Só passando pra postar o novo capítulo. Mas eu volto pra responder. Fim de ano é sempre a mesma coisa, correria pra lá, correria pra cá, mas vamos levando. Espero que gostem desse. Obrigada a todos!
Capítulo 36
Por causa dos olhos cor de âmbar...
Os dias se passaram. Dohko e Lígea estavam fazendo o impossível para reunir provas a favor de Afrodite. Entrevistaram Miro, que não mudava de opinião sobre o sueco, assim como Shura. A grega estava achando que o espanhol estava se aproveitando da situação para incriminar o colega frágil e sensível. Não perderam tempo procurando Kamus, ele não estava disposto a ajudar. Aioros? Aioros só reclamava da falta de Ísis. As garotas preferiram se manter neutras. Shina era única a dizer que não concordava com a acusação contra Afrodite.
O mesmo acontecia com o pessoal da turma A. Aldebaran até tentava ajudar, mas toda vez que expressava sua forma de pensar, andava em círculos. Mu nem sequer chegava perto do casal. Shaka colocava suas suspeitas em cima de Shura. Aioria continuava com a idéia de que eram Máscara da Morte e Kanon os principais autores.
-Não vai dar, Dohko. Vamos precisar falar com os trastes e com a Anisah.
-Mas será que a Anisah vai topar?
-Só há um modo de saber. E vai ser já. Ela está vindo sozinha aí. Vou perguntar agora.
-Anisah! – Gritou Lígea para a garota que andava distraída.
A pequena árabe acenou e foi ao encontro do casal.
-Tudo bom?
-Sim, Lígea. E vocês?
-Estamos bem. – Respondeu a grega pelos dois – Mas podemos ficar melhores com a sua ajuda.
-Então me diga, em que posso ser útil?
-Você precisa falar com o Kamus.
-Ah... Se é sobre o lance das provas...
-Isso mesmo. Sobre o lance das provas.
-Não vai dar, Lígea. Da última vez que conversei com ele sobre isso, ele não levou o assunto para frente.
-Acontece que tem um amigo nosso que acreditamos estar sendo acusado injustamente. Não podemos ficar parados.
-O próprio Kamus disse que esse assunto não interessa a ele.
-Anisah... – Dohko interveio – O Kamus é muito inteligente. Sei que ele não quer se envolver nisso, mas enquanto ele ficar fugindo, o verdadeiro culpado não vai aparecer... Nós sabemos que ele pode ajudar.
-Você é a única que poderia conseguir extrair dele alguma opinião sobre o autor do crime.
-Ele não vai me dar nomes, gente.
-Que seja! Ele precisa se sensibilizar com o que está acontecendo!
-Não vejo como, Lígea.
-Mencione a palavra honra. E que se envolver seria o correto.
Anisah refletiu sobre as palavras de Dohko.
-Está certo... Mas eu não garanto nada, está bem?
-Só de tentar, vale alguma coisa.
-Se eu conseguir algo dele, certamente ele os procurará.
-Se for possível, Anisah, diga a ele para ir até a casa do Kanon, estaremos lá nessa noite.
-Ele... Não vai gostar muito disso, mas eu prometo tentar.
-Até breve então. E muito obrigada.
Anisah sorriu e partiu, em busca de Kamus para ter aquela conversa.
---------------------------------------------------------------------------------
-Será que isso vai dar certo, Lígea?
-Dohko, eu não vim até aqui para pensar que as coisas vão dar erradas. Nós precisamos resolver essa situação, principalmente pra você dormir melhor todas as noites.
-Tudo bem, só estou dizendo isso porque eu sei que o seu papo com o Kanon é um pouco... Restrito.
-E não vai deixar de ser. Nós só vamos discutir negócios. Se não foram aqueles dois... – Lígea fez questão de acrescentar após o olhar repreensivo de Dohko – Eles vão ajudar a gente a resolver isso.
-Mas e se pra eles o assunto já estiver morto?
-Não vamos deixar morrer! Dohko, tenha a santa paciência, você quer que eu desista agora?
-Tá certo, tá certo... Então, aperte a campainha.
Ela não apertou a campainha. Lígea pressionou o botão até alguém ir à porta e atendê-los.
-Você sabia que a campainha não tem o mesmo som interessante de uma sinfonia de Tchaikovsky, Lígea? – Disse Kanon irritado.
-Eu sabia. Fiz mesmo para irritá-lo.
-Olá, Kanon.
-Olá Dohko.
Os dois ficaram parados olhando para o grego de olhos azuis.
-Ah Kanon, não vou esperar você resolver ser gentil e nos convidar para entrar, o assunto é muito importante. – Disse a grega arrastando o namorado pela mão para dentro da casa de seu colega de classe.
Kanon fechou a porta mal humorado.
-Olha só, o casal vinte chegou! – Exclamou Máscara da Morte sorridente.
Kanon lançou olhares de tédio para seu melhor amigo.
-Perfeito, era com vocês dois mesmo que queríamos falar.
-Então, podem começar. – Disse Kanon sem demonstrar muito interesse.
-Viemos falar sobre o roubo das provas.
-Ah Lígea, sem essa, o caso já foi resolvido. Quero mais é me preocupar com a festa de formatura.
-Nós já achamos o culpado, fim de papo.
-Não, não acharam não.
-Como não? Então o investigador Hipérion tem poderes ilusórios e aplicou em nós?
-Mask, você vai perder tempo falando com essa lunática que só sabe acusar as pessoas?
-Escutem bem aqui, vocês já pararam pra pensar que podem estar usando o Afrodite como bode expiatório?
-Lígea, reunimos todas as provas possíveis e impossíveis. Tudo nos levou a essa conclusão. Embora seja difícil de acreditar que aquele rostinho sensível pudesse executar o nosso plano, ele se encaixa perfeitamente nas evidências.
-E quais são essas evidências?
-Vamos lá, mais uma vez... – Suspirou Máscara da Morte – Ele não é alto e nem baixo, é magro, tem olhos azuis, não tem amigos, a Shina não era namorada dele na época, ele só conversava com meninas, quis fazer parte da turma B e não conseguiu, aí roubou as provas pra chamar a atenção.
-Sem falar que a blusa foi encontrada na casa dele.
-Tudo bem, tudo bem. Mas só o Afrodite tem olhos azuis?
-Lígea, pergunte ao seu namorado, ele estava lá quando falamos da história... Dohko, dê um jeito em sua mulher, ela está precisando de uma boa noite junto com você!
-Respeito, Kanon!
-Vocês conseguiram enxergar alguma armação nos olhos do Afrodite? Digo, vocês já observaram bem o olhar do Afrodite?
-Claro que não, Lígea! Eu vou ficar prestando atenção em homem?
-Máscara da Morte, o Dohko me disse que vocês viram os olhos do criminoso. Como era o olhar dele?
-Era rápido e inteligente. Mas olha, Lígea, até mesmo Aioros conseguiria expressar aquele olhar se estivesse naquela situação.
-Ok, ok. Então vamos para um outro ponto chave. A blusa.
-O que tem a blusa?
-Por um acaso, vocês viram a marca da blusa? Geralmente a gente faz compras em uma mesma loja.
-Eu não sou preocupado com isso.
-Mas o Afrodite é. Se vestia impecavelmente. Alguém mostrou a blusa para ele?
-Pelo visto sim.
-E ele, Kanon?
-Negou que era dele.
-E por que ele negaria?
-Por que o rabo dele ia fritar na prisão?
-Estou falando sério!
-Eu também, Lígea! Você acha que o Afrodite ia dizer: "Sim, fui eu mesmo!"? Às vezes eu te acho patética!
-Kanon, e se alguém plantou a prova na casa dele?
Kanon e Máscara da Morte se olharam. Na mesma hora, Saga apareceu na sala. Tinha acabado de acordar.
-Olá, Dohko... Lígea... Pelo visto temos uma reunião por aqui...
-Não quer participar também, Saga?
-Sobre o que é, Dohko?
-Sobre o roubo das provas.
Ele olhou demoradamente para todos na sala.
-Acho que não. Estou com uma dor de cabeça muito forte.
-Saga, acho que sua opinião é muito importante. – Disse Lígea em quase tom de súplica.
-Não vejo em como ajudar.
-Talvez até ajude, irmãozinho. A Lígea chegou com uma teoria nova aqui.
-Hum... E qual... É? – Havia um pouco de receio na voz de Saga.
-Eu disse para eles, Saga, que talvez tivessem colocado a blusa que foi usada no dia do crime, na casa do Afrodite para incriminá-lo.
Saga não disse nada. Preferiu se manter calado.
-Não vai dizer nada, irmão?
-Não. Com licença, vou me retirar. Preciso ir até o shopping, fazer umas compras.
Saga pegou sua carteira, se despediu dos colegas e saiu de casa.
-Kanon, seu irmão tá muito estranho nesses últimos tempos.
-Está, eu acho que aquela menina mexeu com o cérebro dele. Ele já tinha uns distúrbios, agora está ficando pior...
-Não exagere, Kanon! Seu irmão é uma ótima pessoa.
-É Lígea, mas ele tem mesmo... Umas perturbações.
-Kanon... Você não acha que ele...?
-Me dói o coração pensar nisso, Mask. Dói mesmo.
-Você acha que foi seu irmão então, Kanon? – Dohko arregalou os olhos.
-Ah Dohko, eu não sei. Fora o Afrodite, quem mais teria motivos pra fazer isso? O Mu até tinha, mas já foi constatado que não foi ele.
-Você acha então... Não, não pode ser... O Saga...
-Ele manda muito bem em Grego, podia muito bem fazer outra prova e eu sempre fiquei desafiando ele, sempre competindo... E ele tem olhos claros...
-Não sei – Refletiu Lígea – O olhar do Saga é... Peculiar.
-Pois é, de perturbado.
-Não Kanon. É um olhar melancólico, triste, como se ele tivesse se perdido.
-E por que o ladrão não pode ser alguém perdido?
-Claro que pode! – Disse Dohko.
-E a pessoa tinha que ser boa em saltos...
Kanon começou a se lembrar...
"O apito soou na arena e Saga ia mais uma vez saltar. Era seu último salto. Se concentrou e saiu correndo. Fez o melhor salto de sua vida. Os alunos bateram palmas de pé."
-É verdade, Mask. Putz, não acredito...
-Não acredita no que, Kanon?
Kanon olhou para os três com tristeza.
-Porque eu fiz uma promessa...
-Qual promessa? – Quis saber Dohko.
Máscara da Morte colocou a mão sobre o ombro esquerdo do rapaz. Kanon se sentou no pequeno sofá da sala e suspirou. Passou a mão sobre sua testa, juntou suas mãos como se fosse rezar e colocou sobre a boca. Depois encarou o casal.
-Eu prometi para mim mesmo que se o culpado pelo crime fosse o Saga... Eu me entregaria no lugar dele.
Dohko e Lígea se olharam surpresos.
-Você está falando sério, Kanon?
-Sim. Vocês não sabem o que o Saga já fez por mim.
Máscara da Morte deu um soco no ar.
-Droga, Kanon! Isso não pode acontecer!
-Mas... Gente... – Lígea não sabia mais o que pensar.
-Vamos nos acalmar! Não adianta ficarmos paranóicos! O Saga não está participando dessa conversa! – Dohko sentiu que precisava tentar amenizar o clima pesado em que aquela conversa se transformou.
-Está certo. Bem, vamos continuar. Além das provas existia a chave do carro e o cheque.
-Sim, Lígea, e daí?
-E daí, Máscara da Morte, que ninguém falou se acharam esses dois objetos na casa do Afrodite.
Mais uma vez a dupla se entreolhou.
-Mas aí, Liginha, teríamos que olhar a conta do Afrodite.
-Certamente, Kanon. Mas acho mais fácil pensar nos outros, antes de olhar a conta bancária do Afrodite. Provavelmente o ladrão não foi tão idiota de ter guardado esse dinheiro até hoje. O cheque já deve ter sido compensado. O ladrão deve ter feito investimentos.
-Que tipo de investimentos?
-Não sei, gastado com roupas, acessórios ou presentes.
Kanon arregalou os olhos.
"-Veja, aproveitei que a Kia não estava comigo à tarde e fui até o shopping e comprei esse colar de ouro branco pra ela. O pingente com o símbolo do Signo de Câncer também é de ouro branco com Zircônio. Não é lindo?
-Você comprou isso pra ela, Saga?
-Sim! Daqui uma semana vamos completar dois meses! Nossa, estou tão apaixonado por ela, Kanon. Queria mesmo era dar um anel de brilhantes a ela, mas, não posso pedir pro papai, fui ver e é muito caro.
-Você é um louco e perturbado.
-Kanon, eu não quero brigar com você.
-Saga, você não vai dar isso pra ela. Amanhã mesmo você vai devolver isso na loja que comprou.
-Ai Kanon, deixa de ser invejoso! Por favor, você disse pra eu tomar conta da minha vida, eu estou tomando."
-O que foi Kanon? Você está bem?
O grego viu o chão rodar.
-Máscara da Morte, pegue uma cadeira pra ele! Dohko, vai buscar um copo de água, rápido!
---------------------------------------------------------------------------------
Anisah ligou para Kamus e pediu que fosse com ela até uma livraria no centro de Atenas. Como lá havia um pequeno café, pensou em uma ótima oportunidade de abordar o rapaz. Estariam em um lugar neutro e ele não seria capaz de abandoná-la no meio do nada. Assim foi feito. Às três da tarde, os dois entraram na livraria.
A árabe olhou as estantes e encontrou o livro de poesia parnasiana que queria. Depois que pagou pelo livro, ela deu a sugestão do café. Kamus concordou na mesma hora.
-Por favor, um café expresso com chantily para ela e um chá mate gelado para mim. – Pediu o francês para o garçom.
-E então, Kamus, está conseguindo colocar a matéria da escola em dia?
-Vou fazendo o que posso, Anisah. Mas aos poucos estou conseguindo. Obrigado por ter xerocado o caderno de sua irmã e ir me levando aos poucos. Me ajudou muito.
-Era o mínimo que eu podia fazer por você, após ter tirado 9,5 na prova de física. – Anisah sorriu e colocou sua mão sobre a mão do rapaz.
Kamus respirou fundo. Aquele toque suave começou a provocar arrepios em si.
-Você já foi visitar o Afrodite na prisão, Kamus?
-Não. E não pretendo.
-Puxa vida, aquele dia em que você disse que ia pedir desculpas a ele, eu achei tão nobre da sua parte... Você não acha que deveria visitá-lo?
-Não gosto do ambiente de delegacias, Anisah.
O garçom chegou com o pedido e os serviu. O café da árabe soltava fumaça de tão quente que estava.
-Sei que você não gosta de falar sobre o assunto... Mas você tem uma maneira tão brilhante de raciocinar...
-Obrigado por me dizer isso, Anisah. Você também é inteligente.
-Você podia usar isso para ajudar seu amigo, Kamus.
O francês tomou um gole de seu chá gelado.
-Não posso ajudar ninguém.
-Por que não? Ai, Kamus, acho que está na hora de você sair dos bastidores.
-Eu já disse que o ladrão tem que se entregar sozinho. Se foi o Afrodite ou não, ele precisa se entregar sozinho.
-Você sabe que não foi o Afrodite.
-Agora você também vai ficar contra mim? Já sei, a Lígea que pediu pra você conversar comigo.
-Qual é o problema em você apenas entrar na discussão? Kamus, ninguém está dizendo pra você chegar acusando. Se você não quer fazer isso, apenas os direcione! Você sabe muito bem fazer isso!
-Não vou me meter no assunto e basta! Me arrependi de ter expressado a minha opinião pra você! No mínimo você deve ter ido correndo contar pra Lígea e pro Dohko o que eu te disse!
-De jeito nenhum! Nossa... Como pode pensar isso de mim?
A árabe encarou os olhos de Kamus com tristeza. Fazia força para conter as pequenas lágrimas que estavam se formando.
"Esses olhos... Esse olhar... Ah não, Kamus... Lá vamos nós outra vez!"
O francês respirou fundo e tomou o resto de seu chá.
-Me... Me desculpe, Anisah. Eu não queria ter sido estúpido com você.
-Mas foi... E me machuca... Porque eu só quero... Te ajudar.
-Seu café está esfriando...
Em poucos segundos ela tomou o líquido na pequena xícara. Tomou coragem para abordar o assunto novamente.
-Na minha opinião, Kamus, o correto era achar o verdadeiro culpado, e não ficar consentindo com uma acusação errônea. Mas se você não pensa na honra perdida do Afrodite, infelizmente, não há nada a se fazer.
Kamus olhou para o lado, pensativo.
-Bom, está na minha hora. Se você achar que deve participar dessa nova investigação, dê uma passada na casa do Kanon depois que sair daqui. Eles estão reunidos lá, conversando.
O francês foi com a pequena árabe até o ponto de ônibus. Quando a garota entrou no transporte público e perdeu-se de sua vista, Kamus suspirou. Esticou o braço para tomar o próximo ônibus que estava chegando.
---------------------------------------------------------------------------------
-Você está melhor, Kanon?
-Responde cara! O que aconteceu? Você se lembrou de algo?
Kanon começou a derramar lágrimas silenciosas.
-Foi algo que o Saga te disse? – Perguntou Dohko receoso – Se foi, eu sei muito bem o que é ter um desses flashbacks...
O grego suspirou profundamente. Passou a mão nos olhos.
-Sim... Me lembrei... Saga comprou uma corrente de ouro branco para Kia, de presente de dois meses de namoro.
-Putz! É mesmo! – Exclamou Máscara da Morte.
-E também comentou que queria comprar um anel de brilhantes pra ela, mas não tinha dinheiro suficiente para isso...
-Ainda bem que ele não fez essa idiotisse! – Disse Lígea revoltada.
-O problema não é a Kia nesse momento... – Kanon suspirou mais uma vez – O problema é que foi um presente caro.
-Quanto custou? – A cada pergunta, Dohko sentia mais medo.
-Aí eu já não sei, mas posso ver se eu acho a nota fiscal no quarto dele.
-Então vamos lá!
Os quatro se puseram a caminhar até o quarto de Saga, quando a campainha tocou.
-Quem será? O Saga levou a chave...
Kanon foi até a porta e olhou pelo olho mágico. Não acreditou no que viu. Os três que aguardavam pelo novo visitante ficaram curiosos. O grego abriu a porta.
-Oi. Vim... Para a pequena reunião.
-Como sabia que estamos reunidos?
-Eu apenas... Soube.
-Entre.
Os três olharam incrédulos.
-Kamus? O que...
-Vim para a pequena reunião.
Lígea sorriu. O francês teve a certeza de que foi ela a pivô daquela conversa com Anisah.
-Bem, vamos continuar de onde paramos então...
-Não acham melhor colocarmos o Kamus a par do que está acontecendo?
-É, Lígea, você tem razão.
Contaram para ele tudo o que haviam conversado. O francês apenas escutava, sem fazer perguntas, sem expressar qualquer reação, sem mudar a cabeça de direção. Apenas os olhos acompanhavam as falas.
-E aí que agora vamos até o quarto de Saga procurar a nota fiscal da jóia que ele comprou.
Kamus continuou em silêncio.
Os cinco então foram até os aposentos do irmão gêmeo de Kanon. Procuraram nas gavetas, armários e nada encontraram. Até que Máscara da Morte achou uma pequena lata que lembrava um cofre. Um pequeno cadeado a fechava. Mostrou ao melhor amigo.
-Tá certo, Mask, mas está trancada.
-Arromba, ué!
Kanon tomou nas mãos o objeto. Antes de abrir, direcionou o olhar para Kamus.
-Você não tem nada a dizer?
-Não é melhor examinarmos o que tem aí dentro desse cofre antes de criarmos teorias?
-Prefiro ouvir alguma opinião sua, Kamus. Não acho que você esteja completamente por fora dos fatos. Você esconde algo. Diga-nos o que é.
O francês cruzou os braços.
-O que posso dizer é que ACHO – Fez questão de ressaltar a palavra – Que não foi o Afrodite o verdadeiro culpado.
-E acha que foi quem?
-Todos são suspeitos. Para mim não tem essa de quem tem mais ou menos motivos. Todos são suspeitos e acabou.
-Até mesmo Shaka?
-Sim.
-E o bobalhão do Aioros?
-Também.
-E o Miro?
-Kanon, você não sabe o que significa a palavra "TODOS"?
-Até mesmo nós?
-E por que não? Ora, vejo que estou perdendo meu tempo aqui.
Máscara da Morte olhou para o francês, desconfiado. Kanon continuava olhando para o cofrinho, cheio de dúvidas.
-Não vai abrir, Kanon? – Lígea indagou impaciente.
-Não tema Kanon, você pode desfazer a promessa, se quiser. – Assegurou seu melhor amigo.
-Me perdoe a intromissão, mas que promessa?
-Eu disse que se o ladrão fosse meu irmão, me entregaria no lugar dele.
Kamus pela primeira vez arregalou os olhos.
-Mas que nobre da sua parte, Kanon.
O grego voltou para o cofre. Pegou uma chave de fenda e estourou a fechadura. Abriu a pequena lata.
-Minha nossa! – Exclamou Kanon antes de sentir as pernas amolecerem.
-Segurem ele! – Gritou Lígea para os três garotos, atônita.
---------------------------------------------------------------------------------
Saga entrou no shopping inquieto. Foi direto para a praça de alimentação e comprou um milk shake. Se sentou em uma das mesas e ficou observando as pessoas passearem, perdido em seus pensamentos, não percebendo quem estava se aproximando dele.
-Oi... Será que eu posso me sentar aqui... E conversar com você?
-Oi Kia, não quero conversar com você.
-Tudo bem, Saga. Então não fale nada. Apenas ouça o que eu tenho para dizer.
O grego não se mexeu. Apenas olhou fixamente para os olhos violeta da garota.
-Eu... Eu sei que não posso pedir desculpas pelo ocorrido. Não vai adiantar absolutamente nada.
Ele não se moveu novamente. Ficou aguardando as novas colocações da garota.
-Eu gosto muito de você... Acho você uma pessoa incrível e diferentemente dos outros, sempre te achei muito verdadeiro. Eu não devia ter feito o que eu fiz, pois foi completamente desumano... Me aproveitei do fato que você gostava de mim, que estava cego de paixão e agi pelas costas... Mas eu me senti muito culpada por não corresponder ao seu amor e por isso não tive coragem de dizer "não"...
-Está me dizendo que ficou comigo apenas por pena? Kia, você é pior do que eu pensava!
-Não! Espere!! Você me ajudou muito! Eu achei que se eu dissesse "não" seria um golpe muito pior! – Disse ela começando a chorar – Aí eu optei por seguir com aquela farsa pra fazer você feliz.
-Você me enganou. Sabe o significado disso?
-Sim, eu sei. E eu... Estou pagando por isso. Pode acreditar.
-Ainda acho pouco.
-Na verdade, além de querer me justificar, eu queria que você fizesse uma coisa.
-Mas que cara de pau!
-Espere! Eu queria dizer que... O Mu não tem culpa na história... Eu que fui atrás dele e fiquei o forçando a ceder... Você não precisa brigar com ele, por favor... Ele vivia me dando foras, dizendo que não queria nada comigo, pois eu era sua namorada.
-Mas ele fez. E claro, ele que te mandou me encontrar e me dizer essas coisas.
-Não... Ele não está falando mais comigo também. Perdi você, o perdi e perdi meus amigos. Estou assumindo toda a culpa. Você não precisa mais olhar na minha cara. Eu só queria que você não interpretasse o Mu de forma errada. Fui eu a culpada. Fiz pressão.
-Não acredito em nada do que você diz, Kia.
-Que pena, pois esta é uma das únicas vezes em que estou sendo totalmente aberta contigo.
Saga não disse nada.
-Não espero que me perdoe. Mas perdoe seu amigo. Sei que você gostava muito dele e não esperava aquela atitude vinda de uma pessoa tão próxima de você.
O grego se levantou da mesa.
-Você tem mais algo pra dizer?
-Não, Saga. Era... Era só isso mesmo...
-Até mais ver então.
Saga saiu do shopping e começou a caminhar lentamente. Kia continuou sentada naquela mesa, observando as pessoas irem e virem. Pelo menos pôde respirar aliviada. O que ela podia fazer havia feito. A decisão final seria de Saga.
