ÚLTIMO CAPÍTULO


Reminiscência

"Onde estamos indo?", perguntou Astoria, curiosa.

"Surpresa.", Draco respondeu, com um sorriso no canto dos lábios.

"Ah, qual é! Estamos indo para muito longe? E por que você me pediu para usar estas roupas? É alguma festa surpresa? Nem é meu aniversário!", indagou ela, cismada.

"Não adianta tentar descobrir. Não vou contar." Draco sorriu outra vez, e Astoria cruzou os braços, fingindo irritação, mas sorrindo.

Estavam andando de carro havia dez minutos. Já era tarde da noite, estava frio mas o céu estava estrelado. Após alguns instantes, Astoria se deu conta, pelas placas na estrada, do local onde estavam indo.

"Draco! Por que não me avisou? Eu nem me arrumei direito!"

"Você está linda, meu bem. Perfeita. E eu queria justamente ver este brilho no seu olhar."

Ele sorriu de modo sedutor. Astoria correspondeu ao sorriso com uma risadinha marota.

Chegaram ao destino, e Astoria vislumbrou o majestoso monumento de Stonehenge.

Draco estacionou o carro e ofereceu a mão a Astoria. Aparatou com ela, indo parar no centro do fabuloso círculo de pedras.

Ela ficou um tanto insegura. "Draco, e se formos vistos pelos trouxas?"

Ele riu.

"Não seremos. Lancei feitiços ao redor, para que possamos ficar ocultos."

"Mas e o carro? Alguém pode vê-lo e vir verificar se tem alguém aqui."

"O carro também está enfeitiçado, querida. Ninguém vai vê-lo."

Draco aproximou-se dela. Segurou delicadamente seu rosto entre as mãos e disse: "Relaxe. Vai ser incrível."

Astoria observou enquanto ele acendia uma fogueira. Agradeceu intimamente, pois realmente estava muito frio. Quando o fogo estava a uma altura que considerou satisfatória, Draco voltou-se para Astoria.

Ela viu o desejo estampado em seus olhos, e sorriu maliciosamente. "Você é terrível", ela disse. Ele se aproximou, beijando seu pescoço, e disse: "Quis trazer você aqui, porque este lugar é fascinante, e perfeito para alguém como você: uma deusa. Minha deusa."

Ele deslizou as vestes de Astoria por seus ombros, fazendo com que elas caíssem no chão. Tirou a lingerie que ela usava, revelando um par de seios firmes, que já demonstravam excitação. Levou a mão até a parte mais íntima do corpo dela, fazendo-a suspirar e gemer seu nome baixinho.

"Gostosa", ele murmurou, mordiscando-lhe as orelhas. Com um feitiço simples fez com que as vestes dela se esticassem no chão, como um lençol. Depois a beijou vigorosamente, ao mesmo tempo fazendo com que ela se deitasse.

Enquanto Astoria suspirava deitada no chão, ele se despia lentamente, olhando nos olhos dela, como sabia que a excitava. As sombras causadas pela fogueira e a amplitude do enorme círculo de pedra pareciam torná-lo mais imponente. Quando se despiu, já estava completamente excitado, pronto para concretizar sua fantasia com a esposa que o esperava transbordando de desejo.

Draco deitou-se sobre Astoria, sentindo o corpo quente e sedento dela pedindo pelo seu. Sem vacilar por um instante sequer, e sem resquícios de medo, ela o aconchegou entre suas pernas, e gemeu baixinho enquanto Draco a penetrava lentamente. Ele murmurou o nome dela, e começou a se mover lentamente, entrando e saindo do corpo dela e se deliciando com suas exclamações de prazer.

Não havia necessidade de malabarismos ou novidades para que aquele momento fosse único: o lugar, a atmosfera e a paixão que os rondava dava o tom daquele instante. Eles se entregavam apaixonadamente um ao outro, as mãos de Draco percorriam cada curva do corpo de Astoria, provocando, excitando, fazendo com que ela fosse um templo de prazer para seu corpo em busca de alívio.

Após alguns minutos naqueles movimentos compassados e sensuais, Draco fez com que Astoria se sentasse de frente para ele. Encaixaram seus corpos novamente, e segurando as costas dela, ele a penetrava com vigor, arrancado não mais gemidos, mas gritos cheios de paixão e prazer.

Por fim, juntos, chegaram ao êxtase, ela perdendo as forças e deixando-se cair para trás enquanto Draco a sustentava, e ele derramando sua essência masculina dentro dela, quente e vibrante. Ele a puxou para perto e a beijou com força, urgência e paixão, encontrando o reflexo no beijo dela, que nada dizia, apenas sentia por todo o corpo o pulsar de luxúria que só Draco sabia lhe provocar.

"Sonhando acordado, Malfoy?"

Os pensamentos de Draco foram interrompidos por Blaise, que chegava da rua com um envelope na mão. Draco estava hospedado na casa do amigo, e enquanto esteve sozinho, lembrou-se de sua noite de amor com a esposa no monumento de Stonehenge. Sua maior fantasia sexual, realizada com a mulher que agora estava à beira da morte.

"Estava pensando", ele respondeu.

"Você anda pensando demais e agindo pouco. O tempo está passando e você não está se mexendo. Vai ficar se escondendo até quando?"

Draco não respondeu. Levantou-se do sofá onde estava e foi olhar pela janela. Blaise, notando a apatia dele, disse: "Vim do hospital. Sabia que a criança já foi pra casa?"

"E Astoria?", indagou Draco, angustiado e com medo da resposta.

"Ainda apagada. Não vou mentir a você, ela continua mal."

Draco assentiu, sem encará-lo. O aperto no peito, a culpa, o acossaram mais uma vez.

"Fui à sua casa, Malfoy".

Draco virou-se rapidamente para encarar o amigo.

"Foi lá fazer o quê? Dizer aos meus pais que estou aqui? O que é, estou incomodando?"

Blaise revirou os olhos.

"Pare de dar ataque. Fui buscar informações sobre o bebê. Disse que estava em contato com você, mas não que estava aqui. Sua mãe me deu uma carta para te entregar".

"E o bebê? De quem é afinal?"

"Eu não o vi, ele não está lá."

"Como não?", estranhou Draco. "Aquele demônio da Daphne realmente ficou com ele?"

"Sim. Mas parece que sua mãe pôde ir visitá-lo. Leia ao o que ela escreveu."

Draco pegou a carta, abriu o envelope e leu em voz alta:

"Querido,

Não sei o que está se passando pela sua cabeça agora, mas, por favor, volte para casa. Vamos lhe dar todo o apoio. Não importa o que aconteceu, Astoria ainda está viva, volte para casa para pensarmos no que fazer, aconteça o que acontecer com ela.

O bebê é lindo, e é imensamente parecido com você. Parece que o trouxeram do passado e que é você quem está na casa de Daphne. Você precisa vê-lo e assumir seu papel como pai.

Volte para casa, querido. Eu estou muito angustiada sem você. Aquela carta horrível que você deixou não me deixa dormir em paz. Só vou ter sossego quando puser os olhos em você.

Te amo.

Com carinho,

Narcisa.".

Ao término da leitura, os dois amigos se encararam.

"Então... Parabéns, papai.", disse Blaise, sem esconder o desapontamento.

"Obrigado. Bom... Desculpe por não lhe oferecer um charuto."

"Sem problemas".

Eles se cumprimentaram, como se aquela informação fosse a peça que faltava para superarem as diferenças e retomarem a amizade sem ressentimentos.

Entretanto, Blaise não deixou de acrescentar: "Agora você sabe que tem uma grande responsabilidade. Quanto mais você fugir, pior vai ser para consertar as coisas."

Draco assentiu, e sentou-se no sofá outra vez, querendo pôr as idéias em ordem.


Harrods

Charlotte negociava os croquis mais recentes de Astoria. Sua expressão era soturna, tão soturna quanto os desenhos que ela tentava vender.

"Por esta quantia, não fecharemos negócio. Isto não faz nem cócegas no valor que o trabalho de Astoria merece, e os senhores sabem disto.".

"Sabemos que o trabalho dela é valioso, mas não há nada de novo há tempos, e francamente, estes desenhos não estão exatamente interessantes. Estão tristes, não têm a luz que a obra dela costumava ter".

Charlotte ergueu as sobrancelhas.

"Evidentemente não há nada novo, considerando os eventos recentes. E a obra reflete a alma da artista, certamente Astoria passava por momentos turbulentos quando fez estes desenhos. Eu confiava que tivessem a sensibilidade de compreender isto. Porém, se não podem dar ao trabalho de Astoria o valor que ele merece, não haverá renovação de contrato. Agradeço a oportunidade de trabalharmos juntos até aqui, mas a resposta à proposta é não."

"Sinto muito, Charlotte, mas se esta é a sua posição, realmente não temos mais o que negociar".

"Tudo bem", Charlotte disse, cumprimentando o empresário da Harrod's e saindo da sala.

Ao entrar em seu carro, pegou o celular e fez uma ligação.

"Alô? É da gerência executiva da Tiffany & Co.? Sou a representante da A. Greengrass e gostaria de marcar uma reunião, a respeito da proposta feita pelos nossos croquis recentes."

Ela ouviu a resposta e sorriu. Terminou o telefonema e partiu com o carro, feliz por conseguir dar ao trabalho de sua querida amiga o valor que ele merecia.


Mansão Malfoy

Não havia mais lembranças da existência de Astoria na mansão dos Malfoy. Daphne se encarregou pessoalmente de retirar de lá tudo o que pertencia à sua irmã.

A única coisa que lembrava Astoria ali era uma foto de Scorpius, que Narcisa colocara em um porta-retratos. E a ourivesaria, onde ninguém entrava desde que Astoria estivera lá pela última vez, antes de seu filho nascer.

Daphne, com ajuda de Charlotte e Mary, retirou cada peça de roupa, cada perfume e jóia da casa. Não sobrou absolutamente nada. No quarto preparado para Scorpius, nem os móveis restaram: apesar de Narcisa ter se oposto ferozmente, Daphne levou tudo e montou um quarto para o sobrinho em sua própria casa, com tudo o que sua irmã escolhera para o filho.

Era como se Astoria jamais tivesse sido uma Malfoy um dia.

Uma empregada serviu o chá das cinco ao casal Malfoy.

Lucius e Narcisa levaram suas xícaras de chá à boca ao mesmo tempo, e torceram o nariz, reprovando o sabor.

"Será possível que esta mulher não consegue fazer um chá decente? Parece que ela pôs uma árvore inteira aqui! Está muito forte!", reclamou Lucius.

"Ponha um pouco mais de leite, se está achando tão forte.", retrucou Narcisa. Lucius a olhou irritado:

"Não seria mais eficiente chamá-la e dizer que deve aprender a fazer um bom chá?", ele comentou.

Narcisa o observou de modo condescendente.

"Já foi bem difícil conseguir alguém que se dispusesse a trabalhar para nós, Lucius. É melhor não a irritarmos com picuinhas, se não quisermos nós mesmos terminar fazendo a nossa própria comida."

Lucius bufou e pôs-se a colocar mais leite no chá. Narcisa o observou, e depois disse:

"Eis o que você conseguiu com toda aquela implicância com Astoria. Eu mal consigo acreditar que tenha atentado contra a vida dela. E agora..."

"Agora vou ter que ficar ouvindo você reclamar", interrompeu Lucius, "porque os empregados se revoltaram com o relato da coleguinha deles e resolveram todos nos abandonar? Ora, empregados arranjam-se outros, basta procurar nos lugares certos!"

"Agora", disse Narcisa, concluindo sua fala, "estamos aqui sozinhos. Sem nora. Sem neto. E sem filho."

Narcisa fungou, depois tomou um gole de chá para tentar segurar o choro. Lucius, comovido, comentou:

"Ele vai voltar, Cissa. Sabemos que ele está bem, ele diz nas corujas. Quando estiver pronto para encarar os fatos, ele volta."

"Já se passaram dois meses, Lucius. E eu não esqueço o que ele escreveu naquela carta. Só de pensar que..."

"Ele não fez aquilo. Eu sei que não. Só precisamos esperar. No tempo dele, ele retornará para casa."

Narcisa assentiu. Depois comentou, entristecida:

"Se ao menos eu pudesse ter meu neto comigo..."

Lucius soltou uma expiração exasperada.

"Nem em sonho conseguiríamos isso. Daphne realmente cumpriu a promessa, e com a ajuda do Dr. Carter, Meg e Mary, você tem sorte por conseguir ao menos visitá-lo".

"E você, nem isso." Observou Narcisa.

Lucius suspirou com tristeza.

"Não posso condená-la por isso, posso? Não depois de todos os erros que cometi. O menino era realmente nosso herdeiro, e... Talvez eu tenha exagerado ao lidar com Astoria. Com razão não me querem perto de Scorpius."

Narcisa ergueu as sobrancelhas.

"Agora você reconhece, não é? Diga-me uma coisa, você se arrepende de tudo o que fez? De ter sido tão ruim para Astoria?"

Lucius pensou por alguns instantes, como se não quisesse dizer o que realmente pensava.

"Se eu disser que sim, você não vai acreditar."

"Quem sabe...", ponderou Narcisa.

"O fato é que mesmo ela tendo este fascínio estranho por coisas de trouxas, nunca chegou a ser um risco para nossa linhagem, não é? E até aquele incidente com Blaise Zabini, sempre fora uma esposa decente. Posso ter errado no meu julgamento. Talvez eu tenha realmente sido... injusto.", declarou Lucius, surpreendendo a esposa. Ela, triste, comentou:

"Pena que seja tão tarde para consertar as coisas."

"Talvez não, Narcisa. Para tudo existe um jeito. Quem sabe a gente consegue contornar isso de alguma forma?", ponderou Lucius.

"Sua esperança me comove.", concluiu Narcisa ironicamente, voltando a tomar seu chá e totalmente descrente sobre a chance de aproximar Lucius de seu neto.


Em Londres

Daphne ia diariamente ao hospital, ver o sobrinho e saber do estado da irmã. Duas semanas após o nascimento, Scorpius pôde ir para casa. Daphne já tinha conseguido sua guarda, e o levou para casa e cuidou dele com todo o amor que alguém pode dedicar a uma criança. Mary pediu demissão do emprego na casa dos Malfoy e foi convidada para ser a babá do menino, e aceitou com alegria.

Meg estava deprimida desde o nascimento do bebê, e jurou nunca mais fazer nenhum parto. Sentia-se culpada pelo estado em que Astoria ficara. Porém, Daphne foi visitá-la para que visse que Scorpius estava bem, e lhe disse que ela não tinha culpa nenhuma em tudo aquilo, afinal, ela fora obrigada a fazer o que fez para não deixar sua irmã sozinha. Isto acalmou um pouco seu coração, mas ela ainda desejava ardentemente que Astoria pudesse se salvar.

A mãe de Astoria, ao saber de seu estado, entrou em contato com Daphne. Porém, não se preocupava com a filha entre a vida e a morte. Queria apenas saber sobre a herança do neto, já que a filha tinha suas próprias posses, e sobre o quinhão que lhe caberia. Dapnhe, indignada, disse-lhe todos os impropérios dos quais conseguiu se lembrar, e disse à mãe que se virasse com o que tinha, pois nem ela, tampouco Astoria, continuariam sustentando-a. Dapnhe não era de voltar atrás nas promessas. Nunca mais sua mãe recebeu um centavo ou nuque de suas filhas. E nem notícias.

Certa tarde, quando chegou ao hospital para ver Astoria e saber como andava seu estado de saúde, Daphne foi abordada por uma funcionária do hospital.

"Senhora? O Dr. Carter pediu para que o procurasse com urgência assim que chegasse."

Daphne sentiu um aperto no peito. A expressão da moça não revelava nada. Daphne perguntou onde encontrar o médico e foi a seu encontro, já sentindo as lágrimas querendo brotar e esperando pela pior notícia que poderia haver.

Ela bateu duas vezes na porta e entrou, completamente abatida.

"Dr. Carter, boa tarde. Fui informada de que o senhor queria me ver."

O médico estava de costas para a porta, examinando uma chapa em um quadro iluminado. Virou-se ao ouvir a voz da Daphne.

"Olá, boa tarde. Por favor, sente-se".

Daphne acomodou-se e olhou para o médico, que também se sentou. Ele notou a aflição dela e indagou: "Por que tão nervosa? Tenho boas notícias!"

O rosto de Daphne se iluminou em um sorriso.

"Ela melhorou? Ela vai acordar? O que aconteceu?"

O médico sorriu abertamente e respondeu:

"Astoria começou a responder aos estímulos de dor e frio, e movimentou os braços. Investigamos as atividades cerebrais dela, e parece que ela está se recuperando. Sua irmã está voltando, Daphne! Bem devagar, um passo pequeno ainda, mas não deixa de ser um bom sinal. Parece que vamos ter aquele milagre que estávamos esperando!"

Dapnhe não conseguiu se conter. Desabou em um pranto de felicidade e gratidão. Estivera por tanto tempo se acostumando à idéia de que sua irmã ia morrer que a notícia de que ela estava apresentando melhoras a deixou numa espécie de choque. Um choque do bem, repleto de felicidade.


No hospital

E assim, o tempo foi trazendo Astoria de volta.

Passo a passo ela foi melhorando, despertando... até que um dia, enfim, seus olhos se abriram. Confusa, não se lembrava do que tinha acontecido e não sabia onde estava ou como tinha ido parar lá.

Quando uma enfermeira chegou para vê-la, ela tentou dizer: "meu filho!"

Porém, sua voz engrolou. Ela tentou falar mais, mas sua voz não estava obedecendo.

Astoria fez uma cara de tristeza, angustiada por não conseguir falar. Entretanto, a enfermeira deduziu o que ela queria saber, e informou:

"Seu filho já foi para casa, sua irmã está cuidando dele. Ele está bem e muito saudável. E esperando por você!"

Astoria sorriu. Depois, começou a chorar de emoção.

A enfermeira sorriu e chamou o médico para vê-la.

O Dr. Carter chegou rapidamente e sorriu ao vê-la desperta.

"Então, Astoria. Que belo susto você me deu. Por algum tempo eu cheguei a pensar que a perderíamos".

"O que aconteceu?", ela perguntou, ainda com a fala enrolada. O médico respondeu:

"Não queira saber. Muita coisa aconteceu. Você estar viva é um milagre. Comemore isso. Eu estou feliz porque você conseguiu se recuperar. Você é uma guerreira, menina."

Astoria sorriu.

"Meu bebê!"

"Ele está ótimo", tranqüilizou-a o Dr. Carter. "Gordinho e cheio de saúde. Sua irmã lutou para ficar com ele. Está cuidando dele e vem sempre te ver. Está muito preocupada e ficou muito emocionada com sua recuperação."

A enfermeira começou a avaliar os sinais vitais de Astoria. Enquanto isso, o Dr. Carter prosseguia:

"Você foi muito forte. Chegou aqui num estado em que, sinceramente, achei que pouco poderíamos fazer. Porém, lutamos bravamente para salvá-la. Depois de acompanhar sua gravidez desde o início, eu não me conformava em perdê-la. Fico feliz que esteja se recuperando."

"Eu não consigo falar direito", Astoria disse. Então, o médico explicou:

"Você sofreu uma baixa de oxigenação no cérebro. Como seqüela, sua fala ficou um pouco prejudicada. Não se preocupe com isso agora, você vai recuperar sua fala com alguns exercícios".

Astoria assentiu. Depois perguntou: "Quando vou voltar pra casa?"

O Dr. Carter respondeu, paciente: "Vamos fazer novos exames e verificar seu estado geral. Se estiver tudo bem, em pouco tempo você já estará em casa."

Ela suspirou, esperançosa, e se acomodou na cama. Pediu para ligarem a TV, pois queria se distrair. E esperou ansiosamente a chegada de Daphne, que certamente iria correr para lá ao saber que ela tinha acordado. Esperava que ela tivesse uma foto de seu filho. Naquele momento, seu maior desejo era ver a carinha dele.


O reencontro

Conhecer Scorpius não foi um momento tão bonito quanto Astoria esperava.

Ela chegou à casa da irmã com muitas expectativas. Daphne a acomodou em uma poltrona e foi buscar o bebê. Ele já tinha um mês e meio, e Astoria estava ressentida por ter perdido aquele tempo junto a seu filho, apesar de entender que não fora sua culpa.

Quando Daphne se aproximou, no entanto, Astoria teve uma reação estranha. Começou a ficar nervosa e a chorar, e não queria segurar a criança. Dizia que iria machucá-lo, que não saberia cuidar dele, pedia para que o afastassem dela. Daphne insistiu por alguns instantes, mas ela simplesmente não conseguia se aproximar da criança. Mary então o levou de volta ao quarto, e Astoria foi conduzida a outro, onde chorou por horas, sentindo-se culpada por rejeitar o próprio filho.

Ela ouvia o choro dele de madrugada, e não tinha coragem de ir vê-lo.

Até que certa noite, acordou sentindo os seios pesarem. Não entendia bem o porquê. Ela nunca tinha amamentado o filho, nem sabia se tinha leite, já que passara tanto tempo no hospital.

Saiu do quarto, insone, e parecia que algum instinto a levava em direção ao bebê. Ela abriu lentamente a porta do quarto para espiá-lo. Ele estava sozinho, porque Mary só cuidava dele durante o dia, e Daphne cuidava dele de madrugada, já que Astoria não conseguia.

Ao chegar ao quarto, aproximou-se do berço e viu que o bebê estava com os olhinhos abertos, se mexendo e fazendo uns barulhinhos.

Astoria o olhou, sentindo aquele estranho temor. No entanto, ele olhou para ela de um jeito que parecia curioso. Dava até a impressão de que ele a estava reconhecendo.

Ela aproximou sua mão da cabecinha dele, vacilante, e acariciou seus cabelos.

Quando seus dedos tocaram aqueles cabelinhos, ela sentiu uma espécie de choque, ofegou e sorriu. De que estava com medo, afinal? Era seu filho! Tinha saído de dentro dela! Não havia o que temer.

Ela tocou a mãozinha dele, e ele apertou seu dedo. Uma lágrima escorreu por seu rosto. Então, ela criou coragem e, desajeitada, tirou-o do berço, com todo o cuidado que poderia ter.

Astoria o aconchegou em seu colo, cheirou-o e beijou-lhe a cabeça. Percebeu que a fralda estava molhada, e pensou: "Por que não?" Cuidadosamente pegou algumas coisas que estavam em uma cômoda, levou-o a seu quarto e trocou a fralda, algo que fizera tantas vezes com Jullie. Talvez agora não tivesse feito com tanta eficiência, mas o fez com muito carinho.

De repente, o rostinho de Scorpius se contorceu e ele começou a chorar. Astoria o embalou um pouco, mas ele não parou. Ela começou a ficar nervosa e não sabia o que fazer. "O que você quer, pequenino?", indagou.

Então, pensando na infinidade de livros que lera durante a gravidez, sem saber se era certo ou errado, abriu os botões do pijama, tirou um seio e o acomodou na boca de Scorpius.

Ele pareceu estranhar um pouco, fez uma cara feia e chorou mais um pouco. Astoria sentou-se em uma poltrona, ajeitou o filho e novamente fez com que ele pegasse seu seio. Desta vez ele aceitou, levou a mãozinha até o peito dela e pôs-se a sugar vigorosamente.

Naquele momento, Astoria sentiu que todos os seus medos tinham ficado para trás. De algum modo, aquele gesto fez com que ela e o filho estabelecessem uma conexão. Scorpius precisava dela e de seu amor, e ela precisava ser forte para estar com ele. Prometeu a si mesma ser a melhor mãe que pudesse, e fazer de tudo para que o filho fosse feliz. E também, renascer das cinzas e ser uma mulher ainda mais determinada do que fora até então. Por Scorpius e por si mesma.

Alguns instantes depois, Daphne entrou esbaforida no quarto, assustada por não ver o sobrinho no berço. Porém, ao ver a cena, sorriu e se retirou, compreendendo que aquele era um momento entre a mãe e o bebê, e que Astoria precisava e merecia viver aquela ocasião com toda a privacidade e liberdade.


Acerto de contas

Scorpius já tinha dois meses, quase três.

Astoria visitou Meg com o bebê, e a velha parteira mal pôde se conter de felicidade ao ver que ela estava viva. Pediu mil perdões por tudo o que havia feito, mas Astoria disse que não havia o que perdoar. Agradeceu por seu zelo, e a presenteou com um anel feito especialmente para ela. Meg não queria aceitar, mas Astoria insistiu. Disse que se não fosse Meg a ampará-la, talvez ela realmente não tivesse escapado. Isto tranqüilizou o coração de Meg. Alguns dias depois desta visita ela faleceu, com o coração tranqüilo por ver que Astoria sobrevivera e não lhe guardava rancor.

Até aquele momento, Scorpius Hyperion Malfoy não conhecera seu pai.

Os boatos sobre o suicídio de Draco chegaram aos ouvidos de Astoria, mas ela não acreditou neles nem por um segundo. Pensava que Draco não teria hombridade suficiente para reconhecer o mal que lhe fizera, muito menos para tentar compensar daquela forma. Além do mais, Narcisa não estaria tão calma se tivesse perdido o filho. Nas ocasiões em que visitava o neto, ela parecia triste e abatida, mas não desesperada. Então, Astoria sabia que ela tinha alguma informação sobre ele, mas não perguntava, e também não a deixava falar quando ela fazia menção de querer dizer alguma coisa.

Astoria não queria informações de terceiros. Não queria recados. Ela queria olhar nos olhos dele e dizer tudo o que estava sentindo.

Sua fala estava melhorando, graças a exercícios e estímulos que ela recebia e realizava com afinco. Embora ainda tivesse seqüelas, já se fazia compreender bem melhor. Ela se dedicava, pois sabia que Draco não se esconderia para sempre. Um dia ele haveria de aparecer, e ela queria poder falar tudo o que guardara desde antes de dar à luz, todas as verdades que iria esfregar na cara do homem que ela tanto amou e que tanto a desprezou.

Todos os dias ela perguntava a Daphne: "Nada? Nem uma coruja?" Ao ouvir a negativa da irmã, sua expressão se fechava em uma atmosfera de rancor.

Cada dia, cada negativa, era um tijolinho no muro que ela construía separando-a de Draco.

Certa tarde, ela estava sentada em uma poltrona em frente à porta de vidro em seu quarto, o mesmo em estivera instalada quando se separou de Draco. Era um dia de sol fraco, e Astoria estava amamentando Scorpius. Ele já estava satisfeito, mas continuava agarrado ao seio, olhando para a mãe e sorrindo. Astoria passou a mão pelo seu rosto. "Danadinho. Está pensando que isto é algum brinquedo?", disse baixinho, enquanto o pequenino tentava agarrar sua mão.

Ele largou o seio, e Astoria fechou a roupa e o fez arrotar. Ela o acomodou no colo e o observou, ele lutava contra o sono. Porém, suas pequenas pálpebras logo começaram a se fechar e ele dormiu suavemente.

Astoria acariciou seus cabelos. Ele era tão absurdamente parecido com o pai que ela não sabia se ficava feliz por não haver chance de negarem sua ascendência, ou se sentia raiva porque não tinha como olhar para o filho e não se lembrar de Draco. Porém, ainda assim, aquele semelhança significava que seu desejo se realizara: o menino parecia uma versão reduzida de Draco Malfoy, dos cabelos louro-brancos aos olhos acinzentados.

Astoria ainda era uma Malfoy. Seu filho era inegavelmente o primogênito de Draco, portanto, o legítimo herdeiro dos Malfoy. Ela não sabia como lidar com isto. Seus sentimentos por Draco estavam confusos, num misto de mágoa, rancor e amor. Amor? Será que ainda havia amor, ou ele ruíra junto com seu casamento? Daphne e Mary lhe contaram todos os pormenores que culminaram com sua quase morte, o que a deixou ainda mais magoada com Draco. Seu pensamento imediato era o de que não restava amor algum por ele, e que ele não merecia dela sequer algum sentimento de simpatia. Ela queria odiá-lo. Porém, quando lhe vinham à mente os momentos de amor, as lembranças dos beijos ardentes e do desejo que dividiam, sentia-se em dúvida sobre se realmente era capaz de odiá-lo e se o amor tinha acabado de vez. Aquilo lhe dava raiva. Como podia não odiar alguém que lhe fez tanto mal e quase ocasionou a morte de seu filho?

Olhou para o bebê. Ele espirrou e se mexeu, e ela riu, achando-o gracioso. Ficou acariciando seus cabelos e sorrindo, lembrando-se da viagem durante a qual ele fora concebido. Ela tinha certeza de que tinha sido na França. Sua mente vagou até o dia em que ela e Draco deram-se as mãos e fizeram pedidos no Marco Zero de Paris. Ela repetiu o pedido feito na Fontana de Trevi. Coincidência ou não, ele se realizou e estava dormindo em seus braços: um filho. Teria Draco feito o mesmo pedido?

Com o pensamento pairando em um dos últimos momentos de paz de seu casamento, Astoria pegou no sono, sentada ali na poltrona. Não um sono profundo, mas um cochilo furtivo de quem já sentia o cansaço por cuidar de um bebê em seus primeiros meses.

Houve um barulho na porta, e Astoria despertou sobressaltada. Havia de ser Daphne, chamando-a para almoçar. A irmã já tinha lhe dado sermões por cochilar com o bebê no colo, e querendo evitar mais um, Astoria foi logo dizendo: "Eu já ia descer, Daphne. Scorpius dormiu agora, eu ia levá-lo para o berço para poder almoçar", disse, com a fala um pouco arrastada, das seqüelas ainda não recuperadas.

Porém, Daphne não disse nada.

Na verdade, ninguém disse nada. Ela apenas ouviu um fungado bastante discreto, nada mais. E podia sentir que havia alguém ali.

Ela só conhecia uma pessoa capaz de se mover assim, furtivamente... Se esgueirando feito um rato.

Bastou pensar isto, e um perfume que ela conhecia muito bem invadiu suas narinas.

Ao perceber quem estava ali, uma raiva a dominou, mais forte do que as dúvidas que tivera sobre seus próprios sentimentos. Uma vontade enorme de que ele não tivesse aparecido, embora tivesse esperado tanto por aquele momento. Um grande desejo de proteger sua criança daquele homem que lhe causou tanto mal.

Sem olhar para ele, disse: "Saia daqui. Vá embora. Nós não precisamos de você."

Draco caminhou lentamente, inseguro, em direção à poltrona. "Astoria, por favor!".

Ela se levantou, cobrindo o filho com uma manta para que Draco não pudesse vê-lo.

"Suma daqui! Não quis saber dele até agora, então, pode sumir de uma vez! Ele não precisa de você. Ele tem a mim, e é tudo o que precisa!"

Draco respirava aceleradamente, e tentava não chorar.

"Astoria, sei que cometi todos os erros do mundo e que não mereço sua compaixão, mas estou sendo sincero... Estou tão aliviado por te ver viva, por saber que você está bem!"

Astoria deu uma gargalhada sarcástica.

"Aliviado por eu ter sobrevivido? Você está feliz é por não ter que carregar a culpa pela minha morte. Mas veja bem, você conseguiu causar danos. Está ouvindo a minha fala? Já está sabendo que graças aos seus desmandos eu não poderei ter mais filhos?"

Draco mal pôde absorver o impacto desta informação, porque Daphne invadiu o quarto, gritando:

"Malfoy, seu imbecil, eu disse a você que esperasse eu anunciá-lo! Qual é o seu problema? Você não se cansa de causar problemas?"

Ela suspirou profundamente, e dirigindo-se à irmã com muito mais calma e doçura, disse: "Astoria, aí está ele. Não o pus para correr porque sabia que vocês precisavam conversar, mas era para ele esperar eu vir te avisar, e não para sair invadindo a casa. Pois bem, agora ele já está aqui, e..."

"E você pode conduzi-lo à saída, porque descobri que não quero falar com ele. Eu o quero bem longe de mim e do meu filho. Só quero vê-lo para assinar a separação e me ver livre do sobrenome daquela maldita família."

Draco fez uma expressão de profundo desapontamento, enquanto Daphne dizia: "Astoria, eu entendo suas razões, mas o fato é que vocês realmente precisam conversar. Sei que é difícil olhar para a cara deste... Deste sujeito aí. Porém, é necessário. Faça isto por você e por Scorpius."

Daphne não esperou resposta, apenas saiu, fechando a porta. Astoria permaneceu de pé, voltada para a porta de vidro, de costas para Draco.

Após alguns instantes de silêncio, ele disse: "Não pode ter mais filhos?"

Astoria virou-se para ele e confirmou, rancorosa: "Não, Draco Malfoy, não posso. Graças a você, que não atendeu ao que disse o Dr. Carter, tive um parto completamente inadequado. Tive uma infecção e meu útero foi retirado. E aí, está feliz? Agora somos iguais: dois inférteis!", ela disse, com tanta raiva que chegava a tremer.

"Eu sinto muito, Astoria! Se você soubesse o quanto me arrependo de tudo o que fiz e do mal que te causei! Se eu puder fazer alguma coisa, qualquer coisa, para compensar o mal que te fiz!"

Astoria olhou-o bem no fundo dos olhos e disse: "Deixe-nos em paz. É a única coisa que quero de você."

Draco se aproximou mais dela, e ela apertou o bebê contra seu corpo, numa postura defensiva.

"Eu sei que não o tenho direito de te pedir nada, mas, por favor, não me afaste do meu filho.". E em tom de súplica, pediu: "Deixe-me vê-lo!"

Astoria ponderou por alguns instantes. Naquele momento, queria dizer que o filho era só dela e que ele fosse embora. Porém, sabia que as coisas não eram assim, e que um dia ele teria que conhecer a criança.

Então, zangada, ela retirou a manta de cima do filho, revelando a Draco aquela criança tão imensamente parecida com ele.

A tensão no quarto pareceu se dissipar levemente. O desespero de Draco deu lugar a um olhar de ternura, cheio de carinho, em direção ao bebê. Um sorriso começou a se desenhar em seu rosto, e um riso frouxo escapou de sua boca ao constatar que, inegavelmente, agora ele era um pai.

Ele estendeu a mão para acariciar a criança, mas Astoria voltou a cobri-lo rapidamente, dizendo: "Gostou? Ele é a cara de Blaise Zabini, não é mesmo?"

Ao dizer aquilo, voltou-se novamente para a porta de vidro. Lágrimas começaram a correr por seu rosto.

Draco, tentando manter o equilíbrio, disse: "Fui injusto com você. Fui cruel. Eu fui tanta coisa ruim que nem sei o que lhe dizer, Astoria, então só me resta pedir desculpas.".

"Dizer que foi injusto e cruel não é nada perto do que você fez, Draco. Você me humilhou. Me tratou com desprezo, não me deu chance alguma de redenção, mesmo eu não tendo de fato o traído e mesmo eu tendo suportado várias traições suas. E sequer deu o benefício da dúvida a seu filho. Você o renegou desde o ventre, e agora acha que pode consertar tudo me pedindo perdão? Ora, faça-me o favor.".

Astoria foi até sua cama e colocou Scorpius deitado ali, desta vez sem a manta. Draco ficou olhando para ele, não conseguia parar de olhar. Estava encantado com a imagem do próprio filho. Astoria, então, o encarou, e com os olhos magoados, disse:

"Eu te amei tanto, Draco. Dediquei-me tanto a você, mesmo tendo me casado forçada. Foram anos e anos tentando ser uma boa esposa, tentando te dar amor, e o que recebi em troca? Traições, agressões, desconfiança, dor. E por fim, você atentou contra a minha vida! Indiretamente, mas atentou. O que você espera? Que eu esqueça tudo? Que eu volte a viver com você, em nome do bom nome da família Malfoy? Que eu volte para aquela mansão dos horrores, onde quase morri e onde meu filho poderia ter morrido, e aja como se nada tivesse acontecido? Não. Isto não vai acontecer."

Ela inspirou profundamente, expirou e prosseguiu:

"Não vou proibir você de ver seu filho, embora esta seja a minha vontade. E não faço isto por você, e sim por ele, porque por pior que você seja, é o pai. Mas você não vai tirá-lo de perto de mim. Vai vê-lo aqui. E até que ele possa falar, você só vai vê-lo enquanto estiver comigo por perto, para eu ter certeza de que você não fez mal nenhum a ele."

Draco assentiu.

"Não quero seu dinheiro nem nada que venha de você. A única coisa que quero é seu sobrenome, para esfregar na sua cara e na de sua família o quanto vocês foram injustos conosco, porque se não fosse por isso, eu ficaria contente em que ele fosse um Greengrass, como eu voltarei a ser."

Draco assentiu novamente, parecendo contrariado. Então, olhou nos olhos dela e disse:

"Astoria, eu amo você. Sei que agora isso não vale nada, mas saiba que eu te amo. Você foi e sempre será a mulher da minha vida. Nunca amei ninguém como te amo, e eu vou lutar para reconquistar o seu amor e reunir a nossa família. Eu sinto muito, sinto muito por todo o mal que lhe fiz, Astoria, eu me arrependo tanto! Eu faria qualquer coisa para voltar atrás e consertar todos os erros que cometi. Sei que não tenho como, então, só me resta pedir desculpas."

"Reconquistar o meu amor?", Astoria murmurou. "Não perca seu tempo. Você não pode reconquistar algo que não existe mais. Esforce-se ao menos para ser um pai decente. Quanto a mim, desista. Desista, porque tudo o que conseguirá é se humilhar à toa. Estou fechada para você e para qualquer coisa que você tenha para me oferecer. Esqueça-me. E lembre-se a cada dia de uma coisa: você não tem o meu perdão. Eu vou te odiar até o fim dos meus dias por todo o mal que você me causou".

Após dizer isto, Astoria foi até a cama e sentou-se ao lado do filho, observando-o.

Draco foi até ela. Olhou para o bebê por alguns instantes, depois para Astoria. Então, num gesto repentino e impetuoso, ajoelhou-se diante dela, e de cabeça baixa, implorou:

"Perdoe-me, Astoria! Por favor, me perdoe!"

Astoria olhou-o sem emoção,e disse.

"Eu não te perdoaria nem se você pagasse pelos seus erros com sua própria vida.".

Ele permaneceu por vários minutos de joelhos, chorando e implorando pelo perdão dela. Ela permaneceu impassível. Quando enfim ele percebeu que de nada adiantaria insistir, levantou-se, se recompôs e saiu do quarto, arrasado, humilhado, derrotado e consciente de que suas ações tiveram conseqüências irreparáveis.


Scorpius só conheceu a Mansão Malfoy ao completar quatro anos, idade em que Astoria autorizou Draco a levá-lo, na companhia de Mary. Somente nesta ocasião o pequeno Scorpius conheceu o avô, que, a esta altura, experimentava um sentimento de culpa com relação ao neto idêntico ao que Draco sentia com relação ao filho e a Astoria.

Após aquela conversa com Draco, os sentimentos de Astoria se organizaram e ela enfim soube que direção tomar.

Perdoar traições, ela poderia.

Perdoar agressões, ela poderia.

Porém, sua vida e a de Scorpius eram preciosas demais para serem desperdiçadas. E o fato de Draco ter compactuado em colocá-las em risco não poderia ser perdoado, jamais.

E com esta certeza, ela seguiu adiante, reconstruindo sua vida. Voltou a se chamar Astoria Greengrass. Voltou a fazer seus croquis e suas criações fizeram cada vez mais sucesso. E sua vida como uma Malfoy tornou-se uma mera lembrança, de um passado de paixão e de dor, que ela só não podia odiar porque foi ele quem lhe trouxe Scorpius.

Agora ela queria caminhar. Olhar para a frente e ser feliz. Recomeçar sua vida do jeito que bem entendesse. Da forma que ela sonhava quando seus sonhos foram interrompidos por um casamento arranjado, e ela teve que renunciar a tudo. Da forma que ficara para trás quando seu sapato branco tocou com leveza o piso do salão, levando-a em direção ao homem que se tornaria seu amor, mas também quase se tornaria a sua destruição.

Agora ela era uma mulher sem medos e amarras, pronta para dirigir sua própria vida. Cheia de coragem e senhora de si.

Enfim, livre.


NOTA DA AUTORA:

Finalmente, após cinco anos, dois hiatos imensos e 36 capítulos, chegamos ao fim de Contrato assinado! Quero dizer, quase fim, pois ainda tem o epílogo.

Eu ainda não vou fazer agradecimentos finais, farei isso no epílogo, mas quero agradecer de coração a todos que acompanharam até aqui, que voltaram após os hiatus, que chegaram depois deles e acompanharam a história...E a cada um de vocês que me enviaram reviews. A animação de vocês com a história foi a maior motivação para que eu continuasse escrevendo.

Gostaram da "cena hot" no início? Recebi comentários de que estavam com saudades delas, então, dei um jeitinho de colocar uma.

Respondendo às reviews lindas de vocês:

Último!? Como assim último capítulo? Não faz isso comigo moça kkk Estou esperando pelo menos mais uns 5 capítulos kkkk Mas está tudo lindo, posta logo!

-Pois é...Um dia ia ter que acabar, não é? rsrsrrs Espero que tenha gostado do final, mas se não, pode me escrever sentando o pau!

Dani Mulher voce que me matar do coraçao. A Astoria tem que viver e o Draco nem sei dizer, mas tou tao curiosa pra saber de quem é o bebe. Como assim o ultimo capitulo ?

-Seria muita maldade, depois disso tudo, ela morrer, não é? Nada disso! E o bebê era sim nosso querido Scorpius! E...Acabou. :( Mas já não era sem tempo,né? ;)

Flavia Querida voce como sempre arrasa, apesar que o capitulo ficou pequeno. A Astoria nao pode morrer o Bebe precosa dela, ja o Draco devia morrer. Gostei quando a Dafne chamou a Narcisa de Vaca, O Draco finalmente ta pagando pelos seus erros. Mas queria saber se os dois permanecem juntos depois disso. Mas iae quem é pai do Scorpius?. Posta rapido porque voce sempre deixa um gosto de quero mais

-Obrigada pelos elogios, fico muito feliz que tenha gostado da história! Astoria sobreviveu, Draco também, mas vai viver para sempre sentindo culpa e arrependimento, este é o pior castigo. Narcisa mereceu o xingamento, não? Bom, no epílogo você saberá se Astoria fraquejou e deu outra chance ao Draco, ou se cada um seguiu seu caminho... Qual é a sua torcida? ;)

Arya Então a senhora decidiu ressurgir n é mesmo? Estava relendo fics q a muito não lia ontem e achei essa por acaso. Relembrei da história lentamente e estava pronta pra ler até onde vc parou, mas percebi q vc tinha atualizado ela ontem msm! Sofri em silêncio e reli-a todinha haha!

Então, gosto muito da fic e espero que você não demore muito a postar o próximo capítulo.
Ps.: Sei q a fic está no final e que agora esse comentário será bem pouco relevante, mas essa curiosidade vive em mim td vez q leio um cap da fic: pq vc n aproveitou mais toda a magia do universo HP? Pq viajar de avião/carro qnd se pd aparatar? Pq o Lucius tava usando uma seringa (n consigo imaginar ele com uma seringa na mão independente do q tem dentro hahahaha) e pq ela n foi para o St Mungus para ser tratada por medibruxos q provavelmente resolveriam o problema mais rapidamente e com menos dor?
Enfim, espero que a pergunta não te ofenda pq, como eu disse, adoro a fic de qlqr jeito. ...
Continue escrevendo maravilhosamente bem e obrigada por tirar essa fanfic de seu longo hiatus.
Tenha um bom final de semana!

-Que bom que você voltou! ;) E sim, eu ressurgi, tomei vergonha na cara e vim terminar esta fanfic.

Adorei suas perguntas (Sempre torço por perguntas assim,rsrs). Vamos lá. Essa coisa do não-uso da magia tem dois motivos: o primeiro é que quando escrevi a fic, na verdade ela seria uma shortfic. Era só o que agora é o primeiro capítulo. E eu o idealizei como uma coisa U.A. (Universo Alternativo), como se eles fossem pessoas comuns, e não bruxos. Quando as pessoas começaram a pedir para continuar, eu fiquei meio perdida. Queria continuar como universo alternativo, mas acabei misturando algumas coisas do mundo bruxo, e confesso que talvez tenha me perdido um pouco, não colocando tantos elementos quanto poderia. O outro motivo foi que li no Pottermore que a família Malfoy, ao longo dos séculos, apesar daquela coisa toda de sangue-puros, não deixava de se congratular com trouxas quando era conveniente e inclusive possuía coleções de tesouros trouxas. Também no Pottermore, J.K. Rowling conta sobre o fascínio que os bruxos, até mesmo alguns sangue-puros, tinham pelos carros (e imaginei que Draco, um garotão rico e que tinha negócios com trouxas iria querer um) e que alguns bruxos se empolgaram com as televisões (por isso pus a Astoria fascinada por TV).O uso do avião foi porque não entendo bem como os bruxos fazem viagens por longas distâncias com malas, bagagens, etc. Quanto à seringa usada por Lucius, foram dois fatores: um é que acho seringas realmente abomináveis (e depois de passar por uma internação, tomei horror a elas,rsrsrs!). O outro é que se ele fosse usar magia, seria tudo muito mais rápido e ele conseguiria matar o bebê. Então, resolvi usar a seringa como "elemento dramático", embora isso fuja bastante do universo mágico. Por razão parecida a Astoria não foi para o St. Mungus, senão resolveriam tudo rápido e perderíamos o drama. Vamos imaginar que ela estava fazendo um pré-natal com médicos trouxas também. rsrs

Bom, galera...fico por aqui!Por favor, comentem o que acharam, se gostaram do final, se detestaram, o que gostariam que tivesse acontecido...Em breve postarei o epílogo para vocês. E, caso desejem, tem umas cenas que pensei, mas não couberam na fic, e eu estou considerando escrever e postar como um "material extra". Coisas do tipo: Draco reecontrando a Meredith, Astoria descobrindo que estava grávida, Lucius e Narcisa vendo Scorpius no berçário pela primeira vez... Essas coisinhas. E no epílogo eu explico por que escolhi este final, e não um final feliz que talvez todos estivessem esperando, e mais uma ou outra coisinha sobre a história, que ninguém perguntou,mas eu tenho vontade de dizer. Hue!

Enfim... É isso. Um beijo para todos, e obrigada por me acompanharem até aqui.

:*

Padma Raven