Disclaimer: Naruto não me pertence.

Areia

Os dias escorreram pelas palmas de sua mão tão rápido que não sabia dizer ao certo quantos haviam se passado desde que voltara para Sunagakure. Mas isso não importava. O que importava estava escrito no fundo de sua mente com uma tinta que se recusava a sair.

A primeira coisa era que Hinata havia sido sequestrada, maltratada, violada. Havia sido reduzida a quase nada enquanto estava presa em seu cativeiro.

A segunda era que ele e Hinata tiveram um filho, ainda que brevemente. Entretanto, a criança havia sido arrancada deles. O primeiro filho ou filha deles havia sido forçada a deixar o corpo da mãe. Havia sido abortada. Havia sido abortada quando esse não era o desejo de nenhum dos dois.

A terceira coisa era que, direta ou indiretamente, os Hyuuga eram responsáveis por todo o sofrimento de Hinata, e de certo modo também era eram parcialmente culpados pelo sofrimento de Sakuraso.

A ultima, e talvez mais importante, era que Hinata queria vingança, Sakuraso queria justiça e ele queria dar a elas a cabeça de Hiashi na ponta de uma lança. Então se no final um anjo e um demônio se juntavam aos seus hospedeiros prontos para uma guerra, uma guerra era o que os Hyuugas iriam ver.

A rotina anterior como casal entre ele e Hinata havia sido quebrada em nome disso tudo. Agora, durante as noite, apenas Sakuraso e Shukaku conversavam enquanto Hinata era mantida em seu coma e Gaara dormia. Durante os dias o exercito se movia como um uno. O ruivo deslizava pela areia do deserto pronto para a futura batalha. Do outro lado uma mulher cortava o ar com os punhos e realizava uma dança mortal com o próprio corpo. As mulheres e homens sob seu comando eram sua sombra. Sempre se movendo onde o olho não vê e espelhando movimentos para passarem despercebidos.

Temari corria vários Estados carregando múltiplos tratados consigo. Ela e Shikamaru, o Diplomata de Konohagakure, se movimentavam dentro dos limites formais para que nenhuma das vilas sofresse interferências externas durante o conflito. Quanto maior neutralidade dos outros, menor seriam os efeitos colaterais do conflito. Enquanto isso, Kankuro comandava Suna com punhos de ferro e seguia todos os rastros daqueles que estavam envolvidos na Invasão à Suna com sua polícia especializada. Toda e qualquer pedra estava sendo revirada.

Em Konoha, Tsunade tratava de tentar afastar o clã Hyuuga da vida pública do modo mais sutil possível. Ela não arriscaria que a queda de um clã levasse à queda da vida pública da Vila também. Os Uchihas assumiram os cargos sem grandes estardalhaços. Nada de cerimônias ou coisas do tipo. Afinal, ninguém se prepara para a guerra e grita que está fazendo tal coisa aos quatro ventos. Principalmente se o inimigo está dentro de seu território.

Isso se seguiu por alguns meses. Até que, finalmente, com a mudança de uma estação para outra, os Hyuugas seguiram para seus rituais anuais nos muros do antigo complexo. No deserto. O momento era perfeito e foi Neji aquele que soltou o sinal de que todos podiam se pôr em marcha. De Suna saíram Gaara e Sakuraso junto ao exercito e o grupo especial dela. De Konoha, Itachi liderava os Uchihas rumo ao deserto. Com eles alguns haviam se unido a causa para participarem como soldados, como era o caso Naruto, Kiba e Shino.

Em questão de poucos dias uma nova tentativa de invasão à Suna estourou, mas a parcela do exército deixa para trás junto às tropas especiais não tiveram qualquer piedade com o inimigo. Sob o comando de Kankuro e Temari, a batalha havia cessado antes do raiar do segundo dia. A ordem era simples: todo inimigo de patente baixa deve ser executado na hora e todo inimigo de patente alta será guiado para tortura. A questão era que o inimigo, apesar de ter um exército capacitado no ataque, não tinha uma hierarquia proporcional. Os líderes eram pouquíssimos e com a noticia da morte de Orochimaru, a maioria desertou e carregou consigo uma parcela do exército. Quem ficou para trás ou foi derrubado ou se entregou.

Konoha havia enviado várias equipes de enfermeiros e médicos e os soldados feridos logo foram atendidos. Tsunade temia que Konoha fosse invadida em sincronia à Suna e não tivesse defesa suficiente.

Matsuri foi encontrada entre eles e entregue ao próprio Kankuro. Ele ordenara que ela não recebesse comida até que Gaara retornasse da batalha contra os Hyuugas, só aí um único banquete seria servido. No outro dia Gaara ou a própria Hinata poderiam assassiná-la por traição.

Enquanto isso, na fronteira do deserto. Múltiplos Hyuugas cantavam e sorriam sem saber o que iria acontecer. Viam Hiashi nervoso e alguns conselheiros do clã inquietos, mas ignoravam-os. Ou o fizeram até que Neji ordenou no escuro da noite que colocassem as crianças no abrigo dos fundos. Como todos aqueles que receberam a notícia eram serventes, não questionaram a ordem dada e o fizeram sem hesitar. No romper da aurora as crianças já não estavam lá. Foi com o grito da primeira mãe ao perceber isso que tudo se passou.

O portão havia sido derrubado e centenas de homens se moviam com pressa pelo complexo. Simples serventes eram marcados pelo próprio Neji, na esperança de que não fossem atingidos. Mas todos aqueles que eram soldados ou haviam recebido algum treinamento do tipo não beberam da mesma sorte. Por todo o lugar homens e mulheres eram vistos travando combate. Com seus dons divinos especiais, a luta entre Uchihas e Hyuugas era bonita de se assistir, porém igualmente fatal. Casas ardiam em chamas. A areia queimava em tons negros. Explosões de luz estouravam por todos os lados.

Os soldados de Suna atacavam aqueles que não haviam sido tão abençoados pelos céus assim. Sob treinamento de Gaara e Hinata, eles sabiam como resistir à dor e o desgaste do inimigo. Se moviam de forma rápida e sincronizada, afinal seu objetivo não era derrubar Hyuugas, como no caso dos Uchihas, mas abrir caminho para o Comandante e sua esposa.


Itachi não nascera um verdadeiro fã de violência, porém o olhar nos olhos de cada Hyuuga que ele derrubava lhe dava sim um certo prezer. Eles eram esnobes e orgulhosos e ainda sim... Ainda sim ousavam dizer para toda aldeia que os Uchihas estavam ligados aos demônios e que os descendentes de anjos eram eles. Com cada olhar medroso que ele recebia de uma criança, seu rancor contra os Hyuuga havia crescido. Apesar de nunca ter deixado transparecer, essa luta expunha esse lado seu.

— SASUKE! ATRÁS DE VOCÊ! - gritou para o irmão antes que ele fosse atingido.

Sasuke deu um salto e rolou pela areia. Um Hyuuga se lançou para cima dele, mas gritou de dor. De sua posição no chão Sasuke havia tido tempo para erguer sua kusanagi. A lâmina agora atravessava o coração do homem de olhos brancos.

O Uchiha sorriu.


Tsunade esperava qualquer sinal de que tudo tivesse ido por água abaixo do alto de sua torre. Um grupo de elite de seu exército estava posto em ponto estratégicos prontos para protegê-la. Por toda Konoha soldados e até mesmo ninjas estavam atentos para qualquer perigo.

Não muito longe de onde ela estava, ela sabia que havia uma movimentação silenciosa ocorrendo entre os territórios do clã Uchiha e Hyuuga. Hatake Kakashi, um dos homens que ela mais confiava e a quem desejava passar seu posto, era quem organizava toda a movimentação ali. Várias crianças Hyuuga haviam sido retornadas para suas casas, mas não nenhuma tivera a fortuna de retornar com seus pais, então os Uchihas que não foram para o front de batalha se encarregaram delas. Mulheres amamentavam bebês famintos, crianças distraiam outras crianças, homens e mulheres guardavam os muros atentos. Os muros dividindo ambos os clã estavam sendo derrubados e os poucos servos Hyuuga que não foram para o deserto assistiam tudo em silêncio.


Neji sabia que os Hyuugas que eles deixaram para atrás lhe seriam fiéis. A segunda casa sempre lhe foi mais fiel do que ao seu pai. Cresceu sem saber exatamente o porque, mas ouviu muitas vezes os serviçais e outros membros da bunke sussurrarem que ele era um deles. Mas uma semana atrás, quando reuniu todos aqueles em que mais confiava e fez uma reunião no escuro da noite, descobriu o porquê e nunca esteve mais agradecido por essa confiança. Ainda podia ouvir ecos da reunião em sua mente.

Enquanto guiava Hinata e Gaara em direção à casa principal e desviava dos homens e mulheres batalhando, Neji sentia que estava indo direto para o abate.

"— O Clã Hyuuga nunca teve apenas dois herdeiros. Não somos apenas eu e Hanabi. Existe outra criança, uma mulher."

— Hinata - uma das servas murmurara com olhos assustados. Alguns dos outros membros mais velhos se remexeram irrequietos.

— Silêncio Hana. É proibido... - um deles havia começado.

—Sim. Hinata. — Neji dissera um pouco desconcertado. — Hinata foi entregue para Sabaku no Gaara, Comandante Supremo das Forças Armadas de Sunagakure. Quase ninguém do clã sequer a viu partindo. Meu pai não permitiu que ninguém soubesse. Mas Hinata está viva, está bem e está retornando. Ela vem para derrubar meu pai.

— Parece que a mãe dela estava certa, hn? — rira baixinho Akemi, irmã gêmea de Hana. As rugas ao redor de seus olhos se multiplicando em sinal de escárnio.

— Que?"

Fez uma virada brusca e viu um dos soldado mais leais a Hiashi erguer uma espada para atacá-lo. Desarmado, Neji deixou seu corpo se balançar na dança que Hinata tanto se esforçara para ensiná-lo. Os pés fluiram pelo piso de madeira e os dedos foram certeiros rumo ao coração do outro. Por um segundo nada pareceu ocorrer. No outro ele sentiu a onda de energia percorrer o corpo do homem. Logo o corpo caiu inerte no chão. Voltou a correr.

"— Menino... Eu e Hana realizamos o parto de Hinata. Fomos nós aquelas que levantaram aquele corpo frágil e percebemos que era uma menina.

— A primogênita Hyuuga. Uma herdeira. Uma mulher... - Hana crispara os lábios. — Neji-san, o senhor não faz ideia de como tememos morrer ao descobrir que era uma menina. A fúria de Hiashi... O ódio dele por ela começou aquele dia. Faz ideia de como fazer o parto da menina da profecia é assustador?

— Mas ela não é a primogênita!

— Menino tolo... - sussurrara um dos serviçais mais velhos ali."

Ouviu um rugido à sua direita e percebeu que Gaara havia se transformado em Shukaku em algum momento. Um Hyuuga ainda tentava se livrar da mandíbula do demônio, mas era inútil. Estava morrendo de hemorragia.

"— Sempre dissemos que você era um de nós. Você pode ser sangue do sangue de Hiashi, mas nunca foi fruto da semente dele. - dissera Hana com convicção.

— Ainda me lembro do seu primeiro choro. Era um lamento baixinho, quase tímido. Mas encheu seu pai de orgulho. Hizashi brilhava de orgulho enquanto te segurava. - Akemi contou com um sorriso.

As duas parteiras, irmãs de nascença e de destino, o fitaram tranquilas."

— Estamos quase lá! - gritou.

— Você não precisa ver essa luta Neji. A liderança é sua! Não vou comandar o clã. Isso sempre foi seu. Não precisa assistir Hiashi morrer. Não precisa ver seu pai ser assassinado. - Hinata (ou seria Sakuraso? ele já não tinha certeza mais) tentou convence-lo novamente.

"— Hyuuga Neji, filho de Hyuuga Hizashi, você é o herdeiro que criaram. Foi tomado dos braços do pai. Foi arrancado deles. Hizashi se recusou a deixar seu lado, mas o acesso de sua mãe a ti era negado. Temiam que ela te contasse a verdade. A mataram para que se calasse. - Contou um de seus primos.

— Mas quem nasce na bunke, morre na bunke. Toda a família secundária te abraçou como um de nós, mesmo que depois mentissem dizendo que não o era."

— Não! Essa batalha também é minha. E que tipo de líder eu seria entregando a parte mais crítica da batalha para terceiros?

— Ele está certo! - gritou Shukaku.

"— Tentaram apagar Hinata de nossas mentes e criar um outro herdeiro no lugar. Os mais novos se esqueceram ou acreditaram, mas nós apenas ficamos calados. Nenhum segredo desse tipo é 100% seguro. Existiam furos. Sempre existiram. - Natsu, encarregada de cuidar de Hanabi, comentou.

— Era impossível esquecê-la totalmente quando, sendo encarregados dos serviços dentro do clã, proibiam muitos da bunke de limpar uma determinada área da mansão principal. - disse Hoheto.

— Ou nos proibiam de jardinar um dos maiores jardins... - um garoto por volta de sua idade soltou com certo deboche.

— Ou tínhamos que cozinhar uma comida extra que não ia pra ninguém... - o cozinheiro, um senhor de pouco mais que cinquenta anos, cochichou.

Eles riram entre si.

— E podemos não ser dos mais poderosos dentro do clã. Mas sempre nos gabamos de ter um contato maior com o divino. Os espíritos falavam sobre ela. Sussurravam. - , antigo guarda-costas de Hinata, agregou.

— Eram atraídos como insetos na direção de uma lamparina. - Iroha adicionou enquanto amolava uma faca para o cozinheiro.

— Impossível ignorar. - Tokuma riu."

Abriu a última porta necessária e viu Hiashi virar em sua direção. O homem parecia pronto para dar alguma ordem, mas cerrou a boca.

— O que faz do lado dela, Neji?

— Eu a trouxe aqui... Ojii-san.

Continua


Ai caralha caiu uma lágrima aqui do meu olho.

Seguinte, eu tô bem acabada e resolvi encurtar as proporções da guerra e não ser muito detalhista na batalha. Sad but true. Mas achei melhor assim. Achei que ficou top. Além do mais tenho que acabar isso logo ou vai ter capítulo de mais. Se um dia eu revisar por inteiro e concertar, arrumo a guerra e dou umas encorpadas.

Kissus!

BarbaraGava EU AINDA TÔ VIA UHUUUUUL! Mas o boy já tá morto e jogado em alguma caverna no fim do mundo menina hahahahah Orochi já deu o q tinha q dar. Conheço essa vida de gente ocupada. Não consigo mais ler fanfic direito, muito menos escrever. Quem dirá deixar review. Amo titia Tsu! Baixei o maximo de conhecimento do meu curso aplicavel a fic e fiz isso pq ela merece pqp. Eu fiquei com dó do Hiashi, juro pra ti. Tive que fazer uma coisa mais humana pra ele. E sobre a cena dos dois juntos ficou top né? Até eu ganhei coração depois disso.