Hello guys, é domingo e eu resolvi postar. Daremos crédito a incrível marca de 100 reviews que finalmente alcançamos. A partir do capítulo que vem teremos Jake na universidade e as coisas serão interessantes... Hoje, teremos Jake ensinando a seu bando sobre o mundo dos espíritos e temos o primeiro conflito serio entre Jake e Nessie. A gente se vê em breve.
Obrigada a Joelma, Charlotte Schmit e Mainara PWM pelas reviews.
LEIAM, COMENTEM E RECOMENDEM!
34 Nosso pequeno segredinho
_ Seria pedir demais que pelo menos uma vez desse tudo certo em uma reunião? Pensei alto vendo Quil e Embry rirem e Leah revirar os olhos entediada.
_ Seja um pouco mais positivo " oh, bravo líder"_ disse em tom de deboche_ Além do mais se não os fizer calarem a boca sempre pode usar seu sempre eficiente e sexy tom de alfa. Completou contorcendo a palavra como se fosse um apelido pejorativo e não um titulo, fazendo os dois bananas a meu lado rirem.
_ Seus incentivos são sempre tão gentis querida beta...
Ela bufou novamente.
Estávamos em nossa segunda reunião de bando oficial desde meu retorno do Havaí, a primeira fora para tratar de atualizações sobre o tempo em que estive fora. Agora era com o intuito de passar a informação oficial sobre minha ida a faculdade, seguida pela passagem do comando para Embry e, especialmente, para tocar no delicado assunto das viagens ao mundo dos espíritos.
Durante as últimas semanas havia aumentado o número de viagens e treinos com Leah e Embry, também incluíra Quil e Seth nos treinos. Ambos como o esperado ficaram bastante ansiosos e satisfeitos por enfim terem sido convocados a se juntarem a nós em nosso "pequeno grupo de infligidores da lei". É claro que tive de obrigar Quil a jurar pela saúde de Claire que nem pensaria no assunto quando estivesse na casa de Sam. Pelo menos, até que eu levasse a informação ao conselho. O que só pretendia fazer quando tivesse dominado completamente a habilidade de viajar.
Olhei para a balburdia que os jovens estavam fazendo como sempre. Alguns estavam transformados e lutavam um com o outro mordendo e arranhando. Os outros ou estavam gritando alto sobre alguma coisa que não conseguia entender ou estavam atiçando ainda mais a luta dos transformados. Isso me fez lembrar de meus primeiros meses como lobo, sempre com raiva e a ponto de explodir a qualquer segundo. Puxando briga e destruindo qualquer coisa que parecesse estar me encarando. Contudo até mesmo o membro mais jovem do bando, Allan que tinha entrado para o grupo a mais ou menos 2 anos e meio, pouco antes dos Cullens partirem, já tinha tido mais tempo do que o suficiente para aprender a controlar sua raiva.
Na época eu estava satisfeito demais que tudo acabara bem para me importar com o fato de que ficara com a maioria dos membros mais jovens e instáveis em meu bando, mas agora começava a achar que Sam fizera de proposito. Aquele filho da mãe desgraçado! Deixou-me com os piores e ficara bem quieto. É bem verdade que os meninos podiam escolher com quem ficar, e que muitos me escolheram apenas porque como eu passava a maior parte do tempo com os Cullens, eles não tinham que ficar sobre minha supervisão o tempo todo. Contudo, Sam, sabe muito bem como influenciar a concorrência quando quer.
Aff! Agora ficar reclamando pelo leite derramado não mudaria o fato de o fogão já estar todo cagado.
Suspirei cansado. Por mais que pedisse a Deus, estava longe de poder ter uma reunião tranquila. Inspirei profundamente e então concentrando o máximo de autoridade que pude disse.
_ CHEGA! Minha voz dupla fez com que todos, mesmo aqueles que falavam alto parassem imediatamente.
Eles me olharam assustados e até temerosos. Apesar de estar acostumado a gritar para lhes chamar a atenção, a seriedade em meu rosto devia ter-lhes avisado que dessa vez a coisa era seria. Esperei até os todos estarem sentados junto a fogueira para começar.
_ Reuni vocês hoje porque tenho um anuncio muito importante a fazer. _ disse olhando com profundidade no olho de cada um deles. _ Como vocês já devem estar sabendo estarei indo para a universidade em Massachusetts no próximo outono...
Naquele momento alguns prenderam a respiração surpresos, outros gemeram em desagrado provavelmente temendo quem ficaria no meu lugar, e ainda outros riram satisfeitos pela ausência do líder para ficar de olho em suas artimanhas.
_ Mas não precisam ficar preocupados com nada vou deixar alguém da minha maior confiança cuidando de vocês... E ao dizer isso vi em massa todos eles engolirem em seco e deixarem escapar uma rápida olhada de canto de olho para Leah que os devolveu o olhar com um rosnado que fez alguns pularem. A maioria deles temia ela, e a outra simplesmente não gostava. Porque diferente de mim, ela tinha prazer em fazer marcação cerrada com eles 24 horas por dia.
_ Bom, mas como eu ia dizendo, não precisam se preocupar porque alguém em que confio minha vida vai assumir no meu lugar._ nesse momento pude notar o peito de Embry estufar um pouco em sinal de orgulho._ Como eu não estarei aqui e Leah estará constantemente ausente devido aos estudos que pretende implementar em Port Angeles..._ agora eles estavam confusos._ Decidi deixar meu gama, nosso amigo Embry em meu lugar até que eu ou Leah retornemos definitivamente.
Embry sorriu satisfeito com sigo mesmo e os meninos que pareciam estar segurando o folego até agora soltaram o ar de uma vez parecendo terrivelmente aliviados. No final das contas não teriam que sofrer nas mãos inescrupulosas de Leah. Alguns até já esboçavam sorrisos satisfeitos, pois imaginavam que seria muito mais fácil se safarem com Embry no comando, e que até teriam liberdade total, uma vez que o novo líder não os demonstrava ser do tipo durão. Pelo contrario, era conhecido por ser língua de trapo e um comediante nato.
Mas estavam terrivelmente enganados porque Embry era sempre muito aplicado em qualquer trabalho que lhe fosse encarregado. Era capaz até de ser melhor do que Leah nisso. Não, provavelmente seria até mais apto do que eu mesmo, pensei satisfeito ao constatar que no final das contas fizera a escolha mais do que acertada.
Antes que o pequeno burburinho que já se iniciava tomasse maiores proporções voltei a falar.
_ Esperem ainda tem mais uma coisa que quero falar. Mas antes de qualquer palavra ser dita sobre isso tenho que deixar claro que isso é estritamente sigiloso, e não dever ser contado a absolutamente ninguém, nem mesmo aos irmãos do bando do Sam. Entenderam? Perguntei olhando para cada um e vendo a dúvida e a curiosidade aguçando suas atenções.
_ Todos vocês estavam presentes na reunião em que revelei sobre minha viagem ao mundo dos espíritos onde encontrei com minha mãe. _ Eles assentiram._ Bom, aquela não foi a única vez...
_ Você voltou lá? Perguntou David em uma mistura de medo e empolgação juvenil.
_ Como foi? Quis saber Jim.
_ Sim, muitas vezes..._ Agora todos arfaram em choque_ Na verdade, todos nós já fomos lá._ Disse indicando os 5 mais antigos que contavam comigo, Leah, Embry, Quil e Seth._ Diferente dos outros anciões acredito que só temos a aprender com o auxilio dos espíritos, por isso estamos exercitando e ampliando nossas habilidades de viajar.
_ Nossa! Coll falou.
_ Isso é show! Disse Ben.
_ Quando vamos? Perguntou David.
_ Será que poderei ver minha avó? Um Adan.
_ Esperem , esperem..._ Pedi-lhes._ Primeiro vocês devem entender que aquele lugar não é a Disney. Não estaremos indo lá para férias e sim como um trabalho. Um tipo de pesquisa de campo. Segundo não é algo agradável. Na verdade posso dizer que é uma experiência muito próxima de morrer que temos de experimentar antes de enfim chegarmos lá.
Nessa hora vários pares de olhos esbugalhados me miravam como se eu fosse o fantasma do natal futuro os chamando para verem seus próprios túmulos. Alguns ainda engoliram em seco e outros tiveram pequenos arrepios.
_ Não há perigo algum na verdade. _ acrescentei rapidamente_ Só há esse pequeno desconforto para chegar lá, mas uma vez lá tudo só depende de você e sua mente. Até agora, conseguimos viajar todos juntos para o limbo de um de nós, mas ainda não conseguimos nos achar quando estamos separados, nem entrar no limbo de alguém que já está lá sozinho. Ou entramos todos juntos ou alguém ficar de fora. Entendam esse é um processo delicado, mas nem um pouco arriscado. Não precisam ficar com medo. Os mortos não podem nos fazer mal algum. Só os vivos é que são realmente perigosos. Disse com um sorriso cruel.
_ Acho que no final saiu muito bem. Comentou Embry quando estávamos terminando de recolher os coolers de refrigerante.
_ Se com bem você quer dizer deixar um bando de adolescente em um choque pior do que o da bruxa de Blair, então acho que está certo. Comentei não podendo conter o riso com as caras de enterro em que saíram alguns dos meninos depois de todas as explicações e do terror que Leah ficou pregando neles.
_ Eh, cara foi hilário. Viu só a cara deles quando disse que teriam que morrer? Foi impagável! Daria tudo para ter uma câmera comigo naquela hora!
_ Kkkkkkkkkkk Nossa quero só ver quem vai se borrar primeiro quando fizermos a primeira viagem. Comentei não conseguindo conter o riso.
_ Aposto que vai ser o Coll! Disse ele.
_ Não vai ser o Adan! Disse Quil se juntando a aposta.
Ficamos lá rindo dos pobres garotos que em alguns dias teriam de enfrentar suas primeiras viagens e que com certeza não seria fácil. Mas pelo menos todos nós já estávamos bem tarimbados e poderíamos lidar com eles e suas prováveis crises de pânico.
Fizemos as primeiras viagens em duplas, cada membro antigo ficou responsável por conduzir um dos garotos e ensina-los a transladar por lá. Levou algumas semanas para todos eles pegarem o jeito, assim quando todos já estavam tinindo fomos para nossa primeira viagem coletiva. É verdade que o carro estaria meio cheio, mas no final correu tudo bem, ninguém caiu pra fora do veiculo, ou se perdeu no caminho. Escolhemos o meu limbo como destino por motivos óbvios. Uma vez que era o mais fácil de conduzir e todos já estavam familiarizados.
Chegando lá não foi diferente de como acontecia em todas as reuniões uma verdadeira balburdia, que teve de ser aplacada em baixo de gritos. Já de saco cheio de tudo aquilo deixei Embry supervisionando. Era bom ele já ir se acostumando a tudo isso logo, em pouco tempo eu já não estará lá pra ficar dando um sossega naqueles garotos.
Sai andando pelo já conhecido caminho que me levava até a velha e magica campina. Hoje ela não era fria ou fantasmagórica, nem tinha um céu multicolorido ou uma grama florida. Hoje, no entanto, ela esbanjava uma grama dourada, como em um campo de trigo, e pequeninas flores brancas apareciam entre uma e outra, trazendo um ar indistinto e de sonho ao lugar. Os ventos que percorriam a campina fazendo com que o trigo balançasse eram coloridos e dançavam por ela como uma habilidosa bailarina.
Caminhei a até o centro desta e me sentei observando enquanto o vento fazia seu show. Não esperava encontrar com ninguém por lá, mas o som de uma risada infantil me fez sorrir também. Ela estava aqui. Bom, não era realmente ela, era apenas uma projeção, mas tinha seu rosto, cheiro e falava e pensava como ela então... Por mais que não fosse realmente ela valia apenas pelo menos como um vislumbre.
_ Ness... Chamei.
Mais uma risada divertida.
_ Fico feliz que tenha voltado para me ver Jake. Disse ela com sua vozinha de anjo.
_ Eu também fico feliz em te ver de novo. Disse para o vento.
Senti então dedinhos pequenos cobrindo meus olhos e soltando mais uma gargalhada gostosa.
_ Ah... Aí está você! Disse puxando-a por minhas costas para meu colo e começando a enche-la de cócegas.
Ela ria e se debatia até as lagrimas escorrerem por suas bochechas já vermelhas pelo esforço. Estava igual a Nessie verdadeira que me lembrava e muito mais corada e saudável do que a última vez que a vira nessa campina fria e morta. Mas isso já fazia mais de 2 anos.
_ Pa-pa-raaaa... Gritou ela.
_ Ok, ok. Disse a soltando.
Ela escorregou para o chão e quando já estava recuperada se sentou na minha frente esbanjando seu belo sorriso de pérolas.
_ Senti mesmo muito a sua falta.
_ Eu também querida, mas estou aqui não?
Ela me encarou como se eu não tivesse entendido suas palavras.
_ Quanto tempo vai ficar dessa vez? Perguntou com a voz tristonha.
_ Infelizmente não muito. Trouxe outros comigo dessa vez...
_ É eu vi. Interrompeu ela parecendo insatisfeita.
_ Tudo bem?
_ Uhum...
_ Bem, como eu dizia eu trouxe outros comigo e não podemos nos demorar muito. Não pelo menos se não quisermos que uma guerra comesse por aqui. Disse rindo, mas ela se manteve seria.
_ Ness, mas o que afinal está acontecendo?
Ela deu de ombros.
_ Eu estava com saudade de você... Mais aí você traz esse monte de gente aqui! Rosnou ela se pondo de pé e virando-se de costas.
Fiquei totalmente sem reação de sua atitude agressiva. Ela tremia levemente e podia sentir sua fúria me atingir em leves ondas opressivas.
_ Hey Ness...
Ela se virou de volta e estava vermelha e seu rosto era pura fúria.
_ Você devia estar comigo! Apenas comigo! Mas ao invés disso você me abandona por anos! E aí quando enfim volta ainda tem o disparate de trazer invasores! Eu te odeio Jacob Black! Gritou me dando um forte tapa no rosto e correndo.
_ NESS! Chamei indo atrás dela, mas ela já estava longe demais.
_ Ness, me desculpe eu não queria... Eu sinto muito, por favor, volte! Gritei em desespero.
"NÃO!" Gritou ela.
"NÃO QUERO VÊ-LO MAIS! VOCÊ DESRESPEITOU NOSSO LUGAR DE PAZ! EU NÃO QUERO NINGUÉM MAIS AQUI JAKE E NÃO QUERO MAIS FALAR COM VOCÊ. LEVE-OS EM BORA! AGORA!" Gritou ela com sua voz tão cortante quanto o vento.
Meu cérebro pareceu ser rasgado por uma lamina muito fina e precisei de todo o meu alto controle para não gritar. Respirei pesadamente até que os ecos da voz afiada tivessem ido embora. Levantei-me com dificuldade e voltei meio trôpego até onde estavam os outros.
_ O que houve com você? Perguntou Seth vindo a meu encontro e me interceptando antes de chegar ao grupo.
_ Nada estou bem. Menti.
_ Merda nenhuma parece que até que te encheram de porrada. Disse ele passando o braço por mim e me ajudando a sustentar meu tronco.
_ Já disse que estou bem Seth, não foi nada demais. Disse tentando convence-lo a me soltar.
_ Não vou tentar arrancar de você o que aconteceu porque sei que tudo que vou conseguir é que você me encha de pancada. Mas pode me dizer se quiser cara. Pode ajudar, além disso você tem que nos dizer o que aconteceu aqui, afinal nossa segurança também esta envolvida. Falou agora seriamente.
_ Já disse que não foi nada demais só discuti com alguém...
Ele parou de repente.
_ Você encontrou alguém! _Disse ele satisfeito_ Foi a sua mãe? Quem foi? O quê que ele falou. Lá estava o velho e bom Seth. Tagarela e curioso.
Soltei-me dele e comecei a andar por mim mesmo me afastando o quanto mais pudesse. Eu não diria a ele que estava me comunicando com uma projeção imaginaria que criei de Renesmee. Todos já estavam o suficientemente preocupados com a ideia de nos encontrarmos com mortos, não precisavam saber que eu estava falando com uma ilusão imaginaria.
Mantive-me em silencio pelo resto do caminho e depois de um tempo ele percebeu que insistir em perguntar não daria em nada e se calou. Quando chegamos até os outros nos preparamos para voltar e me senti bem melhor assim que pude sentir a terra da verdadeira floresta sobre minhas costas. Aquela estranha discussão com a Nessie falsa me deixara meio perturbado.
Quer dizer, eu raramente a via por lá e da última vez ela tinha morrido em meus braços. Mas era compreensível tal dramatização. Naquela época eu achava que estavam nos separando e estava me sentindo morrer, porém agora não fazia o menor sentido que ela se revoltasse comigo. Afinal qual era o problema de os garotos irem para lá? Era o meu limbo, eu é que devia decidir quem entra e quem sai. Mas afinal porque isso importava tanto? Ela não era real. A verdadeira Nessie não estava zangada comigo, ela nem devia fazer ideia de tudo isso. Contudo ainda sentia um aperto no peito, como se tivesse brigado com ela e tudo em que conseguia pensar era em me desculpar. Eu voltaria depois lá e faria isso. Assim que tivesse mais tempo e sem tanta gente me enchendo faria isso. Reencontraria essa Nessie e me desculparia por leva-los lá.
Os meses que se seguiram foram tão corridos que nem tive tempo para pensar. Até consegui retornar para o outro lado, mas infelizmente por mais que tivesse tentado e até implorado a outra Nessie se recusou a falar comigo então resolvi deixar quieto. Em La Push, parecia que tudo estava passando por grandes mudanças. Alguns dos garotos também estavam indo para a faculdade além de mim. Leah estava indo fazer um curso de enfermagem em Port Angelis, assim como Quil, só que este faria de administração e diferente dela ainda moraria aqui, ele tinha muita coisa que o prendia a aldeia para se afastar mais do que o necessário. Embry havia passado para economia na Faculdade de Washington, mas ainda se manteria morando aqui e iria e voltaria no mesmo dia, não era distancia nenhum para quem tem quatro patas e pode correr mais rápido que um carro de corrida. Paul estaria indo com Rachel para Seatle e lá faria um curso de culinária para o espanto de todos, mas como ele mesmo justificara "quem gosta tanto de comer como eu também gosta de cozinhar a comida". E diga-se de passagem ele sempre ajudava Rachel na cozinha quando era solicitado e até mesmo se não o fosse. Jared é que não parecia querer outra coisa além de ficar por aqui com Kim. Mas com uma forcinha da mesma que já tinha alguns planos para o futuro, os dois fariam alguns cursos e trabalhariam. Verdade seja dita era que tudo que aqueles dois mais queriam era juntarem suas escovas de dentes, mas sem dinheiro e a segurança de uma casa só deles não ia rolar, então por enquanto eles iam apenas economizar e tentar desenvolver alguma coisa legal só deles.
Ouvi Paul comentar com Rachel que planejavam abrir algum tipo de cafeteria em La Push mesmo e que até já teriam convidado Emily para trabalhar com eles. Até mesmo Seth que ainda não tinha terminado o colegial já fazia vários planos. Ele e Sam estavam pensando em ampliar o centro cultural Quileute. Fazer algumas reformas e com isso poder atender a mais pessoas. Sam que já era professor lá até tinha levado o projeto a secretaria de educação e esperava ansiosamente uma resposta.
Os meninos também me pediram para assumirem temporariamente meu trabalho com o concerto dos carros pra tirarem um extra. Eles já me ajudavam com isso de qualquer forma então não tinha porque negar-lhes isso. Inclusive deixei minha garagem a disposição deles. Era bom que tivesse alguém para cuidar dela enquanto estivesse fora. Era bom saber que tudo estava se acertando, a única coisa, ou melhor pessoa que realmente estava me preocupando era Billy. Ele acabaria ficando sozinho daquela pequena casa vermelha. Mesmo tento Charlie e Sue, ele ainda não teria alguém para olhar apenas por ele. Se ao menos ele tivesse alguém com ele...
A reconstrução do "incrível delorean" estava indo de vento em polpa e com certeza estaria tinindo na hora de viajar até Massachusetts. Agora então que conseguira uma pequena incrível ajudante tudo estava melhora ainda.
_ Chave inglesa, por favor. Pedi recebendo-a em seguida de uma Renesmee realmente empolgada.
_ Fiquei tão feliz quando me contou do carro. Nem acredito que estou mesmo te ajudando com ele._ comentou satisfeita.
_ Eu também meu anjo. Especialmente porque já estava na hora de ter alguém mais capacitado do que aquele bando de descoordenados que estavam me ajudando. Falei a fazendo rir.
Ela permaneceu brincando com as ferramentas que estavam na bancada.
_ Jake... Chamou ela.
_ O que querida?
_ Se eu te contasse uma coisa você guardaria segredo? Perguntou me fazendo aguçar a curiosidade.
_ Do que exatamente estamos falando Srta. Renesmee?
_ Primeiro prometa.
_ Ok, eu prometo que tudo que me contar será mantido em segredo com a minha vida. Disse cruzando o dedo sobra o peito esquerdo em sinal de promessa.
Ela suspirou pesadamente e fechou os olhos apertadamente antes de prosseguir.
_ Eu tenho feito coisas... Coisas que meus pais não aprovariam...
Uma gorda gota de gelo pareceu escorrer bem em cima de minha coluna. Mais de que raios aquela garota estava falando?
_ Nessie não estou entendendo? Do que você está falando?
_ Eu... Eu tenho falado com o Tony... Disse temerosa. Senti o ar me faltar. Esperava que esse assunto a muito já tivesse sido encerrado, e que ele já estivesse muito longe dela. Morto enterrado e nos quintos dos infernos que era o lugar dele!
Respirei fundo engolindo o pânico e empurrando todo o medo bem para o fundo e transformando-o em raiva.
_ Pensei que tivéssemos combinado que não falaria nunca mais com aquela coisa!_ Rosnei a fazendo pular assustara. Até eu mesmo me assustara com o tom em que minha voz saíra. Pigarreei e tentei soar menos agressivo._ Quero dizer, pensei que você não fosse mais fazer isso porque era perigoso... Falei mais calmo.
Sem mais o efeito do choque ela então me olhou seria e perguntou em desafio.
_ E por que eu devia fazer o que você me pede?
_ Renesmee...
_ Renesmee nada! Estou te contando isso porque confio em você e esperava que você melhor do que qualquer um me entendesse e não me julgasse por isso. Mas vendo o jeito como acabou de falar comigo vejo que estava errada. E falando isso pulou para o chão e se pôs a sair, mas a puxei de volta.
_ Espera Nessie não era pra entender assim. Disse a fazendo ficar de frente para mim.
Renesmee agora já aparentava ser uma menina de uns 9 ou 10 anos e estava esguia e magra como um passarinho, mas sua personalidade era sem duvida de um falcão, forte e com um olhar perspicaz que era capaz de penetrar sua alma. Os cabelos caiam em cachos volumosos até o meio das costas em um cobre escuro e profundo que refletiam desde o louro dourado do sol até o vermelho carmesim. A cada nova vez que a via sempre passava uns bons 10 a 20 segundos embasbacado do quanto ela havia mudado e de quanto eu tinha perdido. Mesmo que agora as mudanças estivessem bem mais lentas ainda sempre parecia que estava perdendo muito. Ainda segurando seus ombros lhe falei com calma.
_ Não é que eu não confie em você meu bem, mas é que não posso confiar nessa coisa e tenho tanto medo que ele lhe possa fazer algum mal, que só a simples possibilidade me faz perder a cabeça.
Ela meneou a cabeça como se eu tivesse dito a coisa mais tola possível.
_ Tony jamais me faria mal. Afirmou com convicção.
_ Como pode ter tanta certeza? Você nem sabe o que ele é realmente. Além do fato de que havia me prometido que não voltaria a falar com ele. Joguei em sua cara.
_ Eu não fui falar com ele. _ se defendeu_ Mas... Mas ele veio até mim e parecia tão triste. Disse que sentia saudade o que queria que eu fizesse? Sei exatamente como é estar em uma situação assim. Quando nossos amigos nos abandonam! Disse em tom acusatório.
Golpe baixo esse.
Ahhh... Aquele merda era esperto! Muito esperto! Estava usando a compaixão dela para se aproximar de novo. Ah mais deixe estar na próxima vez que estivesse no mundo dos espíritos iria atrás dele e aí ele veria só uma coisa!
_ E você não devia ficar com tanta raiva de eu fazer novos amigos. Afinal você não fez também? A Alena é o que afinal? Perguntou ela torcendo o nome de Alena como se fosse um palavrão.
Então era isso? Estava com ciúmes de novo? Mais isso não tinha mesmo cabimento nenhum.
_ Não fuja do assunto colocando Alena no meio da conversa quando ela não tem nada haver com isso. Estamos falando de Tony e o fato de ninguém saber o que ele é!
_ Não Jake, estamos falando exatamente da mesma coisa. O fato de você estar com ciúmes de minha amizade com Tony ao ponto de preferir acusa-lo de ser perigoso e querer que eu me afaste dele, ao invés de simplesmente deixar tudo quieto. Por eu não posso ter amigos só meus? Perguntou com raiva.
_ Porque pra começo de conversa ele nem mesmo está vivo! Revelei.
_ Nem minha família também! _Falou sem se dar conta do que eu havia dito._ Espera...
Merda ela havia reparado sim.
_ Você disse que "... ele nem mesmo está vivo..."?
Apertei os olhos soltando o ar resignado. Uma vez pego na mentira o único jeito é jogar logo toda a merda no ventilador.
_ Você sabe o que ele é não sabe Jake?_ Não foi realmente uma pergunta._ Anda me fala! Tenho o direito de saber! Cobrou ela.
_ Ele é um espirito... Resmunguei bem baixinho.
Ela arfou.
_ Um de verdade?
Assenti.
_ Mas... Mas como você pode saber?
Suspirei derrotado.
_ Eu também tenho um pequeno segredinho... Disse a deixando curiosa.
Lhe contei a história toda, mas diferente do que retive do pessoal do bando, também contei sobre a parte do estranho espirito perseguidor apelidado de Tony. Falei-lhe sobre os planos de viagens, sobre minha mãe e os estranhos pesadelos com os olhos verdes. Contive apenas a parte da "Nessie espirito revoltado", não havia motivo para preocupa-la mais, por isso omiti essa parte dela.
Quando terminei meu relato ela tinha um olhar de espanto, mas parecia também compenetrada, como se já estivesse formulando um milhão de perguntas assim que eu parasse de falar.
_ Isso realmente explica muita coisa... Disse encarando o nada.
_ Entende agora porque não quero que fale com ele? Não podemos saber se ele é bom ou mal, ou o que pretende com essa aproximação.
_ Mas sua mãe falou "... não é hora ainda.", não que você não devia conhece-lo, ou que ele fosse mal. Na verdade acredito que se ela o considerasse perigoso não pediria para ele se afastar temporariamente, e sim o mandaria se afastar para sempre não? Disse em suas conjecturas.
É claro que podia entender o que ela queria dizer e que tinha seus motivos para defende-lo, mas não havia um jeito de eu permitir que ela mantivesse essa contato com ele.
_ Além do mais, seria hipocrisia sua querer que eu me afastasse dele, quando você mesmo esta mantendo contato com sua mãe. Acrescentou espertamente.
_ Muito perspicaz minha cara, mas esqueceu de um detalhe muito importante.
Ela ergueu a fina e clara sobrancelha esquerda.
_ Eu estou falando com o espírito da minha mãe. Ela nunca me faria mal, e quanto a esse tal Tony, ninguém sabe quem ele é ou o que quer com a gente. Disse de forma vendedora.
Isso não pareceu abala-la.
_ Sua mãe sabe. Disse apenas com um sorriso vencedor. Malandrinha esperta.
_ Não vou conseguir convence-la a parar de falar com esse enxerido não é? _ Perguntei e ela apenas voltou a erguer a sobrancelha._ Por que então me contou isso Ness? Falei cansado. Toda aquela discussão estava acabando com meus nervos já em frangalhos.
O olhar vencedor saiu de seus escuros olhos e de repente ela também parecia cansada.
_ Achei que uma vez que estava quebrando minha promessa você deveria saber... Mas a verdade é que eu precisava contar para alguém, e meus pais jamais entenderiam e voltariam a ficar preocupados achando que eu teria crises novamente.
_ Taí uma coisa interessante. Pensei alto.
_ O que? O quê que é interessante? Quis saber ela.
_ Acho que nunca pensei seriamente sobre isso, até porque contava com o fato de você ter afastado nosso fantasminha nada camarada, mas olhando agora por essa ótica está claro que o que ele esta fazendo é conduzir você para o mundo dos espíritos também. Falei vendo-a piscar os olhos incrédula. _ Pense bem, quando fazemos a passagem é como se morrêssemos. Os irmãos que se transformam depois de termos ido, dizem que não podem mais sentir nossas mentes, e essa é a razão principal porque não conseguimos mais nos ligar em nossos limbos se não fizermos a viagem todos juntos. E Edward comentou que nesses momentos de blackout que você teve ele não conseguia mais alcançar sua mente. Ele disse que era cada vez mais difícil te ler, e bom se você não estivesse mais na dimensão dos vivos não teria como ele alcançar sua mente. Completei me sentindo um gênio por chegar a essa conclusão sozinho.
_ Então isso quer dizer que você acha que estou indo pro mesmo lugar que você? Perguntou com um brilho estranho nos olhos_ Acha então que talvez eu possa te achar lá? Nossa isso seria incrível! Nós poderíamos... então se desembestou a falar e a fazer planos.
_ Ei, ei, ei, calma lá Nessie não é bem assim não. Primeiramente não acho que ele te leve até o mesmo lugar, até porque nós mesmos não estamos indo para o mesmo lugar que iam os nossos antepassados. Antes eles só conseguiam realizar algum tipo de projeção com seus espíritos deixando os corpos e vagando soltos por aí. Agora nós podemos ir até o outro lado. Até o mundo dos espíritos. Disse dramatizando as palavras.
_ Nossa isso é TÃO incrível! Disse ela empolgada. Já havia lido muitos artigos sobre viagens extra corpóreas de vários cientistas que acreditavam nessas habilidades, tais como Karl Young que dizia que as pessoas tinham sim capacidades extra sensórias capazes até de prever acontecimentos. E está aí Alice que é a melhor prova viva... Quer dizer a melhor prova sobre isso.
_ E entendo seu ponto Nessie e inclusive acho que sem dúvida seria maravilho se pudéssemos usar minhas novas habilidades para vê-la mais, mas creio que eu não seja capaz de fazer isso. Disse vendo sua empolgação morrer.
_ Mas isso não me impede de tentar não é? _Acrescentei rapidamente fazendo com que um sorriso voltasse para seu belo rosto tão rapidamente quanto sumira._ Mas não podemos comentar isso também com ninguém certo?
_ Vai ser nosso pequeno segredinho... Disse ela maliciosamente em um sussurro.
_ Eh, isso mesmo. Concordei. Mas ainda não quero que fale com o intrometido ok?
_ Jake! Reclamou ela.
_ Ou ele ou eu Nessie você escolhe. Disse enfaticamente. Já era hora de por um fim a essa amizade nem um pouco divertida entre minha menina e esse "espírito que baixou em mim"!
Ela me encarou incrédula e ultrajada.
_ Você não pode por as coisas dessa maneira! _Reclamou ela._ Não é justo, sabe que vou escolher você!
_ Que bom, porque por um minuto achei que poderia vir a escolhe ele. Disse cuspindo a última palavra.
_ Você está agindo como um cretino Jake e o meu Jake não é assim! Gritou com o dedo em riste para minha cara.
_ Não Ness, na verdade esse é o Jake que eu sempre fui, mas que depois que você nasceu eu prometi que não voltaria a ser. Contudo devido as atuais circunstancias você me obriga a jogar sujo.
_ Está sendo covarde eu sou apenas uma criança!
_ Ah, não me venha com essa agora mocinha. A senhorita está sempre por aí se pondo de menina crescida e intelectualmente evoluída. É mais esperta e audaz que muita gente com o triplo da sua idade e agora vai querer posar de pobre criança indefesa pra cima de mim? Logo pra cima de mim Ness? Talvez essa colasse com Bella se ela estivesse em um de seus dias mais sentimentais, mas agora, sem chance!
Nós dois permanecemos em silencio depois de meu pequeno discurso de mercenário. Nem eu acreditava nas palavras que saíram de minha boca até já tê-las proferido. Não que não fosse verdade, porque elas eram. Na verdade, acho que é justamente por isso que tudo que eu dissera se tornava ainda pior.
Estávamos sempre tão obcecados em infantilizar Renesmee e manter sua inocência intacta de tudo que havia no mundo que não notávamos ou fazíamos vista grossa para o mais obvio. Nunca daria certo. A muito sua inocência já fora duramente abalada. Lá a mais ou menos 3 anos quando os vampiros mafiosos tentaram mata-la e a todos nós. Daquele momento em diante a inocência de Nessie começou a descer em uma ladeira íngreme. E apesar de todos os nossos esforços para deter esse acelerado percurso só estávamos ajudando a acelera-lo. A mudança que a fez ter de dar adeus a tantas pessoas que ela amava. Meu sumiço repentino que quase a levou a loucura e a deixara com tantas sequelas terríveis, na verdade se alguém era responsável pelo aparecimento de Tony esse alguém era eu. Esse espírito de uma figa se aproveitara de um momento de fraqueza dela, o qual eu fora responsável para se aproximar.
Senti-me detestável. Mais uma vez aquele maldito momento de egoísmo meu trouxera mais uma mal a Renesmee. Bom, e ainda não podia esquecer dos tais sonhos que previam minha morte. Eu não me esquecera dessa parte. E duvidava que Nessie seria capaz de esquecer um dia.
Lagrimas grossas escorreram por sua bochecha e senti-me ordinário por ser responsável por elas. Nós nunca brigávamos tão seriamente assim e por mais que eu estivesse certo não diminuía a culpa que sentia por magoa-la.
_ Ness... Tentei me aproximar dela, mas ela fugiu de meu toque, o que só fez sentir meu coração ainda mais pesado.
_ Você está sendo egoísta e mesquinho e eu não quero te ver mais agora! Disse ela com a voz acida saindo da garagem com sua super velocidade.
Seu olhar de desprezo e raiva quase me puseram a nocaute, mas se vence-se no final valeria a pena. Se conseguisse afasta-la de Tony ter ela com raiva de mim por alguns dias valeria a pena. Eu podia aguentar isso, não podia? Sim podia. Ou assim queria acreditar. Não suportaria se minha medida de desespero fizesse com que ela me desprezasse para sempre.
Ela não tinha obrigação nenhuma de me amar embora o fizesse, mas eu sempre fizera o máximo para deixa-la feliz e satisfeita. E agora fora um verdadeiro cretino. Ela tinha todo o direito de me querer o mais longe possível, e eu não poderia fazer nada contra. Só poderia aceitar, porque "... um lobo imprinting sempre dá a seu imprinting o que ela quer...". Até que eu estava conseguindo fugir bem a regra com essa minha cruel imposição, mas talvez fosse apenas porque eu contava que ela cedesse no final, caso contrario seria eu a ir rastejando atrás dela implorando seu perdão. E que Deus me ajudasse, porque mesmo se ela me perdoasse, o clima entre nós não seria nem um pouco agradável...
Agora eu tinha conseguido o impossível. Tinha feito as duas versões de Renesmee, a verdadeira e a imaginaria a ficarem com raiva de mim. Eh eu estava sem sombra de duvidas muito bem apanhado.
Mas afinal de contas onde eu tinha amarrado meu burro?
Ou melhor, meu lobo?
