Capítulo XXXV — Cheiro de Mulher
— Não pensei que fosse voltar tão cedo para o trabalho, Dra. Higurashi. — falou Himiko, brotando sabe-se lá de onde.
Olhei para Himiko por vários segundos até me dar conta de que ela estava falando comigo. Pisquei, surpresa.
— Ah... Bom dia, Himiko.
— A senhora parecia bastante distraída... Estava pensando no Senhor do Oeste? — ela sorriu de forma cúmplice quase ao mesmo tempo em que ruborizava por perceber como o comentário poderia ser tomado como impertinente.
— Pode-se dizer que eu estava pensando nele, sim. — respondi, sorrindo de leve, ainda abalada com a conversa que eu (não) havia tido com Sesshoumaru na noite anterior, antes de ele ir embora às pressas para Kyoto.
— Quase não acreditei quando me falaram na sala de descanso que a Dra. Higurashi estava no hospital. O Senhor do Oeste não achou ruim que a senhora voltasse tão cedo para o trabalho? — Ela perguntou, enquanto me acompanhava pelo hospital. Eu estava indo para o quarto de Kayanno, já que eu não a via desde a semana anterior ao meu casamento, e não me admira que Himiko soubesse que me encontraria naquele andar. — Sabia que a Yakuza tem um bolão sobre o casamento de vocês? Tio Kai apostou que você degolaria o Senhor do Oeste antes de completar um mês.
Eu tive que rir, mesmo que não tivesse exatamente espírito para isso no momento.
— Não é uma ideia ruim.
— Bom, tio Kito apostou que você faria isso em quinze dias. Então espere mais uma semana para que o tio Kai vença, sim?
Rolei os olhos. Eu não sabia o que era pior: se saber que minha vida conjugal era motivo de apostas na Yakuza ou saber que eles tinham uma noção tão certeira do meu relacionamento com Sesshoumaru.
Do que eu estou falando? Que relacionamento? Esses dois últimos anos haviam me dado essa ilusão de que Sesshoumaru e eu tínhamos senão respeito mútuo, pelo menos tolerância ao outro. Eu achava que o compreendia, que havia aprendido a lidar com ele. Agora eu vejo que eu estava apenas me iludindo.
Eu nunca conheci Sesshoumaru. Nem sei mais se quero conhecer.
Meu celular vibrou no bolso do jaleco e eu o ignorei. Daiki estava me ligando a cada quinze minutos para me convencer a fugir com ele para alguma ilha deserta e esquecer a existência de um certo "cão vira-lata". Eu não estava com saco para aguentar as ladainhas de Daiki, então coloquei o número dele na lista negra e as ligações dele estavam sendo bloqueadas. Imagino que ele resolveu apelar para as mensagens de texto depois de perceber o que eu havia feito.
Havia coisas mais importantes para fazer no momento do que ligar para os surtos do meu irmão, como, por exemplo, ficar feliz com a notícia de que Kayanno deveria receber alta em uma semana e combinar com a mãe dela sobre a aquisição de um filhote de husky siberiano.
Quando o horário de almoço chegou foi que eu resolvi tirar algum tempo para falar com Daiki, pois eu sei que tipo de coisa idiota ele pode fazer se for ignorado por muito tempo. Suspirei pesadamente enquanto lia a mensagem: "Preciso muito falar com você. D."
O que o imbecil do meu irmão aprontou dessa vez?
Com outro suspiro pedi para ele me encontrar no restaurante em frente ao hospital, por vingança pelo fato de ele ser tão chato, atrasei quase uma hora para sair e ir encontrá-lo.
— Irmãzinha. — ele disse enquanto me abraçava, em seguida segurou meus ombros e começou lentamente a aspirar o ar perto do meu rosto, como se estivesse... espera…
— Você está me cheirando?
— Você cheira a mulher! — ele exclamou, enquanto me abraçava e fungava, apertando-me contra si.
— Ainda bem que tenho cheiro como uma mulher, não acha?
— Não, ele te violou! Como aquele cão maldito pode ter violado algo sagrado como você?!
— Daiki, me larga. — afastei-me e encarei a expressão chorosa de meu irmão. — Como você é dramático.
— Hideo nunca deveria ter deixado aquele cão pôr as mãos em vocês! Vou pedir o divórcio fraterno! Não posso mais viver com essa espécie de relacionamento com ele... Aproveito e peço o nosso divorcio fraterno e me torno seu amante, que acha? — Ele voltou a me abraçar. — Viveremos lindos e felizes em uma ilha deserta sem roupas... Porque estar nu com você é importante.
— Pare de falar essas coisas pervertidas.
— Nunca... Venha, temos que comprar protetor solar para nossos lindos corpos que ficarão nus.
— Não fique falando essas coisas como se fosse realmente acontecer.
Ele suspirou e beijou o topo de minha cabeça me apertando levemente, finalmente sorri e o abracei, ele pode ser um louco inconveniente, mas ainda é meu irmão e eu o amo.
Daiki finalmente se afastou e se sentou, sentei-me ao seu lado. Já havia comida na mesa, o que era realmente maravilhoso, pois estava faminta. Odeio quando fico tão compenetrada com uma coisa que esqueço que tenho que me alimentar, já que apenas recordo isso quando parece que meu estômago está atacando meu fígado com brutalidade.
— Me chamou aqui apenas para reclamar do meu casamento?
— Antes fosse apenas por isso.
Olhei para ele surpresa. "Apenas por isso", eu havia escutado direito?
— Saudades?
— Também. — Ele respirou fundo e coçou a nuca enrolando os fios cacheados no dedo indicador por uns instantes. — Engravidei a Hiroko.
E todo o macarrão que havia colocado em minha boca foi para minha garganta fazendo com que eu engasgasse e tossisse e quase chorasse, tudo ao mesmo tempo. Daiki me deu água e começou a abanar o menu em frente ao meu rosto enquanto me mandava respirar. E assim fiz, respirei fundo e o encarei, exigindo silenciosamente um explicação.
Como assim ele engravidou a Hiroko?! Tudo bem que sempre senti uma certa tensão sexual entre esses dois, mas engravidar? O que esse idiota tem na cabeça?
— Ai! — ele reclamou quando bati em seu braço. — Calma, eu vou explicar... Foi o maldito saquê.
Ficamos nos encarando, então ergui a sobrancelha. Claro, dizer que foi o saquê explica tudo.
— Daiki. — disse praticamente rosnando, fazendo com que meu irmão se encolhesse.
— No dia em que você dormiu na casa do sarnento. A gente bebeu muito, estavam o Ryo e a Tomoyo juntos... Estava tudo indo muito bem, bebemos, comemos, conversamos, não sei exatamente em que parte da noite tanto eu quanto ela achamos que ficar nus no meu quarto fazendo... sabe... exercícios sexuais... era agradável. — Não consegui evitar fazer uma careta, afinal era nojento pensar em meu irmão dessa forma com alguém. — Mas enfim, achamos que era uma boa ideia e fizemos tudo e mais um pouco. Bom, isso já havia acontecido, mas nunca com esse tipo de consequência.
— Como assim, já aconteceu antes?
— Longa história.
— Ela te odeia com razão.
— Ei... Sou seu irmão.
— O fato de você ser um safado que não vale a roupa que usa não interfere no meu amor por você. – falei bastante séria.
— Own, isso foi lindo, tenho vontade de beija-la.
— Fica longe de mim, se não te furo o olho com esse hashi. — Ele ergueu as mãos em gesto de defesa. — Ela está mesmo gravida?
— Sim.
— E como você ainda está vivo?
— Nagi surtou e sumiu e Hideo precisa de mim vivo... Por enquanto.
Peguei o menu da mão dele e o acertei várias vezes na cabeça enquanto o chamava de "irresponsável, safado, ninfomaníaco de uma figa". Quando me cansei, voltei a comer e ficamos alguns minutos em silêncio. Era realmente estranho ver Daiki tão quieto. Isso estava me assustando um pouco.
Fiquei encarando-o e então a ficha caiu. Meu Deus, eu vou ser tia?!
— Espero que o bebê puxe a Hiroko. — falei baixinho.
— Credo, não brinca com isso. — Ele bateu três vezes na madeira da mesa. — Já me basta uma Hiroko para aguentar.
— Melhor que outro Daiki para aguentar.
— Eu sou muito digno. Se eu fosse mulher me pegava fácil.
— Me poupe. — balancei a cabeça confusa. — Coitada, de tantos homens lindos na mansão para ela engravidar, tinha que ser logo de você... Vou dar a ideia dela falar que é do Nagi, que eles não conseguiram segurar seus instintos incestuosos. Aposto que ela vai gostar da ideia.
— Ei.
— Sim, farei isso. — concluí, ignorando-o pelo resto do almoço enquanto ele dizia que não havia youkai, hanyou ou humano mais digno que ele para embuchar Hiroko; sim, exatamente essas palavras.
Engraçado como tudo isso fez com que eu esquecesse um pouco dos meus próprios dilemas domésticos e começasse a pensar em como Daiki faria para sobreviver à Hiroko — que já não é lá muito doce com ele — e ao irmão dela, que é um psicopata de primeira.
Depois de repreender meu irmão algumas vezes fiz questão lembrá-lo outras tantas de que não poderia falar nada de mim ou Sesshoumaru, já que havia agido de forma tão irresponsável. Isso resultou em reclamações dele e tapas meus, enquanto mandava ele calar a boca.
O meu horário de almoço acabou e fui embora.
Após o meu expediente no hospital, segui direto para a Mansão Corvo sentindo uma nostalgia muito mais que agradável ao entrar utilizando minhas chaves. A julgar pelo horário deveria haver alguém na cozinha preparando o jantar, portanto segui para lá encontrando Tomoyo pilotando o fogão.
— Maravilha, acertei o dia. — falei recebendo um sorriso dela.
— Ka-chan, que boa visita. — Ela veio até mim e me abraçou.
— Almocei com o asno hoje. — disse de forma desoladora.
— Ah, ele foi contar a versão dele.
— Mais ou menos.
— Esses dois... — ela soltou um suspiro.
— E onde está Hiroko?
— Ela saiu para comprar carne, não posso fazer um jantar decente sem carne, os homens dessa casa são tão inúteis.
Ri com o comentário e comecei ajudá-la, cortando alguns legumes. Não demorou muito para que Hiroko chegasse anunciando que havia trazido a carne, sorvete e chocolate.
Observei Hiroko, tentando adivinhar como ela estava, mas ela apenas parecia… normal. Imaginei que ela estaria surtando, ou parecendo abatida, quem sabe andando com adagas para matar o Daiki? Surpreende-me que pareça tão calma.
— Hum… Kagome? — ela disse, inclinando a cabeça como se achasse curioso o fato de eu estar ali. — Você não estava de lua de mel?
— Eu meio que tive que vir aqui depois de descobrir que você está grávida, sabe?
— Quem te contou? — ela perguntou, sorrindo.
Tomoyo começou a dizer um enfático "nãããão" enquanto agitava os braços e vinha na minha direção, como para me impedir que desse a resposta:
— O Daiki, lógico.
Pronto, a desgraça estava feita.
Ela pegou o banquinho que ficava encostado no balcão e saiu da cozinha com ele em punhos. Segui-a, mais curiosa para saber o que aconteceria do que preocupada. Foi tiro e queda, meu irmão estava na sala de vídeo assistindo "Sex and the City" — um vício que nunca vou entender. Hiroko jogou o banquinho nele, acertando-o em cheio na testa e fazendo o banquinho se partir no processo, a cena seguinte foi ela segurando o colarinho da camisa do meu irmão visivelmente atordoado com o susto que havia levado.
— Já está espalhando para todos? — ela rosnou.
Daiki me viu na porta, completamente assustada com o que estava vendo, e percebeu do que ela estava falando.
— Não é todos, é minha irmã.
— Você é um imbecil! — ela exclamou, puxando meu irmão pelo colarinho da camisa e fazendo-o cair no chão. Em seguida empurrou o rosto dele contra a mesa de centro, usando muito mais força do que eu imaginava que uma mulher teria — mesmo uma youkai furiosa. — Você está por um triz de nunca ver o rosto dessa criança, Daiki!
— Como é que é? — ele perguntou com voz abafada pelo fato de ela ter colocado o pé em sua bochecha para empurrá-lo com mais força contra o móvel.
— Meu filho vai ser produção independente.
— Eu contribuí.
— Não foi lá uma grande contribuição... Encontro melhores contribuições em clínica sde fertilização.
Ele segurou o pé dela e ergueu a cabeça, por um segundo eu temi que ela caísse, mas ele parou de se mover e respirou profundamente.
— Posso ver sua calcinha.
E com isso ela se afastou, vermelha, e não era de constrangida, com certeza não era. Ela respirou fundo e me olhou, acho que minha expressão de assustada a fez ficar pena de mim, ou sei lá — não tenho culpa do idiota que tenho como irmão.
— Desculpe Kagome, não é sua culpa. — ela respirou fundo novamente e chutou a costela de Daiki pouco antes de sair.
— Eu tentei avisar... — falou Tomoyo ao meu lado, em seguida ela arregalou os olhos e saiu correndo gritando — A COMIDA!
— Você é realmente um idiota. — falei, balançando a cabeça teatralmente, e saí para cozinha.
Algum tempo depois a mesa de jantar estava pronta (estranhei quando a Tomoyo pediu para arrumar a mesa apenas para nós três e Daiki). Quando perguntei dos outros, disseram que Hideo havia ido para Sapporo levando consigo Ryo, Yuri, Sajia e Aika com ele. Quando perguntei do Nagi, as duas disseram que não faziam qualquer ideia de onde ele estava, pois desde a notícia do bebê ele havia sumido.
No final das contas estavam nós três sentadas tomando suco de frutas vermelhas com leite condensado feito especialmente pela Tomoyo para acalmar nossos nervos, quando Daiki passou pelo arco que separava a sala de jantar do corredor e ficou nos encarando estático.
— Sinto energia negativas contra mim, vou comer e dormir fora. — foi tudo o que ele disse antes de sair mandando um beijinho para nós.
— Idiota. — resmungou Hiroko ao meu lado bebendo o suco em seguida em uma gola só, como se fosse saquê.
Eu não sabia o que falar para ela, sei que a culpa é do idiota que tenho como irmão, mas isso não significa que não me sinta culpada também. Tomoyo saiu para trazer a comida e eu apenas fiquei encarando Hiroko, enquanto ela massageava a testa.
— Está estressada? — perguntei suavemente — Não vai fazer bem ao bebê, sabe?
Ela respirou fundo e levou a mão que antes estivera no rosto até a barriga.
— Acho que ainda estou um pouquinho assustada também. — ela disse, tentando sorrir — Nagi ficou uma fera, e a Aika não estava aqui para que eu tivesse alguém com quem conversar. A Tomoyo só me ajudou a ficar com mais raiva do Daiki.
— Por quê? Ela disse que você devia ter se aproveitado dele por alguns anos antes de engravidar? — sorri para ela — Bom, eu literalmente sei como você deve estar se sentindo.
— Você está grávida?
— Não!
— Então como sabe...
— Não importa. Tomoyo repetiu isso para mim. Isso sem falar que sempre sofri com as ideias erradas do Daiki.
— Ponto. — ela sorriu, dessa vez parecendo bem mais real — Queria ver logo meu bebê. Mas tenho que esperar quatorze meses, é muito tempo!
Cuspi o suco de frutas vermelhas.
— Espera um segundo… quanto tempo?!
Ela me encarou, bastante confusa, então riu de mim.
— Quatorze meses… Sério que você não sabia o tempo de gestação de um youkai? — Eu neguei, bastante surpresa. — Pois é… Não quero que meu filho nasça órfão… Então tenho que aguentar meus desejos de carnificina por quatorze meses… Depois disso vai estar tudo bem, e vou poder dizer para o meu filho que ele teve um pai um dia. Torça Daiki para não ser literalmente um dia.
Eu ri. Tomoyo finalmente chegou com as travessas.
— Nós precisamos comprar roupinhas. — Tomoyo sentenciou com um sorriso animado.
— Abriu uma nova loja de fantasias para crianças com menos de um ano no shopping. — comentei — Nossa… Acabei de perceber que vou adorar gastar o dinheiro de Sesshoumaru com o bebê. — Soltei um suspiro — Porque gastar o dinheiro do Sesshoumaru é mais eficaz que bater nele.
— Você tem permissão para ser uma tia coruja. — disse Hiroko — O Hideo não tem, pois não educou bem o irmão dele. — Ela suspirou enquanto Tomoyo e eu ríamos do comentário. — Espero que vocês me ajudem a escolher o enxoval do bebê. Eu não sou muito boa nessas coisas de ser doce, não.
— Ah, querida, é tão fofo ver você sendo mãe de primeira viagem. — disse Tomoyo — Vai ser um prazer ajudar você.
— Como se você tivesse uma penca de filhos, não é, Tomoyo?
— Não tenho. — ela disse. Eu quase cuspi suco novamente de tão inocente e despretensiosa que ela tinha soado ao dizer isso. — Kagome, quando você tiver os seus filhotinhos, eu também vou adorar ajudar você.
Dessa vez não teve como segurar, e eu cuspi o suco. Maldição, de onde essa tinha saído?
— Filhotinhos?!
— Sim, os caninos com asas.
Fiz uma careta ao imaginar isso, em seguida balancei a cabeça e ergui as mãos em gesto de defesa.
— Não quero falar sobre isso.
— Ele não foi gentil na primeira vez de vocês? — Tomoyo questionou segurando minhas mãos. — Ele tem mesmo cara de quem é selvagem na cama.
O quê? Quando foi que a conversa tomou esse rumo?
— To...
— Deixa ela. — Hiroko reclamou ao meu lado. — Pare de ser tão assanhada.
— Só estou preocupada com o bem-estar sexual dela.
— Tomoyo! — quase gritei.
— O quê? — ela disse inocentemente, respirei fundo e rolei os olhos, aquela era uma batalha perdida. — Brigou com ele?
— Por que a pergunta?
— Alguns comentários durante a noite me fizeram pensar que talvez vocês tivessem discutido.
As duas ficaram me encarando, rolei os olhos.
— Tivemos uma pequena discussão antes de ele viajar.
— Pequena?
— Mais ou menos... Não quero falar sobre isso agora.
Felizmente elas não insistiram e realmente fiquei muito agradecida por isso. Após o jantar e de marcar o horário do shopping para o dia seguinte, fui para casa. Sinceramente, foi um pouco estranho ter que me despedir de Tomoyo e Hiroko dizendo que era hora de ir para casa, foi como na primeira vez que visitei minha mãe após ir morar com meus irmãos.
Eu não havia dormido nada esta noite também.
Realmente acreditei que tendo uma rotina normal de trabalho e o nervosismo com o Daiki iriam fazer com que meu sono viesse, mas não, passei mais uma noite virando de um lado e para o outro, levantando de manhã completamente frustrada por ter ficado mais uma noite pensando em tudo que me havia sido revelado — e o que não havia.
Definitivamente era aquele silencio de Sesshoumaru que realmente me atormentava, aquilo era tão irritante que minha vontade era de ir atrás desse maldito apenas para esfolar seu rosto no asfalto. Mesmo sabendo que seria mais fácil ao contrário, mantive esse desejo dentro de mim.
Mas não adiantava ficar pensando nisso por agora, sendo assim me forcei a pensar no treinamento que estava fazendo para quando Ryuuji aparecesse, portanto aproveitei minha manhã livre e treinei, tomei um banho rápido e segui para o shopping onde havia marcado de encontrar Tomoyo e Hiroko, o que me conforta é saber que essa noite não vou ficar "fritando" na cama já que estou no plantão noturno — nunca havia ficado tão feliz por saber que passaria a noite trabalhando.
— Que roupinha mais linda. — comentou Tomoyo me fazendo voltar a realidade e a encará-la. Em suas mãos estava um macacãozinho rosa, sorri ao notar os detalhes de borboletas na parte inferior da roupa.
— Realmente é linda, mas acho melhor comprar roupas neutras, não sabemos o sexo do bebê. — comentei, sentindo um peso em meu ombro, virei o rosto para ver Hiroko apoiada em mim analisando a roupinha.
— Se há justiça divina nesse mundo, há de ser uma menina. — falou Hiroko.
— Daiki pagará por todos os seus erros com uma filha linda E poderosa que faRÁ todos os machos youkais ou não correrem atrás dela. — comentou Tomoyo com o dedo indicador sobre o queixo. — Gostei, será uma menina.
— Eu não opino até o bebê nascer.
— Imagina, ela será perfeita para o Ren.
— Minha filha nem nasceu e você já está arrumando um macho pra ela, Tomoyo.
— É o Ren.
— Tem razão, ele será perfeito.
— Alcoviteiras.
— Manter Ren solteiro.
— Não! — Tomoyo fez com que Hiroko e eu saltássemos de susto. — Deixa ele aprender bem os prazeres da carne para ensinar a ela depois.
— Que horror... Vem Hiroko, deixa meu sobrinho (ou sobrinha) longe dessa perva aí. — segurei o braço de Hiroko e a puxei comigo.
— Fingir ser puritana não cola mais comigo, Kagome. — ouvi Tomoyo comentar atrás de nós, não consegui não rir. — Muito bem, já que é o cartão do Sesshoumaru, vamos comprar roupas para ambos os sexos e neutras também.
— E que vamos fazer com tantas roupas depois quando o bebê nascer?
— Doamos para algum orfanato, Kagome.
— Até que você tem boas ideias, Tomoyo.
— Eu sei, estou ficando expert nisso. Agora vamos às compras, você paga a comida, comprar dá fome.
— Fato, estou com fome.
— Grávida faminta, vamos comer antes de continuar a testar o limite do seu cartão.
— Vocês mandam por hoje.
Eu não deveria ter dito isso, pois apenas fui liberada quando disse que estava atrasada para ir trabalhar, mas antes de sair, Tomoyo me fez assinar em um guardanapo que deixava meu antigo quarto para o bebê, local onde seriam guardadas suas roupinhas, já que, de acordo com ela, Hideo nunca permitiria que alguém tocasse no quarto, a não ser que eu mandasse.
Enfim, fui trabalhar e o plantão que era para durar apenas uma noite se perpetuou por toda manhã e tarde por conta de uma recaída significativa de Koshiro, um menino de dez anos que estava respondendo bem a quimioterapia, até agora. Não consegui ir embora antes de saber que ele ficaria realmente bem, e sem expectativas eu precisava ter a certeza, portanto permaneci no hospital até o turno noturno começar. Até recebi alguns olhares das enfermeiras da noite quando me viram ainda por lá, questionaram se eu havia ido para casa e quase levei uma bronca da chefe da enfermaria, pois de acordo com ela não havia sentido a médica ficar doente enquanto cuida de seus pacientes.
Quando cheguei em casa, senti que havia levado uma surra, de tanto que meu corpo doía. Tomei um banho rápido, mais por me sentir incomodada por estar com o corpo a mais de vinte e quatro horas sem banho do que por vontade, e deitei na cama. Foi instantâneo, apaguei.
Não houve sonhos ou qualquer outra coisa e quando acordei senti que havia adormecido por apenas alguns minutos. Minha cabeça estava dolorida de enxaqueca. Levantei e segui para o banheiro, não sei ao certo quanto tempo fiquei na banheira, mas foi tempo suficiente para minha cabeça parar de doer. Quando voltei ao quarto, sentindo-me completamente renovada, notei a caixa de madeira onde deveria ser o lado do Sesshoumaru da cama.
Curiosa, sentei na cama, pegando a caixa a deixando em meu colo. Ela tinha o tamanho de um embrulho médio de presente, e tenho certeza que ela não estava ali quando deitei na noite passada. O que significa que havia apenas duas pessoas que poderiam ter vindo durante a noite para deixá-la, Sesshoumaru ou Kazuki... Se bem que devido ao horário e o senso rígido de bons costume de Kazuki, aquilo só poderia ser coisa de Sesshoumaru.
Prendi a respiração, meio apreensiva com o que poderia estar ali dentro. Vindo de Sesshoumaru, espero até mesmo uma bomba... Certo, estou sendo dramática.
Soltei o ar e abri a caixa, notando uma bolsa de seda vermelha. Estreitei os olhos, perguntando-me o que poderia ser. Vencida novamente pela curiosidade peguei a seda e abri com cuidado, deparando-Me com a última coisa que eu poderia imaginar...
O rosário de Inuyasha.
Ladie
Oi, gente! Então, estou meio atrasada, mas é que tudo foi se acumulando nessa sexta e eu realmente não tive tempo para terminar de revisar esse capítulo. Mas promessa é promessa. Acabei de chegar da formatura de uma prima, são 03:29 da manhã, e eu estou bêbada de sono (tá, não apenas disso), mas vim aqui postar o capítulo de vocês.
Eu estou com uma dor de cabeça do satanás, então provavelmente minha revisão não foi nem perto de excelente. Por isso, relevem alguns erros, na segunda-feira eu faço uma revisão final e corrijo.
Muita gente vai xingar muito -notwitter- nas reviews por que esse capítulo é insosso e whatever. É verdade. Só que acreditem em mim quando digo que capítulo que vem vocês todas vão morrer de surto (e de raiva também). Sério, o próximo capítulo é onde praticamente tudo se explica melhor. Preparem suas periquitas.
Inha, isso me lembra, tenho um comunicado.
Essa semana Mary e eu encontramo os podcasts (entrevistas gravadas em áudio) de Darknesses e Os Guardiões dos Elementos, então a Nyara deu a ideia de fazer um podcast de Senhor do Norte, e a gente topou na hora, lógico.
O podcast será mestrado pela Nyara, Vitória e Quésia (as que colaboraram com o capítulo "Casamento (Parte Um)"), e as entrevistadas seremos Fkake e eu, o assunto vai ser exclusivamente sobre Senhor do Norte (a menos que a gente comece a viajar na maionese, o que acontece sempre [ao menos é engraçado]).
Já que é uma entrevista sobre Senhor do Norte, nós achamos que VOCÊS poderiam ajudar, não é?
Enfim, se vocês tiverem alguma pergunta sobre Senhor do Norte ou sobre nós, apenas deixem uma review dizendo qual, certo? As perguntas serão repetidas no podcast e iremos responder qualquer coisa que quiserem (daremos spoilers, até), a menos, é claro, sobre aspectos da fic que não estão completamente organizados. Nesses casos falaremos o que pudermos.
Espero que se divirtam com a ideia.
Beijos da Ladie
P.s.: Fkake, se eu viajar amanhã antes de falar com você, saiba que eu te amo.
P.s.2: Se acontecer algo na viagem, por favor, dê um jeito de excluir o histórico do meu navegador.
P.s.3.: Não faço ideia por que pensei nisso, mas acabei de perceber que o histórico é muito incriminador.
P.s.4.: Vou tomar coca esse final de semana pensando em você. #bichamá
P.s.5: Fui.
