria ter curado, não tens razão para continuar a mancar, pelo necessito ver se não ficaste com sequelas. ― Lançou um feitiço de diagnóstico, detectando uma nova lesão no pequeno animal, desta vez interna, que miava lamentavelmente, tentando soltar-se. Não gostava de ser tocado quando se feria, doía ainda mais e Lynx não gostava daquilo que lhe fazia mal. ― Talvez seja melhor pedir a Severus que faça uma poção para te curar e que te lance um feitiço protetor, de preferência um bem potente ― ponderava Draco, querendo proteger a sua mascote do perigo, pois algo lhe dizia que fora um humano e não uma mascote quem ferira o seu pequeno Lynx. ― Quem te fez isto, meu pequerrucho?

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Sentado no duche, encontrava-se um vulto, que observava atentamente as ações que transcorriam no quarto de certa serpente albina.

― Falhei! Pensei que desta vez me livraria daquela coisa… Maldito gato! Sempre a arruinar os meus planos… Não podiam tê-lo levado ao raio da festa? Assim não teria tido de lidar com ele outra vez, bom… Pelo menos consegui entregar o meu presente. ― Observou o colar em cima da mesa de cabeceira. Possuía um medalhão com o formato de um dragão chinês em prata, cujas garras seguravam firmemente uma gema mágica transparente. ― Com aquela pedra mágica poderei averiguar o estado de espírito de Draco. Foi uma boa aquisição, uma gema que muda de cor dependendo das emoções do portador e só eu é que sei o que cada cor significa. ― Desfez o feitiço e guardou o cristal no bolso da capa. ― Simplesmente perfeito!