Edward's POV
QUINTO MÊS
A manhã seguinte ao nosso casamento começou perfeita, mesmo que nada fora do normal tivesse acontecido. O simples fato de tê-la ali ao meu lado, dormindo, linda como um anjo, já era o suficiente para me deixar bem. Sua maquiagem, embora mais fraca, se mantinha perfeita. Seus cabelos estavam soltos, e tentei me lembrar em que momento da noite anterior eu havia desfeito sua trança. O perfume de amêndoas parecia fraco se comparado ao perfume natural que sua pele emanava. Ela estava tranquila, respirando devagar, e o movimento de subida e descida que o peito dela fazia era um pouco hipnótico. Mesmo inconsciente, Isabella parecia feliz, e aquilo fez com que eu sentisse uma paz de espírito tão grande que, de repente, me dei conta de que poderia passar o resto da vida ali, daquele jeito, assistindo-a não fazer nada.
Mas em algum momento ela acordaria. E quando isso acontecesse, eu queria estar preparado. Era engraçado como me sentia disposto a parecer o melhor marido do mundo para ela, e igualmente engraçado era o fato de que eu achava que realmente podia ser. Eu havia prometido a ela - e a mim mesmo - que cuidaria dela para sempre, e sempre a faria feliz. Era uma das pouquíssimas promessas que eu havia feito a alguém algum dia, e seria talvez a única que eu realmente cumpriria.
Contra a vontade, levantei-me da cama e caminhei até o banheiro para um banho morno, tomando cuidado para não acordá-la. Ela ainda dormia na mesma posição quando voltei ao quarto. Escolhi uma calça de moletom qualquer para vestir e recolhi do chão as nossas peças de roupa, esquecidas na noite anterior, saindo logo em seguida.
Desci e preparei o melhor café da manhã que consegui, com sucos de maçã e morango, torradas, dois tipos de geléias, patê, chocolate e biscoitos de água e sal. Não sabia de onde havia surgido aquilo tudo, mas só pude pensar que tinha um dedo de Alice. Sentei na cozinha e comi distraidamente, tentando lembrar de todos os detalhes da nossa festa de casamento, mas só conseguindo lembrar sempre da mesma coisa: Ela. E de como ela estava maravilhosa. E de como eu me senti ao vê-la caminhando para mim, me aceitando, aceitando ser minha. E de como tudo parecia girar em torno dela de uma forma natural. E de como eu a amava.
Senti uma saudade boba de repente, como se estivéssemos longe há tempo suficiente. Coloquei em uma bandeja tudo que consegui e subi com ela para o quarto, sem pensar se Isabella já havia acordado àquela hora. Para minha felicidade, ela estava se espreguiçando em volta do edredom como um gato manso - e a melhor parte: completamente nua. Por um bom tempo tudo que consegui fazer foi admirá-la da porta, com a bandeja ainda na mão. Fiquei feliz quando ela não fez menção em se cobrir ao me ver ali.
- Bom dia. - Ela sussurrou contra o travesseiro, meio de bruços, me olhando com aqueles olhos castanhos perfeitos.
- Ótimo dia. - Respondi, deixando a bandeja no colchão ao seu lado e beijando suavemente suas costas - Com fome, sra. Cullen?
Ela escondeu o rosto e soltou um riso baixo, mas suficientemente alto para que eu ouvisse e me apaixonasse ainda mais.
- Estou. A sua filha está mexendo com o meu apetite.
Eu não sabia por que tudo que ela dizia fazia com que eu me derretesse, mas ouvi-la se referir à sua barriga daquela forma definitivamente me deixou mais bobo do que nunca. Quando Isabella virou de barriga para cima, fui tomado por uma vontade imoral de agarrá-la e enchê-la de beijos, mas tudo que fiz foi beijar sua barriga.
- Ela anda muito quieta... - Comecei, espalmando minha mão ali, e como se fosse uma resposta à minha constatação, senti imediatamente um minúsculo chute.
- Acho que ela quer conversar.
- Ora... Bom dia, princesa.
Ao sentir mais um chute como resposta, sorri involuntariamente. Era claro que ela não estava me respondendo, mas era como se estivéssemos conversando, e essa pequena interação entre nós estava me deixando feliz como uma criança em véspera de Natal.
Me inclinei para a barriga de Isabella e comecei a falar coisas completamente sem importância, apenas com o intuito de fazer com que minha voz vibrasse perto da minha filha. Sempre que eu me calava, pensando no próximo assunto para abordar, sentia um pequeno chute como forma de protesto ao meu silêncio, e então voltava a falar qualquer besteira. A essa altura, Isabella já havia alcançado a bandeja e pegado uma torrada para comer, provavelmente esperando que eu parasse de bancar o louco falando com seu umbigo.
- Vou fingir que não estou me sentindo excluída com essa relação de vocês. - Ela soltou de repente.
- Está com ciúmes? - Perguntei de maneira divertida.
- É óbvio que estou.
- De mim ou dela?
- Dos dois.
Soltei uma gargalhada baixa, beijando sua barriga com calma.
- Quando ela nascer, eu prometo que vamos ter a nossa lua-de-mel atrasada. E prometo compensar esse atraso.
- Quando ela nascer você não vai conseguir ficar longe dela. Acha que eu não sei?
- Bom, é verdade. Mas acho que consigo ficar duas ou três semanas afastado se for pra ficar com você. - Pontuei beijando outra vez sua barriga e formando uma trilha de beijos até um ponto próximo a um dos seus seios.
- Saiba que eu vou cobrar isso. - Ela falou de forma simples, um pouco corada.
Beijei com suavidade o bico esquerdo, já levemente excitado. Ela riu baixo, e o som leve de sua gargalhada fez com que eu me sentisse um pouco mais feliz. Brinquei com a língua no outro seio, de uma forma ainda suave, e ela gargalhou outra vez. E toda vez que ela gargalhava eu sentia que a amava um pouquinho mais.
- Você está me deixando excessivamente romântico. - Falei ainda contra a sua pele, apoiando o queixo no peito dela e sorrindo sem motivo - Isso não faz bem pra minha masculinidade.
- A culpa não é minha se você está completamente apaixonado por mim. - Ela respondeu em tom de brincadeira.
- É claro que é sua. De quem mais seria?
- Sua, que se deixou levar pelos meus encantos.
Ri como um pamonha apaixonado, sem ter nenhum argumento inteligente pronto.
Ela fez um pouco de força e me tirou de cima dela. Rolei para o lado e deixei que Isabella se levantasse, caminhando para o banheiro, e tudo que consegui fazer foi encarar o seu rebolado natural e perfeito como um pervertido.
- Ei, eu tenho que tomar um banho. - Ela falou com um sorriso meio provocante enquanto se virava outra vez - Quer me ajudar?
- Hum, depende. Vai me deixar te ensaboar ou só vou poder ficar assistindo? - Perguntei só por perguntar. Qualquer que fosse a opção que ela me desse, eu aceitaria.
- Eu adoraria ser ensaboada. Mas você vai ter que esfregar direito...
Ela não precisou terminar a frase. Eu já estava de pé ao seu lado.
…
Era o momento de começar a colocar as coisas em ordem, pouco a pouco. Alice, Jasper, Emmet e Victoria estavam de partida para casa, e me senti um pouco triste em vê-los indo embora, já que estava começando a me acostumar com a presença deles ali. Ao final daquele domingo, depois de todas as despedidas e lágrimas, só restamos Isabella, eu e meus pais a dois quarteirões de nós.
Eu começaria a trabalhar dali a duas semanas, por isso tinha que deixar tudo pronto até lá. E "deixar tudo pronto" significava deixar tudo da forma que eu considerava boa o suficiente para poder ir trabalhar tranquilamente e deixar Isabella sozinha. Ela estava no quinto mês de gravidez, e por algum motivo eu estava com mais medo de me afastar dela agora.
Consegui com minha mãe uma empregada "emprestada" para a nossa casa, pelo menos provisoriamente. Ela cuidaria da limpeza e da arrumação de tudo, fazendo companhia à Isabella e ajudando-a no que ela precisasse enquanto eu estivesse fora. Por hora, consegui convencê-la a deixar de lado o trabalho que eu havia prometido conseguir para ela outra vez quando nos mudássemos para Londres. A gravidez parecia estar mexendo com as suas prioridades, fazendo com que ela perdesse um pouco do interesse em gastar o tempo que tinha se ocupando com outras coisas.
Aliás, passado o casamento, aquela gravidez se tornou prioridade tanto dela quanto minha. Agora que tudo voltava ao normal aos poucos, era curioso notar como cinco meses haviam se passado sem que tivéssemos feito uma ultrassonografia sequer - ou melhor, que eu tivesse permitido isso, já que meus cuidados eram abertamente exagerados. Talvez isso tivesse acontecido porque eu havia passado metade do meu tempo tentando organizar as coisas nos Estados Unidos para que nossa mudança acontecesse, e a outra metade criando coragem para pedir Isabella em casamento. Fosse qual fosse o motivo, já estava mais do que na hora de fazer os exames necessários para o início de um acompanhamento adequado à gravidez.
Por isso, a visita ao obstetra indicado pelo médico antigo foi marcada para o meio daquela semana.
- Por que está tão calada? - Perguntei ao parar o carro no sinal vermelho.
Ela não respondeu, apenas sacudindo a cabeça como se dissesse "por nada".
- Está nervosa?
Outra vez ela respondeu com uma sacudida na cabeça, dessa vez em afirmação.
- Não fique. - Falei, levando minha mão livre para a sua perna - Vai dar tudo certo.
Era realmente nisso que eu acreditava. Claro que não estava completamente calmo, mas também não estava nervoso ou com medo. Só estava ansioso, simplesmente porque sabia que dali a alguns minutos estaria vendo nossa filha pela primeira vez.
Ela suspirou, agarrando minha mão ainda sem pronunciar nenhuma palavra. Liguei o rádio do carro e coloquei para tocar o cd gravado por mim. Ela pareceu relaxar um pouco com a melodia do piano, afrouxando um pouco o aperto que seus dedos faziam nos meus.
Dirigi um pouco mais rápido, tanto pela minha ansiedade como para acabar logo com a angústia dela. Pelo horário da consulta, estávamos adiantados, mas se teríamos que esperar de qualquer jeito, pelo menos que fosse sentados no sofá de espera do consultório médico.
Quando chegamos, pedi para que ela fosse se sentar enquanto eu cuidava dos detalhes da consulta com a secretária. Havia algumas mulheres na nossa frente, umas acompanhadas dos maridos e outras não. Algumas barrigas estavam crescidas, mais ou menos do mesmo tamanho da de Isabella; outras estavam muito maiores, e algumas eram tão lisas que sequer pareciam poder comportar uma criança.
Quando fui ao encontro dela, sozinha em um sofá de três lugares, ela olhava com curiosidade as barrigas alheias.
- Você ainda é a grávida mais bonita. - Falei com uma voz doce ao seu ouvido, sentando ao seu lado e estendendo um braço por trás do seu pescoço - De longe.
Ela apenas sorriu, me encarando com alegria mas ainda nervosa.
- Nós devíamos ter feito esse exame antes...
- As coisas foram muito corridas... - Comecei, brincando com uma mecha dos seus cabelos apenas para tentar passar para ela a minha calma - Normalmente esse exame é feito três vezes: No início, no meio e no fim da gravidez. E se tivéssemos que optar por apenas um, o mais indicado seria o que vamos fazer agora. Então não estamos muito errados.
Ela continuou me encarando com um certo espanto.
- Você tem pesquisado sobre isso?
- Não... Foi minha mãe que disse. - Sorri.
Ela suspirou, deixando sua cabeça cair sobre o meu braço e fechando os olhos.
- Só quero que ela esteja bem...
Eu queria acalmá-la de alguma forma, mas não conseguia. Achei que o melhor a fazer naquela situação seria deixá-la em paz e permanecer ao seu lado quando ela quisesse puxar alguma conversa. Nada do que eu dissesse ajudaria em nada, e talvez, com o passar do tempo de espera, ela acabasse cochilando.
E foi isso que eu pensei que tivesse acontecido, pelo menos até o momento em que o nome de Isabella foi chamado em voz alta, aproximadamente uma hora depois, e ela se pôs de pé em um salto, me puxando pela mão sem nem olhar para mim.
- Boa tarde, senhor e senhora Cullen. Eu sou o Dr. Lewis.
Sorri sozinho, simplesmente por ouvir o médico se referindo a ela daquela forma.
- Boa tarde. Muito prazer. - Respondi, apertando-lhe a mão.
Ele era um médico de meia idade, simpático e parecia ser a pessoa mais bondosa do mundo. Mas nem seu sorriso foi capaz de deixar Isabella menos tensa.
- A mamãe está nervosa? - Ele soltou, analisando-a.
- Um pouco. - Ela respondeu, sorrindo rapidamente.
- Ora, não precisa. Tenho certeza que tudo vai estar bem com o bebê. Podem se sentar.
Fizemos como o médico disse, indo nos acomodar à frente da sua mesa. Quando ele começou a fazer as perguntas básicas, informei-o que aquela era a primeira ultrassonografia que faríamos, tentando explicar os motivos do atraso. Apresentei os exames de sangue pedidos pelo obstetra antigo, disse que já havíamos feito um exame que definiu o sexo do bebê, e citei quase todos os sintomas que Isabella estava tendo, já que ela se mantinha calada.
- E ela se mexe às vezes quando sente a minha mão. - Falei, agora mais animado - É possível que ela reconheça o meu toque?
- Claro que sim. Não só o seu toque como a sua voz. Ela já estabeleceu com você uma relação familiar, e vai reconhecê-lo quando ouvi-lo falando com ela depois do nascimento também.
- Por que ela só faz isso com ele?
A voz de Isabella soou baixa, como se estivesse com vergonha de deixar claro que estava enciumada ao fazer a pergunta.
- Isso é difícil dizer. Ele deve interagir mais com ela do que você, estou certo?
Claro que ele estava certo. Ela também tinha seus momentos de hipnose com sua própria barriga, mas eu simplesmente não desgrudava dela. Eu admitia exagerar, mas como não me importava com as piadas, nunca mudei de atitude.
- Mas não precisa ficar triste - Ele completou, me tirando dos meus devaneios - Quando ela nascer, vocês duas terão um vínculo muito forte, e acredite, único. Ela vai saber quem você é, e vai amá-la da mesma forma.
Eu não duvidava daquilo. Era muito difícil alguém não amá-la.
- Mas agora, vocês não querem dar uma olhada na princesinha?
Meu coração deu um salto. Sim, era exatamente o que eu queria. Era exatamente por isso que eu vinha esperando, e saber que a hora tinha chegado estava me deixando tão ansioso que talvez fosse mais saudável me acalmar primeiro.
Quando chegamos à outra sala, onde estavam dispostos os aparelhos necessários para o exame, o Dr. Lewis ajudou Isabella a deitar na cama alta e estreita enquanto já nos dava alguns detalhes sobre o exame.
- Nós vamos checar o coração da filha de vocês, os membros, a coluna e basicamente tudo que pudermos enxergar.
- Vamos conseguir enxergar direito? - Perguntei, enquanto ele preparava o equipamento.
- Na medida do possível, sim. É muito difícil ver alguma coisa de forma clara, primeiro porque as imagens da ultrassonografia são um tanto quanto escuras e borradas, e segundo porque ela é muito pequena ainda. Vamos conseguir ver com mais clareza os ossos.
- E não tem como ver as feições ou a pele dela? - Perguntei.
- Tem. As ultrassonografias 3D e 4D mostram o feto de uma forma mais concreta, com as feições e pele. Mas o que podemos ver depende da posição em que ele está. Além disso, o momento mais indicado é no final da gravidez, quando tudo já está mais bem formado.
- Mas não podemos fazer agora? - Insisti, quase pulando de ansiedade.
- Ah, sim, podemos. É que a maioria dos casais prefere fazer no final da gestação. Talvez não possamos ver muitos detalhes, mas se vocês quiserem...
- Nós queremos. - Interrompi-o de uma vez.
- Só que o convênio não paga...
- Eu pago por fora. Não tem problema.
Isabella não falou nada, deitada na cama e encarando o teto com a barriga já de fora, provavelmente tentando se acalmar.
- Tudo bem então. - O médico disse, vencido, voltando sua atenção para o aparelho.
Puxei a primeira cadeira que encontrei e fui me sentar ao lado dela. Encarei a TV à nossa diagonal sem piscar, porque sabia que o que quer que aparecesse, apareceria ali.
Quando o aparelho foi ligado, a imagem parecia apenas suja e chiada, como se não houvesse um canal em sintonia. Mas no momento em que o Dr. Lewis aproximou aquele aparelho lambuzado de gel da barriga de Isabella, as imagens foram se formando aos poucos.
Eu não sabia definir nada ali, mas sabia que tinha alguma coisa se mexendo. Era como as ultrassonografias comuns, em preto e branco, mostrando apenas uma imagem achatada de alguma coisa que provavelmente era a minha filha.
- Eu não consigo ver direito... - Falei um pouco baixo, me inclinando para perto dela enquanto tentava definir o que estava sendo mostrado na tv. Nesse momento, a massa dinâmica em preto e branco se moveu levemente, mas o suficiente para me fazer entender agora o que exatamente eu estava encarando.
A forma de um bebê minúsculo ficou clara, em posição fetal, de lado. Era possível ver a cabecinha, a barriga, os membros e até as curvas da boca e do nariz. Era como encarar uma sombra de alguém de perfil, não exatamente perfeita, mas visivelmente formada.
- Olha só quem está aqui... - Ouvi a voz do médico falar em algum lugar longe de mim, mas não deixei de encarar a tv. Eu não podia. Aquela era a minha filha, mesmo escura, mesmo borrada, mesmo muito pouco visível. Mas era a minha filha.
A imagem se mexia e parava, repetindo esse processo algumas vezes. Quando ela ficava estática, eu podia ver palavras como "pé", "perna", "cabeça" e "barriga" serem digitadas na tela, definindo para quais partes estávamos olhando. Mas não havia necessidade de legenda, porque eu conseguia ver tudo. Ou quase tudo.
- Sim, sim... É mesmo uma menina. - A voz do médico soou outra vez, fazendo com que a imagem mexesse mais um pouco - Uma menina perfeita.
Sim. Ela era perfeita, até onde eu conseguia ver. Era absolutamente perfeita, e minúscula. Era linda, e talvez eu não estivesse respirando naquele momento. Mas foi quando o médico fez alguma coisa naquele aparelho e, de repente, surgiu a mesma imagem de antes em alto relevo e amarelada, que provavelmente tudo naquela sala pareceu desaparecer à minha volta.
- E aí está ela, um pouco mais visível agora.
Se antes era possível identificar o nariz, a boca e os membros, agora, por contraste, eles se mostravam absolutamente perfeitos. Era possível ver o formato do nariz, ainda de perfil, das mãos e das pernas. Era possível ver sua cabeça se mexendo em tempo real. Era possível ouvir e ver as ondas das batidas do seu coração na parte inferior da tela.
Era possível vê-la. Perfeita.
- Só mais um pouco...
A imagem estava se mexendo, virando muito lentamente para frente. O processo era lento, mas eu fiz questão de acompanhar cada milímetro percorrido, com medo de piscar e perder alguma coisa. E então, pouco menos de um minuto depois, ela estava de frente para nós, como quem sabia que estava sendo observada, posando despreocupadamente para a câmera. O rosto dela estava ali, ainda pequeno, ainda magro, mas perfeito. Sua mão direita estava debaixo do minúsculo queixo, como se ela estivesse pensando, ou como se simplesmente estivesse se apoiando ali. E quando seus pequenos lábios se estreitaram e ela sorriu - visivelmente sorriu - ouvi um soluço ao meu lado.
Isabella estava se debulhando em lágrimas, toda vermelha, tampando a boca com uma das mãos. A outra estava apertando os meus dedos com muita força, e só me dei conta disso naquele momento. Eu estava de pé, e não sabia quando tinha dispensado a cadeira que havia puxado.
A verdade era que eu estava fazendo uma força quase titânica para não chorar feito um bebê também. Minha visão já estava embaçada pelas lágrimas que meu orgulho teimava em sustentar, e vê-la naquele estado não estava me ajudando em nada - eu não aguentava ver mulher alguma chorar, mas ver Isabella chorando conseguia ser dez vezes mais difícil.
Respirei fundo, ainda lutando contra as lágrimas, e me debrucei sobre a cama para beijar sua testa. Ela estava literalmente soluçando, e aquilo seria o meu fim.
- Como ela está? Ela está bem? Ela está perfeita? - Sua voz saiu meio esganiçada, tentando soar em meio ao choro e àquele turbilhão de emoções.
- Ela está ótima! - O Dr. Lewis falou sorridente - Não há nenhum problema genético e nenhuma má formação. Ela parece perfeita, e pelo visto está contente.
Encarei outra vez a tv e constatei que, como o médico havia dito, ela ainda sorria calmamente, como se estivesse tendo um sonho bom.
Minha filha estava bem, e nada mais importava.
- Vamos tirar algumas fotos pra vocês levarem...
Continuei encarando a tv, hipnotizado pela imagem. Aos poucos ela foi deixando de sorrir, mas não foi o suficiente para me deixar triste. Ela estava relaxando, parecia estar caindo no sono. Quando suas duas mãos cobriram seu pequeno rosto, tive a impressão que ela queria sossego, e me senti na obrigação de parar de observá-la, se era isso que ela queria.
Ao final do exame, terminamos com mais ou menos quinze imagens da ultrassonografia, mostrando o feto em posições diferentes. Me apaixonei particularmente pela foto que a mostrava sorrindo, como se ela soubesse que aquele sorriso faria com que nos derretêssemos. Isabella encarava as imagens ainda fungando, tentando se manter forte e não voltar a chorar. Seus olhos e nariz estavam muito vermelhos e um pouco inchados, e aquilo fez com que eu tivesse uma enorme vontade de abraçá-la.
- Está mesmo tudo bem? - Ela perguntou com a voz um pouco rouca do choro recém controlado.
- Não se preocupe. Ela está ótima. Acredito que sua gravidez será tranquila. Vamos acompanhar o processo de perto pra garantir que tudo ocorra bem. A partir de agora, as visitas serão mensais. Vamos cuidar principalmente dessa sua ansiedade.
- Ok...
- Se você sentir alguma dor ou algum incômodo anormal, não hesite em me contactar. Você faz exercícios?
- Não... Eu posso?
- Moderadamente e com acompanhamento de um especialista, é até recomendado. Vocês têm piscina em casa?
- Sim.
- O que acha de hidroginástica?
- Pode ser... - Ela respondeu, ainda distraída com as fotos.
- Ótimo. Encontrem um bom professor que esteja disponível. Mas lembre-se, sem exageros. Seu corpo tem limites, e você tem que respeitá-los. Isso vai dar a você uma sensação de bem estar muito maior, e vai ajudar a tonificar os músculos afetados pela gravidez.
- Ok...
O Dr. Lewis se levantou, tentando se lembrar de algum conselho esquecido. Como nada lhe veio à cabeça, tudo que fez foi se despedir.
- Nos vemos daqui a um mês. - Ele pontuou, estendendo sua mão para nós e nos cumprimentando.
- Obrigado, doutor. - Respondi, ainda um pouco anestesiado. Minha cabeça doía da força que havia feito para não acabar me debulhando em lágrimas como Isabella, e só então me dei conta de que ela era muito mais inteligente do que eu em se deixar levar pela emoção do momento.
Ela se levantou e caminhou para a porta na minha frente, segurando as fotos como quem segurava um tesouro muito precioso.
- Doutor... - Ela falou de repente, se virando ao lembrar de uma coisa - Como faço pra evitar as estrias que devem aparecer nos meus seios e na minha barriga?
Ele abriu a porta para nós, sorrindo de maneira agradável como sempre.
- Abuse de óleo ou hidratante de amêndoas.
Sorri para mim mesmo.
Aquela gravidez seria sensacional.
…
- Amor, olha essa!
Eu estava um pouco feliz demais, e sabia disso. As atendentes da loja riam da minha cara com gosto, talvez porque nunca tivessem visto um pai de primeira viagem tão animado assim. Eu achava um saco escolher minhas próprias gravatas, mas por algum motivo, olhar para aquelas roupinhas minúsculas e coloridas estava me dando vontade de comprar tudo.
Mais cedo naquele dia, nós tínhamos ido fazer compras para a mudança no guarda-roupa de Isabella, escolhendo peças que coubessem nela. Agora estávamos no próximo estágio: As roupas que vestiriam o que estava dentro daquela barriga.
- Mais uma peça rosa? - Ela perguntou.
- Claro! Ela é menina!
Isabella riu da minha cara.
- E por isso ela precisa usar só rosa? Que tal um branquinho ou amarelo claro?
Olhei para a peça de roupa que ela trazia nas mãos e larguei a que eu segurava. Era um vestidinho de lã branco com bordados, babados e flores coloridas. E era menor que o meu antebraço.
- Gostou? - Ela perguntou.
- É lindo... - Respondi, já me virando para uma das mulheres atrás de nós - Quais outras cores tem desse?
- Além do branco, temos lilás, vermelho e cinza.
- Podemos levar os quatro? - Perguntei perto da orelha dela, fazendo cara de cachorrinho abandonado.
- Você sabe que ela vai crescer antes de dar tempo de usar todos eles.
Eu sabia que ela estava certa. Mas minha filha estava despertando meu lado consumista.
- Levamos um deles - você escolhe -, e aí escolhemos outros modelos depois. Que tal? - Ela disse, notando minha tristeza evidente.
- Tudo bem...
Uma das mulheres que nos observava foi buscar os vestidos enquanto Isabella se virava para ver outras peças nos cabides do outro lado da loja. Antes que pudesse me juntar a ela, fui abordado por uma das atendentes que permaneceu ali.
- Primeiro bebê? - Ela perguntou, tentando parecer casual.
- É... - Respondi sorrindo. Eu não conseguia não sorrir quando falava da minha filha - Descobrimos que seríamos pais e nos casamos há menos de uma semana.
- Ah... Uma gravidez acidental. Atrapalha um pouco quando somos jovens e temos um bocado da vida pra curtir, não? - Ela soltou, fazendo uma cara de pena que eu não entendi.
- Não. - Respondi com veemência - Na verdade, acho que não tinha como eu ficar mais feliz do que estou agora.
Ela sorriu, tentando parecer educada, embora estivesse claramente contrariada pelo meu comentário.
- Sua esposa parece ter tido sorte então. - A mulher soltou, já caminhando para longe, e mesmo que pudesse ter sido apenas impressão, notei uma certa pontada de veneno na sua voz.
Voltei a encarar Isabella de longe. Ela estava com a cabeça baixa, separando roupas coloridas nas mãos, mas seus olhos estavam em mim. Ela estava rindo, como se estivesse presenciando alguma coisa engraçada, embora eu não soubesse o motivo.
- Aqui está.
Pulei de surpresa com a voz atrás de mim. Quando me virei, uma das mulheres me oferecia os vestidos nas outras cores.
- Ah, obrigado...
- Você é dos Estados Unidos? - Ela perguntou, sorrindo de maneira simpática.
- Como você sabe?
- Pelo seu sotaque.
- Ah, sim. Minha mulher e eu nos mudamos pra cá há pouco menos de duas semanas.
- Vão morar aqui?
- Sim. Acho que com o tempo começo a aderir ao sotaque inglês. - Brinquei, tentando separar os vestidos nas mãos.
- Ah, não faça isso. Seu sotaque é incrivelmente sexy. - Ela respondeu de imediato, e eu comecei a ficar realmente sem graça.
Quando o silêncio ia ficar desagradável, Isabella surgiu ao meu lado.
- E então, qual vamos levar? - Ela perguntou, parecendo de bom humor.
- O branco. É mesmo o mais bonito.
Ao final daquele primeiro dia de compras, levamos um bom número de peças, embora eu quisesse um pouco mais. Acabamos com alguns vestidos, pijamas de palhacinhos e todo tipo de coisa fofa, meias e luvas minúsculas de várias cores, toucas fofas e quentes, sapatinhos de lacinhos e babadinhos que me deixavam louco só de pensar em vê-los na minha filha, casaquinhos e macacões com capuz de coelhinhos. Por hora, era o suficiente; Mas eu ainda tinha mais quatro meses para convencer Isabella a comprar mais coisas.
- Não dá, é tudo muito fofo. - Me defendi enquanto tirávamos as roupas de dentro das sacolas e arrumávamos tudo dentro do armário do quarto de bebê - Se eu pudesse, trazia tudo.
- Esse é o problema. Você pode. E é por isso que eu tenho que estar do seu lado, senão você compra tudo que vê pela frente. - Ela pontuou, pendurando a última peça em um dos cabides - Amanhã vamos comprar mais algumas coisas que faltam. Ainda não temos mamadeiras, chupetas, toalhas, fraldas, lençóis, todas aquelas coisas de higiene...
- Precisamos comprar mais alguns brinquedos também...
- QUÊ? - Ela exclamou de repente, e eu me assustei - Mais brinquedos? Olhe em volta!
- Mas e se ela cansar desses?
- Edward, não precisa de mais brinquedos. Se você rasgar uma folha de papel na frente dela, ela vai achar a coisa mais divertida do mundo.
- Mas...
- Não! - Ela me interrompeu, empregando um tom de mãe inédito na voz.
Bufei contrariado, mas não respondi.
- Podemos ao menos comprar aqueles shampoos em formato de bichinhos? Pra ela se divertir no banho?
Ela começou a gargalhar de repente, e eu comecei a me sentir idiota.
- Que foi? - Perguntei, um pouco amargo. Ela se aproximou de mim e me abraçou pela cintura.
- Você é a coisa mais fofa que eu já conheci.
- Ei, não sou fofo. Sou gostoso, fodão, comedor... Essas coisas de macho.
- Ah, sim. E você fica mais gostoso quando banca o papai entusiasmado.
Estreitei os olhos e ela riu outra vez.
- Está tirando sarro da minha cara?
- Não. Pergunte àquelas mulheres que nos atenderam hoje.
- O que tem elas?
- Ora, você não é ingênuo. Elas estavam quase arrancando as calcinhas pela cabeça. Tenho certeza que hoje à noite todas vão sonhar com você fazendo um filho nelas.
- Hum... E o meu entusiasmo como papai surte esse efeito em você? - Perguntei, abraçando-a por trás de maneira indiscreta.
- É claro que surte. A diferença está no fato de que eu não preciso sonhar com você fazendo um filho em mim. Primeiro porque você já fez, e segundo porque, quando eu quero saber como é ter você dentro de mim, tudo que tenho que fazer é pular no seu colo.
Ela deu um sorriso inocente, ficando nas pontas dos pés e me beijando carinhosamente antes de completar: - Azar o delas, sorte a minha.
Para meu júbilo, o quinto mês de gravidez fez com que a barriga de Isabella começasse a crescer com vontade agora. Era visível a diferença no diâmetro do seu abdômen, e fiquei feliz por não ser preciso lhe falar coisas como "você não está gorda, está linda". Ela não parecia estar muito preocupada com os quilos que estava ganhando, e eu só conseguia achá-la mais fofa do que nunca.
- Minhas bochechas... - Ela começou.
- O que tem as suas bochechas?
- Estão enormes e redondas. E eu estou ficando rosada.
- Você está, sinceramente, a coisa mais adorável que eu já vi.
- Não seja mentiroso. - Ela riu, parecendo despreocupada - Eu estou acima do meu peso e não paro de suar.
- Não estou mentindo. Juro por Deus, você está uma delícia.
Ela me encarou com uma expressão furiosa.
- Edward, tem como você não dizer coisas assim na frente da sua mãe?
- Não se preocupe, querida. - Minha mãe falou ao meu lado, sentada no sofá da própria sala enquanto folheava uma revista aleatória - Eu não escutei nada.
Isabella já tinha me pedido para ser discreto na frente de terceiros, mas às vezes eu simplesmente esquecia que tinha mais alguém conosco. Não era de propósito.
- Só estou sendo sincero... - Falei meio sem graça.
- E então... - Meu pai entrou na sala, me oferecendo uma dose de licor - Pronto para voltar ao trabalho?
Estávamos no domingo, véspera do meu retorno à empresa Cullen; Mas, dessa vez, na mesma empresa que meu pai.
- Acho que sim... - Tentei disfarçar meu desânimo. Eu não queria deixar claro que minha vontade, no momento, era ficar em casa o dia todo cuidando da minha grávida e da minha filha, mas as pessoas me conheciam muito bem.
- Querido, vai ser bom pra você. - Minha mãe interveio - É bom ocupar a cabeça pra diminuir a ansiedade. E não precisa se preocupar, você sabe que a Bella não vai ficar sozinha. Emma vai estar lá todos os dias, e mesmo em uma eventualidade, eu estou a dois quarteirões da casa de vocês.
- Eu sei... - Falei, ainda um pouco desanimado. Não queria explicar que eu não conhecia a empregada tão bem assim a ponto de confiar a ela a saúde da minha mulher, mas se minha mãe não tinha objeções quanto ao trabalho dela, devia ser porque a mulher era eficiente.
- Você vai ver. O tempo vai passar muito mais rápido assim. - Ela continuou, agora se virando para Isabella - Bella, sempre que quiser mais uma companhia, pode me chamar. Estou sempre por aqui.
- Que bom! Vou chamar mesmo! Obrigada, Esme. - Ela respondeu dando um sorriso.
"Que bom". Era como se todo mundo pudesse ter a oportunidade de passar o dia inteiro com a minha mulher, menos eu. Eu me sentia uma criança de castigo, e sabia que estava sendo idiota. Mas saber disso não era o suficiente para fazer com que eu amadurecesse.
Seria difícil me separar dela, principalmente porque os sintomas da gravidez começavam a aparecer com mais frequência agora: Ela andava visivelmente mais cansada, tendo desejos e aversões esquisitas, dores nas costas e nas pernas, e enjôos fortes (que felizmente costumavam acontecer somente de manhã). Se a distância já me machucava quando ela não estava esperando a minha filha, agora esse afastamento estava me deixando um pouco histérico, embora eu não deixasse transparecer e acabasse implodindo às vezes. De qualquer forma, estava torcendo para que minha mãe estivesse certa no final das contas: Que ocupar minha cabeça com assuntos que não estivessem relacionados à gravidez realmente ajudasse na minha ansiedade, e não que me fizesse ficar ainda mais nervoso.
O primeiro dia de trabalho havia começado cedo e agitado. Aquela era a empresa matriz, onde tudo era maior, mais complicado e mais detalhado, o que, consequentemente, significava mais reuniões, mais gente e mais trabalho. Foi bom ter aprendido alguma coisa com Victoria porque, a partir daquele momento, eu sabia que muitas coisas seriam exigidas de mim, e mesmo que eu não estivesse ainda preparado para assumir grandes responsabilidades, tinha certeza que estava no caminho certo.
Foi necessária a primeira semana toda para me familiarizar com as dependências e com as grandes cabeças do lugar. As pessoas eram agradáveis ali, pareciam ser mais educadas e menos falsas do que as que eu estava acostumado a lidar nos Estados Unidos. Ou talvez tudo não passasse do meu estado de espírito mesmo.
A parte negativa disso tudo - MUITO negativa - era que, na maioria das vezes, eu chegava tarde em casa. Em algumas ocasiões, encontrava Isabella dormindo tranquilamente com a tv ligada, claramente tentando me esperar acordada mas não conseguindo. Nas vezes que isso não acontecia, ela estava tão sonolenta que eu me sentia culpado em alugá-la para tentar conversar ou ter um pouco da sua companhia.
Isso aconteceu durante o quinto mês de gravidez.
SEXTO MÊS
Minha mãe ficou encarregada de encontrar uma professora de hidroginástica para Isabella, e no início do sexto mês ela já havia começado a fazer as aulas. O nome da professora era Martha, tinha 52 anos e ia à nossa casa três vezes por semana para se exercitar com a minha mulher na piscina.
Eu continuava trabalhando mais de oito horas por dia, me esforçando para passar o maior tempo possível com ela e com a nossa filha. Estava começando a me sentir um pouco mal pelo meu papel de pai não poder ser desempenhado da forma que eu queria, mas felizmente as coisas começaram a melhorar.
- Acho que estou sendo exigente com você.
Levantei a cabeça distraidamente da leitura que fazia em um dos cinco contratos depositados na minha mesa. Meu pai estava com as mãos nos bolsos e uma expressão um pouco culpada.
- Por quê? - Perguntei, genuinamente curioso.
- Você acabou de se casar. Não teve nem uma semana direito antes de voltar ao trabalho, e está saindo muito tarde pra quem tem uma mulher grávida cheia de amor pra dar esperando em casa.
Eu ri pelas verdades, principalmente porque torcia para que elas viessem seguidas de um "Tire férias!". Mas nada era perfeito, e isso também não seria.
- Quero você aqui no máximo até às 20h. Depois disso, considere-se expulso da minha empresa. - Ele disse, já se virando e indo cuidar dos problemas que o esperavam.
- Não vou embora nem um minuto depois! - Gritei para que ele me ouvisse, já do lado de fora - Estou falando sério!
- Ótimo! - Ouvi sua voz ecoar do corredor - Você tem cinco minutos pra dar o fora!
Olhei no relógio do laptop à minha frente enquanto me levantava da cadeira. Acusava 19:56h.
- Quatro minutos, caro pai. - Falei comigo mesmo, desligando tudo de qualquer jeito e reunindo os papéis na gaveta - Quatro minutos.
…
Graças à benevolência de Carlisle Cullen, o final da minha sexta-feira foi preenchido com a bastante agradável companhia de minha esposa, que, ao me ver chegar mais cedo que o normal (e estando acordada), se mostrou, como ele havia dito, cheia de amor para dar.
Na manhã do dia seguinte, sábado, fui acordado com o mesmo amor da noite anterior, com beijos e lambidas bastante interessantes. O que eu não lembrava era que aquilo fazia parte de uma comemoração. Uma comemoração da qual eu havia esquecido completamente.
- Bom dia. - Ela falou com sua voz mais rouca e sexy perto do meu ouvido, sentada em cima dos meus quadris, ondulando com o corpo ali de forma proposital. Eu, obviamente, já estava duro como uma pedra: Ela havia me deixado naquele estado sem que eu estivesse sequer consciente.
Ela conseguia fazer esse tipo de coisa.
- Bom d... - Comecei, mas não consegui terminar a sentença porque ela resolveu sentar no meu pau de uma só vez. - Pppppfffhhhh... - Consegui dizer, segurando-a pela cintura enquanto ainda tentava voltar completamente à realidade - O que eu fiz pra merecer isso?
Ela riu ainda contra o meu ouvido, levantando um pouco os quadris só para sentar em mim outra vez. E outra vez eu gemi.
- Você não sabe que dia é hoje?
Fiquei apreensivo por algum momento, fazendo contas de cabeça para me certificar de que não tinha esquecido nenhuma data importante. Nosso primeiro mês de casados já havia sido há mais ou menos duas semanas atrás, e eu lembrei da ocasião, trazendo para ela flores, bombons e um cordão de pérolas. Nosso segundo mês ainda não tinha chegado.
- Não... - Falei, tentando disfarçar o medo na voz.
Ela parou de se mexer, me encarando com um sorriso, mas eu continuei com medo.
- Está falando sério?
- Estou... - Respondi, já um pouco desesperado. Eu pediria desculpas quando soubesse que data tinha esquecido. - Que dia é hoje?
Isabella voltou a posicionar o rosto perto do meu ouvido, rindo abertamente da minha cara.
- É aniversário do pai dela. - Ela disse, pegando minha mão e espalmando-a na sua barriga.
- Hoje é 20 de junho? É meu aniversário? - Perguntei, verdadeiramente surpreso com a notícia.
- Não. É aniversário do padeiro angolano da esquina. - Ela debochou - É óbvio, Edward.
Eu nunca havia esquecido o meu próprio aniversário antes. Era um dos únicos dias em que me sentia um pouquinho importante. Essa era a primeira vez que aquilo acontecia, e me dei conta de que talvez tivesse acontecido porque, ultimamente, eu vinha me sentindo importante com mais frequência. Ou então porque havia coisas mais importantes e mais valiosas à minha volta.
Fosse o que fosse, eu estava no lucro.
- Então esse é o meu presente? - Perguntei de maneira provocante enquanto voltava a segurar sua cintura.
- Claro que não. Esse é o seu "bom dia".
Era, inegavelmente, um excelente "bom dia".
Passamos o dia todo na casa dos meus pais. A comemoração ficou por conta de um almoço simples (mas muito bom) que minha mãe fez questão de preparar. Ela e meu pai se mostraram verdadeiramente felizes em passar a comemoração do meu aniversário comigo, já que havia muito tempo que não podíamos fazer isso por causa da distância. Recebi os telefonemas das únicas pessoas com as quais eu me importava que não podiam estar ali: Victoria, Emmet, Alice e Jasper. Desejei, de coração, que não estivéssemos tão distantes, mas nem tudo podia ser perfeito. De qualquer forma, eu já estava mais do que feliz em poder compartilhar aquele momento com as pessoas que estavam ao meu lado.
Quando já estava escurecendo, Isabella e eu voltamos para a nossa casa. Era o primeiro aniversário que eu passava com ela, e queria aproveitar aquela oportunidade. Não era necessariamente sexo que eu procurava, mas apenas ter sua companhia isoladamente, sem que precisasse dividir minha atenção entre ela e mais alguém - e principalmente, que a atenção dela fosse só minha. Era óbvio que eu amava meus pais e queria estar o maior tempo possível com eles, mas quando estávamos todos juntos, todas as atenções voltavam-se fatalmente para o mesmo assunto: A gravidez de Isabella.
Mas aquele era o meu dia. E eu queria ser mimado por ela até enjoar.
- O que você quer fazer? - Ela perguntou quando entrávamos em casa.
- Quero ficar com você.
Ela sorriu pacientemente.
- Eu vou ficar com você. Mas estou me referindo ao que vamos fazer pro seu aniversário.
- Não quero fazer nada. Quero ficar aqui com você. - Repeti.
- Como "não quer fazer nada"? Temos que comemorar o seu aniversário de alguma forma!
- Podemos comemorar em casa.
- Isso não é uma comemoração. - Ela concluiu em um tom cético - Vamos sair pra algum lugar. Você tem trabalhado tanto, que tal se divertir um pouco?
- Eu consigo me divertir e relaxar ao mesmo tempo. Só preciso de uma tv, um balde de pipoca e a minha esposa por perto.
- Edward, essa comemoração vai entrar pra história como a comemoração mais chata do mundo...
- Está frio lá fora. E ventando. E chovendo. Não quero ir pra lugar nenhum.
- Mas...
- "Mas" nada, sua teimosa! O aniversário é meu!
Isabella bufou, visivelmente contrariada, e subiu as escadas para tomar um banho.
…
O filme acabou por volta das 22h e eu festejei silenciosamente. Isso porque ela havia resolvido ver um filme comigo usando aquele maravilhoso creme de amêndoas e ficando agarrada em mim durante todo o tempo. Quando deixei clara minha evidente falta de interesse na tv e minha total atenção nela, fui advertido de que ficaríamos na sala de vídeo exclusivamente para assistir um filme, já que eu não queria nenhuma "comemoração" pelo meu aniversário. Mas eu sabia que ela não seria assim tão cruel, e que me daria o que eu queria no final daquela noite.
Por isso tive que aguentar pacientemente aquelas duas horas com Isabella grudada em mim, vestindo nada além de uma camisa social minha (já devidamente roubada) e uma calcinha branca, alegando que "já que eu vou ficar em casa, vou ficar à vontade". Mas eu sabia que ela estava fazendo aquilo de propósito, por isso me mantive firme.
- É... - Comecei me espreguiçando enquanto as letras subiam na tela. Ela estava esparramada entre as minhas pernas, imitando meu ato.
- Gostou do filme? - Ela perguntou, se virando um pouco e esfregando o rosto no meu peito.
- Não. Foi uma merda.
Ela riu com vontade, se pondo de pé e falando:
- Pelo menos tínhamos um balde de pipoca.
- É. - Comecei, me pondo de pé também - Pelo menos até você estragar cobrindo com maionese.
Ela pegou uma almofada do chão e tacou em mim, saindo da sala logo em seguida.
- Eu estou grávida! Meus desejos têm que ser atendidos.
Rebati o travesseiro para o lado, gargalhando da cara dela enquanto a seguia para o corredor.
- Contanto que você não invente de comer tijolo ou nada desse tipo... Ei, vai aonde? - Perguntei, vendo-a caminhar na direção das escadas - Nosso quarto é pra lá.
- Vai indo. Eu vou dar um pulinho na cozinha, pra pegar um copo d'água.
- Eu pego pra você.
- Não, eu vou. - Ela insistiu, me segurando pelo braço e me impedindo de caminhar - Eu volto em um minuto.
Isabella começou a descer os degraus calmamente, me deixando lá todo confuso.
- Você está com as pantufas? - Gritei para que ela me escutasse já do andar de baixo.
- Estou!
Caminhei para o quarto sem pressa, chegando lá e me enfiando debaixo dos lençóis. Achei sua atitude estranha, mas tudo bem. Quando ela voltasse, eu exigiria minha recompensa por ter sido um marido controlado durante toda aquela merda de filme.
Quando ela entrou no quarto outra vez, trazia uma pequena vasilha nas mãos, coberta por um pano de prato.
- Que isso? - Perguntei já curioso.
- Pode me fazer um favor? - Ela disse, ignorando minha pergunta - Pode ir lá no banheiro pegar uma toalha?
Pensei em perguntar o motivo, mas desisti logo. Fazer o que ela queria me traria explicações mais rápido do que perguntá-la o que ela estava tramando. Por isso fiz o que ela pediu, entregando-lhe a toalha dobrada.
- Estenda na cama. - Ela pediu.
- Vai me dizer o que você está tramando?
- Quanto mais rápido você for, mais rápido vai saber.
Suspirei, outra vez obedecendo-a. Isabella deixou a vasilha coberta no criado mudo quando a toalha estava devidamente aberta no colchão, e pediu para que eu me deitasse nela.
- Eu não sabia o que dar pra você de aniversário... - Ela começou, casualmente se sentando em cima dos meus quadris, e eu notei que sua peça de roupa íntima não estava mais lá, embora eu não soubesse quando nem como ela havia a tirado.
- Tem uma coisa que você sempre pode me dar como presente... - Comecei, rindo de forma abusada enquanto minhas mãos deslizavam pelas coxas dela, cada uma de cada lado da minha cintura.
- É, eu sei. Mas isso eu te dou quase todo dia... - Isabella começou a desabotoar a camisa que vestia, aos poucos, enquanto falava com uma voz calma e suave - Então tinha que ter um diferencial.
Ela tirou a camisa e eu suspirei. Eu sempre suspirava. Não era de surpresa, porque já estava acostumado. Era de admiração mesmo.
- Não precisa de nenhum diferencial... - Falei distraidamente, correndo as mãos pelo torso dela.
- Precisa sim. Então eu lembrei que tinha uma coisa... - Ela começou a tirar agora a minha calça, puxando-a de qualquer jeito até os meus pés, fazendo com que nossos corpos entrassem em contato direto - Uma coisa que você disse um dia.
- O que eu disse? - Perguntei só por perguntar. Eu nem estava prestando muita atenção ao que ela dizia. Estava concentrado demais no seu corpo em cima do meu.
- Um dia você disse que queria me comer com uma coisa.
Olhei para seu rosto - porque até então meus olhos estavam varrendo cada curva do corpo dela - e vi ali um olhar provocante. Olhei de esguelha para a vasilha em cima do criado mudo e depois voltei a encará-la, já sorrindo.
- Mas... - Ela recomeçou, pegando a vasilha e trazendo-a para o colchão, em cima da toalha - Como hoje é o seu dia...
Isabella tirou o pano de prato e pegou com os dedos um bombom molhado com calda de chocolate. Eu lembrava daquela sobremesa, e lembrava do quanto quis realmente prová-la no corpo da minha mulher - namorada na época.
Ela me ofereceu o bombom na boca e eu aceitei.
- Está bom? - Ela perguntou, me deixando chupar seus dois dedos.
- Maravilhoso.
Isabella sorriu de uma forma estranha. Quando voltei minhas mãos para a sua cintura, ela pegou o pano de prato ao nosso lado e pediu para que eu sentasse. Fiquei curioso outra vez, mas a obedeci sem questionar.
- Sabe... - Ela começou, trazendo o pano de prato até os meus olhos e cobrindo-os, me fazendo ficar no escuro - Eu acho que vai ficar ainda melhor se eu aguçar um pouco os seus sentidos.
Ela pontuou a frase dando um nó firme atrás da minha cabeça, e tudo que eu fiz foi sorrir. Senti suas mãos no meu peito, me empurrando para baixo, me fazendo deitar outra vez.
- Vamos ver como anda a sua sensibilidade. - Ela falou, e pude ouvir o sorriso na sua voz.
- Mas eu ainda quero te comer com isso. - Comentei em voz baixa, excitado com tudo aquilo.
- Se sobrar alguma coisa depois que eu te comer...
Meu corpo todo tremeu. Ela soltou uma gargalhada baixa e meu pau se mexeu por vontade própria.
Fiquei ali, no escuro, no silêncio, esperando pelo que Isabella faria a seguir. Por um longo tempo. A expectativa era incrivelmente excitante, como se meu corpo esperasse desesperadamente pelo próximo toque. Cada som emitido, sem querer ou não, era captado com muito mais precisão agora. Até o cheiro do doce pareceu se intensificar.
Quando senti uma gota gelada cair no meu peito, estremeci imediatamente, e sequer pude conter o suspiro involuntário que saiu dos meus lábios.
- Frio? - Ouvi sua voz perguntar, agora parecendo bem mais aveludada.
- Um pouco... - Falei, com muita vontade de rir aquele riso de nervoso.
No segundo seguinte, senti sua língua deslizando exatamente onde a gota gelada estava, traçando por ali um caminho molhado e morno. Agarrei a toalha embaixo de mim com força, com medo de aplicar aquela força no corpo dela.
- Quente? - Sua voz falou outra vez, em um tom provocante.
- Perfeito. - Respondi.
A gargalhada dela soou novamente no escuro.
Senti outra gota ser cuidadosamente derramada, agora em um dos meus mamilos.
- Porra...
Ela não respondeu, e quase imediatamente senti sua língua brincar ali, limpando a gota de chocolate devagar, de forma quase torturante. Mais uma gota foi derramada no outro mamilo, e a forma de limpá-la foi repetida.
- Bom? - Ela perguntou.
- Você não faz idéia... - Respondi, tentando não tremer a voz.
Senti um bombom tocar meus lábios e abri a boca, aceitando o que ela me oferecia. Chupei as pontas dos seus dedos com mais força dessa vez, deixando claro que eu estava bastante excitado. Mas ela sabia disso.
Isabella ficou em silêncio, sem fazer nada, sem me tocar. E a cada segundo decorrido, meu corpo parecia queimar ainda mais, esperando pelo próximo movimento. Fui pego de surpresa quando ele veio, mas agarrei a toalha outra vez e me mantive firme, parado, recebendo uma trilha de calda gelada que estava sendo derramada do meu peito até o meu umbigo.
Respirei fundo, tentando manter o equilíbrio. Segundos depois a boca dela percorreu o mesmo caminho, lambendo e dando mordidinhas absurdamente excitantes na minha pele, até chegar próximo ao meu umbigo e terminar de beber o rastro da sobremesa.
Outra vez ela ficou em silêncio, afastada, imóvel. Esperei pacientemente pelo próximo movimento, e os segundos passados sem um toque, ao invés de me desanimar, me deixavam ainda mais aceso. Desesperado. Louco de tesão.
Uma única gota caiu na cabeça do meu pau.
- Aiputaquepariu... - Ofeguei, imaginando como ela limparia aquela gota: Exatamente como havia limpado todas as outras.
Senti sua língua passar rapidamente por ali, me provocando.
- Ssss... Amor...
- Sim?
- Posso tirar a venda? - Perguntei, sem me preocupar com o fato de que estava completamente ofegante.
- Claro que não.
- Por favor...
- Não.
- Pelo amor de Deus...
Senti o colchão se mexer um pouco e, no segundo seguinte, sua voz mansa e rouca falar ao pé do meu ouvido:
- Não.
Tremi dos pés à cabeça, despreparado para aquela proximidade, mesmo no escuro.
Eu ia falar outra vez, mas naquele momento senti meu pau ser completamente coberto pela calda gelada. O frio contra a minha pele me fez tremer novamente, e um som meio desesperado se desprendeu da minha garganta.
Escutei o silêncio outra vez, me acostumando aos poucos com a temperatura do líquido em uma parte do meu corpo tão sensível. Eu sabia que Isabella se calava para aumentar minha expectativa. E sua tática estava dando muito certo.
Ela ficou em silêncio por muito tempo. E eu esperei, como uma criança que espera pelo Natal.
Sua boca me envolveu de repente, de uma vez, do início ao fim. Soltei um gemido tão alto que, em contraste com o silêncio, pareceu um grito. Minhas mãos migraram automaticamente para seus cabelos, mesmo que eu não conseguisse ver nada.
Aquilo era muito, muito bom. Ao anular minha visão, meus outros sentidos - principalmente o tato - ficaram muito mais aguçados. A sensação da boca dela em mim parecia muito mais prazerosa, muito mais intensa. Era como se ela tivesse evoluído muito na arte de fazer aquilo, mas eu sabia que era impossível: Ela já sabia fazer aquilo de uma forma perfeita. A culpa só podia ser da venda nos meus olhos.
- Caralh... Espera...
- Não está bom? - Ouvi-a perguntar, afastando sua boca do meu membro.
- Está! - Falei, tentando parecer menos ofegante do que realmente estava - Mas...
Ela voltou a me chupar, e eu não consegui continuar raciocinando.
Eu queria pedir para que ela fosse mais devagar. Não queria gozar tão rápido, e não queria fazer isso na boca dela. Mas eu sequer conseguia pronunciar alguma palavra direito, e quando quase voltei a pensar de forma coerente outra vez - quando Isabella parou de me chupar por alguns segundos -, me dei conta de que a trégua havia acontecido unicamente para que ela tivesse tempo de pegar a vasilha e derramar mais daquela porra daquela calda fria em mim.
E então eu desisti de ser racional. Afinal, me tirar do sério era exatamente o que ela queria. Só me restava parabenizá-la por ser tão bem sucedida na sua tentativa, como ela sempre era quando queria alguma coisa.
Sua boca voltou a lamber e chupar meu pau de um jeito enlouquecedoramente bom, e tudo o que fiz foi aceitá-la. Não importava de quantas formas ela ainda tentaria me deixar louco, ela sempre acabaria conseguindo.
- Eu vou g... Amor, eu vou...
- Goza.
E depois disso, é claro que eu gozei. Instantaneamente.
Sua boca permaneceu ali, me envolvendo calmamente enquanto as últimas gotas saíam a cada latejada que meu membro dava. Meus olhos estavam doendo, tamanha era a força com que eu os mantinha fechados. Os nós dos meus dedos também pareciam duros, e imediatamente afrouxei o aperto em volta dos fios dela, com medo de que estivesse a machucando.
Quando senti o colchão se mover mais uma vez, esperei por mãos atrás da minha cabeça para desatar os nós que mantinham a venda envolvida nos meus olhos, mas isso não aconteceu. Ao invés disso, tudo que senti foram seus lábios me dando selinhos simples no pescoço, trilhando um caminho até minha orelha. Quando sua boca chegou ali, escutei perfeitamente o barulho que sua garganta fez ao engolir o que ela ainda mantinha na boca propositalmente. Como se fosse refrigerante.
- Você vai me matar... - Falei com uma voz fraca, ainda muito abalado pelo orgasmo recente.
- Eu não faria isso. - Ela respondeu, ainda ao pé do meu ouvido - Eu sei até onde posso brincar com você.
Senti a venda ser puxada de maneira delicada do meu rosto, apenas para revelar Isabella ali, na minha frente, me encarando com aqueles olhos brilhantes e aquele sorriso inocente nos lábios. Virei a cabeça instintivamente para o lado à procura da vasilha, e ao notar que ainda havia um pouco do líquido gelado lá dentro, sorri maliciosamente para ela outra vez.
- Minha vez. - Falei, me sentindo o dono da situação pela primeira vez naquele dia.
Sem dar a ela tempo para responder qualquer coisa inteligente, tomei-a em um beijo talvez um pouco efusivo demais. A barriga estava atrapalhando a nossa proximidade, e por isso nos virei com cuidado na cama, mantendo-a agora deitada no colchão, no mesmo lugar em que eu estava antes.
- Mas é o seu aniversário... É você que tem que receber toda a atenção... - Ela começou entre um beijo e outro, tentando falar mas sendo impedida pela minha boca.
Segurei a vasilha de qualquer jeito e despejei aos poucos algumas gotas de chocolate no peito dela. Ela tremeu em resposta à temperatura do líquido, mas se aquilo a estava deixando tão excitada quanto me deixou, eu sabia que o desconforto com o frio seria o menor dos problemas.
Levei minha língua até o vão dos seus seios, lambendo ali o líquido da maneira mais provocante que pude. Ela revirou os olhos assim que sentiu minha língua entrando em contato com a pele dela, e aquilo me deu mais vontade de continuar.
Derramei com cuidado a calda em cima do seu seio esquerdo e, tentando ser carinhoso, chupei devagar, com medo de machucá-la por saber que aquela região estava mais sensível do que o normal pela gravidez. Ela gemeu em resposta, levando as mãos aos meus cabelos e os apertando entre seus dedos. Quando repeti o ato no outro seio, ela arqueou as costas instintivamente na cama, mas isso fez com que sua barriga atrapalhasse ainda mais meus movimentos.
Sorri contra sua pele, deixando uma trilha de beijos molhados - e agora melados - pelo corpo dela. Ela começou a soltar gemidos baixos e um pouco roucos, e aquilo fez com que os pêlos na minha nuca se eriçassem todos de uma vez. Peguei a vasilha outra vez, derramei o pouco do creme restante perto do seu umbigo, e lambi tudo aos poucos, devagar, passeando minhas mãos por todo o corpo dela, tocando-a como eu sabia que ela gostava, fazendo-a ofegar e se abrir completamente para mim.
E então eu já estava duro de novo.
Me posicionei entre suas pernas, mas me dei conta de que estava todo melado. E eu não podia meter nela daquela forma.
- Ah, droga... Não posso te comer...
- QUÊ? - Ela perguntou, abrindo os olhos de imediato e me encarando com uma expressão assassina - Por que não?
- Porque eu estou melado de doce. E a única coisa que pode te melar aí dentro é a minha coisa. - Respondi sorrindo presunçosamente.
Ela bufou de mau humor, olhando para o teto.
- Pega uma camisinha, Edward!
- Eu não tenho uma camisinha!
- POR QUE NÃO?
- Porque eu só trepo com a minha mulher. - Respondi de maneira óbvia, achando aquilo muito engraçado.
- Merda!
Ela se levantou de uma vez, quase me derrubando no chão, e me puxou pela mão com um pouco de pressa. Quando me levantei, peguei-a no colo com facilidade, mesmo com o peso extra da barriga, e caminhei de uma vez para onde eu sabia que ela estava nos levando, deixando para trás a tigela, o pano de prato e a toalha suja do resto de chocolate.
- Chuveiro ou banheira? - Perguntei.
- Onde você consiga se lavar primeiro. - Ela respondeu prontamente.
- Sim senhora. - Sorri.
SÉTIMO MÊS
Foi no sétimo mês que eu perdi a exclusividade. Minha filha estava crescendo, ficando forte e se manifestando agora quando outras mãos a "tocavam". E eu me sentia um pouco dividido: Se de um lado achava adorável vê-la chutar todo mundo, do outro estava um pouco triste por saber que algo que era só nosso havia deixado de ser.
- Ela chutou! - Minha mãe falou em duas oitavas acima do normal - Eu senti!
No momento seguinte, as mãos do meu pai fizeram companhia às dela, com o intuito de se certificar de que aquilo não era uma mentira.
- Uau! - Ele exclamou dois segundos depois - Ela chutou mesmo! E chutou forte pra alguém tão pequena!
- Vamos controlar nossas alegrias. - Isabella falou, tentando esconder o riso - Edward está magoado.
- Claro que não estou... - Respondi, soando como uma criança mentirosa.
- Ah, está sim. Você não é mais o preferido dela.
- Ei, só porque eu não tenho mais exclusividade não quer dizer que não seja o preferido. - Argumentei - Você vai ver. Ela vai me achar o máximo.
- Já vi que teremos trabalho em "desmimá-la", Bella. - Minha mãe falou outra vez, rindo como uma pré-adolescente ao sentir mais um chute.
- E quanto ao novo professor de hidroginástica, mãe? - Perguntei, levando o assunto para outro lado, talvez propositalmente.
A professora de Isabella havia recebido uma proposta no outro canto do país, e teria que nos deixar. Mas eu insistia com os exercícios durante a gravidez: Se o médico disse que faria bem para ela e para a minha filha, então eu não pouparia esforços para mantê-los.
- Ah, estou vendo isso. - Ela respondeu, ainda distraída com a barriga palpitante - É difícil encontrar algum professor bom, disponível e que aceite dar as aulas na casa do aluno. Mas vou conseguir achar. Só peço que tenham um pouco de paciência.
Isabella estava paciente. Eu, nem tanto. Queria que ela se ocupasse logo com alguma coisa: Temia que a gravidez a estivesse chateando nesse aspecto. E eu não queria que a gravidez a chateasse de forma alguma.
A visita ao obstetra foi normal. Era sempre um alívio ouvi-lo dizer que tudo parecia bem naquela gravidez. O Dr. Lewis nos informou sobre as diferenças e as vantagens entre parto normal e cesariana, e como era de se esperar, ela preferiu a primeira opção. Eu também gostava mais dessa idéia, mas era claro que quem decidiria esse aspecto era ela. Não era eu que teria que sentir uma criança inteira saindo de mim.
O doutor também começou a nos preparar para a aproximação do parto, que, pelos nossos cálculos, se daria em meados de setembro. E eu estava tão vidrado nessa data que esqueci de outra data igualmente importante.
- Filho?
Tirei os olhos do computador e vi meu pai à minha frente. Ele parecia um pouco agitado.
- Que foi?
- Sua mãe acabou de me ligar. Parece que sua irmã entrou em trabalho de parto.
Eu não sei porque aquilo me deixou tão nervoso. Ela estava grávida, e com nove meses de gestação (mesmo que eu tivesse esquecido disso), era de se esperar que ela entrasse em trabalho de parto. O bebê não ficaria lá dentro para sempre.
- E agora? - Falei com a voz um pouco esganiçada. Ele me encarou como se não tivesse entendido minha pergunta.
- Agora... Ela vai parir.
- Ela está bem?
- Não sei. Quem ligou foi o Jasper. Ele parecia tranquilo...
- Mas o Jasper sempre parece tranquilo!
- Filho, acho que se houvesse algum problema ele teria nos dito.
- Certo. - Falei em voz baixa, querendo acalmar a mim mesmo, já que meu pai parecia muito mais calmo do que eu - Como a mamãe está?
- Um pouco agitada. Mas acho que está bem. Bella está lá com ela.
- Ótimo.
- Não nos resta nada além de esperar.
E então, nós esperamos. Muito. Ou talvez fosse meu estado de nervos que fizesse com que cada minuto tivesse a duração aproximada de meia hora.
- É normal demorar assim? - Perguntei, agora eu entrando na sala dele. Já haviam se passado duas horas.
- Acredito que não tenha um tempo certo. Não é uma operação, mas sim um parto normal. Sua mãe também demorou quando teve vocês três.
- Ok... - Concluí desanimado, puxando a gravata e me deixando cair em um dos sofás.
Eu já não conseguia trabalhar. Meu pai também não. A ansiedade estava tomando conta de nós dois, mesmo que ele parecesse menos abalado do que eu. O relógio marcava 19h, e como nenhum de nós dois conseguiria ler mais nenhum contrato àquela altura, nos ausentamos da empresa mais cedo. Quando chegamos em casa, encontramos minha mãe e Isabella sentadas em um sofá vendo tv.
- E aí? - Perguntei, sentando entre as duas.
- Nada ainda. - Minha mãe falou em um tom de voz bastante calmo - Mas não se preocupem. Ela está bem.
Aquela era uma ótima notícia. Era claro que tudo não passava da intuição dela, mas a intuição dela não era como as outras intuições femininas. Era quase como a de Alice: Assustadora e, até onde eu lembrava, confiável. E levando em conta que essa ligação era bastante forte principalmente entre as duas, eu já estava mais tranquilo só de ouvi-la dizer aquilo.
- Ótimo. - Concluí, me virando para Isabella - E você. Como está?
- Grávida. - Ela disse de forma simples, sorrindo.
- Não está com frio? - Perguntei, observando a camiseta fina que ela vestia.
- Não. Tenho andado com muito calor.
- Coisa de gente grávida. - Meu pai brincou.
Ficamos ali por um bom tempo sem fazer nada. Era irritante não poder pegar um carro e correr ao encontro de Alice, e quanto mais o tempo passava, mais difícil era lembrar das palavras reconfortantes da minha mãe.
E então, o celular dela apitou em um volume alto e se calou outra vez. Era uma mensagem.
Estiquei o pescoço para o visor do telefone nas mãos dela. Meu pai surgiu por trás do sofá e Isabella se aproximou por cima de mim para ter acesso à imagem que havia sido enviada: Uma foto de Alice toda sorridente, embora um pouco suada e descabelada, segurando em seu colo um menino minúsculo e com uma cara de puto que me fez gargalhar no mesmo segundo.
Embaixo, uma mensagem de texto curta dizia "Parabéns, vovós e titios!"
Estava tudo bem, e eu sabia que a minha gargalhada havia saído mais forte por causa do alívio.
Ela estava bem. O bebê estava bem. Estava tudo ótimo.
- Que neto enfezado a senhora tem, vovó. - Brinquei, passando um braço por cima do seu ombro e puxando-a para um abraço. E é claro que ela já estava chorando e rindo ao mesmo tempo, hipnotizada pela tela do celular que mantinha nas mãos.
- Ele é lindo! - Isabella falou, sorrindo também - Embora eu não ache que ele estivesse muito afim de sair...
A imagem foi cortada e interrompida pela ligação de Emmet, fazendo com que o celular tocasse escandalosamente. Apertei o botão de auto-falante para atendê-lo, ainda na mão da minha mãe.
- Emmet, sua cara feia fez com que a foto do meu sobrinho sumisse. Seu idiota! - Falei de bom humor em voz alta para que ele me escutasse.
- Cara, vocês viram? O guri puxou o bom humor da Alice! - Ele falou, já rindo.
- Eu fiquei um pouco intimidado...
Emmet ligou unicamente para parabenizar os nossos pais e perguntar como nossa mãe estava. Ele a conhecia bem o suficiente para saber que ela devia estar emocionada. Felizmente nosso pai estava ali quando ela começou a soluçar. Era difícil saber o que fazer quando isso acontecia.
Conseguimos falar com Jasper uma hora depois. Segundo ele, tudo havia corrido bem. Alice estava dormindo, e Jackson - como eles resolveram o chamar - também. Ele disse que passaria aquela noite no hospital, mas que, se tudo desse certo, já iriam para casa no dia seguinte.
Minha mãe disse que ligaria outra vez, deixando claro seu desejo de viajar para a França na próxima semana para conhecer o neto pessoalmente. Eu sabia que aquele era o tipo de coisa que faria com que meu pai desse um jeito de se ausentar na empresa para acompanhá-la. E também sabia que isso era uma ótima idéia, mas mesmo assim fiquei um pouco preocupado. E não tinha nada a ver com o fato de que eu passaria uma semana cuidando dos negócios do meu pai na ausência dele, mas sim com o fato de que Isabella não poderia contar com a companhia da minha mãe. Eu sabia que ela não ficaria completamente sozinha, mas ainda assim, era um pouco preocupante.
Mas assim eles fizeram. Na semana seguinte eu me despedia dos dois, pedindo a eles que tirassem o maior número possível de fotos do meu sobrinho, e que transmitissem meus desejos de felicidades a Jasper, Alice e ao pimpolho deles.
…
- E o nome dele é Juan.
- Juan? - Repeti, sendo um pouco irônico - Isso é nome de amante latino.
- Bem, ele é argentino.
Larguei os talheres no prato e encarei minha mãe. Ela e meu pai já haviam voltado da França havia uma semana.
- Deixe ver se eu entendi: O professor de hidroginástica da minha mulher é um amante latino, provavelmente musculoso e artificialmente bronzeado, que vai ficar roçando nela dentro de uma piscina durante o dia todo? E de sunga?
Meu pai e Isabella riram juntos, mas eu não achei graça. Aliás, não estava gostando nada daquilo.
- "Roçando nela"? Querido, é uma aula de hidroginástica, não de tango subaquático.
- Dá no mesmo.
- Filho, ele foi indicado por duas amigas minhas de confiança, que tiveram filhos recentemente. Ele é um excelente profissional, é experiente e especializado em aulas pra gestantes. Ah: E nenhuma delas se queixou de abuso sexual.
- E por que não escolhemos uma outra professora? Ou então um professor mais... normal?
- Não consigo entender por que o Juan não é normal nos seus padrões, mas acho que o motivo pra sua pergunta é simples: Porque ele é o único disponível.
- Mãe, tem certeza? - Perguntei cautelosamente, tentando não parecer rude ou mal agradecido pelo esforço dela - Podemos procurar melhor... Eu posso procurar...
Isabella tossiu fracamente, apenas para chamar a atenção para si.
- Desculpem me meter, mas... Eu vou entrar no oitavo mês de gravidez. Já não estamos atrasados com isso?
- Exatamente. - Minha mãe concluiu, me encarando com uma expressão neutra e falando de forma doce - Querido, você não é nenhuma criança. Todos aqui somos maduros para encarar a situação como ela é. Não arranje problemas onde não tem, ok?
Derrotado.
Eu havia sido derrotado pela minha mãe e pela minha mulher. Elas estavam se unindo contra mim, fazendo com que minhas inseguranças deixassem de ser pesadelos e se tornassem realidade.
Por que mulheres são tão cruéis?
OITAVO MÊS
- Amanhã ele vai dar a primeira aula pra Bella. Eu vou estar lá. Assim nós decidimos melhor as coisas. - Minha mãe falou animada.
Estávamos no primeiro dia do oitavo mês de gravidez, jogando papo fora na sala da nossa casa. Era domingo.
- Ótimo. Que horas ele vai? - Perguntei.
- O horário livre dele vai de 18h às 20h.
- Eu saio às 20h do trabalho. - Argumentei - Chego em casa por volta das 20:30h.
- E o que tem? - Isabella perguntou, um pouco confusa.
O que tinha? Nada. Eu não veria como o cara era. Não veria se ele tinha pinta de estuprador ou de assassino. Mas é claro que elas não estavam preocupadas com isso. Contanto que o professor gostosão-latino-sedutor se apresentasse em trajes de banho com aquela merda de sorriso latino-irritante (que eu nunca tinha visto mas que já odiava), estava tudo bem.
Fui trabalhar no dia seguinte muito puto da vida, e talvez fosse mesmo imaturidade, mas o fato era que eu não gostava de deixar a minha mulher grávida, linda e com os hormônios em fúria em uma piscina com um cara que provavelmente tinha aquele sotaque próprio de filmes eróticos. Ela era toda pequena e frágil, e ele provavelmente era o dobro de mim. Se ele tentasse alguma coisa... Aquele fogo que esse tipo de homem tinha... Aquele sangue borbulhando de vontade de...
- Quer calar a merda da boca, caralho? - Falei alto comigo mesmo, e a sra. Parker, minha secretária, uma senhora viúva com 60 anos de idade, se assustou com os palavrões e saiu da minha sala imediatamente, parecendo horrorizada.
Ótimo. Ser taxado de louco era tudo que eu precisava.
Consegui o brilhante feito de não me concentrar durante o dia todo por causa daquilo. Quando fui correndo para casa, com o objetivo de talvez conseguir ver a cara do sujeito, ele já tinha ido embora. Ao invés dele, encontrei Isabella dentro da piscina e minha mãe sentada em um banco fora dela, as duas tagarelando e rindo como garotinhas. A empregada já havia ido embora.
- Boa noite, querido. - Minha mãe começou, se levantando - Por pouco você não chega antes do Juan ir embora.
- Tudo bem. - Menti, fingindo não dar importância ao que, no fundo, era o meu objetivo - Como foi a aula?
- Excelente. - Isabella respondeu sorrindo, encostada em uma das bordas.
- Não está cansada, né? Lembre do que o médico falou. Você não pode exagerar nos exercícios.
- Não estou cansada. É mais difícil se cansar na água.
Virei para minha mãe, que já estava de pé ao meu lado.
- O que achou? - Perguntei.
- Ótimo. Ele é muito responsável, e traz todo o equipamento. Aquelas pranchas de isopor e coisas de espuma... É muito cuidadoso. A cada novo exercício ele pergunta como ela está se sentindo.
- Quantos anos ele tem?
Ela me encarou como quem encara uma criança fazendo manha.
- Não sei, não perguntei.
- Aproximadamente?
- Talvez uns 27.
Que ótimo. Um professor de hidroginástica latino, musculoso, sedutor e JOVEM.
- Mãe, você disse que ele era experiente. - Falei pausadamente, fechando os olhos - Como ele pode ser experiente tendo 27 anos?
- Edward - Ouvi a voz de Isabella repentinamente ao meu lado e abri os olhos - Você precisa parar com esse preconceito com profissionais jovens.
Ela estava molhada, rosinha, linda, seminua, fofa, grávida e me encarando com aquelas duas bolinhas de chocolate enquanto se secava inocentemente com uma toalha branca. Minhas vontades, por sua vez, de inocentes não tinham nada.
Mas minha mãe estava a dez centímetros de mim. Eu tinha que me controlar.
- Você fez aula com esse biquini? - Perguntei, reparando, obviamente, na pouquíssima roupa que cobria apenas o essencial.
- Sim. É o mesmo biquini que eu usava nas aulas com a outra professora...
- Não tem um maiô?
- Não.
Sorri, mas ela notou que era um sorriso debochado.
- Vamos comprar um maiô amanhã. - Concluí.
Ela cruzou os braços, e eu fiquei um pouco hipnotizado com a gota que escorreu pela sua barriga redonda.
- Você vai comprar uma roupa de mergulho pra mim.
Não respondi. Talvez não fosse uma má idéia.
- Ele é bonito? - Lancei sem pensar, e minha mãe riu ao meu lado.
- Você é mais bonito, querido. - Ela falou, me dando um beijo no rosto.
Ótimo. A minha mãe me achava mais bonito. Isso significava muita coisa. Tanto quanto porra nenhuma.
Encarei Isabella e notei que ela estava fazendo força para não rir, escondendo a boca com a toalha.
- Você é mais bonito. - Ela repetiu as palavras já pronunciadas.
- Você está mentindo. - Rebati.
Ela arqueou as sobrancelhas.
- Crianças, esse papo está ficando muito narcisista pra mim. - Minha mãe falou divertida, chamando nossa atenção - Vou embora.
- Quer que eu te leve de carro, mãe?
- Não precisa, querido. Caminhar faz bem.
Quando minha mãe nos deixou, puxei Isabella para o quarto pela mão, tirei o biquini dela e a devorei.
…
Eu pensei que minha "neura" com relação ao professor latino-filho-da-puta passaria com o tempo, mas estava enganado. A cada dia eu ia trabalhar odiando-o e imaginando de quantas maneiras diferentes ele poderia tentar seduzir a minha esposa. Era um ciúme doentio, imaturo e um pouco preocupante, eu admitia, mas estar longe enquanto o alvo do meu ciúme estava encoxando Isabella dentro da piscina da NOSSA casa ajudava a tornar tudo um pouco pior.
Talvez o tempo pudesse ter ajudado a melhorar esse meu problema, mas isso não aconteceu. Não aconteceu porque eu não esperei.
Na semana seguinte à sua primeira aula, cheguei uma hora mais cedo no trabalho propositalmente. Porque naquela segunda-feira, propositalmente, eu sairia uma hora mais cedo.
Haviam se passado apenas três aulas. Eu chegaria de surpresa na quarta aula, imaginando encontrá-lo se esfregando na minha mulher enquanto a seduzia no seu maldito sotaque espanhol, e, por isso, já imaginando as várias formas de matá-lo no caminho para casa.
Naquele dia minha mãe não estaria lá fazendo companhia para Isabella.
Aquele dia seria perfeito para um flagrante.
Não que eu não confiasse dela. Era NELE que eu não confiava. Ela estava emocionalmente abalada - e "hormonalmente" também -, e homens sãos uns filhos da puta oportunistas e espertos. Principalmente homens latinos, musculosos e professores de hidroginástica.
Ao chegar na frente do portão de casa, mais ou menos às 19:30h, não entrei com o carro na garagem. Estacionei na calçada para não fazer barulho e alertá-lo da minha presença. Caminhei rapidamente, sem entretanto correr. Era uma forma que meu cérebro tinha achado para me fazer acreditar que eu não estava ansioso.
Havia um carro na garagem. Provavelmente do sujeito. Entrei em casa, joguei minha pasta em qualquer lugar junto com a gravata e com o paletó, e rumei diretamente para a piscina. Estava pensando em uma entrada teatral, com um pé na porta e ameaças de morte, mas talvez eu estivesse exagerando. Talvez fosse melhor esperar para ver a cena com a qual eu me depararia.
- Senhor Cullen!
A empregada me recepcionou com surpresa, já com sua bolsa no ombro, pronta para ir embora. Talvez porque estivesse acobertando aquele safado, ou talvez porque eu nunca chegava em casa a tempo de encontrá-la ali mesmo.
- Boa noite, Emma. Isabella está na piscina?
- Sim senhor.
Não dei explicações, simplesmente seguindo para lá. Ela veio atrás de mim, calada, parecendo calma demais para quem estava sendo cúmplice de uma safadeza daquelas.
E então, ao entrar no aposento, encontrei Isabella dentro da piscina com as mãos em um tipo de bóia de espuma e o sujeito logo atrás dela. Muito próximo. Quase colado. Quase estuprando-a.
Ok, eu estava exagerando.
- Boa noite! - Gritei com minha voz mais máscula e grossa, e quase engasguei com a força que fiz. Ambos tiveram que se virar para me encarar, porque estavam de costas para mim.
Ao me ver, Isabella abriu um sorriso largo e inocente.
- Você chegou cedo! - Ela falou como uma menina feliz, mas pela primeira vez eu não estava olhando para ela. Estava olhando para o maldito latino.
Ele era loiro. Loiro e mais bronzeado que eu. E tinha olhos verdes. E tinha uma argola de cigano, ou qualquer porra assim, em uma das orelhas. Era também mais alto que eu, e mais musculoso. E tinha, no máximo, 30 anos. E parecia um modelo saído da capa de uma revista de boa forma.
Ah, sim: E estava grudado na MINHA mulher
Ela se virou para ele e informou-lhe que eu era o marido dela. Eu gostei daquilo.
- Boa noite! - Ele falou, todo educado e sorridente. O desgraçado.
- Então finalmente nos conhecemos. - Respondi, tentando parecer durão.
- Pois é. A Bellinha fala muito em você.
Bellinha? BELLINHA? QUE PORRA ERA AQUELA DE BELLINHA?
- Podemos terminar um pouco mais cedo hoje, não é? - Ela perguntou para ele.
- Claro! Nos vemos na quarta. A aula de hoje foi ótima.
Eu ainda estava digerindo o apelido fofo e íntimo que ele havia dado à minha esposa em uma semana de convivência. Mesmo assim, não desgrudei os olhos da piscina. Ele caminhou calmamente até a escada debaixo d'água e eu senti a empregada ao meu lado um pouco ofegante, como se aquilo fosse um comercial erótico.
Revirei os olhos, bufando de mau humor.
Estava esperando ele emergir da água e mostrar sua ereção evidente por estar encoxando a minha mulher como um cachorro no cio. E aí eu apertaria o pescoço dele e o asfixiaria até a morte.
Mas ele não estava excitado. A sunga estava com um volume normal. E então eu passei do estágio de odiá-lo ao estágio de estranhá-lo: Qual era o problema dele afinal? Porra, ele estava encoxando a minha mulher! Como isso não o deixava duro feito uma pedra?
- Ei, posso deixar as bóias aqui? - Ele perguntou, se virando para Isabella - Não tenho nenhuma aula até quarta-feira. Não vou precisar delas.
- Claro. - Ela respondeu, ainda no meio da piscina - Eu guardo aqui pra você.
- Obrigado. - Ele respondeu, todo sorridente. Tive vontade de socá-lo.
Quando ele entrou no pequeno vestiário em um dos cantos do aposento para se trocar, eu ia perguntar que porra de "inha" era aquela que ele havia colocado no final do apelido dela, mas nesse momento a empregada pareceu voltar do transe e falou com ela primeiro.
Ela falou pra caralho. Falou sobre o que fez, sobre o que deixou de fazer, sobre a lista de compras, sobre algum enfeite de louça que ela tinha quebrado acidentalmente, se desculpou pelo menos três vezes por isso e falou sobre o seu horário. Ela falou tanto que o maldito latino teve tempo de se trocar e sair do vestiário já completamente vestido.
Ao vê-lo caminhar, a empregada parou de falar outra vez para admirá-lo.
- Até quarta então. - Ele soltou, passando pela piscina e acenando todo feliz para Isabella. Quando chegou perto de mim, pareceu mais simpático e casual do que nunca - Prazer em conhecê-lo. E parabéns pela mulher e pela filha.
- Obrigado...
- Está indo também? - Ele perguntou de forma gentil para Emma, que permanecia ao meu lado babando pelo sujeito como cachorro assistindo frango assar na porta da padaria.
- S-sim... Claro, estou sim...
- Quer uma carona?
Ela respondeu um "sim, obrigada" em meio a suspiros e risinhos idiotas. Revirei os olhos outra vez, com vontade de sacudi-la e falar para ela parar de fazer aquilo.
Levei-os até a garagem, já que o controle do portão estava comigo. Quando aquele carro gigantesco havia saído, trouxe o meu para dentro e fechei as portas, indo rapidamente ao encontro de Isabella outra vez.
- Por que não está usando o maiô que eu comprei pra você? - Perguntei, entrando no aposento novamente enquanto tentava disfarçar o tom de mágoa na voz. Ela ainda estava dentro da piscina, perto da borda, ao lado da escada.
- Como você sabe o que eu estou usando? Eu estou debaixo d'água.
- Porque o maiô é verde fluorescente. Eu conseguiria vê-lo daqui de fora.
- Ah, sim. Ele é verde fluorescente. Talvez seja por ISSO que eu não estou usando.
Bufei, claramente contrariado.
- E aí você fica com esse biquini indecente mostrando o seu corpo todo pra esse cara...
- Indecente? O que tem de indecente nele?
- Ele mostra muito da sua pele.
- É claro que mostra, Edward. É um biquini. Mas esconde tudo que tem que ser escondido.
- Nem tudo.
- O que falta esconder?
- As suas pernas. E a sua barriga. E a região do seu peito...
- Então você está me dizendo que eu deveria fazer hidroginástica de burca?
Eu odiava discutir com ela. Não porque conseguia tirá-la do sério - nem isso eu conseguia mais - mas sim porque ela sempre tinha argumentos que me deixavam sem respostas.
E quando eu não tinha mais respostas boas para dar, eu resolvia ser sincero.
- Estou dizendo que você de biquini em uma piscina grudada em um cara musculoso que eu não conheço está me deixando com ciúme. É só isso que estou dizendo.
Ela suspirou, ainda me encarando como se estivesse tentando me explicar uma coisa óbvia que eu não conseguia entender.
- Eu já tenho um marido que dá conta do recado. Não preciso de mais ninguém. Esqueça esse ciúme bobo.
Eu gostava quando ela se referia a mim usando a palavra "marido". Também gostava quando ela mencionava, de alguma forma, que eu a satisfazia. Gostava mais ainda quando eu estava com ciúmes e ela fazia isso.
Mas era difícil não me sentir ameaçado, e mais difícil ainda não demonstrar isso. Tudo bem, eu tinha concordado em contratar o professor gostosão, mas isso não queria dizer que eu tinha feito de boa vontade. Já era ruim ter uma empregada e a minha mãe fazendo companhia a ela quando eu não podia. Ter um cara tocando-a, por mais que não a tocasse com a intensidade que eu sabia que o puto queria, era o dobro de ruim.
Ele estava quase desempenhando meu papel de marido, e eu não queria que o maior contato com um homem que ela tivesse naquela gravidez fosse com o professor de hidroginástica.
- No que está pensando? - Ela perguntou, estranhando meu longo silêncio.
- Em como eu odeio não conseguir acompanhar essa gravidez mais de perto. - Respondi de maneira objetiva enquanto tirava a camisa de qualquer jeito e começava a desabotoar a calça.
Isabella apoiou a cabeça em uma das bordas da piscina e ficou me olhando. Pela primeira vez na vida, me senti um pouco envergonhado. Quando tirei de uma vez a calça e a cueca, ela voltou a falar:
- Você não tem uma sunga?
- Não...
- E vai entrar assim mesmo? - Ela perguntou, parecendo tímida - Eu estou um pouco constrangida...
Peguei de volta a boxer que havia deixado no chão e vesti, pulando dentro da piscina logo em seguida e nadando ao encontro dela.
Quando me aproximei, fui recebido com um longo beijo - embora a enorme barriga entre nós atrapalhasse um pouco -, e dedos puxando de qualquer jeito a boxer que eu tinha acabado de vestir.
- Você realmente levou a sério o que eu disse? - Ela perguntou com uma expressão de incredulidade, jogando minha cueca molhada para fora da piscina outra vez.
- Você pareceu sincera! - Me defendi, abraçando-a como pude.
- Você é muito ingênuo. - Ela concluiu com um olhar promíscuo, voltando a me beijar com um fogo impressionante.
Isabella estava bastante animadinha. Ela estava grávida, é verdade, mas eu fazia força para não associar aquele tesão reprimido ao professor excessivamente musculoso que tinha ido embora havia pouco tempo, e sim à minha patética striptease. Eu ainda estava com ciúmes, até mesmo naquele momento, e isso estava começando a me aborrecer.
Virei-a de costas para mim, de frente para a borda da piscina, e fiz com que ela repousasse ao menos uma das mãos ali, tomando cuidado para dar espaço suficiente à sua barriga. Sua outra mão insistia em estimular o meu membro já completamente acordado, como se eu realmente precisasse de algum estímulo. Beijei seu pescoço de forma provocante, sentindo o quão fresca sua pele estava, consequência de tanto tempo dentro daquela piscina. Deslizei as mãos pela lateral do seu corpo, me certificando de que aquele era o biquini que eu já havia visto nela, com lacinhos como fechos.
Puxei as duas cordas e a parte de baixo do seu traje de banho se soltou, tão facilmente que me fez querer ainda com mais força que ela não o usasse mais para as aulas. Se eu podia fazer aquilo, o puto poderia também. E quando Isabella se desse conta, ele já estaria molestando-a.
- Essa porra tinha que estar com dois nós cegos... - Comecei contra o seu ouvido em um tom de bronca, mas aquilo pareceu animá-la ainda mais. Deslizei as mãos entre as suas pernas e comecei a brincar com meus dedos ali.
- Por quê? - Ela perguntou se jogando mais contra mim e fechando os dedos com mais força em volta do meu membro - Pra dificultar o seu trabalho?
- Pra dificultar o trabalho de alguém.
Ela gargalhou baixo, ainda de olhos fechados, parecendo aproveitar o meu toque.
- Edward, ninguém além de você quer me comer. Eu estou um hipopótamo.
Claro. E depois o ingênuo era eu.
No momento seguinte, sem o menor aviso, ela colocou a cabeça do meu pau alinhada à sua entrada e se inclinou para trás, fazendo com que eu entrasse ali com uma facilidade incrível. Gemi contra seu ombro enquanto forçava o corpo para frente, incapaz de pensar em alguma posição melhor. Apoiei as mãos na barriga dela e a trouxe mais para perto de mim, me certificando de que meu membro não a penetrasse muito fundo e resultasse em um desconforto por causa da gravidez, já que aquela posição debaixo d'água fazia com que nos encaixássemos bastante bem.
Suas duas mãos foram parar na borda da piscina, facilitando ainda mais o acesso que eu tinha a ela. O empuxo que a água exercia sobre nós fazia com que Isabella não pesasse quase nada, e era tão fácil e interessante fazer aquilo daquela forma que eu me perguntava por que nunca havíamos pensado naquilo.
Com uma das mãos, puxei o laço que mantinha nela a parte de cima do biquini, e o tomara-que-caia caiu na água de uma única vez. Passeei as mãos pelo corpo dela como sempre fazia, porque sabia que ela gostava e porque eu gostava de reconhecê-la com o tato também. Segurei seus cabelos e a puxei delicadamente, virando sua cabeça de forma que conseguisse beijá-la. Ela suspirou, retribuindo meu beijo e rebolando como podia em mim. Entendi que aquilo era um claro sinal de "me coma com força", mas ela sabia que eu não faria aquilo. Não com força.
Voltei minhas mãos à sua barriga e a imobilizei na água, ditando o nosso ritmo eu mesmo. Isabella parecia estar gostando muito daquilo, bem mais do que nos outros dias. Ela estava mais ofegante e mais corada que o normal, e comecei a me preocupar se ela estava com tesão ou se estava sentindo alguma coisa estranha.
- Gosta de trepar na piscina, amor? - Perguntei ao pé do seu ouvido. Ela balançou a cabeça com um "sim", ainda de olhos fechados, sem falar nada. - Por que não me disse?
- Porque... Eu não.. Sabia...
- Nunca fez isso em uma piscina?
- Não...
Intensifiquei os movimentos que eu fazia dentro dela, tomando sempre cuidado em não machucá-la e em dar conforto à barriga. Ela começou a ofegar com mais força, e conforme o tempo passava, mas ofegante ela ficava.
- É gostoso, não é? - Falei sedutoramente perto da sua orelha outra vez, e ela soltou um gemido delicioso em resposta.
Nota mental: Comê-la na piscina com mais frequência.
Quando voltei a beijá-la, Isabella soltou as mãos da borda e jogou os braços para trás, me envolvendo pelo pescoço e prendendo os dedos nos cabelos da minha nuca com desespero. Acelerei meus movimentos dentro dela por reflexo, sentindo meu controle me deixando aos poucos. Quando a senti começar a se fechar em volta de mim em ondas, levei meus dedos até o meio de suas pernas outra vez, decidido a fazê-la perder o controle com estilo.
Enfiei minha língua dentro da sua boca simplesmente porque a vontade veio, mas era impossível mantê-la ali. Àquela altura ela gemia tanto que respirar lhe parecia uma tarefa difícil. Quando afastei meu rosto do dela e comecei a dar mordidas leves no seu pescoço, sem nunca deixar de penetrá-la no ponto certo ou de estimulá-la com os dedos, Isabella começou a tremer toda. E eu sabia que não era de frio.
- Diz... Diz aquilo... - Ela começou, visivelmente com dificuldade - Me chama... Daquele jeito!
Eu sabia ao que ela estava se referindo. Nós tínhamos trabalhado nisso nos últimos meses, e não era segredo nenhum que ela adorava me ouvir dizer aquilo da forma mais possessiva possível.
- Minha. - Voltei ao seu ouvido - Minha puta linda. Só minha. Toda minha.
Àquela altura eu mesmo já estava quase explodindo de tesão. Foi ótimo então que ela não tenha conseguido segurar o orgasmo por muito mais tempo depois disso: Tudo que precisei foram de alguns segundos para tê-la completamente entregue, tremendo e se contorcendo nos meus braços. Só então deixei que meu rosto caísse em um dos ombros dela e me permiti chegar ao orgasmo também.
Fui trazido de volta pelos vários movimentos bruscos que a barriga dela fazia contra a minha mão. Isso teria me aterrorizado se eu não estivesse acostumado com esse fato durante as últimas semanas: Nossa filha sempre se manifestava quando Isabella chegava ao clímax. Ela parecia se agitar, talvez pela aceleração do coração da mãe.
Mas nenhuma vez foi tão óbvia quanto essa.
- Temos que fazer isso mais vezes aqui. - Falei em uma voz baixa.
Ela sorriu, se virando para mim de uma vez.
- Acho que posso ficar te esperando um pouco mais até você chegar do trabalho.
Abracei-a da melhor maneira que pude, tentando disfarçar o ciúme na voz.
- Contanto que você me espere pra fazer isso...
Ela suspirou, nadando para longe de mim.
- Você é impossível quando cisma com alguma coisa.
- Eu não cismei! - Falei um pouco desesperado, arrependido de ter dito aquilo e a afastando de mim - Mas ele é muito íntimo! Ele te chama de Bellinha! Ninguém te chama de Bellinha!
- Ele é carinhoso. - Ela falou de forma simples, saindo da piscina e se secando com uma toalha que estava ali.
- Exato. O seu professor de hidroginástica é carinhoso com você. E vocês só se conhecem há uma semana! Isso é estranho! E eu vi o jeito que ele olha pra você.
Ela levantou uma sobrancelha.
- O que tem o jeito que ele olha pra mim?
- Ele está interessado em você.
- De onde você tirou isso?
- Eu só sei que ele está.
- Eu duvido muito.
- Por quê?
- Por que ele é comprometido.
Revirei os olhos.
- Isso não é o suficiente para impedi-lo de dar em cima de você enquanto eu não estou aqui!
- Ok, Edward. Você quer saber de um motivo suficiente para impedi-lo de fazer isso?
- Quero. - Falei de maneira cética, cruzando os braços no peito.
- Eu não tenho um pinto.
- Bom... - Comecei mecanicamente, mas me calei logo em seguida - Quê?
- Eu não tenho um pinto. - Ela repetiu de maneira muito calma - E acho que ele não escolheria ninguém que não tivesse um pinto maior do que o do namorado dele.
Continuei mudo por algum tempo, encarando-a enquanto tentava entender o que ela estava me dizendo.
- Namorado?
- Precisamente.
Mais silêncio.
- Como você sabe que ele não está mentindo...
- O nome dele é Pablo, e ele é professor de violino. Tem 30 anos e também é argentino. Os dois se mudaram pra cá há três anos e vivem juntos desde então.
Ok, era muita informação para ser inventada à toa. Mas mesmo assim...
- Ele não tinha jeito de homossexual.
- E você acha que todo homossexual precisa ser uma drag queen?
- Não, mas... Eu não notei nenhum trejeito quando ele falou comigo.
- Ele é homossexual. Não é uma gazela. - Ela falou, rindo de repente - Aliás, o Juan já tinha visto uma foto sua antes, e vou te dizer uma coisa: Acho que quem tem que tomar cuidado com ele é você.
Cobri meu pênis com as mãos por instinto, só para no segundo seguinte me sentir idiota. Ela riu mais ainda, parecendo se divertir com aquilo tudo.
- Vai parar com a implicância com ele agora? - Ela perguntou, enrolada em uma toalha enquanto reunia tanto as minhas roupas quanto as dela nos braços.
- Por que você não me disse antes? - Perguntei um pouco mordido, saindo da piscina e alcançando uma outra toalha limpa.
- Porque eu queria que você parasse com essa sua cisma de uma forma normal. Mas já que você não consegue ser normal...
- Ei, eu sou normal! Sinto ciúmes de vez em quando...
- Você é exagerado.
- Só cuido do que é meu.
- Você sufoca o que é seu.
Parei de me secar e a encarei um pouco surpreso. Ela não pareceu ter notado o que disse, separando as roupas molhadas das secas que estavam nas suas mãos.
- Eu te sufoco? - Perguntei de maneira triste. Eu não sabia que a estava sufocando. Não era a minha intenção. Sempre ouvi, tanto dela quanto de outras pessoas, que meu exagero às vezes era preocupante, mas nunca cheguei a pensar que estava no ponto de ser considerado um sufocador.
Talvez Isabella tenha notado um pouco do receio na minha voz. Quando ela me olhou, já parecia mais ciente do significado da minha pergunta.
- Eu estou te sufocando? - Repeti, esperando que ela me respondesse a verdade, mas que a verdade fosse "não".
Ela caminhou até mim com uma expressão neutra, como se estivesse tendo uma conversa casual.
- Você não me sufoca. Mas às vezes exagera. De verdade.
- Você disse que eu sufoco o que é meu...
- Eu sei o que eu disse. Mas estou te dizendo agora a verdade. Você não me sufoca. Eu amo o jeito como você se preocupa comigo. Acho que não conseguiria viver sem isso. Já me acostumei com as suas neuras. Se tirassem isso de mim agora, eu enlouqueceria.
Continuei encarando-a enquanto procurava algum traço de mentira no seu discurso.
- Mas estou falando isso pro seu bem. Você tem que relaxar. Tem que confiar mais em mim. E tem que saber lidar com a possibilidade de me perder, de um jeito ou de outro. Mesmo que eu te garanta que isso não vai acontecer pela minha vontade. Mas todo mundo pode perder alguém.
- Eu não posso te perder.
- Se depender só de mim, você não vai precisar se preocupar com isso.
- Depende só de você.
Ela continuou me olhando profundamente, pensando em alguma coisa que eu não conseguia entender. Isabella estava muito séria, e eu não estava acostumado a vê-la daquela forma. Ela parecia estar querendo dizer algo importante ao falar sobre perdas, mas, por algum motivo, eu sentia que o que ela falava não era exatamente sobre uma perda "para outra pessoa".
Era estranho. E eu senti um pouco de medo.
Então ela piscou e suspirou de forma leve, e sua expressão mudou. Era como se agora ela estivesse apenas divagando sobre as estações do ano. E o que quer que estivesse passando pela cabeça dela tinha simplesmente ido embora.
E eu sabia que aquele assunto, por hora, havia morrido.
Quando um leve sorriso voltou a brincar no canto dos seus lábios, ela puxou a toalha das minhas mãos e sorriu, varrendo com os olhos meu corpo nu de cima a baixo, a menos de um metro de mim.
- Melhor. - Ela concluiu, caminhando para fora de costas, ainda me encarando - Bem melhor.
…
Nossas visitas ao obstetra começaram a ser quinzenais. E assim como nas outras visitas o médico seguia sempre o mesmo roteiro: Media a pressão de Isabella, checava seu peso e escutava o coração da nossa filha. Perguntava sobre os sintomas, dores, exercícios e alimentação. E sempre no final da consulta, para a minha tranquilidade, ele repetia a mesma coisa: Tudo estava correndo como o esperado.
Ela continuou com as aulas de hidroginástica. Por algum motivo, elas já não me incomodavam mais. Depois de saber da orientação sexual do professor, meus dias de trabalho se tornaram consideravelmente mais produtivos, já que agora eu podia me concentrar nos meus deveres sem imaginar minha mulher sendo agarrada à força na piscina e morrendo afogada no final do dia.
A pedido dela, estreei o piano da sala de estar. Tive que buscar em algum lugar meu caderno de partituras e chamar um técnico para afinar o instrumento em um fim de semana. Pensei já estar "enferrujado" pelo tempo que me mantive ocioso, mas assim que voltei a sentar no banco e vi as teclas à minha frente, me senti em casa. Não lembrava de quão boa era a sensação de extrair de simples folhas de papel as melodias mais clássicas, algumas felizes e outras sérias demais.
Ela pareceu encantada ao me assistir, e me senti feliz como um menino por estar fazendo algo que ela realmente achava legal. Era bom ser admirado pela minha mulher, não apenas porque massageava meu ego, mas porque eu simplesmente me sentia uma pessoa melhor - e mais útil - fazendo uma coisa que a deixasse feliz.
Toquei o piano no domingo de um fim de semana, e a partir dali, passei a tocar religiosamente toda noite, pelo menos uma música, para deixá-la contente ou calma. Era a pedido dela, então eu fazia.
Nossa filha continuava chutando sempre que sentia minha mão ali, embora ela se movesse também quando outras pessoas tentavam senti-la - mas a diferença estava no fato de que eu não precisava correr para encontrá-la se contorcendo dentro da barriga de Isabella como todos faziam. No meu caso, ela chutava depois que eu me aproximava dela.
Os enjôos da gravidez continuavam marcados para as primeiras horas do dia, como de costume. A libido da minha mulher continuava firme e forte.
As coisas continuavam normais.
E os dias passaram.
NONO MÊS
Quando entramos na 36ª semana de gestação, foi a minha vez de começar a me sentir realmente nervoso.
O Dr. Lewis havia calculado que a data estimada para nossa filha resolver nascer estava entre 10 e 18 de setembro. Nesse meio tempo, teríamos o aniversário de Isabella, e me senti um pouco triste por não poder dar completa atenção a esse evento, prometendo-a uma festa maravilhosa assim que a poeira abaixasse.
Ela não parecia estar triste de forma alguma, mas estava se sentindo mais ansiosa e sensível do que nunca. Nossa filha agora se mexia com tanta frequência que parecia estar deixando-a um pouco impaciente.
- Ela quer sair...
Olhei-a espantado, perguntando em silêncio o que ela queria dizer com aquilo.
- Não. Não temos que ir pro hospital. Só estou dizendo que ela não pára quieta.
Suspirei aliviado.
- Por que não deita um pouco? Vê tv ou lê um livro? Ela deve se acalmar...
- Não adianta. Eu já tentei. Acho que ela está nervosa porque eu estou ansiosa.
Toquei sua barriga e senti um chute potente saído de lá de dentro.
- É... - Concluí distraído - Acho que ela quer sair...
O obstetra havia nos aconselhado a não mantermos relações sexuais naquele período, já que qualquer estímulo poderia acelerar o processo do parto. Tive que me controlar todas as noites daquele último mês, desejando-a da mesma forma de sempre mas proibido de tocá-la. Pelo menos da forma convencional. Aquilo provavelmente havia sido a coisa mais difícil que eu tinha feito na vida inteira, e tornava-se pior porque a libido dela havia diminuído consideravelmente nessa etapa da gestação. O que significava que eu estava não só sem sexo, como também sem "preliminares".
Mas tudo bem. Era por um bem maior. Depois que a nossa filha nascesse, eu tiraria o atraso.
Passei a ocupar meu tempo ocioso tocando piano, mesmo na ausência de Isabella. Ou eu fugia um pouco dela para tentar me controlar, ou a atacava. Além do mais, música havia sempre me dado mais equilíbrio. Tocar Chopin ou Bach ajudava a me acalmar, fosse pela ansiedade da chegada da minha filha ou pela vontade de atacar minha mulher.
- Não, continua!
Me virei de uma vez com o susto, quase caindo do banco. Eu estava tocando há aproximadamente duas horas seguidas, e achava que já era hora de parar. Mas me assustei ao ouvir a voz dela atrás de mim, como um fantasma.
- Desculpa. Não quis te assustar. - Ela falou, um pouco tímida.
- Tudo bem... - Comecei, já recuperado - Há quanto tempo está aí me assistindo?
- Não muito.
Isabella puxou uma cadeira até o meu lado e se sentou, suspirando audivelmente.
- Ela ainda está se mexendo muito? - Perguntei, levando uma das mãos até sua barriga.
- Agora está. É por isso que eu queria que você continuasse.
Encarei-a com curiosidade, não entendendo direito o que eu tinha a ver com aquilo.
- Ela se acalma quando você toca. Principalmente essa última música.
A barriga chutava descontroladamente, deixando clara sua inquietação. Eu me perguntava se Isabella não estava sentindo dor.
- Pode tocar? - Ela insistiu.
- Claro...
Abri outra vez o caderno de partituras, procurando pela música em questão. Quando a encontrei, comecei a tocar de forma mecânica a melodia pautada.
- Era essa? - Perguntei, me virando para ela.
- Era.
Ela fechou os olhos e ficou ali, sentada ao meu lado, como se estivesse se concentrando apenas em respirar. Mantive minha mão direita tocando a música e levei outra vez a esquerda até sua barriga, curioso demais para tirar a prova do que ela dizia.
Os chutes foram se acalmando gradativamente, como se a nossa filha estivesse relaxando ou caindo no sono aos poucos. Em pouco tempo a barriga de Isabella estava imóvel, como se nunca tivesse acontecido nada ali.
- Ora... - Comecei, sorrindo abobalhado - Então você gosta de Mozart?
A barriga continuou "calada", adormecida. A coisinha minúscula lá dentro estava quieta.
- Vou tomar isso como um sim.
Isabella conseguiu ir dormir mais cedo aquela noite. Eu fiquei encantado com a sensibilidade e com o bom gosto musical que minha filha parecia ter antes mesmo de nascer. Depois daquele dia, passei a tocar todas as noites para ela, tranquilizando-a de alguma forma e fazendo com que minha mulher tivesse um pouco mais de sossego antes do grande dia.
Se era tudo que eu podia fazer para ajudar, certamente seria feito.
Repetimos a ultrassonografia 3D. Estávamos olhando para nossa filha formada, inteira, bem maior do que da última vez. Ainda perfeita, para a felicidade de todos. Podíamos ver claramente suas feições, quase sem empecilhos, e me perguntei quando a medicina havia avançado daquela forma. Aquilo criou um debate entre mim e Isabella sobre com quem ela mais parecia. Embora nós dois concordássemos que ela era vagamente parecida comigo - mesmo que fosse arriscado dar algum palpite com base apenas naquelas imagens -, eu torcia para que a menina acabasse saindo parecida com ela. Na verdade, que elas fossem idênticas.
O Dr. Lewis disse que estávamos nos aproximando do tempo quase ideal de formação da maioria dos bebês, e por isso eu estava começando a entrar em pânico. Qualquer dia, qualquer hora, qualquer momento podia ser O momento. Cada dia decorrido tornava mais óbvio o meu estado de nervos. Minha secretária só tratava comigo de assuntos que precisavam ser resolvidos urgentemente. Cada nova batida na minha porta parecia o gatilho que disparava o meu coração. Eu havia implorado que minha mãe fizesse companhia à Isabella durante o tempo em que eu não estivesse em casa, mesmo que meu pai tivesse me permitido trabalhar menos horas agora.
Quando chegava em casa e me dava conta de que a barriga dela ainda estava lá e que não havia criança alguma à vista, eu me acalmava. Me acalmava também quando acordava de manhã e notava que a nossa filha não havia resolvido sair no meio da madrugada. Talvez fosse exagero meu, mas exagero era algo com o qual eu já havia me acostumado a lidar. Fazia parte da minha personalidade e ponto final.
Para tornar as coisas um pouco piores, minhas noites andavam muito mal dormidas. Eram raras as vezes em que meu sono era tranquilo, sem sonhos, e mais raras ainda eram as noites sem pesadelos. Na maioria deles eu não conseguia entender direito o que acontecia, mas sabia que era ruim o suficiente para fazer com que eu acordasse com uma dor latente no peito. E, claro, os pesadelos giravam todos em torno de Isabella e da minha filha.
Com o tempo, comecei a quase subir pelas paredes, e aquilo não tinha nada a ver com a falta de sexo, já devidamente deixada de lado pela importância dos outros assuntos. O que me deixava naquele estado era não saber exatamente que dia, e a que horas, e em que momento exato minha mulher viraria para mim com aquelas bolinhas de chocolate e falaria, em uma voz suave, que estava prestes a parir.
- Edward...
- Que foi? Sentiu o quê? Vou pegar as chaves do carro...
- Eu só queria um copo d'água.
Nas duas últimas semanas ela passou a ter contrações fracas, quase como pequenas cólicas. Me certifiquei algumas vezes - o suficiente para fazer com que ela perdesse a paciência -, de que aquilo não significava que tínhamos que correr para o hospital, mas o próprio obstetra havia dito que aquelas dores seriam mais frequentes com o passar do tempo.
Então um domingo chegou. Era para ser um domingo normal, um pouco monótono, meio nublado. Havíamos almoçado na casa dos meus pais, como quase sempre fazíamos. Isabella dormiu um pouco de tarde, já que a noite havia sido um bocado agitada por causa da animação da nossa filha. Eu também estava com sono, mas não conseguia dormir.
Chequei as coisas já arrumadas em duas pequenas bolsas. Estava tudo preparado para uma emergência: Roupas dela, roupas de bebê e agasalhos dos dois tipos, além de óleos e hidratantes, produtos de higiene, biscoitos, carregador de celular e uma garrafa de água, que eu limpava e trocava todos os dias. Assim, quando tivéssemos que ir para o hospital, só precisaríamos localizar as chaves do carro.
A noite veio como todas as outras. Ela continuava um pouco sonolenta, indicando que nem o cochilo havia sido o suficiente para fazê-la descansar propriamente. Naquela noite ela foi para a cama mais cedo. Naquela noite eu toquei piano por mais tempo.
Naquela noite ela estava diferente.
- Não consegue dormir? - Perguntei enquanto entrava no quarto, encontrando-a acordada com a luz do abajur acesa, sentada na cama com as costas apoiadas na cabeceira.
Ela estava suando um pouco e parecia razoavelmente desconfortável. Já haviam se passado horas desde que tínhamos nos despedido com um beijo de boa noite no andar de baixo.
- O que foi? - Aumentei a voz quando Isabella não respondeu, não conseguindo disfarçar meu nervosismo.
- Estou com dor.
Continuei olhando-a sem saber muito como agir, sentindo meu coração acelerar aos poucos.
- Aquelas dores que você vem tendo? - Soltei, torcendo para que a resposta fosse positiva.
- Mais ou menos...
- Mais ou menos?
- São um pouco diferentes... E estão mais fortes, e mais frequentes... E ficam cada vez mais regulares...
Meu coração começou a bater realmente forte agora.
- Tudo bem... - Comecei em voz alta, falando mais para mim mesmo do que para ela - Tudo bem.
Caminhei de um lado para o outro. Desci até a cozinha e peguei um copo d'água, tentando parecer minimamente normal. Ofereci a ela e ela bebeu um pouco do líquido.
- Melhor? - Perguntei.
- Não.
- Pior?
- Está ficando mais forte...
Era o suficiente. Minha cota de racionalidade já havia sido atingida, e eu devia levar algum crédito por ter conseguido agir como um perfeito marido nervoso (mas normal) por tanto tempo.
- Vamos pro hospital. - Concluí, já indo para o closet pegar a primeira calça jeans que estivesse à vista.
- Calma...
- Não! Não estou calmo! Vamos AGORA!
- Edward, pode não ser nada.
- Você está sentindo dor!
- Ainda é suportável.
- E você realmente acha que o melhor é esperar aqui até que a dor se torne insuportável?
- Podemos ao menos ligar pro Dr. Lewis?
Pulei um pouco no mesmo lugar, nervoso por estar sendo contrariado. Mas no final acabei cedendo, pegando meu celular do criado mudo e discando o número do médico.
- Alô?
- Doutor, minha mulher entrou em trabalho de parto e não quer ir pro hospital.
- Não seja dramático, Edward!
- Espere aí... Como você sabe que ela entrou...
- As contrações ficaram mais fortes e mais frequentes. Nós temos que esperar até quando?
- Me deixe falar com ela.
Como solicitado, estendi o telefone para Isabella e ela o atendeu. Iniciou-se então um diálogo secreto entre os dois, me sendo permitido ouvir apenas respostas vagas por parte dela como "sim" e "um pouco" e "não sei". Ela estava atenta ao que ele dizia, e a cada três minutos seu rosto se contorcia de dor. Desejei poder fazer alguma coisa, mas sabia que, naquele momento, eu era um inútil.
- Ok... - Ela falou, depois do que pareceu serem horas - Tudo bem, vou falar com ele. Obrigada.
Ela desligou e logo em seguida deixou seu rosto se contorcer mais uma vez em agonia. Sentei do lado dela um pouco desesperado, levando uma das mãos até sua barriga sem pensar, tentando tomar alguma atitude que a fizesse sofrer menos. Senti um chute forte contra meus dedos, e pela primeira vez ignorei isso.
Esperei sua dor suavizar para falar outra vez.
- E então? - Perguntei sem me preocupar em disfarçar o desespero na voz - O que ele disse?
Isabella respirou fundo, parecendo concentrada em alguma coisa, enquanto me entregava o celular.
- Ele disse pra irmos pro hospital. Agora.
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Vocês não têm noção do tanto de pesquisas que eu tenho que fazer pra escrever esses capítulos de uma forma coerente. Hahahahahah XD
Mas enfim, aí está. Capítulo 36 completo e grande. :P
Espero que tenham gostado desse. Foi bacana de escrever, apesar de ser difícil. :)
MUITO obrigada pelas reviews, MUITO obrigada pelas recomendações! Muito obrigada mesmo!
De vez em quando eu posto novidades sobre a fic no twitter. Se quiserem me seguir: Mel_RK.
Espero que tenham gostado desse. Foi bacana de escrever, apesar de ser difícil. :)
Beeeeijos! Mel.
