Capítulo trinta e seis: Todos juntos

Por Kami-chan

– Ele está vivo. – A surpresa – Mas está nos deixando. – E o medo.

– Mas você é a médica certo? – A voz Konan saiu levemente temerosa. – Pode dar um jeito nisso, não pode?

– Deidara está ferido demais, eu não posso dar garantias de nada. Mas temos que ser rápidas. – A rosada terminou sua fala se voltando mais uma vez ao corpo quase sem vida que tinha ante si.

A fala da amiga ativou todos os sentidos de Ino, fazendo com que a loira despertasse em sobressalto. Como assim Sakura não acreditava que seria capaz de trazer Deidara de volta? Nunca tinha escutado palavras assim da amiga, tudo o que lhe era imposto, por difícil ou único que fosse, Sakura conseguia. Ela era perfeita com os ninjutsus médicos.

– Rápido? Rápido como? O que eu faço? – Questionou a loira, desta vez sendo solta por Konan.

– Rápido do tipo 'o relógio contra nós' Ino, eu sinto muito. – Não podia deixar de ser sincera com a amiga, por mais que a realidade atual pudesse ser ainda mais aterrorizadora que a anterior.

Faria tudo o que estivesse ao seu alcance, mas não havia garantias para a vida de Deidara.

– Konan precisamos tirar ele do buraco direto para o hospital, eu sei que você tem como se comunicar com Pain daqui, peça para ele, Itachi e Kakuso e Kisame estarem prontos em um hospital para nos auxiliar. Principalmente Itachi, ele precisa estar dentro da sala de cirurgia. – Disse dirigindo um rápido olhar a azulada.

– Hai! – Konan respondeu e se afastou para fazer o que lhe fora pedido.

– Cirurgia? – Ino olhou assustada para Sakura, mas a rosada não lhe respondeu da forma como queria.

– Ino são muitas fraturas e muitas lesões internas, então tome cuidado. Preciso que você mantenha os órgãos primordiais enquanto eu vou cuidar de duas hemorragias, são pequenas, mas ele já está aqui tempo demais. E se você se importa mesmo com ele, não o veja como seu namorado.

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Na sede os homens estavam todos unidos, porém em silêncio. Hidan estava ali apenas porque não tinha escolha, Kakuso estava sentado em uma poltrona grade e confortável, lendo.

O mais velho também não entendia muito bem o porque de ter que se manter ali. Kisame estava deitado sobre o tapete, a cabeça escorada sobre a Samehada, estava curioso sobre onde aquilo tudo iria os levar.

Itachi estava sentado na outra poltrona grande e confortável da sala, o cotovelo apoiado sobre o braço da poltrona, enquanto a mão servia de apoio para a cabeça, os olhos fechados o mantinham em alerta de uma forma diferente. E Pain andava de cá para lá pelo aposento, culpando-se por permitir que Konan saísse sozinha daquele jeito, levando em consideração o estágio de sua gestação.

Ele não sabia nada dessas coisas de gravidez, mas lhe parecia obvio demais o fato de que ela deveria evitar certos esforços. Estava preocupado, já tinha tanto tempo que ela tinha ido e não tinham nenhuma notícia, nenhum sinal de que elas estariam voltando. Devia ter mandado um dos cinco. Devia ter ido com ela. Devia ter-la feito ficar.

Soltou um suspiro pesado para marcar o momento em que tinha desistido de apenas ficar ali esperando. Iria atrás dela, sabia que ela estava mais sensível nos últimos dias, diria até que Konan estava emotiva demais.

Não entendia isso, mas sabia ter relação com hormônios e coisas da gravidez, por isso vinha se monitorando para não contrariar a amada, ou fazer algo que a pudesse chatear, mas não podia permitir essa atitude dela de sair assim por aí. Estava certo disso agora. Deu uma volta em torno de seu próprio eixo, indo em direção a porta.

– Vou atrás dela. – Disse, mas voltou antes mesmo de levar a mão à maçaneta.

O brilho típico e a sensação da presença dela ali no aposento indicavam o jutsu muito conhecido por si. Voltou-se para o meio da sala e lá estava a imagem em holograma de Konan flutuava alguns centímetros acima do chão.

– O que houve? – Perguntou, queria notícia delas, mas ao mesmo tempo, sabia que tê-las poderia não ser algo tão bom assim.

– Encontramos Deidara. E ele está morrendo. – Disse de forma simples e direta, conseguindo com seu tom de voz tão suave, prender a atenção de todos ali.

– Como isso é possível? – Questionou Kisame.

– Não sabemos. Sakura-san está fazendo tudo o que pode, mas diz que precisa de um hospital.

– Um hospital inteiro, Sakura enlouqueceu? Como acha que vamos conseguir isso? – ele disse para o holograma multicolorido.

– É muito grave, Pain, Deidara está realmente.. praticamente morto – A voz doce preencheu o aposento onde todos esperavam por notícias.

– Eu sinto muito, mas se a situação é tão grave assim é possível e mais provável que todos nós vamos nos expor, invadir toda uma cidade para ter um hospital e ele morra no caminho deixando todos nós expostos e vulneráveis aos inimigos – É, mais ou menos por esse motivo que, por uma seleção natural, o líder era ele e talvez jamais deixaria de ser se não tivesse acatado ao pedido de Konan.

– Eu sei. – No fundo Konan pensava assim também, crescera com aquele ruivo e pensavam igual, ela sabia que ele colocaria o grupo na frente de um único membro. – Mas é Ino quem está no comando agora. Você por um acaso ainda se lembra do motivo por ter aberto mão da liderança? – Perguntou ainda com doçura alisando a própria barriga avantajada.

– Pain confie nas habilidades de Sakura. – Dessa vez foi o moreno quem se fez ouvir, invadindo a conversa.

– Ela pediu pelo auxílio de Kakuso-dono e Kisame-san, para estarem com ela no hospital, mas requisitou especificamente Itachi-san para estar a esperando dentro da sala de cirurgia. Sakura-san falou algo como não poder mover o corpo de Deidara, no fundo penso que há mesmo uma chance dele sobreviver.

– Viu só, ela já tem um plano – Incentivou o moreno.

– OK. A vila será aquela onde Ino e Sakura foram encontradas, é a mais perto de onde estão. O hospital de la é pequeno, mas vai ter que servir. Hidan você vai cuidar dos moradores, os Cinco irão ajudar você enquanto eu vou persuadir o líder da aldeia para que nos cedam o hospital, se tudo der certo você nem vai matar muitas pessoas. Itachi, Kakuso e Kisame levem um Pain com você para o hospital, a comunicação simultânea entre mim e eles será útil e necessária. Vamos – E o grande grupo saiu do jeito em que estavam. Pain foi o último e deu uma última olhada para a imagem no centro da sala.

– Cuide-se OK. Por favor, não se esforce mais que o necessário Ino e Sakura já são suficientes para tratar o loiro.

– Não se preocupe, nossa filha está bem.

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– Como assim não iremos movimentar o corpo? Sakura eu pedi para Pain levar todo mundo para um hospital. Eles estão todos se locomovendo para o pequeno hospital daquela vila onde vocês duas estavam.

– Certo, vai servir – foi tudo o que disse. – Corram vocês para lá também, toda ajuda vai ser necessária.

– Sakura – Ino ainda chamou, mas a rosada foi implacável.

– Apenas confie... – Disse tirando os olhos do corpo de Deidara para encarar a loira por breves instantes, logo dando toda a sua atenção ao loiro novamente.

– Vamos Ino, quanto mais cedo melhor. – Disse Konan já se afastando.

– Mas... – A loira olhava temerosa para o corpo sujo, queimado e quebrado.

– Eu prometo OK, apenas vá. Não vou mentir pra você, é muito provável que mesmo com tudo isso nós não conseguiremos o trazer de volta, mas se existir uma chance Ino, você precisa estar lá com tudo preparado e com toda informação sobre o que vamos ter pra usar em suas mãos. Deixe aquele hospital precário apto a nos dar a chance de um atendimento amplo e muito rápido. Entende?

– Sim. – Disse com esforço tentando conter em vão novas lágrimas.

Diante da afirmação das reais chances de Deidara, não podia o perder novamente. Ahh isso com certeza não era uma possibilidade para si, mas deixá-lo assim para trás era muito difícil. Era a sensação de abandoná-lo, deixá-lo para trás quando ele mais precisava.

Mas precisava ser feito e com força, Ino se levantou e saiu correndo dali para alcançar Konan. O pensamento de que a azulada não deveria estar correndo assim vindo em sua mente como um foguete ao ver a menina correndo alguns metros a sua frente. Como faria isso? Konan não podia correr, mas ela precisava.

Correu com mais velocidade para alcançar a gestante, não fora difícil devido a forma como o peso desconfortável da barriga dificultava a tarefa. Fe-la parar ao se colocar na frente da azulada que estava ofegante, com uma expressão clara de dor em seu rosto.

– Suba. – Disse de costas para Konan, levando os braços para trás para poder afirmar o corpo da mesma.

A azulada não hesitou em aceitar. Ino sabia que ainda não era o certo, devia mandar Konan para casa, mas estando a sede sozinha e a azulada passando por todo aquele estresse físico e emocional, não seria seguro mandar Konan voltar.

O mesmo não era correr com ela por aí, pois mesmo sendo carregada por Ino, o corpo gestante sofreria movimentos bruscos que não deveria sofrer. Ser carregada apenas diminuía a sua dor, e lhe poupava do peso de correr com aquele desconforto abdominal.

– Se você sentir qualquer coisa diferente em seu corpo me avise, sim. Você não devia estar aqui assim.

– Vou ficar bem, não se preocupe. – Foi tudo o que disse quando a loira retomou a corrida.

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Nem longe e nem perto dali, o Uchiha mais novo cuidava de alguns curativos. Não sabia muita coisa de ninjutsus médicos, mas também seus machucados não estavam tão feios assim. Fora muita sorte sair quase ileso daquela explosão.

Loiro idiota. Aquele Akatsuki tinha estragado seus planos, provavelmente a essa altura Konoha já teria encontrado os corpos de Shikamaru e Hinata, agora pensando, vira que ter matado uma Hyuuga podia não ser nada bom para os seus planos. O pai daquela garota mimada poderia querer tomar as dores e avançar nessa guerra de um jeito que fosse difícil para ele controlar. A falha não estava em seus planos, maldito loiro.

Também não contava que teria que se unir a Konoha, jamais esperaria encontrar Haruno Sakura na mesma organização impudica que tinha acolhido seu irmão. Também não esperava encontrá-la usando a corrente que era de sua mãe, andando ao lado de um Uchiha que desconhecia e que tinha os olhos do seu irmão. Esse encontro com certeza marcava onde seus planos todos começaram a dar errado. O certo agora era sentar e pensar em tudo novamente.

Não fora difícil manipular aquele grupo de ninjas fracos a invadir a sede da Akatsuki. Precisou apenas iludi-los com a ideia do grande premio que seria para a vila de ninjas inferiores ser a primeira a encontrar aquele lugar. Nunca foi os seus planos entrar naquele covil, sabia que não conseguiria matar Itachi cercado daqueles assassinos.

Mas tinha que dar um jeito de sacudir a colmeia sem ter sua mão picada pelas abelhas, queria apenas vê-las espalhadas por aí. Aí sim, interceptaria Itachi quando ele não estivesse escondido ali, bastava apenas esperar.

Soube que seu plano tinha dado certo quando começaram a ouvir boatos de um homem com Sharingan andando pelas redondezas. Mas mesmo com os dons de Karin, encontrá-lo não estava sendo fácil, mas o destino os colocou face a face.

Mas não encontrou Itachi, o Uchiha tão mencionado era outro. Quem era esse tal Uchiha Madara? Precisava de Konoha para responder isso. Por isso não foi tão ruim quando os ninjas da folha entraram no caminho do seu plano, eles atrapalharam com certeza, seria mais difícil chegar até Itachi. Mas ele daria um jeito.

Sem falar que foi uma surpresa muito grande perceber que Konoha estava atrás justamente daquelas meninas idiotas que se puseram em seu caminho e mataram seu time. Aquela era mesmo Sakura? Duvidou quando ela iniciou um Amaterasu. Tinha visto essas chamas apenas uma vez, quando seu irmão fugiu do senin Jiraya. Seria impossível para ela invocar aquilo sem aquele poder.

Mas depois se convenceu. Sakura estava andando com Uchihas, aquelas chamas negras não eram de um Amaterasu, mas sim de um genjutsu. Com certeza. Era a única explicação, e sabia que a rosada controlava o chakra bem o suficiente para aprender as técnicas de ilusão com rapidez.

Mas agora estava interessado. O que teria feito a menina que um dia implorou para que ele não partisse atrás de vingança, para mudar de opinião assim tão drasticamente? Não importava, Sakura podia ser um coringa. Talvez se conseguisse se aproximar da flor de cerejeira, chegaria até Itachi, convenceria Sakura a lhe entregar o irmão, ela era tola demais para cair em truques bestas. Mas primeiro, tinha que se fortalecer.

A ideia de que talvez a rosada estivesse usando o colar da mãe por estar junto cm Itachi fez o Uchiha mais novo rir. Aquele ideia era absurda demais, Itachi era um ser que não era capaz de amar e Sakura um ser meloso e carente demais para alguém como seu irmão. Sua cabeça já estava começando a doer, eram suposições demais e repostas de menos, o certo por hora era apenas se recuperar, depois, teria que observar Ino e Sakura. Entender o que elas representavam dentro daquela organização.

Afina, Sakura às vezes era levada por ações egoístas, típicas de Naruto. Era muito provável também que ela apenas estivesse naquele lugar para se aproximar de Itachi por sua causa. Não tinha como saber.

Seus planos não tinham mais como serem seguidos. Teria que repensar em tudo, começar sua caçada novamente.

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A pequena e pacata vila sem ninjas, estava cheia de comentários que ia de boca a boca pelos aldeões. Normalmente grandes acontecimentos não aconteciam naquela cidade, mas apesar de já terem se passado muitos dias desde que grandes confrontos de ninjas tinham se passado ali, aquilo ainda era novidade.

A mulheres achavam um absurdo, sua vila era um lugar de paz. Se quer tinham ninjas, temiam a ideia de mais batalhas acontecerem ali, temiam pela vida de suas famílias e pelas suas. Os homens entediados da vida pacata, trocavam contos sobre ninjas que tinham visto pessoalmente, histórias inventadas sobre lutas individuais que supostamente teriam tido o privilégio de observar escondidos.

As crianças eram as que mais se divertiam, ouvindo as histórias dos pais, brincando de serem ninjas em batalhas. Inventavam selos e embolavam-se umas com as outras, para o nervosismo das mães que não queriam seus filhos brincando daquele jeito. Sem estar alheio ao rebuliço que os comentários sobre ninjas em sua cidade, desde que tiveram seu hospital saqueado, o líder daquela aldeia lidava com as coisas da forma como podia.

Temia muito que a vila pequena se tornasse apenas mais um campo de batalha para a guerra shinobi. E sabia que seu medo não era infundado, pois pequenas aldeias sempre eram escolhidas pela história, para sediar os banhos de sangue de um povo que nada tinha haver com suas vidas simples e pacatas.

E foi no final da tarde de mais um dia calmo que seu medo pareceu virar uma realidade ainda mais aterrorizante. As mães já haviam buscado seus filhos na escola, o centro da vila estava completamente movimentada quando os dez homens com a mesma capa negra que compunha muitas das histórias que eles haviam dividido naqueles últimos dias, avançaram em passos confiantes pela rua principal da cidade.

Temerosa, a população se dissipou. As mães correram para se trancar em casa com seus filhos e os comerciantes fecharam as portas de seus estabelecimentos mesmo ainda com clientes lá dentro. Assustados, não eram uma vila de ninjas e não ofereciam risco a ninguém, bem como também não teriam nenhuma forma de resistência contra aquele grupo que todos no mundo haviam aprendido a reconhecer e temer.

Kisame se sentou na beirada da fonte onde havia um chafariz bem no meio daquela rua. Hidan ficou em pé com um dos pés apoiado na mesma estrutura. Kakuso cruzou os braços e ficou olhando a cidade se perguntando onde ficaria o dito hospital². Itachi apenas observou a cena no geral, aquilo era injusto e errado, colocar medo em pessoas que não eram capazes de se defender. Pain quase nem parou, apenas passou as orientações e seguiu adiante para encontrar o líder daquela aldeia. E ente eles, os Cinco se espalhavam.

– Kisame, Kakuso e Itachi já sabem o que tem que fazer. – Disse o ruivo.

– O que vamos fazer com as pessoas que estiverem no hospital? – Perguntou o Uchiha.

– Sakura falou de cirurgia, o bloco cirúrgico é o lugar mais completo do hospital. Talvez nós possamos nos apossar apenas dessa parte. – Disse Kakuso.

– Como acharem melhor. Vou tentar um acordo com o líder disso aqui, Hidan você fica aqui e espera as minhas ordens, só vamos atacar essa gente se ele for burro o suficiente para não aceitar.

– Eles sabem que não tem chance nenhuma contra um grupo de ninjas. – disse Itachi.

– Nunca se sabe, eles podem ter tentado uma aliança com a folha depois das batalhas que houve aqui tendo nós como o grupo de oposição.

– Ainda assim vai ser rápido. Vou adorar brincar com Konoha mais uma vez. – disse Hidan confiante.

– Certo. Não temos tempo a perder. – Disse Pain e se foi.

– Kakuso-san nós vamos precisar das suas ordens no hospital. – Disse Kisame, com a completa dúvida sobre porque Sakura tinha o requisitado, não entendia nada daquelas coisas fascinantes que ela fazia.

– E nós vamos precisar da sua ajuda Kisam-san para encontrar o hospital antes de qualquer coisa. – Respondeu o mais velho.

Logo o trio saiu levando consigo um dos Cinco. Hidan ficou ali observando com atenção a aldeia, se eles tinham aliança com alguma vila com ninjas não seria pego desprevenido. Não que isso fizesse alguma diferença.