Dor; Um coração estraçalhado:
"Não faça isso... Isso não... Está doendo. A falta do brilho de seus olhos me agonia; A falta do som de sua voz me atira no vazio; A falta de seu sorriso me tira todas as forças. Não me deixa, pois sem você, mesmo que eu viva cem anos, estarei morto. Morto em vida, apenas um zumbi que vaga pela Terra sem razão de existir. Só você pode preencher o vazio em mim; Só você pode me completar, por isso... Não me deixa, volta pra mim, ou me leva junto para o mundo dos mortos."
--
Correu até mim, podia ouvir, ao longe, sua voz que me chamava, quase inconsciente. Meu tato já falhava, quase não senti o toque de suas mãos me virando para cima e me pondo, cuidadosamente, em seus braços. O sangue escorria pela testa e faces, manchando os dedos trêmulos que tocavam meu rosto. A voz, ainda que engasgada, trazia-me uma alegria imensa em meio a dor profunda que percebi ainda sentir.
-- Nala... Nala, abra os olhos. Olha pra mim, por favor...
Meus olhos se abriram sem forças, encontrando o brilho azul dos seus, repletos de lágrimas, e um leve sorriso aliviado brotou em seus lábios.
-- Graças a Deus...
-- Hyoga... Você está bem... Que bom...
-- Ssh... Economize energia. O helicóptero da Saori chega logo. Eles vão cuidar de você...
Mas minha cabeça acenou negativamente antes que terminasse a frase, ainda que sorrindo, com os olhos calmamente fechados.
-- Não dá... Mais, aaagh!
-- O que está dizendo?!
-- Eu... Queria tanto que fosse diferente... Mas não posso mais...
Meus olhos e dentes se fecham fortemente com a dor, Hyoga segura firme minha mão. Fechou seus olhos, chorando, e quando falava, fazia-me pensar que seu coração estava se partindo em milhares de pedaços. Com a cabeça baixa, as franjas loiras manchadas de sangue tapavam os orbes molhados.
-- Não! Nala, por favor, agüente... Eu não vou suportar te ver morrer, não vou suportar viver sem você! Eu te amo!!
Finalmente... Finalmente ouvi as palavras que mais desejava desde que descobrira o quanto o amava. Ainda que com os sentidos já comprometidos, estas últimas palavras me trouxeram um último calor ao coração, dando-me forças para abrir uma vez mais os olhos.
-- Nala, eu sei... Sei que não devia. Nunca te contei por que sempre soube que não sou nada perto de você, uma Deusa... Mas mesmo assim... Mesmo assim eu queria estar com você, poder ver o brilho de seus olhos, seu sorriso, ouvir sua voz. Eu só queria poder te ver feliz, e assim eu estaria feliz, mesmo que não pudesse ser correspondido. Eu jamais estarei do lado de outra garota que não seja você!
Meu coração não mais podia bater com a força que teria se não estivesse em tal estado, mas meu espírito transbordou de felicidade como nunca antes, e ainda pude lhe abrir um sorriso. Agora eu poderia lhe dizer, com aquele último suspiro de energia que ele me dera.
-- Como você é bobo...
-- Hã...?
-- Você se põe tão abaixo dos Deuses... Quem são eles? Os egoístas, gananciosos e luxuriosos que tivemos de vencer? Poucos são como Atena, Eros e Psique, bons e justos. Você... Que é valente e honrado, está acima de qualquer um destes que se intitulam Deuses sem merecerem... É este Cavaleiro, que esteve sempre do meu lado... Nos bons e maus momentos... É você que eu amo.
-- N... Nala...?
Suas faces coradas e pupilas e cintilar de surpresa e incredulidade me fizeram sorrir novamente, e pude fazer-lhe meu último pedido:
-- Você me dá um beijo...?
-- ...! – seu rosto estava ainda mais vermelho.
-- Por favor...
Mais e mais surpreso estava, mas seus olhos se encheram de novas esperanças. Um beijo doce e quente fez desaparecer toda a dor e o medo, e pude sentir, pela última vez, o calor da vida fluindo por todo o meu corpo. Podia senti-lo, seu coração batendo fortemente, o calor de seus lábios, o último que mantinha ainda um pouco do calor dos meus, a suavidade de sua mão sobre minha face. Nunca em minha vida senti algo tão maravilhoso como nestes meus últimos segundos.
Minha mão sobre seu rosto, porém, perdeu as forças, e proferi minhas últimas palavras pouco antes dela cair inerte ao chão, quando fechei definitivamente meus olhos, e minha cabeça tombou sem vida sobre seu peito.
-- Doc Vidanja, Alexei... Hyoga.
-- ... Não... Nala, agüente... NALA!!
--
Um último suspiro de cosmo se espalha pelo Olimpo. Corações comprimidos dentro dos peitos, um sentimento de morte, lágrimas que caem.
-- Shiryu!? – volta o garoto para o amigo.
-- Na... Nala... Ela nos deixou, Shun.
-- Não... Não pode ser. Ela não pode ter morrido. E o Hyoga... Senti o cosmo dele perto do dela. Eles estavam juntos!
-- Sim... Ele terá de ser forte. Não sei se isso é possível, não sei se eu conseguiria se fosse a Shunrey...
Sentiram apenas a dor no peito e o rosto se molhar de lágrimas abundantes.
--
-- Nala... – pronuncia chorosa a Deusa.
-- Acabou... Ela sacrificou todo o seu cosmo.
-- Pai, o que acontecerá com ela?
-- Não se preocupe. Ela suportou até depois do embate, seu espírito está intacto.
-- O senhor disse que atenderia ao meu pedido. Estende também a ela, por favor.
-- Sinto muito, minha filha, mas nem mesmo eu sou capaz de fazê-lo...
E baixa a cabeça pesaroso, encanto Atena esconde o rosto entre as mãos, chorando e soluçando. Zeus vai até ela, abraçando-a, e ela aceita o conforto e apoio de seu pai.
--
Sobre o penhasco, seu punho apenas se fecha, e pode-se ver as lágrimas que fazem caminho em sua face, aquele que tão dificilmente choraria. As penas da fênix, presas à armadura, balançam ao vento.
"Hyoga... Eu, mais do que ninguém, sei o que está sentindo, e igualmente sei que esta ferida jamais se curará por completo. Seja forte, amigo, você a verá novamente, ela estará esperando por você."
--
Sorento aperta instintivamente a flauta entre os dedos, olhando de súbito para o local onde sentira há pouco os cosmos em combate. Derrama uma lágrima, com os pensamentos perdidos. "Nala... Não..."
--
Shaka nada diz, nem nada pensa, mas baixa a cabeça, e deixa também o seu rosto se molhar. Ele sabe que a morte não é o fim, que há muito mais coisas para se viver e ver pela frente, mas ainda assim sabe o quanto aquele espírito estaria ferido, o quanto seria difícil passar pela recuperação, mesmo que no plano dos mortos. Além disso, a dor daqueles que ficam também é algo que o feria desde sempre, mesmo que soubesse lidar com isso.
--
Segurou o pulso, onde colocou seu crucifixo, e num abraço forte e doloroso pedia por sua vida.
-- Por favor, se existe alguém que me escute, não a deixe morrer! Por que todos os que amo têm suas vidas tiradas assim? Minha mãe, meu mestre, Camus, meu amigo, Isaak... Não a leve também! Eu faço qualquer coisa! Me leva no lugar dela, me mande para o inferno, mas não corte assim a vida dela...
Mas suas preces não parecem ouvidas. Uma mão amiga e preocupada lhe toca o ombro.
-- Hyoga...
-- Me deixa sozinho, Shun.
-- Hyoga, pare... Não sei se é mais doloroso vê-la morta ou te ver desse jeito. – as faces de Andrômeda também estavam sob lágrimas.
-- Eu... Queria poder trocar de lugar com ela.
-- Mas não pode... Ela fez isso por te amar, queria que você vivesse e fosse feliz. Então satisfaça o desejo dela.
-- Como posso viver e ser feliz às custas da vida de quem eu amo?
Olhou para ele com tristeza, sem poder responder. Shiryu apenas observava de longe, também imerso em profunda tristeza.
-- Vamos, temos que sair daqui... – disse ainda Shun.
-- Não!
-- Hyoga...
-- Eu vou até Zeus.
-- O que?!
-- Ele está com Atena, e está do nosso lado. Vou pedir que ajude, afinal, ele é o senhor dos Deuses.
-- Será... Que ele pode? ... Eu vou com você!
--
Shun: Será... Será q ainda existe uma esperança?? Eu quero que sim... Mais do q tudo... Eu quero minha amiga de volta!
Shiryu: Enquanto houver uma chance... Vamos correr atrás dela.
Hhyoga: Eu ñ vou desistir. De jeito nenhum. Não vou deixar Nala morrer tão facilmente!
Shun: Vamos, então... P/ o templo de Zeus! P/ o próximo capítulo, pessoal!!
