Capítulo 33 - O Fim
Claudia´s POV
Quando os vi sem Miguel, percebi que era uma cilada. Provavelmente os dois que ele perseguia tinham fugido, tal qual o irmão de Moory, se encontraram e agora estavam sedentos de vingança pela chacina feita com seu bando. Formidável.
Sem reação, só fui pensar em fugir quando já estava cercada.
"Achou que eu deixaria passar o que fez com meu bando, sanguessuga?", o maior começou "Pois achou errado. Por sorte, você demonstrou ontem à noite ter uma ligação forte com aquela aberração que atende pelo nome de Mary e..."
Apontei o dedo na cara dele. "Pense duas vezes antes de falar de Moory, seu vira-latas!"
Um dos outros dois torceu meus braços atrás de mim e me imobilizou. O outro, um pouco menor, já não me cercava mais. Éramos só o alpha, eu e o lobo que me prendia.
"Pense você antes de falar qualquer coisa.", ele pratiucamente cuspiu na minha cara "Você fede, não sei como Mary agüenta ficar 24 horas a seu lado."
"Oh, pelo amor de Deus, nós todos aqui sabemos que o fedor a carniça aqui presente vem de você.", debochei "Mas eu me pergunto realmente como ela conseguiu viver dezesseis anos ao seu lado, com esse cheiro de podre que você tem."
O lobo que me segurava me jogou no chão e pisou em cima de minhas costas, para que eu não fugisse. Pude ver o outro lobo, pela minha visão periférica, voltando com galhos e preparando uma fogueira. Uma sensação ruim tomou conta de meu corpo. Aquela fogueira era pra mim.
"Por um acaso do destino, a outra aberração, Miguel, perdeu o celular, o que foi ótimo pra mim. Bom, não consegui matar minha queridíssima irmãzinha, mas como ela a ama como uma irmãzinha de verdade, você vai no lugar dela, não é legal?", o cínico ria da minha cara "Ivo está cuidando de disfarçar seu fedor para que ninguém a ache, o que será difícil quando notarem uma cortina de fumaça fedendo a sanguessuga, mas aí já vai ser tarde demais."
"Vá para o inferno, seu desgraçado.", consegui falar mesmo com a boca virada para a terra, um pé enorme em minha cabeça e outro em minhas costas "Você pode fazer qualquer coisa contra mim, mas nunca irá tocar em nenhum dos meus!"
O monstro gargalhou alto. "É o que veremos, seu verminho parasito e loiro. Ou melhor, é o que eu vou ver, já que até lá você estará morta."
Tentei falar, mas o pé que estava em minha cabeça fez mais pressão, fazendo a terra entrar por minha boca aberta. Senti a a diferença de peso e textura quando o pé se transformou em uma pata imensa e peluda de um lobisomem, e logo todos os três estavam em volta de mim, tocando meu corpo de um jeito profissional, quase como se estivessem colocando o lixo para fora. Rosnados eram ouvidos algumas vezes. De mim, nem um som.
Quando consegui erguer minha cabeça novamente, vi que um dos lobisomens levava algo para a fogueira já montada. O pânico me inundou no momento em que percebi que era metade do meu braço esquerdo.
Os preparativos para minha morte haviam começado.
Henri's POV
Caled havia me dado uma quantidade enorme de sedativos potentes para que eu dormisse e não sentisse nenhuma dor, mas a única coisa que os remédios fizeram foi me impossibilitar de abrir a boca para gritar e de mover meu corpo. Porque, de resto, eu sabia de tudo o que acontecia ao meu redor, e o fogo se apoderara de mim de um jeito insuportável.
Então, duas horas, trinta e sete minutos e dezesseis segundos depois do celular de Claudia apitar e dela prometer mais uma vez voltar para mim antes de sair correndo, eu abri meus olhos e meu coração já não batia, mas não era isso o que me importava. Eu queria sangue.
Koko, Einar, Caled, Claudius e Tance me seguraram enquanto Blanche sorria. O quarto estava lotado de lobisomens e seu cheiro desagradável. Pude escutar em um outro cômodo a conversa entre Sam e Moory claramente, a voz dela um pouco estranha e sua respiração descompassada e ofegante.
"Ora, ora. Não é que ficou a cara de Henri?!", Blanche continuou sorrindo "Seja bem vindo à sua nova vida, querido! É uma pena que Claudia não esteja aqui para te ver agora, mas ela ficará encantada ao te ver!"
"Onde ela está?", falei rápido e com uma voz que eu nunca imaginaria ser minha.
Quem respondeu foi Einar, que ainda me segurava. "Foi atrás de um anel que perdeu, um que você deu á ela."
"Eu nunca dei um anel à ela.", falei prontamente.
Todos estavam tão surpresos quanto eu, mas ouvimos passos subindo as escadas e segundos depois Miguel, o armário brasileiro, entrava no quarto superlotado. Ao me ver, ele meneou a cabeça, me cumprimentando. Retribuí do mesmo modo.
"Os dois fugiram de mim.", reclamou, parecendo realmente aborrecido.
O espanto fez os cantos da boca de Blanche caírem, e ela deixou escapar um suspiro aterrorizado, fazendo com que todos a olhassem. "Vocês não percebem?", murmurou "Eles emboscaram Claudia, meu Deus!"
Foi tudo rápido demais. Lobisomens e vampiros saíram de casa juntos para procurar Claudia, e o sol já estava se pondo. De início, queriam me deixar sob a guarda de Sam, que já tinha que ficar de olho em Moory, que por algum motivo que eu desconhecia, estava de cama. Depois de eu urrar que não deixaria Claudia sem a minha ajuda, eles formaram uma escolta em volta de mim até o bhosque, para que eu não atacasse nenhum humano no caminho, e eu fui junto. Por sorte, Caled gostou de minha companhia, argumentando que eu seria de grande valia, já que era um recém nascido e, por isso, mais forte que qualquer vampiro ali. Nem preciso dizer que meu ego foi às alturas com aquele comentário de meu 'cunhado'.
Ao chegarmos no bosque, Miguel falou comigo, aparentemente deixando o rancor de lado, e me explicou o que havia acontecido enquanto eu passava pela transformação. Uma raiva imensa brotou dentro de mim, e me pus a correr o máximo que pude quando senti o cheiro dela, mal disfarçado pelo cheiro de lobisomens. Chegue ao local milésimos de segundos antes de Claudius e Miguel, já em sua forma de lobo, assim como todos os brasileiros, que chegaram mais ou menos ao mesmo tempo que os vampiros restantes.
Coloquei-me em posição de ataque e pulei sobre o maior lobo escuro que estava na clareira, sendo acompanhado por Miguel, Caled, Blanche e mais três brasileiros, e, juntos, transformamos o desgraçado em um monte de pêlos, carne e sangue fedorento, e o mesmo foi feito pelos outros com os dois que restavam.
No final, minha atenção foi desviada para uma fogueira de fumaça estranhamente clara. Não entendi o motivo dos urros e lamentos doloridos dos Oleander, da tristeza estampada no rosto de Claudius, do motivo que fez Constance esconder seu rosto no peito dele, nem do silêncio dos lobos, tampouco da fúria que se apossara de Miguel de tal modo que ele derrubara duas árvores e chutava agora o que restava dos três cadáveres de lobisomens disformes. Meu desentendimento durou poucos segundos, até eu chegar perto da fogueira de perfume particular. Ao olhar entre as chamas, pouco antes de todo o seu conteúdo se transformar em cinzas, vislumbrei uma mecha de fios dourados que eu conhecia muito bem.
O horror e a dor da compreensão me atingiram como um míssil, fragmentando meu coração e minha alma em pedaços desesperados e uma tristeza que eu nunca sentira antes, que eu nunca imaginara ser capaz de sentir.
Não havia chão, céu, árvores, vampiros ou lobisomens ao meu redor. Minha vida estava amaldiçoada. Não havia motivo para viver. Nada mais me prenderia à existência de vampiro na qual eu havia entrado por ela, para ela. Eu havia morrido. Meu mundo estava acabado.
Claudia estava morta.
Moory's POV
Nunca os anos se passaram tão lentamente. Cada cicatriz, do corpo e da alma, ainda não estavam completamente curadas, e pareciam nunca sarar.
Eu soube da morte dela no exato instante em que deixou de existir, e me agarrei com todas as forças àquele que era o meu porto seguro, e que seria o único que poderia me dar o conforto que eu precisava.
Senti que estava sozinha em minha cabeça novamente, mesmo sem poder escutá-la, sabia que não teria mais ninguém com quem dividir pensamentos e angústias, dúvidas e incertezas, ninguém parar ler a minha alma, ninguém me conhecesse tão bem quanto eu mesma. Nada de conversas e brigas mentais. Havia acabado.
Foi duro para todos nós. No começo, as palavras faltavam, não havia inspiração ara nenhuma conversa. Tudo lembrava ela, em seus mínimos detalhes. Principalmente para Henri. A morte de Claudia o havia destroçado de um jeito inimaginável. Ele passava de apático e imóvel para enfurecido, assassino e suicida em questão de segundos, e logo depois desatava a soluçar como um bebê, agarrado às fotos dela. Foram precisos cinco anos trancado dentro do porão de nossa casa na Sibéria (o lugar mais longe das pessoas que encontramos) até que ele se lembrasse que ela havia prometido voltar para ele. Miguel foi avisado prontamente, deixou seu bando no Brasil aos cuidados de Chantal e veio com Bernardo, o filho pré-adolescente de Bela e Guto,e que, aparentemente, era o seu 'bando'. Ver aqueles dois me doeu mais do que eu imaginava. A ligação deles me fazia lembrar a minha relação com Claudia, e eu sofri sozinha por mais algum tempo até que acostumasse com tamanha coincidência diariamente. Por incrível que pareça, o remédio que Guel arrumou para se distrair da perda de Claudia, que o fez ficar desolado e monossilábico por anos (dados tirados de Chant e Bel em uma conversa fofa entre amigas), foi pegar outras garotas, como se procurasse nelas a Claudia de outrora. Inexplicavelmente, cada uma tinha alguma coisa a ver com Clau, mas eu não ousava me pronunciar. Mesmo com uma nova esperança, as cicatrizes podiam se abrir a qualquer momento. Pra tudo ficar perfeito, só falta ela. Estamos rodando o mundo, nômades, em busca dela. Claudia vai voltar. Ela jurou. E é isso que nos mantém unidos e nos dá energia pra viver. Um dia, ela estará novamente entre nós.
Sua morte não foi o fim. Era apenas necessária para um novo começo.
FIM
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Ela renasce. Peculiar. Única. Fora dos padrões. Carrega dentro de si uma forte vampira, e uma vida da qual não se lembra. Quando seu passado desconhecido bater à porta, o que irá fazer?
Vem aí Recomeçar.
Porque Claudia Oleander sempre cumpre suas promessas. Mesmo que para isso seja necessário começar tudo de novo.
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N/A – Heeeeeeeeeeeeeeeeeey!
ACABOU! ACABOU, vey, Renascer agora acabooou! Tudo bem que aí vem recomeçar, mas é um novo ciclo, não?
Não era o fim que ninguém esperava (pelo menos eu acho, a não ser que tenham lido minha mente ou estorquido a Fêr e a Iêeh, que, creio eu, ninguém aqui conhece e eram as únicas que sabia do fim), mas não me matem, porque vai ter continuação e vai ser bem legalzinha, prometo :D
Não vou responder reviews, acho que esse cap já encerrou as dúvidas, só aviso pra Chant que o meu e-mail é o mesmo do MSN e que o endereço é tosco porq eu o fiz qdo eu tinha nove anos e tenho uma preguiça imensa de mudar, dá mto trabalho. Husauhuash'
Deixem a opinião de vcs, acho que semana que vem Recomeçar ta aqui.
Chant, essa semana preciso da sua ajuda absurdamente, quero ter o álbum de Recomeçar pronto antes de postar, entra no MSN pra me ajudar? T.T
Amo vcs, mesmo. Me fizeram muito feliz.
E agora vamo lá que não acabou, só vai começar novamente!
Salut!
