Como prometido... ai está mais um capítulo de MDP para vocês! ^.^
Comentários e mais, no final do capítulo.
Beijokas e boa leitura.
Marcas de um pecado
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Sayonara
\Capítulo Trinta e Seis\
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Dia 01...
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Miroku saiu de seu quarto no castelo do Senhor da cidade de Kiseki e apoiou-se no batente da parede de contenção podendo ter a vista quase que total da pequena cidade. Ergueu a cabeça e olhou para o céu cinzento. O sol brilhava timidamente por entre as nuvens escuras, que derramavam a chuva sobre eles de forma piedosa e fraca. Chuva que havia impedido os moradores trabalharem na reconstrução do que havia sido destruído.
Mais adiante, ele pode ver a cabana onde Aya havia sido trancada e que era protegida por uma barreira. Inuyasha se encontrava sentado e encostado a porta. Seus olhos fechados e seus braços cruzados ao redor do peito, sustentando firmemente a espada, numa pose que poderia facilmente fazer alguns pensarem que ele estava dormindo. Mas, Miroku sabia que ele estava acordado, e totalmente concentrado em Aya.
Suspirou. Quase sentia-se comovido por causa do triste destino que Inuyasha estava planejando para ela. Se o Herdeiro de Batsu não iria matá-la, como qualquer outro em seu lugar teria feito, então a punição dela seria em demasia severa.
Abaixou a cabeça, e estreitou os olhos. Dali, podia ver Sango sentada num banco - protegida pela cobertura de uma das casas - conversando com Kiseki. E pelo que podia notar, o filho do Senhor estava bastante ansioso e tentava criar contato corporal entre eles a cada momento que passava. E, antes que pudesse se conter, estava descendo as escadarias para ir de encontro a eles.
# Bom dia! – ele disse, forjando seu melhor sorriso, enquanto parava diante de Sango e Kiseki, ignorando as gotas que batiam em suas costas.
# Bom dia! – Kiseki responde de forma educada, antes de se virar para Sango e segurar as mãos dela entre as suas. – Voltaremos a nos falar mais tarde, Sango-sama. – levou a mão dela aos lábios, beijando-a. – Até mais.
# Até mais! – Sango disse em tom baixo, e Kiseki se levantou. Seu olhar sendo dirigido seriamente para Miroku, enquanto puxava a capa de chuva sobre a cabeça e se afastava em direção ao grupo de crianças que brincavam sentadas em um local coberto. – Espero que não tenha levantado de mau humor. – Sango falou enquanto Miroku se sentava no lugar de Kiseki. Seus olhos estavam voltados para frente, como se quisesse ignorá-lo.
# Não! – Miroku disse em tom leve, achando melhor não iniciar uma discussão com ela. – Mas eu não gosto desse tal de Kiseki. – acrescentou, recebendo um olhar irritado dela. – O que? Tenho direito de não gostar dele, não tenho?
# Ao menos tem uma explicação lógica para isso? – questionou, apoiando os cotovelos na perna e olhando para frente. – Não se pode detestar alguém só por detestar. – voltou os olhos, seriamente para ele.
Miroku não respondeu sua pergunta de imediato. Seus olhares se cruzaram e permaneceram fixos um no outro, por um longo período de tempo, como se um tentasse ler o que o outro escondia. Ou simplesmente se desafiassem.
O Houshi, de fato, não sabia o que responder. E, enquanto, sentia-se ser hipnotizado pelos olhos de Sango, ficou a se questionar, se sentiria a mesma raiva por Kiseki, se ele jamais tivesse pousado seu olhar na Exterminadora. Apenas para descobrir que a resposta para isso era negativa. Não gostava de Kiseki por que o considerava uma ameaça. Por ele poder ser para Sango um homem com quem ela pudesse se casar, e que pudesse dar a ela tudo o que ela queria e merecia.
# Humpf… Ele tem cara de ser aproveitador. – cuspiu, desviando os olhos logo em seguida. – Tem cara de que gosta de ficar por ai dando em cima de moças indefesas.
# Não acha que este é um defeito seu? – Sango rebateu com uma sobrancelha erguida. – E eu não sou e nem nunca fui uma moça indefesa. Você sabe disso…
# Você foi uma moça indefesa, Sango. – ele retrucou, a olhando com seriedade. – Você viveu, por anos, aprisionada a um infeliz mercenário, que lhe usou para fazer as coisas que ele nunca teve coragem de fazer. Você nunca teve ninguém para lhe defender e proteger. Ao menos não até o dia em que aparecemos em sua vida.
Sango piscou e desviou o olhar de Miroku, antes que pudesse enrubescer e deixá-lo notar isso. Sorriu e aceitou aquela explicação antes de voltar os olhos para Inuyasha e se lembrar que um de seus salvadores agora não se encontrava mais entre eles. Abaixou a cabeça e olhou para as próprias mãos.
# Como você está? – Miroku perguntou, notando a razão da mudança de seu humor.
# Não pior do que ele. – respondeu, indicando Inuyasha com tristeza. – Ele passou a noite praticamente inteira ali, parecendo alguém que não tem idéia de onde está e que rumo seguir. – olhou para o Houshi. – Sinto por ele, Miroku. Ter perdido Kagome deve estar sendo uma dor terrível para ele. Especialmente pelas mãos da mulher que ele achava que amava no passado. – suspirou, abaixando a cabeça. – Não era para ter sido desse modo, Miroku. Kagome tinha uma vida inteira pela frente. Tinha acabado de fugir de quem a queria mal… e descoberto o que era realmente viver. Ela não merecia sofrer o que sofreu e depois morrer.
O Houshi tocou o ombro de Sango e suspirou tristemente. Ele sabia exatamente o que Sango queria dizer com aquilo. Afinal, ele sentia a mesma coisa.
# O que você acha que ele vai fazer com ela?
# Não faço ideia. – Miroku deu de ombros. – Tentei falar com ele ontem, até para tentar ajudá-lo com o que estava sentindo, mas ele me mandou ir embora assim que terminei de colocar as fuuda para criar a barreira, ao redor da cabana. – franziu o cenho, lembrando-se que Inuyasha nunca gostara muito dele. – Mas seja lá o que for, parece que não vai ser agradável à ela. – abaixou o olhar. – Você acha que ele vai ficar a espancando até se cansar?
# Não sei… mas acho que essa seria uma das melhores coisas. - encarou Miroku, deixando claro que não sentia pena nenhuma da mulher. – Há maneiras muito melhores de humilhar e fazer uma mulher sofrer, sei disso, e Inuyasha também deve saber.
# Tenho certeza que sim. – Miroku fez uma expressão forçada de medo. – E aprendeu tudo com Keiko?
# Pode crer nisso. – o olhou. – Apanhei muito de Keiko… mas isso não me fazia sofrer tanto quanto os outros castigos que ele me dava. O que… - ela acrescentou imediatamente, antes que Miroku pudesse perguntar àquele respeito. – obviamente não vem ao caso nesse momento. Mas não acho que Inuyasha deva usar outra tática. Acho que ele realmente deveria bater nela até se cansar ou simplesmente matá-la. Outra coisa não seria... ele. – comprimiu os lábios e se colocou de pé, colocando o chapéu protetor de chuva sobre sua cabeça. – Acho que vou ver se arrumo algo para Inuyasha comer e o forço a colocar algo na boca.
Sorriu de forma forçada e se afastou o mais rápido possível de Miroku. Havia arrumado aquela desculpa, principalmente para se afastar dele. Mas apenas por que as sensações que invadiam seu corpo enquanto falava com o Houshi, eram algo que ela desconhecia e estranhava. Com ele, sentia a necessidade de dizer tudo o que Keiko já havia feito com ela, e isso a assustava. Aquele assunto era algo que sempre desejara manter apenas consigo, escondido e enterrado em sua mente.
Sacudiu sua cabeça com violência e acelerou seus passos, temendo que Miroku decidisse a seguir para continuar a conversa deles.
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# Então... quer dizer que Tsubaki não quis dar a Kagome a cerimônia de passagem? - a voz de Haru veio baixa e melodiosa, enquanto virava o corpo para poder se encostar no batente da porta. - Já imaginava que isso fosse acontecer. - seus olhos se voltaram para a o rosto de Sora, que brilhava dentro da esfera mágica através do qual se comunicavam. - Tsubaki nunca gostou de Kagome. - olhou para frente e estreitou os olhos. - Seu ódio por ela e por minha prima sempre foi algo notável. Tsubaki nunca gostou de ficar atrás dela nas aulas. Ou em praticamente tudo o que fazia. Tsubaki queria a vida dela. Tudo o que ela tinha ou não. - acrescentou. - Sua loucura, e inveja ficou ainda mais óbvia quando ela tentou matar Kagome, apenas por que esta era outra conquista que ela jamais iria ter: uma filha.
# Kaede fez tudo quando todas estavam dormindo. - Sora informou, e Haru a encarou com atenção. - Fui com ela, é claro. Kaede queria que fosse ao lado de Kikyou, mas a convenci do contrário. Tsubaki está doida para dá-la como louca e expulsá-la da Ilha. Se descobrirem a respeito disso, nem mesmo eu poderei impedir que Tsubaki a castigue.
Haru fez um movimento afirmativo com a cabeça, mostrando compreender. Enterrar uma pecadora uma vez que a Soberana diz que não se deve fazê-lo era um erro grave.
# A convenci de fazê-lo na praia que Kagome adorava visitar escondida. No fim ela também achou que fosse melhor ali.
# Sim! - Haru concordou, se lembrando da praia onde a prima gostava de se esconder com Kagome, quando era proibida de frequentar uma festividade ou uma reunião. Ali, ela podia manter a menina, ainda pequena, longe e evitar que ela chorasse por estar sendo excluída. - É um ótimo lugar. Ninguém vai até lá, justamente por ser o lugar preferido da pecadora.
Sora sorriu ao ouvir aquilo. Afinal, havia sido a própria Haru que proibira a entrada de qualquer um naquele lado da ilha, alegando-o ser uma região de pecados, para que Kagome e a mãe pudessem ter um lugar para poderem ficar sem terem de ver a maneira como todos as olhavam. Sem terem de ouvir os sussurros e o sacolejar de cabeças com censura, dirigidos a elas. Em especial a Kagome, por ser o que era. Por ela ter sido gerada após o relacionamento de uma Miko que não havia sido escolhida para dar a luz, com um homem que não era um Houshi.
# Teve algum sucesso com sua mente?
# Não! - suspirou. - Não é fácil romper feitiços da memória. Especialmente um feito por ela. – acrescentou. – Tentei romper o que está na minha mente, mas não consegui muito… - deitou a cabeça no ombro. – Algumas poucas imagens… mas nada de rostos ou de seu nome. Minha prima realmente era boa no que fazia.
# Sim! – Sora concordou. – Ela realmente foi uma das melhores de nossa família. E fico imaginando se Kagome não seria tão boa assim se houvesse sido treinada como se devia.
# Pela energia que explodiu dela, tenho certeza de que ela seria melhor. - Haru disse, com uma mão no queixo, seus olhos se tornando vagos enquanto se lembrava da noite em que a energia de Kagome explodira. - Apenas lembro de certos detalhes entre eu, ela e Kagome. - anunciou, olhando para Sora com atenção. - Coisas que eu nem imaginava ter presenciado ou feito antes. Ontem... lembrei que uma vez vi Kagome explodir uma pedra.
Sora mostrou-se surpresa ao ouvir aquilo. Se aquele fato havia sido apagado da mente de Haru, então significava que a Pecadora sabia exatamente do que a filha era capaz ou não. E antes de morrer ela não deve ter só movido na mente de Haru e de todas as outras, mas também na da filha, para que ela fosse incapaz de se lembrar do que era capaz de fazer como Miko.
# Ela deve ter removido isso da minha mente no mesmo dia. - Haru concluiu. - Provavelmente temendo que eu fizesse algo contra Kagome.
# Quantas coisas será que Kagome já fazia naquela época? - Sora pegou-se questionando.
# Não sei. - Haru deu com ombros. - Ou talvez eu apenas só não esteja sendo capaz de lembrar. - sentou-se diante da mesa. – Talvez deva ser por isso que não estejamos conseguindo conectar as coisas e encontrar as respostas que almejamos.
Houve um longo momento de silêncio, onde as duas ficaram a refletir a respeito daquela informação. Mas, como havia acontecido anteriormente, nenhuma das duas fora capaz de chegar a uma conclusão lógica ou a algo que respondesse algumas de suas dúvidas.
# Também me lembrei que sempre passava algumas horas na companhia de Kagome. - revelou, rompendo o silêncio, e sorrindo em seguida. - Sempre escondida, é claro. Lembrei-me que nessa época eu pensava em como seria bom ter tido uma filha e não um filho.
Sora ficou esperando que a filha continuasse. Mas Haru manteve-se um tempo em silêncio, caminhando por toda a cabana com os braços cruzados, enquanto refletia. E quando ela voltou os olhos para Sora, a mulher prontamente percebeu o significado do brilho nos olhos dela.
# Mas acho que deve ter sido bom… - continuou, desviando os olhos para um ponto qualquer ao seu lado. – Talvez seu tivesse tido uma filha, ela tivesse vindo a sofrer preconceitos por ser prima de Kagome e amiga dela, ou tivesse vindo a detestá-la. – sorriu de forma triste. – Se Miroku esteve andando com Kagome significa que eles ficaram amigos… sabendo ou não do parentesco existente entre eles. – franziu o cenho, e seus olhos brilharam com as lágrimas. – Mas ainda assim… sinto a dor em meu coração vez ou outra. Foi realmente doloroso ter de entregá-lo nos braços do pai dele. – olhou para as próprias mãos. – Sabendo que eu nunca mais poderia vê-lo novamente. Cortou-me o coração ter de dar as costas a Miroku. Ele nem deve saber que sou mãe dele. Será que eu seria capaz de reconhecê-lo como meu, se o visse?
# Uma mãe sempre é capaz de reconhecer um filho. Não importa o quanto ele mude. Não importa quantos anos faz que não o vê. É coisa do coração. – a confortou. – E… Sempre corta o coração deixar nossos filhos, ou vê-los partir, Haru. – Sora anunciou em tom calmo, conseguindo o olhar da menina de volta para ela. – Irá me cortar o coração quando você partir.
Haru e Sora se encararam por longos minutos, conversando apenas através de seus olhares. E assim que Sora rompeu o contato entre elas, Haru sorriu e virou o rosto para olhar o exterior pela janela. Podia notar a pequena camada de chuva que caía.
# Nesse tempo que passei aqui… - ela começou em tom baixo, ainda olhando para o lado de fora. – Fiquei a pensar e refletir a respeito de tudo… mais profundamente. – abaixou o olhar. – Sei que por muito tempo em minha vida fiquei a lhe ignorar e condenar… mas agora… - voltou os olhos para a mãe. – me arrependo disso. – deitou a cabeça no ombro. – Não quero saber a razão que lhe levou a fazer o que fez… se foi ambição… medo… ou qualquer outra coisa. Mas se o fez… fez por que achou que assim deveria ser. Não sou ninguém para lhe julgar… Você é quem deve me perdoar, e não o contrário.
# Você sabe que eu sempre lhe amei, Haru. – ela sussurrou. - Eu sempre lhe perdoei. E também tenho de lhe pedir desculpas, pois agi com hostilidade com você.
# Eu lhe perdoo. – ela sorriu. – Eu também te amo. - estendeu a mão para tocar a mão que Sora lhe estendia através da bola. - Sayonara, Mama. – sussurrou a palavra que há anos não falava, antes de Sora desaparecer. Afinal, acima de tudo, talvez aquela fosse a última vez que se viam.
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Aya comprimiu os lábios com força e trincou os dentes, para evitar um grito de dor, quando colocou seu braço deslocado no lugar. E como resultado, sentiu lágrimas escorrerem de seus olhos enquanto a dor em seu corpo parecia ficar duas vezes pior.
Seu corpo inteiro tremia de frio e por causa das dores ocasionadas pela punição que Inuyasha havia lhe dado. Gostaria de ter cobertores para cobrir-se e tentar se livrar de ao menos um pouco daquele incômodo, mas os lençóis haviam sido tirados do quarto juntamente a cama, por dois homens que haviam entrado ali na companhia de Inuyasha. Ele queria lhe fazer sofrer e se utilizaria de todos os artifícios que tinha em seu poder.
Encostou a cabeça na parede, sentindo-a reclamar. Inuyasha não havia sido cuidadoso, e muito menos misericordioso, nas pancadas que dera em seu corpo contra a parede. Sua nuca estava sensível, inchada e cortada, e mal conseguia tocá-la. Assim como suas costas e seu rosto, vítima dele por mais de uma vez.
Nunca havia apanhado daquela maneira em toda sua vida. E jamais pensara em Inuyasha como homem violento. Nunca pensara que ele fosse capaz de agir com tanta brutalidade, especialmente contra uma mulher. Mas ela também, quando aceitara vir atrás dele, não imaginava que iria encontrá-lo totalmente apaixonado e casado com outra mulher. Imaginara que ele estaria sozinho, ainda magoado pelos atos de Inu no Taisho – que não gostara dela desde a primeira vez. Que assim que ele lhe visse ele lhe sorriria e acolheria em seus braços para poderem ser o casal que ela sempre sonhou.
Inalou o ar com força, e moveu-se incomodada, trocando o corpo, cuidadosamente de posição. Olhando pela fresta da janela – que havia sido trancada pelo lado de fora – pode perceber que o sol já estava no céu. Havia passado a noite inteira em claro, temendo adormecer. Inuyasha havia dito que não iria lhe matar, mas nada tirava de sua cabeça que a qualquer momento ele podia mudar de ideia. Que a qualquer instante, ele poderia irromper por aquela porta, decidido a lhe matar.
# Maldita! - sussurrou, se lembrando que a causa daquilo tudo era Kagome: que enfeitiçara Inuyasha de uma forma que ela era incapaz de combater. – Como ele soube? Como ele pode ter descoberto tudo? – perguntou-se, voltando os olhos para a porta ao ouvir o ranger da madeira. – Como ele pode ter sabido, se eu fiz tudo da maneira mais cautelosa possível?
Socou o chão, frustrada, e arrependeu-se de tê-lo feito, ao sentir a dor subir latejante por seu braço. Gostaria de saber quanto tempo seria mantida presa ali dentro, sem direto a comer ou beber água. E, especialmente temia o que Inuyasha pudesse estar planejando para lhe dar como castigo.
Ergueu a cabeça e sentiu seu pescoço reclamar, ao ouvir um som estalado na porta. E encolheu-se instintivamente ao ver Inuyasha atravessar a porta e a fechar a suas costas. Ele sentou na cadeira diretamente ao lado da porta e colocou sobre a mesa, uma tigela e um copo. E assim que o viu, indicar os objetos com a mão, deixando claro que eram para ela, Aya se levantou e sentou na outra cadeira puxando imediatamente a tigela para si. Estava com fome e nem ao menos se importou com o fato da sopa estar um pouco fria e ser a mesma que fora servida no jantar na noite anterior.
E enquanto ela comia, Inuyasha permaneceu em silêncio, a observando com cautela. Seus olhos estavam dourados, sem rastros do vermelho sangrento, mas não tão dourados como eles costumavam ser. Havia uma sombra escura neles, que lhe informava que aquele a sua frente não era o mesmo homem que conhecera no Reino de Batsu; que aquele homem, podia a qualquer momento se transformar em uma fera e atacá-la sem piedade.
# Quem é o seu Mestre? – Inuyasha rompeu o silêncio, tão logo ela terminou de beber a água. E irritou-se ao vê-la abaixar o copo e encará-lo como se não compreendesse o que ele falava. – Não faça essa cara, Aya. Sabes do que eu estou falando. Uma humana não teria chances de sequer chegar perto de um Youkai Vampiro quanto mais convencê-lo a vir até aqui, fazer suas vontades. É óbvio que existe alguém por trás disso, alguém mais poderoso e influente, e eu quero saber quem é.
A voz do Herdeiro de Batsu estava perigosamente calma. Algo que fez a mulher tremer e temer. O frio que podia ser notado nela não era normal e muito menos seguro. Era como se ele fosse uma pedra de gelo que a qualquer momento podia se romper causando uma avalanche. Um desastre onde ela seria a única vítima.
Abaixando a mão e segurando o copo com força entre as mãos, tentou pensar em algo que pudesse dizer a ele. Algo que pudesse apaziguar a ira que ele lhe tinha, diminuindo sua pena. Abriu a boca para poder falar o que tinha em mente, mas as palavras simplesmente se perderam no caminho, esvaindo de seus pensamentos com maior rapidez com o que haviam surgido.
# Aya? Se alguém lhe mandou aqui, eu quero saber quem é esse alguém.
# Ninguém me mandou aqui. – ela disse, o encarando com seriedade. - Vim porque quis.
Houve silêncio, e Aya pode ver os nós dos dedos da mão que o Príncipe mantinha sobre a mesa tornarem-se esbranquiçados por causa da força que ele colocava. Era evidente que ele não confiava nas palavras dela.
# Quem é o seu Lord, Aya? Quem lhe mandou vir aqui? – Inuyasha tornou a perguntar, utilizando-se de um tom de voz mais calmo e ainda mais perigoso.
# Você é meu Lord, Inuyasha-sama. Não existe outro! Não sirvo a nin-
A mulher se calou e estremeceu quando o Hanyou acertou o punho na mesa; a força posta, afundou o material e o fez tremer, ameaçando cair. Engolindo seco, Aya olhou para a mão fechada e em seguida para a expressão do Herdeiro de Batsu. Naquele instante, sentindo que ele poderia matá-la se mostrasse a menor das fraquezas e medo.
# Não teste minha paciência, Aya. Não a tenho!
# Não há ninguém mais, além do senhor.
# Quem lhe mandou? – repetiu, mostrando perder um pouco da calma.
# Ninguém. – tornou a repetir, e assustou-se quando ele se levantou e a arrancou da cadeira com brutalidade. O copo que segurava, caiu no chão, fazendo um barulho agudo e irritante enquanto quicava no chão. E seu braço reclamou de forma excruciante ao sofrer mais um trauma sem ter se recuperado do último. – Não há ninguém! - gritou assustada.
# Quer mesmo que eu acredite que você sozinha conseguiu a ajuda de um Vampiro? – sacudiu-a. – Não sou tolo, Aya. Nenhum Vampiro lhe ajudaria. Quem foi que mandou nele e manda em você? Por acaso foi o mesmo que mandou o ataque contra Batsu? O que ele quer de mim?
# Não!
# Forjou tudo? Já tinha esse plano em mente quando veio a mim?
# Não! - gritou, sentido a cabeça latejar. - Assim que eu descobri que o Senhor estava vivo... numa dessas minhas viagens de cidade a cidade... eu senti meu coração se aliviar. Ele estava comprimido desde que ouvira falar do ataque a Batsu, achando que o Senhor estava morto. Saber que o Senhor estava vivo me alegrou. - explicou rapidamente. - E estava vindo para cá quando me encontrei com aquele Youkai que o Senhor matou. - olhou-o. Seus olhos tomados pelas lágrimas. - Embora estivesse a sua procura, foi coincidência encontrar o Senhor aqui. Fiquei feliz ao lhe ver, mas tudo desmoronou quando o Senhor me disse que estava casado.
# Forjou toda aquela história triste para que eu sentisse pena, culpa e deixasse você conosco?
# Não! Não, por favor! - gritou, se encolhendo ao perceber que ele estava pronto para lhe bater novamente. - Hyio realmente estava atrás de mim. Naquele mesmo dia ele me encontrou... Mas eu consegui contornar a situação. Ele concordou em me ajudar a conquistá-lo novamente. Mas nunca imaginei que ele fosse mandar Youkais Vampiro.
# Você realmente quer que eu acredite nisso, Aya? Você quer que eu acredite que um Youkai que te perseguia decidiu que não te queria mais, por nada? - a bateu contra a parede, fazendo-a gemer de dor.
# É a verdade! - gritou chorando.
# Pare de mentir para mim, Aya! Vai ser melhor para você! Não há como isso ter acontecido.
# Eu sou uma bruxa! – ela gritou, encolhendo o corpo e fechando os olhos. – Sou uma bruxa! – repetiu em voz baixa.
Inuyasha a soltou e, sem esperar pelo ato, Aya acabou por cair no chão provocando um pesado baque, e gemendo com a dor.
Por muito tempo ouvira seu pai chamar Aya de bruxa, mas nunca havia entendido, de fato, o que aquilo significava. Bruxas eram criaturas traiçoeiras, mas elas – assim como as Mikos – possuíam rastro. Era fácil notá-las através do cheiro. E nunca havia sentido esse cheiro em Aya. Mesmo agora, depois de ela lhe dizer o que era, ele não conseguia notar isso no cheiro dela.
# Está mentindo novamente?
# Não! – ela se arrastou pelo chão, para se manter o mais longe possível dele. – Não há porque eu mentir.
# Por que não sinto cheiro em você?
# Porque não há cheiro que sentir. – sussurrou, e ergueu a cabeça para encontrar o olhar dele. – Consigo ocultar meu cheiro. Consigo evitar que me notem como uma bruxa. – ele a olhou com desconfiança. – Foi por isso que consegui fazer com que ele aceitasse me ajudar. – engoliu seco. – Em troca de ajuda, para conseguir com que o senhor voltasse para mim, ofereci a ele um de meus conhecimentos. Um de meus pertences. - acrescentou de imediato. – Ele é muito influente e também poderoso. Apenas usei isso a meu favor. – Aya disse e com dificuldade se levantou, com a ajuda da parede.
# Se é uma bruxa… por que ainda não fugiu?
A mulher mordeu o lábio e arregalou os olhos. Uma reação que fez Inuyasha rir com escárnio.
# Como quer que eu acredite nisso? Tem esperanças de conseguir me enfeitiçar e esquecer de tudo, ou está com medo de seu mestre?
# Não! Nunca usei feitiço nenhum no senhor. E não! Não há mestre algum. – insistiu neste assunto.
# Por que ainda não fugiu? – repetiu a pergunta. – Bruxas são ardilosas… conseguem até mesmo quebrar simples barreiras montadas por fuudas. Por que você seria diferente? Ou teme que seu mestre lhe venha atacar?
# Não há mestre algum! – ela gritou desesperada.
# Mentiu sobre meu pai também? - ele questionou, e a viu tremer. - Mentiu sobre o que ele fez a você, Aya? - a agarrou pela gola do vestido rasgado. - O que realmente aconteceu?
# Eu fugi! - ela gritou, cobrindo o rosto com a mão, temendo que ele lhe acertasse mais um tapa. - Seu pai mandou me matar. Não confiava em mim. Ele sabia que eu era uma bruxa e acreditava que eu havia enfeitiçado o Senhor. Mas eu nunca joguei feitiço algum contra o senhor. - acrescentou de imediato. - Quando eles vieram… os atordoei... criei uma falsa imagem minha e fugi. Não queria morrer. E acreditava que depois podia voltar para lhe ver... Mas então... houve o ataque contra Batsu. Quando cheguei e vi tudo destruído quase enlouqueci. Fui embora de coração partido. Mas nunca lhe enganei. Eu sempre lhe amei. Eu lhe amo. O que eu fiz… fiz por te amar e nada mais. Nunca fui uma traidora. Não estava envolvida no ataque à Batsu. O que fiz foi errado… mas foi por amá-lo.
# Você é uma traidora, Aya. – fez um gesto brusco com o braço, a afastando dele. Aya cambaleou, mas não chegou a cair no chão. – Eu te desprezo e odeio por isso. – olhou-a de cima a baixo. – E se fosse você, me manteria longe de mim o maior tempo possível. Está sendo difícil me controlar e conter a vontade de lhe bater até que pare de respirar.
Aya recuou um passo e olho-o, assustada.
# Onde está o tal de Hyio? - questionou, interessado em se reencontrar com o Youkai e assassiná-lo junto ao seu grupo bastardo de Youkai. - Aya? - estremeceu quando o ouviu gritar seu nome. - Onde posso encontrar o Youkai?
# Há um clã de Leopardos se seguirmos em direção ao noroeste. Hyio estará nele. - respondeu, não almejando mais atrair a ira dele. - Posso guiá-los até lá.
# Não. - negou com simplicidade. - Eu irei até lá. Você não!
# Vai me deixar aqui?
# Não!
A mulher sentiu um estranho alívio percorrer seu peito ao ouvir aquilo. Talvez ele a levasse para Batsu. Era um longo caminho e talvez conseguisse conquistá-lo novamente. Ou enfeitiçá-lo para impedi-lo de ir até a cidade proibida. Esta fala dele, lhe deu esperanças, de que ainda existisse algum sentimento de pena em no Príncipe Herdeiro.
# Amanhã cedo estaremos partindo daqui. – ele disse em tom baixo. – Vou lhe deixar ir sozinha. – Aya se mostrou temerosa. – Mas acho que você não quer ficar sozinha, não é mesmo? Teme que seu mestre venha lhe cobrar o trabalho que não fez?
# Já disse que não há mestre algum. – ela disse com raiva. – Acontece que estou fraca. Não aguentaria andar sozinha por essas florestas. Seria facilmente atacada por um Youkai ou animais. Poderia esperar que eu melhorasse.
# Isso não é problema meu. – disse com frieza, e lágrimas brotaram nos olhos dela. – Você deveria ter pensado duas vezes antes de fazer tudo o que fez. – sorriu um sorriso frio. – E se bem me lembro você não esperou nenhum dia para que Kagome se recuperasse antes que a atirasse daquele precipício. – ele piscou e se inclinou um pouco para frente. – Mas é claro, que posso sempre ser um pouco misericordioso, e soltá-la em um vilarejo cheio de homens desesperados por mulheres, e não no meio de uma floresta infestada de Youkais, loucos para atacar uma mulher Humana, se tiver algo de interessante para me dizer.
Aya ergueu um pouco a cabeça e Inuyasha a viu comprimir os lábios, enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. Ele iria insistir naquele assunto mais uma vez, mas sabia que seria em vão.
# Seu mestre é tão importante assim para você? Tão importante a ponto de você sofrer tudo isso calada? Mais importante que sua vida? Mais importante que sua dignidade?
# Já disse que não há mestre algum. – ela sussurrou. Sua voz saindo mais forte que antes.
Fosse quem fosse o homem que enviara Aya até eles; ele tinha a fidelidade total e cega dela. Mesmo podendo morrer e mesmo sendo espancada, ela continuava a insistir no fato de que fora até ele, e que o encontrara, sem ajuda.
# Você realmente deve querer sofrer tudo o que sofreu. – disse, depois de um tempo, a encarando com atenção. – Você não demonstra arrependimento nenhum pelo que fez. Como quer que tenha piedade de você? Como quer que não odeie você? Até mesmo Kami, apenas só perdoa quem realmente está arrependido por seus atos.
# Não deve ter odiado tanto assim seu pai quando achou que ele havia me matado.
Mas, ao contrário do que Aya acreditava, ele não se moveu. Se conteve em apenas olhá-la com seriedade. Sim, naquele dia ele havia odiado seu pai, mas não tivera muito tempo de pensar a respeito daquilo. Batsu havia sido invadida e atacada. E ele, de alguma forma acabara em Shima no Ten. Lá, os pensamentos a respeito de Aya foram reduzidos. Pensamentos a desaparecerem por completo quando descobriu seus sentimentos por Kagome.
# Se fosse seu pai… a matando. Faria a mesma coisa que me fez, à ele?
Inuyasha franziu o cenho incapaz de imaginar aquela situação. Ele não sabia o que faria, este era o fato. Por Kagome, ele seria capaz de fazer qualquer coisa. Mas matar ou erguer a mão para seu pai era algo que ele não poderia fazer. Jurara a sua mãe que nunca faria algo tão estúpido.
Entretanto, seu pai jamais tocaria em Kagome: Não depois que soubesse que além de ter-lhe salvado a vida, cuidado e o escondido em Shima no Ten - cometendo traição - e ainda visse que ela, era sua esposa, sua Contratante e sua futura Companheira Eterna.
# Meu pai nunca maltrataria Kagome. - disse, por fim. Seu tom de voz soando frio demais e a fazendo se encolher ainda mais. - O que ele lhe fez, foi para me livrar de uma grande enrascada. - ele havia sido cego, mas seu pai não fora.
# Ao menos, me deixe em um vilarejo. – insistiu desesperada, desviando de assunto. Abrigada, poderia se curar e utilizar melhor seus poderes, assim não correria riscos algum. – Por favor! – implorou quando ele negou. – Vai acabar me matando.
# Deveria ter pensado nisso antes. – Inuyasha a segurou pelos braços e empurrou para longe. Aya acabou por pisar na barra do vestido e cair no chão. – Não me toque. Se o fizer novamente a atirarei nos braços de um bando de homens.
Aya mordeu o lábio, não acreditando no que Inuyasha estava pensando em lhe fazer. Olhou para ele, que avançava lentamente, para mais uma vez abandoná-la, e sentiu as lágrimas abandonarem seus olhos. Se ele a deixasse sozinha no meio do nada, ela não duraria muito tempo. Seria encontrada.
# Por favor, Inuyasha-sama. Eu lhe imploro. – chorou. – Você acha que Kagome iria querer isso? Você acha que ela iria querer lhe ver fazer isso? Ela era justa… apesar de tudo…
Aya não soube o que lhe atacou. Num momento estava no chão e no outro estava sendo atirada contra a parede. Seus ombros ardendo enquanto as unhas de Inuyasha perfuravam sua pele. Gritou de dor e abaixou a cabeça, deixando que as lágrimas escorressem de seus olhos, enquanto sentia a respiração dele em seu pescoço.
# Não se atreva! – a atirou no chão. – Não fale o nome de Kagome novamente. – Aya gritou, quando ele pisou em sua mão com força, repetindo o que o Youkai havia feito à Kagome. – Não sei para que esse desespero todo. Já estou sendo bastante misericordioso com você. – ela gemeu, sentindo seus ossos estalarem e sua mão ficar dormente. – Mas fale no nome de Kagome novamente e serei capaz de jogar tudo isso para o alto. Fui claro, Aya?
# Sim! – chorou.
Um último grito escapou de seus lábios quando Inuyasha pisou um pouco mais em sua mão, antes de lhe deixar sozinha na cabana. E, sozinha, chorou; chorou incapaz de mudar sua posição e mover a mão que ele quebrara.
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Yuly abaixou-se ao lado de Akani após lhe entregar o pergaminho que chegara sendo trazido por uma das águias de Shima no Ten. Após todo o problema que hospedar-se no território dos Exterminadores, havia se mostrado ser, haviam sido bem tratadas. Hospedadas em um espaçoso quarto com uma casa de banho exclusiva para elas, haviam jantado um dos banquetes mais delicioso que já haviam comido em suas vidas. E agora, tão logo o sol nascera haviam recebido aquela carta da Ilha das Miko.
Desenrolando o pergaminho com cautela, enquanto se lembrava que não havia comunicado a respeito da ida dela até o Clã dos Taiji-Ya, Akani se preparou para ler palavras de repreensão e que anunciavam um castigo por aquilo. Embora não gostasse de Tsubaki, e não se importasse com punições, não gostaria de ver Yuly e Giny sendo punidas. Elas nunca haviam experimentado as punições Miko e tinha certeza de que Tsubaki não seria piedosa. Conhecia a reputação dela.
Mas enquanto lia as palavras que estavam escritas com a letra caprichosa de Sora, foi percebendo que não se tratava de uma advertência, mas uma notificação. E assim que leu a palavra 'morte' acompanhada do nome da Pecadora Kagome, sentiu seu sangue gelar e olhou assombrada para as duas Mikos que a acompanhava. Abaixou o olhar, para terminar de ler o conteúdo da carta, deixando para explicar o que acontecera quando terminasse de ler tudo. Enquanto isso, Yuly e Giny ficavam cada vez mais apreensivas, imaginando o que poderia haver naquela carta a ponto de atordoar Akani daquele modo.
# Akani? - ambas chamaram quando ela voltou a enrolar o pergaminho e suspirou em desanimo.
# O que há escrito ai? - Giny perguntou, observando a chefe do grupo, se levantar e caminhar até a janela.
# Kagome morreu. - notificou com pesar, olhando fixamente para o exterior. - Segundo Sora-sama algo deu errado e ela gastou energia e veio a falecer. - franziu o cenho, sabendo que Yuly e Giny tinham as mãos sobre as bocas, penalizadas. - Sora-sama não deixou muitos detalhes mas disse que foi repentina e antes da hora prevista por ela… e que foi muito… - inalou o ar com força - dolorosa.
Yuly e Giny trocaram olhares antes de olharem para Akani que parecia estar fazendo uma oração. Sabiam que Kagome era uma pecadora desde seu nascimento, mas Akani havia sido uma das melhores amigas da mãe da moça antes que ela fosse tatuada como pecadora pelos erros que cometera. Ela deveria estar sentindo o mesmo pesar que sentira quando a amiga fora condenada ao sacrifício. Aquilo era um sentimento mais forte que elas, e era sempre - apesar de tudo o que ela fora considerada. - terrível saber que uma 'irmã' havia perdido a vida de maneira dolorosa.
# Elas não disseram mais nada? - Yuly questionou, dando um passo a frente.
# Acreditam que tenha sido o mesmo Youkai que a levou de Shima no Ten. - Akani olhou de soslaio para as duas. - Provavelmente ele deve ter se cansado dela… ou ela… dele. Mas Kagome, apesar de dizerem possuir poderes, nunca foi devidamente treinada. Ela não teria chance contra um bom Youkai. - voltou a olhar para frente. - E ele realmente deveria ser bom… já que conseguiu burlar a barreira da Ilha.
# Mas ela o ajudou. - Giny tentou contestar, se lembrando das cartas e das reuniões que haviam frequentado antes de partirem em missão.
# Haru-sama sempre achou que havia algo errado nisto tudo. - Yuly lembrou. - Talvez realmente houvesse. Kagome não devia confiar em Youkais uma vez que a mãe dela foi assassinada por um.
# Se olharmos bem… Em quem Kagome não deveria confiar era em nós. - Akani rebateu em tom baixo e calmo. - Fomos nós que entregamos a mãe dela a morte. - acrescentou antes que uma das duas pudesse falar algo. Não almejava uma discussão àquele respeito. - E além de tudo… a tratamos como se ela fosse nada. Se o Youkai a enfeitiçou… não devemos condená-la. É extremamente fácil enfeitiçar e encantar alguém que está abandonada e sabe que não é desejada. Ele deve ter se utilizado deste fator para atraí-la a ele. - suspirou, fazendo uma pausa, para se voltar para as duas. - E agora deve ter se cansado dela. - fechou o punho com força, amassando o pedaço de pergaminho.
# Elas deram mais instruções? - Giny quis saber, desejando mudar de assunto.
# Não! - Akani anunciou com um 'quê' de frieza. - Estamos por nós mesmos. Tsubaki não se manifestou a este respeito. - voltou os olhos para a porta. - Mas por enquanto… vamos permanecer aqui até onde nos for permitido. - Yuly e Giny a encararam com curiosidade.
# Acha que a menina pode estar sendo mantida aqui?
# É uma possibilidade. - Akani afastou-se da janela. - Mas realmente teremos de ir com calma. Podemos ser expulsas daqui caso eles achem que mentimos para eles.
# Gostaria de saber razão desta hostilidade. - Giny se expressou. Sua testa franzida enquanto sua mão tocava o queixo. - Será que conseguiremos saber a razão disso?
Akani apenas deu de ombros, decidida a não se aprofundar neste assunto e muito menos criar um alarde a respeito dele. E, enquanto conversavam e discutiam aspectos importantes, estavam totalmente alheias ao fato de estarem sendo observadas por duas pessoas; mulheres; Uma delas de longos cabelos negros com mechas avermelhadas e outra, uma senhora, a mesma que recebera e autorizara a entrada das duas Miko naquele vilarejo.
# Não lhe disse, mama? - a jovem anunciou em um sussurro. - Elas vieram aqui por causa do bebê Miko.
# Mas eles não irão encontrar bebê algum aqui. - Izaya sussurrou em retorno. - Não há bebê para elas encontrarem. Mas as respostas… - continuou, fazendo com que os olhos violetas da mais jovem se voltassem para ela. - Se elas souberem como, irão encontrá-la.
# Que respostas, mama? - mostrou não entender o que aquilo poderia significar.
# Para a razão pelo qual nós somos tão hostis para com elas, Izyara… - respondeu e, deste modo, apressou-se em afastar-se do quarto onde as Miko estavam, sendo seguida pela filha.
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Haru respirou profundamente e fechou os olhos permitindo-se relaxar enquanto sentia as águas da cachoeira baterem pesadamente em suas costas. O peso delas e sua baixa temperatura, ao invés de incomodá-la, traziam uma sensação de alivio, clareza e calma. Algo que não sentia desde que descobrira sobre a existência dos poderes e depois, sobre a morte de Kagome.
Sabia que, já que se encontrava em exílio, não devia se preocupar com assuntos de Shima no Ten. E muito menos tomar conhecimento desses assuntos. Mas não havia como se manter distante e alheia a isso. Especialmente quando sabia que a quinta profecia estava de pé, e por sua mãe sempre aparecer para lhe falar, e juntas tentarem encontrar alguma brecha na história de Kagome e até mesmo na parte da profecia que Midoriku havia confiado a si.
Tsubaki podia - como o Conselho achava - ter muitas habilidades e saber de algumas coisas, mas ela era inútil no poder de Shima no Ten. Tsubaki não era uma boa líder. Ela não sabia lidar com a pressão e era facilmente movida por sua ignorância e raiva. E pelo que Sora andava lhe falando, ela não fazia idéia de como começar ou de como agir. Deixara tudo para que Maemi e Akani fizessem, não se preocupando com o que era ou não feito. Não as auxiliando como se deveria ser feito. Ela nem ao menos deveria saber onde cada grupo do Sentai deveria estar agora.
Como Sora acrescentava, é como se ela estivesse perdida aguardando ela mesma receber as ordens de alguém, para poder dar um passo a frente ou recuar.
"Tsubaki irá cometer um erro grave." Dissera a Sora quando se falaram antes de o Conselho solicitar uma reunião de última hora. "Tsubaki irá fazer Maemi ou Akani cometerem um erro grave." E se ela estivesse certa; se seus pressentimentos fossem reais. Esta seria a uma falha terrível de Tsubaki, não apenas para o mundo Miko, mas para o resto do mundo. O exílio não lhe seria castigo suficiente. E os maiores culpados de tudo aquilo seria o próprio Conselho: Que vivia a tentar tirar o poder do nome Tenshi há anos.
Abriu os olhos e ficou a encarar seu reflexo distorcido na água. Podia sentir uma presença estranha vir aos poucos se aproximando do lugar onde estava. Um Youkai, estranhamente conseguira penetrar a barreira do exílio e pela energia dele tinha certeza de que ele estava vindo em sua direção.
Franziu o cenho mas não se moveu. Não havia para que fugir. Obviamente ela já deveria saber que ela estava ali. Afinal, nenhum Youkai era capaz de rastrear aquela região ou saber que existia alguém ali, por causa da barreira. E se ele estava ali. Ele sabia que ela estava ali. E ao contrário dele, ela não podia ultrapassar a barreira para sair dali.
Ouviu o estalar de galhos e ergueu a cabeça. Seus olhos encontrando os olhos do Youkai que estava parado a margem do lago, a encarando com atenção. Um sorriso irônico e maldoso surgindo nos lábios finos dele. Sua expressão era maliciosa e ao vê-lo umedecer os lábios com a língua, sentiu nojo.
Ajeitou a postura, ainda de baixo da queda d'água. A água vez ou outra batia em seus olhos nublando sua visão, mas ainda assim era capaz de identificar a raça do Youkai em forma humana a sua frente. Havia visto poucos dele em sua vida. Um dos poucos Youkais que eram problemas para as Miko. Mas eles não eram tão escassos e difíceis de achar como eram os Youkais Vampiros ou InuYoukais.
E quando ele ergueu a mão, seus dentes se trincando enquanto suas garras ficavam ainda mais em evidência, numa tentativa de assustá-la e ameaçá-la; sorriu. Seus olhos se fechando enquanto pedia desculpas para alguém que não se encontrava presente. E tão logo ele pisou na água para vir em sua direção, ela tornou a abrir os olhos para encará-lo.
Ele havia ido ali especialmente para matá-la. E sabia perfeitamente bem quem o havia enviado.
Tsuzuki...
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Sayonara - Adeus!
E ai? Gostaram?
Espero que sim! ^.^
Você nem imaginam o quanto é difícil escrever sem colocar a Kagome falando. T-T Sofri horrores para fazer com que esse capítulo ficasse bom. Parece que tem algo faltando sempre, mas espero que, no final, ele tenha agradado vocês. ^.^
1. Mais um momento de Inuyasha batendo em Aya e desconfiando sobre a existência de um mestre. Será que ele tem razão nisto? Será que ele vai conseguir pegar o mandante? Quanto a Aya ser uma bruxa... vou dizer, ainda tem muita agulha nesse palheiro. :P Sim ela é perigosa e em breve vocês vão descobrir a função principal dela nessa história.
2. Uhu! Quem será que veio até Haru? Será que ela vai ser morta? E Akani e suas companheiras no vilarejo Taiji-Ya. A presença delas no vilarejo ainda vai dar muito o que falar. hehehehe E devo dizer... Sora está certa quando diz que o grupo de Akani e de Maemi vão acabar comentendo um erro. Quem será que vai errar primeiro? E quais serão esses erros?
3. Agora, no início de cada capítulo vai aparecer 'Dia 01... ou Dia 02... ou Dia 03... e assim por diante'. Esta é a contagem dos dias que se passam depois da 'morte' de Kagome. Agora a contagem vai correr de forma contrária. :P
Próximo capítulo: Sesshy vai aparecer, prometo. Assim como alguém que não aparece a muito tempo também. Conseguem imaginar quem seja? *que soem os tambores*
Agora: Respostas das reviews *cadastrados no site receberam as respostas via 'reply'*
Foram 22 reviews! Fiquei bastante feliz! *.*
Jaqueline - Olá... E ela apanhou mais neste capítulo. o/ Prometo que o encontro não vai demorar taaaanto. :P Beijokas.
Aninha - Olá! Sim!!! hehehe e ela apanhou novamente. Sim!!! Ela é a mãe da Kagome e daqui a pouco iremos saber como se deu todos esses encontros e desencontros. Beijokas.
Nai - Oie! É, Kagome não vai exatamente socar Aya. Mas quando ela pegar Aya........ :P Sim. Vai demorar um pouquinho, mas vou fazer de tudo para ele ser lindo. Quanto ao reencontro de Kagome com a mãe e o momento verdade, já tenho ele totalmente na minha cabeça. Até o nome do capítulo tenho: 'Segredo'. Sim! A reação da Kagome tem relação com isso sim. ^.^ E vão descobrir porque quando as revelações da mãe dela começarem a ir para a mesa. :P Beijokas.
Indivídua do mal - Olá! Pois é, vai demorar, mas prometo que ele vai ser liiiindo. :P E a razão da agressividade dela vai ser explicada quando ela e a mãe se reencontrarem. Beijokas.
HP - Oi... aqui ela apanhou um pouco mais. hehe E ela vai apanhar mais quando Kagome ficar frente à frente com ela. =D Beijokas.
Taciana - olá! Opa! Que bom que amou. Espero que tenha gostado deste também. Beijokas.
Drika . Veras - Oi! O fanfic apaga o nome quando você escreve eles colados entre os pontos. Só vim descobrir essa falha agora. Por isso há uma resposta sem nome no capítulo anterior. :P Mas em fim.... Pois é, finalmente ela apanhou, e neste capítulo ela apanhou novamente. muah muah muah. Sim! A mãe de Kagome e Sesshoumaru são marido e mulher. ^.^ Como ocorreu isto vai ser dito no mesmo capítulo em que mãe e filha se reencontram. ;) Sesshy voltou para o quarto depois que 'matou' Kagome, e a mãe dela não o deixou se aproximar por causa do sangue que estava na roupa dela. Ela não o deixa se aproximar, para não se recordar do sofrimento da filha. :P espero que tenha ajudado. o/ Beijokas.
Sara - Olá! heheheheh Que bom que gostou. E ele bateu mais nela. :P Beijokas
Thici - Olá... opa... que bom que gostou tanto assim. Obrigada pelos elogios. Fico feliz em saber tudo isso. ^.^ Ai foi mais um capítulo. Beijokas.
Agome chan - Opa! Oi! ehehehehehe Kaede? Ainda não pensei direito no destino que darei a ela, mas acredito que sim, ela irá ver a neta e a filha. Apenas não sei como. 0~0 Antes disso ainda vai ser revelada a razão pelo qual Sora não tem seus poderes Miko e pq ela pode fazer o que faz. Além de também ser contado a fato que levou Haru a não usar mais seus poderes, também. Si si... Aya apanhou e apanhou mais hoje. hehehehe Miroku e Sango batendo nela eu não prometo.... ao menos não agora. Seguindo o curso mental da história.... eles apenas teão esta oportunidade... mas tarde... antes de Kagome a pegar. Kagome vai acordar e o encontro com a mãe será junto a boas revelações. A chegada a Batsu está preparada na minha cabecinha também. ^.^ Sei exatamente como fazer. Apenas basta o momento certo chegar. ehehehehehe Bem... acho que é só. Beijokas.
Bem... Por hoje é só.
Até o próximo capítulo.
Obrigada a todos!
Beijokas!
Telly Black
