A/N: Acho que muitas pessoas não perceberam que ontem eu postei dois capítulos. Então verifique antes de ler esse se você leu o capítulo anterior!!

E quero agradecer a todos pelo RECORDE de reviews do capítulo 33 com 35 reviews!! Vocês viram, diversos reviews e ontem eu postei duas vezes… quando eu digo que trabalho mais rápido com reviews vocês não acreditam. Aí está a prova!


A Cada Outra Meia-Noite

Capítulo 35: No qual o Professor Black Retorna

A Lily dorme até tarde no sábado. Na verdade, já passa de meio-dia quando ela realmente rola para fora do sofá. Um olhar em volta da sala comunal mostra que o James não está mais aqui. Ele deve ter saído depois que ela caiu no sono, embora ela não sabe quando isso aconteceu. Ela se lembra de ouvir o barulho da pena dele, a respiração regular dele, o barulho da fogueira. Ele até mesmo cantarolou uma música de vez em quando, um tipo de melodia que a Lily não conhecia. Ela imagina que o James provavelmente inventou enquanto cantava.

Quando ela cruza o quarto dela para tomar banho, ela fica (agradavelmente) surpresa em ver que o James não foi para muito longe. O Potter está dormindo na cama dela, abraçando o travesseiro dela. Aparentemente ele gosta de abraçar coisas fortemente enquanto dorme. 'Alguns travesseiros tem toda a sorte.' ela pensa.

Ela resiste a vontade de pular em cima dele, e permite que ele continue dormindo. Quem sabe até que horas ele ficou corrigindo os deveres, ou quanto sono ele teve nos últimos dias.


O James acorda, mas não abre os olhos. Ele simplesmente sorri no travesseiro dele. Ele pode ouvir os sons da Lily no chuveiro.

Ele não está sorrindo porque ele está imaginando ela no banho, bem, agora ele está, mas não foi por isso que ele estava sorrindo… ou melhor, porque ele estava sorrindo originalmente. Não, o que o acordou do abraço do Morfeu foi a cantoria da Lily, e foi o som da voz dela que o fez sorrir. Não seria maravilhoso acordar com essa voz toda manhã, em vez do maldito despertador dele. Ele odeia aquele despertador, e seu toque estridente.

Ela realmente tem a voz mais delicada. Ele está quase chateado quando ela termina o banho, e para de cantar. Quase. Ele teria ficado se não soubesse que o fim do banho significaria a aparição iminente da própria sereia.

Ele acha quase que impossível acreditar que durante todo os meses de setembro e outubro, ele não prestou nenhuma atenção na garota. Se o Hagrid não tivesse chamado ele para ajudar com o Mercúrio na floresta, no aniversário da Lily, ele provavelmente ainda não conheceria ela. Ela seria somente a aluna brilhante da turma dele.

Ele sente uma onda de afeição pelo meio gigante, por chamar a atenção dele para a personalidade verdadeira maravilhosa da garota. O pensamento que ele ainda poderia estar ignorando ela, caso o Hagrid não tivesse os colocado juntos despropositalmente, o assusta. Ele treme ao pensar no que a vida dele seria como, se ele não tivesse conhecido a Lily naquele dia. Ele ainda estaria sozinho. Ou pior, ele poderia estar com a Agatha. Aquela pequena coruja, que o trouxe aquela mensagem, mudou tudo. Graças a Merlin por aquela coruja, e pelo meio gigante que a enviou. Ele promete nunca mais ter ciúmes do Hagrid novamente.

Ele ouve a porta do banheiro se abrir, e a Lily caminhando pelo quarto dela. O James mantém os olhos dele fechados, fingindo ainda estar dormindo. Ele voltaria a dormir se pudesse. Ele está tão confortável e contente. Ele pode sentir o raio de sol quente na bochecha dele, e sentir o cheiro suave de algum sabonete floral flutuando do banheiro. A Lily cantarola muito suavemente enquanto ela caminha pelo quarto, fazendo o que quer que esteja fazendo.

Ele a ouve se aproximar da cama para reposicionar os cobertores em volta dele, e sente a mão dela, enquanto ela retira alguns fios da testa dele, antes que ela saia do quarto.

Completamente contente com o mundo, ele cai no sono novamente.

A Lily o acorda intencionalmente na próxima vez, balançando uma salsicha de cheiro delicioso embaixo do nariz dele. Mais uma vez, muito melhor que o despertador dele, e muito melhor que as outras formas que ela havia utilizado para acordá-lo no passado. Ele não abre os olhos, mas simplesmente abre a boca.

"Desculpa, Potter. O máximo que eu faço é te trazer a sua comida. Você vai ter que fazer o resto sozinho."

O James sorri, ele sabia que a bondade tinha que terminar alguma hora, e parece que esse é o fim da linha.

"Certo, eu suponho que isso seja justo. Um pouco de falta de generosidade da sua parte, mas que é justo, é."

"Eu te trouxe café da manhã na cama! Eu diria que isso é muita generosidade, seu ingrato." A dureza das palavras dela não alcançam a voz dela, e quando ela entrega o prato de comida para ele, ela ainda está sorrindo.

"Eu amo sábados." diz o James. "Dormir até tarde, nada para fazer a não ser vagabundear."

"Fale por você mesmo. Eu tenho pilhas de dever para fazer. Eu tenho que procurar todos os meus Professores, e descobrir o que eu perdi. Nós temos algum dever de casa em Defesa Contra as Artes das Trevas?"

"Não se preocupe com isso."

"Diga-me, eu quero saber."

"Foi somente para as pessoas que falharam em superar o seu bicho papão."

"Eu nem estava na aula."

"Então você não falhou."

"Mas eu também não tive sucesso."

"Honestamente, eu não sei se eu teria te dado alguma nota se você tivesse. Eu não tenho certeza de como 'destruir a tarefa' ficaria na a minha grade de notas. Então, vamos somente esquecer de tudo, e aproveitar a maravilha absoluta que é o sábado."

"Eu preciso fazer o dever de casa de Poções e Transfiguração."

"Vamos, Lils, você pode fazer tudo isso amanhã. Esse é o nosso último sábado de liberdade antes que você comece a trabalhar no Caldeirão Furado, você deveria se divertir."

"Como você sabia que eu começo a trabalhar na semana que vem?"

"Lily querida, todos os membros da Ordem sabem. Cada um de nós foi designado turnos para te vigiar."

"Ah. Você acharia que o Dumbledore teria me dito isso."

"Eu tenho certeza que ele está planejando te falar." ele diz, colocando o último pedaço de pão na boca dele, e caindo de volta nos travesseiros. Eles são muito melhores do que os dele. "Então, qual é a chance de você trocar de quarto comigo?"

"Depende de quanto os seus motivos são bons."

"Bom, o seu banheiro é melhor, os seus travesseiros são mais moles, e a sua sala comunal é mais confortável."

"Você acabou de me dar três excelentes motivos do porque eu devo manter o meu quarto. Que tal se eu trocar um dos meus travesseiros, por um dos seus?"

"Fechado." ele diz rapidamente, antes que ela tenha tempo para perceber que ele estava brincando, e mude de idéia.


A Lily na verdade prefere os travesseiros mais duros do quarto do Potter, mas ela não se incomoda em dizer isso. Se ele soubesse que ela prefere os dele, então isso faria o gesto parecer mais uma troca de interesse próprio, do que uma oferta generosa.

"Então, o que nós vamos fazer hoje? Trabalho de qualquer tipo é estritamente proibido." diz o James, batendo nos pedaços de poeira que flutuam no raio de sol do meio-dia.

"O que podemos fazer?"

"Nada. Isso é o que faz os sábados serem tão brilhantes. Qualquer coisa que você faz em um sábado, é completamente inútil..."

A Lily não gosta do som de ser inútil. Ela não quer ser inútil. Ela não vale nada se ela não é útil, de alguma forma.

"Talvez eu possa ver se a Madame Pomfrey precisa de alguma ajuda na Ala Hospitalar." ela pensa em voz alta. O James simplesmente encara ela em descrença. "O quê?" ela pergunta, vendo a expressão dele de desaprovação.

"Você honestamente não sabe como relaxar e se divertir? Eu sabia que você era viciada em trabalho, mas isso é excessivo. Você não pode passar todas as suas horas acordada sendo produtiva."

"Eu não passo." Ela passa muito tempo sentada, no meio da noite, sem fazer nada com ele.

"Certo. Então faça a sua escolha, nós podemos nadar no banheiro dos monitores, escrever palavrões nos quadros negros das salas de aula, e culpar o Pirraça, voar em vassouras..."

"Aonde nós iríamos se fôssemos voar?"

"Nenhum lugar em particular. Por quê?"

"Eu gostaria de caminhar em algum lugar que não fosse Hogwarts. Talvez em alguma floresta, que não seja encantada ou perigosa. Jogar pedras em um lago que não contenha uma lula gigante, grindylows e sereias."

O James franze as sobrancelhas levemente. "Você não gosta de Hogwarts?"

"Não, eu amo. É o meu único lar, mas… Eu estava me lembrando quanto foi bom caminhar por Londres na semana passada, no anonimato de uma grande multidão indiferente. Você acha que a gente poderia voar para algum lugar? Qualquer lugar contanto que não seja aqui? Nós podemos fazer isso, sim?" ela pergunta, quase implorando.

O James ia responder quando eles ouvem uma batida na janela. Ambos se levantam para abrir, mas a Lily disse para ele não se preocupar. Ela deixa a ave entrar, e ela pára no encosto de uma cadeira de madeira, estendendo a pata para a Lily retirar a carta que estava presa a ela.

"Essa é a coruja do Moody." Aponta o James. A Lily entende porque ela parece familiar. "Provavelmente é para mim."

"Não é..." ela diz perplexa, pegando a carta com o nome dela escrito. A coruja não vai embora. Ela espera ali pacientemente.

"Ele deve querer uma resposta."

Sem esperar mais, a Lily abre o envelope. Dentro dele têm 3 documentos separados. Um é o 'relato' da Lily do que aconteceu em Hogsmeade, que ela deve assinar e devolver. O outro é uma versão da história, que ela tem que estudar para ter memorizado para a hora do julgamento. E o último é uma carta explicativa.

Ela lê a carta primeiro. A Lily franze os lábios enquanto ela lê, tentando não fechar a cara, mas mesmo assim o James vê, e se levanta para ficar atrás dela, lendo sobre o ombro dela, como ele já havia feito uma vez.

que você pode encontrar anexado. Não que eu ache que, tão cedo, vai ter um julgamento, se é que teremos um. Os pais do Michaels e do falecido foram presos e levados para Azkaban. O julgamento está pendente. Mais uma vez, minhas congratulações a você, e na sua ajuda na prisão de 8 Comensais da Morte, e na captura de 4 em Uppingham.

Mande o relato assinado de volta diretamente. Destrua essa carta imediatamente, e mantenha o outro documento guardado com segurança. Pergunte ao Potter, ele vai te mostrar como.

Atenciosamente,

Alastor Moody.

Por algum motivo, essa carta deprime a Lily. Talvez ela estivesse pensando de como seria agradável escapar por algumas poucas horas de tarde, com o James, e em vez disso, agora ela vai ser absorvida justamente no tipo de coisa que ela quer evitar. Frases como 'o falecido' e 'julgamento pendente' pulam do papel e agarram o coração dela, jogando-o no chão, para ser pisado.

"Trabalho de qualquer tipo ainda está restritamente proibido?" ela pergunta esperançosa, se virando para encarar o James. Ele suspira, e balança a cabeça tristemente.

"Eu vou pegar uma pena para você..." ele diz arrependidamente, saindo do quarto. Quando ela acaba de ler todo o relato, o James já está de volta com uma grande pluma e um pote de tinta.

"Eu preciso?" ela sussurra. O James pega a mão dela, e coloca a pena nela, então fecha os dedos dela entre os dele. "Mas eu não gosto disso. Não está certo… Eles deveriam ter um julgamento, e os documentos não deveriam ser forjados..."

"Eu sei que você não gosta disso, mas na época em que estamos vivendo, nós temos que jogar sujo também, para conseguir alguns pontos para o nosso time. Se somente um lado fizer todas as trapaças, então os trapaceiros vão sempre vencer."

"Você não soa como se acreditasse muito nisso."

"Eu não acredito." ele responde sinceramente. "E eu não gosto disso, mais do que você não gosta. Mas eu confio no julgamento do Moody. Mesmo que não seja de acordo com a lei, saber que têm menos Comensais da Morte nas ruas por causa disso, faz a injustiça ser suportável… para mim, pelo menos. No final das contas, os fins justificam os meios."

"Mas James..."

"Eles tentaram te matar, Lily. Você sabe que eles tentaram. Somente porque o método para pegá-los é corrupto, isso não significa que não é o procedimento correto. Todo o Ministério é corrupto, e infestado com os servos do Lorde das Trevas. A corrupção é inevitável agora. Talvez no futuro, quando Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado for derrotado, nós podemos viver sobre a lei. Talvez o Ministério venha a ser um lugar onde as pessoas no poder não controlem mais os outros com medo. Mas nós temos que fazer essa era aparecer com os meios que nós temos no presente. Nesse momento, nós somente temos que cerrar os dentes, e fazer o que nós sabemos que é certo, mesmo se não for de acordo com a lei. Você pode fazer isso?"

A Lily acena, e o James solta a mão dela, para que ela possa assinar o pergaminho. Quando ela termina de assinar, a letra no papel se transforma da do Moody para a dela mesma, ficando perfeitamente compatível com a assinatura dela.

O James dobra o pergaminho e tenta colocá-lo de volta no envelope, mas ele o solta rapidamente, balançando as mãos no ar, para tentar tirar a dor.

"Deveria saber que ninguém, exceto você, poderia tocar isso. Você vai ter que fazer isso." ele diz, entregando de volta para ela. "Você quer ler a carta novamente, ou eu posso destruí-la?"

"Por favor, destrua. Eu não tenho desejo nenhum de ler isso novamente." ela responde. Ela prende o envelope na perna da coruja, e a vê voar para longe. Quando o pequeno ponto, que era a coruja do Moody, desaparece completamente, ela se vira para ver que o James não está mais no quarto.

Ela entra na sala comunal, onde ela o encontra agachado ao lado da lareira, cutucando a carta com a grelha da lareira, vendo a carta ser consumida pelas chamas. Ela sabe que tem jeitos melhores e mais fáceis de destruir as coisas, como, por exemplo, evanesco. Mas ela já percebeu que o James prefere ver as coisas queimarem. A Lily também prefere esse método. Parece mais real desse jeito. Não é somente puff, e se foi. Com o fogo, a pessoa pode realmente seguir o progresso da destruição também. Talvez seja o lado mais cruel deles, mas ver algo que você odeia ser absorvido pelas chamas é muito mais gratificante.

No momento em que não tem nada além de algumas cinzas pretas, o James se levanta dizendo, "Vamos Ruiva; vamos dar um passeio."


Não foi a excursão alegre e relaxante que eles haviam imaginado, o que também está bom. Nenhum dos dois queria nadar no banheiro dos monitores, e também não estavam no ânimo para escrever coisas marotas nos quadros-negros.

Eles voam para o norte, por quase 80 quilômetros, evitando todas as cidades e vilas, até a Lily ver um pedaço de floresta que ela gosta, e começa a descer.

O lugar é lindo; o lago não é tão profundo quando o de Hogwarts ou de Inverness (a/n). A floresta parece tão inofensiva e parada. É como se fosse intocada por trouxas ou bruxos. Como se ela fosse a mesma, pelos últimos 500 anos. Os pássaros que voam pelas árvores, são ancestrais diretos daquele que estiveram aqui, a cinco séculos atrás, o ciclo da vida é inalterado e não é afetado pela passagem do tempo.

Eles se sentam lado a lado, em um grande pedaço de pedra que sobressai do lago. O silêncio é quebrado pelos sons de uma gaita-de-fole distante, tão distante que, caso o silêncio não fosse tão perfeitamente quieto, seria impossível de ouvir. Muito lindo, lento e triste, a gaita continua e continua, como se fosse uma lamentação tranqüila para um amor a muito tempo perdido.

Sabendo que eles são as únicas pessoas por perto a quilômetros de distância, a Lily coloca a cabeça dela no ombro do James. Ele coloca a mão dele na cabeça dela, para mantê-la ali, enquanto acaricia o cabelo dela, enquanto eles ficam sentados em um silêncio mútuo.


O James foi o primeiro a acordar na manhã seguinte. Ele se senta, se estica e olha pela janela. Logo vai ser o amanhecer; ele odeia acordá-la, mas ele vai ter que fazer isso.

Eles ficaram sentados naquela pedra até o anoitecer, e aparataram de volta na hora certa de alimentar o Mercúrio. A alimentação da meia-noite foi pulada completamente pela insistência da curandeira (e do James) para que ela descansasse bastante. Ele olha para a ruiva adormecida ao lado dele. Eles não falaram nenhuma palavra desde ontem, quando eles saíram da sala comunal para irem voar.

"Surge, formoso sol, e mata a lua cheia de inveja, que se mostra pálida e doente de tristeza, por ter visto que, como serva, és mais formosa que ela." ele sussurra baixinho. Ele coloca uma mão no ombro dela, e a balança gentilmente. "Lily, é hora de acordar."


O dia foi gasto recuperando o tempo perdido no trabalho. A Lily encontra com o Rupert na sala comunal da Grifinória, explica que ela está bem, e pega os deveres com ele. Ela passa uma hora ou duas ali, somente sentada no sofá que ela ficou tão acostumada nos primeiros seis anos aqui, explicando ao Rupert sobre 'a polaridade da intenção mágica.'

"Você terminou o seu dever que tem que entregar amanhã?" o James pergunta naquela noite, depois que a alimentação e o trabalho foram concluídos.

"Sim."

"Tem alguma chance que você vá dormir agora?"

"Não são nem nove horas." ela protesta, se sentindo como se estivesse sendo tratada que nem uma criança.

"Eu tinha receios que você fosse dizer isso. Aqui, toma um chocolate quente." ele diz, entregando uma caneca para ela. É claro que, como foi entregue pelo James ela não pensa duas vezes se deve, ou não, beber. Ela engole cuidadosamente até resfriar, e depois ela toma goles maiores.

Ela terminou em torno de metade da caneca, quando ela começa a se sentir estranha, a cabeça dela se sente como se estivesse escurecendo de dentro para fora. Os pensamentos dela estão confusos e distantes, e ela não consegue impedir os olhos dela de se fecharem. O último pensamento coerente dela, ela fala em voz alta.


"Você me drogou?" ela pergunta, com a voz sendo uma mistura estranha de confusão, traição e embriagada.

"Desculpa, amor. Eu tive que fazer isso." ele responde depois que ela cai no sono. O James a segura no colo, e a carrega até o quarto dela, a colocando na cama do jeito mais amável possível, como se ela fosse filha dele. Ele se sente culpado sobre a poção, mas ele não pode ficar com ela hoje a noite para ter a certeza que ela vai dormir. Ele tem outros assuntos para resolver...


O James não está lá quando ela acorda na segunda-feira de manhã, mas ela não está surpresa. Ela caminha furiosamente para as portas da entrada, para encontrar o Hagrid.

'A ousadia dele, reforçar o meu chocolate com uma poção do sono.' ela pensa furiosamente. No momento que ela entrasse na sala de aula de Defesa Contra as Artes das Trevas nessa manhã, ela vai dizer para ele precisamente o que ela pensa dele.

A raiva some completamente, porque não há lugar nenhum dentro dela para mais nada, além de choque completo. Não é o James, e sim o Sirius Black, que está parado na frente da turma. Ela fica congelada na entrada, enquanto os últimos atrasados entram, e se sentam nos seus lugares.

"Desculpe-me, Professor Black, aonde está o Professor Potter?" alguém pergunta. A Lily não sabe quem foi, não se importa em saber.

"Eu receio que o seu Professor Potter foi ferido severamente na noite passada, e está se recuperando na Ala Hospitalar."

'Ferido severamente? Ala Hospitalar?' a mente dela paralisada. Ela não consegue fazer nada, exceto encarar o espaço na frente dela.

"Aonde está a Lily?" o Sirius pergunta ao Rupert. O Roo acena na direção da entrada, e o Sirius se vira, e caminha até ela.

"Nossa, cariad, você não parece estar feliz em me ver!" ele diz, levantando o queixo dela com a mão dele, forçando que ela olhe nos seus olhos enigmáticos. O toque parece tirar a Lily do seu estupor chocado.

"Eu não estou." ela responde, se virando e caminhando para fora da sala de aula. Como que ela pode ficar feliz em ver o Sirius, se a aparição dele significa que o James está machucado?


O Sirius fica indeciso se deve ou não, ir atrás dela. Depois de um instante de consideração, ele diz para a turma, "Eu volto logo." e então grita, "Lily! Lily, espera!" ele diz correndo atrás dela.

Ele finalmente a alcança, e segura o cotovelo dela, fazendo-a parar.

"Você pode esperar?" ele demanda.

"Por que você não me disse?" ela grita, enquanto se vira para encará-lo.

"Quando e como?" ele grita de volta furiosamente. "O que você teria preferido que eu fizesse? Contado para você na frente da turma, e exposto nós três? 'Ah, aí está você, cariad! Por falar nisso, o seu amado James está na Ala Hospitalar depois de ter sido quase que rasgado em pedacinhos por um cachorro gigante de três cabeças?'" O rosto da Lily perde toda a coloração, e o Sirius se arrepende de ter colocado isso desse jeito.

"Rasgado em pedacinhos?" ela pergunta fracamente. Ela parece que vai desmaiar. O Sirius retira aquele impulso assustador e sentimentalmente ridículo, de abraçar ela, a confortando, e simplesmente coloca ambas as mãos nos ombros dela, para deixá-la estável.

"Eu sei que a idéia foi sua, então eu não vou me incomodar em explicar o que nós estávamos fazendo."

"Você estava com ele?" ela pergunta, soando estar ligeiramente aliviada.

"Sim, fui eu quem o trouxe."

"Ele vai ficar bem?" São lágrimas nos olhos dela? Ela acha que são. A maldita vontade é irreprimível agora, então com um suspiro relutante, ele desiste, e a abraça. Ele não quer fazer um hábito dessas demonstrações sentimentais. Ela o teria chorando se ele não for cauteloso.

"É claro..." ele diz, tentando reassegurar tanto ela, quanto ele mesmo. "O Pontas sempre está bem. Mas agora nós temos que voltar para a aula."

A Lily sai do abraço, sorri para ele, e balança a cabeça. "Eu não vou para a aula, Sirius..."

"Boa garota." ele diz, bagunçando o cabelo dela. Ele pode dizer por aquele sorriso, que ela vai diretamente para a Ala Hospitalar. Ele a vê ir embora, sem volta para a sala de aula, até que ela desapareça por completo em uma passagem secreta que ele sabe que leva ao segundo andar. Ele sorri orgulhosamente.

'Bom,' pensa o Sirius alegremente. 'Pelo menos uma coisa boa saiu disso. Agora nós sabemos que o romance do Pontas não é unilateral.'

Enquanto eles caminham de volta para a sala de aula, ele imagina qual motivo delicioso ele vai dar para eles dessa vez. É claro que isso aparenta ser uma briga de casal, mas eles não pode deixá-los achando que o romance dele com a Lily está perigando, especialmente não por algo que o Sirius tenha feito.

Com certeza, a turma está olhando ele com interesse, quando ele entra na sala. Eles esperam esperançosos. Em um impulso repentino, ele decide contar a verdade para eles, e assume que vai soar mais poderosa por esse motivo. Ele caminha para falar com o Ferris, Rupert Ferris, mas tem a certeza que a voz dele seja alta o suficiente para todo mundo poder ouvir.

"De todas as mulheres no mundo," ele começa dramaticamente. "A Lily Evans é a única que eu jamais amei..."

O Sirius Black nunca amou uma mulher antes na vida dele, nem mesmo a mãe dele. As únicas pessoas que ele realmente ama são os amigos dele, e a Lily é a única mulher entre eles, então o que ele disse foi completamente verdadeiro.

Ele caminha de volta para a mesa, para encarar o resto da turma, correndo dedos longos e elegantes por um cabelo, igualmente longo e elegante. "Agora," ele diz retornando para aquela voz preguiçosa e confiante que ele geralmente utiliza. "Se vocês me desculparem pelo prelúdio dramático, é hora de nos movermos para a polaridade da intenção mágica. Agora, obviamente, vocês estão nessa turma, então vocês entendem o que isso significa." ele diz com uma complacência sarcástica.

Para a surpresa dele, o Rupert levanta a mão, e nem mesmo espera se chamado antes de começar a falar. "É o que faz as Artes das Trevas ser sombria." ele responde. "A magia antiga tendeu a ser somente em um lado ou do outro, quando a magia moderna não é tão polarizada. Entretanto, as artes das trevas se inclinam mais a feitiçaria antiga, e esses que lutam contra as artes das trevas permanecem com a feitiçaria moderna, em vez da 'luz' do contrapeso das artes das trevas. É por isso que a polaridade é usualmente negligenciada, porque hoje em dia, nós estamos vendo apenas um lado do espectro. A maior parte da magia 'boa' foi perdida."

"Assustador, não é? Mas continue, eu gostaria de ouvir mais do que a Lily tem a dizer sobre esse assunto."

O Rupert aparenta estar envergonhado, e pigarreia sem jeito. "Não, está tudo bem. Você continua, Professor."

"Eu vou sim, obrigado. Agora, como o pequenino disse, a maior parte da magia antiga 'boa' está perdida, então nós vamos discutir alguma da magia antiga 'das trevas' que, tristemente, ainda é praticada hoje em dia."

O Sirius continua com a aula, até que alguém levante a mão.

"Sim?"

"Por que a magia antiga é tão… primitiva? Tão bruta? Por que o sangue e a dor estão envolvidos?"

"Bom, minha querida, a magia evolui, assim como a tecnologia. Os métodos e equipamentos eram mais rudimentares, porque era uma época mais rudimentar. Como a humanidade ficou mais sofisticada, a magia também ficou. Embora uma coisa deva ser pelo método 'primitivo'. A magia antiga, por ser tão crua e se alimentar de energia negativa, talvez até mesmo de abordagem brutal, é, até hoje, quase sempre mais poderosa que os feitiços modernos."

"Mas se a magia das trevas é mais poderosa, como que nós podemos..." ela não termina.

Realmente é uma pergunta excelente, para o qual o Sirius nunca soube a resposta...


A Lily está quase sem fôlego quando ela chega na ala hospitalar, ela correu até aqui tão rapidamente. A Madame Pomfrey está cuidando de um garoto que aparenta ter uma quantidade enorme de cabelo crescendo das orelhas dele.

"Você não deveria estar em aula, Srta. Evans?" pergunta a Madame Pomfrey obrigatoriamente.

"Eu tenho permissão do Professor para estar aqui." ela responde, ela não acha que isso é uma mentira. Mesmo se fosse, o Sirius confirmaria essa história. "Aonde ele está?"

A Madame Pomfrey não precisa perguntar de quem a garota está se referindo; ela simplesmente acena com a mão para o final da ala. Todas as camas estão ocupadas, exceto por uma, com as cortinas fechadas em volta dela. Ela não pode vê-lo, mas ela sabe que ele está ali.

A Madame Pomfrey se junta a ela, instantes depois. "Todos os ossos dele já foram reatados, e a pele dele foi remendada. Entretanto, ele perdeu muito sangue, então vai demorar um pouco para ele recuperar as forças."

"Há quanto tempo ele está dormindo?"

"Eu dei a poção para ele a..." ela olha para o relógio dela. "Uma hora e meia atrás."

"Então vai demorar um pouco para ele acordar?"

"Pelo menos mais quatro horas."

"Certo, eu vou estar aqui se você precisar de mim."


Os sonhos do James são vertiginosos, desordenados e enervantes. Induzido pela poção utilizada para aliviar as dores dele e os eventos recentes, o subconsciente dele fica solto, e toca um inferno na mente dele.

Ele está na floresta com o Sirius e o Fofo, que está dizendo para ele, que na semana passada o Izzy Fairbanks foi levado para Azkaban por vestir pijamas em público.

Então ele está no Átrio do Ministério. O Rookwood agarra a Lily pelo cabelo e a joga para o lado. Ele ouve a cabeça dela bater na parede, e cair no chão, antes que o Rookwood se vire para ele. "Ah, James!" ele diz, a malícia no rosto dele misturada com uma maldade satisfeita. "Você deveria ter se unido a nós. Uma pena sobre o seu pai..."

Então o Rookwood se transforma no pai dele, que começa a reprendê-lo na frente de toda a turma dele do sétimo ano, dizendo para ele encarar o seu próprio bicho papão, em vez de forçá-lo nas crianças. Gotas de suor começam a escorrer pelo rosto dele, enquanto o pai dele se aproxima com um baú que o James tem certeza que contém um bicho papão. Ele ia abrir quando, repentinamente, ele começa a gritar e arranhar, a coisa dentro dele querendo sair. Ele percebe que o baú tem correntes e uma fechadura enferrujada, e o pai dele e os alunos, de alguma forma, desapareceram. Ele está sozinho nas masmorras, que está impossivelmente quente para um dia de inverno, praticamente infernal. Ele puxa o colarinho, e limpa o suor da testa dele, enquanto o grito do baú fica mais alto, e mais alto, até que ele colapse sobre o grito e o calor.

… Algo fresco e refrescante se move sobre a testa e o peito dele, enquanto ele ouve o cantarolar gentil de uma voz familiar.

"Lily?"

"Foi só um sonho, tudo está bem."


Ela conjura um retalho novo; o que ela estava utilizando está muito ensopado de suor para ser útil. Ela continua a limpar a perspiração que finalmente sinaliza o término da febre dele. Ele abre os olhos, e entorta os olhos para ela. Ela entrega os óculos dele, e ele os coloca, se empurrando dolorosamente para uma posição sentada.

"Quando você chegou aqui?" ele pergunta, com a garganta seca e a voz rouca.

"Não faz muito tempo." ela diz, lhe entregando um copo. Ele o empurra para longe.

"Chega de poções." ele diz firmemente. Ele não quer ter mais sonhos que nem aquele.

"É água, beba." ela diz, lhe oferecendo o copo mais uma vez. Dessa vez, ele o pega e bebe rapidamente. A Lily enche mais uma vez, com água da varinha dela, e o James bebe novamente, desse vez bebendo a um passo mais sano.

"Obrigado."

"Como você está se sentindo?"

"Bem. Eu já estive melhor, mas eu estou bem."

"Bom, vendo como você está bem, eu gostaria de dizer uma coisa."

"Sim?"

"O que diabos você está pensando?" ela grita.

"O quê?"

"Seu hipócrita irritante! Que tipo de tolo entra na floresta desse jeito, logo depois de dizer para outra pessoa que é muito perigoso? Você achou que você não fosse comido porque você é certificado pelo Ministério, que ser um auror treinado automaticamente não faz disso uma idéia estúpida? Eu achei que você tinha mais senso do que isso, James..." É uma boa sensação não ser a pessoa em apuros, pensa a Lily. A madame Pomfrey olha (embora ela finja não estar olhando) com aprovação divertida. É claro que a curandeira agora já sabe da verdadeira profissão do James, seria difícil não saber depois que ele, e tantos dos seus colegas, passaram algum tempo na ala hospitalar dela com machucados relacionado ao trabalho. Vendo que a Evans tem a situação sobre controle, a Madame Pomfrey a deixa continuar, ignorando o fato que ela geralmente proíbe que as pessoas gritem com os pacientes dela.

"Eu não estava sozinho." ele se defende. "O Sirius estava comigo."

"Sirius? Você precisava do Hagrid! Ele é o único que consegue, relativamente, controlar os bichos dele. Você tem certeza que está bem?" ela adiciona, com o tom de voz se alterando de um grito, para um sussurro fortificado com preocupação.

"Eu estou bem." ele responde.

"Bom, porque eu vou gritar mais com você. Não somente você fez algo idiota, mas você fez sem eu estar junto! Foi a minha idéia, afinal. Você disse que era muito perigoso para eu ir como uma corça, então o que faz a diferença para você ir como um cervo? Olha o que aconteceu com você! Por que, POR QUE você não me disse, e me deixou ir com você?"

"Porque eu não queria que fosse você nessa cama de hospital. É a minha vez, você não concorda?"

"Absolutamente que não! Você tem noção do choque que foi, nessa manhã, ouvir que você estava na ala hospitalar? Se você tivesse ao menos me contado o que você estava fazendo, eu estaria preparada. Eu não sabia de nada. Eu fiquei apavorada!"

"Agora você sabe como é a sensação." ele diz com um sorriso. Embora ele não se sinta com vontade de sorrir. Se ela se importar com ele, até mesmo uma fração do que ele sente por ela, seria tormento suficiente.

"E aquele ato covarde com a poção para eu dormir na noite anterior! Me insultou ao extremo, Potter, como você ousa me rebaixar desse jeito. Colocando a criança na cama antes de você sair, e se rasgar em pedaços."

"Não foi desse jeito!"

"Não foi?"

"Bom, eu posso ver como que, sobre um certo ângulo, pode ser visto desse jeito, mas..."

"Mas o quê?"

"Não podemos falar sobre isso depois? Ou talvez, nunca? Eu tenho algo mais importante para te dizer."

"Você não pode negar nada disso. Não tem defesa para isso."

"Lily..."

"Você foi um grosso inconsiderado e eu..."

"Lily."

"Não consigo acreditar que você não..."

"Lily!" ele grita. Ela momentaneamente cessa a invectiva dela.

"O quê?"

"Eu sei o que aconteceu com o Hagrid..."


(a/n) Inverness é uma cidade da Escócia, capital da região de Highland, com cerca 40. 000 hab. Local onde afirma-se ter visto o Monstro do Lago Ness, localizado ao sul da cidade.

Eu ia colocar outro a/n sobre a fala que o James usa para acordar a Lily. Mas quero ver quem reconhece da onde foi retirada!! :)

Ok. Vou dar um preview para vocês do próximo capítulo, vou dar o título para vocês. Chama-se: A Última Meia-Noite. Querem ler? Aposto que sim. Então… acho que eu não preciso mais dizer o que vocês tem que fazer...