FicWriter – Arika Kohaku

Beta Reader – Akimi Tsuki

34

Rinnegan e os Bijuus

– Eu vou buscar os gémeos à creche e depois venho logo ter convosco. – O sorriso bailava-lhe nos lábios, enquanto as suas costas se arqueavam, para se aproximar dos lábios de Kagure e beijá-lo da forma mais apaixonada que sabia. A sua mão pálida deslizou para o ventre avultado do rapaz de cabelos prateados, acariciando-o, numa pequena despedida. – Até já.

Kagure viu Nasasu sair, as suas bochechas ainda estavam rosadas devido ao beijo de cortar a respiração. Um simples beijo fazia Kagure desejar querer ter logo Nasasu, mas não podia àquela altura da gravidez. Suspirou alto. Aquilo era por causa das hormonas. Viu o sol de inverno do outro lado da janela. Também estava farto de estar dentro daquele hospital, sempre a ver aquelas mesmas paredes brancas. Mas tinha que estar ali, por causa do bebé, qualquer alteração, mais drástica poderia pô-lo em perigo. E o bebé já tivera a sua cota parte de perigo, e ainda nem sequer nascera. Por isso, não seria ele, Kagure, a meter o seu filho em perigo. Além disso, só tinha que esperar mais um mês até ao parto.

Recostou-se na cama. As suas costas doíam terrivelmente. Só que ele tinha tanto sono, que só queria tirar uma pequena sesta, antes de Nasasu voltar. Fechou os olhos em paz, e suspirou alto, de maneira calma e relaxada. Então a porta do quarto abriu-se de repente, fazendo-o sobressaltar-se.

Sakura entrou empurrada por Yuuri e outros dois ninjas pertencentes à Raiz.

– Eu não dou autorização de levar o meu paciente. – Berrou a mulher de cabelos rosa. Colocando-se de braços abertos entre a cama de Kagure e o pai deste, junto com os ninjas.

– Afaste-se Diretora. Sabe que não tem o poder de me impedir a fazer nada. – Rosnou Shidou dando para a mão de Sakura um papel. – Esse é um papel assinado por alguns membros do conselho de Anciões que comprovam a lei. Essa lei, apesar de antiga, ainda está em vigor. Nela diz, no caso da pessoa enferma se encontrar num estado perigoso, é o parente mais próximo que decide por ela. Neste caso, eu sou a pessoa mais próxima do doente. Que é meu filho.

– Não, não é. O familiar mais próximo de Shidou Kagure é Uchiha Nasasu. – Repostou Sakura. – Hei, o que pensa que está a fazer!?

– Solte-me! – Ordenou Kagure. Um dos ninjas da raiz tinha passado por Sakura e já agarrava em Kagure ao colo.

– Eu não vou permitir que vocês levem daqui o Kagure. – Rosnou a médica acionando o seu chakra.

– Sr. Diretora, não é necessário recorrer à violência. Segundo a lei, sou eu mesmo que sou o familiar mais próximo de Kagure, porque segundo eu sei, Uchiha Nasasu não é casado com o meu filho, pois não? – Um certo sorriso maquiavélico apareceu nos lábios do homem de cabelos prateados. – Levem, Kagure! – Falou para os ninjas.

– NÃO SE ATREVAM! – Ameaçou Sakura.

– Sakura-san, não faça nada. – Implorou Kagure já nos braços do ninja e prestes a ser levado para fora do quarto de hospital. O Shidou mais novo sentiu-se completamente encurralado na situação. Não se podia defender com os seus jutsus devido à gravidez, não podia lutar com quem o segurava, pois se caísse ao chão também poderia por em risco a vida do filho. E não podia deixar Sakura fazer nada, pois também ela se encontrava à espera do seu primeiro filho. Não podia deixar que Sakura pusesse em risco a vida dela e do bebé que esperava.

– Chame o Nasasu. – Pediu, no momento em que deixou de ver a médica pois foi levado para fora do quarto. Atrás dele, seguiu o segundo ninja e Shidou Yuuri. Sakura rangeu os dentes e correu a avisar Naruto daquela situação.

Noutro ponto de Konoha, Nasasu acabara de deixar os gémeos com a avó, a mãe de Kagure, e seguia calmamente a caminho do hospital. Parando numa pequena loja para comprar umas castanhas quentes para levar a Kagure. No momento em que saiu da loja já com uma castanha assada e quente na boca, viu um vulto arruivado passar-lhe à frente e foi projetado pela rua fora vários metros, acabando por perder o saco das castanhas pelo caminho. As pessoas que estavam na rua começaram aos berros e ele levantou-se rapidamente com o sharingan ativo. Á sua frente, naquela rua percorrida por ventos gelados, viu Saguichi andando na sua direção.

– Eu vou matar-te Uchiha! Por roubares o que é meu! - Gritou o ruivo, ganhando velocidade a cada passo que dava de encontro a Nasasu. Trazia na mão uma kunai. O moreno retirou uma kunai do seu estojo de armas e também correu para Saguichi. O som do metal chispou no ar. Redemoinhos de vento fizeram os vidros das janelas racharem, apenas com o embate dos dois ninjas.

Nasasu saltou para a sua retaguarda, puxando ar à boca enquanto formava selos com as mãos.

– Katon: Housenka no jutsu. – Rosas em chamas saíram pela boca de Nasasu indo embater no chão, sem conseguirem atingir Saguichi. Mas o moreno queria apenas distrair a atenção do ruivo. Logo a seguir, com uma rapidez incrível, Nasasu avançou a correr para cima de Saguichi com um rasengan vermelho a formar-se sobre a palma da sua mão. Com uma mão agarrou no pescoço do ruivo e com a outra, onde estava o rasengan, ele ia colocar no peito de Saguichi, mas foi agarrado por um relâmpago amarelo.

Naruto enviou a mão do filho para trás. O rasengan vermelho esfumou-se no ar, e logo a seguir Naruto com uma força bruta bateu na barriga de Saguichi. O ruivo arfou. O Hokage batera com tanta força que os seus pulmões se encolheram, provocando-lhe uma total falta de ar. Saguichi caiu em seguida no chão. Completamente apagado, mas não morto.

– Levem-no para a prisão. Os médicos de lá que tratem dele. – Ordenou Naruto para alguns dos ninjas que o acompanhavam. Depois dirigiu-se para o filho. – Nasasu o que te passou pela cabeça para combateres Saguichi em plena rua?

– Foi em legítima defesa, senhor. – Respondeu Nasasu, sabendo que não estava a falar com o seu papá, mas com o Hokage.

– Tudo bem. Aconteceu uma coisa grave. A Raiz finalmente resolveu agir. – Falou Naruto rápido e claro. – Shidou Yuuri foi ao hospital e levou Kagure. Neste momento já estão fora da aldeia. Alguns ninjas da Raiz tentaram controlar o nosso poder central, mas eu já estava à espera que algo assim acontecesse. O conselho já foi avisado, e os membros que pertencem à Raiz estão presos. No entanto, estão haver lutas dispersas. Mas, neste momento, temos que ir atrás de Yuuri, resgatar Kagure e acabar de uma vez por todas com a Raiz. Acompanha-me.

– Mas sabes para onde está a ir o Shidou? – Questionou Nasasu, enquanto tentava controlar o seu pânico e desespero que lhe cresciam no peito. Só pensava no perigo que Kagure estava a correr e no bebé… esperava que nada lhes acontecesse. Mordeu os lábios, ao mesmo tempo que corria ao lado do pai. À sua volta estavam vários ninjas.

– Já enviei um esquadrão atrás deles. Nós vamos nos encontrar com ele. Não te preocupes, Neji, não lhes perderá o rasto. – Encorajou-o Naruto. Os seus passos ganhavam cada vez mais velocidade, logo estariam a atravessar os portões de Konoha. – Deixei Kakashi no controlo da aldeia. Os gémeos ficarão bem com Asuka. Mandei uma mensagem a Sasuke, em breve ele vai se encontrar connosco. Nasasu ouve bem, não quero movimentos imprudentes, enquanto estivermos na frente do inimigo, compreendido?

– Sim, senhor!

oOo

Kagure não sabia exatamente aonde estava. Sabia apenas que estava há muitas horas, talvez há um dia, a ser carregado por vários ninjas. Sentia-se bastante mal disposto. Não conseguia comer nada, mesmo quando os ninjas que o levavam lhe ofereciam comida com bom aspeto. Sentia uma azia constante, suava bastante e, pior, por vezes caía na inconsciência. Na sua mente só estava a imagem de Nasasu e dos gémeos. E se não os tornasse a ver? E o bebé que estava dentro de si? O bebé que ele queria tanto conhecer, será que nunca o conheceria? Queria tanto Nasasu… nem que fosse para o ver uma última vez.

Passado algumas horas, ele acordou dentro de um local frio. Focou os olhos. Era um local escuro. Entrava um pouco de luz por umas pequenas janelas com grades nas paredes. Sentiu frio. As costas doíam. Tentou mover-se, mas encontrou-se amarrado pelas pernas e pulsos. As amarras estavam tão apertadas que lhe davam dor. Memórias do dia em que a raposa o maltratara foram impossíveis de conter. Sentia-se tal como se sentira nesse dia, indefeso. Não havia pior sensação do que estar à merce do inimigo.

– Já acordaste, Shidou Kagure? – Como odiava o seu nome de família, mas quem é que o chamava numa voz falsa de simpatia? Virou a cabeça e uma luz sobre si acendeu-se e ele pode ver a figura de um rapaz, vestido com roupas de hospital. – Estiveste inconsciente durante muitas horas, quase um dia inteiro. Mas o nosso médico é especialista e não te deixou perecer. Eu sou enfermeiro e tenho estado atento à tua condição.

Uma das mãos do enfermeiro afagou a testa e o cabelo de Kagure, que se encontrava soltou e espalhado pela marquise. O prateado em contraste com a napa espumosa. Parecia que o rapaz o queria apaziguar, mas Kagure sentia-se enojado.

Então ouviu-se uma tranca pesada em ferro e um guincho de uma porta a ser aberta. O enfermeiro tirou a sua mão fria da cabeça de Kagure e afastou-se um passo. Outros passos foram ouvidos. Alguém mais se aproximava. Segundos depois dois homens chegavam ao campo de visão de Kagure. Reconheceu-os: um era o seu pai e o outro era o Mizukage.

– Chegou a hora. – Sentenciou o Mizukage, uma mão fria pousou no ventre grande e redondo de Kagure, que só então percebeu que estava nu. – Pode avançar doutor!

– Doutor? Questionou-se mentalmente o Shidou mais novo, mas rapidamente obteve a sua resposta, quando um médico se moveu de encontro a si. Tinha um algodão embebido em álcool e uma seringa com um líquido vermelho no interior.

O enfermeiro agarrou no braço direito de Kagure, desamarrando-o e puxando-o para que o antebraço ficasse voltado para cima. O homem com a seringa usou a pinça metálica, onde estava seguro o algodão para desinfetar a área. Então Kagure compreendeu que lhe iriam injetar qualquer coisa. Com um safanão soltou-se, mas foi rapidamente imobilizado pelo enfermeiro, primeiro porque estava grávido, e depois porque sentia-se fraco, com uma debilidade momentânea.

– PAREM! – Gritou em desespero. O que lhe iriam injetar? O que lhe iam fazer? – Parem! O que estão a fazer?

– Estamos a provocar o parto. – Respondeu o Mizukage. Os olhos Kagure esbugalharam-se, entrou em pânico, e ele tentou soltar-se, mas era em vão, o enfermeiro controlou-o.

– Não, por favor, ainda não é tempo! – Suplicou olhando para o médico, mas este mantinha uma mascara de imparcialidade. – Não, por favor, não.

Olhou então para o pai. Verde com Azul. Uma emoção que se chocou. Queria olhá-lo. Pedir-lhe que tivesse misericórdia pelo próprio neto.

– Por favor, não faça isto… - A seringa entrou na veia, fazendo-o soluçar enquanto os seus olhos se encheram de lágrimas. – Pai, por favor… - Por momentos, por entre as suas lágrimas, pensou ver uma expressão de preocupação e apreensão no rosto do seu pai, mas talvez fosse apenas a sua esperança quase nula. O líquido vermelho da seringa entrou-lhe no sangue e ele sentiu que tudo estava perdido.

– Agora é só esperar cerca de trinta minutos até podermos retirar o bebé. – Falou o médico retirando a seringa da veia. Após alguns instantes, Kagure sentiu a primeira contração, o efeito do líquido era rápido, e a contração foi tão forte que o gestante ficou quase sem ar. Logo gritou numa agonia sem precedentes. O seu bebé… O que aconteceria?

Os minutos foram passando, correndo, com Kagure embalado numa nuvem de dor física e desespero mental. Nasasu nunca lhe perdoaria se alguma coisa acontecesse, ele mesmo nunca se perdoaria, preferia morrer.

– Está na hora. – Avisou o médico. Eles iriam iniciar a operação. O bebé iria nascer.

oOo

Um estrondo furioso fez as portas do castelo do Mizukage caírem, esmagando alguns ninjas inimigos. Uma serpente roxa entrou, silvando selvaticamente. Na sua cabeça estava Nasasu, Sasuke e Naruto, que velozmente saltaram. Três homens com estaturas idênticas pisaram o chão ao mesmo tempo, com determinação no olhar, e com a Nishi-shi desmaterializando-se numa nuvem de fumo nas suas costas.

Naruto corria à frente mostrando o caminho aos outros ninjas. Com a sua habilidade de Sage, ele podia encontrar muito mais rapidamente a essência de Kagure. E algo nisto o assustava, pois cada vez mais a essência do amor do seu filho se encontrava mais fraca, ao ponto de vir a desaparecer. Mas preferiu não dizer nada sobre isso, ou o pânico contido de Nasasu rebentaria.

Atrás deles uma batalha decorria, ninjas de Kiri contra Oto e Konoha. Com eles, no entanto, estava um grupo de ninjas que os acompanhava, ajudava e não se separava. Afinal tinham as vidas de três importantes senhores para proteger.

Nasasu relembrou que já estivera naquele castelo muitos, muitos, anos antes. Não se esqueceria, pois fora durante um aniversário seu, ao certo já não se lembrava muito bem, mas tinha memória de que Oshi era ainda bebezinha. Na cabeça de Naruto os pensamentos eram parecidos, mas este lembrava-se do sentimento inconsciente e mau que sentira ali, do qual a própria Kyuubi se manifestara. Era ironia ou destino, que tantos anos depois, viesse a descobrir que o seu inimigo sempre estivera atrás daquelas paredes. Pior, que o seu inimigo sempre tivera à sua frente. Mas a questão agora era outra: o que é que o Mizukage queria de Kagure?

Embateram contra uma nova orla de guerreiros ninjas da qual se desfizeram rapidamente, mas os minutos perdidos ali, eram minutos contados na vida de Kagure.

– É aqui! – Berrou Naruto, impulsionando o seu corpo a entrar numas escadas extremamente estreitas. Todos seguiram o líder, Nasasu e Sasuke em primeiro, obviamente.

Chegaram a uma grande divisão escura, com janelas pequenas, com grades e sem vidros, de onde entrava uma réstia de luz diurna muito pálida e deprimente. Mas, a divisão estava vazia. O louro concentrou-se. Tinha a certeza que não se enganara, ele sentira Kagure ali. Só que agora a essência tinha desaparecido completamente. O que teria acontecido?

oOo

Kagure gritou em agonia. O médico cortava-lhe o ventre a direito sem ter qualquer analgésico. Não havia cuidado para com a sua vida, nem para com a vida que estava dentro dele. Os seus olhos estavam inchados do choro compulsivo. Os seus lábios sangravam por ele os morder para aguentar com as dores atrozes que lhe eram infligidas.

– Estão a invadir o castelo! – Alguém berrou entrado naquela divisão escura.

– Avance depressa doutor. – Ordenou o Mizukage. O médico obedeceu prontamente, Kagure sentiu as suas entranhas a serem remexidas, gritou, berrou, mas toda a gente naquela divisão fazia orelhas moucas. Um novo corte no seu interior e mais dor. De fora podia-se ver a quantidade de sangue que jorrava para o lado de fora, manchando o corpo de pele rosa e fazendo um enorme poça de sangue. Parecia uma história de sadismo, ou mesmo, de terror.

A mente de Kagure queria apagar, mas algo não a deixava, talvez lhe tivessem injetado alguma coisa para o deixar inconsciente. Ele lera algures que era crucial que o gestante se mantivesse acordado durante o parto. Porquê? Não sabia. Os seus pensamentos estavam a entorpecer. Sentiu alguém agarrar-lhe a mão com força, com calor. Uma mão desconhecida. Um carinho que ele não conhecia. Tentou ver alguma coisa, mas o mundo era apenas borrões de cores.

– Mantém-te consciente Kagure! – Gritou alguém. Quem era? Quem é que estava a lutar pela sua vida quando ele mesmo já se estava a entregar à morte?

Puxaram algo para fora do seu corpo. Não precisou pensar muito para perceber que lhe tinham arrancado o filho.

– Não está a reagir… a criança não está a reagir… - Parecia que era a voz do enfermeiro que falava, mas ele já não tinha certeza de nada. Quando compreendeu as palavras gritou. Queria morrer… como que impelido pelo grito do próprio pai, o bebé começou a berrar também, talvez percebendo que algo não estava bem com quem o queria amar. Sentiu a mão que o agarrava apertá-lo com força. Não era para magoar, era para o segurar à vida. O bebé também estava vivo… queria o seu bebé, mas não conseguia falar. Na realidade, não se conseguia sequer mexer, apenas o seu cérebro ainda se mantinha a funcionar, talvez até o seu coração já tivesse parado.

– Depressa Mizukage-sama! Os invasores estão quase aqui… - A voz preocupada e cobarde de alguém. Invasores? Pensou Kagure. Nasasu… era Nasasu que estava a chegar.

"Por favor, Nasasu chega a tempo de salvar o nosso bebé…"

Escuridão.

– Passa para cá a criança! – Ordenou a voz do Mizukage, o enfermeiro entregou-lhe o bebé que estava embrulhado num lençol lavado, logo a seguir, o homem tombou agarrado à garganta. O Mizukage, sem piedade acabara de cortar a garganta ao enfermeiro. Depois virou-se para o médico e, também este caiu.

– O que está a fazer? – Perguntou Yuuri, o seu rosto estava sujo de sangue, assim como as suas roupas e os seus cabelos prateados. Os seus olhos estavam brilhantes. – Você acabou de matar o médico!

– E então? – A voz mostrava a sua prepotência sem emoção.

– Ele ainda não fez o resto da operação ao meu filho! – Yuuri continuava agarrado à mão de Kagure. Vira lentamente o seu filho desistir da vida e pegara-lhe na mão tentando desesperadamente com que ele não se entregasse aos braços da morte. O Mizukage, o verdadeiro líder da Raiz, tinha prometido que Kagure não iria sofrer com pelos seus planos. Fora uma grande mentira!

– Vamos embora! – Falou o Mizukage dirigindo-se para a porta, provavelmente não reparando nas lágrimas de Yuuri, ou nem sequer se importando com elas. Shidou Yuuri sempre fora o mais leal dos seus seguidores, com certeza que nunca o trairia. Como estava enganado…

Ouviu atrás de si um berro de morte. Yuuri tinha atacado o ninja que os tinha vindo avisar que estavam a ser atacados, quando o Mizukage se virou viu este último no chão morto aos pés de Yuuri, que estava com os seus olhos completamente prateados, claramente em modo de ataque. Shidou avançou para o Mizukage, o seu olhar exalava ódio. O homem sem emoções tinha as suas emoções ao rubro.

– Largue o meu neto! - A voz dele saia autoritária numa ordem.

oOo

– Aqui! Há uma porta! – Gritou um dos ninjas de Konoha chamando por Naruto, Sasuke e Nasasu. Os três correram, sem grande força a porta quebrou e deixou passar o trio Uchiha. Estava escuro, mais escuro que na divisão anterior.

Então viram um chakra azulado no meio da escuridão. À luz do chakra eles conseguiram ver Shidou Yuuri juntou de uma marquise repleta de sangue, por cima desta, já desamarrado estava Kagure inconsciente, não… estava Kagure morto. Nasasu rugiu em fúria antes que Naruto e Sasuke tivessem possibilidade de agarrá-lo, já ele avançava para Yuuri convicto que ele matara o próprio filho.

Shidou apenas mexeu um dedo injetando um pouco de chakra diretamente na cabeça de Nasasu, que parou ao seu lado abruptamente. Era inundado de imagens do que se tinha passado ali. Yuuri lutara contra o Mizukage tentado recuperar o neto. De certa forma, aqui Nasasu sentiu-se aliviado por saber que o bebé estava vivo, mas não gostava nada de saber que o Mizukage tinha planos macabros para o recém-nascido. Viu o Mizukage a ferir Yuuri gravemente e depois fugir antes que o grupo de salvamento vindo de Konoha e Oto resgatasse Kagure.

– Vai atrás dele… - Falaram os lábios trémulos de Shidou Yuuri, mas os seus olhos prateados não o encararam, ele estava a concentrar chakra à volta da cabeça de Kagure. Todos os presentes se mantinham quietos, não sabiam ao certo porquê, uma vez que tinham um dos seus maiores inimigos à sua frente.

Então, distinguindo por entre a escuridão o coração de Nasasu deu uma batida em seco. Lágrimas, enormes lágrimas escorriam pelas faces de Shidou Yuuri, o homem que sempre apregoara que os sentimentos eram o ponto fraco dos ninjas. Na realidade, ele tinha razão… mas ser humano era o ponto fraco de qualquer ninja e homem de armas.

Nasasu deu por si a pensar no passado de Shidou Yuuri. O que teria acontecido para ele tornar naquela pessoa fria? O que se passara para ele querer renegar todos os seus sentimentos?

– Vai atrás dele… - Voltou a falar Yuuri, desta vez olhando para Nasasu, um pedido, uma súplica sufocada. – Mata-o… vinga Kaguro…

Kaguro? Perguntou-se Nasasu. O que tinha o gémeo de Kagure a ver com tudo aquilo?

– Nasasu afasta-te desse homem. – Ordenou Sasuke, que ainda não tinha avançado por pensar que a vida do filho pudesse estar a ser ameaçada de alguma maneira, mas agora atento e com o sharingan ativo ele reparava que Shidou Yuuri já não representava nenhum desafio ou ameaça… estava mortalmente ferido. O Uchiha mais velho até se admirava de como é que ele ainda se mantinha em pé.

O filho, contudo, não se queria afastar. Queria compreender. Foi então inundado de mais imagens. Reuniões entre o Mizukage, Yuuri e Kabuto engendrando planos de como usar os gémeos Shidou para se aproximarem de Nasasu. Eles queriam usar a amizade deles com o primogénito Uchiha para o convencerem a entrar na Raiz e então para usarem o poder do pequeno para controlar os bijuus.

Os bijuus? Estremeceu Nasasu. Mas Shidou mostrou-lhe mais. Mostrou-lhe quem o Mizukage era realmente. Com a ajuda de Kabuto e das suas artes obscuras o Mizukage passara de um corpo para o outro, um pouco como o Orochimaru fazia, mas de maneira diferente uma vez que usava Runas e conhecimentos do mundo dos mortos. Em troca só teria de deixar Kabuto continuar a usar vítimas humanas nas suas experiências pela busca incessante do conhecimento do mundo.

Então, um dia Kabuto viera com a ideia de se aproximar dos gémeos, queria apressar os planos do seu novo mestre, Mizukage. Mas desses planos apenas resultara a morte de Kaguro. Agora, Nasasu percebeu o que o Shidou lhe estava a tentar dizer. Era culpa de Kabuto que Kaguro estivesse morto, mas era ainda mais culpa do Mizukage, e o Shidou Yuuri sempre ressentira isso, e agora, mais um dos seus filhos morrera por causa do Mizukage, fora a sua rutura.

Quando voltou à realidade ficou parado a ver Yuuri de volta do corpo de Kagure. A dor depois do choque estava a alastrar-se no seu peito. O seu Kagure estava… as lágrimas amontoaram-se nos seus olhos…

Yuuri gritou. Uma enorme porção de chakra encheu as suas mãos. A mão direita pousou-a na testa do filho e a outra no peito, por cima do coração. Uma ventania enorme envolveu o corpo de Shidou Yuuri, os seus cabelos esvoaçavam à sua volta. Nasasu reparou então em todas as parecenças que Kagure tinha com aquele homem, era verdade que ele tirara a sua beleza de Asuka, mas os traços do pai também tinha prevalecido na sua genética, os traços de mais graça.

Sem sair do mesmo sítio na sua cabeça apareceram imagens de Kagure, que só depois ele percebeu que era Shidou Yuuri mais novo, a sorrir, ao lado de outra pessoa, da qual ele não podia saber quem era. Nasasu ficou preso no sorriso de Shidou… aquele homem em tempos tinha sorrido de uma maneira inocente? Cheia de amor, cheia de felicidade. Seriam aquelas imagens verdade ou apenas ilusão?

Então, a ventania parou, o chakra desapareceu e Nasasu viu Yuuri cair ao chão, tentou agarrá-lo, mas um sôfrego, um soluço vindo dos lábios de Kagure fê-lo agarrar-se ao Shidou mais novo, sem mais ligar ao que acabara de tombar.

– Kagure? – Questionou Nasasu, sem compreender, ele tivera quase a certeza que deixara de sentir a essência de Kagure. Quase de certeza que ele estivera morto. Como era possível estar agora a respirar?

– Nasasu? – Os olhos verdes encararam as safiras azuis de Nasasu, depois soltou um esgar de dor. O seu corpo fora esventrado, as dores eram com certeza imensas.

– Um médico! – Gritou Nasasu. Tetsuya correu para socorrer Kagure, começou imediatamente a trabalhar. O silêncio era de enterro. Naruto e Sasuke aproximaram-se. Não sabiam o que se tinha passado ali…

– Por momentos, pensei que estava morto. - Comentou Kagure, enquanto Nasasu lhe beijava os cabelos e inspirava o seu cheiro. Estava sem força para lhe responder de momento. O medo fora demasiado grande. Tão grande que o deixara quase anestesiado. Por momentos… por momentos, julgara que tinha ficado sem umas das suas forças de viver.

Sasuke verificou a vitalidade no corpo de Shidou Yuuri. Esta tinha-se desvanecido. Morrera. Olhou o marido que compreendeu sem palavras o que se tinha passado ali. Anos antes, Naruto assistira a um fenómeno idêntico àquele. Um evento que dera vida a Gaara. Yuuri dera a sua vida em troca da do filho.

O louro suspirou ao ver o inimigo caído. Havia ali outros corpos, todos estavam já sem vida. Pelo menos, nos últimos momentos, mesmo errando a vida toda, Shidou Yuuri tivera um ato nobre. Um ato que mostrou que até o mais improvável dos homens tinha amor no seu coração…

– O bebé? – Questionou o jovem pai. Os carinhos que Nasasu lhe estava a fazer na cabeça deixavam-no relaxado. Parecia que tudo tinha acabado bem. Ele lembrava-se de ter ouvido o bebé chorar. Lembrava-se de ter esperança de que Nasasu o salvaria.

– O bebé foi levado… - Comunicou Nasasu.

– Levado!? – Alarmou-se logo.

– Sim, o Mizukage levou-o.

– Não… - Os olhos de Kagure encheram-se de lágrimas. – O bebé…

– Eu vou buscá-lo! – Decidiu Nasasu olhando para os pais.

– Como sabes que foi ele?

– O Shidou mostrou-me. – Falou de maneira curta, mas tanto Naruto como Sasuke perceberam prontamente o que se passara. Ao contrario de Kagure que murmurou um "O quê?!"rouco. Estava confuso e muito fraco.

– Kagure ouve-me! – Os olhos verdes fixaram-se no rosto de Nasasu. – Eu vou atrás do nosso bebé… - Kagure maneou a cabeça entendendo.

– Perdoa-me. – Soluçou Kagure.

– Por quê?

– Eu não protegi o nosso bebé… - Nasasu sorriu tristemente perante a doçura de Kagure. Ele passara por uma situação horrível e, no entanto, em vez de culpar fosse quem fosse, estava a pedir perdão.

– Amor perdoa-me tu, por não ter chegado a tempo. – Pediu Nasasu beijando de leve os lábios de Kagure.

– Encontrei o Mizukage! – Informou Naruto com ímpeto, estava no seu modo Sage. – Vamos depressa, ele está a mexer-se.

– Kagure, eu vou. Fica aqui com Tetsuya, está bem? – Falou mansamente para o namorado, ele já fora suficientemente mal tratado, precisava agora de recuperar.

– Está bem. – Concordou, sabendo que não tinha muita escolha no estado em que se encontrava.

– Tetsuya cuida dele. – Pediu Nasasu olhando para o medi-ninja.

– Com a minha vida. – Anuiu Tetsuya, depois da estupidez que o seu irmão mais novo tinha feito, ele sentia-se em divida para com a vida da família Uchiha, isto incluía Kagure.

Sem palavras apenas com olhares de despedida, Naruto, Sasuke e Nasasu correram para fora da divisão e para fora do castelo.

oOo

– Entregue-se Mizukage! – Gritou Nasasu.

Eles corriam há horas atrás dele, quando pensavam que o estavam a apanhar ele arranjava forma de fugir. Nasasu sofria a ouvir o bebé a chorar alto. Ele precisava de carinho, de jeito e mimo, comida até, e não de estar nas mãos de um louco que o arrastava de árvore em árvore para um destino desconhecido.

Então, num golpe de sorte e destreza, Naruto multiplicou-se com os seus clones e cercou o Mizukage, fazendo uma gaiola com os seus múltiplos. Sasuke e Nasasu colocaram-se cada um do lado do raptor.

Houve uma breve luta de olhares entre eles. Num movimento rápido o Mizukage espetou uma kunai de encontro ao bebé. Os familiares Uchihas sobressaltaram-se. O bebé chorava assustado.

– Solte a criança.

– Não. Ele é o meu escudo de proteção. - Nasasu mexeu-se, dando um passo em frente e a ponta da Kunai foi à cara do bebé, embora sem o ferir. O pai imobilizou-se. O perigo era real. Aquele homem não tinha escrúpulos nenhuns.

– O que é que você quer?

– Ora ai está um pergunta muito bem feita. – Riu-se o Mizukage sem piada nenhuma. – Levem-me até ao local dos Bijuus.

Os Uchihas trocaram novamente olhares entre si, queriam saber como deviam agir, mas nenhum deles iria colocar o seu mais recente membro da família em perigo.

– Então como vai ser? - A kunai mexeu-se ainda mais contra a pele do bebé. Naruto, Sasuke e Nasasu renderam-se logo. O homem sorriu ao compreender que eles não lhe imporiam resistência. – Muito bem. Agora, por favor, mostrem-me o caminho. E não tentem nada, senão aqui o pequeno paga pelos vossos movimentos imprudentes.

Nasasu engoliu em seco.

As horas foram passando, à medida que eles se aproximavam do local onde os bijuus estavam guardados por vários batalhões de ninjas. O Mizukage ordenou-os que usassem o genjutsu poderoso dos sharingans para passarem sem ser vistos. Não era nada de mais, era como se tivesse posto um escudo invisível sobre si mesmos, além de que abafava os ruídos. Rezavam para que não houvesse ninjas suficientemente fortes para quebrar o genjutsu e efetuar uma investida que podia por em risco a vida do bebé.

O bebé chorava e gritava com fome. O coração de Nasasu ia-se apertando lentamente. Estava a enlouquecer, queria poder matar aquele imbecil que estava a fazer o bebé indefeso chorar daquela maneira.

Passaram pelos ninjas e por vários circuitos de proteção. Em volta da grande estátua de madeira fora construído um forte. E eles abrigados pelo jutsu passaram sem problemas. No grande centro, tal como num anfiteatro aberto, o Mizukage ficou um momento a contemplar grande envergadura. Nasasu tentou atacar, aproveitando a distração, mas o Mizukage depressa desfez as suas ilusões. Um pequeno fio de sangue caiu da cara do bebé. Nasasu amaldiçoou-o, e amaldiçoou-se. O genjutsu desapareceu, e um alarme soou. Havia intrusos, onde ninguém devia entrar. Foram rapidamente rodeados por ninjas e samurais armados.

– Fiquem longe. – Ordenou Naruto. Quando o reconheceram todos pararam.

– Já está ao pé dos Bijuus. Liberte o bebé. – Ordenou Sasuke. Todos eles tinham o sharingan ativado.

– Não vai ser assim tão fácil, Sasuke-kun. – O Mizukage soltou uma essência que fez Sasuke espantar-se. – Sabes, tudo isto é culpa tua. Devias ter-me morto quando pudeste. Mas deixaste-te levar pelos sentimentos para ir salvar o teu querido marido e agora… Agora tenho a vida do teu neto nas minhas mãos.

– Shimura Danzou. – Cuspiu o moreno, como tivesse um trago amargo na boca.

– Co… como é possível? – Questionou-se Naruto. Todo aquele tempo… fora sempre Danzou por detrás de tudo? Sempre aquele maldito por entre a discórdia, provocando guerra entre a paz. Era daqueles velhos loucos que não sabiam que os tempos tinham mudado. Lutava por ideais mortos, ou talvez já nem lutasse por nada.

– Ele fez um ritual. – Explicou Nasasu, lembrando-se das recordações que Shidou Yuuri lhe tinha mostrado.

– Sim, Kabuto mostrou que algumas artes antigas podem ser muito proveitosas. Tive de morrer para voltar a este mundo, demorei anos para chegar até ao dia de hoje, mas aprendi a ser paciente. – Enquanto Danzou, no seu corpo novo falava, Naruto relembrou uma missão antiga que fizera juntamente com Yamato-taichou, Sakura e Sai.

– O senhor é a alma de nível nove! – Recordou as palavras que o capitão tinha dito na altura.

– E quem diria que a minha alma tinha um nível tão alto. – Rejubilou-se com sarcasmo.

– Vocês não terminaram de selar a alma. O senhor ainda vive com a verdadeira alma do corpo.

– É verdade, por vezes dá trabalho, mas é uma alma fácil de controlar. – Naruto arrepiou-se. À sua frente estava um corpo com duas almas.

– Chega de conversa. Eu quero que libertem os bijuus.

– É louco! Nunca faremos isso. – Negaram Sasuke e Naruto quase em uníssono.

– Então e tu, Jovem Uchiha? – Perguntou olhando para Nasasu, este estremeceu visivelmente. O som dos berros do seu bebé ecoavam nos seus ouvidos, apesar de o pequeno já não chorar. O que preocupava o pai. Será que lhe acontecera alguma coisa? Enquanto ele gritava, pelo menos sabia que ele se mantinha vivo. – Lembra-te… - Abanou o bebé e mexeu a kunai. Nasasu não escondia o medo.

– Eu faço.

– Decisão sensata, jovem Uchiha. – Nasasu enojou-se com o cumprimento do inimigo. Mexeu-se cautelosamente. Olhou para os pais, pedido perdão com o olhar, mas nenhum deles o censurava, muito pelo contrário, censuravam-se a eles mesmos. Tinham no peito o mesmo fardo que ele tinha: a impossibilidade de proteger os seus filhos, a sua descendência, a sua família perante o mal externo.

Olhou para a gigantesca estátua de madeira. Como é que ele abria e soltava o bijuus? Saltou para um dos dedos da estátua. Logo sentiu o seu chakra a entrar em sintonia com a estátua. Parecia que ela estava viva. Havia definitivamente vida a correr por ela. Então, algo o assustou. Os oito olhos da criatura viraram-se para si.

Sem perceber muito bem como ou porquê, quando deu por si viu-se num espaço negrume. À sua frente oito majestosas figuras olhavam-no. Todas elas com várias formas e várias caudas. Não precisava de pensar muito para saber quem eram. O que é que se passava? As criaturas pareciam estar ligadas por uma consciência, embora todas elas tivessem consciências destintas. Algo as conectava.

– Tu sabes o caminho para Montanha Deserta da Meditação! – Eram várias vozes, mas todas elas falavam em conjunto. – O teu cheiro diz que já lá tiveste…

– Sim, é verdade. – Confirmou Nasasu. Saíra de lá fazia pouco tempo, mas pelos vistos algo em si alertara os bichos das caudas para a sua estada lá. – Eu sei que a Montanha é a entrada para o vosso mundo.

– Quem te falou disso? – Novamente várias vozes.

– A Kyuubi ao seu Jinchuuriki. Se me ajudarem eu levo-vos ao vosso mundo. – Não sabia muito bem que tipo de ajuda podiam aquelas criaturas dar-lhe, mas talvez tivessem maneira de derrotar Danzou, alguma maneira de mandar a alma dele novamente para o mundo dos mortos.

Foi analisado pelos vários pares de olhos.

– Os teus olhos são enganadores, como os teus ascendentes. Foi através deles que nós aqui viemos parar. – A acusação estava implícita. Rikkudou era o culpado daquelas criaturas de outro mundo vaguearem pela terra ninja aterrorizando pessoas.

– E por estes olhos voltaram ao vosso mundo. – Garantiu o Uchiha.

Houve um silêncio profundo, as criaturas pareciam falar entre si, mas Nasasu não percebia, nem ouvia.

– Abre a tua alma para que a possamos ler. – Nasasu não sabia muito bem como isso se fazia, mas pensou que era alguma coisa parecida com a maneira como quando Kagure lhe entrava na mente. E acertou. Desativou o sharingan e rapidamente foi invadido pelas suas próprias recordações. Parecia que estava a ver um filme sobre a sua vida, mas não era o único que via, oito outras consciências também viam. Os bijuus estavam a certificar-se se ele era de confiança. No fim, ficou novamente o silêncio.

– E então? – Questionou Nasasu impaciente, pensando no filho a ser ameaçado por Danzou.

– Nós ajudar-te-emos. Solta-nos. – Ordenaram os bijuus.

– Como é que faço isso? – Houve gargalhadas, o humano tinha vindo pedir ajuda aos demónios das caudas e nem sequer sabia como os podia soltar, era hilário.

– Usa os teus olhos.

– Mas antes prometam que nada de mal acontecerá a mim e aos meus. – Ele ouvira do pai que os Bijuus eram criaturas sagradas e que não podiam quebrar as suas promessas. Era um condição por terem um poder superior.

– Nós prometemos.

– E eu prometo levar-vos para casa. – Prometeu Nasasu, que acionou o sharingan, mas, então, reparou. Não, ele não ativara o sharingan, ele ativara outra coisa. Uma coisa que elevava o seu chakra ao máximo. Que fazia o sangue chegar ao cérebro muito mais depressa. Sentia que a qualquer momento a sua cabeça podia explodir com tanto sangue. Teve que controlar rapidamente a sua respiração. Aquilo que estava a sentir era um novo poder.

Pensou em libertar os bijuus e, como se o mundo agora lhe obedecesse, voltou a estar de frente para os oito olhos, em pé sobre um dos dedos da estátua. Os olhos cintilavam com uma luz azulada, idêntica ao do chakra. A luz foi-se intensificando, até que uma massa disforme se começou, lentamente, a formar. Os bijuus estavam a ser libertados.

– Ordena-lhes que venham para dentro de mim! – Gritou Danzou, que brandia o bebé nos seus braços, este recomeçou a chorar. Agora estava respondida a questão: o que é que o Danzou queria dos bijuus? Ele queria tornar-se um jinchuuriki. Talvez quisesse com isso voltar a ter o poder sobre Konoha ou controlar todo o mundo.

Nasasu virou-se então para o homem para depois saltar para o chão. Nas suas costas a grande massa disforme de intenso chakra ainda se formava. Aproximou-se dos seus pais, que estavam a poucos metros de Danzou. Naruto soltou um silvo de reconhecimento ao mirar os olhos do filho. Arrepiou-se e deu a mão ao marido, que também estava um pouco espantado, nunca vira uma esfera ocular daquela maneira, e certificou-se que não estava a sonhar. Não estava!

– Como é que tu tens o Rinnegan? – Questionou.

Sasuke observou o louro de esguelha. Como é que Naruto sabia que tipo de olhos tinha o filho? E que tipo de poder tinha o Rinnegan? Não houve resposta, nem da parte de Nasasu, que tentava concentrar-se para manter aqueles olhos ativos, nem pela parte de Naruto, que de repente ficara muito quieto olhando para os bijuus que se estavam a libertar.

Samurais e ninjas compreendendo que estava ali a vida de um inocente em perigo, nem sequer se mexiam, no entanto, à medida que a massa disforme ia crescendo também a sua apreensão crescia.

Nasasu compreendeu que aquela técnica ocular era terrivelmente muito mais avançada que o sharingan. Os jutsus usados sobre a sua demanda consumiam uma enorme quantidade de chakra. Deu graças por ter uma linhagem forte, senão sabia que há muito teria definhado.

Por seu lado Naruto olhava para a massa de chakra, mas a sua consciência estava no interior da sua cabeça. Fora invadido por oito consciências ligadas e com elas falava.

– Quer dizer que usando o chakra da Kyuubi eu posso fazer com que vocês venham para o meu corpo em vez do corpo do Danzou? – Perguntou, não sabendo muito bem se tinha compreendendo em pleno o plano daquelas criaturas.

– Sim, assim poderás contrariar as ordens que o teu filho nos dará quando os nossos corpos estiveram completamente soltos. – As vozes falavam todas ao mesmo tempo. A primeira vez que ouvira aquilo pensara que estava a ouvir vozes, e que tinha enlouquecido de vez. – Para isso terás de deixar o Kyuubi tomar controlo do teu corpo.

Naruto não gostou de pensar que a raposa traiçoeira iria controlar o seu corpo.

– Isto é um trato?

– Se assim quiseres. – Naruto balanceou a cabeça confirmando que queria que aquelas criaturas prometessem. Como seres superiores não podiam quebrar a promessa que fizessem. Pensou que era algo um pouco injusto, mas também necessário, para se poder sentir seguro. Os bijuus prometeram.

– Em troca terás de nos devolver ao nosso mundo.

– Assim o farei. Prometo. – Jurou o Uchiha louro.

Do lado de fora os corpos das criaturas estavam agora completamente visíveis e já não tinham nada de disformes. Era criaturas imponentes, quase como animais. Mas era aí que os humanos se enganavam. O silêncio dentro do forte só era cortado pelas respirações ofegantes dos presentes. O medo era quase palpável no ar.

Nasasu mordeu os lábios. Dissera aos bijuus que se os libertasse depois eles iriam para casa, mas em vez disso iria colocá-los dentro de um corpo de um lunático. Sentia-se mal com isso, pois ele prometera algo que agora não podia cumprir. Pedindo silenciosamente desculpa, pensou no bebé que nascera há poucas horas, era por ele que estava a fazer aquilo. Postou-se à frente das oito criaturas. Todas olharam para ele.

– Ordeno-vos que sejam selados no interior daquele homem. – Apontou para Danzou, enquanto sentia os seus olhos arderem. Eles lutavam contra a vontade contrária dos bijuus, que apenas queriam ser livres. Qual era criatura que não queria?

E então Naruto acionou o chakra avermelhado da raposa, que se foi intensificando, até tomar a forma de Kyuubi. Esta colocou-se atrás de Nasasu, portanto, entre este e Danzou, e olhou para os outros demónios das caudas. A sua boca abriu-se e de repente começou a acumular chakra negro entre as suas mandibulas. Os outros bijuus aproximaram-se, e cada um à sua maneira, fizeram a mesma coisa que a grande raposa. Entre eles as esferas negras iam tornando-se uma só. Por debaixo deles, Nasasu observava tudo, assim como Sasuke. Estaria Naruto bom da cabeça? O que estava ele a fazer em conjunto com os bijuus?

Os corpos dos oito bijuus acabados de soltar começaram a tremelicar à medida que o chakra se ia concentrando, mais e mais os seus corpos tremiam. Até que os seus chakra começaram a recolher em direção à esfera negra, que ia ganhando outras cores, como se de repente, um arco-íris estivesse a despertar no seu interior.

No fim, só ficou uma enorme esfera colorida entre os dentes da Kyuubi. Onde estavam os bijuus? Teria sido Nasasu a provocar aquilo? O Nove-caudas mexeu a sua boca e engoliu a esfera. Com isto, o seu corpo foi envolvido por uma turbulência colorida que lhe saia desde as entranhas. Rugiu furioso.

– O QUE ESTÁS A FAZER SEU IDIOTA! – Berrou Danzou, compreendendo que os bijuus nunca seriam seus, pois estavam agora reunidos dentro do corpo da Kyuubi, no corpo de Naruto. Nasasu não pudera prever que aquilo aconteceria, e ainda bem que assim fora, pois tinha sido a maneira de fugir à chantagem de Danzou sem entregar um grande poder nas mãos do vagabundo. A grande raposa olhou-o com um esgar divertido.

Tudo o que se passou a seguir foi rápido. Danzou mandou o bebé ao ar, tentando enviá-lo para a morte certa. Nasasu gritou. Sasuke mexeu-se rapidamente e agarrou o bebé, impedindo que o neto se estatelasse no chão.

A raposa voltou a ganhar a forma de Naruto, ou seja, Naruto voltou a ter o controlo do seu corpo e avançou rapidamente para cima de Danzou com o intuito de o matar. Os seus olhos estavam mudados, neles estavam uma mistura do vermelho do Sharingan com os elos do Rinnegan. Eram os olhos do Juubi, a compilação das criaturas das caudas. Era claramente do poder daquela criatura que descendia o Sharingan.

Mas Danzou também era rápido, e o corpo novo, apesar de meia-idade, era ágil. Saltou no ar e, usando a técnica da invocação, invocou um grupo extenso de tigres. Naruto riu-se alto. Achava ele que era com animais intermédios que o ia derrotar? Não. Ele sentia o poder máximo, estava agora muito acima de qualquer mortal.

Libertou a sua forma de bijuu. Uma colossal criatura de dez caudas e um só olho apareceu à frente de todos. Parecia um ciclone das mitologias. Mas muito, muito mais arrepiante. Samurais e ninjas gritaram assustados, borrando as próprias calças. Bastou apenas abanar uma das caudas para que todos os tigres invocados por Danzou se desmaterializassem.

O juubi rugiu alto. Um som que provocava agonia. Nasasu já estava ao lado de Sasuke, para verificar se o bebé estava bem, mas agora os olhos de ambos encontravam-se na figura do bijuu, também eles eram percorridos pelo medo insano. Sentiam-se impelidos a fugir. Definitivamente aquela criatura não era do seu mundo e nem sequer devia estar ali.

Com as suas garras Naruto, ou o Juubi, agarrou em Danzou, este esperneava tentando soltar-se, mas as suas tentativas eram inúteis, mas faziam o seu inimigo rir-se dele. Abriu a boca, cheia de dentes diabólicos e a sua enorme igual envolveu Danzou e comeu-o, engoliu.

– NARUTO! – Gritou Sasuke, a sua voz suava um pouco a desespero, mas aquilo que acabara de ver, definitivamente não era um gesto do seu marido. Era uma crueldade para lá do compreensível. A criatura voltou-se então para Sasuke e Nasasu, que tentava acalmar o bebé que tinha nos braços. O juubi tinha um sorriso na sua boca horripilante.

– Nasasu sai daqui depressa! – Ordenou Sasuke ao reparar que a essência de Naruto nem sequer se notava no interior daquele monstro. – Leva o bebé daqui!

A língua do juubi mexeu-se como se tivesse a saborear algo muito bom. Estava em êxtase de antecipação pelo que ia comer a seguir. Nasasu tentou obedecer, mas então a língua do dez-caudas envolveu-lhe o corpo. Sasuke agiu depressa e usando a sua catana cortou-lhe a língua, mas logo depois esta refazia-se.

– PAPÁ! – Berrou Nasasu com os olhos repletos de lágrimas, segurando fortemente o próprio filho e vendo o Juubi. Estaria Naruto perdido no inconsciente do próprio animal? Pensou que tinha de enviar aquela criatura para o seu mundo, tinha que libertar o seu pai daquele monstro. Maldizia a hora em que pedira ajuda às bestas.

Os seus olhos arderam terrivelmente fazendo-o soltar um trejeito de dor. Nasasu sentia o seu chakra a ser acionado. No seu subconsciente soube o que tinha que fazer. Enquanto isso, o juubi continuava usando a língua para tentar agarrar em Nasasu, e em defesa Sasuke cortava a mesma, mas o efeito era o mesmo que da primeira vez.

– Ajuda-me pai! Preciso que lances os teus raios. – Sasuke não o questionou, usando apenas uma mão, ele fez disparar os seus raios em várias direções. O bebé chorava, o juubi rugia irritado. Nasasu formou selos com as mãos. Multiplicou-se por mil e ao mesmo tempo os seus clones começaram a fazer o rasengan vermelho, mas o simples rasengan cresceu e depois ele avançou para cima do Juubi com todos os seus clones.

A ação deu para distrair o juubi e então Nasasu usou o Rinnegan para conjugar os últimos quatro elementos: água, vento, terra e fogo. Estes elementos associaram-se aos raios que Sasuke lançava e o resultado foi a abertura do portal para a Montanha Deserta da Meditação. Mas havia um problema. O juubi era mais forte do que Nasasu julgava e não ia entrar de livre vontade no portal.

– Vocês prometeram! – Gritou em desespero para o Juubi, tentando falar para as bestas das caudas. Queria o seu papá de volta, os seus olhos eram como cascatas, não deixavam de verter água. Sentiu-se no fim das suas forças, não seria capaz mais de manter o Rinnegan.

Mas apenas aquelas tiveram um forte impacto na criatura. Ele parou e as suas caudas ficaram extremamente quietas e depois muito direitas. No fim, o grande olho fechou-se e ele, perante os olhos dos presentes começou a dividir-se. Lentamente, nove massas disformes tornaram-se nos antigos bijuus, e um a um entraram no portal da Montanha Deserta da Meditação. À medida que desapareciam para lá da passagem, dois corpos tornavam-se visíveis. O corpo de Naruto tornava-se reconhecível, parecia um zombie no meio do chakra e ao lado dele caiu o corpo novo de Danzou.

Então, por fim, o Kyuubi despregou-se do corpo de Naruto que gritou em tormento e depois caiu ao chão de forma bruta. Sasuke mexeu-se em aflição, Nasasu agarrou-o por precaução e o último bijuu passou pela passagem. O primogénito soltou o portal que se fechou, as pessoas, samurais e ninjas, suspiraram em alívio e Sasuke deu o neto para as mãos de Nasasu e correu para ver se o Naruto estava bem.

Os Samurais e ninjas também se aproximaram. Ao verificarem que Danzou ainda se mantinha vivo amarraram-no fortemente. Nasasu caiu sobre as suas pernas, ainda sem compreender muito bem se a batalha tinha acabado. Os seus olhos desceram para o bebé que tinha em mãos, surpreendeu-se ao vê-lo de olhos abertos a fixá-lo. Reparou então num tufo de cabelo ruivo no alto da cabeça dele, a imagem de Saguichi veio-lhe à cabeça. Não, não podia ser possível… será que o bebé era filho do ruivo?

– Naruto! – As mãos de Sasuke tremiam descontroladamente, enquanto agarravam no rosto do marido e o viravam para si. Naruto ainda estava estendido no chão. Tentou ver os seus sinais de vida. Não ouvia nada, nem o mínimo bater de coração, nem a mais pequena pulsação. Não, ele não queria acreditar naquilo. – Naruto, acorda, por favor!

O seu corpo foi revestido por um sensação de mau estar. Sentiu-se à beira de um novo abismo. Vários choques percorreram-no. Não podia consentir. Não podia ser.

– Naruto, vá lá para de brincar… - Nem um sinal.

– Naruto acorda! – Ordenou com a voz mais zangada que alguma vez usara. Nada, nenhuma resposta irritada de volta.

– Naruto… - A sua voz sumiu. Mordeu os lábios. Ao longe Nasasu olhava para o pai, também este invadido por uma angústia para lá de o compreensível. Então o seu coração disparou feito louco ao ver os olhos de Uchiha Sasuke repletos de lágrimas. E ali percebeu, no meio dos seus sentimentos assustados, o seu papá…

– Tu não me podes fazer isto… - Murmurou. As mãos de Sasuke fecharam-se furiosas sobre as roupas laranjas do Hokage. Os presentes baixaram as suas armas e rostos em pena e respeito pela personalidade caída e pela dor da família.

– ACORDA! – Berrou em dor para o ar, abanou o corpo de Naruto, e depois, como se tivesse ficado sem forças de repente a sua cabeça caiu por cima do peito do louro e quedou-se a chorar, ignorando completamente as pessoas à sua volta. Era como se pudesse ouvir o seu coração a espedaçar-se lentamente. Como um vidro. Começando numa lasca, depois alastrava-se em fissuras, para cair no final.

– Usurutonkachi, não me deixes sozinho… - Sussurrou, tão baixo que só quem estivesse a centímetros da sua boca é que o ouviria.

– Quem disse que eu te deixo sozinho? – Ao ouvir a voz, sobressaltou-se e olhou para Naruto. Este tinha um rosto cansado, como qualquer soldado depois de uma batalha, mas conservava um sorriso vitorioso. – Choramingas… - Elevou os dedos ao rosto de Sasuke e limpou-lhe as lágrimas. Elas demonstravam como o seu amor nunca se desvaneceria.

– Tu és… - Tentou controlar os soluços. – És o pior…dobe… dobe…

Naruto gargalhou e envolveu Sasuke no seu abraço, puxando-o para si. Sasuke retribuiu o abraço fortemente. O louro sentia-se como se tivesse renascido de novo. A sensação era ótima. Beijaram-se sem pudor pelas pessoas que estavam à sua volta.

– Na… Naruto… - A voz de Sasuke chegou-lhe sufocada.

– O que é?

– Estás a apertar muito… não consigo respirar… - Naruto soltou Sasuke logo a seguir reparando na força que estava a fazer, realmente era muita, mas nem sequer se dera conta de a usar. Sasuke suspirou aliviado com o regresso do ar aos seus pulmões. Depois olhou para as safiras do marido… onde é que ele tinha ido buscar tanta força?

– Papá! – Chamou Nasasu aproximando-se e ajoelhando-se ao lado de Naruto, que então se sentou, continuando a surpreender com a sua rápida recuperação. – Estou tão feliz que estejas bem.

– E o bebé?

– Ele está bem. – E mostrou o pequeno embrulhado no lençol ao pai.

– É um menino? – Questionou Naruto pegando no bebé que mantinha os olhos grandes abertos, esperando, provavelmente arreliado, pela sua primeira refeição. Parecia um pouco a Oshi quando nascera. – Ehehehe Tem a minha cara, não tem? Olá bebé, eu sou o teu vovô!

– E eu sou o teu outro vovô! – Falou Sasuke, envolvendo Naruto com um dos seus braços e espreitando o neto. – Ele é mesmo um menino?

Os avós tinham a mesma ideia partilhada em ambas a cabeça. Já tinham muitos anos. Naruto verificou a coisa e depois abriu os lábios num sorriso. Era aquilo que a família, composta maioritária e esmagadoramente de homens, estava a precisar.

– Olá minha preciosa. – Naruto embalou a pequena que procurava por mama. Teve saudades do tempo em que pegava em Nasasu daquela mesma maneira. – Estás esfomeada, não estás? Vamos embora rapazes. – Levantou-se, reparou num traço de desgosto no rosto do filho.

– O que se passa Nasasu? – Embora a pergunta tivesse na cabeça de Naruto quem a verbalizou foi Sasuke, reparando também que alguma coisa inquietava o filho. – É por ser uma menina?

– Não. – Respondeu prontamente. Sasuke e Nasasu levantaram-se também do chão. O príncipe foi até à filha e pegou nela beijando-lhe a testa. Tinha um amor profundo por este bebé, mas… - Ela é ruiva!

– E o que é que isso tem? – Questionaram os pais ao mesmo tempo.

– O Saguichi é ruivo. – Os pais compreenderam então a apreensão do filho, mas depois de trocarem olhares entre si, gargalharam alto.

– Achas que o Kagure te traiu?

– Não! – Nem sequer colocara aquela questão. Kagure era uma pessoa demasiado doce para fazer isso.

– Achas que ela é filha de Saguichi e não tua?

– É só que…não sei… o Saguichi pode ter usado uma bruxaria qualquer…

– Bruxaria? – Sasuke levou uma mão à cabeça. – O que os ciúmes fazem. – Comentou em tom jovial.

– Olha para ela, achas que ela não é tua filha? Sentes repulsa por ela? – Interrogou o louro.

– Não, eu amo-a muito. Eu sei que ela é minha filha. – Declarou com convicção, arrancando um sorriso ainda maior a Naruto. Puro orgulho.

– Ai tens meu querido. E quando ao ser ruiva é perfeitamente natural.

– É?!

– Sim, a tua avó era ruiva. – Contou Naruto.

– Que avó? – Olhou para o seu pai Sasuke, a sua avó Mikoto fora muito bonita, mas não fora ruiva, ele sabia porque tinham prevalecido algumas fotos do clã Uchiha que eles, atualmente, guardavam em um álbum como se de um tesouro se tratasse. Afinal, aquelas fotos eram o que restavam de um clã antigo, que agora era renovado a cada nova criança que nascia entre eles.

– A minha mãe. – Respondeu Naruto. O louro já falara sobre ela, mas Nasasu nunca soubera que Uzumaki Kushina fora ruiva.

– Como é que sabes que ela era ruiva?

– A Tsunade contou-me, depois de conhecer o meu pai questionei-a. Acho que fui um chato na altura sempre a querer saber informações sobre a minha família desaparecida. – O Hokage riu-se.

– Só na altura? Eu acho que ainda hoje és um chato. – Gracejou Sasuke mirando o marido com um sorriso de trejeito.

– Fala aquele que estava a chorar baba e ranho por cima do meu corpo morto. – Matreiro.

– Naruto, se eu sei que me fizeste passar aquilo tudo e estavas apenas a fingir, considera-te divorciado!

– NANI? Não Sasuke… teme, ouve, ouve. – Sasuke virara-lhe as costas. – Eu juro que não fiz de propósito eu estava mesmo K.O… Teme, olha para mim… Acredita em mim, Sasukeeeeee…

Enquanto os pais se afundavam numa das suas discussões triviais, Nasasu ficou a contemplar a filha em modo de adoração, depois sorriu para ela e pediu-lhe desculpa. Era uma honra ser pai de tão perfeita criatura.

oOo

Alguns dias mais tarde…

Um copo rebentou-lhe entre os dedos. Era o terceiro apenas essa manhã. Naruto tentava servir-se de água do jarro da cantina do hospital de Konoha. Suspirou sofridamente. A culpa daquilo tudo era o descontrolo completo do seu chakra. A partir do momento em que a Kyuubi tinha soltado para voltar ao seu mundo, o seu próprio chakra, que até ali tinha envolvido a kyuubi, libertara-se. Ele tinha agora o seu próprio chakra completamente à sua disposição, que era imenso, tal como o de Sasuke, e tinha que reaprender a controlá-lo. Estava assim de volta aos treinos, ou melhor, estaria de volta aos treinos quando Sakura dissesse que ele podia sair do hospital.

Uma das empregadas da cantina veio ajudá-lo a servir-se de água e limpar os pedaços dos vidros partidos. Ele agradeceu e pediu desculpa, depois sentou-se a beber a água, matando a sua sede. Algumas pessoas vinham ter com ele para o cumprimentar. Era um Hokage popular. Com carinho e alguma impaciência disfarçada e sorria a toda a gente.

– Ahh, então estás aqui. – Não se sobressaltou porque reconhecia a voz, também não se virou para trás, porque logo depois Sasuke estava sentado à sua frente. Tinha acabado de chegar de Oto, depois de ter visitado a Aldeia Oculta da Névoa. Deram as mãos e sorriram amplamente um para o outro, deixariam outras coisas para mais tarde.

– Então, como foi?

– Definitivamente, odeio serviço administrativo. – Desabafou o Maou com uma cara de pesar, que fez Naruto rir-se dele.

– Está bem, eu também. – Bebeu um pouco de água. – Mas eu estava a falar do Kahoshi Aoi!

– Será que pelo menos podes ouvir os meus lamentos?

– Ouvirei todos os teus lamentos e gemidos mais tarde. – Piscou o olho ao marido. Mas antes que ele reivindicasse falou: – Agora mata-me a curiosidade.

– Bem, parece que ele diz a verdade, ele não é Danzou e Danzou não mais habita este mundo. Eu até verifiquei com o meu sharingan. Naquele corpo existe apenas uma alma, e não é a alma de Danzou. – Confirmou Sasuke, fazendo Naruto soltar um pequeno suspiro de alívio.

Após recuperar a consciência preso entre os Samurais e Ninjas, o corpo que fora roubado por Danzou disse chamar-se Kahoshi Aoi, a princípio foi encarado como embuste, mas agora estava confirmado que a sua história era verdadeira.

Kahoshi Aoi era um dos Anbus responsáveis pela guarda e proteção da antiga Mizukage, Mei Terumi, que morrera tantos anos atrás de forma misteriosa, e do qual até Sasuke tinha sido suspeito da sua morte. Aoi contou que, certa noite, tinha visto uma cobra de água rondar o quarto da Mizukage, mas não achara isso estranho, pois Mei fazia criação destes animais. Concluíra que era uma das cobras da líder que tinha fugido do seu aquário. Também não fez nada para ir acordar a Mizukage, sabia do mau feitio da mulher quando era acordada, mesmo com o seu sorriso na cara ela emanava vibrações demoníacas. Avisaria que a cobra tinha escapado no dia seguinte.

Acontece que alguns minutos depois ouviu algo cair no interior das instalações da Mizukage. Correu para ver o que se passava, encontrou dois dos seus camaradas caídos no chão, Mei estava morta sobre o seu leito e no meio da confusão estava um homem de cabelos claros e uma forma quase de cobra. Reconheceu-o de um dos seus livros de ninjas proscritos. Era Kabuto. Preparou-se para atacar e talvez morrer, mas em vez disso foi capturado, e no meio de corpos mortos e runas antigas, a alma de Danzou foi invocada e ele possuído e dominado por aquela entidade exterior ao seu ser.

Apesar de subjugado e sem controlo sobre o seu próprio corpo, Aoi, manteve a consciência durante todos aqueles anos. Viu Danzou assumir a sua identidade, viu Shidou Yuuri a manipular o conselho de Anciões da Aldeia Oculta da Névoa, e assim conseguiram meter Danzou no banco da Mizukage. Mas ele queria outras coisas, queria um par de olhos sharingan, e usaria os bijuus para se vingar de Konoha, mostrar que todos estavam enganados, que só havia um caminho para os verdadeiros ninjas. O seu plano tinha sido o de roubar o bebé de Kagure e Nasasu, criá-lo e usar os seus futuros poderes de Kekkei Guenkai para chegar até aos bijuus, talvez depois até lhe arrancasse os olhos. No entanto, todos os seus planos saíram infrutíferos.

– Eles já elegeram um novo líder e dizem que não se consideram insultados por termos, quase morto, o Mizukage anterior.

– E eles deviam de se sentir insultados quando esse Mizukage era um impostor? – Naruto tinha as sobrancelhas arqueadas.

– Eu só me quis certificar que eles não arranjavam sarilhos.

– Eu penso que eles aprenderam com a primeira vez. – Disse sério, mas depois abriu um sorriso. – Eles sabem que não se podem meter connosco.

– Convencido… - Tossiu Sasuke, na brincadeira.

– Bem, por aqui também há novidades. – Falou Naruto olhando para o copo vazio.

– E quais são?

– Confirma-se que a Kitsune, que estava dentro do Kagure, desapareceu. O Kakashi-sensei disse que provavelmente no momento em que Kagure morreu, o chakra contido da raposa também desapareceu.

– Isso é apenas uma especulação. – Advertiu Sasuke.

– Eu sei, eu já enviei uma carta ao Raikage a solicitar uma busca por todos os países ninjas. Com um pouco de sorte essa raposa desapareceu para sempre.

– Teremos de esperar para ver.

– Existe outra coisa que eu queria discutir contigo.

– O quê?

– O Diário de Rikkudou e a Pedra dos Uchihas… - Olhou para o marido, azul com ónix, que combinação maravilhosa. – Acho que devemos destruir essas duas coisas. Para que mais ninguém use os poderes dos bijuus.

– Concordo.

– Concordas? – Admirou-se Naruto. – Mesmo sendo a pedra que está há dezenas de anos no clã Uchiha?

– Mesmo sendo a pedra que está há dezenas de anos no clã Uchiha. – Confirmou Sasuke. – Prefiro saber que coisas como bijuus, jinchuurikis e lutas pelo seu poder nunca mais existirão.

– Ahhhh! – Suspirou Naruto de modo encantado, com o queixo pousado sobre o braço, olhando de maneira apaixonada para Sasuke.

– O que é que foi?

– Isso é mesmo muito nobre Sasuke. – Silenciosamente o louro, por debaixo da mesa descalçou-se e levou o seu pé até entre as pernas de Sasuke, que se sobressaltou, e ai fez pressão.

– Ba…Baka! – Resmungou, enquanto Naruto sorria marotamente.

oOo

– Eles ficam tão lindos assim! – Elogiou Azuka que colocara os gémeos sentados ao lado da irmã recém-nascida. Na sua mão tinha uma pequena máquina fotográfica cor-de-rosa que de cinco em cinco segundos disparava flashes. – Vamos ter muitas memórias, não vamos coisas lindas? Quem são as coisas lindas da vovó, quem são? Hã, quem são, quem são?

Itachi e Kaguro riam-se das palhaças que a avó fazia para eles, já Miyuki, o nome que os pais tinham escolhido para a menina, era ainda pequena demais para gargalhar, mas os seus olhos estavam permanentemente abertos. Por vezes, fechavam-se cansados, e ela tirava uma boa soneca. Naquele momento foi o caso. Kagure mexeu-se atento às necessidades da filha e retirou-a da cama para a ir deitar no berço.

Os gémeos palravam um com o outro na sua fala de bebé, por vezes, dirigiam-se as suas cabeças para Nasasu, Kagure ou Azuka e sorriam. Eram bebés muito inteligentes. E apesar de gritarem alto de maneira energética, não perturbavam com isso o sono da irmã.

– Num espaço de um ano a minha família ganhou três membros novos. – Rejubilou Azuka. – Ah, não são uns verdadeiros príncipes?

– Sim, são sim. – Concordou Nasasu, sentado num sofá que existia no quarto de hospital, deixando ao mesmo tempo que Kagure se sentasse nas suas pernas e se aninhasse contra o seu peito, enquanto os seus dedos brincavam com os fios de cabelos prateados. Naruto e Kagure ainda não tinham tido alta médica, e os seus quartos ficavam muito próximos.

– Estás muito sério. – Notou Kagure, falando baixo. Azuka de volta dos gémeos, não os ouvia.

– Estava a pensar.

– Em algo mau?

– Não. Estava a pensar se tu gostarias de casar comigo!? – Sentiu o coração de Kagure disparar e os seus olhos verdes encherem-se de emoção ao ver a cara de Nasasu.

– Isso… isso é uma proposta? – Quis saber Kagure nervoso.

– É uma proposta não oficial.

– Uma proposta não oficial?

– Sim… eu quero saber se estás disposto a casar com uma pessoa como eu. – Parecia receoso. – Eu sou um príncipe. Em breve serei rei. Estarei a governar um país. E apesar de eu por vezes não mostrar, eu tenho um sentimento de lealdade para com o meu país e para com o meu povo. Apesar de ter medo da posição que terei no futuro, eu não a vou renegar.

Era a primeira vez que Kagure o via a falar como um primogénito de um rei, um príncipe, e não como um mero ninja. Na realidade, Kagure nem nunca pensara nesse assunto. Para ele, Nasasu não era nenhum Uchiha, nem nenhum príncipe, era apenas o seu Nasasu, o homem que amava.

– O que eu quero saber, verdadeiramente, é se estás disposto a ser um consorte, não só do Nasasu como homem, mas também de Nasasu como rei. Porque casar comigo, implica muito mais que um simples casamento… vai ser como arranjar um novo trabalho. Terias de vir comigo para Otogakure… Terias de viver em Otogakure… - Nasasu foi calado quando Kagure pousou dois dedos sobre os seus lábios.

– Eu há muito tempo que te entreguei a minha vida, Nasasu. Eu irei contigo seja para onde for. Farei contigo o que tiver que ser feito. É verdade que nunca pensei nessa parte da tua vida, nunca lhe dei importância, porque não é ela que me importa. Eu amo o teu coração e não a tua figura. Eu sei que ao casar contigo não me estarei a casar com um só homem, mas com uma nação inteira, sei que é muita responsabilidade. Mas eu amo-te e não te quero largar para mais ninguém. E se para te amar eu tiver que aprender a amar Otogakure, eu fá-lo-ei. Além disso eu sei que vou amar Otogakure, afinal, é a pátria do meu amado. A pátria que o meu amado tanto ama.

– Então Shidou Kagure, aceitas casar comigo?

– Isso já uma proposta oficial?

– Sim. – Riu-se Nasasu.

– Então sim, eu aceito casar-me contigo, Uchiha Nasasu. – Aceitou sorrindo. Os seus olhos pareciam estrelas, como Nasasu os amava. Os seus lábios encontraram-se, e eles perderam-se numa luta entre as línguas, entre os seus seres. Um mundo deles num futuro feito pelos seus pais e promissor para eles mesmos. Afinal, são os jovens que governam o futuro.

oOo

Tinha medo. Estava sozinha há tantos dias. Aquele mundo era tão grande, nada se comparava com o mundo dos humanos. Ali ela era apenas uma pequena raposa. Ali ela era apenas um filhote de raposa.

Tremia. Dos céus caiam raios, mas ainda não estava a chover. Mas aqueles raios eram muito maiores do que os raios no mundo dos homens quando ela ainda estava dentro do corpo de Nasasu, ou até mesmo no corpo de Kagure. Agora ela sabia como o corpo humano era uma casa muito mais aconchegante do que o mundo real e verdadeiro.

Não sabia como fora ali parar, só se lembrava da morte de Kagure de ser solta do Kekkei Guenkai do mesmo e depois de tudo se apagar. Quando reabrira os olhos estava naquele mundo. Grande e selvagem. Já vira muitas criaturas. Já capturara algumas galinhas para comer, no entanto, sentia-se perdida e sozinha. Verdade era que era uma criança pequena com medo. Onde estava o seu pai?

Um raio caiu a poucos metros de si. Assustada saltou e correu para procurar abrigo noutro lado, aquele não era mais seguro. Escondeu-se na casca oca de uma árvore. Grandes pingos de chuva começaram a cair e em menos de nada a casca estava alagada e sua pelagem completamente encharcada. Mas não iria sair dali, tinha medo de ser acertada por algum raio.

Ouviu patas fortes no piso. Não se atreveu a mexer-se, não queria ser descoberta.

– Sai cá para fora, pequena! – Chamou uma voz forte. Reconhecia. Era alguém que lhe era muito querido. Saiu da casca da árvore a medo e espreitou o lado de fora. Uma enorme raposa, com pelagem de um vermelho alaranjado e nove-caudas, esperava-a do lado de fora. – Tenho andado à tua procura.

A pequena raposa não estava mais sozinha. Ronronou, como quando um bebezinho encontra o seu progenitor, e correu até à Kyuubi. Foi carinhosamente lambida e depois erguida entre as caudas de Kyuubi, assim ia aquecendo e secando a sua pelagem, Os dois desapareceram na floresta. Estavam de regresso à sua verdadeira casa, ao seu habita. Um local que era feito especialmente para todos os seres sagrados. Ai, com certeza, viveriam para sempre felizes, longe dos humanos manipuladores.

Continua…