Título: O caçador e seu amor

Autor: Fabianadat

Co-autoria: Topaz Autumn Sprout

Betagem: Uma doida corrigindo a outra

Pares: Harry & Draco

Classificação: NC-17

Gênero: Romance/Drama/M-preg

Disclaimer: Os personagens e situações pertencem à JK Rowling, esta fic não infringe direitos autorais nem gera lucro.

****** A fic é SLASH/Lemon, ou seja, trata do relacionamento entre dois homens, e vai rolar pegação explícita. Se não é tua praia, NÃO LEIA!

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Extra 13 – O tempo passa, o tempo voa...

Novamente na estrada... Desta vez ele havia prometido que aquela seria a última missão tão longa e pretendia cumprir sua decisão.

Ficar longe de casa por tanto tempo fazia mal tanto para sua saúde quanto para seu coração.

Sempre acabava se entusiasmando pela culinária local e algumas vezes as consequências não eram muito agradáveis.

E o coração ficava sempre apertado. Dormir era uma dificuldade sem ter o marido ao lado e apesar das fofocas recorrentes por causa de sua notoriedade ele não fazia o tipo que procurava envolvimentos fora do casamento. Deuses! Ficar longe da família era sempre difícil, embora nesta época do ano os três filhos estivessem em Hogwarts.

E pensando na velha escola ele suspirou, repassando momentos rapidamente, como a paisagem que se descortinava num borrão colorido pela janela do trem.

Por Merlin! Ele estava envelhecendo... E sorriu ao lembrar-se da expressão horrorizada de Draco quando ele havia comentado isto em casa.

O loiro continuava lindo e o passar dos anos só o fizeram adquirir uma aura serena e traços mais definidos, mas a função de cremes e visitas ao SPA, bem como o já conhecido "sono da beleza" continuavam sagrados.

Ele também não havia mudado muito, talvez uns dois ou três quilos a mais, felizmente bem distribuídos, nada de cabelos brancos e nem rugas. Hermione sempre falava que a força de sua magia era em boa parte responsável por seu aspecto jovial, mas ele realmente não ligava muito para isto.

Suspirando acomodou-se melhor no banco confortável, viajar de trem sempre lhe trazia uma sensação de dejavú, e mesmo com os rápidos progressos dos transportes via chave de portal, cujos pontos de partida e chegada mais pareciam rodoviárias trouxas cheias de lojinhas e lanchonetes fast food, ele ainda preferia as velhas máquinas.

E o Oriente Express era mais que um trem, era quase um estilo de vida. Depois de passar por várias mãos, ter rotas alteradas e quase falir, os famosos trens voltaram à sua antiga glória; com uma ajudinha mágica da qual os trouxas nem desconfiavam.

Depois da limpeza no Ministério da Magia Inglês, apesar do sigilo da operação, Harry começou a receber solicitações de outros países para investigar operações suspeitas, tentativas de golpe de Estado e outras falcatruas.

Como conselheiro Ministerial, ele não queria se envolver nos problemas alheios, mas diante de tanta insistência ele compareceu a uma reunião, depois a outra, e mais uma...

Montou uma equipe de investigação com alguns membros da Nova Ordem da Fênix e vários caçadores, seguindo com a consultoria e viajando por toda a Europa com seus auxiliares.

Mas depois de quase ter seu casamento destruído por conta de tantas viagens, ele e Draco finalmente colocaram tudo em pratos limpos pouco antes de Bella ingressar em Hogwarts, e o casamento parecia mais sólido que antes.

Para a parte social e diplomática das missões, Draco era de grande valia, pois conhecia boa parte dos poderosos da Europa bruxa e seu nome garantia a entrada deles no fechado círculo dos puro sangue mais tradicionais, e o conhecimento profundo das leis e costumes mágicos havia poupado Harry de várias gafes imperdoáveis. O loiro roubava a cena nas recepções diplomáticas, pelo traquejo social, maneiras impecáveis, domínio de vários idiomas e é claro por sua beleza e elegância. Harry era respeitado por seus feitos e extremo poder mágico, mas na vida pública ele preferia que as luzes recaíssem sobre o marido, enquanto ele discretamente investigava os alvos.

Em poucos anos o "quase hobby" acabou sendo consolidado como uma das mais prestigiadas equipes de investigação mágica da Europa, e a fama dos Malfoy-Potter alcançou patamares internacionais, principalmente pelo ecletismo e seriedade de seus membros que transitavam sem problemas entre o mundo bruxo e trouxa.

Foi justamente durante uma destas investigações que veio a baila o Oriente Express. Parte dos vagões do famoso trem eram mágicos, então os trouxas entravam pela estação deles e os bruxos numa parecida com a famosa 9 ¾ . Mas por causa de roubalheira dos administradores dos dois mundos, a companhia estava prestes a falir. Depois das investigações finalizadas e uma nova diretoria empossada, a empresa foi aberta ao mercado de capitais, tentando arrecadar fundos para se reerguer. E foi neste momento que Draco decidiu que seria um investimento com boas possibilidades de lucro futuro. Greg Goyle também entrou no negócio e no rastro dele vários outros investidores resolveram apostar no tradicional meio de transporte. Algumas cabines eram magicamente ampliadas e o trem mantinha aquele ar de glamour e mistério que fizeram sua fama. As antigas rotas foram retomadas e ampliadas, facilitando o trânsito dos bruxos pela Europa e chegando até o oriente, incrementando o turismo e melhorando as relações entre as nações mágicas. Chaves de portal podiam ser muito práticas, mas andar de trem sempre teve um gostinho especial de aventura.

Desta vez, porém, Draco estava revisando uma auditoria imensa realizada no conglomerado de empresas dos Malfoy no mundo trouxa e Harry seguiu em missão numa das comunidades mágicas da velha Rússia, contaminada pela corrupção e ações no estilo de máfia trouxa, resultando numa sucessão de envenenamentos, desaparecimentos e assassinatos cruéis visando o roubo de artefatos mágicos antigos e poderosos.

Mesmo com as informações cedidas pelas autoridades locais e os relatórios de seu pessoal, foi necessário mais de um mês de tocaias e gravações até conseguirem alcançar os mandantes dos crimes.

Foi penoso, gelado e difícil; mas agora tudo estava resolvido. Em mais de um sentido...

Harry olhava as luzes que passavam pela janela de sua cabine e novamente pensava em sua família. Ele estava cansado, mas certamente um enorme peso havia sido removido de suas costas. A situação de Alfie agora estava definitivamente encerrada. E isto merecia uma comemoração especial a dois, mesmo que depois ele tivesse que dar uma longa explicação.

Agora sua alma estava realmente mais leve; tudo havia corrido conforme o planejado e traria benefícios a muitos necessitados. Felizmente o elo com os bruxos ingleses havia tomado um rumo bastante acertado e poucas vezes o casal precisava fazer valer o laço de obediência.

Pensar nos filhos sempre lhe trazia um sorriso aos lábios, eles eram seus maiores tesouros; todos dotados de magia forte e diferentes talentos. E sendo amigo próximo de Neville, ele sempre tinha notícias "extraoficiais" do que seu trio andava fazendo na escola.

Bella estava cursando o sexto ano. Com dezesseis anos, a proclamada rainha da Sonserina era considerada uma das beldades da escola. Soberana justa e astuta de voz suave e levando do pai loiro, além da cor dos cabelos, o famoso sorriso e o olhar congelante dos Malfoy.

Os olhos verdes normalmente calmos cintilavam num tom mais escuro ao ver injustiças desnecessárias e as azarações vinham diretas e certeiras.

Draco havia comemorado a seleção da filha para a Sonserina, mas no ano seguinte a aprovação dela como apanhadora do time de quadribol da casa o havia deixado nas nuvens e Harry também entrou na comemoração, que continuou pelos anos seguintes por conta das excelentes notas de Bella.

Os gêmeos cresceram e chegou a hora deles ingressarem em Hogwarts três anos após a primogênita.

O garoto loiro de sorriso tímido, um tanto agitado, amante da natureza e dos esportes, leitor voraz e pesquisador dedicado foi selecionado para a Corvinal; e a ruiva de travessos olhos verdes, sorriso fácil, gênio forte e um grande pendor para marotices foi para a Grifinória.

Neste mesmo ano tiveram a companhia do filho de Neville, Orrick, que foi para a Grifinória também, enchendo os pais e a bisavó Augusta Longbottom de orgulho. O menino parecia um querubim com os cabelos loiros e anelados, rosto redondo e um sorriso angelical, um pouquinho tímido, mas de personalidade firme e decidida.

Apesar de amar as plantas exóticas e animais mágicos, seu foco era científico e se o tirassem da paciência, ele fazia jus ao gênio esquentado e a língua ferina da bisa Augusta.

No ano seguinte, Eleanor se juntou aos Grifinórios e formou uma dupla inseparável com Amy, tanto que os mais novos chegaram a perguntar se elas eram irmãs, embora o cabelo de Amy fosse de um ruivo mais claro e entremeado de mechas douradas.

Mesmo com temperamentos tão diferentes, os três filhos felizmente se entendiam bem e adotaram a prima como parte do clã.

O filho de Jorge e Angelina havia entrado para Hogwarts junto com Eleanor, e prometia dar muitos cabelos brancos ao novo diretor da Grifinória, Neville Longbottom, pois o garoto moreno de cabelos crespos e avermelhados era da pá virada. Mas o verdadeiro teste para a solidez da escola viria dali a dois anos quando os filhos mais novos de Rony e Hermione completassem onze anos.

Os gêmeos Arthur e Richard certamente iriam estremecer as bases do velho castelo. Com o talento inventivo dos tios Fred e Jorge somados a inteligência da mãe, a dupla chegava a ser assustadora.

Rony ficava abismado com as peripécias dos filhos e Hermione sempre tão lógica e partidária da psicologia moderna, algumas vezes havia perdido a paciência e agido no mais puro estilo Molly Weasley, e os dois pestinhas precisaram sentar em almofadas por conta das chineladas magistralmente aplicadas nos traseiros.

Harry sorria lembrando a cara emburrada dos dois garotos num dos últimos almoços na Toca. Quando eles pediram almofadas para Molly, a senhora ao saber da traquinagem que havia originado o castigo, os mandou sentar no banco de madeira sem reclamarem e ainda passou um sermão daqueles!

Os dois haviam trocado a loção pós-barba de Rony por uma mistura de poções da Gemialidades, resultando num pai com o rosto verde e coberto de pústulas extremamente dolorosas. Mesmo depois da intervenção da talentosa mãe medibruxa, a pele ainda ficou levemente esverdeada por dois dias e Rony passou o sábado inteiro coaxando.

O ruivo havia sofrido nas mãos dos gêmeos, e seus caçulas pareciam uma versão ainda mais endiabrada daqueles dois. Arthur e Richard se definiam como "o upgrade definitivo dos genes Weasley", fazendo Rony jurar que o gênio de seus filhos havia sido uma praga de Jorge, com a bênção de Fred lá do além.

Jorge certamente teria sua cota a pagar. Seu Filho Fred II não ficava muito atrás dos filhos de Rony e adorava fuçar no laboratório da Gemialidades, mas Harry era perceptivo e flagrou os olhares preocupados do ruivo para sua pequenina, ele parecia prever que suas maiores dores de cabeça seriam por conta da caçulinha. Depois do primeiro filho, Angelina nunca mais engravidou, e quando desistiram de tentar, veio a surpresa de uma gravidez tardia. Molly ganhou mais uma netinha, de pele surpreendentemente clara, lindos olhos castanhos e cabelos crespos como molinhas de um ruivo vivo. A menina vivaz e tagarela tinha um sorriso traquinas com lindas covinhas, carregava a promessa de se tornar uma beleza rara e certamente fonte de confusão.

Harry novamente sorria lembrando as palavras da matrona ruiva para Jorge quando ele havia zombado dele e de Draco por terem sido pegos se agarrando no sofá pela filha ainda pequena: "Jorge, crianças são imprevisíveis e em se tratando de um filho seu tudo é possível. Então eu sugiro que você fique quietinho, o seu dia vai chegar".

Harry sorria ao relembrar as artes dos pestinhas de Hermione e lhe veio à mente uma cena do verão.

Todos estavam na Toca desfrutando de um piquenique com direito a jogo de quadribol, arremesso de gnomos e a liberdade de se empanturrar dos mais diversos quitutes providenciados pelos convidados. E foi neste dia que as filhas gêmeas de cinco anos de Pansy e Greg conheceram os gêmeos de Rony.

Para elas foi amor à primeira vista e para eles uma chateação, pois as meninas os seguiam para todos os lados, suspirando e dando risadinhas.

Quem diria que o mais feroz dos sonserinos seria um pai amoroso e derretido por suas princesinhas levadas? Era um contraste ver aquele homem enorme com braços que mais pareciam toras, consolar pacientemente a garotinha que caiu da árvore ou inacreditavelmente trançar o cabelo da outra filha. Greg era a prova viva de que as pessoas são capazes de mudar, e a sempre aristocrática e impertinente Pansy estava entretida numa conversa sobre feitiços domésticos e cuidados com os filhos na rodinha das mulheres Weasley.

Bella parecendo uma flecha prateada, voava zunindo pelo campo de quadribol improvisado se acostumando com a vassoura que havia ganhado ao chegar para as férias de verão, seguida de perto por Kai e Amy, arrancando suspiros assustados da vovó Molly e sorrisos dos pais.

- Nossa! Como era bom voltar para casa... - Pensava Harry enquanto a imagem de Draco naquele almoço, metido num jeans apertado, camiseta pólo branca e um par de tênis flutuava em sua mente. O loiro até podia desdenhar as roupas trouxas casuais, mas ele ficava um pecado ambulante vestido daquela maneira, e a única vontade de Harry era trancar-se com ele num quarto por horas a fio...

Conjurando um tempus surpreendeu-se ao notar que dentro de meia hora estaria em Londres. Tempo o suficiente para organizar as ideias e repassar a estratégia de sua surpresa para Draco.

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Em Wilthshire pela milésima vez Draco passava a mão sobre os olhos irritados. As frases dos papéis à sua frente teimavam em se embaralhar numa barafunda de letras sem sentido. Suspirando alto ele se esticou na cadeira e mirou o relógio mais uma vez.

Seis e quinze da tarde. Em breve a noite cairia, e por mais um dia ele não fazia a mínima ideia do paradeiro de Harry.

Haviam conversado há quatro dias e ele havia confirmado que as investigações na Rússia estavam finalizadas, os relatórios seriam entregues às autoridades competentes naquele mesmo dia e os prisioneiros seriam transferidos para uma prisão bruxa do círculo polar ártico logo após um julgamento sumário.

E no dia seguinte ele havia simplesmente se desvanecido no ar. A conta do hotel fora encerrada e a única informação era de que ele havia partido no início da manhã.

O celular acusava como fora da área de cobertura e a chamada pelo bracelete também não funcionava.

- Onde raios o moreno estava? - Sua única conclusão para o sumiço era que Harry poderia estar numa encrenca da pesada, pois felizmente o laço de servidão com aquele que não devia ser mencionado fora rompido há quase dois anos atrás.

E a lembrança dos fatos e conversas com Harry que culminaram na quebra do elo com Bolton voltaram à sua mente.

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Flashback...

Augustus observava o homem que ainda considerava como seu pupilo andar de um lado para o outro pela sala que havia miraculosamente escapado da reforma radical que Draco havia feito na antiga casa de Sirius.

Aquele era o refugio de Harry na Mansão Black, só Augustus – logicamente os outros quadros - e Monstro sabiam de sua existência, porém estavam proibidos por magia ancestral de revelar a localização do aposento a qualquer um que não fosse o legitimo dono da residência. Assim, mesmo Harry estando casado com Draco, um Black por direito sanguíneo, o legitimo dono ainda continuava sendo ele por força de herança mágica, que seria passada para seus filhos.

Ao deslizar de um painel de madeira próximo da biblioteca, revelava-se um pequeno corredor com uma porta belamente entalhada que após reconhecer o dono da casa dava acesso a um cômodo de tamanho mediano, limpo, agradável e iluminado por magia; onde uma estante contínua cobria quase todas as paredes do chão ao teto. Num dos lados uma imensa mesa e uma poltrona, um tapete persa um tanto puído, mas limpo cobria parte do chão de madeira escura; um pequeno bar bem suprido e a janela mágica que agora mostrava a perfeita ilusão de uma tormenta épica, refletindo a perturbação interior do caminhante e grossas cortinas em tom verde musgo a ladeavam.

Ali, naquele recôndito que quase estivera fadado ao esquecimento, estavam livros que teoricamente haviam sido erradicados da face da terra. Livros perigosos, que tratavam de magia antiga em suas paginas, magia que ia contra a própria natureza da vida, da existência.

E os passos cadenciados continuavam. De sua moldura o homem de expressão severa e cabelos negros fitava a evolução com certa simpatia.

Sobre o tampo da mesa estavam três livros abertos: um deles falava sobre um encantamento que deveria ser usado juntamente com uma poção, o segundo descrevia a poção mencionada no primeiro livro, e o terceiro também era sobre poções, neste caso uma que não necessitava de feitiço para acompanhá-la.

Harry resmungava para si: - Que droga! Por que sempre era tão complicado quando se tratava de vidas humanas? Por pior que fosse a criatura e por mais hediondos que fossem os crimes cometidos, ainda era uma vida... Deveria ele oferecer uma alternativa ilusoriamente benéfica? Ou deveria simplesmente decidir o destino de outrem? - Seu coração se dividia em direções opostas. Ele sabia do sofrimento do outro, conhecia as agruras pelas quais o homem tinha passado e havia visto o que a dor, sofrimento e humilhação haviam feito com a alma dele, que estava tão deformada ao ponto de não existir mais retorno.

Por fim Augustus resolveu falar: - Converse com seu marido garoto, mostre os livros a ele. Você sabe que isto o afeta, mesmo que ele procure não demonstrar.

Harry suspirou profundamente apoiando a testa no vidro da janela, fitando a ilusão de tormenta que se desenrolava do outro lado. Era tão perfeita que até o vidro estava frio e embaçava com sua respiração. Augustus estava certo, só restava a ele conversar com Draco sobre o assunto, mas antes ele tinha algo a fazer, e não seria agradável.

Um arrepio o percorreu quando aquela lembrança enterrada tão fundo flutuou em sua mente. Balançou a cabeça para enterrá-la mais uma vez, porém faria o necessário para provar seu ponto de vista.

Conjurou uma penseira simples, adornada com algumas inscrições rúnicas e sem nem olhar em sua direção, fechou os olhos se concentrando e logo um fiapo prateado saiu de sua têmpora e foi em direção ao recipiente onde um líquido prateado rodopiava tranquilamente, e outras lembranças se juntaram à primeira.

Então com as lembranças que agora flutuavam na penseira, ele decidiu que estava na hora de falar com Draco. O fardo desta responsabilidade pesava em seus ombros, porém desta vez a decisão seria do marido.

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Naquela mesma noite, durante o caprichado jantar servido por Monstro, Draco arqueou inquisitivamente uma sobrancelha ao notar algo nas entrelinhas da conversa trivial sobre as ocorrências no Ministério, sobre os filhos em Hogwarts e as últimas fofocas da sociedade. O loiro não queria estragar o clima descontraído do jantar, mas nada o impediria de decifrar aquele mistério depois.

Ninguém pode dizer que um Malfoy não sabe ser suave, pois apesar da pergunta direta o tom foi baixo e sussurrado ao pé da orelha do moreno numa voz ronronada que em outra ocasião teria arrancado um gemido como resposta: - O que houve Harry?

Acomodados num sofá de dois lugares na sala particular de Draco na mansão Black, o loiro recebia um gostoso cafuné do marido. Eles pareciam dois jovens enamorados e se levassem em conta a longevidade dos bruxos, bem, eles ainda eram bastante jovens como Draco adorava ressaltar.

Na mesinha ali perto um bule de café lançava no ar o cheiro aromático da bebida, e um cálice de xerez pela metade rebrilhava na taça de fino cristal deixando entrever o tom avermelhado da bebida.

O moreno não respondeu de imediato, prolongando o momento de descontração, sem se apressar. Mas por fim falou: - Eu quero que você veja algo e depois escute o que tenho a dizer, sem críticas nem preconceitos e conforme for, depois nós conversaremos.

Draco aquiesceu com um leve movimento de cabeça se ajeitando no sofá depois de mais alguns momentos de afagos nas madeixas argentinas.

Harry apontou para mesa do loiro e num instante a penseira com as inscrições rúnicas apareceu em meio aos objetos pessoais dele. O moreno levantou e foi em direção à porta pondo a mão na maçaneta de prata belamente cinzelada.

- Leve o tempo que achar necessário, estarei na biblioteca. – A porta se fechou sem fazer ruído e o loiro se pegou olhando com um ar de dúvida para a penseira.

Sentando-se em sua confortável poltrona atrás da mesa, inconscientemente tocou o estranho bracelete onde quatro palavras ainda bailavam, mas sem a mesma pressão de antes; Harry o tinha ajudado até que ele chegou a uma convivência pacifica com aquele laço, e a tentação do poder tinha perdido seu encanto. Inclinando o corpo para frente e sem pensar muito, adentrou nas lembranças que Harry queria compartilhar.

Humilhação, dor e sofrimento. Foi o que presenciou.

Por longos minutos o loiro viu o resumo de como uma vida podia ser cheia de sofrimento desde a mais tenra idade.

Ao sair da penseira seu olhar refletia emoções desencontradas.

A enorme crueldade impetrada por quem deveria cuidar e amar, uma alma destroçada pela falta de carinho, pelas humilhações e abusos constantes. Dor, desonra e degradação.

Na infância sofrendo os martírios impostos pelos pais, e quando adulto dispensando o mesmo tratamento a outras crianças.

O estomago de Draco revirou ao lembrar a expressão desesperada da criança amarrada na cama enquanto a mãe olhava com uma expressão de luxúria a cena do pai estocando fundo no corpo pequeno e frágil, - Mãe, mãe, faz ele parar... - os gritos de socorro na voz infantil, às lágrimas abundantes descendo pela face inocente. Cada vergonha e humilhação sendo gravadas a fogo na mente daquela criança.

Draco sentindo-se enjoado com as cenas presenciadas afastou a penseira e apoiou o rosto e as mãos na sólida mesa de madeira, buscando apoio. - Merlin! Como puderam fazer aquilo com o próprio filho? Sangue do próprio sangue? Como alguém é capaz de despedaçar tanto a alma de uma criança? – Então esta era uma das maneiras de se criar um monstro? Crianças carregavam a pureza do mundo em si! Como puderam aviltar um amor incondicional até que se transformasse em loucura e completo desprezo pela vida humana? E depois de adulto seria justo descontar nos outros o peso das humilhações sofridas?

Ele ouviu em sua mente o choro da criança que era obrigada a chupar a mãe enquanto seu pai o penetrava rasgando o pequeno corpo forçando com as mãos a abertura máxima das nádegas muito brancas, o som de seu choro quase sendo encoberto pelos risos e gemidos dos adultos, a mão da mãe agarrada no cabelo macio empurrando a cabeça do menino e o obrigando a dar mais e mais de si para comprazê-la. Ao lado da cama os elfos da casa eram obrigados a assistir ao terrível ato, e por fim eram as humildes criaturas que cuidavam do pequeno senhor, se desdobrando para confortar a criança machucada de corpo e alma. As feridas da carne cicatrizavam, mas as da alma permaneceram abertas e sangrando por toda existência dele.

E depois a cena já como homem feito retalhando lentamente uma criança trouxa com um feitiço seccionante. Os gritos de dor repercutindo nas paredes de pedra de uma masmorra, o sangue encarnado e vivo descendo abundante da ferida aberta. Na face do adulto a exultação pelo sofrimento imposto refletida no sorriso quase maníaco de contentamento, os gritos da criança suprimindo e se sobrepondo aos que ressoavam em sua cabeça minimizando o sofrimento da criança que ele trazia na lembrança.

Uma mente distorcida e moldada com o mais puro requinte de desumanidade, uma alma sedenta de vingança a qualquer custo... Na visão de Bolton, todas as faces infantis refletiam a sua, e vê-las sofrer mitigava ainda que de forma efêmera a própria dor. Na criança acorrentada em sua mansão à beira-mar, a magreza entrevista pelos farrapos restantes das roupas trouxas, acuada como um bicho num canto da cela, o corpo marcado pela brutalidade sofrida, uma visão sublime para Bolton que era sobreposta por uma de si mesmo nu e amarrado numa arvore durante uma tempestade como castigo por ter mordido o "pai" numa das muitas seções de abuso, os cabelos emaranhados, cheirando a fezes e urina, uma chaga no lugar onde a corda estava presa no pé o atando a arvore ancestral, e para se cobrir a pobre criatura de nove anos contava apenas uma manta puída, quatro dias sem comer o beber nada. Torturado e abandonado até quase morrer.

Então surgiu Voldemort, com a promessa de vida nova, de salvação dos seus demônios interiores. Uma solução que se mostrou tão ruim quanto a convivência com os pais depravados. Mais dores, sofrimentos e humilhação, ainda que neste caso só ele e o Lorde tivessem conhecimento do ocorrido. E Draco imaginava o esforço hercúleo que deveria ser ter a obrigação de se excitar estando numa cama com Voldemort.

A mente do loiro rodopiava com tantas lembranças o assaltando ao mesmo tempo. Bolton era uma colcha de retalhos psicótica, misturando sofrimentos e abusos sofridos e cometidos. Vitima e algoz, uma dualidade de desespero e loucura.

Mas o sofrimento passado redimia o que ele tinha causado?

Era terrível demais, doloroso demais, asqueroso demais.

O estomago do loiro dava cambalhotas a cada lembrança que teimava em lhe queimar nas pálpebras, e a cabeça começou a dar pontadas doloridas.

Como Harry conseguia suportar a carga daquelas lembranças pavorosas? Era como se carregasse dois passados na mesma alma! E depois de ver as lembranças de Bolton, será que sua opinião sobre o homem mudaria?

Estava na hora de ordenar o caos que lhe confundia e colocar os pensamentos em ordem, pois Harry havia solicitado sua ajuda e o aguardava na biblioteca.

Com passos comedidos o loiro singrou até onde estava o moreno, abrindo a porta, a diferença de pressão fez as chamas na lareira dançarem e as sombras projetadas perderam por alguns segundos suas formas.

Na poltrona um pouco distante da lareira o moreno balançava quase alheio um copo com uma dose de uísque dourado que girava lentamente, sem gelo. A silhueta recortada pela luminosidade alaranjada projetava um espectro alongado, e mesmo de onde estava Draco viu que os olhos dele estavam fechados, nenhum movimento denunciava que o moreno tivesse percebido a sua chegada. No copo o liquido dourado refulgia no toque sereno da luz da madeira queimando.

Sentando-se na poltrona oposta a de Harry, entrou no clima de silêncio calmo e companheiro, seu cálice de xerez subitamente apareceu sobre a mesinha de centro mas o loiro não fez menção de pegá-lo e depois de alguns minutos de contemplação relaxou e também fechou os olhos.

-Algumas vezes tive que usar as lembranças que você viu contra ele. – a voz modulada do moreno foi baixa, mas pela pouca distancia entre eles audível. – Não é desejo ou amor que o mantém atado a mim. É a completa e absoluta dominação. Cada tentativa de resistir ao laço ou a alguma ordem minha, trazia à tona alguma lembrança que ele odiava. E eu usei isso muitas vezes, até que ele cedesse e se entregasse completamente.

Draco não retrucou, sentiu que de algum modo aquilo era um desabafo para Harry, e continuou quieto.

-Meus tios foram cruéis comigo... Mas minha tia uma vez me salvou, e eu sou grato a ela. – houve uma pequena pausa – Nunca contei isto a ninguém, nem mesmo Severus com suas aulas torturantes de oclumência conseguiu acessar esta parte de minha vida – nova pausa - Quando eu tinha uns oito anos, meu tio Valter começou a entrar no meu quartinho debaixo da escada, nas primeiras vezes ele só abria a porta e ficava lá parado me olhando, e eu fingia que dormia.

Um toco de madeira estalou na lareira prolongando a pausa.

-Um dia ele me tocou... Mas um barulho na escada o assustou e ele foi embora – O coração de Draco já martelava as costelas a essa altura – Então ele voltou noite após noite, os toques se tornando cada vez mais ousados, alguns deixando marcas roxas em meus braços e pernas, e minha tia quando as notou me castigou por estar brigando na escola. Por fim, mais confiante, ele se deitava sobre mim se esfregando e gemendo obscenidades, mas eu sempre fingia dormir, e sentia medo do que ele fazia. Certa vez quando ele desabotoava meu pijama, tia Petúnia o chamou do alto da escada, na pressa de se levantar ele bateu a cabeça no batente da porta e não conseguiu evitar um gemido de dor. Depois eu ouvi a voz da minha tia perguntando, muito desconfiada, o que ele estava fazendo ali tão tarde.

As mãos de Draco seguravam com força nos braços da poltrona, o loiro fazia de tudo para sua respiração não se tornar rápida e denunciar a comoção que o sacudia.

-Depois deste dia as demandas de minha tia foram cada vez mais pesadas, e toda noite ela me olhava de jeito estranho e me trancava levando a chave que mantinha presa numa corrente no pescoço. Passei a ser castigado por meu tio por coisas cada vez mais tolas como colocar o talher de maneira incorreta na mesa ou deixar o Duda com raiva. – houve uma pequena pausa – E meu primo sempre tinha raiva...

Uma risada claramente sem humor algum se fez presente na sala.

- Muito tempo depois eu percebi do que minha tia, ainda que de forma grosseira, havia me protegido. Procurei entender um pouco da raiva dela para comigo, e meu tio nunca mais rondou meu cubículo depois daquilo.

Draco se recusava a piscar, ele sentia as lagrimas em seus olhos, mas não permitia que elas rolassem.

-Depois que compreendi o que quase aconteceu comigo, me questionei que tipo de pessoa eu seria se Valter realmente tivesse me violado. Teria gritado ou sofrido em silencio? Teria reagido e me tornado um predador? Teria aceitado e me fechado num mundo à parte?

Draco perdeu a batalha e de sob as pálpebras fechadas as lagrimas correram.

-Quando tive acesso às lembranças de Bolton, e vi todo o sofrimento pelo qual passou não pude evitar de me comparar e me questionar. Será que eu seria devorado por esta mesma escuridão? Ou eu superaria o caso e seguiria em frente? Se é que há superação para uma coisa dessas... – A madeira estalou na lareira e uma pequena nuvem de fagulhas subiu – Eu não consegui responder a essas perguntas Draco, e isto me fez ver Bolton por outro ângulo, mesmo não aceitando as coisas que fez.

Mesmo com as lagrimas escorrendo pela face o loiro se negava a piscar, os olhos ardiam sob as pálpebras, e uma raiva cega latejando por dentro, em sua memória estava profundamente marcada a lembrança da primeira vez que viu Harry no banquinho ao lado do seu na loja da Madame Malkin. Tão pequeno e mirrado, as roupas enormes e gastas dançando no corpo miúdo, e os olhos intensamente verdes por detrás daqueles óculos medonhos. Um menino tímido que o escutou falar sem quase retrucar. - Por todas as deidades, uma criança daquelas não teria a mínima chance contra um adulto! - Respirar estava difícil. Merlin! Ele tinha que se acalmar! Afinal o pior não tinha acontecido, a tia trouxa de um jeito ou de outro havia impedido o marido de alquebrar ainda mais aquele garotinho tão sofrido. Mas era óbvio que as lembranças ainda o machucavam e o impeliam a interceder por Bolton.

- Não suporto mais manter Bolton neste limbo.

Nunca antes os dois tinham conversado sobre o elo de Harry com Alfie tão abertamente, mesmo sabendo da existência do outro, Draco evitava aquele assunto ao máximo, mas agora era inevitável. Controlando-se, Draco se forçou a parar de chorar, era hora de ajudar o moreno e não de se emocionar. O elo matrimonial emanava a necessidade do outro.

-Eu pensei muito Draco, por longos meses. Assim como eu, você viu o martírio que foi a infância de Alfie. Ele simplesmente não teve a chance de ser diferente do que é. Mas será que isso justifica as atrocidades que ele cometeu? – Draco ouvia com cuidado tudo o que o marido dizia, e estava certo desde o começo, aquilo era um desabafo. – Quero acabar com o elo de servidão, mas não posso abandoná-lo. Seria uma temeridade deixá-lo sem controle e independente do que ele fez, também é uma alma sofredora e deve ter direito a alguma paz.

O loiro sabia que ainda não era momento de intervir e por isso guardou silencio.

-Eu sei que este elo te afeta Draco, mesmo que você nunca tenha comentado nada, e eu te agradeço por isto. Sei também que não é justo te pedir ajuda, pois o laço foi firmado muito antes de ficarmos juntos, mas te devo respeito e consideração por ter aceitado esta situação de forma tão estoica. Nem mesmo Rony e Hermione sabem disso. Eles nunca imaginariam que eu seria capaz de conjurar algo desta natureza e certamente ficariam horrorizados, achando que eu cheguei perto demais de ser como Tom Riddle. - As palavras saíram num tom engasgado, como se custasse ao moreno colocar para fora algo que tanto o incomodava.

- Você não é Voldemort Harry. Nunca foi e nunca será. – rebateu o loiro mais calmo, deixaria para pensar depois sobre aquele fato novo na vida de Harry. Mas alguém iria pagar, ah iria sim. – A diferença entre vocês sempre residiu no "querer" o poder, e nós dois sabemos que você não quer. Isto basta. - O moreno aquiesceu. O copo de uísque foi e encontro aos lábios e ele sorveu um gole da bebida que desceu queimando levemente, apreciando a gama de sabores deixada em seu rastro.

- Eu entendi que Bolton seria o nosso foco, já que você me mostrou as lembranças dele, e sei que deve ter algo em mente. Posso dizer que os atos de Alfie foram um tipo de justiça distorcida no estilo da Lex Talionis. Se o que ele passou justifica as atrocidades que cometeu? Realmente não sei responder depois de tudo o que vi, mas como diz o velho ditado "a fruta não cai muito longe do pé"; os pais dele eram dois depravados e a genética tem seu peso, mas justificar os atos sádicos... - Merlin! Seria uma discussão infinita. - Então vamos direto ao ponto. O que você quer de mim?

Mesmo naquela situação delicada o loiro ainda conseguia desanuviar o ambiente usando de lógica e uma calma estudada, fruto da criação aristocrática recebida.

Harry respirou profundamente e apoiou o copo de uísque na testa.

- Desta vez eu não posso tomar a decisão sobre este assunto, não tenho o discernimento necessário para isso. E sendo assim tenho duas opções para te apresentar, e que quero de você escolha entre uma delas ou...

- Ou... – Draco o incentivou a falar sentindo a hesitação na voz do moreno.

- Ou pense em algo diferente, mas com a mesma finalidade.

Era reconfortante saber que Harry depositava total confiança nele, a quebra de um laço de servidão poderia deixar sequelas no conjurante, e mesmo assim Harry se dispunha a deixar esta importante decisão em suas mãos. De maneira alguma que o decepcionaria.

- Eu aceito.

Do moreno ouviu um suspiro, parecia ser de alivio, mas não teve certeza.

Na lareira, a madeira estalou levantando fagulhas, com o canto do olho, sem realmente prestar atenção Draco viu surgir sobre a mesinha entre eles três livros abertos de aparência antiga, mas bem conservados.

Com cuidado o loiro leu as partes claramente marcadas, e enquanto lia seus olhos se arregalaram de susto e medo com o teor daqueles tomos. Naquelas linhas estava exposta a mais pura perversão da magia.

Draco levantou os olhos para o moreno, que continuava fitando lareira, e num gesto levantou o copo num brinde solitário.

- Bem vindo ao meu inferno interior, Draco.

-Merda! - Pensou o loiro voltando os olhos para os livros.

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O palacete à beira mar era tal qual o moreno havia descrito: uma obra prima da engenharia. Os portões se abriram permitindo que ele entrasse a brisa salgada agitando as vestes bruxas ao seu redor. E ao fundo o som das ondas batendo contra o paredão de pedras fechava a paisagem litorânea.

Já fazia dois meses desde a conversa com Harry; as poções descritas nos livros eram complicadas e os ingredientes dificílimos de serem encontrados, mas nada que um bom punhado de galeões não resolvesse.

A porta abriu sem ser tocada, e seguindo as indicações do marido chegou até o escritório pessoal do único habitante da mansão. Conforme a etiqueta anunciou sua presença com duas leves batidas na porta, pois certamente o outro sabia da sua chegada e o aguardava.

De costas para ele e fitando a paisagem que se descortinava pela imensa janela, a silhueta de Bolton era recortada pelos filetes de luz que se filtravam pelos vidros. Altivo e dono de um belo corpo ressaltado pela túnica de corte reto e simples, o homem obstinadamente se recusava a encará-lo.

Draco não precisava ver o rosto dele para certificar-se da beleza, assim como podia sentir na pele que sua presença não era bem vinda.

Sem se preocupar em cumprimentá-lo andou até a escrivaninha de madeira escura, onde alguns documentos jaziam em pilhas perfeitamente arrumadas. No centro da mesa depositou dois pequenos frascos etiquetados, e um deles trazia preso um pergaminho explicativo.

Voltou sobre seus passos até a porta que havia ficado aberta, não eram necessárias cortesias e delongas.

- Você tem até às seis horas da tarde de hoje para tomar uma decisão. – e saiu fechando a porta atrás de si.

Harry havia comentado que o deque sobre o penhasco tinha uma vista maravilhosa. E foi para lá que o loiro seguiu.

Dizer que as horas se arrastaram seria uma inverdade. Na pérgula sombreada que ficava num dos lados do deque, Draco montou um escritório de viagem, trabalhando concentrado ele analisava vários documentos de seus contatos empresarias, e nem mesmo os gritos que volta e meia chegavam até ele vindos do interior da residência ou o som de explosões o distraíram. Tão pouco os pergaminhos fujões que insistiam em esvoaçar na brisa marinha.

Um elfo vindo direto de sua mansão o manteve devidamente alimentado, sem contar as deliciosas bebidas refrescantes das quais foi servido ao longo do dia.

Sua magia sentia as oscilações magicas mais intensas vinda da casa, mas ele nunca foi ameaçado.

O sol dirigiu-se para o horizonte e a inquietação só começou a tomar conta do loiro quando a quietude tomou conta da mansão.

Seus olhos não conseguiam mais se fixar nos pergaminhos à sua frente, e mesmo sem querer sua atenção estava voltada para a residência tentando captar algo, mas tudo parecia estranhamente sereno. E a muito custo se conteve para não entrar na casa antes do horário combinado.

Com a atenção dispersa, conjurou um Tempus e caminhou até a mureta de proteção. Seu olhar se perdeu na vastidão do mar, inspirando a humildade e lhe dando a dimensão exata de ser apenas um grão de poeira flutuando na imensidão do globo terrestre.

Inalou profundamente o ar salgado e soltou os cabelos que logo foram tocados pela brisa, fazendo as mechas loiras dançarem por seus ombros e ele se distraiu a olhar as gaivotas que voltavam de sua pescaria diária.

Um tremor em sua varinha lhe avisou que o prazo de Bolton tinha acabado. Era o momento de descobrir o que ele havia decidido.

O palacete estava parcialmente destruído, encantos poderosos haviam derrubado paredes, detonado parte do piso e revirado moveis, a escada que dava acesso aos andares superiores também estava no chão.

Caminhou pelo meio dos destroços até a sala particular de Bolton, cuja porta estava pendurada precariamente pelo que restou das dobradiças e o interior da sala parecia ter sido varrida por um furacão: moveis quebrados, janelas estilhaçadas, livros rasgados,...

E ali, em meio aos caos, o resultado da decisão de Bolton o aguardava.

Dois pequenos frascos sobre a mesa. Um era um veneno poderoso, garantia uma morte livre de qualquer sofrimento e o outro proporcionava uma nova chance. A mente seria apagada e Bolton voltaria num novo corpo, como um animal da escolha dele, fazendo o uso conjunto da poção com um encantamento de transfiguração.

Draco pensou durante dias sobre o caso e a difícil tarefa de decidir sobre a vida de outra pessoa. Por fim resolveu que a decisão deveria ser tomada pelo maior interessado, Bolton.

Em meio ao caos da sala estava um filhote de cachorro adormecido e enroscado sobre si mesmo no estofamento daquilo que parecia ter sido uma poltrona. A forma que Alfie havia escolhido para findar seus dias terrenos.

Draco recolheu o pequeno filhote e se retirou da mansão, sem se voltar para ver a suntuosa moradia ser consumida pela destruição, e a magia que protegia a casa dos olhos trouxas se desfez restando somente uma montanha de ruínas.

E a família Malfoy-Potter ganhou mais um agregado.

O cãozinho desde o primeiro dia demonstrou uma clara preferencia por Harry. Mesmo sem nenhuma memória da sua vida anterior, a devoção canina era focada no chefe da matilha, seu eterno mestre e senhor.

A veterinária trouxa reconheceu o filhote como sendo um Afghan Hound. Uma raça bela e exótica, que do filhote trapalhão com pelos que mais pareciam uma estopa e focinho curto, ao crescer transformou-se num cão elegante, expressão altiva e um tanto desdenhosa, a pelagem cor creme era longa e exuberante exigindo cuidado constante para se manter vistosa.

Bastante temperamental, atendia aos comandos ainda que contra a vontade, dispensando aos humanos um olhar arrogante que por vezes arrancava risadas, mas devoção total só a Harry e a afeição entre os dois era visível.

Draco deu-lhe o nome de Kerberus, o guardião dos mundos inferiores. Seus filhos adoravam o cão, que os respeitava. Mas os impávidos pavões albinos o abominavam.

Quando a conexão entre mestre e servo se rompeu, a magia de Harry sofreu um abalo que o deixou de cama por alguns dias, mas felizmente o core mágico se estabilizou e a sombras da alma de Alfie que tanto atormentavam o moreno finalmente desapareceram.

Draco suspirou ao relembrar os dias tensos logo após a decisão de Bolton. Por Morgana! Parecia ter acontecido há seculos, quando na verdade em breve fariam dois anos da decisão de Harry. Mas logo uma outra memória veio à tona:

Do seu posto, ele tinha uma boa visão do espaço aberto à sua frente e seus olhos seguiam uma cena divertida.

Harry montado na vassoura voava baixo pela campina, e em seu encalço um cão de aparência exótica tentava alcançá-lo a todo custo. Guiando a vassoura com perícia, o moreno mantinha uma distância que instigava o animal a continuar com a perseguição. O cão era ágil, mas não era páreo para uma vassoura encantada.

Mas com uma parada súbita Harry teatralmente caía da vassoura e a perseguição continuava em solo firme onde o animal com um salto poderoso derrubou o dono no chão latindo de forma agitada e alegre. – Arfh! Arfh!

A visão dos dois brincando lhe trazia de volta a figura do filhote desengonçado que ao crescer havia se transformado naquele animal de rara beleza.

-Ei, vocês dois, já esta na hora de voltarmos. – Draco bateu em suas roupas de voo retirando alguns fiapos de grama.

A dupla parou de brincar e em perfeita sincronia caminhou na direção do loiro. Harry suado e risonho e Kerberus com a pelagem toda alvoraçada.

-Merlin bendito! – gemeu ao ver os inúmeros talos de mato e grama enroscados no longo pelo do animal, alguém iria passar um longo tempo escovando aquela peste, e certamente não seria sua tarefa!

Abraçado pelo moreno, Draco ganhou um beijo rápido na boca e recebeu do cão um olhar superior e entediado. - Bicho ciumento! - Pensou ele. - Mas afinal a fidelidade canina era assim mesmo.

Final do flashback

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Voltando ao presente e limpando a mente, Draco tentou mais uma vez se concentrar nos papéis à sua frente, e de quando em quando os olhos teimavam em mirar o relógio.

Depois de quase uma hora nesta batalha inglória, faltavam apenas algumas páginas para ler, e sua paciência estava por um fio quando ele ouviu o barulho de passos no corredor sentindo a presença do marido. - Aquele desgraçado iria pagar pela ousadia de deixá-lo sem notícias, acabando com seu sossego!

Harry sentiu a aura de negatividade se irradiando do loiro enquanto ia ao seu encontro, e ao entrar no escritório viu quando ele ficou de pé lançando a cadeira longe e sacou a varinha parecendo determinado a lançar um bom par de maldições antes mesmo de ele ter a chance de abrir a boca.

Não foi fácil desviar das azarações e chegar até Draco. Quanto mais irritado, mais perigoso o loiro ficava, felizmente o escudo de proteção aguentou firme e era inegável que sua superioridade física facilitou a dominação.

Do mesmo modo que o marido não lhe havia dado a chance de se explicar, calou os protestos dele com um beijo possessivo, e o gosto de sangue se infiltrou na carícia quando o loiro o mordeu violentamente no lábio, mas Harry não desistiu. Draco se retorcia tal qual uma serpente tentando se libertar de seus braços; o moreno fechou os olhos e com um pouco de concentração invocou um clone.

O marido estava tão empenhado em se soltar que só percebeu que algo se passava quando sentiu alguém se encaixar nas suas costas mordendo sua nuca carinhosamente enquanto um novo par de mãos, que não deviam estar ali, abria caminho por entre suas vestes até chegar ao fecho de sua calça.

Surpreso girou a cabeça para o lado e ficou estático ao dar de cara com outro Harry e ao que parecia estes estava completamente nu.

- Mas o que é is...

Não teve tempo de completar a frase, sua boca foi tomada num beijo voraz por este Harry extra e seu corpo foi girado firmemente de frente para ele. Suas calças a esta altura já estavam no chão e suas vestes bruxas logo iriam tomar o mesmo caminho com botão após botão sendo diligentemente aberto, expondo assim seu corpo às caricias dos dois que o acossavam. Enquanto um retirava suas roupas e atacava a boca o outro lhe enchia as espáduas de beijos e arranhava seu ventre delicadamente até chegar ao seu pênis que começava dar sinais de estar interessado na situação.

Em sua cabeça inúmeras perguntas giravam, mas nenhuma saía de seus lábios ocupados em retribuir os beijos. Quando a mão cerrou-se sobre sua quase ereção as pernas ameaçaram falhar e ele acabou se escorando no corpo atrás de si.

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Harry havia descoberto o feitiço de duplicação num antigo manuscrito traduzido do grego clássico. O tal pergaminho havia sido apreendido junto com um carregamento de poções ilegais há alguns meses em Chipre, mas as autoridades bruxas Cipriotas não se interessaram pelos papéis e pediram que o moreno desse a eles o destino que lhe aprouvesse. Depois de estudar com cuidado os prós e contras daquele feitiço tão perigoso resolveu experimentar. Só magos com extremo poder conseguiriam criar e manter um clone, ou no caso, um homúnculo, uma cópia perfeita de si mesmo, com os mesmo pensamentos e desejos. Se o clone percebesse uma fraqueza no criador poderia tomar seu lugar, o destruindo. De inicio Harry tomou precauções mágicas, resguardou suas lembranças dolorosas numa penseira e escudou a mente antes de conjurar os clones. E numa das inúmeras conversas com eles teve a ideia de fazer uma surpresa para Draco. Nenhum dos clones discordou da ideia e vontade de seu criador.

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A boca do loiro foi deixada pelo moreno da frente e tomada pelo de trás, um caminho de fogo começou a ser desenhado por seu corpo, seu ventre se contraia a cada beijo e ou mordida, a mão começou a bombear a sua carne dura e inchada, e o Harry à sua frente foi se abaixando. Quando um beijo foi depositado na cabeça do membro seus olhos se fecharam e ele gemeu dentro daqueles lábios que o devoravam, enquanto uma boca tomava conta de sua ereção.

O corpo atrás de si se afastou por um momento, mas logo voltou, ou isto foi o que lhe pareceu. Abrindo os olhos por um instante, imerso na névoa de paixão e luxuria que o rodeava, notou que um terceiro Harry, devidamente vestido, levantava e posicionava a sua poltrona de modo a ter uma boa visão da cena que se desenrolava.

- Que loucura era aquela? - Sua mente confusa questionava, mas um dedo descendo lentamente por entre suas nádegas empurrou a indagação para longe.

A língua brincalhona subia e descia por seu membro teso e pingando de tanto prazer, a glande recebia atenção especial, a língua morna a rodeava e os lábios úmidos a sugavam carinhosamente, e seus quadris se ergueram em busca de mais contado com aquela boca. Draco gemia desesperado pelo dedo que deslizava por sua entrada, juntando isso a boca que o sugava gulosamente seu pênis ele estava no céu. Olhando pra baixo tudo que podia ver eram os cabelos negros desgrenhados e os ombros largos do moreno e sentir o calor do corpo colado às suas costas bem como a respiração acelerada dele em sua pele suada que o fazia arrepiar-se todo.

Seu corpo começou a estremecer, a boca acelerou o ritmo, o moreno que estava às suas costas dava chupões em seu pescoço enquanto as mãos trabalhavam diligentes por seu corpo. Um dedo envolto em algo cremoso e frio acariciou mais uma vez a sua entrada que piscou desejosa e então sua semente verteu, todo seu corpo tremia, a garganta se arranhava com os gemidos roucos, as mãos agarram aqueles cabelos negros que tanto amava, e o orgasmo obscureceu os sentidos entorpecendo sua mente e ele ficou apoiado no moreno de trás sentido o calor que emanava da pele de encontro a sua.

O barulho de algo caindo no chão chegou até ele, um dos Harrys estava afastando tudo de cima da mesa; penas, tinteiros, canetas, blocos, luminária e documentos. Um pote de tinta caiu e saiu rolando sobre o tapete, papéis importantes flutuavam até o piso, enfeites mais delicados se quebraram. O lado racional queria protestar, mas estava tão imerso naquela situação prazerosamente surreal que não conseguia falar.

Com gentileza foi deitado sobre o tampo de madeira e o ataque a seu corpo recomeçou.

Quatro mãos o acariciavam incessantemente, e duas bocas espalhavam beijos e mordidelas por todo seu corpo que rapidamente começou a reagir.

O dedo envolto em algo gelado voltou à sua entrada, deslizando para dentro do canal quente enquanto sua boca era tomada com voracidade pelo outro Harry, um segundo dedo se juntou ao primeiro arrancando um gemido mais forte dele, fazendo uma torrente de sensações açoitarem seu corpo carente.

Sua boca foi abandonada e uma língua úmida fazia voltas em seu pescoço e orelhas. Os sons de sua respiração alterada misturada ao cheiro do moreno somado aos dedos que o penetravam o estavam deixando desesperadamente excitado.

Mais uma vez a boca do loiro foi tomada, desta vez com certa violência, e no mesmo instante o terceiro dedo se fez presente e o penetrou juntamente com os dois primeiros, laceando-o o máximo possível para o que viria a seguir.

Os dedos se retiraram, mas lentamente ele sentiu ser preenchido por algo muito melhor, o membro duro escorregou sem dificuldade pela entrada lubrificada e dilatada que praticamente o engolia, demonstrando toda a falta que havia sentido.

Seus joelhos foram empurrados para trás e suas pernas abertas ao máximo, dando assim espaço para cada estocada ir mais fundo, o clone deixou sua boca e os lábios dele foram deixando um rastro de fogo por seu tórax, mordendo seus mamilos sensibilizados, beijando seu pescoço e boca, falando obscenidades nos seus ouvidos enquanto as mãos fortes passeavam por seu peito num caminho descendente.

Quando seu pênis foi envolvido pela mão quente e áspera, num movimento em perfeita sincronia com o membro que roçou sua próstata, um grito lhe escapou dos lábios, e se o maldito grifinório não tivesse colocado um feitiço de silencio no escritório, os elfos da casa certamente estariam correndo, apavorados, achando que algo grave havia acontecido ao seu mestre tal o volume de sua voz.

A mão continuava seu estímulo e aquele Harry agora sussurrava palavras sibiladas na língua das cobras e dava pequenas mordidas no lóbulo de sua orelha, enquanto o loiro continuava a ser empalado ritmadamente pelo moreno entre suas pernas.

Os olhos de Draco se dirigiram para a poltrona colocada de forma estratégica perto dos três, onde o terceiro Harry - Seria aquele o verdadeiro? – assistia, extasiado e tomado de desejo, a cena que se desenrolava olhando seus clones literalmente comerem o marido.

Os cabelos platinados estavam úmidos de suor, gotas peroladas escorriam por seu corpo indo cair na mesa de madeira escura ou sobre algum papel ainda remanescente, os olhos cinzentos escurecidos de prazer.

E agora ele estava sendo mordiscado, masturbado, empalado e estava olhando maravilhado para um Harry sentado em sua poltrona e que se tocava enquanto desfrutava da visão deliciosa.

A cada estocada mais dura e firme, sua próstata se sensibilizava mais e mais, até retribuir tanta atenção. O loiro se negou a fechar os olhos quando a onda avassaladora de prazer o percorreu e os olhos cinzas se fixaram nos verdes.

Na poltrona, a cada gemido de Draco, Harry sentia uma pontada no baixo ventre, e em instantes seu próprio orgasmo o arrebatou, respirando aos haustos, sua mente se nublou, mas a visão do clone penetrando Draco estava gravada em sua retina.

Da mesa o loiro viu o moreno gozar e isso lhe deu uma satisfação sem tamanho. O orgasmo o atingiu de forma intensa, seu peito reclamava por oxigênio e seus olhos teimaram em se fechar. Cada contração de seu ânus apertava o membro que o penetrava e então um jato de liquido espesso o preencheu, um pouco vazou e sentiu quando o liquido quente escorreu por entre suas nádegas de encontro a mesa.

Suas forças faltaram, seu corpo relaxou completamente e ele parecia flutuar numa imensa paz.

Abriu os olhos quando sentiu um par de braços enlaçá-lo e se perdeu no mar verde dos olhos de Harry que expressavam carinho e contentamento, se aconchegou aquele corpo tão querido e falou com uma voz fraca que nem parecia a sua: - Não pense que vai escapar, você tem muito que me explicar senhor eu-sou-poderoso Potter.

Draco sentiu que aparatavam o perfume de alfazema e o contado do tecido fresco e sedoso em sua pele indicou que estavam no quarto do casal.

Ainda estava irritado com a atitude do marido, de chegar sem dar explicações e partir para ação. Mas depois do sexo incrível ele estava inclinado a ser mais benevolente com o moreno. Um sorriso preguiçoso dançou em seus lábios e logo foi seguido por um bocejo. Ele odiava as viagens solitárias do moreno que sabia disso e sempre tentava compensá-lo, como de fato havia acontecido. Harry se acomodou às suas costas, roçou o nariz em sua nuca depositando um beijo carinhoso e suspirando falou: - Finalmente em casa!

Draco até tentou retrucar com alguma frase ameaçadora por causa do atraso e da falta de notícias, mas as noites mal dormidas, o excesso de trabalho e a lassidão do pós-orgasmo permitiram apenas que ele resmungasse algo ininteligível antes de se aconchegar melhor em Harry e cair no sono.

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Na manhã seguinte, Harry acordou sozinho na imensa cama de casal e bem mais tarde do que de costume. Para Draco levantar cedo ele deveria estar planejando alguma coisa ou ainda fumegando de raiva. Então o moreno se preparou para a tempestade que certamente viria, tomando um banho caprichado, escolhendo as roupas com cuidado e colocando um toque sutil da colônia que Draco adorava. Afinal depois de tantos anos de convivência ele havia aprendido a usar as armas do loiro também.

Descendo as escadarias, se deu conta que a coisa prometia ser grande, pois o café da manhã estava sendo servido no enorme salão de jantar da mansão, com toda a pompa e elegância da nobreza bruxa da Inglaterra.

Draco só apelava para a formalidade absoluta quando estava nervoso ou extremamente irritado. Neste caso Harry acreditava ser um somatório das duas coisas e preparando-se mentalmente entrou no salão.

Acercando-se da cadeira do loiro, inclinou-se depositando um beijo no rosto dele e desejou um bom dia.

Parecendo bastante calmo Draco respondeu o cumprimento e continuou a bebericar o chá, depois comeu uma torrada com mel e parecia indeciso sobre qual doce se serviria.

Harry entrou no jogo do silêncio que prosseguiu até que o loiro decidisse falar, o que não demorou muito:

Você ficou fora mais de um mês e no final da viagem sumiu do mapa por quase quatro dias. Eu exijo saber o motivo do sumiço e você sabe muito bem que eu fico doente de preocupação. Um telefonema bastaria! Ou você estava ocupado demais para lembrar-se de mim? – a voz estava calma e modulada, mais sob ela uma frieza e ira podiam ser delineadas por um bom conhecedor dos humores de Draco, no caso ele.

- Não pense que vai me enrolar senhor Potter! Eu sou mestre nos jogos de sedução, entendi muito bem a intenção do visual alinhado e do perfume gostoso.

O moreno fez uma cara de sonso e falou: - Ok, você me pegou! Mas a surpresa de ontem à noite não conta nem um pouquinho?

Draco sentiu sua temperatura subir com as lembranças da chegada do marido e de realizar uma de suas fantasias mais secretas, quase caindo na sedução de Harry, mas ele precisava de explicações e endireitou-se sentando rigidamente na cadeira.

Harry deu um suspiro desalentado, não tinha escapatória. - Draco, e se eu te disser que meu desaparecimento foi em prol de um bem maior?

- Não me venha com a lengalenga do Dumbledore! Não funciona comigo. Então, onde você se meteu?

O moreno ainda tentou sair pela tangente: - Faz parte de uma surpresa para você, eu gostaria de manter em segredo até finalizar tudo.

- Harry, eu quero saber agora! Estas suas surpresas ainda vão me matar de ansiedade ou de infarto. FALA! - Agora o loiro não parecia tão calmo.

- Certo, você não vai sossegar mesmo! Esta sua mente imaginativa vai cogitar tantas maluquices que eu vou acabar dormindo na casinha do cachorro, então adeus surpresa e vamos aos fatos. E... por falar em cachorro, onde que anda o Kerberus?

- Não tente desviar do assunto! Mas para sua informação, depois de um mês sem a sua presença aquele bicho começou a aprontar. Destruiu canteiros de flores, de legumes, matou dois pavões e deu vários sustos nos elfos, então eu tive que tomar uma atitude. – vendo o cenho de o marido começar a vincar tratou de explicar - Não precisa me olhar deste jeito! Eu não matei nem doei aquele pulguento incontrolável. Simplesmente levei o Kerberus para passar dez dias num SPA para cães, assim ele vai ter companhia para brincar e também aulas de adestramento. Agora voltemos ao assunto principal.

Enquanto pensava por onde começar, Harry quase riu da solução de Draco. Um SPA para cachorros! Que coisa mais elitista! Então ao fitar o rosto sério do loiro ele começou a falar:

- Eu fui resolver algumas pendências finais do Alfie.

A expressão de Draco era de puro choque. O homem havia oficialmente morrido há quase dois anos, então que pendências ainda existiriam depois de todo este tempo?

Sem dar chance para que ele se manifestasse, Harry continuou:

- Cerca de um ano e meio atrás recebi cartas de um banco em Genebra e fiquei sabendo que Alfie havia deixado um testamento me indicando como herdeiro. Dinheiro da família dele, que eu não queria de jeito nenhum; mas depois de pensar bastante decidi usar a fortuna como um tributo a ele.

- E minha surpresa para você seria revelada em breve, mas já que você insiste... - Com um Accio pasta! A maleta de trabalho do moreno pousou sobre a mesa, ele retirou um maço de papéis e os repassou para Draco, que começou a ler avidamente as páginas e sua expressão facial foi mudando conforme avançava na leitura.

Ao acabar a leitura sorriu para o marido e estendeu a mão que foi envolvida pelos dedos morenos num aperto carinhoso e Harry falou mais uma vez:

- Cabe a nós pais e responsáveis a tarefa de proteger e guiar os pequenos. Mas muitos deles como Alfie e até mesmo eu, padecem num inferno. Sem direito a uma infância normal e a mercê de pessoas sem condições morais e ou mentais de assegurar os direitos mais básicos das crianças. Então com uma ajuda do nosso pessoal e no terreno daquela mansão maldita, foi construído um abrigo para as crianças necessitadas de abrigo e proteção.

- Conforme você leu, temos lado a lado um abrigo trouxa e outro bruxo. As casas já estão quase finalizadas e eu estive lá verificando as obras, checando o pessoal contratado e colocando os feitiços de proteção no lado bruxo, talvez a Minky goste de ajudar por lá, ela adora crianças e os nossos filhos já estão bem crescidos. O dinheiro da herança está aplicado nos dois mundos e eu acredito que possa sustentar as instituições por um longo tempo. Eu sei que você adora fazer troça do meu "sentimentalismo grifinório", mas eu nomeei as casas em homenagem as nossas mães. O abrigo trouxa será a Morada dos Lírios e o lado bruxo será a Morada dos Narcisos.

O loiro estava pasmo e emocionado ao mesmo tempo. Harry havia feito de uma herança que trazia tristeza e dor; uma obra para evitar que outras crianças sofressem um destino parecido com o do dito benfeitor... Justiça poética, mas bastante acertada neste caso. E ele não negaria que a homenagem à sua mãe havia tocado seu coração.

Levantando-se e circulando a longa mesa, ele abraçou Harry e o olhar prateado valia mais do que mil palavras. O moreno sentindo que fora perdoado, resolveu dar sua cartada final:

- Depois da inauguração oficial das moradas eu planejei uma viagenzinha para nós, quase uma lua-de-mel. - E deu um sorriso que mexeu com o loiro cuja curiosidade foi atiçada:

- E onde você pretende nos levar?

- Para a cidade de Capadócia, num hotel belíssimo escavado na rocha, com todo o luxo que você adora, spa, salas de relaxamento e todas as mordomias que se possa imaginar.

- Oh! Harry! Parece delicioso!

- Eu acredito que realmente será, e para alimentar meu lado criança contratei um passeio turístico de balão para nós. A região é muito bonita, e como não poderemos usar nossas vassouras por lá, vale a alternativa trouxa.

- E está na cara que é um passeio romântico, não é senhor cavaleiro andante e grifobobo apaixonado?

Fingindo estar ofendido Harry retrucou: - Eu sou romântico? Que nada! É só pela aventura.

- Certo querido, eu vou fingir que acredito. Mas tenho certeza que você vai querer me agarrar durante o passeio.

- Claro que não! Você é que vai ficar achando que o balão vai cair e se dependurar em mim.

Harry até tentou ficar sério diante da expressão ultrajada do loiro, mas acabou sorrindo e o sorriso contagiou Draco que sentando na cadeira ao lado comentou:

- Deuses Harry! Ás vezes você é tão crianção! E eu ainda caio nas suas bobagens. Será que nós vamos continuar assim a vida inteira?

- Sinceramente Draco, eu não me importaria. Eu amo você, é sempre bom guardar um pouco da criança interior, e te chatear é sempre tão divertido!

- Viu? Criancice de novo!

- Ainda estou me desforrando pelos anos de escola, amor. Você era um implicante de primeira categoria!

- Certo Harry, hoje eu não vou discutir o mérito da questão. – era melhor fugir daquele tema por que afinal ele fora aquilo e muito mais - Mas falando da nossa breve futura viagem onde nos hospedaremos num hotel de classe, lembrei que ainda falta um toque final na sua educação à mesa.

Brindado com um olhar interrogativo ele continuou:

- Quando nos acertamos logo depois do aniversário da Bella você me pediu para te ensinar a comer morangos com classe, e acho que chegou a hora de aprender a lição que ficou pela metade na nossa primeira tentativa.

Trazendo até ele a tigela de morangos e a cremeira com um feitiço sem varinha, escolheu as frutas e as distribuiu em dois pratinhos regando generosamente com creme e colocou uma colher e um garfinho de doce ao lado, começando a explicar que as frutas mais graúdas deviam ter o auxílio do garfo para não caírem da colher que continha o creme e seguiu explanando e comendo os morangos com gestos naturalmente elegantes, que foram parando ao observar os movimentos de Harry lambendo o creme dos morangos em movimentos pra lá de sugestivos e os lábios avermelhados do caldo das frutas suculentas ao serem mordidas.

Os olhos cinzentos ganharam um brilho que espelhava outro tipo de fome, e Draco resolveu soltar as rédeas da imaginação. Largando a colher com estrépito na tigela de cristal, ele sentou-se no colo de Harry e tomou a boca do moreno num beijo quente com o sabor doce das frutas e de saudade do seu moreno.

Ao primeiro beijo seguiram-se outros e em poucos minutos o café da manhã foi completamente esquecido.

Draco quebrou o beijo e fitava o rosto de Harry que tinha os olhos semicerrados, as bochechas rosadas e os lábios inchados. – Draco, a aula de etiqueta... – sussurrou o moreno inocentemente.

Uma onda de desejo o tomou e ele falou num tom quase rosnado:

- Ao diabo com a etiqueta! Eu vou comer muitos morangos, aliás, eu vou comer você com morangos!

O grifinório deu uma risada rouca, aprovando a ideia do marido e eles se perderam em mais um beijo com sabor de morangos e paixão.

FINIS!

Notas explicativas:

Lex Talionis ou lei de Talião: Olho por olho, dente por dente.

Hotel aonde o Harry vai levar o Draco: Turquia - cidade Capadócia

Capadócia cave resort: http:/ /pt/index1. Htm (não se esqueçam de juntar os espaços)

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Nota da Topaz:

Bem... Aqui acabam os extras e a fic também. Espero que tenham curtido e por favor nos deixem um alô, gostaríamos de saber o que acharam de toda esta "quase novela mexicana". A parceria não acabou e esperamos escrever juntas novamente mais aventuras e desventuras do casal mais fanon de todos os tempos. Pinhão 4ever!

Aceitamos sugestões para cap. Extra do extra... Quem sabe a musa se agrade das ideias dos leitores saia algo, hummmm, pervertidamente interessante.

Vamos lá povo! Coloquem os neurônios para funcionar.

Uma dúvida que me consome: Caros leitores, vocês acharam adequado o castigo da Dolores Umbridge? No cap. 34, né? Eu sei que todos amam as lemon, mas a punição da mocréia merece um comentário já que todos nós ficamos engasgados com a condescendência da JK para com ela nos livros.

Bye and Potterish Regards! Hope see you soon.

Topaz Sprout.

Nota Fabianadat:

Bem... (copiei a Topaz na cara dura) Chegamos ao fim desta saga.

Meu coração tá pequenininho, a saudade de escrevê-la já batendo na porta.

De coração espero que todos tenham gostado, afinal não nos seguiram somente por nossa beleza, não é mesmo?

Um agradecimento ao pessoal do 6Vassouras que cogitou nossa fic para uma premiação que aconteceu por lá.

A proposição da Topaz acima tem todo meu apoio, então neurônios avante e pensem muito sobre isso.

Agradeço de coração a todos e todas que nos seguiram, foi bom ter cada um de vocês colado em nossos cangotes nos obrigando a escrever mesmo quando a inspiração tinha ido tirar férias no Tibete dizendo que ia visitar alguns monges, rsrsr.

Aguardo ansiosa os reviews, e vc, sim, vc mesmo que esperou a fic ser finalizada para ler, não esqueça de deixar review também, eles são a alma do negócio.

Minha parceria com a Topaz não acaba aqui, e por falar nisto fiquem no aguarde por que a mocinha esta com uma fic no forno, ela tá escondendo o ouro. ¬¬ (fiz promoção pra vc, viu Topaz)

Beijos e nos sigam (coloquem-nos em seus alertas que logo tem novidade)!

Fabianadat

Lista de leitores (seu nome deve estar ai embaixo):

Umbreon-chan, Oraculo, St. Lu, Rodven, Nicky Evans, la kariin, Freya Jones, Yuki Yui Yuu, J. P. Malfoy., Black B., SamaraKiss, Tatymoluka, Joana Malfoy, Totosay de Cueca, Blue750, Maga do 4, Livia57adC, Deh Isaacs, Ana Loks, Cristin X, Warina-Kinomoto, L. M. Potter, Laura Castro, Maria Lua, may'cullen.8D, LudMills, 2Dobbys, Allie B. Malfoy, dandi- winchester, maycullen8d, Nanda Yuki, Srta Laila, Aryam McAllyster, mesquila, luramos, Paulawot, bruxaprata, O.O, Pandora Nott, Nostalgi Camp, AB Feta, Schei-Chan, Uzumari, sillcecil, Debora Malfoy, BettMarques, Ge Black-Masen.