A lei do amor

Kaline Bogard

Capítulo 34

— Eu não sei como você enxerga alguma coisa com esses óculos — Kiba falou para Shino, que vinha descendo as escadas depois de fechar tudo no andar de cima — Não fica muito escuro usar a noite?

— Já me acostumei — Shino afirmou parando ao lado de Kiba para ajeitar-lhe o cachecol de lã colorido — Está pronto?

— Eu nasci pronto! — o garoto quase irradiava de tanta felicidade. Era natal! Natal! Dia vinte e cinco de dezembro... e ele ia comemorar a data romântica saindo para jantar com o marido e alguns amigos — Vamos logo!

E já foi tomando a direção da porta, dando passos que começavam a ficar engraçados graças à barriga que denunciava a vigésima primeira semana de gestação.

— Não ria de mim, maldito — ainda resmungou antes de ganhar o ar frio da noite. Shino não estava rindo, claro. O que não impedia a diversão de fluir pelo vínculo.

Em poucos segundos Shino alcançava o outro e entrelaçava as mãos com alguma dificuldade, por causa dos dedos grossos de luva.

— Ah, mas que frio! — Kiba exclamou, o nariz ficando vermelho na mesma hora — A gente devia ter chamado eles para jantar lá em casa, assim eu não precisava nem sair.

— Podemos pensar nisso para o ano que vem...

— Não! Não me leve tão a sério. Claro que é ótimo sair um pouco de casa, nem se for pra congelar e virar picolé. Picolé de Kiba é a melhor sobremesa de Konoha.

— É...?

— Concorde, caralho. Você é o único que tem que gostar dessa sobremesa e não pode reclamar!

— Não estou reclamando.

— Hunf. Por falar em reclamar... será que o pessoal já chegou no restaurante? Espero que ninguém tenha pedido lamen. Eu sei que não passo mais tão mal, mas tenho certeza que vou enjoar hoje se sentir o cheiro. To sentindo tipo uma intuição no miolo dos meus ossos!

A rua estava cheia de gente. O feriado era popular entre casais, que não desanimavam nem frente ao frio avassalador. Eram duplas para todos os lados, tanto romance no ar, na decoração, na chance de festejar pela primeira vez depois do final da guerra... comemorar a vitória e celebrar a alegria daqueles que sobreviveram para continuar a história. Carregando a tristeza da perda, sim. Mas também os desejos e esperanças dos que partiram mais cedo.

Kiba continuava com seu falatório desregrado, quando sentiu que Shino parou de avançar. Houve um aperto tenso em seus dedos que o surpreendeu.

— Shino...? — indagou olhando para cima, apenas para flagrar seu companheiro com o rosto congelado em uma expressão sombria.

Desviou os olhos para frente e descobriu o que causara a reação alerta em Shino. Levou um baque inesperado.

— Oh! — viu-se frente a frente com Shikamaru, parado na calçada com as mãos nos bolsos, obrigando as pessoas a desviarem dele para não colidir. De um jeito inconsciente, deu um passo para o lado, meio escondendo-se atrás de Shino. Em uma situação normal, Kiba faria qualquer coisa por um confronto, chegaria a ponto de provocar, independente de quem era o inimigo. Mas agora, ainda que o chamassem de covarde, preferia evitar qualquer coisa que colocasse em risco seu bebê.

Os três ficaram se encarando em meio ao fluxo de pedestres alheios ao clima ruim. Era a primeira vez que se encontravam na verdade, desde os trágicos acontecimentos. Shino não sabia a que ponto Shikamaru estava envolvido com os estratagemas de Ino, ou sequer se ele participara de algum jeito. Se estava em liberdade, significava que era inocente, não? E se ele soubesse, teria avisado aos colegas de academia? Ou ele simplesmente seria conivente com Ino? Shikamaru parecia um sujeito decente, porém a guerra tem o efeito de mudar as pessoas, tanto para melhor quanto para pior. Talvez aquele cara parado ali na frente deles não fosse mais o que conheciam. Como ter certeza?

Pois Shikamaru rompeu a inercia primeiro. Ele entreabriu os lábios como se para dizer alguma coisa. Desistiu, ao invés disso coçando a nuca com desanimo. Reparando bem, a figura dele deva a impressão de... derrota. Até as costas iam meio inclinadas, como se carregassem um grande peso.

Ao invés de insistir em começar um diálogo, apenas seguiu em frente, passando por Shino e Kiba sem cumprimentá-los. Sussurrando tão somente um "vida problemática" enquanto seguia caminho para longe dali.

— Caralho, Shino. Que merda isso, hum?

Shino, que estava observando o antigo colega se afastar, olhou para baixo, só então se dando conta do Ômega agarrado na manga do seu casaco. Aquilo mandou a tensão para longe, enquanto o coração se aquecia de ternura.

— Tudo bem ai?

— Sim, tudo sim — Kiba respondeu se afastando um pouco — Se acabasse em briga você ia ter que se virar sozinho, marido.

Shino anuiu. Se acabasse em briga não permitiria que Kiba participasse nem se ele quisesse, óbvio.

Após o momento de tensão, retomaram a direção do restaurante. O dono, velho conhecido que se tornara amigo do casal na época mais intensa dos desejos noturnos por takoyaki, já os esperava.

— Boa noite! Guardei o reservado maior para vocês e seus amigos. Já tem alguns esperando.

— Obrigado — Shino agradeceu.

Quando entraram no espaço privativo na parte interior do restaurante, encontraram Naruto e Sasuke sentados lado a lado, de frente para Hinata. A menina parecia envergonhada, sem muita coragem de olhar para a antiga paixão. Naruto interrompeu a tagalerice para dar as boas vindas ao casal recém chegado.

— Yo, caras! — ele acenou — Já pedimos para começar a refeição, cuidado que está esquentado — Naruto apontou a chapa onde fariam o okonomiaky.

— Ah, aqui esta quentinho — Kiba gracejou, sentando-se ao lado de Hinata, para ficar entre a amiga e o companheiro. Já foi tirando as luvas e o cachecol — Boa noite! Chouji não veio?

— Hn — ela respondeu corando — S-surgiu uma missão.

— Ah, que pena — Kiba lamentou por ela. Justo no primeiro natal deles como um casal — Você tá maior do que eu!

Ele referiu-se a barriga da garota, bem mais redonda e pronunciada, apesar dela ter menos tempo de gestação. Hinata sorriu com aquela meiguice que lhe era caracteristica e acariciou a barriga sob o vestido de lã com as duas mãos.

— Vai ser um meninão.

— Já sabem o sexo? — Shino perguntou.

— Ainda não. É palpite de mãe.

— Você tem algum palpite, Kiba? — Naruto perguntou.

Enquanto Shino tocava o sinal para chamar o atendente, Kiba levou a mão ao queixo e assumiu um ar analítico.

— Já pensei nisso algumas vezes. Minha intuição diz que é menina. Minha mãe acha que é menino. E o besta do Shino faz a boa vizinhança com "o que vier tá bom", aff.

Naruto inclinou-se com cuidado sobre a chapa aquecida, e cochichou:

— Os em cima do muro são os piores.

Kiba inclinou-se também, um tanto mais desajeitado por causa da barriga:

— Se são! Não tenho paciência. Ei, esse azedo do seu marido resolveu vir?

Naruto deu uma risadinha e uma breve olhada de esguelha para o parceiro:

— Lembra aquele dia que ele foi me buscar na sua casa? Então, ele sentiu a sua coisa de Ômega mais forte do que nunca e adorou, mas não vai admi... ITTAI! OEEEE!

Naruto gemeu alto quando levou um cascudo, e quase perdeu o equilibro de susto! Recuperou-se a custo, dando uma risada escandalosa.

— Cale a boca! — Sasuke grunhiu com cara de quem queria estar em qualquer lugar menos ali. Embora a postura já não enganasse tanto quanto antes.

— He, he — a risadinha de Naruto mostrou como ele gostava de provocar o outro. Um masoquista.

Nesse momento o atendente bateu na porta e abriu uma fresta. Shino pediu suco de tomate para Kiba e Hinata, conhecendo bem a preferência de ambos. Para os demais pediu sake quente.

— A-admito que isso é bem agradável, Kiba kun — Hinata afirmou encolhendo-se um pouco. A influencia Omega de Kiba já não era mais tão contundente, pois as feridas da guerra e toda a dor estavam sendo vencidas. Mas ainda havia algo no ar que deixava a presença dele acalentadora. Algo similar ao que as crianças sentiam na presença de Iruka sensei na época do colégio e, provavelmente, acompanharia o garoto pelo resto da vida, como sua marca registrada.

Kiba estufou na medida em que seu ego inflou. Adorava ouvir o quanto era querido e bem-vindo.

— Se precisar de mais disso é só ir lá em casa.

— Obrigada.

Novas batidas na porta interromperam a interação. Dessa vez para a passagem de Sakura e Rock Lee.

— Boa noite, pessoal — Lee acenou.

— SASUKE KUN! Hinata! Shino Kun! Boa noite! Ah, olá para a dupla de idiotas também. Feliz natal!

— Sakura chan! — Naruto respondeu alegrinho. Alguns hábitos não se perdia fácil — FELIZ NATAL!

— EI! — Kiba não gostou da ofensa — Feliz natal, gorda.

— OE! Gorda é a tua mãe, cara de cachorro — Sakura devolveu a provocação, um tanto ofegante. Era de longe a mais redonda entre os gestantes. Sentou-se ao lado de Naruto, em frente ao marido que acomodou-se ao lado de Shino.

O atendente bateu na porta e entrou, para entregar as bebidas, inclusive do casal que acabara de chegar e fizera o pedido antes de adentrar o reservado. Sake quente para Shino, Naruto e Sasuke; suco de tomate para Kiba e Hinata, chá de pêssego para Sakura e uma mistura verde densa com aspecto horrível para Rock Lee. O grupo aproveitou para pedir o okonomiaky. Quando ele chegou, Naruto tratou de tomar conta da chapa, assistido de perto por Kiba, que parecia o mais faminto de todos.

— Ne — Uzumaki falou, mexendo a espátula com agilidade — Só eu que acho bizarro vocês três engravidarem quase ao mesmo tempo? Foi combinado os três virarem bolas?

— IDIOTA! Combinado nada — Sakura respondeu, tirando o cachecol e entregando para o marido. Começava a sentir calor na sala fechada com a chapa ligada — É culpa daquele vira-latas ali.

Kiba, que vigiava o okonomiaky com atenção predatória, notou que todos o olhavam fixamente, descobrindo-se alvo da acusação de Sakura (como se houvesse outro vira-latas ali, enfim...). Apontou para si mesmo meio chocado.

— Eu? Culpa minha?!

— Hn. Tenho interesse na área medicinal e comecei a fazer estagio com Tsunade sama. Ela é realmente obcecada em estudar Ômegas. Nós descobrimos que em algumas situações pode ocorrer alinhamento da fertilidade. Tipo o que acontece com o ciclo menstrual em um grupo de mulheres — ela informou, mas sobre a última parte só Hinata parecia saber do que estava falando — Machos, aff. Quando um grupo de fêmeas começa a conviver, a menstruação delas pode se alinhar e acontecer quase em simultâneo para todas.

— A-a... Ten Ten também está grávida — Hinata falou baixinho.

— E ela não é a única. Como nosso vilarejo precisa ser renovado, a influencia dos Ômegas é pontual e facilitou para os casais. Não é culpa do Kiba sozinho, claro. Mas de todos os Ômegas de Konoha.

— Como sou foda! — Kiba ignorou lindamente a parte final, prestando atenção só no que acariciava seu ego.

— Obrigado, Inuzuka kun. As suas chamas contagiaram a todos! — Rock Lee fez um gesto de joia para o rapaz. Impossível parecer mais feliz com o sorriso brilhante.

— Pode me chamar de Kiba — o garoto sorriu cheio de dentes. A-ma-va ser o centro das atenções. Em seguida partiu um pedaço do okonomiaky com o par de hashi e soprou antes de levar até os lábios de Shino — Come aqui, marido. Vê se ta bom...

— Kiba! — Naruto gargalhou — Não sabia que tinha esse lado...

— Que lado?! — Kiba franziu as sobrancelhas.

Ao invés de responder, Naruto virou-se para Sasuke com a boca aberta:

— Você podia me tratar assim também, "marido".

— Nem nos seus sonhos, maldito — Sasuke não deu a menor importância para o pedido, bebericando seu saque quente. O ar distraído de quem sente uma coisa boa (e nunca vai admitir), claramente usufruindo a "coisa de Ômega" que a todos encantava.

— Naruto, você é um besta! — Kiba rebateu.

— Porque você não trata o Sasuke assim? — Shino sugeriu, depois de engolir a porção de okonomiaky.

— Tá louco, Shino? Se eu tentar ele me mata a dentadas — e Naruto riu escandaloso.

— Naruto! Não seja grosseiro com o Sasuke kun! Desse jeito ele não vai ficar a vontade com a gente! — Sakura ralhou antes de aceitar o par de hashi que Rock Lee separou para ela.

— Fica nada — Naruto respondeu confiante. Conhecia bem seu parceiro, se Sasuke não quisesse nem estaria ali.

Então ela ignorou o colega e comentou olhando de Shino para Kiba:

— Concordo em uma coisa: são um casal muito fofo.

— Não sei se "fofo" é a melhor palavra pra gente — Kiba respondeu com o péssimo habito de falar com a boca cheia— Mas a gente não vai se separar depois dos dois anos. Resolvemos investir na relação, né, Shino? — e levou novo pedaço de okonomiaky para os lábios do Alpha.

— Hn — foi tudo o que Shino conseguiu responder, antes de aceitar a oferta.

— Lee e eu vamos dar uma chance ao vinculo também — Sakura informou — As coisas tem dado bem certo entre a gente.

— Chouji e eu também — Hinata contou sem olhar para ninguém em especial.

— Não me surpreende! — Sakura acabou pegando um pouco de comida. O cheiro estava ótimo — Minha mãe disse que os antigos chamavam a Marriage Law de "Lei do Amor", porque ela une pessoas que normalmente não ficariam juntas e alguns vínculos passam de temporários para definitivos.

— Caralho! Faz sentido, se não fosse a lei eu ia demorar muito mais para crescer e entender meus sentimentos. Ia perder um tempão, porque eu sou muito lerdo pra essas coisas — Kiba resmungou.

— Tenho muita sorte — Rock Lee deu um gole na gororoba verde — Me sinto afortunado pelo "sim" de Sakura san até hoje.

— Ah, não! — Sakura resmungou — Esse okonomiaky desceu mal, já to sentindo um começo de azia. E a minha bebê já reclamou. Ela tem uma personalidade forte... e adora quando eu converso com ela. Passo horas falando e falando. Me sinto meio boba. Alguém mais é assim?

A pergunta abalou Kiba, e Shino percebeu. Ele relutou um pouco em mudar o assunto ou interferir, já que falar sobre os medos ajudava a dissipá-los. Talvez a oportunidade estivesse se apresentando. E Kiba pareceu aceita-la inconscientemente:

— Eu... eu não consigo conversar com meu bebê. É estranho isso? — olhou ao redor esperando algum tipo de julgamento — Só... tenho medo e meu coração aperta. Como se algo ruim foi acontecer. Não sei explicar... é o que eu sinto. É muito errado? — perguntou virando-se diretamente para Shino, com os olhos marejados, em busca da resposta da única pessoa que importava.

Foi Hinata quem respondeu, tomando uma das mãos de Kiba entre as suas, requisitando-lhe a atenção.

— Claro que não, Kiba kun. Eu também sou péssima em falar as coisas, até com meu bebê — Hinata garantiu com atípicas palavras convictas, um tanto encolhida de vergonha — Comunicação não é só verbal. Você pode demonstrar amor com gestos e outros cuidados.

— Aposto que seu bebê vai nascer com uma personalidade mais séria — Sakura ajudou a consola-lo — Se prepara para ter dois Shinos na sua vida. O Lee também não é de conversar com a minha barriga.

Rock Lee deu de ombros:

— Minhas chamas são muito intensas, tenho medo de queimar nosso filhote — ele gracejou falando muito a sério. Ganhou giradas de olho e risadas por sua afirmativa.

De qualquer forma a tensão abandonou o ambiente e Kiba se acalmou com as palavras gentis. Shino sentiu pelo vínculo e percebeu que deixar a conversa fluir foi a melhor opção. Cada vez mais dissipavam o terror do que passaram, mas perder um filhote não é algo que se supera da noite para o dia. Eventualmente captava pedacinhos de pânico vindos de seu companheiro, ainda que não quisesse pressiona-lo para falar sobre o assunto. Shino era reservado, pouco invasivo. Acreditava que dar espaço e respeitar o tempo individual seria sempre a melhor opção. Cada um possuía um momento certo para se abrir e expor o que sente. Dali em diante sabia que seria muito mais fácil para Kiba tratar daquele medo. A primeira vez era a mais complica, as demais saiam naturalmente.

— Eu converso com o meu bebê — Naruto se meteu na conversa. Então se virou pro Sasuke e disparou afinando a voz: — Não, é? Bebezinho fofo do Naruto...

Sasuke eriçou-se todo. Por um instante macabro todos acharam que ele ia lançar um jutsu de alto nível contra o rapaz, mas Sakura foi mais rápida. Grudou na orelha dele e deu-lhe um puxão dolorido.

— QUE JEITO RETARDADO DE TRATAR O SASUKE KUN É ESSE?!

Enquanto Sakura retomava a discussão com Naruto, Rock Lee iniciava um monologo animado com Shino, sobre as próximas missões que os grupos de ambos receberiam. Kiba repirou fundo, se acalmando, tentando acompanhar as interações assim como Hinata, quietinha no canto, ocasionalmente deslizando a mão pela barriga volumosa. Tão quietinha quanto Sasuke ficou, ainda digerindo a cena besta de seu companheiro. Onde estava com a cabeça para se apaixonar por aquele cara? Dúvida que as vezes passava por sua cabeça.

Era a primeira vez que se reuniam no natal, shifters tão diferentes entre si. Com toda a certeza do mundo não seria a última. O tempo provaria a força dos laços de amizade, alguns deles unidos graças a imposição da lei, conquanto continuassem depois por livre e espontânea vontade.

A festinha de Natal foi longe, até o restaurante fechar. Momento em que Naruto foi embora meio carregado por Sasuke, de tão bêbado. Sakura e Rock Lee se prontificaram a acompanhar Hinata até a casa dela, para que a menina não fosse embora sozinha.

Shino e Kiba seguiram para a casa deles de mãos dadas, com Kiba cantarolando uma canção de natal oversea. Tão desafinado que dava alguns arrepios engraçados no Alpha e não arrepios naquele sentido tão bom...

— Oh, olha — Kiba parou de andar a certo ponto, virando a palma da outra mão para cima. Vibrou ao ver um floquinho cair sobre a luva — NEVE!

Ergueu a cabeça de leve, assistindo enquanto muitos e muitos pontinhos brancos despencavam do céu para agraciar a terra com seu toque gelado. O exato oposto do calor que abraçou o peito de Shino, assistindo seu Ômega rir de felicidade pelo floco pequenino que sumiu na lã da luva sem grandes efeitos.

— Feliz natal, Kiba.

— Feliz natal, marido!

Verdadeiramente, um feriado agraciado.