A Substituta

Autora: Érika

"Saint Seiya" é propriedade de Masami Kurumada, Shueisha e Toei Animation.

Capítulo 11 - Parte 2



Juan de Dios (conhecido popularmente como Dio, que era seu apelido) nasceu na Cidade do México. Sua mãe tinha um irmão grego chamado Elek, e que ia visitá-los esporadicamente porque vivia no Santuário de Athena e era um cavaleiro de prata.

Quando Dio completou dezesseis anos, seu pai morreu num acidente de trabalho. Deste modo, Elek resolveu convidar a irmã e o sobrinho a irem morar com ele na Grécia. Porém, a mãe de Dio jamais pôde se refazer da morte do esposo, falecendo poucos meses depois. Dio ficou destroçado com a morte dos pais num espaço de tempo tão curto, adoecendo gravemente. Foram necessários vários meses até que se restabelecesse por completo, graças aos cuidados de Elek, que se dedicou a ele com afinco.

Algum tempo mais tarde, Elek começou a treinar seu sobrinho. Dio era um bom discípulo, malgrado o fato de ser bastante displicente no princípio. Exatamente nesta época, ele conheceu Sírius e Algethi, pois ambos também eram alunos de seu tio. Os dois eram órfãos e estavam no Santuário desde crianças. Mesmo treinando havia anos, ainda não tinham conseguido conquistar nenhuma armadura, porque não se esforçavam o suficiente e tinham um comportamento indisciplinado e rebelde. Dio, ainda que fosse mais novo do que eles, mostrava-se mais maduro. E apesar de tudo, rapidamente tornou-se amigo deles. A partir de então, os três começaram a formar um trio praticamente inseparável. Dio mantinha longas conversas com eles sobre sua infância e adolescência, quando ainda morava no México. Secretamente, Algethi e Sírius o invejavam um pouco, porque ele tivera uma família. Havia perdido, mas mesmo assim pudera desfrutar do amor de seus pais, ao passo que eles nunca conheceram o calor de um lar. Apesar disso, realmente sentiam afeto por Dio, e este sempre tentava estimulá-los nos treinos. Aliás, graças a Dio, Algethi e Sírius pouco a pouco começaram a se disciplinar. Elek ficou muito satisfeito com a ajuda do sobrinho.

Anos depois, finalmente Sírius e Algethi conseguiram terminar seu longo treinamento. Quanto a Juan, já concluíra o seu antes deles. Mais tarde, Elek morreu em uma pequena luta que o Santuário travou contra cavaleiros que serviam sacerdotes de uma ilha longínqua. Não foi uma batalha longa ou difícil, já que os inimigos não eram muito poderosos. Mas Elek foi atacado covardemente pelas costas durante seu confronto e por isso faleceu. Dio, Algethi e Sírius, furiosos, vingaram-se da morte dele. Eles foram os que mais se destacaram dentre os cavaleiros de Athena que participaram desse combate.

Exatamente dois anos após este acontecimento, eles lutaram contra Pégasus.

Agora que todos estavam bem e começariam a lutar ao lado dos demais cavaleiros de Athena, sentiam-se bastante animados e preparados para quaisquer pelejas que o futuro pudesse lhes reservar.

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Tremor e Jamian, a exemplo de Algethi e Sírius, também eram dois órfãos que viviam no Santuário, desde que eram tão somente dois meninos. Eles tiveram mestres diferentes, mas tornaram-se grandes amigos ainda crianças, já que seus instrutores eram primos e treinavam seus alunos juntos freqüentemente. Tremor, com sua habilidade com as flechas, e Jamian com seu domínio sobre os corvos, formavam uma grande parceria, mesmo sendo eles tão díspares entre si.

Geralmente Jamian era bastante sociável, mas Tremor em contrapartida mantinha uma postura mais distante e reservada, embora não fosse um indivíduo esnobe ou prepotente. Não obstante, às vezes aparentava sê-lo devido aos seus modos austeros. Mas por ser um grande amigo de uma pessoa como Jamian, conseguia fazer amizades com alguma facilidade.

Eles concluíram seu treinamento mais ou menos ao mesmo tempo, e participaram de algumas pequenas batalhas em que o Santuário se envolveu, antes das lutas contra os cavaleiros de bronze e Saori. Durante esses pequenos confrontos, Jamian conheceu Shaina. Os dois lutaram juntos algumas vezes, embora a amazona de Ofiúco o considerasse um estúpido. Ele por seu turno não antipatizava particularmente com ela, apesar de achar seu caráter difícil e até desagradável freqüentemente. Tremor também conhecia Shaina, mas apenas superficialmente. Na sua opinião, excluindo-se Athena, e mesmo assim porque era a deusa a quem ele servia, as outras mulheres não deveriam lutar. Considerava-as desnecessárias, e neste aspecto ele e Jamian discordavam completamente. Isto gerava algumas discussões entre eles. Corvo sentia uma profunda admiração pelas amazonas, bem como pelos outros cavaleiros, e não fazia nenhuma distinção entre ninguém. De qualquer maneira, os atritos entre Tremor e Jamian costumavam ser resolvidos rapidamente, e a amizade forte que sempre os unira prevalecia.

Quando Ares ordenou a Jamian que raptasse Saori, nem sequer por um instante ele imaginou que ela pudesse ser realmente Athena. Por outro lado, quando ela expandiu seu cosmo para controlar os corvos dele e imobilizá-lo, isto o perturbou sobremaneira, fazendo-o desconfiar de que talvez ela efetivamente fosse a deusa. Ou pelo menos deveria ser alguém bastante poderoso. Ainda assim, naquele momento ele estava furioso, por isso não pensou detidamente no assunto. Seu único desejo era eliminá-la por ela ter conseguido subjugar seus corvos. Depois, quando ele tropeçou e caiu no alcantil, sentiu-se desnorteado e pensou que fosse morrer. Mas se enganara, e agora que estava restabelecido do khoma graças a Athena, e encontrava-se no Santuário em companhia de seus corvos novamente, sabia que precisava se redimir por ter tentado atacar sua própria deusa. O que o consolava era que outros também tinham lutado contra ela, pensando que se tratasse de uma impostora.

"E mesmo sendo a verdadeira Athena, ela perdoou a todos nós pelo mal que queríamos fazer a ela. Aliás, justamente por ser a deusa da justiça ela nos desculpou, pois sabia que estávamos equivocados. Mas não tivemos culpa realmente, porque só cumpríamos ordens daquele que pensamos que era um defensor da paz. E eu nunca mais falharei com Athena de novo", pensou Jamian com súbito otimismo.

Tremor por sua vez não se sentia embuído do otimismo de seu amigo. Ainda nutria um imenso tormento interno por ter sido precisamente a pessoa que disparara a flecha dourada contra Athena. Mesmo tendo consciência de que naquele momento pensara estar agindo corretamente, acreditando que a verdadeira deusa sempre estivera no Santuário como dizia Ares, agora que conhecia a verdade a culpa insistia em persegui-lo implacavelmente. Já falara com Athena, pedira-lhe perdão, e ela fora muito boa e compreensiva, isentando-o de qualquer culpabilidade. Apesar disso, ele não conseguia esquecer e sentia um peso indizível no coração.

"Com o tempo, talvez... com o tempo esquecerei e poderei me perdoar", ele pensou, ainda que não acreditasse nisso.