Capítulo 36 — A hora se aproxima
A manhã de quinta-feira na cidade de Los Angeles era fria. O sol despontava preguiçosamente no horizonte mandando embora os resquícios de mais uma noite que se foi.
Pessoas e carros transitavam apressados apesar de ainda ser cedo. Comércios e instituições abriam suas portas de acordo com seus horários. Jensen observava a tudo em seu BMW enquanto voltava ao seu apartamento.
Ainda no hospital, ligara para a governanta, pedindo que preparasse um café da manhã reforçado e separasse uma roupa informal. Estava oficialmente de férias decretadas por si mesmo há alguns dias. Cuidaria de Jared antes, durante e após a operação.
O loiro deixara o garoto, ainda adormecido, aos cuidados de Kate e Traci. Ambas chegaram às cinco da manhã e só foram para casa por insistência de Ackles já Jared só seria operado amanhã, sexta-feira.
"Espero não pegar engarrafamento quando voltar para o hospital".
Eram os pensamentos do loiro enquanto seguia pela via principal de Los Angeles.
Mansão dos Johnsons, seis e quinze da manhã.
Eric acordara mais cedo do que de costume naquele dia. Após fazer sua higiene pessoal e se aprontar para o trabalho, trancou-se no escritório do pai no qual estava há quase uma hora.
O senhor Johnsonque sempre acordava antes do filho, ouviu a movimentação pela casa quando ainda estava deitado. Sentia muita curiosidade em saber por que tanto empenho por parte do rapaz. Não que ele fosse omisso ao trabalho, mas nunca foi tão dedicado o quanto estava sendo desde segunda-feira daquela semana e sem falar das passagens para Dubai encontradas nas coisas dele. O que seu filho estava aprontando? Esperava que não fosse algo ilegal, ou pior, algo contra o jovem Jared ou seu namorado Jensen.
Vestido em seu roupão após o ritual de higiene, o patriarca resolveu conversar primeiro com o unigênito. Depois tomaria o café da manhã e leria seu jornal. Ainda tinha muito tempo antes de ir para a empresa.
— Johann, podemos conversar meu filho? — Perguntou após três batidas na porta, mas o rapaz não respondeu.
— Johann, está tudo bem? — Insistiu em perguntar, mas dessa vez sem bater. Novamente, ninguém respondeu.
— Eric Johann Johnson, abra essa porta agora!
Após sua ordem, encostou o ouvido esquerdo na porta e apurou a audição. Ouviu uma voz exaltada. Seu filho falava ao telefone com alguém e pelo barulho percebeu que ele se apressava para encerrar a ligação.
"Apenas façam como o combinado e o resto deixem por minha conta".
"Não! Claro que não! Agora preciso desligar".
— O que esse garoto está aprontando? — Perguntou para si mesmo, afastando-se da porta. Alguns segundo depois o rapaz a abriu.
— Bom dia, papai! Algum problema? — Perguntou calmo diante da expressão de surpresa do patriarca.
— Por que você demorou a abrir a porta? Com quem estava falando ao telefone? — Perguntou exaltado.
— Demorei a abrir porque estava ao telefone. Óbvio. Era o senhor Norman. Combinei de me encontrar com ele hoje para falarmos sobre um possível apoio por parte de nossa empresa. Isso claro, se os lucros forem satisfatórios para nós.
— Tem certeza? Achei ter ouvido você combinar algo que se realizaria por mais de uma pessoa. — Era visível sua desconfiança.
— Papai, e o que seria, hum? Sobre o que acha que eu estava falando?
Andrew observava a expressão tranquila do filho. Pensava se não imaginara o que não existia devido ao medo que sentia do seu unigênito está tramando alguma coisa. Respirou fundo buscando calma e falou seriamente:
— Olha Johann, há alguns dias você está quieto demais, calado demais e desde segunda-feira acorda mais cedo que o normal e vai trabalhar antes mesmo dos nossos funcionários, sem falar que às vezes se tranca em sua sala ou no meu escritório e fica em silêncio. Estou preocupado com você!
Eric sorriu calmo, observando as feições do pai. Sabia que ele falava a verdade. Conhecia-o. Encostou-se à mesa do escritório, encarando-o:
— O senhor tem razão. Eu estou mesmo diferente, mais calado e centrado e sabe por quê? Porque preciso conviver com a ideia de que perdi o Jare, preciso aceitar o fato de que eu não o terei mais. E, só Deus sabe como está sendo difícil para mim, meu pai! Só Deus sabe o quanto estou me esforçando para aceitar essa nova realidade, então por isso estou me empenhando mais no trabalho, será que consegue me entender?
O homem balançou a cabeça em sinal de compreensão.
— Então, seja em uma viagem a negócios ou mesmo negócios com seus clientes habituais, eu estou usando isso como apoio, preciso esquecê-lo! Diga-me, papai, é errado agir assim?
— Claro que não!
— Eu só lhe peço paciência comigo! Os últimos acontecimentos foram difíceis para mim! Eu sei da minha grande parcela de culpa, sei que estou passando o que eu mesmo busquei, mas mesmo assim eu quero recomeçar e sem me livrar da dor que sinto por ter perdido o Jare, qualquer recomeço é impossívell.
O senhor Johnson era um bom homem. Ele mesmo buscou a duras penas, forças, para continuar seguindo em frente desde que perdeu sua amada esposa Priscila. E mesmo assim, às vezes ficava a sós com seus pensamentos e chorava devido a saudade que sempre sentiu dela. Jamais desejaria isso para ela ou para Eric. Preferia sofrer ao invés daqueles que amava sofrerem por tê-lo perdido.
— Orgulho-me mais ainda de você, meu filho, por ouvir isso! Deus irá te recompensar assim como recompensou o garoto Jared. Você ainda vai amar e ser amado de verdade.
Após suas palavras de carinho, abraçou seu unigênito sendo correspondido por ele.
— Bem, vou tomar meu café da manhã e depois lê o meu jornal. Acompanha-me? — Perguntou ainda segurando o rapaz pelos ombros.
— Daqui a pouco tomaremos juntos o café da manhã. Preciso apenas terminar o que eu estava fazendo. Algo importante!
O mais velho sorriu feliz e saiu fechando a porta atrás de si.
"Algo muito importante, papai"!
Sussurrou o loiro olhando para a porta fechada.
Hospital geral de Los Angeles, cinco e quarenta e cinco da tarde.
O entardecer pintava o céu com cores contrastantes, misturando o vermelho vívido e o laranja vibrante à nostalgia do anoitecer. A brisa fria soprava devagar balançando as folhas das árvores e acariciando docemente as faces dos transeuntes que voltavam para suas casas depois de mais um dia de trabalho.
Parecia um fim de tarde qualquer. Para os outros, não para Jensen. Ele observava Jared que dormia serenamente. O loiro passara a tarde ao seu lado mal dando espaço para seus amigos visitarem o garoto. E, apesar dos protestos de Chris, Steven, Jason e do senhor Berrimore, também fora relutante em deixá-lo sozinho para voltar ao seu apartamento e tentar também dormir um pouco. O cansaço era visível em seu rosto.
Perdido em seus pensamentos, observando o moreno, não percebeu quando lentamente ele acordou, olhando-o com atenção. Pensava na cirurgia que se realizaria amanhã, logo cedo.
— Você está péssimo, amor! — A voz sonolenta do jovem lhe chamou atenção. Sorriu diante do comentário.
— Fico feliz que seu senso de humor esteja melhor que o meu. — Beijou-o.
— Jen, que horas são? Quanto tempo dormi? — Perguntou depois de bocejar.
— Pontualmente dezoito horas, dorminhoco!
— Nossa! O tempo está passando rápido! Ainda pouco, acordei e almocei para depois dormi novamente? Acho que estou me acostumando a essa vida de moleza. — Sorriu com a brincadeira, mas percebeu as feições rígidas do amado.
— Amor! O que você tem? Eu conheço esse olhar.
Temendo preocupá-lo, Jensen pensava no que diria ao garoto, mas também não ia mentir para ele. Prometera.
— Jay! Não se preocupe comigo! Preocupe-se apenas em descansar o máximo possível. Amanhã você será operado e segundo os exames médicos, você goza de boas condições de saúde e não será preciso adiar mais ainda o procedimento cirúrgico. Apenas, pense em você!
Jared o olhou sério e falou encarando-o nos olhos:
— Se eu não te amasse, se você não fosse prioridade para mim, certamente eu pensaria só em mim, mas não é assim que funciona quando se ama Jensen e você sabe disso. Acha que eu gosto de te ver assim; esgotado e com olheiras? Acha que seu bem estar não é importante para mim? Se realmente se preocupa comigo, preocupe-se em ficar bem, porque quando eu voltar da cirurgia e eu vou voltar, quero te ver me esperando, bem e disposto, saudável e sorridente como quando o conheci.
— Jay...
— Não, Jen! Eu quero te ver bem. Cara, eu me preocupo com você!
Jensen o beijou calmamente, impedindo que ele continuasse. Quando se soltaram do beijo, mais calmo, o loiro segurou a mão do garoto entre as suas e falou:
— Cada dia eu te amo mais, caso seja possível. Você tem apoiado a si mesmo e a mim, tem sido forte e sustentado nós dois com sua coragem. Você pode ser frágil fisicamente, mas seu espírito é muito forte, é invencível!
— Nosso espírito é forte, amor! Somos um só e juntos somos mais fortes, juntos podemos vencer qualquer obstáculo. Esse é só mais um obstáculo, querido, assim como a Danneel, o Eric e o seu pai foram. Enfrente mais esse comigo. Eu preciso de você!
Ackles o olhava enquanto fazia um leve carinho em seu rosto. Como amava aquele garoto! E, o fogo de vida, de calor, de amor que ele trazia consigo, só aumentava com o passar dos seus dias. Realmente era um abençoado por ter encontrado o amor verdadeiro, seu complemento na pessoa daquele doce e meigo garoto.
— E tem mais! Quero que guarde isso!
Devagar, Jared estendeu o braço pegando de dentro da pequena gaveta da mesinha ao lado de sua cama, um lenço branco e bordado com as iniciais "JA".
— Jay, esse é o lenço que te dei! — Falou sem entender as intenções do amado.
— Sim, amor! Esse é o lenço que você me deu quando eu fui deixado de lado justamente pelo motivo no qual você mais me apoiou, é o lenço que simboliza o início de sua abertura para mim e o fim de uma história de amor que nunca existiu. Eu estava enganado e cego antes de te conhecer. Amar você, não só me reviveu, mas também me fez entender que eu estava errado quanto ao que eu vivi com o Eric.
Ackles sentia um nó na garganta. Não sabia o que falar. Olhava-o com olhos esbugalhados e úmidos.
— Eu te amo!
Foi a única coisa que conseguiu sussurrar.
— Eu também te amo, Jen! Por favor, guarde esse lenço. Essa é a prova que posso lhe dá de que vou ficar bem, de que eu vou voltar para você!
O loiro olhou para o delicado e pequeno tecido em sua mão.
— Vou ficar te esperando, amor, e quando você voltar eu o devolverei.
Sorriram antes de selarem seus lábios em mais um beijo. Dessa vez, um profundo beijo.
Naquele quarto de hospital, o medo deu lugar a coragem, a derrota deu lugar à vitória e lá fora, o fim de tarde deu lugar à noite e com ela os mistérios da natureza escura.
Continua...
Boa noite, pessoal!
Aqui está mais um capítulo de Sweet August. Espero que gostem. Deixem-me saber o que acharam por meio de seus comentários, ok? eles realmente são muito importantes.
Sexta-feira vou postar o capítulo 17 de Almas acorrentadas. Também espero vocês lá.
Dia 02 de Março vou postar uma nova fic entitulada "Erros do passado". Espero que ela seja tão bem aceita e querida quanto Sweet August.
Uma excelente noite de quarta-feira.
Beijos!
Haley Padackles - Amore, calma! Acredite que o amor sempre vence. De um jeito ou de outro. kkkkkkk Fiz suspense? Beijos!
Elisete - Berrimore merecia todo esse carinho e atenção, não é mesmo? ele é um super pai! Quanto a cirurgia do lindinho, calma, querida! As coisas podem se resolver, ou não, né? kkkkkkkkkk Beijos, linda!
Patrícia Rodrigues - Olá, Patty! Sim! O Jay é tão fogoso quanto o Jen. Esses dois juntos pegam fogo, amiga! Também acho o Berrimore o pai verdadeiro do Jen. Esse homem o ajudou a ser o homem que o loiro é hoje. E não se preocupe. A atualização será em tempo regular. Beijos, linda!
Jade - Estou recebendo rewies apreensivos quanto a cirurgia do lindinho e eu não entendo o porquê disso! kkkkkkkkkk quanto ao Eric e o senhor Ackles, eles ainda vão dá o ar da graça, ah se vão! Beijos, linda!
Masinha - Você não imagina o quanto eu fico contente de ter você aqui também. Primeiro no outro site e depois mantendo regularidade aqui! Obrigada mesmo, minha linda! Quanto a fic, sim! Muito amor entre nossos Js, a declaração do detetive Isaia para o Jen e a conversa linda entre os personagens. Faz sonhar, não é?
Pérola - Concordo demais com você. O Jay é um doce e aquele menino lindo e indefeso da primeira temporada, sempre vai existir nos corações de seus fãs. E a série será guardada para a posteridade. e a fic, hein? Gostou das revelações? entendemos a decepção do Jay, mas como o homem de bem que é. ele acabou entendendo o Isaia e agora poderá ser feliz ao lado do amor de sua vida, seu lindinho e do pai de verdade. quanto a família Ackles e o Eric, vamos ver o que o destino os reserva. Beijos, querida!
Soniama - Sentiu minha falta? aqui estou eu! kkkkkkkkkkk Minha linda, obrigada pelo seu apoio, viu? E sim! Tudo o que você disse é uma preparação para o que virá, mas acredite em meu raciocínio de fic writer romântica. Não pretendo decepcionar meus leitores.
Casammy - Sua linda! Obrigada pelo rewie duplo. Calma, linda! O Jay é tudo para o Jen e vice-versa. Verás como o amor tudo vence. quanto a sua sugestão, estou vendo como posso encaixar, ok? Beijos, amada!
