DISCLAIMER: infelizmente TWILIGHT não me pertence, mas INEXPLICAVELMENTE AMOR, sim. Então, por favor, respeitem.
Capítulo 34
Arruinado
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~ POV Edward ~
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Bella disse tranquilamente aquela frase, que apesar de ter ouvido claramente não consegui assimilar o que queria dizer. Continuei olhando para onde ela estava – na soleira da porta -, me encarando com ódio, nojo, repulsa, e com um último olhar de descaso em minha direção ela passou pela porta a batendo com força, fazendo alguns quadros nas paredes balançarem. Então como um soco no meu rosto eu entendi o que havia acontecido.
Ela havia me deixado.
Dessa vez foi ela que se afastou de mim, como se eu fosse uma doença contagiosa.
E de fato eu era.
Eu era um fraco, um covarde, um nada.
Caí de joelhos onde estava às lágrimas saíam dos meus olhos sem nenhuma vergonha, tudo ao meu redor haviam sido esquecido, os sons, as texturas, tudo, a única coisa que importava era a minha dor e minha culpa.
Culpa.
Eu fui eu sou, e sempre serei o culpado por estragar o nosso relacionamento. Eu não mereço e nunca mereci o amor, o carinho, o respeito de Bella, ela é boa demais para mim.
Não sei dizer quanto tempo fiquei ali inerte no chão, tudo a minha volta estava confuso, e quando eu estava exausto de ficar naquela posição – de joelhos -, como um garotinho sendo castigado eu me arrastei até o nosso escritório, pois eu sabia que tinha sido ali que ela havia descoberto as minhas mentiras.
E assim que atravessei a porta pude confirmar a verdade, meu diário que eu erroneamente havia dito que tinha perdido, estava aberto na mesa, e espalhado sobre a mesma vários bilhetes, mapas, papéis, mas vendo que meu laptop estava aberto caminhei para ficar de frente para ele, e vi que o computador estava ligado em algum web site de dicionário online onde ela havia digitado cinco letras, e em resposta a sua dúvida quatro letras logo abaixo demonstravam o que significava, e em cima do teclado, o causador de tudo, a minha fraqueza.
A maldita niege.
Senti-me doente, tirei aquele maldito saquinho branco de cima do teclado, e sem me importar com nada somente extravasar a minha raiva, puxei o laptop, que notei estar ligado na tomada, uma vez que com a força que o levantei da mesa o fio ricocheteou no mogno, e sem pensar duas vezes joguei com força aquele eletrônico contra a parede a minha frente, onde ainda estavam os livros de Bella.
A estante balançou violentamente, e somente alguns livros e algumas fotografias caíram junto com aquele monte de cacos que havia se tornado meu notebook. Novas lágrimas romperam por meus olhos, eu não conseguia me concentrar em mais nada. Então eu vi aquele plástico de cinco por cinco centímetros, o seu branco brilhando na minha frente, me convidando a usá-lo.
E jogando tudo para o alto, afastei todas as coisas da minha frente jogando-as no chão, deixando a superfície lisa e limpa, abri o pacote e joguei seu conteúdo branco em cima, fazendo a adrenalina da vontade começar a correr em minhas veias, comecei a procurar desesperadamente algo para ajeitar as carreiras, quando abri a primeira gaveta de minha escrivaninha.
Ao olhar a foto de duas das mulheres – que não eram de minha família -, mas que eram as mais importantes da minha vida ao lado de minha irmã e minha mãe a realidade me bateu. Eu não podia fazer isso, eu não podia cair em tentação novamente, mas como eu conseguiria controlar a dor, a raiva, a culpa que sentia por afastar Bella mais uma vez de minha vida?
Novas lágrimas brotaram em meus olhos, e começaram a rolar pelo caminho já seco que as antigas fizeram. Passei as mãos em meus cabelos, e olhei em frente, para a mesa, estante e pertences de Bella, novamente o desespero me tomou, eu queria usar, como eu teria sentir a euforia, a adrenalina, esquecer os problemas e me transportar para outro lugar, onde a dor não existia.
Então eu vi.
Vi a foto de minha família completa.
Meus pais, meus irmãos, seus companheiros, meus sobrinhos e minha paixão, minha alma gêmea. Eu precisava conversar com alguém. Não, eu precisava de alguém para me trazer de volta a realidade. Encarei a fotografia novamente.
Meus pais? Não, seria muita dor para ambos ver que seu filho era um fraco, uma pessoa que não amava a própria vida. Eu não podia fazer isso novamente com eles.
JaspereAlice? Sem dúvidas, ambos são o melhor amigo e a melhor irmã, respectivamente. Mas eu não podia fazer isso com os dois também, não quando a gravidez de Alice fosse tão delicada, qualquer forte emoção poderia causar o pior. Eu não poderia fazer a minha irmã sofrer isso, não por minha causa.
EmmetteRosalie? Eu amava os dois, eles eram como o humor e a razão juntos, mas para me segurar nisso, será que eles seriam o suficiente? Não… definitivamente não… ainda mais Rose que havia perdido a sua irmã caçula e amada por causa dessas coisas, e sem contar as três crianças pequenas deles. Meus sobrinhos não mereciam seus pais exalando raiva por causa do seu tio.
Então sobravam Jamese Veronica, de todos eles eram os mais centrados, devido à profissão que escolheram, mas eles estavam com meu sobrinho ainda pequeno. Mas eu sabia que se tinha uma pessoa que poderia me ajudar nesse momento, essa pessoa era meu irmão. Veronica é uma mulher que não depende de um homem, ela pode cuidar pelo menos por algumas horas de David sozinha.
E sem hesitar um segundo mais peguei o meu celular que estava em meu bolso e procurei o nome do meu irmão, e liguei. No segundo toque ele atendeu.
- Edward? – sua voz ressoou.
- James eu preciso de você aqui em casa agora. – disse com a voz embargada pelo choro.
- Em dez minutos eu estou aí. – disse finalizando a ligação. Pela primeira vez me senti extremamente grato que ambos haviam conseguido transferência para a promotoria de Boston.
Deixei o telefone cair de minhas mãos, que por conta do chão ser coberto por um tapete foi abafado o som.
Tentei desligar a minha mente de tudo, inclusive daquele maldito pó que estava na minha frente me chamando, me convidando a apreciá-lo. Contive-me mais uma vez, respirando pela boca, para evitar sentir o aroma, fechei meus olhos pressionando minha cabeça com as minhas mãos. Concentrei-me em tudo o que Bella disse:
"Claro que você pode você sempre pode, vocênuncavai mudar, você vai ser sempre o mesmo Edward Cullen de nove anos atrás que era viciado e quase morreu por causa dessa merda."
O tom frio, cheio de nojo e escárnio que ela utilizou naquela sentença ainda ecoava em minha cabeça. Eu era tão repugnante que não consegui confiar na pessoa que eu escolhi para ser minha para sempre.
Tantas conversas que tivemos durante os meses em que estivemos juntos, onde ela inúmeras vezes me deu apoio dizendo que se eu sentisse vontade, uma brecha de recaída que ela estaria ao meu lado, me apoiando, mas que eu nunca deveria omitir para ela sobre minha doença.
Mas novamente eu fiz a escolha errada, da mesma forma que fiz quando fui me tratar, eu a deixei vendada diante do meu problema. Eu escondi, omiti, tentando protegê-la, esquecendo-se de mostrar o principal que acima de tudo eu confiava nela incondicionalmente. Uma nova avalanche de lágrimas rompeu por meus olhos, se tinha uma palavra para me definir nesse momento, essa seria quebrado.
Eu estava totalmente quebrado.
Tudo o que era importante na minha vida escapava por entre meus dedos. Eu não tinha mais motivo para viver, eu não sabia por que eu ainda teimava em respirar, em viver. Eu sempre fui e sempre serei um nada. Um babaca que não consegue enfrentar seus problemas cara a cara e os empurra para debaixo do tapete, como se fosse uma sujeira qualquer.
Um grito angustiado saiu pela minha garganta ecoando pelas paredes daquele apartamento, que já fora tão quente, tão acolhedor, agora ele esta frio, morto. O coração dele havia ido embora, havia deixado tudo.
- Edward? – a voz de James ecoou pela casa.
Soltei um resmungo, e crendo que ele notasse onde eu estava. Por sorte, ele descobriu, mas quando viu a bagunça no escritório, e aquele monte – pequeno, mas significativo – na minha frente, perguntou reflexivamente:
- Edward o que aconteceu aqui? E por que essa merda está na sua frente? – acrescentou nervoso.
- E-el-ela se f-fo-foi. – disse com a voz estrangulada, pois eu não conseguia pronunciar que ela havia ido embora para sempre.
Sempre.
Só de pensar nessa palavra a minha alma parecia dilacerar, meu coração parecia decidido em parar de bater, e meu cérebro a ponto de entrar num colapso e surgir uma hemorragia nele.
- Bella? – James perguntou se aproximando da mesa em que eu estava sentado. – Por que ela iria embora? – perguntou confuso.
- POR QUE JAMES? – gritei. – Por minha causa, sempre por minha causa, eu sou um fodido completo, eu que deveria ter morrido ao invés de Jenny, eu que merecia ter sido castigado, eu não mereço viver. – disse desesperado.
- CALA ESSA BOCA! – James devolveu com raiva. – Você não sabe o que está falando. Você usou essa merda? – perguntou apontando para o pó branco na minha frente.
- Claro que eu sei o que eu estou falando. – respondi ignorando sua pergunta. – Eu não sei por que eu ainda estou aqui, eu deveria me atirar pela janela, ou pegar uma faca e cravar no meu peito, ou então cheirar toda a cocaína que eu pudesse encontrar em Boston e morrer de overdose, pelo menos seria um fim justo. – disse me levantando da cadeira em que estava.
Só tive tempo de sentir um punho fechado colidindo com tudo em meio ao meu nariz, o fazendo sangrar imediatamente. Levei a minha mão ao meu rosto, vendo o líquido vermelho escorrer. Sorri animado em direção ao meu irmão.
- Isso James me espanca, é a melhor coisa que você pode fazer para a humanidade. – disse, fechando meus olhos e abrindo meus braços e esperando um novo golpe.
- Não. – ele disse ríspido. – Responda Edward você voltou a usar essa merda? – repetiu.
Levantei o meu olhar para encarar o rosto enfurecido do meu irmão mais velho, ele estava lívido de raiva, eu não podia tirar a sua razão eu era um estorvo na vida de todos.
- Não. Eu não usei. – respondi verdadeiramente, depois de longos minutos em um silêncio nauseante.
- Então por que você tem essa porcaria na sua casa Edward, sabendo das regras. – perguntou acusatoriamente.
- Porque… – pressionei minhas mãos em meu rosto, tentando, talvez, me livrar desse pesadelo, mas tudo isso estava longe de ser um pesadelo, era real, era a minha realidade. – Porque eu sou um idiota. – disse envergonhado.
- Bom, pelo menos nisso concordamos. – disse divertido. – Você vai me contar como essa merda veio parar dentro da sua casa? – questionou arqueando suas sobrancelhas.
- Tem que ser aqui? – devolvi nervoso, lançando um olhar de desejo para aquele pequeno monte branco.
- Sim. – disse incisivamente, pegando a cadeira da mesa de Bella e sentando de frente para mim. – É a única forma de você controlar essa sua fraqueza, você sabe disso. – disse sério, fazendo-me menear a cabeça em confirmação. – Responda Edward como essa merda veio parar aqui dentro da sua casa? Afinal, você sabe que não pode ter nada disso aqui, já que você pode cair em tentação. – disse apontando com descaso para a maldita droga.
Suspirei cansado, mas eu sabia que ele estava fazendo aquilo para o meu bem. Eu sabia que era daquela forma que se deve tratar um dependente químico, por mais limpo que este esteja.
- Eu trouxe da África. – disse finalmente, ainda sem coragem de enfrentar meu irmão.
- Como? – perguntou surpreso. – Quero dizer, por que você comprou isso lá, e como você conseguiu passar pela alfândega com ela?
Sorri em ultraje. Há tantas coisas que eu escondi, melhor, omiti sobre a minha vivência na África, mas parece que eu havia chego a uma encruzilhada, eu teria que assumir todas as minhas fraquezas, meus medos, minha vulnerabilidade.
- Você sabe que as coisas na África não são nada fáceis, certo? – ele meneou a cabeça em confirmação. – Só que é muito pior do que se pode imaginar, chega a ser traumatizante. Pessoas sem expectativa de vida, pobreza, fome, desigualdade, guerra, terrorismo, morte, sofrimento, tudo ali junto aos seus olhos. Então você percebe que não basta ações humanitárias, não basta à força de vontade dos voluntários, não basta algumas pessoas quererem mudar o que acontece ali. E sabe por quê? – perguntei instigando. James somente negou com a cabeça.
"Porque o governo que deveria dar subsídio, não dá. E não importa quantas pessoas estejam dispostas a ajudar, simplesmente os grupos revolucionários – porque lá é dividido entre aqueles que são a favor do governo e os que não são – só querem saber de guerrilhar, e o povo que se foda." – respirei fundo tentando controlar a minha voz. – "Você vendo aquilo tudo e não podendo fazer nada, dá um desespero, um sentimento de incompetência, ficar diariamente frente a frente com o pior do ser humano, faz o seu pior aparecer." – respirei fundo novamente.
"Então outro médico, só que da Inglaterra me deu essa merda, e eu ia usar. Sim eu ia." – completei ao notar a expressão de horror do meu irmão. – "Mas quando cheguei em casa um embrulho que você me mandou estava lá, o livro dela que manteve minha cabeça sã naquele lugar." – disse escondendo meu rosto novamente entre minhas mãos.
- Onde está a Bella? – James perguntou confuso. Uma nova onda de desespero se apossou de mim, e novas lágrimas caíam sem piedade pelo meu rosto. – Edward? – chamou novamente.
- Ela foi embora James, ela viu e entendeu o que é para entender, o mesmo que você. – olhei para ele com a visão turva. – Acabou de vez agora. Não vai ter final feliz a nossa história.
- Mas Edward, é fácil é só contar a ela o que você acabou de me contar. – disse ele pegando seu celular e discando o número da minha ex-noiva.
- Duvido que ela vá querer te ouvir. – disse novamente enterrando meu rosto em minhas mãos.
- Caixa postal. – disse ele com raiva, começando a falar com a máquina, que eu duvido muito que Bella vá escutar, ela odeia correio de voz.
Depois que ele deixou a mensagem, que nem prestei atenção no ele dizia, voltou seu olhar para mim, me estudava clinicamente, como se eu fosse um criminoso pego em flagrante, ou algum dos tipos que ele acusa da promotoria.
E de fato eu era.
- Como você conseguiu passar com isso pela alfândega? – perguntou novamente com calma. Ergui meus olhos para ele em descrença, soltei uma risada de escárnio.
- Você não faz ideia que ter a titularidade de médico às vezes é fácil provar que você está transportando algo ilícito somente para fins medicinais. – disse com um humor negro, ele sorriu em descrença antes de voltar seus olhos castanhos, um pouco frios agora em direção aos meus verdes.
- Você quer? – perguntou apontando com o rosto em direção ao monte.
- Muito. – respondi, mantendo toda a minha atenção agora àquele pequeno monte, que se parecia com os montes de neve que muitas vezes brinquei com meus irmãos e amigos quando era criança.
- Você quer se controlar? – perguntou novamente.
- Eu preciso. – disse engolindo em seco. Minha boca salivava em desejo.
- Por que você precisa? – perguntou incisivamente.
- Porque não quero jogar cinco anos limpo para o espaço. – disse, conseguindo finalmente desviar meus olhos daquela perdição. Meu irmão sorria em concordância.
- Vamos Edward, enfrente seu medo, seu fantasma. O que você deve fazer agora? – disse ansioso.
James agia da mesma forma que Michael – meu padrinho durante a reabilitação -, me desafiando, sabendo a quais níveis o meu emocional deve chegar, e quais são as condições para tal. Fiquei orgulhoso do meu irmão, ele queria que eu ficasse longe de tudo, para o meu bem, e isso era absurdamente fantástico.
- Então Edward, o que você deve fazer? – insistiu.
- Me livrar da tentação. – eu disse num misto de descrença e confiança, estava me sentindo quase como Jesus sendo tentado pelo Diabo durante o tempo que ele ficou no deserto.
- E você vai fazer isso? Ou você vai deixar essa tentação, esse desejo te tomar? – questionou acidamente.
- Não. – sussurrei.
- Não o quê? – perguntou ansioso.
- Não, eu não quero cair em tentação. – disse um pouco mais firme, me focando somente na droga agora.
- Então o que você tem que fazer? – perguntou cheio de expectativa.
- Me livrar dela. – respondi confiante.
- E você vai? – instigou novamente.
Porra, ele era bom nesse negócio.
- Vou. – respondi o encarando, para em seguida levantar da cadeira em que estava recolhendo todo aquele pó em minha mão e mesmo hesitando por segundos marchei em direção ao banheiro ao lado do escritório onde coloquei minha mão em baixo d'água, que fez rapidamente aquela maldição se esvair ralo abaixo.
James que havia me seguido, para uma eventual recaída, me olhava orgulhoso, como um pai quando observa seu filho conseguindo algo que sempre almejou em sua vida.
Rapidamente peguei o sabonete que ali estava e o esfreguei em minhas mãos, tudo para evitar qualquer mísera lembrança, e depois de feito isso, molhei a toalha que se encontrava ali e voltei ao escritório para eliminar qualquer vestígio da minha fraqueza.
E depois de ter feito todo esse procedimento joguei a maldita toalha no lixo. Porque eu sabia que era dessa maneira que deveria agir. E sem pensar duas vezes me afastei daquele escritório que quase me fez jogar tudo para o alto, indo até a sala e me jogando no sofá, exausto.
Minha cabeça estava um turbilhão, Bella indo embora, a minha quase recaída, James sendo firme e exigindo uma postura de homem de mim, Bella indo embora.
Eu ainda não havia recuperado o meu bem mais precioso. O que adiantava ter a minha dignidade, se eu não tinha minha emoção e minha razão ao meu lado? Novamente lágrimas começaram a rolar dos meus olhos, eu a queria de volta. Queria nunca ter a magoado, mas agora era tarde.
Era tarde?
Será que eu ainda conseguiria tê-la em meus braços, essa noite ainda? Comecei a procurar meu celular em meus bolsos, mas ele não estava ali, estava no escritório. Levantei-me num átimo, eu precisava falar com ela, qualquer coisa, e quando comecei a caminhar James estendeu meu telefone para mim.
- Creio que você está atrás disso. – disse ele divertido.
- Obrigado. – disse com um sorriso, ativando a discagem rápida para a minha Bella.
Mas quem disse que o meu destino ou a minha sorte gosta de mim?
Eu definitivamente não disse.
E assim como o telefonema de James o meu também caiu na caixa postal, não me importei eu tinha que falar algo a ela.
- Bella, amor. Desculpa não ter te dito que eu tinha aquela merda em casa, eu sou um otário, mas eu juro a você eu não usei, eu não uso há cinco anos, eu estou limpo. Eu sei que você deve estar pensando em tudo o que vem acontecendo comigo nos últimos meses, horas a fio trancado no escritório, o apetite sexual, a inconstância de humor. Bem, o primeiro era porque eu estava montando uma surpresa para você. O segundo… bem… o segundo você é a responsável totalmente por ele, ficar perto de você me deixa louco de desejo, e o terceiro… ah… porque eu sou um idiota? Me ligue baby, precisamos nos acertar. Eu te a… – e a mensagem foi cortada, eu sei que o meu amor não foi passado, mas ela saberia o que eu queria dizer, eu disse tanto isso desde que finalmente havíamos nos declarado.
Palmas ecoaram em meu ouvido, rapidamente voltei meu olhar para onde elas vinham. James sorria orgulhosamente, fazendo uma pequena reverência.
- Acho que você finalmente está deixando de ser o meu irmão caçula. – disse divertido. Rolei os olhos, uma característica tão Bella, mas que eu havia pegado. James riu outra vez. – Ou talvez não, você ainda parece um fedelho, mesmo com vinte e oito anos. – completou ainda gargalhando.
- Você que está ficando velho demais. – completei no mesmo tom que ele. James não era mais velho do que eu, apenas três anos, e sinceramente aparentava muito menos.
- Você vai ficar bem? – perguntou encostando-se ao sofá, mas agora sua faceta divertida havia se dissipado, e uma expressão de preocupação o tomava.
- Talvez. – disse, dando de ombros.
- Quer caminhar? Conversar? Alguma coisa? – perguntou ameno.
- Acho que vou descansar, foi um dia cheio. – disse calmamente, lançando um olhar a tela do meu celular e observando que já se passava das três da manhã. – Wow. Que horas eu te liguei? – perguntei assustado.
- Um pouco antes da uma. – disse dando de ombros.
- Veronica deve estar querendo me matar por tirar o marido dela do seu lado. – disse temeroso.
- Pode ter certeza que ela vai te cobrar essa dívida ainda. – disse divertido.
- Você é um guerreiro, viver com uma Rosalie e uma Alice, no corpo de uma pessoa só, não é para qualquer um. – James riu com a minha colocação.
- Por isso que eu a amo, ela é a mistura exata da minha irmã e da minha cunhada. – disse divertido. – Você tem certeza que vai ficar bem? – perguntou mudando seu tom para mais sério.
- Sim. Espero que ela ouça a minha mensagem e me retorne. – repliquei esperançoso.
- Ela vai, Bella tem um bom coração acima de tudo. Creio que o calor do momento foi demais para ela, com tudo o que vem acontecendo.
Tudo.
Casamento.
Trabalho.
Pressão da editora.
Família aumentando.
Seu padrasto debilitado.
Alice hiperativa mais do que nunca.
A nossa falta de tempo juntos.
Era uma lista interminável. E eu que deveria lhe dar segurança, suporte, faço isso com ela. Novamente a culpa me tomou, mas evitei que ela se espalhasse, pelo menos não na frente de James.
- É. – limitei a dizer, para evitar que a minha voz quebrasse.
- Edward? – James me chamou, o encarei. – Tem certeza que você está bem? Eu posso ficar aqui com você, se você quiser conversar, se abrir, coisa de irmão, ou amigo. – disse com um sorriso.
- Obrigado James, por tudo, mas realmente quero dormir, descansar. – disse lhe agradecendo.
- Tudo bem, mas me ligue em qualquer situação ou momento, ou se tiver notícias de Bella. – pediu, caminhando até a porta, parando no aparador próximo a ela. Ele olhou para algum objeto ali, e depois para mim. – Vai dar tudo certo. – murmurou com um misto de aflição e esperança, somente meneei a cabeça em confirmação, enquanto ele saía pela porta.
Fitei o horizonte pela janela a minha frente, Boston toda iluminada parecia inerte ao terremoto que havia acontecido. Então lembrei que o terremoto só havia acontecido para mim, na minha vida.
Depois de longos minutos olhando as luzes brilhando, desviei a minha atenção, eu precisava dormir, quem sabe na manhã seguinte eu não acordaria e descobriria que tudo isso fora um pesadelo?
Sorri com meu pensamento.
Por um instinto de segurança, ou sei lá o que, fui até a porta com a intenção de trancá-la, mas a minha atenção foi totalmente desviada do meu objetivo quando eu vi o anel de noivado que eu havia dado a Bella sobre o aparador.
Um novo tipo de desespero me consumiu.
Ela nunca havia tirado seu anel, em nenhum momento durante os doze meses que estávamos noivos, mas ela o havia tirado, e aquele foi o golpe final para mim.
Ela havia dito sério, era para sempre.
Ela não voltaria mais.
Eu a perdi.
Peguei o anel que achei tão propício para ela quando o comprei e apertei-o em minhas mãos, novas lágrimas escorriam pelos meus olhos. Estava em um estado de torpor, eu não estava conseguindo assimilar nada, tudo a minha volta parecia perder todo o sentido. A única coisa que conseguia sentir era o frio anel em minhas mãos e meu coração quebrando, pedaço por pedaço, desmoronando.
O turbilhão de emoções, de sentimentos tomava toda a minha cabeça, então a exaustão me tomou, e em algum momento eu caí na inconsciência do sono, sendo atormentado por todos os tipos de pesadelos.
Pesadelos onde somente ela e eu éramos protagonistas, onde a única constante era que nunca deveríamos ficar juntos.
Um som irritante fez-me o favor de acordar, era meu celular.
Bella.
Era ela, tinha que ser ela. Corri para atender, sem me preocupar em olhar o identificador de chamadas.
- Bella? – questionei, assim que coloquei o aparelho em minha orelha.
- Não. Não é a sua noiva, que se não me falha a memória mora com você, então me diga por que você atendeu a chamando? – Alice com sua voz suave, questionou curiosa.
Merda. Agora eu estava realmente com problemas. Que desculpa eu daria a Alice de que Bella não estava aqui? Não podia lhe dizer a verdade, pelo menos não por enquanto.
- Ela teve que ir para Jacksonville, Renée lhe ligou ontem. – disse rapidamente a minha pequena e hiperativa irmã.
- Wow… Phil está bem?– perguntou alarmada. – Bella havia me dito que ele tinha melhorado.
- Não. Não é sobre Phil é outra coisa que ela não quis me dizer. – disse tentando dar um sorriso forçado ao telefone. – Acho que Bella deve estar programando alguma surpresa para mim. – disse meio desconfortável.
- Ok Edward, você está mentindo e não quer me contar a verdade, porque assim como você Bella estava programando sua surpresa do casamento comigo, e tínhamos marcado para exatamente, vinte minutos atrás. Então novamente, onde está a suanoiva? – questionou outra vez, depois de dizer tudo em um fôlego só.
Odeio essa sensibilidade ou conexão de gêmeos que eu e Alice temos, ela sempre sabe de tudo. Respirei fundo e tentei passar as mãos pelos meus cabelos, quando notei que a minha mão esquerda ainda estava fechada, com o pequeno anel de noivado dentro. Um nó se juntou em minha garganta.
- Edward? – Alice insistiu do outro lado.
- É complicado, Alice. – disse contendo a minha voz para não chorar novamente.
- Eu estou indo aí, quero saber o que é tão complicado. – disse com exasperação.
- NÃO! – gritei rapidamente. – Alice, amanhã, por favor. – supliquei.
- Tudo bem Edward, amanhã, mas não me importa eu quero saber o que está acontecendo, ok? – pediu mais calma.
- Obrigado Alice. – disse agradecido.
- Qualquer coisa você me liga. – pediu antes de desligar o telefone.
E logo o telefone estava mudo, Alice já havia desligado.
Vasculhei meu telefone, vendo se tinha alguma ligação perdida, mensagem de voz ou de texto de Bella. Mas não tinha nada. Suspirei novamente tentando controlar minha ansiedade, meu temor, e apertei o botão da re-discagem, eu precisava falar com ela.
Sem nenhum toque, direto para a caixa postal novamente. Suspirei pesadamente, me perguntando o porquê ela mantinha o telefone desligado, ou será que ela estava fora de área? Logo meu devaneio foi interrompido pelo bip, sinalizando que eu poderia deixar a mensagem.
- Bella, amor, estou preocupado com você. Eu sei que você está brava comigo e com razão, porque eu sou um imbecil não deveria ter te escondido algo tão… tão… merda… algo como aquilo de você, mas eu te juro meu amor eu sou inocente. Me liga, por favor, precisamos conversar, não podemos encerar nosso amor dessa forma. Eu te amo tanto… e eu sei que você também me ama. Por favor, minha princesa. – supliquei com a voz chorosa, antes de a ligação encerrar novamente.
E com o seu anel ainda em minha mão e meu telefone na outra caminhei em direção ao nosso quarto, eu precisava de um banho, porque da mesma maneira que eu me sentia, podia apostar que a minha aparência estava um lixo.
Assim que eu entrei naquele ambiente, onde tantas e tantas vezes nos amamos, fizemos juras de amor, meu coração se apertou novamente. A falta que ela me fazia era lacerante. Tentando conter meu emocional, depositei o anel e meu celular no criado mudo ao meu lado da cama e sem olhar para qualquer outra direção caminhei a passos decididos ao banheiro.
Quando entrei no amplo banheiro branco, gemi ao ver a minha imagem no espelho. Eu estava pior do que imaginava. A camisa branca que eu usava estava amarrotada e toda suja de sangue, meu rosto estava à desgraça em vida. Além dos olhos inchados e vermelhos, havia sangue seco em todo ele, já meu cabelo que era uma desordem em qualquer situação estava pior do que se pode imaginar, ele estava todo para cima e em alguns lugares duro e vermelho, devido ao sangue do soco que James havia me dado. Com toda a certeza eu havia passado meus dedos inúmeras vezes por eles.
Despi-me rapidamente e logo entrei debaixo do chuveiro. Apesar do inverno rigoroso de Boston não me importei com a água morna, quase gelada caindo sobre meus ombros, ela parecia limpar toda a minha alma. Mas óbvio que a minha consciência nunca iria ficar tranquila, pois ela logo começou a vagar por onde estaria Bella, relembrar nossos momentos juntos.
E mais uma vez lágrimas romperam por meus olhos se misturando a água do chuveiro. Não sei dizer quanto tempo fiquei ali inerte, somente percebi que precisava sair debaixo daquela água porque estava exausto, como se tivesse corrido uma maratona.
Desliguei o chuveiro e puxei a felpuda toalha branca, imediatamente o perfume dela me lembrou de Bella, e novas lágrimas rolaram por meus olhos. Tentando ao máximo retraí-las fui até o imenso closet que minha irmã havia exigido pôr, e ver tantas peças faltantes na parte que pertencia a Bella foi impossível segurar a onda de lágrimas, e novamente me via chorando compulsivamente. Abri uma de minhas gavetas, tirando uma boxer, coloquei-a rapidamente, e voltei logo ao quarto me jogando na imensa cama, onde o perfume dela estava impregnado.
Mesmo debulhado em lágrimas e inalando seu perfume eu dormi, desmaiei, tentando esquecer tudo, principalmente que eu ainda vivia.
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Meu corpo estava pesado, minha cabeça doía, fazendo uma força hercúlea olhei para o relógio que tinha no meu criado mudo, quatro da madrugada, ainda, forcei a minha cabeça e caí na inconsciência novamente.
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Meu estômago resmungava, doía, eu não queria sair da cama, mas eu sabia que deveria pelo menos ingerir algum líquido, comer ao menos uma fruta. Levantei-me da cama zonzo, eu ainda estava cansado, exausto, e mesmo com passos vacilantes fui até a cozinha, onde comi rapidamente três barras de cereais, seguidas de dois copos de suco de laranja e uma garrafa de água. Lancei um olhar ao relógio do micro-ondas, sete horas, não sabia se era da manhã ou da noite, então presumi que fosse da manhã, não me importei hoje eu não iria trabalhar. E arrastei-me novamente para o quarto, me afundando na cama onde o cheiro dela ainda existia.
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Estava submerso num universo alternativo, sem sentir nada, até que uma suave mão começou a acariciar meus cabelos. Foquei minha mente na pequena e quente mão que fazia um singelo cafuné em meus cabelos e acariciava suavemente meu rosto.
Ela havia voltado.
Imediatamente todos meus sentidos se aguçaram, mas evitei abrir meus olhos, inalei profundamente o aroma que preenchia tudo à minha volta. Mas não era o perfume de morangos, frésias, lavanda e mel que eu sentia, era um perfume que mesclava flores do campo, rosas, camomila e menta.
Nunca me senti tão deprimido em sentir aquele perfume, por mais que eu o amasse incondicionalmente. Lentamente abri meus olhos para confirmar a minha decepção, não eram os furtivos olhos castanhos chocolates que me encarava, mas sim os profundos olhos verdes claros de minha mãe, que passavam toda a angústia que eu estava sentindo.
Seus olhos expressavam um misto de pena, dor, sofrimento, eles estavam marejados, imediatamente senti meus olhos se encherem de lágrimas novamente, e quando ela me abraçou não as consegui segurar mais, novamente grossas e frias lágrimas deslizavam pelo meu rosto, manchando a blusa cinza que ela usava, mas nenhum de nós se incomodou em quebrar o abraço, ao invés disso, ela me apertou mais em seus braços.
Não sei ao certo quanto tempo ficamos ali, abraçados enquanto eu chorava como um garotinho nos ombros de minha mãe, enquanto ela serenamente afagava meus cabelos, murmurando palavras de consolo.
Em determinado tempo senti um novo peso na cama, curioso, levantei meus olhos e vi meu pai, sorrindo tristemente para mim. Fechei meus olhos tentando suprimir uma nova onda de choro que queria se apossar de mim, mas ela foi inevitável.
- James nos contou o que aconteceu. – meu pai sibilou depois de alguns minutos. – Nós não queríamos te incomodar Edward… – sua voz quebrou, afastei dos braços de minha mãe e os encarei confuso.
- Meu amor, não fica assim, me machuca demais ver meu filho desse jeito. – minha mãe, Esme murmurou com os olhos marejados ainda.
- Estávamos preocupados, meu filho – meu pai, Carlisle começou. -, você não avisou no hospital, não disse nada a ninguém, não atendia ao celular ou o telefone de casa, então sua mãe e eu decidimos vir até aqui usando nossa chave.
Os encarei estagnado, não estava entendendo o que eles queriam dizer, eu só havia ficado um dia longe do hospital, por que eles estariam assim tão desesperados?
- Mas… – comecei, mas a minha voz estava áspera, ela não saía, era como se eu não bebesse ou comesse algo há dias, mas eu tinha comido ainda hoje, eu lembro, ou será…
Encarei meu pai, e assim que seus penetrantes olhos verdes escuros encontraram os meus, eu entendi que não havia se passado um dia apenas, havia se passado…
- Uma semana. – ele murmurou completando meu pensamento.
Os fitei aturdido, não podia ser. Não, era impossível. Balancei minha cabeça confuso, e imediatamente meu pai estendeu uma garrafa de água para mim, a bebi com gosto, eu estava com muita sede. Rapidamente a garrafa estava vazia, e minha mãe a retirou de minhas mãos.
Uma semana? Como eu havia conseguido dormir uma semana? Sem comer e sem beber nada, como eu havia conseguido?
Imediatamente a resposta brilhou em minha mente: Bella.
Quando ela não estava ao meu lado é como se eu estivesse morto, como se não vivesse, e lembrar que ela estava longe de mim só fez meu desespero aumentar, eu queria gritar, esmurrar, xingar, chorar, eu a queria ao meu lado, queria seu cheiro grudado em minha pele, seus braços me apertando, seus dedos tentando me fazer cócegas, sua boca grudada à minha me beijando com sofreguidão, eu só a queria de volta aos meus braços, onde ela pertencia.
Minha mãe saiu momentaneamente do quarto, deixando-me sozinho com meu pai, fazia anos que não ficava sozinho com ele. Senti-me envergonhado.
- Estou orgulhoso de você, meu filho. – disse apertando meu ombro suavemente. – James nos contou como foi. Você mostrou uma força indescritível, agora, por favor, levanta essa cabeça e vá atrás da mulher da sua vida. – ele disse, fazendo-me encará-lo nos olhos. – Você conseguiu superar sua fraqueza, o seu vício na cocaína que é pior que tudo, por três vezes, eu tenho certeza que você conseguirá trazê-la de volta para você. Porque eu confio em você e sei que você é capaz.
- Mas e se ela não me quiser de volta? – perguntei acima de um sussurro.
- Então, significa que ela não é a mulher certa para você, ela não é sua alma gêmea. – disse confiante.
- Mas eu a amo tanto que dói pensar em ficar longe dela. – disse debilmente, como uma criança que acaba de quebrar um braço ou cortar algum lugar que precisa dar pontos.
- Eu sei meu filho. – disse me puxando para um abraço. – Por isso mesmo que você precisa levantar dessa cama e ir atrás dela, dizer tudo o que você tem a dizer, chega de guardar tudo para você Edward, se ela é tudo o que você está me dizendo, vocês não devem só compartilhar o sexo juntos, a vida juntos, vocês devem compartilhar tudo, seja bom ou ruim. – disse sabiamente.
- Eu sei – disse chorando novamente -, eu só não queria que ela se decepcionasse comigo outra vez.
- Fica calmo meu filho, eu sei como é. Você achou que estava agindo certo, mas o que acreditamos ser o certo nunca é o certo. – disse levantando seu rosto e olhando em direção à porta, rapidamente me desvinculei de seu abraço e pude ver a minha mãe segurando uma bandeja com algo fumegante – sopa, provavelmente -, com os olhos marejados de emoção.
O amor, o carinho, o respeito e o companheirismo dos meus pais eram invejáveis, tudo o que eu mais quero em minha vida é um resto de vida ao lado de Bella, a amando e há admirando cada dia mais.
Ela caminhou até nós e deu a bandeja para mim, imediatamente o cheiro reconfortante do arroz, do frango, dos legumes devidamente temperados fez meu estômago resmungar e sem hesitar devorei toda aquela sopa, sem me importar se estava quente ou não, sob os olhares orgulhosos dos meus pais.
Depois de repetir quatro vezes aquele reconfortante caldo, fui para o banheiro tomar um banho revigorante, pois agora eu tinha uma meta eu traria Bella de volta aos meus braços. Assim que saí do banho, coloquei uma roupa confortável, enquanto ligava o recarregador do celular nele, o ligava para ver se tinha alguma notícia.
Havia exatas cento e oitenta e sete chamadas não atendidas; trinta e nove mensagens de caixa de voz; e oitenta e três mensagens de texto. Optei primeiro pelas mensagens de voz, basicamente elas eram Alice, James, Emmett, Jasper, Rosalie, Veronica, meu pai, minha mãe e do hospital. Nada de Bella. Depois de ouvi-las fui ver as mensagens de texto, da mesma forma eram de todas mesmas pessoas, eu estava ficando ansioso, triste e revoltado, nenhuma notícia de Bella. Comecei a ver as chamadas não atendidas, novamente às mesmas pessoas.
Bufei irritado.
Onde ela estaria? Por que ela não havia mandado notícias ainda?
Deixei o celular carregando no quarto e caminhei até a sala para ouvir as mensagens da secretária eletrônica. Trinta e cinco. Será que todos estavam tão preocupados assim? Comecei a ouvi-las: Alice, James, minha mãe, Emmett, Jasper, meu pai, hospital, editora da Bella, Rosalie, clínica da Bella, Veronica.
Nada dela novamente.
Estava ficando preocupado. Onde ela estava? Será que estava bem?
Respirei resignado, meu pai e minha mãe, ambos estavam em seus respectivos celulares, provavelmente falando com meus irmãos. Voltei ao quarto e sem pensar duas vezes liguei primeiro para Renée, mãe de Bella, ela assim como todo mundo não sabia da filha, rapidamente tentei tranquilizá-la, o que adiantou por um tempo.
Depois liguei para Charlie, seu pai, da mesma maneira que sua mãe ele não tinha notícias de Bella há uma semana. Realmente eu estava ficando mais que preocupado. Optei por a minha última opção, Jacob e Leah, eles assim como todos os outros, não tiveram notícias dela, mas assim que tivessem passariam o recado.
Sim, eu estava desesperado, e impensadamente comecei a ligar para todos os hospitais, delegacias de Boston, nada, nenhuma notícia de Bella. Perguntaram se eu gostaria de fazer uma denúncia de desaparecimento, mas recusei a oferta, se ela estava evitando todo mundo, algum motivo tinha, e eu sabia qual: eu.
Os dias demoravam a passar, a ânsia de notícias dela me sufocava, mais uma semana se foi e nada, quer dizer, ela havia entrado em contato com os pais, mas quando questionaram onde ela estava com ambos ela fora evasiva.
Nem preciso dizer que tanto Charlie quanto Renée gritaram horas a fio comigo no telefone, dizendo que a culpa era minha que a filha deles havia sumido. Sabiamente concordei com os dois. Bendita – ou maldita – pessoa que inventou a teleconferência, pelo menos ouvi tudo deles de uma vez só.
Eu agia mecanicamente em tudo, ia para o hospital, conversava com meus familiares e amigos tudo em modo automático, eu não conseguia me concentrar em nada, somente na falta que sentia dela.
Haviam se passado vinte e um dias, ou três semanas, e nenhuma notícia. Eu tinha voltado ao meu estado catatônico, não conseguia comer, não conseguia dormir, não conseguia continuar esperando.
Meu pai como diretor geral do Lawrence General Hospital havia me concedido uma licença, por tempo indeterminado.
Era nepotismo, abuso de poder?
Sim… mas eu não tinha condições mentais ou físicas para continuar trabalhando. Minha mãe praticamente me arrastou para sua casa, disse que eu precisava de atenção redobrada, e que somente ela seria capaz de me dar.
Meus irmãos, suas esposas e Jasper, sempre conversavam comigo me davam um apoio incondicional.
Ao contrário de Alice que mesmo com meus pedidos para cancelar o casamento, continuou o planejando, e olha que mesmo minha mãe interferindo e minhas cunhadas ela não desistiu, e quando a questionei sobre o que eu faria se não tivesse uma noiva ela simplesmente respondeu: "que não importa quem seja a noiva, mas que eu iria casar dia dez de janeiro de dois mil e dezessete eu ia, ou ela não se chamava Mary Alice Cullen Hale."
Só não bati nela por causa da sua gravidez. Alice merecia levar umas belas de umas palmadas, como ela diante de toda essa loucura, com o sumiço da melhor amiga, com o meu desespero alucinado ela continua a pensar em casamento? A não ser que ela esteja falando com Bella, o que eu duvido muito já que Jasper diz que a ouve deixando longas mensagens na caixa postal ou por e-mail.
Meu pai disse que ela não quer se conformar com a situação, por isso era melhor deixar que ela continuasse com os planos, por mais que me machucasse. E só concordei com essa insanidade, porque bem… a gravidez de Alice era de alto risco, e se ela se focasse só no bebê talvez pudesse vir a acontecer o pior.
Eu continuava – desesperadamente – deixando mensagens para Bella, mas ela nunca retornava, e cada dia estava ficando pior.
James agindo como um ser humano e um irmão absurdamente fantástico começou a me levar nas reuniões dos narcóticos anônimos, algo que foi bom, apesar de ainda não conseguir me abrir a todos. Querendo ou não eu sentia falta dessas reuniões, fazia anos que eu não ia, a última que fui foi antes de ir para África.
Elas eram uma válvula de escape fantástica para que eu notasse o quanto eu havia evoluído desde que tinha abandonado o vício, e quão deprimente pode ser um viciado, o fundo do poço é um lugar muito raso para onde você vai quando está tão dependente quimicamente de alguma coisa tão ruim quanto às drogas são.
A cada reunião eu me sentia melhor com a minha superação no vício. Só que um dos princípios fundamentais de ex-viciados eu não conseguia agregar a mim.
Eu não conseguia parar de me culpar, eu sei que só conseguiria me livrar dessa culpa se eu pedisse perdão à Bella, mas esse desejo parecia a cada dia mais distante.
Faltava um pouco menos de uma semana para o Natal, só de pensar nessa data eu queria chorar compulsivamente, porque significava que o meu casamento se aproximava, mas não teria casamento. Eu não tenho mais uma noiva.
Depois de uma longa tarde sentado sozinho nos jardins da casa dos meus pais, enfrentando o frio e a neve que caía em Boston, pensando em tudo, decidindo que caminho que eu seguiria uma vez pelo que parecia Bella não voltaria para mim.
Decidi que depois das festas de final ano eu voltaria a San Diego, doeria ficar longe da minha família novamente, mas era algo que eu precisava fazer. E com esse objetivo em mente voltei para dentro de casa, minha mãe estava tentando agir felizmente com os preparativos para o Natal, mas eu sabia que para ela me ver nesse estado atônito era como se ela o tivesse sofrendo.
Subi lentamente as escadas pensando em tudo o que me aconteceu nos últimos anos, como fora ficar longe de Bella, da minha família, como fora bom voltar, mas agora eu não podia mais ficar mergulhado nessas lembranças, eu sabia que tinha que deixá-las onde elas pertenciam: no passado.
Quando abri a porta de meu quarto assustei ao ver a minha pequena irmã deitada em minha cama, como uma bola, com seus olhos marejados, sem pensar duas vezes fui até onde ela estava deitando ao seu lado a abraçando forte.
- Allie, o que foi? – perguntei temeroso, com medo que houvesse acontecido alguma coisa com seu bebê, meu futuro sobrinho ou sobrinha.
- Como você suporta? – perguntou com a voz embargada pelo choro. Então entendi o motivo do seu choro, era por causa de Bella, ela sentia falta de sua melhor amiga.
- E quem disse que eu suporto? – devolvi com uma pergunta, fazendo meus olhos se encherem de lágrimas.
- Ed, já vai fazer um mês que ela foi, precisamos encontrá-la, explicar esse mal entendido. – pediu.
- Ela não quer nos ouvir pequena. Você não ouviu nem com Alec ou Angela, ou até mesmo Diana ela tem falado. Só tem mandado notícias a seus pais e sempre tão evasivas. – respondi a sua pergunta com um nó se formando em minha garganta.
- Mas Ed, ela entendeu tudo errado, não pode tudo terminar assim. – soprou mais uma vez com a sua voz chorosa.
- Mas infelizmente vai. – disse tomado novamente pelas lágrimas. – Não tem mais nada que possamos fazer, a não ser que você tenha um dos seus planos mirabolantes. – disse dando-lhe um sorriso torto, que ela retribuiu da mesma forma.
- Eu sinto tanto a falta dela. – disse me apertando mais em meu abraço.
- Eu também Allie, eu também. – consegui sibilar, tomado pelo choro.
Não sei ao certo quanto tempo ficamos ali abraçados, chorando juntos. Era a primeira vez que Alice se juntava a mim nessa luta, nessa batalha, nessa loucura de solidão que eu sentia.
Tentando distrai-la, de tudo isso perguntei sobre o bebê, e me respondeu que depois do ano novo ela faria uma ultrassonografia para saber se estava tudo bem, e talvez quem sabe descobrir o sexo do feto.
Aquilo me deixava imensamente feliz, eu sabia o quanto Alice sempre quis ser mãe e ter tido um aborto espontâneo fora um golpe terrível para ela. Apesar da felicidade que sentia por ela e Jasper, eu ainda gostaria de poder sonhar com os meus filhos, mas esse sonho assim como o casamento estava no passado, em épocas mais felizes.
Foi então que me lembrei da promessa de Alice, que me arrumaria uma noiva, fosse quem fosse então resolvi brincar com ela a respeito disso.
Puro humor negro, na verdade.
- Allie? – chamei.
- Ed? – devolveu intrigada, eu sabia ela estava curiosa.
- Então, você já conseguiu uma noiva para mim? – perguntei com um sorriso torto nos lábios, disfarçando a dor que sentia em meu peito. – Qual serviço você usou? O noiva online? Classificados? Qual? – completei fazendo cócegas atrás de seu joelho, onde era seu ponto fraco.
Mas pela primeira vez ela não ria compulsivamente, pelo contrário ela tinha um brilho diferente nos olhos, um brilho que eu conhecia muito bem. Era de que ela acabara de ter uma ideia, e quando Alice tem uma ideia a fazendo agir de tal modo, se segura que um furacão vem aí.
- O que você está pensando Alice? – perguntei temeroso.
- Eu já disse que te amo hoje, irmãozinho? – perguntou se desvencilhando dos meus braços, e se levantando em um átimo.
- Eu também te amo Alice, mas o que aconteceu com você? – perguntei com curiosidade.
- Espero que você tenha seu smoking pronto, porque se não me falha a memória você se casa em vinte e três dias. – disse dando um beijo em minha bochecha e saindo praticamente aos pulos do meu quarto.
Encarei a porta por onde ela saiu aturdido, o que ela estava aprontando agora?
E mesmo com a dor lacerante em meu peito, e um pouco de curiosidade, algo que eu não sentia há muito tempo começou a florescer em meu peito: esperança.
Sabia que não podia me iludir com esse sentimento, mas era inevitável, e ainda úmido por conta da neve que eu tomei a tarde toda segui para o banheiro para tomar um banho quente, tomado por essa força que esse sentimento de esperança me dava, era estranho, mas inevitável.
Naquela noite toda a minha família se reuniu, e pela primeira vez durante esse último mês eu brinquei com meus sobrinhos, conversei abertamente com meu pai e irmãos, e até mesmo topei um jogo de videogame com Emmett, Jasper e James. Eu estava me sentindo menos sufocado. Só não sabia o porquê dessa sensação, mas o humor contagiante de Alice era perceptível a todos nós, e a vendo esbanjando felicidade consegui dar o meu primeiro sorriso espontâneo nesse mês.
Por mais que estivesse feliz, as noites eram sempre terríveis, dormir longe de seu corpo quente, longe do aroma de morangos que seu cabelo emana, de suas palavras desconexas durante o sono, de ter meus braços em volta dela, era terrível, e assim como todos os outros dias eu dormia cansado pelas lágrimas.
Era antevéspera de Natal, apesar do humor de Alice estar sempre melhorando a cada dia eu me sentia sufocado, e foi a muito custo que concordei em ir à última reunião dos narcóticos anônimos do ano, na verdade eu fui praticamente obrigado, já que meus pais, meus irmãos e cunhados iriam.
Porém, quando estávamos para sair da casa dos meus pais rumo ao centro de Boston onde ocorriam as reuniões, Alice decidira não ir, disse que havia se esquecido de fazer algumas compras de Natal e as tinha que fazer hoje. Todos – sem exceção – tentamos ficar com ela, mas ela disse que não era preciso, pois ela precisava fazer essas compras sozinha.
Apesar de Jasper achar estranho o comportamento da sua esposa aceitou, e dividindo o carro com James, Veronica e Jasper, seguimos rumo ao coração de Boston. Eu sabia que James havia pedido para que todos fossem para que eu pudesse dar meu depoimento, me sentia ainda vulnerável e envergonhado de me abrir, mas por fim seria bom que todas as pessoas importantes de minha vida soubessem o que aconteceu e acontece comigo.
Cedo demais chegamos ao salão em que a reunião ocorreria como era à última do ano havia muitas famílias completas, apoiando o seu familiar dependente, era uma cena bonita, pois era o apoio da família uma das principais armas para combater o vício.
Logo a reunião foi iniciada e começou os depoimentos. A minha história se assemelhava e muito a muitas das outras, porém cada um venceu o obstáculo da recuperação de forma diferente, seja por um trauma, seja pela vontade de não morrer, seja por alguém, exatamente como eu, que havia decidido me tratar para merecer o amor da minha amada, e quando depois de recuperado estava novamente para jogar tudo para o alto foi ela que me motivou a manter a cabeça no lugar, os pés no chão.
Passava-se das nove horas da noite, e já haviam ocorrido quatro depoimentos, dessa forma decidi que seria o próximo, algo me dizia que me abrir sobre tudo isso seria muito bom.
E assim ocorreu quando o quarto encerrou seu depoimento, e o diretor responsável pelo centro em Boston começou a falar, eu me levantei, mostrando que eu seria o próximo, para a felicidade de minha família. James sorriu dando-me força, da mesma forma que Veronica, Jasper, Emmett e Rosalie. Meus pais, Carlisle e Esme se emocionaram com a minha atitude.
Eu sabia que era o certo.
O diretor deu mais algumas palavras e passou a palavra a mim. E observando toda aquela multidão me encarando eu hesitei, porém se esvaiu um segundo depois, e tomando uma respiração profunda, comecei a falar.
- Eu sou Edward Cullen, viciado em cocaína, e estou limpo há cinco anos. – iniciei como de praxe. – Gostaria muito de poder dizer a quase sete anos, mas infelizmente eu não posso, pois eu tive um momento de fraqueza grande que sucumbi à vontade de usar novamente.
"Esse uso resultou em mim uma overdose, que só não se tornou fatal porque meus irmãos me encontraram antes que o pior acontecesse." – sorri em direção a Emmett, Rosalie e Jasper, que retribuíram o gesto.
"Quando você volta pela segunda vez a uma clínica de reabilitação, principalmente depois de uma overdose, você teme que não consiga se livrar do vício, e comigo não foi diferente, eu temia não conseguir, mas ao contrário da primeira vez que me internei, onde não informei a ninguém aonde ia nessa segunda vez eu tive o apoio incondicional de minha família, foi prazeroso, mas a principal motivação para que eu fosse me tratar não estava próximo a mim me apoiando, e nem sabia onde eu estava." – engoli em seco.
"Mas o destino colocou uma pessoa incrível em seu caminho para que ela não ficasse desamparada, sofrendo, em depressão, como eu sei que ela ficou quando fui à primeira vez," – lancei um olhar para James que agora tinha seus olhos marejados, mas ele acenou minimamente para mim em agradecimento. – "e quando retornei a vê-la, vi que ela estava feliz, só que não era comigo, aquilo me dilacerou. Tive vontade de usar cocaína de novo naquele momento, mas eu fui mais forte e consegui resistir à tentação, à vontade."
"Foi difícil, dolorido, recordo-me que aquela noite foi uma das minhas piores desde que havia saído da reabilitação. Porém, parece que Deus realmente escreve certo por linhas tortas, e depois de agir como um idiota, um imbecil, fazer algo terrível com essa mulher que eu amei e amo, decidi que tinha que pedir perdão a ela, não importasse se eu tivesse que beijar seus pés, lamber o chão que ela pisasse eu precisava de seu perdão." – novamente engoli em seco, me lembrando de como fora encontrar o apartamento de James naquele estado deplorável, onde o sangue de Bella estava manchando o chão.
"Mas o pior aconteceu novamente, mas não foi à vontade de usar cocaína, foi porque eu achei que nunca mais fosse vê-la, porque viver em um mundo em que ela não existisse mais era dolorido, era pior. E agido em conjunto com um amigo, um irmão, uma pessoa indescritível, conseguimos encontrá-la debilitada, ferida, mas ainda viva." – lágrimas agora escorriam pelos meus olhos, mas não me incomodei. – "Levou três meses, depois desse dia para que eu pudesse conversar com ela novamente, e mesmo sabendo que eu a amava incondicionalmente, optei por lhe pedir para ser somente seu amigo."
"Amigo…" – ri sem humor. – "Eu não conseguia ser só seu amigo, e por mais que eu estivesse a mais de três mil quilômetros longe dela, ainda não era suficiente, então comecei a me afastar, deixei de ser seu amigo, e tomando pelo impulso, pela vontade de ficar o mais longe possível dela, decidi ser médico voluntário na África." – respirei fundo.
"Vocês devem estar pensando atitude nobre. Mas pode soar como nobre, mas só quem já teve a oportunidade de vivenciar o dia a dia de um lugar tão miserável, tão cheio de problemas, sabe que a nobreza é algo que se passa longe daquele povo."
"Viver ali é o mesmo que ver com o pior lado do ser humano, seja ele um drogado, ou um assassino, digo até mesmo que é preferível passar pelo inferno da reabilitação novamente ao enfrentar aquele mundo sem esperança, sem perspectiva de vida. É fome, dor, sofrimento, doenças, guerra, morte, tudo ali frente a frente a você, uma batalha diária, e por mais que você tenha o desejo de ajudar, trazer esperança, você não consegue, pois existe guerra para tudo, e os revolucionários, sejam eles os que apoiam o governo, sejam os que não apoiam, não permitem que outras pessoas ajudem, e você se sente incompetente, sente que sua vida é uma grande merda."
"E ficar de mãos atadas ante toda essa dor é insuportável, então você vê a necessidade de tentar abstrair, e foi o mesmo comigo, eu não aguentava ver aquilo tudo, ficar longe da minha família e amigos, ficar longe da minha amada, até que a tentação veio até mim, me deram um pacote de cocaína, e como eu queriausá-la, como eu queria poder esquecer aquele sofrimento e viver a euforia, o poder que somente as drogas parecem nos dar."
"Mas o destino não queria que eu caísse em tentação, e quando cheguei a casa em que vivia disposto a usar eu vi um pequeno embrulho, e movido pela curiosidade o abri." – sorri com a lembrança de ter o livro de Bella em minhas mãos. – "Era um livro de autoajuda, mas não era um livro qualquer, era o livro do meu grande amor, relatando como é se afundar na depressão de perder um amor, de ser abandonada."
"Ela havia relatado tudo o que sentiu quando a deixei para me tratar pela primeira vez, e ler aquelas palavras escritas, todos os sentimentos e emoções que ela passou e sofreu por minha causa, fez com que eu não usasse cocaína, e foi o livro dela que me manteve firme em não jogar tudo para o alto."
"E depois de um plano mirabolante do meu irmão, eu voltei para cá disposto a conversar com ela, lhe expor todos os meus sentimentos, e quando nós finalmente nos encontramos e vimos que sentíamos um pelo outro a mesma coisa, nos entregamos ao amor e a paixão que existia entre nós." – dei um sorriso triste.
"Eu tive o meu melhor tempo ao seu lado, apesar de termos nossas vidas profissionais cheias, foi um ano e seis meses maravilhoso, onde noivamos, e estávamos prestes a nos casar, a cerimônia ocorreria em janeiro próximo." – segurei a nova onda de lágrimas que estava prestes a descer pela minha face para continuar meu depoimento.
"Mas eu menti a ela, ou como eu mesmo tentava me convencer, omiti a ela o que havia acontecido na África, que foi por muito pouco que não caí em tentação, e mesmo sendo contra as regras eu tinha aquelas infelizes quinze gramas de pó na nossa casa." – tomei uma respiração profunda. – "Porém, como o ditado diz 'mentira tem perna curta', e depois de uma sessão de fotos para o nosso casamento, ela voltou para casa, mas eu tive que atender uma emergência no hospital, coisa de quatro horas, quatro horas que foram suficientes para mudar tudo."
"Mudou tudo porque ela descobriu a droga em nossa casa, e como eu já havia omitido a ela tantas vezes e tantas coisas sobre o meu vício, ela entendeu o óbvio que eu nunca tinha me afastado dessas práticas, e agindo certo, porque eu no lugar dela faria exatamente a mesma coisa, foi embora não me deixando explicar, eu tentei explicar, mas ela não quis ouvir. Também quem gostaria de ouvir desculpas de uma pessoa que além de ser um ex-viciado, também seria seu futuro marido em menos de dois meses? Ninguém. Então ela me deixou, terminou tudo entre nós e se foi."
"Não a culpo por nenhum minuto, mas eu queria me explicar. E movido pela loucura do momento eu fui até onde eu sabia que ela tinha encontrado a cocaína, e foi por muito, mas muito pouco que não a usei novamente, e tendo o apoio incondicional do meu padrinho, meu irmão e amigo James que evitou que eu caísse em tentação. Eu venci mais uma vez a vontade de usar, agora eu só tinha que contar a verdade a ela, e tudo estaria resolvido, mas ela sumiu ninguém além de seus pais falam com ela, ninguém a encontra, ninguém a viu." – tomei mais uma respiração profunda, antes de continuar.
"E se eu tivesse a oportunidade de contar a ela tudo que contei a vocês, eu sei que seria uma pessoa melhor, pois a única coisa que preciso no momento é do perdão dela e da oportunidade de dizer que eu a amo mais do que tudo, mas ela simplesmente nunca vai saber, porque eu falhei miseravelmente, eu menti, eu a enganei mais uma vez, e dessa vez nem mesmo os nove anos em que nos conhecemos e vivemos essa história seriam suficientes para que ela me perdoasse e me aceitasse de volta." – o nó em minha garganta parecia apertar novamente, eu queria chorar compulsivamente mais uma vez, e foi com muito esforço que finalizei:
"Obrigado." – murmurei com a voz embargada pelo choro, enquanto meu pai e minha mãe me abraçavam, e as palmas ecoavam por todo o salão.
Aquele som ecoava em meus ouvidos, e do nada parecia que estava tudo bem novamente, o nó que se formava em minha garganta parecia ter se desfeito, e a chama de esperança que havia nascido em mim na última semana parecia se espalhar por todo o meu corpo. E enquanto o diretor comentava como o apoio da família era algo excepcional no tratamento, me desvencilhei dos braços de meus pais e olhei para o fundo do salão, onde ficava a entrada, e paradas ali em frente à porta estava ninguém mais, ninguém menos que minha irmã Alice com um sorriso de orelha a orelha chorando de emoção, e ao seu lado Bella, que chorava copiosamente.
Meu coração que havia estado adormecido durante todo esse último mês parecia que havia acabado de acordar, e batia descontrolavelmente em meu peito, e quando seus profundos olhos castanhos chocolates encontraram os meus verdes, eu senti meu peito inflamar. Mas aquilo durou um mero segundo, pois no segundo seguinte ela saía rapidamente pela porta de entrada, e sem pensar em nada saí da onde eu estava e logo corria pelo corredor em direção à porta.
Uma neve fina caía sobre Boston, mas era o suficiente para deixar tudo a sua volta branco como se fossem pequenos flocos de algodão.
Bella se encontrava parada de costas para mim, no meio da entrada, se abraçando em seu casaco de lã preto, ela tremia, eu queria correr até ela e ampará-la, dar-lhe o meu calor, mas eu tive que me conter, eu precisava conversar com ela primeiro.
- Bella? – a chamei com a voz meio embromada pelo choro de poucos minutos atrás, lentamente ela virou seu corpo de frente para o meu, fitando o meu rosto, com seus esplendorosos olhos castanhos que agora estavam vermelhos devido ao choro, ela mordiscava ferozmente seu lábio inferior, cravando seus dentes em sua pele pálida.
O silêncio que existia entre nós não era perturbador, ou desconfortável, nossos olhares pareciam dizer tantas coisas, e ao mesmo tempo nada. Ela soltou seus braços que ela se abraçava. E agindo como se fossemos um só, uma força da natureza que não pode ser separada, como um ímã, corremos um em direção ao outro, e quando nos abraçamos eu me senti em casa, como eu nunca havia me sentido antes, e em uníssono murmuramos:
- Me perdoa. – rimos juntos, e como se mais palavras fossem necessárias, murmuramos novamente juntos:
- Eu te amo.
.
N/A: Hey amores!
Foi tenso, do começo ao fim, eu sei que vocês são todos TEAM EDWARD, mas ele tinha que sofrer um pouquinho como a Bella sofreu quando ele sumiu, por mais que doa... e vocês vão ver esse "tempo" que eles passaram longe um do outro foi fundamental para o relacionamento dos dois. Bella agiu por impulso ao ir embora? Sim, ela agiu, mas como o próprio Edward pontuou em seu depoimento, qualquer um agiria da mesma forma, e não adianta me dizer que vocês não agiriam, porque é óbvio que agiriam, porque mostra que não existe confiança entre os dois. Agora eles voltaram a ficar juntos, com todos os pontos nos 'is' e todos os traços nos 'ts'.
Obrigada a todos por tudo. Mayh Cardodo obrigada por betar, baby.
Nós vemos em breve.
Beijos,
Carol Venancio.
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GOSTOU OU NÃO, DEIXE-ME SABER.
REVIEWS SÃO O COMBUSTÍVEL PARA NOVOS CAPÍTULOS!
