Músicas do capítulo (retirar os espaços):

* Renee Fleming canta "Das Wunder der Heliane", por Korngold: http:/ www. youtube. com/ watch?v=H2x5NgtGSx4

* Martha Augerich toca "Gaspard de la nuit pt. 1: Ondine", de Ravel: : http:/ www. youtube. com/ watch?v=BonP-ilIxwg

* Leonard Cohen: "A Thousand Kisses Deep": http:/ www. youtube. com/ watch?v=P0j14GrB-u8


Capítulo 30 - Quando encurralados

Tradutora: Shampoo-chan

~oЖo~

Desde que Aro decidiu trocar meus professores, meu professor de voz "oficial" tem sido este velho e nervoso tenor chamado Signor Bini. Digo "oficial" porque é difícil ver nossas lições como qualquer coisa além de um tipo de prática direcionada. Ele pode ter personalidade, mas acho que ele tem medo demais dos Volturi para mostrar isso para mim nas nossas chamadas aulas, nas quais falta a excitação das lições de voz do professor George na minha terra natal, a menos que conte a bagunça de papéis nervosos e os olhos atentos e esbugalhados de Bini como excitação. Isso simplesmente me faz sentir culpada, mas aparentemente nada que eu diga pode fazê-lo relaxar na minha presença, então o problema parece ser automático com qualquer humano em Volterra, e ele claramente não é exceção.

Meu primeiro professor de voz ainda está vivo,pelo menos. Tremo um pouco com a facilidade com que esse mórbido pensamento surge na minha mente e tento me focar de novo no problema em mãos. Senão eu começarei a me preocupar sobre no que Volterra está me transformando: em alguém que está deixando Aro entediado e ainda conta isso como uma grande vitória sempre que outros humanos sobrevivam ao contato próximo comigo.

Talvez Aro tenha razão. Talvez eu o tenha entediado um pouco. Talvez eu esteja agindo exatamente como o Signor Bini – tão preocupada que eu atrapalhe que humildemente faço tudo que é esperado de mim.

Pode ser injusto da parte de Aro criar essa atmosfera de intimidação e depois reclamar quando as pessoas não estão animadas o suficiente, mas a crítica incomoda um pouco. Ainda assim, não tenho certeza do que fazer sobre isso. Tenho absoluta certeza de que não me sinto entediada. Sinto como se eu estivesse caminhando no escuro, apavorada que qualquer ação descuidada da minha parte possa matar alguém – dolorosamente ciente de que metade da cidade tem medo de mim e que a outra metade pode e me matará no momento em que um homem muito volátil decida que isso seria mais divertido do que manter-me viva. E todo o tempo eu não devo pensar a respeito disso, nem pensar na pequena coleção de afiados segredos pendendo sobre as nossas cabeças como múltiplas espadas de Dâmocles*.

*Dâmocles: era um cortesão bastante bajulador na corte de Dionísio I de Siracusa — um tirano do século IV a.C. em Siracusa, Sicília. Ele dizia que, como um grande homem de poder e autoridade, Dionísio era verdadeiramente afortunado. Dionísio ofereceu-se para trocar de lugar com ele por um dia, para que ele também pudesse sentir o gosto de toda esta sorte. À noite, um banquete foi realizado, onde Dâmocles adorou ser servido como um rei. Somente ao fim da refeição olhou para cima e percebeu uma espada afiada suspensa por um único fio de rabo de cavalo, suspensa diretamente sobre sua cabeça. Imediatamente perdeu o interesse pela excelente comida e pelos 'belos rapazes' e abdicou de seu posto, dizendo que não queria mais ser tão afortunado. A espada de Dâmocles é uma alusão frequentemente usada para remeter a este conto, representando a insegurança daqueles com grande poder (devido à possibilidade deste poder lhes ser tomado de repente) ou, mais genericamente, a qualquer sentimento de danação iminente.

Ainda assim, compreensível como é o meu cuidado, o desafio foi lançado: encontrar um meio de ser vocalmente animada sem de alguma forma irritar Aro com suas muitas frescuras musicai. Escolha a ária errada e ele vira uma bola de raiva por 45 minutos dizendo por que alguém que voluntariamente canta este Händel em particular nunca deveria estar em qualquer lugar além de uma "instituição mental, ou em uma prisão para os que criminalmente não têm bom gosto" (o seu sonho de vida, com certeza). Aro é tão exigente, suas opiniões são tão extremas que, sem a ajuda de Alice, eu seriamente duvido que teríamos durado pelo menos uma semana em Volterra, imagine então quatro meses.

Preciso encontrar um meio de convencer o Signor Bini a me ajudar a colorir meu repertório, alguma música com que eu possa trabalhar. Sei que não estou preparada para cantar o Verdi que Aro e eu amamos, mas certamente pode existir algo transitório em que eu possa me atirar, para que eu não pense em morte e sangue o tempo inteiro. Quando chego perto da porta do estúdio, consigo ouvir um jovem tenor (claramente não o Signor Bini) miando à distância. Isso é raro: geralmente a porta está aberta e ele espera por mim no seu costumeiro nervosismo, provavelmente preocupado que eu dê ao meu assustador patrono um relato ruim se eu tiver que esperar. Como se eu fosse uma diva.

Enquanto o pobre tenor lá dentro continua perdendo o seu objetivo em uma nota alta, encontro-me procurando por algo para fazer. Observo o quadro de avisos na parede oposta cheia de folhas de caderno brilhantes e avisos de alunos grosseiramente colocados juntos de recitais e caronas divididas para concertos e óperas em cidades grandes. Uma folha em particular atrai meu olho, uma competição para jovens artistas, com o grande prêmio de uma turnê europeia durante o verão.

Pego meu caderninho e estou no meio da anotação dos detalhes quando a porta abre e o tenor sai correndo junto com a pianista, uma mulher parecendo jovem com óculos de aros grossos e uma trança ridiculamente longa castanho-clara. Meio que fico hipnotizada com o balanço dela, perguntando-me se ela nunca cortou o cabelo, até eu ser interrompida por um tornado de mulher com cabelo rebelde escuro e enrolado, e um rosto vibrantemente expressivo. Sinto como se a tivesse visto antes, mas não sei onde.

"Seilaprossimocantante?*" Ela pergunta, acenando para mim sem esperar uma resposta. "Cometichiami,caramia?**"

* Sei la prossimo cantante? = Você é a próxima cantora?

** Come ti chiami, mia cara? = Qual é o seu nome, minha cara?

"Isabella Swan." Eu respondo, meu nome saindo automaticamente com sotaque americano e sem formalidade. Chuto-me mentalmente por não mostrar que eu sei falar italiano razoavelmente pelo menos por aqui, mas ela me interrompe e invade totalmente meu espaço antes de eu poder me reagrupar.

"Você é americana!" Ela exclama num leve sotaque inglês, direcionando-me para dentro da sala antes de fechar a porta atrás de nós. "Eu vou falar inglês com você, okay? Eu vivi em Nova Iorque e nuncamais pratiquei agora que estou de volta à Itália, mas vou praticar com você, e talvez isso seja bom para você também. Ouça, tenho algumas notícias ruins: o professor Bini está no hospital-"

As palavras chegam ao meu ouvido com um leve tilintar, a ênfase em hospital.

"Oh, não! O que aconteceu?" Eu pergunto, relembrando tudo que já tenha dito sobre ele a Aro. "Ele está bem?"

Foi culpa minha?

"Ele teve um ataque cardíaco, e por agora está sendo auxiliado por máquinas e tubos, mas os médicos dizem que ele vai ficar bem." Ela diz com uma inclinação de cabeça que me diz que há emoção que ela não está deixando escapar. "Eu sou filha dele, e darei aula no lugar dele até ele ficar melhor. Você pode me chamar de Professoressa se realmente quiser, mas está tudo bem me chamar de Francesca também".

Culpa e alívio ficam num cabo de guerra até minha memória entrar no meio e eu perceber onde eu a vi antes. Ela não é tããão famosa, mas eu já a vi no youtube quando procurava por várias interpretações de árias. Ela realmente parece não querer mais discutir a respeito do seu pai, então eu deixo para lá por um momento.

"Francesca Bini!" Eu digo, sorrindo. "Já ouvi você! Você canta Violetta em La Traviata, certo?"

Ela parece satisfeita, e eu não mais enlouqueço com ela invadindo meu espaço. Eu meio que quero abraçá-la, mas eu resolvo sorrir como uma turista confusa e constrangida.

"Você é tão doce, mas isso não vai fazê-la escapar da aula de canto, eh? Eu gostaria de formar a minha própria opinião, então vamos cantar agora." Ela começa a cantar uma escala em ritmo alucinante e arqueia uma sobrancelha para mim, como se dissesse para saltar adiante, então eu o faço.

Parece um pouco de tudo enquanto os vocais parecem testar todos os limites da minha voz: minha velocidade e flexibilidade nas escalas, quanto tempo eu consigo cantar uma frase legato sem respirar e, depois de um tempo, ela testa meu alcance também. Em uma série de vigorosos arpejos, ela me surpreende fazendo-me chegar mais alto que os altos padrões C ou D, mas o que é realmente diferente é a forma como ela parece estar sugerindo que eu alcance as notas maiores. Ela faz isso de forma relaxada, um rosto alegre em alerta, como se ela quisesse que eu fizesse o mesmo, e enquanto eu imito a sua expressão, as notas do alto saem pequenas, porém puras e parecendo flauta, não completas e lindas como eu as quero.

E ela não para – apenas grita "Ótimo! Continue assim!" como uma maníaca até eu não conseguir chegar mais alto.

"O que foi isso?" Eu pergunto, sentindo a cabeça zonza depois que ela finalmente para. "Eu nunca havia ido tão alto antes, mas foi meio estranho!"

"Isso é ridículo! Ninguém nunca a fez cantar no seu registro de apito* antes?" Ela olha para mim como se eu fosse louca, ou estivesse mentindo. "Você sabe que você é uma soprano, certo?"

*Registro de apito (whistle tone): "super voz de cabeça" ou "registro de silvo", é o registro mais agudo da voz humana. Mais informações (em inglês): http:/ pt. wikipedia. org/ wiki/ Whistle_register (retirar os espaços).

"Nunca cantei desse jeito, exceto por um C maior, mas tenho tentado fazer isso ficar maior. Isso é o que é chamado de 'registro de apito'?"

"Bem, você deve não aprender isso de um tenor; eles não cantam assim." Ela dá de ombros. "Eles simplesmente tentam tudo na base do músculo, como homens viris".

"Acho que é isso – todos os meus professores de voz até agora eram tenores." Eu digo, sentindo-me um pouco enganada.

"O quê, você não gosta de mulheres ou algo assim?" Ela pergunta, como se decidindo se chutava ou não o meu traseiro. "Não me diga que você é uma dessas garotas que detestam mulheres; eu não gosto disso. Nós mulheres precisamos ser unidas algumas vezes, sabia?"

"Não, eu gosto de mulheres! Eu apenas nunca tive uma mulher como professora antes. Posso ver a desvantagem dessa decisão agora." Eu protesto, começando a me perguntar como alguém sem medo pode ter o mesmo gene do Signor Bini. A mãe dela deve ser outra coisa.

"Eu gosto da cor da sua voz; você deveria ter algo mais profundo e melancólico." Ela diz, e eu sorrio um pouco em segredo.

"Oh, eu tenho." O nome dele é Edward Cullen, e ele estará aqui a qualquer minuto. "Eu gosto de música profunda e melancólica." Eu digo, escutando algumas árias e canções em meu repertório que se encaixam nessa descrição.

"É claro, sim. Todas essas são boas escolhas para você." Ela diz distraidamente, vasculhando os armários de música do pai. "Que tal... você já cantou alguma de Korngold? Achei algo exatamente para você. Posso ouvi-la cantando isso".

"Nunca." Eu digo enquanto ela se senta e começa a tocar e cantar essa peça maravilhosa em… oh, merda, alemão. "DasWunderVonHeliane." Ainda assim, é exuberante, e Aro deve fazer uma exceção, porque eu consigo vê-lo realmente gostando da música que não é na língua dele. É tão maravilhosa que eu quero aprendê-la de qualquer forma, mesmo que eu deixe ou não Aro algum dia ouvi-la. "É realmente linda".

Até mesmo eu consigo ouvir a hesitação na minha voz, e ela se vira para me olhar seriamente.

"Então, diga-me, Isabella, o que você quer das nossas lições juntas?" Ela pergunta, olhando-me tão direta e intensamente que me faz lembrar o Dr. George. "Você estuda muito e pratica?"

"Eu quero ficar muito boa, o mais rápido possível." Digo rapidamente, percebendo que ela provavelmente não sabe nada sobre mim. "Quero ganhar alguns concursos e começar a trabalhar enquanto eu estiver aqui na Europa. Não tenho medo de trabalhar; pode perguntar ao seu pai".

"Vamos ver o que ele tem a dizer sobre você então." Ela arqueia uma sobrancelha em desafio e pega o caderno em que o Signor Bini escreve algumas vezes durante as aulas.

Eu me encolho, e ela olha para mim como, ahá,tepeguei! , até que ela realmente começa a ler, e seu rosto empalidece um tom mais amarelo.

"Não. Por favor, Signorina Bini." Eu imploro, tocando seu braço suavemente. "Não tenha medo de mim, por favor, e não me trate de forma diferente só por causa disso".

Seus olhos aumentam quando ela finalmente percebe o pingente que se encontra parcialmente escondido pela minha camisa e pelo cabelo comprido.

"Mas você é diferente." Ela diz calmamente. "Eu não posso fingir o contrário. Entendo agora por que meu pai ficava tão ansioso." Ela diz, com uma pontada dura na voz antes de levar uma mão à sua boca num gesto de arrependimento assustado.

"Eu sinto muito." Digo suavemente. "Juro que nunca quis que ele se preocupasse comigo".

"Mas você usa o símbolo deles." Ela diz gravemente, apontando o queixo para o meu pingente. "Isso significa que você aceita a proteção deles. Você não sabe disso?"

"Eu não tive muita escolha." Eu digo, sentindo as palavras repletas de verdade e erro ao mesmo tempo.

Estou esperando que ela diga algo quando há uma batida na porta. Edward geralmente simplesmente entra, então fico surpresa quando ele abre a porta hesitantemente.

"Eu sou Edward Cullen, estou aqui para tocar para Bella." Ele diz suavemente, mostrando o sorriso mais charmoso enquanto passa por nós em direção ao piano.

Pela força do rosto bonito de Edward, ela enlouquece, lançando-me a pergunta universal Vocêviuessagostosura?de queixo caído, abanando o rosto com a mão assim que ele vira as costas. Eu meio que sorrio para ela conspiratoriamente para não desfazer todo o bem-colocado charme de Edward, mas tenho que respirar fundo para evitar rir ou mostrar um dedo para ele quando eu vejo a expressão presunçosa passar pelo rosto dele por um segundo.

"Signorina Bini." Ele diz, todo sincero, charmoso, e com um leve tom de flerte. "Sinto muito saber a respeito da doença do seu pai. Por favor, mande meus cumprimentos." Ele parece reconhecer a expressão atordoada dela como resposta e depois abre o seu caderno cheio de partituras que ele já memorizou. "O que vou tocar hoje?"

Ela olha entre nós por um momento, notando nossa troca silenciosa.

"É complicado, não é?" Ela diz, balançando um pouco a cabeça. "Então você quer ganhar concursos e impressionar o seu patrono?"

"Eu meio que preciso." Digo sob a minha respiração, enfatizando um pouco.

"Concursos eu posso dizer como ganhar." Ela dá de ombros, franzindo a testa em concentração. "É mais ou menos como uma fórmula. Você descobre quem é o júri e mostra a eles o que querem ver. Se a sua voz for suficientemente boa, é só pegar a canção certa e o vestido correto. Fazer seu chefe feliz é outra história".

"Podemos ajudar você nisso." Edward diz com tal confiança que até eu acho convincente. "Não há razão para você ou sua família sentirem medo por nossa conta".

"Acho que não tenho muita escolha também." Ela diz com um sorriso de sombria resignação. "Vamos começar, okay?"

~oЖo~

"Isabella?"

Estou acabando de sair da minha última aula do dia, e tudo que quero é chegar em casa, mas minha reação é imediata, instintiva. Olho por cima do ombro para ver minha quero-ser-sua-amiga do coro. Ela parece determinada, e eu já a ignorei tantas vezes que não dá para fingir não vê-la agora.

"Oi." Sorrio para ela em desculpas, pensando em afastá-la por não falar em italiano. "Estou meio que com pressa".

"Eu sei." Ela diz, lembrando-me que o inglês dela não é tão ruim assim. "Você está sempre com pressa, mas se pudesse apenas esperar um minuto".

"Ouça, eu sinto muito, muito mesmo, mas simplesmente não posso falar com você." Eu digo, sentindo-me uma complete imbecil. "Eu simplesmente não posso. Tenho que ir agora".

Deslizo por uma escadaria, esperando que ela prefira pegar o elevador. Não que seja uma esperança. Aquele elevador parece que vai levar os corpos das vítimas diretamente aos vampiros. Eu não acho que já vi realmente alguém usá-lo – eles só abrem a porta, olham lá dentro como se fosse uma geladeira vazia, e decidem que provavelmente deve ser igualmente perigoso rastejar para um como se fosse uma geladeira mesmo.

"Só um minuto." Ela diz, mostrando um pedaço de papel para mim. "Apenas um minuto, Isabella. Só quero saber se você já viu essas pessoas".

Não é apenas um pedaço de papel; é uma imagem impressa da internet mostrando os rostos sorridentes de três jovens, duas garotas e um rapaz, na frente da Torre Eiffel. Uma das garotas parece ser parente da minha quero-ser-sua-amiga. Eu me recuso a pegar o papel e passo por ela, agarrando o corrimão enquanto desço as escadas.

"Eles simplesmente desapareceram." Ela insiste, seguindo-me. "Nada de corpos, nenhum registro de eles darem entrada num hotel, nada de explicações, nada. Mas eu sei que eles já estavam em Volterra, e sei que eles tiveram algo a ver com isso. Todo mundo sabe, mas ninguém nunca faz nada sobre isso".

Balanço a cabeça, desviando o olhar dela, mantendo meus olhos sem foco, mas ela simplesmente continua se mexendo tanto que sou forçada a olhar para ela. Quando eu chego aos patamares entre os andares, ela para diretamente no meu caminho, então sou forçada a, ou lidar com ela, ou jogá-la pelas escadas. A ideia está começando a ter algum mérito.

"Eu sei que você está assustada." Ela diz, inclinando-se em minha direção. "Eu também estaria se fosse você. Alguns acham que eles são da máfia, mas há aqueles que pensam que eles são piores que isso. Que talvez eles nem sejam humanos, que eles são vam-"

Os olhos dela se arregalam em choque quando minha mão fica em cima da sua boca e eu a empurro contra a parede. Não percebi o que eu ia fazer. Eu não ia tocá-la. Minha mão parece gelo contra a pele dela e eu tremo, perguntando-me se isso é uma estranha amostra da minha vida que está por vir.

"Não seja idiota." Sussurro, minha voz saindo mais áspera do que eu pretendia. "Pense sobre o que você está dizendo. O que você acha que vem de bom disso? Se estiver errada, as pessoas vão pensar que você está louca, e se estiver certa, estará morta se sair por aí dizendo essas coisas".

"Você… você está me ameaçando?" Ela pergunta, uma vez que tiro a minha mão da sua boca. A voz dela treme de medo, e eu percebo pela primeira vez que é de algo que eu fiz, diretamente.

"Não, não estou ameaçando você" Eu digo, exasperada. "Estou tentando avisá-la. Obviamente você não consegue entender uma dica".

"Como você pode ser tão insensível?" Ela exige saber, embora sua voz ainda trema um pouco.

"E como você pode ser tão imprudente?" Ataco de volta, soando exatamente como Edward em um ataque de chilique. "Olha, eu não quero ser rude com você, mas claramente você não tem consideração pela própria segurança. Quer simplesmente deixar isso pra lá?"

E acho que é verdade o que dizem sobre casais começando a parecer um com o outro depois de um tempo. É quase como se ele estivesse aqui.

Vou em direção à saída da escola, caminhando o mais rápido que posso. Tudo o que quero é me focar em algo são e normal, como um concurso de ópera. Ouço passos de salto alto atrás de mim e fico no que é claramente... um beco sem saída. E estou presa.

"Por que você não admite o que eles são?" Ela quase grita em desespero quando eu viro para encará-la.

"Quer falar baixo…" Sibilo, minha voz sumindo quando eu vejo que temos companhia. É como uma festa surpresa cheia dos meus perseguidores menos favoritos. "Olá, Demetri." Digo duramente. "Não há razão alguma para se envolver nisto. Estou apenas tendo uma pequena discussão com uma colega".

"Está tudo bem, Bella." Ele diz, sua voz hipnoticamente suave enquanto ele se aproximava dela. "Toda vez que os cidadãos de Volterra decidem querer saber realmente o que se passa na nossa adorável cidade, nós temos meios de acomodá-los".

Sim, eu aposto. Acomodações na sala de jantar, ou na sala com o balde de sangue, onde quer que eles vão comer. Raiva brota em mim, mas desta vez eu não a culpo. Ela só está tentando encontrar os conhecidos dela.

Minha culpa. De novo. Quantas pessoas vão acabar no hospital ou mortas por minha causa?

Minhas batidas do coração martelam tão forte nos meus ouvidos que mal consigo ouvir qualquer outra coisa, mas quando ele agarra o braço dela exatamente no mesmo lugar que ele já me segurou antes, e ela começa a lutar, eu me meto entre os dois sem nem ao menos pensar. Antes que eu saiba o que estou fazendo, ouço o que pode ser um osso quebrando e seu grito rápido e choro assustado de dor.

Tudo em mim grita para eu fazer duas coisas completamente opostas ao mesmo tempo. Uma coisa que é mais forte é o fato de que ela sou eu há um ano, assustada e completamente indefesa, e eu sei que posso pará-lo sem perder minha própria vida.

Pelo menos, eu acho que posso.

Mantenho minha respiração calma enquanto deliberadamente coloco minha mão sobre a dele. Minha pele treme em repulsa com a força gelada dele, mas seus olhos suavizam em indecisão. Posso praticamente senti-lo vacilar.

"O que você está fazendo?" Ela pergunta atrás de mim.

Não sei com quem ela está falando, e me atinge que eu ainda não sei o nome dela. Tudo porque não quis me envolver.

Certo.

"Deixe-a ir embora, Demetri. Por favor." Minha voz soa estranha para mim: baixa, perigosamente calma e mortalmente séria. Eu soo como Charlie, ou Carlisle.

"O que você vai me dar?" Ele pergunta num ar brincalhão e bajulador, soltando o braço dela com um floreio, efetivamente quebrando o contato comigo também, mas não saindo do nosso caminho também.

Eu me sinto mal, mas estamos falando de uma vida humana aqui. Eu me pergunto se Alice estava brincando, afinal de contas, e engulo de volta um pouco de bílis.

"O que você quer?" Pergunto, meu coração acelerando, minha pele pegajosa de suor contra o vento frio de inverno.

Talvez seja algo no meu tom, mas a expressão dele muda um pouco e ele parece frustrado. Ele olha para mim de novo, realmenteolha dessa vez, e fica com esse olhar preocupado em seu rosto, exceto que isso não é falso desta vez.

"Tudo que quero é que você me dê uma resposta honesta para algumas perguntas." Ele diz cuidadosamente. "Eu não vou pedir para você fazer nada mais que isso".

"E você vai deixá-la ir?" Eu pergunto, perguntando-me onde está a armadilha. "Agora mesmo, e deixá-la em paz depois?"

Ele assente, e um milhão de nós em meu estômago se desfaz de uma vez, levando quase toda minha energia com eles. Meus joelhos tremem, mas eu me mantenho em pé. De alguma forma eu consigo.

"Eu posso fazer isso." Eu digo, virando-me rapidamente para ela. "Simplesmente vá embora. Nem pense mais a respeito disso. Eu juro, não há nada de bom que possa vir disso".

"E quanto a você?" Ela sussurra, esfregando o seu braço. Está rosado e já inchando. "Não vou deixá-la sozinha com ele. E se ele machucar você?"

"Simplesmente vá." Repito com uma convicção inesperada, observando o seu ferimento. "Eu ficarei bem".

Ela parece que não vai embora, mas depois olha de novo para Demetri e passa rapidamente por ele, olhando curiosamente por cima do seu ombro a cada dois passos que dá até desaparecer.

"Há algo especial com relação a becos e mulheres indefesas, Demetri?" Eu pergunto, dando um passo para me afastar dele, esperando que ele cumpra a parte dele do acordo. "O que você quer saber?"

Ele pausa, como se estivesse tendo um debate interno a respeito da primeira pergunta. Ele não diminui o espaço entre nós, pelo qual sou grata.

"Você realmente vomitou com a mera ideia de me encorajar,seja lá o que isso signifique?" Ele pergunta, parecendo magoado e confuso. "E agora há pouco de novo, você sentiu náuseas e medo." Desta vez não é uma pergunta. Ele provavelmente sente o cheiro de bílis, de medo.

Eu prometi honestidade.

"Sim." Eu digo, sentindo-me um pouco mal por ele, apesar de tudo. "Isso aconteceu. Desculpe".

"Você alguma vez pensou remotamente em algo bom sobre mim?"

Olho para ele em choque. "Você quase quebrou o meu braço uns dois segundos depois de me encontrar, Demetri. O que você quer que eu diga?"

"Nem mesmo na primeira vez que nos conhecemos?"

Fecho meus olhos, pensando na primeira vez que nos encontramos no Keys. Espontaneamente, é como se eu estivesse lá de novo. Praticamente consigo sentir a pulsação da música árabe enquanto me movo em direção ao palco, quando colido com ele. Lembro disso porque Edward nunca me tocou realmente até aquele momento, ou assim eu pensava—

"Quando eu esbarrei a primeira vez em você," eu digo, "pensei que você fosse Edward, por causa da sua altura e tamanho, e porque você tinha o cheiro parecido com o dele. Percebo agora que é o cheiro de vampiro".

"Você chama isso de bom?" Ele faz uma carranca, parecendo sinceramente triste.

Por que essas são as únicas sinceras emoções que parecem vir desse cara que está todo triste e parecendo um menino órfão?

"É remotamente bom." Eu digo, sentindo-me desconfortável. Só porque primeiro, eu não vou voluntariamente tocá-lo de novo, e segundo, eu não quero que ele rastreie aquela moça depois, decido atirar um osso ao cachorro. "Eu pensei por um segundo que você era bonito o bastante para ser ele".

"E depois?"

"Depois você virou um monstro." Digo sem rodeios. "Você me feriu, e depois me caçou. Você tirou sarro da minha cara quando eu implorei pela minha vida, e depois se aproximou o bastante para tirá-la de mim para sempre. Eu tive pesadelos com você por meses".

Eu não sei o que o faz finalmente acreditar em mim, mas enquanto eu falo, ele encontra meu olha diretamente – sem truques, sem flertes. Ele apenas ouve.

"E ele se tornou o seu herói." Ele conclui, sua voz repleta de aceitação desta vez.

"Sim." Eu digo, aliviada que ele finalmente parece entender. "Ele me salvou de você naquela noite, e uma centenas de vezes nos meus sonhos".

"Há algo que eu possa fazer para você mudar de ideia?" Ele pergunta, ainda sério. Meu queixo cai em descrença, e ele se apressa em acrescentar, "Sobre eu ser um monstro, quero dizer".

"Eu não sei," eu digo, minha mente cambaleando, "mas estou feliz que você tenha deixado aquela moça ir embora".

Ele balança a cabeça, como se não entendesse o que estou dizendo.

"Bella, ouça." Ele diz, colocando sua mão levemente no meu braço. Eu não a afasto como gostaria, mas cuidadosamente me movo para quebrar o contato. "Eu não vou machucá-la, nem farei nada para colocá-la em perigo. Você deveria perceber o que há na natureza dela. Ela não vai parar até que alguém a pare. Se não for eu hoje, será outra pessoa, e provavelmente em breve".

Olho para a rua abaixo para ver se ela poderia estar ainda lá, desejando que ela esteja longe. Sei que é irracional, e que ele pode rastreá-la onde quer que ela for agora, mas uma parte de mim simplesmente deseja, ou precisa acreditar, que eu consegui salvar a vida de alguém. Que toda essa espionagem e comprometimento e esconder coisas têm sido dignos de algo bom.

Quando eu me viro, ele não está mais lá.

Alívio e tontura tomam conta de mim, e a parede encontra as minhas costas, apoiando-me como minha melhor amiga no mundo inteiro.

~oЖo~

Algum tempo depois, entro no apartamento o mais silenciosamente que posso. Edward já está lá, tocando algo verdadeiramente bonito. Ravel, talvez? Vejo a cabeça dele por trás assentir em reconhecimento à minha chegada, mas eu só quero lavar o dia de mim o mais rápido possível.

"Seja lá o que você está tocando, eu adoro." Sussurro suavemente, sabendo que ele pode me ouvir. "Apenas me dê alguns minutos para me sentir humana de novo".

Entro no banheiro e tomo um banho muito quente e rápido e, debaixo do chuveiro, esfrego com força extra em todos os lugares que tiveram contato com Demetri até minha pele ficar um forte rosa como o daquela moça. A diferença é que eu não terei um ferimento em forma de mão no meu braço desta vez, e ela terá. Provavelmente ela usará um gesso no braço, se eu chegar a vê-la de novo.

Se não, eu nem saberei o nome dela para descobrir se ela está desaparecida. Talvez Edward saiba quem ela é. Eu jogo isso no fundo da minha mente de novo, tentando aceitar isso como consolo em ter feito o pouco que podia fazer por ela hoje.

Visto um enorme roupão macio e enrolo meu cabelo numa toalha igualmente enorme e macia. Num impulso, jogo minha roupa na calha do banheiro que dá direto no incinerador do apartamento. Parece um pouco dramático da minha parte, mas eu nunca gostei daquele suéter, e me sinto estranhamento melhor quando elas desaparecem na extensão de metal. Lavo minhas mãos de novo na pia e pauso para me perguntar se estou perdendo a cabeça. Ergo o rosto e sinto consolo em ver os olhos do meu pai e da minha avó no espelho.

Por agora, pelo menos. Eu me pergunto se vampiros ficam loucos e então rio sozinha por perguntar isso. Grande parte dos vampiros que eu conheço parece ter um tipo de transtorno de humor, no mínimo. Talvez eu sempre estarei um pouco fora.

Quando eu saio, Edward ainda está tocando. Eu me aproximo por trás e enrolo meus braços no seu pescoço, sentindo seu cheiro. Começo a beijar seu cabelo, seu pescoço, sua mandíbula, mas paro quando vejo sua expressão. Ele simplesmente meio que olha para o vazio.

"Algo errado?" Pergunto, desesperada para sentir a conexão entre nós. "Edward, por favor, fale comigo".

Quando ele finalmente olha para mim, há acusação nos seus olhos, e uma estranha cautela que nunca vi nele antes, nem na primeira vez que nos encontramos.

"Eu sei que você está escondendo coisas de mim." Ele diz calmamente.

"Não mais do que eu preciso, assim como você." Eu replico, ajoelhando-me próximo ao banco, já que ele não dará espaço para mim e eu não posso movê-lo.

"Não é a mesma coisa." Ele diz rudemente, voltando-se para o teclado.

"Como eu saberia? Como vocêsaberia?" Pergunto num sussurro, inclinando minha cabeça no seu ombro. "Eu não tenho feito nada errado".

"Então por que você sente a necessidade de tomar banho no instante em que chega em casa?" Ele pergunta desconfiado.

"Isso foi por mim, não para enganar você." Eu protesto. "Eu tive uma tarde realmente de merda, e só queria sentir isso ir embora".

Seu corpo de rocha parece imóvel, e eu me preocupo por um momento que ele vai me dar um gelo inteiramente. Eu consigo ver isso no rosto dele, e isso me assusta. Nem sei se ele acreditaria na verdade se eu contasse tudo a ele. Não que eu tenha permissão de contar tudo a ele.

"Você esqueceu a sua mochila".

Certo, com o cheiro de Demetri nela, e com a mulher sortuda ostentando um braço recentemente quebrado.

"Não, não esqueci. Eu disse a você, eu não estava tentando esconder nada de você." Eu suspiro, ficando em pé em uma postura derrotada. "Eu não esqueci nada, mas eu realmente, realmente gostaria. Eu estava esperando deixar isso ir embora e apenas me sentir perto de você. Sinto muito se você não pode acreditar em mim, mesmo agora que você sabe como eu me sinto. Estou dizendo a você, eu não fiz nada de errado".

Eu me viro para ir para o quarto quando sinto os braços dele me rodearem, puxando-me para o banco do piano. Ele me coloca no seu colo e inala fortemente contra o meu pescoço nu. Sinto a toalha na minha cabeça afrouxar e cair no chão, meu cabelo caindo nos nossos rostos em longos espirais molhados.

"Desculpe. Desculpe." Ele sussurra asperamente contra o meu pescoço. "Desculpe. Eu acredito em você.".

Quero dizer tudo a ele, mas na sua mensagem do celular Alice apenas deu instruções incrivelmente misteriosas e frustrantes que eu não devo contar a ele a respeito até eu sentir que eu deva. Eu nem sei o que isso quer dizer, mas no momento ele parece mal-humorado demais para arriscar. Seria melhor esperar até ele ficar mais calmo, e não é como se ele contasse as aventuras dele também.

"Estou escondendo coisas de você." Murmuro, brincando com as mãos dele presas na minha cintura. "Você quer saber o que são?"

"Sim, sempre." Ele rosna. "Eu precisosaber. Não me importo com o que Alice diga agora. Eu consigo controlar meu temperamento. Eu sei que consigo".

Ele parece que está tentando se convencer, e falhando.

"Bem, para começar." Eu começo. "Eu não tenho contado tudo a você sobre o que está acontecendo com a missão de encontrar a fraqueza de Chelsea. Você sabe, aquela linda vampira que tem dito para todo mundo que dormiria com um certo vampiro lá pelo Ano Novo, ou desistiria de humanos por um ano?"

Sim, eu ouvi sobre isso, silva uma respiração em irritação, então eu continuo.

"E embora você tenha sido totalmente paciente e perguntado apenas uma vez," continuo, "eu ainda não contei sobre o que aconteceu quando este certo vampiro foi falar com Caius e Afton sobre a pintura de Esme".

"É tão chato que você deve ter se esquecido de mencionar isso." Ele diz, entrando na brincadeira. "Eu mesmo teria esquecido se você não tivesse acabado de me fazer lembrar".

"Por que você não lê a minha mente e me diz, afinal?" Eu sussurro, tocando minha testa com a dele. "A não ser que Alice diga que você ficará tão aborrecido que vai cair do banco e acidentalmente nos machucar".

"Bem, isso foi um poucoengraçado." Ele fala, abandonando o jogo. "Caius e Afton ficaram surpresos ao me verem, sozinho, e depois o tempo inteiro que falei com eles, tudo sobre o que eles pensaram era se eu podia ler ou não a mente deles, e o que aconteceria se Aro descobrisse isso".

"Descobrisse o quê?" Eu pergunto, sentando-me um pouco mais ereta. "Eles têm algum tipo de segredo suculento? Caius está pegando a Sulpicia? Ou não, Aro saberia quando a tocasse, então não pode ser isso".

"Ooh, olhe só a sua especulação, pequena Renée Jr." Ele ri, e relaxa por um momento. "Não, eu suspeito que o segredo em si não esteja nem perto de tão suculento quanto o fato de ambos estarem totalmente convencidos que Aro, de fato, arrancaria os membros de Afton um por um se ele descobrisse a respeito. Disso eles estavam totalmente certos, e muito imaginativos a respeito também. Eu acredito neles".

"Isso é bom, certo?" Pergunto. "Se Chelsea se importa com o companheiro dela, afinal. Mas ela toca Aro o tempo todo, então ela obviamente não sabe nada a respeito, e você teria que descobrir o que ela vai fazer. Você conversou com Alice?"

"Sim, e é complicado." Ele fala. "É como uma pequena bomba cronometrada, e uma que pode ser tanto boa para nós, ou um completo desastre, dependendo de uma centena de minúsculos fatores. Os melhores cenários até agora são aqueles em que Chelsea descobre uma maneira em que não vai odiar Afton por isso e rejeitá-lo, mas, infelizmente, Afton continua se tremendo de medo na hora de contar ele mesmo para ela".

"E essa é a melhor maneira?" Eu pergunto. "Certamente você poderia convencê-lo disso".

"Eu poderia, se ela parasse de tentar entrar nas minhas calças." Ele diz, e me segura parada quando eu começo a me debater. "Eu não sou a pessoa favorita dele agora. Mmmm, eu amo quando você fica com ciúmes. Sua temperatura sobe pelo menos dois graus, sabia disso?"

"Seu nariz parece mais frio." Eu brigo. "E você poderia agir um pouco menos alegre quando me irritar desse jeito. Pensariam que alguém com o seu nível de ciúmes teria um pouco de compaixão".

Agora ele tem um ataque de risadas.

"Ai!" Eu grito quando me esqueço do que ele é e tento bater nele. "Ohooow. Não ria de mim, Edward! Que saco".

"Desculpe." Ele ri, segurando minha mão machucada contra o rosto dele. "Eu estava apenas rindo porque se você soubesse os pensamentos que eu leio o dia inteiro, você entenderia a minha dupla posição. Eu sei que não é justo, mas eu juro a você que é totalmente natural".

"Que seja." Resmungo quando o meu beicinho dá lugar a uma sensação de total relaxamento quando ele roça o nariz no meu pescoço e me abraça mais. "Isso é trapaça, você sabe disso. Só porque você pode me manipular e conhece onde estão todos os pontos doces, não quer dizer que você pode simplesmente-" Seus lábios nos meus me fazem esquecer o que deveria ser o resto da sentença.

Acho que Edward pode fazer o que diabo bem quiser enquanto continuar me beijando desse jeito.

"Já pensou num jeito de como vai querer abordar Aro a respeito desse concurso?" Ele pergunta depois de um tempo.

"Ele é quem diz que eu não sou agressiva o bastante." Eu digo, confusa. "Ele não me desafiou a tomar alguma iniciativa?"

"Você não tem prestado atenção?" Ele fala, balançando-me gentilmente. "Ele desafiou você a jogar o jogo favorito dele. Reclamar sobre sua falta de reclamações era apenas um meio de convidar você".

"Seu jogo favorito?" Eu pergunto. "Pensei que já estávamos brincando de Vamos Fazer umTrato. Isso não é o suficiente?"

"Isso é um jogo de longo-termo." Ele fala. "Ele estava aborrecido porque as tentativas dele de quebrar nossa jaula não estão funcionando. Então agora ele a convidou para jogar uma edição muito especial de Cara eu ganho, Coroa você perde".

Leva um segundo, mas eu entendo. "Um Ardil-22?"

*Ardil-22 (Catch-22): é um romance satírico-histórico do autor americano Joseph Heller, publicado originalmente em 1961. O romance gira em torno de Yossarian, um bombardeador de B-25 da Força Aérea Americana, enquanto ele e os demais membros do "256º Esquadrão" encontram-se baseados na ilha de Pianosa, na Itália. Devido a seu uso específico no livro, a frase "Ardil-22" passou a ter um significado idiomático para uma situação sem saída, uma armadilha. Mais informações em: http:/ pt. wikipedia. org/ wiki/ Catch-22 (retirar os espaços)

"Exatamente".

"Então, se eu tomar a iniciativa e fizer algo sem a permissão dele, ele vai me punir por ir contra o plano dele, mas se eu não tomar, ele vai continuar me acusando de ser entediante e indigna do tempo dele?"

"E ainda dizem que os humanos são lentos." Ele diz, beijando a minha bochecha. "Acho que a guarda inteira caiu nesse jogo num momento ou outro".

"Jogos, jogos, sempre jogos com ele. Ele vai algum dia parar de brincar com as pessoas?"

"Fique feliz que ele tenha música para ocupar a mente dele. Quando ele não está pensando sobre isso, ele está constantemente tramando o próximo movimento dele em centenas de pequenos dramas que tem fabricado. Isso nunca para".

"Espere, como você sabe disso? Achei que você não pudesse ler a mente de Aro".

"Acho que eu tenho um segredo valioso escondido." Ele sussurra, e seus olhos brilham com satisfação enquanto os meus arregalam com a implicação que ele possa ler a mente de Aro muito mais do que está deixando passar.

~oЖo~

"Edward, isso é tão… bom… não paro." Eu gemo, rolando de um enorme trevo da sorte.

Há trevos em torno de nós, não aqueles trevos pequenos que geralmente crescem no campo, mas gigantes com enormes folhas que parecem asas de borboletas. O cheiro dele e o verde ao nosso redor é totalmente intoxicante, e a visão de Edward em cima de mim com estrelas e uma enorme lua atrás dele apenas completa o encantamento.

"Oh, que sorte! Acho que esse aqui tem quatro folhas." Eu exclamo, embora na hora de examiná-lo, uma abelha voa direto para o meu nariz. Eu grito, surpresa e um pouco assustada.

A lua, as estrelas e o trevo brilhante se dissolvem na escuridão, mas Edward simplesmente se solidifica ainda mais, não mais dentro de mim, mas como uma sólida massa contra mim, mãos frias acariciando meu rosto e meus braços. Eu me viro para ele e me aconchego mais para descobrir que ele está usando nada além das suas calças caqui favoritas. Ele as usou tanto que a roupa ficou incrivelmente macia, e eu nunca consigo manter minhas mãos longe delas. Eu não tento agora, apenas esfrego meu nariz no peito dele e movo minhas mãos em círculos lentos e lânguidos sobre o tecido que cobre a sua bunda.

"Eu amo quando você faz sonhos sensuais se tornarem realidade." Eu sussurro na escuridão. "Como foi a caçada?"

O peito dele vibra contra o meu rosto numa risada suave e calma.

"Boa, creio eu. Eu amo quando você diz meu nome assim enquanto dorme." Ele sussurra de volta, passando a palma da mão na minha bunda e me erguendo um pouco antes de nos rolar até eu ficar deitada embaixo dele no colchão macio. "Embora o final tivesse um pouco de confusão. Você lembra o que aconteceu?"

"Bem, você estava em cima de mim, desse jeito, exceto, você sabe, com menos roupas e mais adiante no processo." Eu digo, constrangida demais para usar uma linguagem explícita.

"Você quer dizer que eu estava fodendo você?" Ele sussurra, voz baixa e sedosa, o ar da sua respiração fazendo cócegas no meu ouvido e pescoço.

"Oooh." Eu ofego, inacreditavelmente excitada. "Sim… isso".

"Conte-me." Ele exige, beijando minha orelha e pescoço enquanto uma das suas mãos desliza fria por baixo da minha camisola, varrendo minha pele num arco lânguido e provocativo.

"Você estava fo— fazendo isso." Eu estremeço, meu rosto inflamando e meu coração batendo violentamente. "E nós estávamos ao ar livre, em um trevo, e a lua atrás de você estava realmente enorme, e havia um trevo de quatro folhas, e uma abelha voou direto até mim".

"Abelhas de novo?" Ele murmura, divertido. "Já sabemos o que isso quer dizer. Por que você não me conta o que está acontecendo que a faz sonhar com abelhas de novo?"

"O que... ohh!... você quer... ah... dizer?" Eu pergunto, ligeiramente nervosa. "É realmente difícil me focar quando você faz isso, sabe".

"Quero dizer." Ele diz, continuando seu sensual assalto à minha habilidade de pensar, "Quero dizer, nós nos desviamos um pouco da nossa conversa anterior. Você ia me contar o que aconteceu depois da escola hoje".

"Eu ia?" Eu murmuro, intensamente distraída por um certo vampiro virando-me ligeiramente enquanto tira minha camisola com os dentes.

De alguma forma, mesmo na escuridão cheia de sombras, seus olhos permanecem fixos nos meus, e eu meio que sei por que alguns animais simplesmente olham para os leões quando eles atacam. Acho que Edward poderia enterrar seus dentes em mim, em vez de no tecido, nesse ponto e eu morreria como uma mulher feliz. É apenas agora que percebo a música tocando suavemente ao fundo. Mal consigo prestar atenção na instrumentação e na incrivelmente sedutora canção espiralando ao redor da música de um homem profundo, misterioso e incrivelmente sedutor, sua voz presa em algum lugar entre o rosnado e a poesia das suas palavras. Faz lembrar-me dos vampiros e seus estranhos ruídos de gato.

"É a caçada ou eu dormindo que deixa você animado?" Eu pergunto languidamente, apreciando o ar frio da noite na minha pele nua. "Não que eu esteja reclamando, porque… oh, de forma alguma".

"Bella." Ele insiste, pegando um dos meus pulsos e levando até o seu nariz, inalando profundamente. Ele beija o ponto onde qualquer um toma o pulso, suavemente, mas lentamente, até eu sentir nada mais que todas as pequenas partes de mim com os lábios dele me tocando. É uma quantidade cruelmente minúscula de pele, mas consigo sentir meu pulso ali como uma batida louca, como se todas as gotas de sangue do meu corpo quisessem estar lá, exatamente embaixo dos lábios dele.

Por que ele está indo tão devagar? E a música… parece como uma sedução, mas, quero dizer, agora ele já sabe, eu tenho certeza. Sua língua passa pelo meu pulso, seus olhos brilhando em determinação, e eu ofego. É quase embaraçoso.

"Sim?" Eu pergunto, embora eu não tenha certeza do que estou dizendo. Estendo minha outra mão para tocar seu rosto, talvez me puxar para ele para podemos acelerar um pouco mais, mas ele prende meu outro pulso com o primeiro e lentamente beija esse também.

"Bella." Ele sussurra, trazendo minhas mãos acima da minha cabeça enquanto se acomoda entre as minhas pernas.

"Você ainda está usando calças." Eu aponto solícita, pensando que ele possa ter simplesmente esquecido de tirá-las. Ele de alguma forma consegue pairar sobre mim, seu corpo tão perto do meu que consigo sentir a energia dele, o campo magnético dele fazendo-me tremer e me puxando em direção a ele. Arqueio minhas costas para tentar chegar mais perto, mas ele consegue resistir até eu ficar pronta para implorar. A única parte nua dele que me toca é uma das suas mãos mantendo meus pulsos presos num ponto no travesseiro acima de mim.

"Acho que você quer conversar sobre isso." Ele diz, deslizando o nariz pelos contornos da minha face até eu me sentir tonta de desejo. Inclino minha boca para a dele, e sinto sua resposta, num momento muito breve de paixão desencadeada antes de me afastar. "Não, Bella. Não até você me contar".

"Contar a você?" Eu ofego. Não consigo lembrar o que ele estava me perguntando. Algo sobre a escola.

"O que aconteceu com Demetri?" Ele murmura. "Eu preciso saber. Ele não se aproxima o bastante para eu ler a mente dele, e eu não consigo ler a sua. Isso está me deixando maluco, Bella".

"Maluco?" Pergunto estupidamente, ansiando por outro beijo. Nossos lábios se tocam, mas apenas rapidamente e é como uma porra de tortura pura. "Mas está tudo bem agora. Eu já ajeitei as coisas. Ele não vai mais me incomodar".

Ele para por um instante, mas depois se move de novo; desta vez o seu nariz desliza pela minha mandíbula até minha orelha, e eu começo a tremer.

"Edward, por favor. Por favor, eu preciso de você".

Ele se pressiona em mim, e não sinto apenas o tecido áspero das calças dele contra mim, mas também o óbvio excitamento dele moendo em mim. Trilhando suaves beijos ao longo do meu pescoço, ele me traz para perto, até eu sentir meu corpo inteiro tremendo e precisando um pouco mais de fricção – quando ele para de novo.

"Não pare agora, porra!" Eu grito em frustração, e ele arqueia uma sobrancelha, olhos curiosos. "Como você pode me provocar assim e ainda pensar em outras coisas?"

"Eu sou um vampiro, lidamos bem com múltiplas tarefas. Então, ele estava incomodando você?" Ele pergunta, correndo as pontas dos dedos da mão livre levemente pelo meu lado, fazendo uma série de circuitos altamente necessários pelos meus quadris e pelo caminho ao longo do meu joelho, panturrilha e finalmente tornozelo. Apenas tão delicadamente como fez com meus pulsos antes, ele pega meu tornozelo e o leva até sua boca também, beijando o caminho de lá até o joelho. O alongamento dos meus músculos beira ao desagradável até eu mexer meus quadris, movendo ligeiramente para enrolar minha outra perna na cintura dele. "Ele tem incomodado você, Bella?"

"Sim?" Pergunto tonta, olhando aquela a sua perfeita língua roçar contra a pele sensível atrás do meu joelho. Puta merda…

"Eu sei que ele não tem permissão de tocar em você a menos que seja uma emergência, ou a menos que você dê permissão, então qual dessas foi hoje?" Ele pergunta gentilmente quando descansa meu tornozelo em seu ombro, soltando minhas mãos e baixando sua outra mão, parando para gentilmente acariciar meus seios, provocando-os. "Conte-me".

"Umm... talvez eu deva ligar para Alice e ter certeza se está tudo bem." Eu me preocupo, em pânico. Um olhar de raiva aparece nos olhos dele, e eu imediatamente me arrependo de como isso saiu. "Mas eu acho que se ela não ligou para parar isto..."

E agora meu outro joelho está recebendo o tratamento, mas ele ainda está meio que me encarando, e suas calças estão tão evidentesagora porque apenas uma manobra e o menino mau estaria dentro de mim fazendo coisas muito, muito mágicas. Com certeza isso conta como necessidade.

"Na verdade, eu não acho que me importaria se ela dissesse que não está tudo bem." Deixo escapar, falando sério. "Quero dizer, quando ela me diz que eles arrancam seus membros e o jogam na fogueira como resultado de eu contando algo a você, é claro que eu não ousaria fazer isso, mas se você diz que não vai perder a calma, eu acredito totalmente em você, então, por favor, por favor,prometa-me que você não vai perder a calma, e depois prometa que vai tirar essas calças".

Agora ele está olhando para mim com algo parecendo um olhar sério e um sorriso, e ele beija meu tornozelo de novo, descansando-o em seu ombro enquanto ergue seus quadris ligeiramente. Uma das suas mãos linda e gloriosa vai até os malignos botões da sua calça e os desabotoa incrivelmente devagar. Sinto como se eu o estivesse animando. Ele deixa a calça ainda, mas elas ficam meio que incertamente pendendo ali nos quadris dele, como se o menor movimento pudesse fazê-las deslizar numa espetacular massa de tecido perto dos seus joelhos.

Por favor, deslizem. Vamos, calças, vamos.

Ele paira próximo, meus tornozelos fechando ao redor do seu pescoço enquanto ele se aproxima mais. Posso senti-lo forçando contra mim, a sua ponta fria encontrando a pele quente e lisa na forma mais promissora.

"Eu não poderia negar nem se eu tentasse, Bella." Ele diz, obviamente mentindo porque ele não está dentro de mim ainda. "Eu prometo, tudo. Não deixe isso ser um segredo entre nós hoje".

Talvez ele tenha razão. Segredos são ruins, certo?

"Bem, aquela moça do coro." Sussurro rapidamente. "Aquela que continua tentando, ela estava me perseguindo de novo. Acho que ela perdeu uma pessoa da família para os Volturi, ou algo do tipo. Ela tem uma boa ideia do que eles são, e estava quase para dizer exatamente isso no meio da escadaria da escola. Eu acho que Demetri a ouviu, porque ele estava simplesmente lá e estava pronto para sumir com ela, mas eu pedi para ele parar, e ele assim o fez, sob uma condição".

"Ele o quê?" Ele estala, afastando-se. "Bella, eles nunca param assim que alguém descobre. O que diabos você fez para pará-lo?"

As mãos dele estão agora no seu cabelo, seu rosto se contorcendo de raiva. Instintivamente, movo minhas pernas dos seus ombros para a sua cintura, e mudo meu peso para o seu colo.

"Você prometeu." Eu digo a ele, fechando meus olhos com força. "Além disso, não é tão ruim; ele só queria saber se o que você disse na festa era verdade e por que. Eu falei que ele era um monstro para mim e que sempre foi. Eu sei que ele entende isso agora, finalmente".

Ele fica mortalmente parado, e eu consigo praticamente sentir a raiva nele, mexendo-se como uma cobra mortal. Beijo o seu ombro e acaricio seu peito nu levemente, querendo que ele se acalme. Depois de um momento, ele me puxa para mais perto, enterrando seu rosto no meu pescoço.

"E ele quebrou uma lei Volturi apenas para saber isso?" Ele pergunta, balançando a cabeça. "Isso não faz sentido, Bella. Ele provavelmente faria você prometer qualquer outra coisa para salvar a vida daquela mulher. Por que ele ficaria satisfeito com isso?"

"Eu não sei, mas fiquei aliviada." Eu digo, não entendendo muito o sentido disso também, já que ele coloca a questão dessa forma. "Ele me avisou que ela provavelmente acabaria em perigo de qualquer forma, se não hoje, então muito em breve. Acho que ele só queria mesmo saber a verdade. Eu quereria, se fosse ele".

"Você não é ele." Ele diz, suavemente.

"Eu sei." Eu sussurro, puxando-me para perto dele. Apesar da raiva, ele está mesmo feliz em me ver. "Se eu fosse Demetri, eu não acho que você me deixaria fazer isto".

Eu me inclino lentamente para beijá-lo, dando-lhe tempo para responder, lentamente enrolando meus braços pelo seu pescoço. Ele franze a testa, sua boca respondendo à minha enquanto sua mente trabalha com possibilidades na velocidade vampírica. O interruptor em sua cabeça acende de novo e ele inclina minha cabeça para conseguir um ângulo melhor, seus lábios exigentes e língua forçando minha boca a abrir, suas mãos em todos os lugares de uma vez. Com um rosnado baixo e intenso, ele me empurra para baixo e traz meus tornozelos de volta para os seus ombros, e fodidamente para de novo.

"Eu já contei tudo a você!" Eu protesto. "Edward, por favor, você sabe muito bem que eu faria qualquer coisa que você quisesse".

"Ótimo." Ele murmura, posicionando-se bem na minha entrada. "Então não fale o nome dele de novo. Nunca mais".

Eu dou uma risada, mas ele rosna para mim. Não brincando, aparentemente.

Ele estreita os olhos e se enterra em mim em seguida, e eu grito de prazer e alívio. Nós nunca fizemos isso desse jeito, e a pressão é inacreditável. O desejo de fazer algo é impressionante, mas ele me tem efetivamente presa e à sua mercê, o que é um pouco irritante... mas incrivelmente excitante também, assim como o olhar dele.

Estou tão perto que não leva muito tempo antes de eu enrijecer com um grito estrangulado que parece durar para sempre enquanto seus quadris se chocam contra os meus, e nossos olhos permanecem presos um no outro. Algo mudou, e é profundo, vital, furioso e real. Seu prazer mal parece se conter, mas está claramente em cheque, exatamente até o momento de quebra, enquanto o meu continua por tanto tempo que eu fico preocupada que minha voz fique rouca.

Eu perco a conta, e quase também a consciência quando outra onda toma conta de mim, Edward aparentemente incontrolável, seu rosto determinado, quase como se ele me clamasse com cada investida.

Estendo a mão para tocar o rosto dele e ele fecha os lindos olhos, pressionando a face no meu toque.

"Edward." Eu murmuro, de novo e de novo entre as ondas de prazer. "Deixe-me... Deus, apenas… beije-me. Eu quero sentir você todo".

"Algum dia." Ele diz, movendo nossos corpos perfeitamente sem nunca quebrar a nossa conexão, até que sua boca esteja alinhada com a minha. "Depois que eu transformar você, vou levá-la para uma ilha onde possamos ficar sozinhos. E eu não vou parar, e não vou me conter mais".

"Você vai me morder então?" Eu pergunto, um estremecimento adicional correndo pela minha espinha. Seus olhos ficam realmente selvagens e ele olha para o meu pescoço, movendo-se mais rápido até que nós dois gritamos.

"Deus, Bella." Ele rosna, estremecendo contra mim, seus olhos fortemente fechados de prazer. "Não diga essas coisas até você estar transformada".

"Você gostou disso." Eu provoco, brincando com o cabelo dele num êxtase pós-coito. "Você realmente gostou disso".

"Eu quase gostei." Ele ri, tremendo. "Isso foi perto demais".

Agora que meu cérebro está voltando a funcionar, eu sei que deveria estar brava com ele, mas eu simplesmente não consigo me importar. Talvez mais tarde. Ou talvez eu o pressione, eu não sei. Inferno, se isso é o que eu recebo por ele se conter, eu não tenho certeza se é uma coisa ruim. Ainda assim, eu sei que não é legal ser manipulada com favores sexuais. É quente, mas não é… claramente meu cérebro ainda não voltou a funcionar. E eu não sei se todos os ossos do meu corpo não foram substituídos por gelatina também.

"Deus, eu amo você, Edward Cullen." Sussurro reverentemente no ouvido dele, selando isso com um beijinho. "Mas se me manipular desse jeito de novo, eu vou..."

Eu paro de falar, percebendo que não há muito que eu possa fazer com ele que não passe mais do que uma fraca ameaça.

"Você vai o quê?" Ele pergunta curiosamente, um sorriso tímido brincando nos seus lábios.

"Vou conspirar com Alice e pensar em alguma coisa." Eu aviso, bocejando.

"Okay, sua durona." Ele diz, sorrindo. "Mas, apenas para constar, eu não fiz nada precipitado, e isso valeu a pena".

"Valeu totalmente a pena." Eu suspiro, aninhando-me ainda mais, tentando não pensar nos três rostos sorridentes em frente à Torre Eiffel.


Nota da Ju:

Gostei dessa nova professora de canto e achei interessante a conversa de Bella com Demetri, será que agora ele vai deixá-la em paz? E Edward provocador é tudo de bom... kkkk

Desculpem pela demora em postar, ontem deu o maior vendaval aqui na cidade e fiquei sem energia aqui em casa.

Ah, queria agradecer à Renesmee Swan Cullen, que sozinha deixou mais de 350 reviews nessa fic! Que tal vc's seguirem o exemplo dela e deixarem muitas reviews tb?

Já sabem, pelo menos 12 reviews e o próximo cap. virá na segunda-feira.

Bjs,

Ju