PARTE 4 (V)
BLEEDING LOVE
Capítulo 35 – Esqueletos no Armário
Noite de lua-cheia, em algum pub perdido na Irlanda.
- Mais uma!- pediu o homem passando uma garrafa de uísque vazia para a garçonete do pub que lhe olhava pasma. – Mais uma garrafa mulher!- gritou o homem.- Que foi? Não estou falando inglês? Você acha que eu não tenho dinheiro pra pagar? Eu tenho ó!- exclamou tirando um maço grande de dinheiro do bolso.- Me dá mais uma garrafa!
- Algum problema aí, Mary? – perguntou o barman lá do balcão e a garota abandonou o homem à mesa e levou a garrafa vazia até seu colega.- Eu conheço o cara, ele vem aqui às vezes, o irmão dele mora por aqui... Ele veio todos os dias nas ultimas semanas, bebe pra dedéu, mas deixa boas gorjetas...- falou entregando outra garrafa de uísque para que a garçonete levasse ao cliente.- Se ele continuar vindo vou ter que aumentar os pedidos de uísque...
- Já é a terceira garrafa de uísque que ele pede desde que eu cheguei Scott, não é natural que alguém beba tudo isso sem passar mal ou dar vexame!- falou a garçonete.- Não acho que seja boa ideia continuar a dar bebida pra ele, logo os caras chegarão para o jogo, escreva o que eu te digo, será confusão na certa!
- Ele é inofensivo, dê o uísque pra ele.- disse o barman não levando o conselho da garçonete ao pé da letra.
...
PeteCullenPOV.
Noite, Roma, Itália.
E não mais que de repente, estou sonhando. Como sei disso? Por que eu quando durmo não sonho, simples assim.
Desde pequenos meus sonhos significavam apenas uma coisa, catástrofes. Quando pequeno minha mãe me protegia disso, quando um pouco maior os professores em Hogwarts me ensinaram a lidar com meus sonhos e as previsões que eu tinha acordado, mas boa parte delas eram filtradas ainda, eu só pude realmente escolher o que fazer com elas depois que eu fui para o treinamento da Liga, foi lá que me tornei 'dono' de mim de novo. Agora eu tenho minhas previsões acordado e não sonho quando durmo, a não ser que tenha alguma relação direta com a minha família, excluindo minha mãe, sacaram?
Então lá estava eu tendo um sonho e isso só podia significar uma coisa, encrenca.
Nossa casa de Londres pegou fogo. Rob, minha mãe, as veelas que a acompanharam de volta pra casa, Northman e aqueles elfos contra quem lutaram foram os responsáveis por isso, foi rápido e explosivo, literalmente.
Minha mãe gritou por nós e poucos instantes depois tudo eram raios, trovões e bolas de fogo, mas nenhum dos nossos foi abatido, além de Rolf Scamander que foi morto por Anika. No final tudo era fuligem, brasas, sangue e restos de corpos. A casa não queimou completamente, mas houve um bom estrago, sobre o qual meu biso Indra ficou responsável, enquanto atendíamos à Byrdie, seu irmão Lance, vó Luna e todos os outros chocados e em luto pela morte de Rolf.
Minha mãe não ficou pra catar os cacos de nossa pseudo-vida segura em Londres, quando tudo acabou ali naquele campo de batalha que se tornou a nossa casa, e ela foi atrás de Byrdie, o clima estava tão pesado e Bernard tão revoltado com tudo e todos que ela fez mais do que bem em seguir Northman de volta à terra dos elfos e tornar a coloca-lo mais uma vez em seu trono como rei.
Depois do funeral acabamos por nos separar um pouco, alguns foram para Forks e La Push, outros pra Califórnia, para o interior da Inglaterra, para a Irlanda como Bernard que foi para a casa do irmão ficar um pouco sozinho e eu peguei Karlla e meus filhos e vim para Roma. Não, eu não fico mais hospedado na casa loba da minha mãe, eu comprei um pallazzo para mim já há algum tempo.
Adormeci depois de fazer amor com minha japinha, enrolado em seu corpo como uma tatuagem e foi aí que comecei a sonhar.
Um bar.
Ao menos o cheiro lembrava um, a disposição das cadeiras, um longo balcão, os restos de mesas de sinuca... Mas o cenário também lembrava uma chacina e não pude evitar sentir minhas presas perfurando meus lábios diante de tanto sangue humano. Olhei pelo local e tudo o que eu via eram móveis quebrados, assim como alguns eletrodomésticos, gente desmaiada, gente ferida, e definitivamente gente morta... e também havia cheiro de lobo. Mas quem?
Um grunhido de dor chamou minha atenção e me virei naquela direção, apenas para dar de cara com os grandes olhos familiares de Bernard escrutinando a escuridão do local e olhando na minha direção como se estivesse me vendo, mesmo que isto fosse um sonho, mesmo que isso fosse apenas um flash do futuro, e não mais que de repente ouvi o engatilhar de uma arma às minhas costas.
Acordei no susto, ainda o que eu soubesse o que estava por vir. Eu tinha que encontrar Woody e rápido, eu tinha que buscar ajuda.
...
WoodyPOV.
La Push, tarde da noite.
- Pai!- exclamei ao acordar apavorado e quase arremessei Abigail para o outro lado do quarto tamanho foi o susto, mas de certa forma fiquei orgulhoso de minha esposa. Ali estava ela, praticamente despida, mas com a varinha em punho, pronta para defender ou atacar. Logo ela será uma grande loba.
- William!- exclamou ela por sua vez, depois de ver que nada nos atacara, a não ser eu mesmo. – Meu amor, o que houve?- perguntou ao voltar a se aproximar de mim que já havia saltado da cama e estava recolocando as roupas que havia deixado no chão de nosso quarto na casa que os lobos quileutes reformaram para minha mãe na praia de La Push.
- Meu pai, Abe... eu tenho que me reunir com Pete e encontrar meu pai! Ele corre perigo.- falei tentando disfarçar meu nervosismo, mas não omitindo a verdade dela.
- O que você quer que eu faça?- perguntou ela.
- Fique com nossas meninas, eu...- eu estava por lhe dizer que voltaria o mais breve que pudesse, mas fomos interrompidos por alguém que batia freneticamente à porta, ao ponto de eu ouvir a madeira maciça quase começar a ceder.- Fique com elas.- repeti e Abe acenou que sim, enquanto adentrava no adjunto de nosso quarto que dava para o quarto de nossos bebês e de Nina, que estava na escola, em Hogwarts. Depois eu fui atender a porta, não precisei ir muito perto para sentir o cheiro de Emmett, Jasper e Edward.
- Pete está vindo nos encontrar aqui, ele disse que Byrdie está com problemas, vamos ajudar.- disse Jasper assim que eu abri a porta e pude perceber que eles haviam chamado a atenção de alguns moradores vizinhos, os trouxe para dentro de casa, mas deixei a porta aberta, esperando por meu irmão.
Olhando para Emmett eu podia ver que a sua apreensão era tão grande quanto a minha, por mais que ajam as obvias diferenças entre ele e meu pai, eles são tão unidos quanto eu e meu gêmeo, acho que os dois são até mais irmãos do que meu pai é irmão do meu tio Lance. Emm queria ajudar meu pai depois da morte do meu avô, mas soube muito bem entender quando ele disse que queria ficar sozinho e foi ficar na casa do irmão dele, mas agora que definitivamente meu pai estava em apuros, ele estava ali e era o primeiro a querer ajudar.
- Vai ficar tudo bem, Emm. Helena jamais vai permitir que Bernard se machuque gravemente.- disse Edward sem nenhum grau de ressentimento em suas palavras, ele ficara balançado com o que meu biso Indra contara sobre o que minha mãe vinha fazendo para nos proteger até aparecer de volta à casa de Londres antes do incêndio.
Eu sempre achei que todo este azedume que ele tem apresentado ultimamente com relação à minha mãe é na verdade saudades, vontade de estar junto de quem se ama e acertar as contas pendentes... Eu e Abe temos nossas brigas e desentendimentos e fico azedo quando estou longe dela por muito tempo e confesso que fico com ciúmes da atenção que ela dispensa ao seu trabalho como escritora, à sua família no interior da França e à minha, e até mesmo às nossas filhas... Abe é minha, eu quero sempre estar junto dela.
- Eu sei que ele vai ficar bem, é claro que Byrdie vai ficar bem!- exclamou Emm nervoso.- Tenho quase certeza de que ele falou com Indra e o velho mandou ele arrumar encrencas... Vamos ter Hell de volta Ed, vamos sim.- garantiu e Edward lhe olhou com carinho fraternal e sorriu um pouco, quem sabe feliz com a ideia de ter minha mãe de volta pra ele também.
Plock! Fez o som do deslocamento de ar que trouxe meu irmão gêmeo com sua família até a frente da casa onde estávamos esperando por ele. Karlla, Arthur e Elizabeth adentraram a casa dando rápidos acenos e foram se encontrar com Abe, deixando meu irmão conosco.
- Só chamei meu pai e meu irmão.- disse Pete sendo ríspido com os dois vampiros que estavam sobrando.
- Eles vão nos ajudar, filho.- disse tio Emm.
- Não vão e a prova disso é que eles já estão nos atrasando.- retrucou Pete.- Você, se realmente resolveu parar de se fazer de vítima e culpar minha mãe por tudo, abra o centro médico, vamos precisar dele.- falou diretamente para Edward.
- Pete..o que..- ia pedir mais informações mas fui interrompido.
- Eu não sei de nada muito adiante do que eu vi em sonho Woody, nossa mãe chegou logo lá.- disse ele antes de agarrar o meu braço e o de Emm para desaparatarmos de lá.
...
Irlanda.
O som do estampido da chegada de Emm, Woody e Pete foi ecoado no local em que aterrissaram, isso porque ele estava deserto, parecia que alguém havia limpado o local. Os três cheiraram o ar, nada foi detectado. Woody ignorou qualquer sinal de perigo e começou a atravessar os metros que separavam o local onde pousaram da entrada do bar depredado.
- Pai! Pai!- chamou Woody pulando sobre os restos de móveis, corpos e líquidos que incluíam bebidas alcoólicas e sangue.
- William!- chamou Emm, mas Woody o ignorou.
- Woody, espere que eu entre, por favor!- disse Pete com a mão sobre o peito do irmão.- Há magia aqui, você não percebe? Pode ser uma armadilha! Não percebeu a completa ausência de curiosos e da policia humana?
- Pode ser Hell.- disse Emm.
- E pode não ser, pai.- respondeu Pete.
- Vá, vou contar até vinte e depois eu entro.- rendeu-se Woody.
- Por favor Byrdie, não esteja morto.- pensou mais uma vez Pete enquanto passa a frente de seu pai e irmão com sua varinha de ônix e diamante em punho. Rapidamente ele percebeu que a magia que ele identificara no local havia sido conjurada pelo próprio Bernard, que jazia no chão, desacordado, imundo de sangue, o seu e de outros, obviamente ferido, mas os cortes já estavam fechados, ele precisava ser retirado dali, e o local limpo de sua passagem.- Byrdie, Byrdie, acorda...- disse ele cutucando o corpo do padrasto, mas ele nem se moveu, sua respiração estava falhada.- Merda, ele está inconsciente.
- Estamos entrando!- exclamou Woody, que entrou mais afundo no bar seguido de Emm.- Pai! Por Merlin!- agachou-se e examinou os sinais vitais de seu pai, indignado.- Ele precisa de ajuda, antes de se curar ele pode ter sido ferido gravemente, onde está minha mãe, ela deveria cuidar dele!- alcançou seu medalhão que carrega sempre no pescoço e apertou-o com força.
- Vou avisar o pessoal no centro médico, filho, o que você quer que eu faça?- perguntou Emm.
- Vá à cozinha e abra o gás, vamos queimar o lugar ao sair.- instruiu Peter e Emm foi em direção ao longo balcão e a cozinha que ficava atrás de uma porta vai e vem.- Woody, o que aconteceu aqui foi uma briga de bar...relaxe um pouco, no fim vamos rir desta história e vai virar mais uma anedota da nossa família...
- Anedota Peter!? Meu pai pode estar entrevado neste exato minuto, os médicos podem não conseguir extrair os projéteis de dentro do corpo dele antes que ele comece a curar-se de novo e a única pessoa que pode tirar ele desta não está aqui! Como nossa mãe, como rainha e mulher dele pode ter deixado isso acontecer? O que diabos ela pode estar fazendo? Ele é 'cria' dela!- exclamou William indignado.
- Eu não entendo como funciona esse negócio na prática mano, mas não é o criador que é primeiro 'avisado' sobre qualquer problema com sua 'cria'?- disse Peter sem querer alarmar o irmão, mas querendo finalmente revelar o segredo sobre a criação de Byrdie como lobo. Segredo este que ele teve conhecimento quando teve o acesso liberado ao 'armário dos segredos' de sua mãe em seu escritório da Liga.
- É por isso que a ausência de nossa mãe não está fazendo o menor sentido!- respondeu Woody.
- Woody, além de mim que teve a visão e do meu pai que está lá na cozinha abrindo o gás e avisando aos médicos, não há mais nenhum lobo aqui.- disse Pete.
- O que você está insinuando, Peter?- perguntou.
- William, você é o cara mais inteligente que eu conheço, você sabe a resposta.- respondeu Peter para o desespero de William.
...
EmmPOV.
Escrevi uma rápida mensagem para Edward avisando que logo chegaríamos com Byrdie e que ele estava desacordado e assim que as portas vai e vem fecharam nas minhas costas e que eu estava dentro da cozinha tentei ignorar a conversa de Peter e William e fazer o que eu tinha de fazer, que era abrir as bocas de gás do fogão industrial, pegar Byrdie e o levar para que ele fosse tratado. Meu amigo está vivo, isso já é uma grandessíssima coisa...
Tinha sangue até aqui dentro. Uma trilha de sangue na verdade, que levava para a porta que dava da cozinha do bar para a rua, que estava entreaberta, e adivinhe o que a impedia de fechar? Um braço arrancado. Eca.
Cascalhos circundam o bar e do lado de fora eu ouvi um farfalhar neles, havia mais alguém além de nós quatro ali, Helena chegara. Sem nem pensar, abri a porta, chutei o membro do meu caminho e saí.
A madrugada era escura, mas isso não me impediu de enxergar com clareza a trilha de sangue sobre as britas e que levavam até as grandes latas de lixo, distingui três cheiros diferentes, porém apenas dois corações e parei quando ouvi uma conversa.
- Me ajude, por favor, me ajude...- dizia uma voz feminina muito desesperada, chorando e soluçando.- Havia... havia um monstro enorme lá dentro, eu tentei ajudar, tentei ajudar Scott,mas... Por favor, nos ajude, chame uma ambulância moça, Scott está muito ferido, o monstro, o machucou!
- Posso ver...- disse a conhecida voz depois de um longo suspiro. Era realmente ela, Hell, mas eu não me mexi dali.- Qual seu nome, querida?
- Ma... Mary..
- Mary, meu nome é Helena e você pode confiar em mim, certo?
- Certo.- disse a garota fungando já soando claramente mais calma.
- Mary, você passou a noite em casa, querida. Você ligou mais cedo para o trabalho e falou com Scott dizendo que você estava em casa com uma cólica menstrual tenebrosa, por isso não poderia ir trabalhar...- dizia a doce voz de Hell.
- Ai..doi.- resmungou a garota.
- Sim, doi demais...- concordou Hell.- Mary, você não colocou os pés aqui hoje, você está em casa, deitada no seu sofá, com uma bolsa de água quente sobre a sua barriga, comendo chocolate e tomando chá deitada no sofá assistindo velhas reprises na tv, sonolenta. Em alguns minutos a tua mãe vai ligar porque ouvirá no rádio sobre a notícia do incêndio no bar onde você trabalha e ficará preocupada com você... Mas você está bem Mary, porque tudo o que se lembra de hoje foi que acordou com esta cólica enorme e a tua mãe já havia saído para o seu plantão como enfermeira no hospital onde trabalha. Você tirou o dia para você, ligou para Scott e ele compreendeu o assunto, ele é o único filho de uma família com seis filhos e mãe viúva, não é verdade? Ele sabe o que é uma cólica, ele já presenciou milhares delas...
- Scott é legal..- disse a garota vagamente.
- Sim, Scott é legal e você vai ficar triste quando souber de sua morte com a explosão acidental do bar, mas vai superar isto, vai arrumar um novo emprego, vai para a faculdade que você tanto quer, vai namorar, casar, e quando você tiver seu filho dará a ele o nome de Scott em homenagem ao seu velho amigo, ok?
- Ok, Scott vai ser o nome do meu filho...- concordou a garota.
- Você será feliz Mary... tenha uma boa vida...- disse Hell em tom de despedida e pouquíssimos instantes depois ouvi o som característico de deslocamento de ar que há quando uma pessoa desaparata.
O tal Scott estava morto. Eu sabia disso, obviamente Hell também sabia, mas quando eu pensei em me aproximar, ouvi um grunhido extasiado, na verdade um pequeno gemido de prazer e mais alguns 'hums' seguidos. Com o passar dos anos eu fui distinguindo cada mínimo som que Helena é capaz de fazer e na hora eu soube, ela estava comendo uma alma, a alma do tal do Scott.
Houve um pequeno intervalo de tempo em que dei a Hell um pouco de privacidade e instantes depois ouço seus leves passos vindo na minha direção, porém quando finalmente a vejo ela não parecia realmente com Hell. Ela continuava bonita, talvez até mais bonita do que sempre fora, mas havia algo além, não sei explicar, ouso dizer que parecia um campo de força, ela mal tocava o chão que pisava, seus cabelos ondulavam sozinhos mesmo sem qualquer sinal de vento e não havia nenhum resquício de branco em seus olhos, ou qualquer outra cor que não fosse o negro profundo. Vestia o macacão especial que usa em missões da Liga e trazia em um braço, carregado como um saco de batatas o corpo do falecido Scott.
- Byrdie o mordeu, mas ele não resistiu ao veneno.- disse logo antes de arremessar o corpo do homem para mais perto do bar.- A garota vai ficar bem... eu à limpei e mandei pra casa.- disse ainda vindo em minha direção.
- Não duvido que ela não vá ficar bem, ela recém acabou de falar com um anjo.- falei e ela sorriu torto pra mim parando à minha frente.
- Não comece Emm, Byrdie precisa de ajuda.- falou.
- Você parece diferente...- falei remoendo meu temor e tocando-a. Sua pele estava de morna para fria e assim de perto, além dos olhos negros, eu podia ver as veias de sua pele na metade do rosto para baixo.
- Tenho fome. Eu estava prestes a me alimentar quando William me chamou. Scott não foi o suficiente...- disse prensando levemente seu delicado e frágil rosto contra a minha mão, fechando os olhos por um instante e respirando fundo, seu coração agora batia um pouco mais forte.
- Então você não sabia o que estava acontecendo com Byrdie?- perguntei e ela abriu os olhos olhando além de mim.
- Foi preciso muita força da minha parte para não comer aquela menina há pouco Emmett. Eu estou com fome e não estava exatamente pensando em vocês nos últimos dias depois do que aconteceu em Londres. Kira e Northman precisam de mim no momento e 'graças' àquela desgraçada, agora as veelas também. Acha que não fiquei louca da vida quando me dei conta do que estava acontecendo com meu lobo? Claro que eu fiquei, e meu coração só vai finalmente sossegar quando eu retirar aqueles projéteis do corpo dele, mas ele não é minha cria, compreende?
- Eu tento, juro que tento.- falei e ela olhou para mim de forma suave, mesmo com aqueles olhos pretos.
- Começar já é metade do caminho.- disse ela relaxando um pouco.
- Será que posso beijar você?- perguntei e ela sorriu.
- Ora ursão, achei que fosse por isso que somos casados, pra que pudéssemos nos beijar a hora que quiséssemos.- disse com um sorriso, logo antes de eu puxar seu rosto de encontro ao meu.
...
- Como pôde? Como você pôde me deixar no escuro todos estes anos?- perguntou Woody com lágrimas nos olhos quando viu a mãe de Emmett se aproximarem dele e de seu pai.
- Peter, será que eu e tua mãe deveremos voltar a por você de castigo?- perguntou Emm ao filho que se encolheu visivelmente porque sabia que havia contado o que não devia na hora errada.- Venha, deixe-os conversar, me ajude a abrir o gás na cozinha.
- Fala alguma coisa, mãe! Me diz! Eu me disfarcei como você por tantos dias porque eu sabia que era a coisa certa a fazer e tudo o que você tinha que fazer era revelar que quem tinha criado meu pai como lobo era eu, e você não fez! Me diz alguma coisa!- exigiu Woody.
- William, você era um bebê. A criação de seu pai como lobo foi uma grande sucessão de erros, foi praticamente um milagre ele ter sobrevivido. Ele demorou mais dias que o normal para acordar e quando o fez, ficou tão envergonhado que atendendo à um pedido dele eu tirei tua memória da ocasião. Mas eu jamais mexi no teu sentido de olfato, use-o meu filho, cheire o seu pai, ele sempre cheirou à você, jamais à mim.- respondeu Hell ajoelhando-se ao lado do filho.
- Mas você nunca me contou!- fungou Woody entre lágrimas, tentando limpar o rosto.
- Pete não mentiu quando disse que você é muito inteligente filho, mas você sabe, sempre soube lá no fundo do seu ser que não tinha sido eu a transformar teu pai querido. Se, em todos estes anos que se passaram tivesse me perguntado algo sobre o que teu irmão apenas lhe confirmou eu teria lhe dito meu amor...- disse Hell afagando o rosto do filho para depois beijar-lhe a testa carinhosamente.
- Ele tá inconsciente mãe, ta ferido...- respondeu Woody com o rosto escondido no pescoço da mãe.
- Você vai precisar doar sangue pra ele. Eu vou retirar os projéteis, mas vai precisar de transfusão...- disse Hell.
- Mãe, você tá com fome...- disse Woody olhando detalhadamente para o rosto da mãe.- Seus olhos, sua pele, seu rosto... você conseguirá?
- Sinceramente eu não sei. Eu ainda não sei a extensão dos ferimentos do teu pai meu bem... eu estava por me alimentar...- hesitou Hell.
- Então vai. Nós vamos levar meu pai para o centro médico de La Push. Carlisle, Edward e Seth cuidarão dele até que você volte...- disse Woody.
Woody, Emm, Pete e Byrdie partiram para La Push logo em seguida para que o tratamento de Bernard fosse iniciado enquanto Hell iria se alimentar.
- Darius.- disse Hell assim que a ligação foi atendida.
- Minha rainha...- disse ele assim que reconheceu a voz.
- Está na hora do show, meu amigo. Prepare o gado.- disse Hell.
- Seu desejo é uma ordem.- respondeu Darius.
