N/A: Neo Serenity Eternal – Estou simplesmente amando seus comentários!
Laarc – Foi por muito pouco que a Selene não tirou as memórias do Darien...
Bjs.
Tristia
Tão logo Chiyo prendeu Sailor Moon, Lita, Mina, Rei, Lita, Haruka, Michiru, Hotaru, Setsuna e Seiya foram enviados de volta à superfície por um sorridente e debochado Daisuki.
E sem possibilidade de volta, pois Setsuna não conseguia mais visualizar o portal.
– Droga!
– O que houve, Setsuna? – Perguntou Haruka.
– Não consigo mais visualizar o portal... Alguma coisa muito errada está acontecendo...
– Como assim? – Perguntou Rei.
– Hades está usando seu poder para bloquear o portal e isso é algo extremamente grave.
– Por quê? – Agora era a vez de Seiya questioná-la.
– Se o portal está bloqueado, creio que não somos apenas nós a não poder passar... As almas dos mortos também ficarão de fora. Elas serão obrigadas a vagar entre nós, na superfície, sem poder encontrar seu lugar no mundo dos mortos.
– Mas isso é terrível! – Sentenciou Hotaru.
Rei estava revoltada. Ela ajoelhou-se e socou o chão com raiva.
– Nós estamos sendo um verdadeiro fracasso! Primeiro, perdemos Darien pra Selene, que está fazendo sabe-se lá Deus o que com ele... Depois, fracassamos no reino de Hades, pois agora é Serena que está presa.
"Que tipo de sailors guardiãs nós somos? Não faz sentido voltarmos e nossa princesa ficar lá! Aliás, não faz sentido perdermos príncipe e princesa desse jeito... Perdemos os dois, os dois!".
Rei não conseguia mais se controlar e as lágrimas escorreram por sua face.
Seiya tentou consolá-la, pondo as mãos sobre os ombros da sailor, queria dizer-lhe que ia ficar tudo bem, que dariam um jeito de recuperar os dois, que não era a primeira vez que passavam por uma situação crítica.
Mas quando viu os profundos olhos negros de Rei a mirá-lo, a face levemente ruborizada com o toque de suas mãos, perdeu todas as palavras que se preparava para dizer.
Ela, de alguma forma, lembrava Serena naquele fatídico dia em que a jovem chorava de saudades de Darien, "Posso substituí-lo?". A posição era a mesma, apenas a moça à sua frente era outra, tão bela, cheia de vida quanto a jovem loura...
E a recordação o acertou em cheio.
Seiya afastou-se sem nada dizer. Rei o estava deixando cada vez mais confuso.
Ela está me lembrando a Bombom, apenas isso...
Apenas isso...
Apenas isso...
As meninas olharam para os dois de forma curiosa. Que estava se passando com aqueles dois?
– Cof... Cof... – Começou a tossir Haruka de forma nada discreta, conseguindo chamar assim a atenção dos dois, que logo se recompuseram.
Mas esse sujeitinho... Não toma jeito, pensava Haruka.
– Fique calma, Rei... Tenho certeza de que vamos conseguir um jeito de ajudar Serena – Afirmou Ami.
– Como conseguimos ajudar o Darien?
– É melhor não ficar rebatendo – Aconselhou Mina a Haruka, percebendo a impaciência em seu olhar –; ela só precisa extravasar um pouco.
Ela precisa é parar de ficar dando ataques e fazer charme para esse sujeitinho, isso sim!, pensava lançando um olhar de reprovação a Seiya.
O jovem logo percebeu no semblante de Haruka que ela não estava nem um pouco feliz com o que estava vendo. Ele sentia que ela estava lhe desferindo um "Terra, trema" só com o olhar.
Mas como ela é implicante!, pensou ele já enrubescendo.
– Humpf! – Lamentava Setsuna ao perceber que as amigas não tomavam jeito.
A guardiã do portal do tempo se questionava quais seriam os propósitos do deus do mundo inferior ao fazer algo tão terrível e quais seriam as conseqüências do fechamento do portal.
A verdade é que se encontravam sem saída e precisavam confiar na força de sua princesa para conseguir sair de lá sozinha.
– Meninas, por favor! Precisamos decidir o que fazer... Talvez seja melhor pedirmos ajuda...
– ? – Olharam todos com espanto para ela.
– E quem poderia nos ajudar? – Perguntou Haruka ainda impaciente com toda aquela situação.
– Entendam que é apenas uma sugestão, mas talvez devamos pedir a ajuda de Nyx!
Darien não guardava mais com ele a lembrança da visão de Serena ao lado de Hades; logo depois da conexão com a jovem sailor, a deusa da Lua fez questão de retirar-lhe essa memória.
Ela sabia que o rapaz ficaria ansioso, perturbado e, consequentemente, incapaz de se manter firme no acordo dos dois, esconder os sentimentos dele em relação à Serena e não demonstrar um ar tão contrariado na frente das demais pessoas.
Retirou-lhe, portanto, essas lembranças com todo o cuidado possível. Não queria avariar sua mente, prejudicá-lo...
Agora que era dotada de tantos poderes, que dominava as forças de mais três deuses, Selene poderia dar a Darien um presente especial, poderia torná-lo um imortal como ela. Era uma decisão muito séria, que não poderia ser fruto de uma preciptação.
Darien não era apenas o ponto fraco da princesa da Lua, estava se tornando o ponto fraco da própria deusa.
Ela pensava em todas essas coisas observando o sono dele, sua respiração tranquila, a cabeça levemente inclinada para o lado, a mão esquerda sobre o peito. Aos poucos, após uma dose generosa de seus "argumentos", ele estava se conformando... No mais, o que mais importava era poder usá-lo quando quisesse e quanto a isso não enfrentava problemas.
Além disso, depois do que Hades estava planejando, decerto que não veria mais Serena, nem Endymion. Lamentava apenas por ele... Mas não havia problema.
– Meu querido – Sussurrava –, que bom que eu tenho a você agora.
Ela queria tocá-lo, mas começou a sentir uma terrível dor. E ela sabia que estava chegando a hora, que, como que repudiando seu abrigo, a criança que fora gerada naquela noite de divertimentos cruéis pedia para ver a luz do mundo... Pouco mais de um mês havia se passado.
Você se desenvolveu rápido e já quer nascer...
Que assim seja!
Darien acordou com o gemido de dor da deusa. Ele já havia percebido um volume anormal em sua barriga, mas não deixava de se surpreender com as diferenças entre deuses e mortais.
– O que houve? Perguntou ele com delicadeza e preocupação sinceras.
Por um segundo, Selene esqueceu-se de sua própria dor e fitou aquela expressão que ele nunca dirigira a ela. Não havia riquezas ou poderes que pudessem obrigá-lo a lhe oferecer o que ele estava lhe dando agora.
– Eu disse que os deuses eram diferentes, meu caro... – Disse ela, com leve alteração de voz – Essa criatura quer conhecer o mundo logo... Ela está pronta.
– Eu não sei como ajudar você...
– Apenas chame a Harpia e me deixe a sós com ela...
Darien fez o que Selene pediu. Estranhamente começou a ficar ansioso... A criança, a menina, era apenas uma idéia... Mas logo ele a conheceria... Logo ele poderia colocá-la nos braços. Como ela haveria de ser? Selene sempre lhe dizia que ela seria como ele...
Mas não deixava de pensar que o nascimento de sua filha com Selene era a prova cabal de que o rumo da história havia se alterado. Tudo havia mudado...
Serena... Me desculpa.
Havia se passado pouco mais de uma hora, quando ele foi arrancado de seus pensamentos, de seu caminhar em círculos por um choro que quebrou o silêncio que se estabelecera nos aposentos de Selene.
Ele engoliu em seco e andou hesitante em direção à porta.
Será que poderia entrar?
Logo a Harpia apareceu para lhe dizer com a voz seca:
– Minha senhora o espera.
Darien entrou curioso no quarto.
Selene estava com olheiras fundas e, notadamente, mais fraca. Seu vestido branco cobria parte da imensa cama de casal daquele alvo e gélido quarto. Mas ele não via nada disso, só conseguia reparar naquele bebê tão pequeno, que cabia numa palma da mão. A criança chorava um chono fino e se agitava nos braços da deusa.
– Mas é tão...
– Frágil... – Completou a deusa, com um sorriso cansado – Não se preocupe; essa fragilidade é somente uma aparência, que nem ao menos durará... Ela é mais forte do que você pode observar assim de longe. Venha... Sei que quer pegá-la no colo...
– Eu posso? – Perguntou ele.
– Claro... É sua também...
Darien pegou a criança no colo muito receoso devido à fragilidade da recém-nascida. E o choro da criança cessou tão logo ela sentiu os braços dele.
– Já vi que essa garotinha vai me dar trabalho... – Sussurrou Selene.
– O que disse? – Perguntou Darien.
– Nada...
Darien ficou com a menina em seus braços até que ela adormeceu. Ele a olhava com encanto nos olhos.
Selene pediu a menina de volta.
– Sinto que gostou de Tristia.
– Tristia?
– É o nome que escolhi pra ela... Combina. Sei que gostou de tê-la em seus braços. É uma menina linda – Selene acariciava a cabeça da menina enquanto falava.
Darien olhava aflito para Selene, lembrava-se da ameaça que ela havia lhe feito e temia os acessos de loucura da deusa.
– Eu quero o bem dela...
– Eu também... Aliás, eu quero o melhor para os dois. Não se preocupe; não pretendo fazer papel de Medeia nessa história; não farei nenhuma loucura com a menina. Até que eu gostei da danadinha... Acho que é porque ela se parece com você...
Darien passou o dia a corujar a criança ao lado de Selene. Era a primeira vez ali que ele mostrava algum contentamento real. Ele estava realmente feliz com o nascimento daquela menina, que, aliás, já demonstrava um tom faceiro ao sorrir com qualquer brincadeira que o pai fizesse:
E Selene queria que as coisas permanecessem assim. Já que Hades estava se mostrando tão interessado em Serena, talvez os dois pudessem entrar em acordo para arrancar desses dois exatamente o que queriam.
