Disclaimer: Inuyasha e seus personagens pertencem a Rumiko Takahashi.
As Crônicas de Sesshoumaru
Por Amanda Catarina
Capítulo 36 - Final
Já era tarde quando Sesshoumaru retornou ao lar, depois de um exaustivo dia de caçadas. Ele se encaminhava para seu aposento, ansioso pela presença da esposa, quando percebeu que, contrariando sua expectativa, Rin não estava dormindo, mas sim ali no salão principal, debruçada sobre papiros e na companhia de uma singela vela. Aproximou-se sorrateiro. Estando tão compenetrada, ela não notou sua chegada antes que ele estivesse bem ao seu lado.
– Já é tão tarde e você ainda está acordada?
A primeira reação da humana foi um leve sobressalto e depois ela ergueu rapidamente o rosto, então encarou seu marido youkai por alguns instantes antes de sorrir alegre.
– Por que eu nunca consigo perceber a sua presença, senhor Sesshoumaru?
Em sua costumeira expressão imperturbável, ele apenas a encarou, sem nada dizer, e como ela já estava acostumada com isso, simplesmente continuou falando.
– Eu fiquei lendo essas histórias e perdi a noção do tempo.
Sem demonstrar interesse pelo assunto, Sesshoumaru se acomodou ao lado dela e logo pousava uma das mãos em sua face.
– Imagino que a senhora Kaede ficaria zangada se soubesse que você está se desgastando desse jeito, ao invés de estar repousando, mas devo admitir que fiquei contente de te encontrar acordada agora... - disse ele, enquanto passava de leve o polegar pela bochecha dela.
Rin desfrutou um pouco da carícia, antes de dizer:
– Se a vovó Kaede ficasse sabendo disso e viesse aqui me dar bronca, eu diria a ela que tenho uma razão muito boa para estar acordada até agora.
– E que razão seria essa?
– Que eu não queria ir dormir antes de dar um abraço em você, senhor Sesshoumaru... - respondeu tranquilamente e depois de envolver o corpo do youkai entre os braços, encostou a cabeça contra o peito dele.
Sorrindo, Sesshoumaru a abraçou.
– O seu dia foi complicado? - Rin perguntou.
– Complicado até demais, mas não quero falar sobre isso.
Carregando Rin nos braços com a mesma facilidade de sempre - a despeito do peso extra -, Sesshoumaru levou-a para o quarto. Lá chegando, cuidou de deixá-la confortavelmente acomodada no leito baixo e, depois de ter se banhado e vestido um quimono de dormir, ele se estirou ao lado dela.
Os dois trocaram olhares por algum tempo e então Rin alisou as madeixas prateadas num gesto carinhoso. Reconfortado pelo silêncio, inebriado pelo cheiro que a pele dela exalava, Sesshoumaru abaixou a guarda, prestes a se render ao sono, mas, num repente, ele sentiu Rin apertar seu braço com força. Na mesma hora, os olhos dourados se abriram para se depararem com os olhos castanhos dela muito abertos e vidrados, porém, antes que ele dissesse qualquer coisa, ela exclamou:
– Eu preciso da vovó Kaede. Agora!
E esse apelo foi a última coisa que Rin falou antes de entrar em um estado letárgico.
Jaken acordou a todos na mansão, ninguém foi poupado da gritaria do youkai sapo.
– O bebê da Rin vai nascer! - ele clamava. – Senhora Kaede, acorde! Acorde!
E assim com muito alvoroço e em plena madrugada, Kaede e Kagome chegavam às pressas à ala oeste, trazendo uma diversidade de utensílios e materiais.
Inerte e sem nada escutar, Rin só pôde observar a atribulada agitação ao seu redor. Esforçando-se para virar a cabeça de lado, ela avistou Jaken olhando em sua direção com um rostinho aflito e os olhos esbugalhados. Perguntou-se então se não estaria morrendo, mas um calor forte em seu peito lhe deu a certeza que não.
Sesshoumaru se ajoelhou no chão de madeira, ficando ao lado da esposa.
Quando os olhares deles se encontraram, Rin leu apreensão na expressão do marido, mas mesmo assim se sentiu reconfortada com sua proximidade. Então, ela puxou o ar com força e, ao soltá-lo devagar, sentiu um formigamento se espalhar por todo o corpo, depois disso, sem qualquer motivo aparente, ela ficou absolutamente tranquila.
– O que é isso? O que há com os olhos dela? - indagou Sesshoumaru, pois um brilho avermelhado e intenso surgira nos olhos de Rin.
No extremo inferior do leito, Kaede ergueu a cabeça e observou a jovem.
– É o youki do bebê.
– Mas isso pode machucá-la? - rebateu o youkai branco.
– Não, isso não irá machucá-la, senhor Sesshoumaru. Quando uma mulher humana espera um bebê youkai normalmente só há duas possibilidades: ou bebê nasce sem maiores problemas ou ele come a mãe para vir ao mundo.
Sesshoumaru franziu o cenho e até quis contestar, mas não o fez.
– E se o pior acontecer, senhor Sesshoumaru? - questionou Jaken. – E se Rin morrer?
Kagome se agachou no chão, junto ao perturbado youkai sapo e o acalentou:
– Vai ficar tudo bem, senhor Jaken... Por que não espera lá fora com os outros?
Movendo a cabeça em uma negativa enérgica, Jaken rebateu:
– Se esses forem os últimos momentos da Rin, eu preciso estar presente!
– Ela não está morrendo, senhor Jaken. Está apenas tendo um bebê. Confie em mim, vai ficar tudo bem.
O tom de Kagome foi tão pacificador que teve o poder de acalmar Jaken, então ele concordou em sair, mas não antes de dar uma boa olhada na querida humana.
– Vamos, Kagome... - chamou Kaede. – Está quase na hora. Ajude-a para que ela mantenha essa postura... - e aproximando-se da cabeceira do leito, Kaede tocou na testa da parturiente. – Rin, se estiver me ouvindo, eu preciso que você ajude o bebê a sair. Você está me ouvindo?
Rin não deu resposta e assim, um tanto frustrada, Kaede voltou à outra extremidade do leito, porém, quase ao mesmo tempo, percebeu a musculatura da jovem retesar e instintivamente ela começou a fazer força.
– Isso, Rin! Desse jeito está muito bom! Ele não demora a sair agora!
Sesshoumaru transparecia calma, mas em seu íntimo sentia apreensão e um frenesi cardíaco. Não se recordava de já ter experimentado tal sensação de pavor antes, a ideia de que Rin não sobrevivesse ao parto lhe transtornava a alma.
– Vai nascer!
A expectativa fez o youkai branco prender o fôlego e a jovem do futuro também.
– Pronto! Saiu!
Sesshoumaru soltou um suspiro de alívio ao ouvir o choro da criança.
– É um menino! - anunciou Kaede e se afastou com o bebê nos braços para logo em seguida mergulhá-lo em uma bacia cheia de água.
O menino chorou alto. E, ansioso por vê-lo, Sesshoumaru se colocou de pé, mas então percebeu que o brilho avermelhado ainda não havia abandonado os olhos de Rin.
– Por quanto tempo ela vai continuar assim? - ele perguntou.
Antes que a anciã respondesse, próxima ao extremo inferior do leito, Kagome falou:
– Ei, vovó Kaede? Eu acho que ainda não acabou...
– O quê? - rebateu a anciã, com o menino já lavado e enrolado em uma manta.
Aproximando-se de Sesshoumaru e entregando o bebê a ele, Kaede voltou a se posicionar entre as pernas de Rin e pouco depois tirava outra criança de dentro dela.
– São gêmeos! - exclamou Kagome.
– O que? - desacreditou Sesshoumaru, que já estava atônito de ver que a criança em seus braços definitivamente não era humana: – Isso não faz sentido! Eu teria percebido a presença de outra criança! Por acaso esse outro bebê está vivo?
Ele mal terminara de questionar e então se ouviu um choro estridente, vindo da criança nos braços da anciã.
– Acho que isso responde sua pergunta - rebateu Kaede. – É perfeitamente saudável e, pasmem, é uma menina!
– Uma menina e um menino? Mas isso é o máximo! - ajuntou Kagome.
Sesshoumaru ficou pensativo, sem entender o que acontecia, então ele fitou o bebê em seus braços e depois o outro com a anciã, expandiu os sentidos e se concentrou nas batidas de seus corações. Instantes depois, ele estava boquiaberto e dizia a si mesmo em pensamento: "Os corações batem no mesmo ritmo, como se fossem um só. Então o tempo todo estive os escutando, só não percebi que eram dois.".
As reflexões do youkai branco foram interrompidas quando Rin soltou um leve gemido, então a cabeça dela tombou para o lado e os olhos se fecharam.
– Rin! - bradou Sesshoumaru. – Rin, por favor, reaja!
Apesar do descontrole do youkai, Kaede deixou a menininha que ainda chorava estridentemente com Kagome e disse:
– Lave-a e depois a enrole em algum pano. Não me deixe esquecer que vamos ter que arranjar um cobertor extra.
– Sim vovó!
Em seguida, Kaede se aproximou do casal. Deu uma rápida olhada em Rin, mas apenas para confirmar aquilo que já imaginava.
– Acalme-se, senhor Sesshoumaru. Rin está bem. Veja como ela está respirando forte. Ela deve estar se sentindo exausta agora que o youki das crianças a deixou.
Sesshoumaru demorou um pouco para compreender a explicação, mas logo assentiu e depois passou a mão pela cabecinha do bebê, sentindo os fios úmidos e prateados entre os dedos.
– O menino... - ele dizia, mas foi a anciã quem completou seu raciocínio.
– Parece ser um youkai completo como você.
– E a menina é humana.
– Está enganado. Embora as orelhas dela não sejam pontudas assim como as do irmão, havia listras roxas no rostinho dela quando ela deixou o corpo da mãe.
– Meio-youkai? - ele rebateu interrogativo e Kaede assentiu.
Pouco depois, Rin despertou num repente, muito confusa e angustiada por não sentir mais o bebê no ventre. Sesshoumaru a tranquilizou.
– Calma... Está tudo bem. Nosso filho está aqui... - ele exibiu o recém-nascido para ela.
Por alguns instantes Rin apenas observou o bebê, então sentiu os olhos arderem pela emoção, mas, curiosamente, conseguiu conter o choro e exclamou cheia de alegria:
– Que pequenininho... Ele é menor do que o Keiji quando nasceu. E parece menor que o Nakuru também! Ele se parece com você, senhor Sesshoumaru... - então sim, ela deixou que o pranto contido rolasse livremente.
O youkai branco precisou se esforçar para conter a própria emoção em face à comoção da esposa e com a voz ligeiramente embargada, ele anunciou:
– Tem mais um bebê, Rin. Você me deu gêmeos...
– O que?
Aproveitando a deixa, Kagome se aproximou, trazendo a criança até a mãe.
– O outro tem o cabelo preto! - Rin exclamou, espantada.
– Na verdade, Rin, é uma menininha... - esclareceu Kagome.
– Uma menina? - a jovem desacreditou. – Eu não sabia que uma coisa assim podia acontecer...
Kagome sorria, mas então arregalou os olhos quando viu Rin se erguendo nos cotovelos.
– Por favor, me deixa segurar ela, Kagome!
– Mas você já está se sentindo bem pra isso?
– Estou sim! Estou ótima! Me dá ela aqui, por favor!
Depois que Kagome entregou a menina para Rin, Kaede a chamou de lado.
– Vamos sair por enquanto e dar um fim nessa bagunça lá fora.
Kagome assentiu e pouco depois as duas deixavam o amplo aposento. Do lado de fora, onde se amontoavam Inuyasha, Jaken e a família de Miroku, Kaede anunciou em voz retumbante:
– Rin teve gêmeos! Amanhã todos vocês poderão ver os bebês. Agora, cada um pro seu canto! Já é muito tarde e Rin precisa descansar.
Ao mesmo tempo, no quarto, o casal contemplava os recém-nascidos.
– Ainda bem que eu tenho dois peitos, né senhor Sesshoumaru?
O youkai branco riu alto e logo depois depositou um beijo na bochecha da esposa, em seguida, os dois encostaram as testas e permaneceram calados por alguns instantes.
– Você tem alguma ideia para os nomes? - ele perguntou, afastando-se devagar.
– Ainda não... Já ia ser complicado pensar em um e agora tem que ser dois! - e depois de um tempo, ela perguntou: – Será que eu posso segurar o menino um pouquinho?
Sesshoumaru assentiu, mas ao invés de entregar o bebê a ela, ele estirou o pequeno no leito e em seguida pegou a menina. Enquanto Rin contemplava o filho, o youkai ficou observando a filha; já não havia desenhos em seu rostinho, parecia uma simples criança humana agora.
Rin ainda olhava com detida atenção para o bebê em seus braços e então disse:
– Acho que tive uma ideia para o nome dele... - o marido olhou para ela, porém, sem desviar os olhos da criança, ela anunciou: – Seishirou.
– Hum, Seishirou... Soa parecido com o meu.
– Eu sei, foi por isso que eu pensei nesse nome... Ele é todo parecido com o senhor!
O youkai branco sorriu de leve e rebateu:
– Mas então teremos que pensar em um nome parecido com o seu para ela.
– Um nome parecido com o meu? Mas o meu nome é tão pequeno...
– Então que tal Rini?
– Rini? - ela repetiu. – Rini... Eu gosto!
– Seishirou e Rini... Até que soa bem, não acha? - rebateu ele.
Rin abriu um sorriso contente e fez que sim com a cabeça. Os dois então se olharam e sorriram um ao outro e teriam se beijado nos lábios se Kaede não tivesse entrado no quarto naquele momento.
– Rin, o seu antigo quarto já está arrumado. Sesshoumaru, os bebês vão ficar lá por enquanto, Kagome irá ajudá-lo com isso. Sango se prontificou em dar um jeito por aqui. Quanto a mim, vou te ajudar a tomar banho, Rin. E temos que ser rápidas antes que os dois chorem de fome!
– Felizmente a senhora parece pensar em tudo, senhora Kaede - comentou o youkai branco.
Sesshoumaru ainda deu um beijo na testa de Rin, antes de deixá-la aos cuidados da anciã, depois disso ele se foi, levando o menino consigo e logo Kagome veio buscar a menina.
Um tanto mais à noite, Sesshoumaru, Rin e os filhos estavam de volta aos aposentos do casal e o silêncio reinava no cômodo, eles dormiam e logo ao lado do leito os dois bebês dividiam um mesmo berço.
Aconteceu naquele instante de Sesshoumaru abrir lentamente os olhos e voltar o rosto na direção do berço, então ele teve a impressão de que um vulto iluminado estava ali, muito próximo às crianças. Pestanejou e depois passou o dorso da mão pelos olhos, constatando que não estava vendo coisas: havia de fato alguém ali. Ele teria esticado muito depressa a mão em busca de Bakusaiga se seus sentidos aguçados não tivessem se ampliado e assim ele se deu conta do perfume suave e do youki familiar.
Suavizando a expressão, ele vagarosamente se levantou e com movimentos muito cuidadosos, para não acordar Rin, deixou o leito para se aproximar da pessoa.
– Enfim o Deus-cachorro resolveu se atentar para nós... - comentou Satori em um tom contido e sereno. – Um herdeiro legítimo era o que de melhor poderia nos ter acontecido.
– Se você tivesse chegado um pouco antes, teria encontrado os dois acordados.
– Essa nunca foi minha intenção. Não me dou muito bem com crianças, elas sempre choram pra mim e sujam minhas vestes. É horrível...
Sesshoumaru sorriu de leve.
– Duas crianças, quem teria imaginado? Eu não acreditava que essa menina humana iria conseguir parir um filho teu quanto mais dois! Na realidade, isso não faz muito sentido... Uma humana comum não teria sobrevivido a isso.
– A velha sacerdotisa falou algo parecido na hora do parto... Eu compreendo que o seu feitiço deve ser a razão de Rin estar a salvo, mas não consigo deixar de pensar que ela teria conseguido isso de qualquer forma. Mesmo sendo humana, Rin também é muito forte.
– Se tu queres encarar a coisa assim, que seja...
Sesshoumaru se calou e Satori fitou demoradamente os bebês.
– Impressionante... Os dois já têm um youki realmente considerável, levando em conta que acabaram de nascer. Eles serão fortes.
– Sim, eles serão muito fortes - Sesshoumaru repetiu, sem disfarçar o orgulho que sentia. – E, provavelmente, serão muito unidos também. A senhora percebeu que os corações deles batem no mesmo ritmo, como se fossem apenas um?
As orelhas pontudas da regente se remexeram de leve e então ela disse:
– Tens razão. Que curioso... Mas, enfim, Sesshoumaru, não penses que vim até aqui apenas para vê-los, porque na verdade vim avisar-te que em no máximo mais três décadas as coisas irão mudar no clã do Oeste e, assim como tu me prometeste, irei requisitar teu poder nos confrontos que estão por vir... O teu poder e o dessas crianças também.
– Quanto a isso a senhora não precisa se preocupar, honrarei minha palavra.
– Disso eu sei, o que eu não consigo imaginar é o que tu farás com ela... - disse apontando para a jovem adormecida. – Nenhuma mãe aceita bem a ideia de ter que se separar dos próprios filhos.
– Eu darei um jeito.
Satori arqueou uma sobrancelha e encarou o filho por alguns instantes, mas então girou nos calcanhares e começou a andar em direção à janela do cômodo.
Sesshoumaru seguiu-a com os olhos, indeciso se deveria questioná-la sobre a atual situação do clã e, sobretudo, sobre Amanuma, mas acabou deixando o momento passar. Assim, sem qualquer gesto ou palavra em despedida, Satori saltou pela janela do quarto e logo desaparecia dentro da neblina da noite como um fantasma.
Aproximando-se da janela, Sesshoumaru manteve o olhar na direção em que Satori havia sumido e então as palavras transmitidas pelo espírito de seu pai voltaram à sua mente. "Sesshoumaru, eu o saúdo pelo daiyoukai que você se tornou. Tenho certeza que, no tempo oportuno, você liderará o clã do Oeste com sabedoria."
Assim como sua mãe, seu pai também mantinha a expectativa de que ele iria assumir a liderança do Oeste. Suspirou fundo, um tanto contrariado, mas no íntimo bem sabia que não poderia continuar se esquivando de suas responsabilidades como herdeiro de Inu No Taishou. Porém, ele logo decidiu que ainda não era tempo de se inquietar com o futuro, ao menos por mais algumas décadas, ele ainda poderia desfrutar de seu atual estilo de vida.
O dia que se seguiu ao nascimento dos gêmeos foi marcado por um constante entra e sai na ala oeste. Sesshoumaru esteve ao lado da esposa e dos filhos durante toda a agitada manhã, mas, durante a tarde, ele se ausentou por algum tempo para acertar os termos de um serviço e o monge Miroku foi com ele. Na realidade, ele até pensou em adiar esse compromisso, mas diante da quantidade de pessoas que rodeavam Rin, compreendeu que ela estaria em bons cuidados e que sua breve ausência seria pouco notada.
Logo após o almoço, que acontecera na ala central, Jaken foi convocado a ajudar na arrumação do salão e assim Rin pôde enfim desfrutar de um momento de quietude com suas crianças. Seguindo os conselhos de Sango, que era mãe de gêmeas, Rin pegou a filha nos braços para amamentá-la, se antecipando ao choro da fome. Enquanto a criança lhe sugava, ela alisava os fios escuros com as pontas dos dedos, observando a mãozinha minúscula pousada em seu seio, sorrindo maravilhada. Quando a pequena se cansou de sugar o leite, Rin ainda esperou um pouco, antes de acomodá-la novamente no berço, foi então que ela percebeu que Seishirou estava com os olhinhos dourados abertos.
– Bem na hora, hein! - disse e logo pegou o menino no colo. O pequeno resmungou um pouco, ensaiou um choro, Rin tratou de encostar-lhe a mama na boca, mas ele não quis saber do leite. – Não tá com fome, meu branquinho? - perguntou como se a criança pudesse compreendê-la e tentou novamente a manobra, então sim o filho abocanhou-lhe o peito com vontade. Rin sorriu e tinha uma expressão de puro deleite naquele ato quando Yeda chegou ali.
– Boa tarde... - saudou a youkai lobo.
Erguendo o rosto, Rin sorriu em resposta, reparando que Yeda trazia o pequeno Nakuru atado sobre o busto, em um arranjo feito com faixas e panos, assim como as mulheres daquele tempo costumavam fazer para carregar suas crianças.
– Boa tarde, Yeda... Eu estou dando de mama! - ela exclamou como se fosse a coisa mais extraordinária do mundo.
Yeda lhe lançou um sorriso compreensivo e logo se acomodou diante dela, sentando-se sobre os joelhos em uma almofada.
– Gêmeos, hein!
– Gêmeos! Não é maravilhoso, Yeda? Estou tão feliz!
– Eu trouxe uma lembrancinha.
– Ah, não precisava ter se incomodado.
– Incômodo algum. Kanna também queria ter vindo, mas ela precisou partir com Kagura para um serviço. Eu não poderei voltar à ativa enquanto estiver amamentando, então ela meio que está me substituindo. Mas deixa isso de lado, me diga... Como se sente?
– Ótima! É tudo tão incrível, Yeda... Eu sempre invejei a Sango por ter tido as gêmeas e não imaginava que isso pudesse acontecer comigo também. Ainda mais desse jeito: uma menina e um menino!
– É, eu acho que esse é o primeiro caso assim que eu vejo. A menina é linda, se parece com você, mas o menino, coitado, pelo visto vai ficar a cara do pai.
– Coitado coisa nenhuma! - Rin rebateu mais risonha do que indignada.
Yeda gastou alguns instantes contemplando os bebês.
– Lindos e saudáveis... Eu disse que seria assim? Não disse?
Rin assentiu e depois emendou:
– Sabe, Yeda, eu pensava que não poderia me sentir mais feliz do que já vinha me sentindo. Ganhei uma família, amigos queridos, o amor da pessoa que mais amo nesse mundo... Mas quando eu olhei para esses dois pela primeira vez, foi tão grande a felicidade que eu senti.
Pousando uma das mãos nas costinhas de Nakuru e encostando de leve a cabeça no topo da cabeçinha dele, Yeda disse:
– Acho que consigo imaginar mais ou menos como deve ter sido.
Rin assentiu com um sorriso enternecido e até que Sesshoumaru retornasse, Yeda esteve ali fazendo companhia a ela.
"O Japão vivia um período turbulento marcado por violentas guerras e muitas diferenças sociais. Mas, em meio a esse cenário desolador, o grande youkai branco, Sesshoumaru, ao lado de seu irmão, Inuyasha, e de seus amigos, desfrutava de muita prosperidade, confortavelmente abrigado em uma morada fortificada, vivendo do poder de sua Bakusaiga, tornando-se a cada dia mais forte e mais renomado."
– Não, não... Isso não ficou bom! "O Japão vivia um período de guerras marcado por lutas sangrentas..."
– O que você está fazendo, senhor Jaken?
O youkai sapo, que estava sentado sob a sombra da grande árvore nos fundos da mansão e escrevendo em papiros, ergueu seus olhos graúdos para a pessoa que ali chegara.
– Ah, é você, senhora Kaede? Isso aqui é um registro dos feitos do senhor Sesshoumaru. Penso em dar aos gêmeos quando eles estiverem mais velhos.
Kaede se aproximou e tomou algumas das várias folhas esparramadas pelo chão, passando as vistas cansadas por elas.
– "As crônicas de Sesshoumaru"... Que interessante... Me diga, senhor Jaken: essas narrativas começam no dia que o senhor se juntou ao seu mestre?
– Mas é claro que sim! Embora isso já tenha mais de quatrocentos anos minha memória é muito boa! - o pequeno se gabou.
– Mas por que o senhor já escreveu a palavra "fim" aqui?
– Porque o último relato será o nascimento dos gêmeos. Agora não faz mais sentido continuar com esse título, teria que ser "As crônicas da família Sesshoumaru" ou qualquer coisa assim.
Kaede deu um riso impressionado.
– Até que para um youkai tão pequeno você tem grandes ideias, senhor Jaken!
Sem esperar pelo elogio, o youkai sapo ficou com as bochechas vermelhas.
– Ah, muito obrigado, velha Kaede. Eu estou tentando bolar um trecho final, mas está difícil...
– O senhor vai pensar em algo apropriado, ou como nossa Kagome costuma dizer: vai pensar em algo legal.
Passadas algumas semanas, Inuyasha, Miroku e Kohaku chegavam à mansão no início da tarde, animados e falando alto, porém os três se calaram quando avistaram Sesshoumaru na varanda da ala oeste e com os dois bebês.
– Você tomando conta dos pirralhos? - abismou-se Inuyasha.
O youkai branco estava sentado no chão de madeira, com as costas apoiadas em um dos pilares, com Seishirou nos braços e logo ao seu lado estava um cesto no qual Rini estava acomodada e dormindo.
– Ah, bem que eu estranhei quando minha Sango comentou que iria acompanhar a jovem Rin até o casarão da senhorita Harumi. Achei estranho que Rin fosse sair levando os bebês, mas no fim não era nada disso.
– Eu mesmo sugeri a Rin que fosse nesse passeio e deixasse os dois comigo - contou Sesshoumaru. – Desde que os dois vieram ao mundo, ela não tem feito outra coisa senão cuidar deles. Julguei que ela precisava se distrair um pouco, ver outras pessoas, mudar de ares...
Miroku assentiu com um ar admirado e elogiou:
– Muito sensível de sua parte.
Kohaku apenas fitava o youkai branco, mas Inuyasha resolveu implicar.
– Por enquanto eles estão dormindo, mas quero só ver como você vai se virar quando eles acordarem e abrirem aquele berreiro!
– Eles só choram quando estão com fome, então tudo que preciso fazer é dar o leite. Rin deixou mamadeiras preparadas e essa sacola que ganhamos de presente da sua esposa conserva o leite morno.
Kohaku se aproximou e observou o item.
– Ah, eu também ganhei uma dessas! - exclamou ele. – É mesmo muito útil, mantém os alimentos tanto quentes como gelados, é fantástico! Sempre levo a minha nas viagens.
– Nós temos muita sorte de termos acesso a essas maravilhas da era moderna graças a nossa amiga Kagome.
– É verdade! - concordou Inuyasha. – Mas a velha Kaede não gosta muito que Kagome fique trazendo essas coisas do futuro pra cá, ela diz que isso pode causar distorções no tempo.
– O que faz todo sentido... - concordou o monge. – Mas eu imagino que não será um ou outro item que irá causar um colapso temporal.
Sesshoumaru também assentiu e depois se voltou ao irmão.
– Mas como eu dizia, Inuyasha, eles não dão trabalho. Tudo que fazem é comer e dormir.
– Ah, aproveite essa fase, porque não dura muito! - aconselhou Miroku. – E fique sabendo que depois que eles começarem a andar, você e a Rin não terão mais paz.
Kohaku se escorou no parapeito da varanda, Miroku acomodou-se próximo de Sesshoumaru, Inuyasha, porém, manteve certa distância, sentando-se no último degrau da escadaria de acesso à ala oeste.
– Posso segurar ele um pouco? - pediu Miroku.
O youkai branco concordou e passou o menino ao monge e instantes depois ele aproveitou para tirar Rini do cesto. A pequena abriu os olhos momentaneamente, mas logo tornou a fechá-los.
– Puxa, ele já está bem maior! - comentou o monge. – E é engraçado como ele parece uma miniatura de você, Sesshoumaru.
– Não xinga o menino desse jeito, Miroku! - continuava a implicar Inuyasha.
Miroku deu risada e se aproximou do amigo, então exibiu o pequeno a ele.
– Dá uma olhada. Ele é a cara do seu irmão... Quando for maior e deixar o cabelo crescer vai ficar igualzinho!
– Muitos diziam o mesmo em relação a mim e meu pai, mas não podiam dizer isso do Inuyasha, por causa dessas orelhas engraçadas que ele tem... - foi a vez de Sesshoumaru implicar.
Kohaku deu risada e Inuyasha trincou os dentes de raiva, porém não retrucou e nem olhou na direção do irmão.
– Não quer segurar seu sobrinho um pouco, Inuyasha? - indagou o monge. – Lembrar da época que você pajeava os meus filhos.
Irritado, o meio-youkai cruzou os braços e exclamou:
– Tô fora! Vai, devolve ele para o Senhor-orelhas-sem-graça!
Miroku balançou a cabeça em negativa e sem perceber nada de anormal no comportamento do amigo, retornou para perto do youkai branco. Sesshoumaru, entretanto, já andava intrigado com o fato de Inuyasha estar sempre observando os gêmeos de longe.
O monge ficou algum tempo com Seichirou no colo antes de acomodá-lo no cesto. Pouco depois, Kohaku pediu licença quando um recado de Kagura, em forma de um origami trazido pelo vento, o tirou de casa novamente. Não demorou muito para Miroku também pedir licença e em seguida se encaminhar a sua ala, alegando ter alguns assuntos a resolver, assim os dois irmãos ficaram sozinhos.
O silêncio só era quebrado pelo canto dos pássaros, então a bebezinha nos braços do youkai branco começou a chorar.
Com um ar preocupado, Inuyasha acabou se aproximando e ficou observando o irmão acomodando a pequena melhor no braço e logo ele lhe dava a mamadeira.
Percebendo a expressão atenta do mais novo, Sesshoumaru comentou:
– Não é tão complicado... Quer tentar?
Inuyasha o encarou com um ar muito sério e só depois de algum tempo balançou a cabeça em negativa.
– Algo o incomoda? - o youkai branco não conteve a curiosidade.
– Como assim?
– Em relação às minhas crianças... Você não gosta delas?
– Como pode dizer uma coisa dessas, seu idiota? - o mais velho não retrucou e, depois de refletir um pouco, Inuyasha se justificou, dizendo: – Tenho medo de fazer alguma bobagem, eles são tão pequenos.
Sesshoumaru compreendeu então, e com algum alívio, que não era repulsa que o mais novo nutria pelos bebês e sim excesso de zelo. Depois que Rini estava saciada, Sesshoumaru tornou a acomodá-la no cesto, junto de Seishirou.
Mais algum tempo se passou, os irmãos permaneciam quietos até que Inuyasha indagou:
– É boa a sensação, Sesshoumaru?
– Que sensação?
– A de ser pai...
O youkai branco fitou demoradamente o irmão antes de responder:
– Penso que deveria ser encarado como apenas mais uma etapa da vida, mas no fim das contas não é tão banal assim. Quando nosso pai perdeu a vida protegendo sua mãe e você, eu o amaldiçoei, mas agora que tenho meus filhos, compreendo melhor a atitude dele. Ao que parece é justamente para esse estágio da vida que nós devemos nos tornar fortes, Inuyasha. Porque veja o quanto esses pequenos precisam de nós... Se eles fossem deixados à própria sorte, não sobreviveriam.
– Claro que não... Sabe, acho que pela primeira vez na vida, sinto inveja de você, Sesshoumaru.
– Não precisa me invejar, você logo terá seus próprios filhos também.
Baixando a cabeça, Inuyasha suspirou pesarosamente e disse:
– Não, infelizmente isso não é pra mim.
– E por que não?
– Um curandeiro me disse uma vez que um meio-youkai como eu é incapaz de gerar filhos.
– E você acreditou? Que bobagem... Naraku não é um meio-youkai como você e não teve um filho com Yeda?
– Primeiro que o Naraku não é um meio-youkai como eu, nascido de uma mulher humana. Além disso, a Yeda é uma youkai, mas a Kagome é humana. Não tem como eu fazer um filho na Kagome, por maior que seja o poder espiritual dela. Na natureza, a maioria dos híbridos é estéril e tudo indica que esse será o meu caso também.
Sesshoumaru meditou naquelas palavras.
– Como não sou perito em meio-youkais, eu o conselho a ir ter com Bokusenou. Com certeza ele poderá lhe dizer se a história desse curandeiro tem algum fundamento.
Inuyasha arregalou os olhos em surpresa, porém, antes que pudesse dizer qualquer coisa, Shippou chegou ali muito atribulado, enroscou-se no pescoço dele, falando sem parar que precisava de ajuda, que um youkai monstruoso e horrível estava destruindo o vilarejo, que precisavam do poder da Tessaiga e o meio-youkai não teve alternativa senão ir com ele.
Sesshoumaru balançou a cabeça, os lábios levemente curvados em um riso, mas então refletiu um pouco e se deu conta de algo que acabou expressando em alta voz:
– A linhagem do nosso pai se estendeu com a chegada dessas crianças, agora não somos mais apenas eu e você, Inuyasha.
Dois anos depois.
Sesshoumaru e Rin estavam no pátio, sentados lado a lado em uma roda com os amigos e ao redor deles a algazarra de uma festa em família. No transcorrer de dois anos o dia-a-dia daquele grupo tão peculiar havia se modificado um pouco.
Inuyasha e Kagome pareciam estar de volta aos tempos do início de seu convívio. Mesmo estando casados, o casamento deles não tinha nada de ortodoxo, ao menos não para a era feudal. Kagome acompanhava o meio-youkai em todas as caçadas e por vezes os dois se refugiavam por dias na era moderna e então retornavam cheios de bugigangas e histórias.
Em contrapartida, Sango e Miroku haviam passado por alguns desentendimentos até que o monge compreendesse que agora que seus filhos estavam maiores, ele deveria consentir que Sango retornasse à ativa, pois a maçante rotina dos afazeres domésticos começava a desgastar os nervos e a jovialidade da outrora famosa exterminadora de youkais.
Yeda vivia sempre atarefada, carregando Nakuru consigo onde quer que fosse e às voltas com todo tipo de trabalhos, mas mesmo em meio aos compromissos e contratempos, ela sempre arranjava tempo para visitar as amigas na mansão. E ela costumava compartilhar com Rin como se sentia feliz por ver que, a cada dia, Inuyasha e Naraku passavam a ter uma convivência que beirava a normalidade.
Kohaku e Kagura formalizaram seu romance, assim Kohaku passou a morar no casarão de Naraku e Yeda. Sango e Rin ficaram entristecidas com a partida dele, mas precisaram se conformar em face à alegria que o valente exterminador demonstrava por poder estar ao lado daquela que havia sido seu primeiro amor.
A sacerdotisa Kaede mantinha a lucidez e uma ótima disposição para uma idosa de mais de setenta anos, feito esse que a própria atribuía a uma alimentação bem equilibrada. No entanto, o dom espiritual que ela detinha e que fora lapidado ao longo dos anos e sua grande vontade de querer ajudar a todos também tinham sua parcela na longevidade da anciã.
Jaken vinha desfrutando de uma vida muito tranquila antes do nascimento dos gêmeos, mas agora precisava se desdobrar em mil para conseguir dar conta de ajudar Rin com as duas crianças. Tal como acontecia quando Rin era apenas uma garotinha, ele reclamava dos pequenos a todo instante, mas claro que os amava incondicionalmente.
Shippou finalmente ganhara alguns centímetros em estatura e, conforme Rin e Kagome haviam suposto, ele não escondia seu afeto por Kanna, com quem passava a maior parte do tempo.
– Dá pra acreditar que esses pirralhos já têm dois anos? - exclamou Inuyasha. – Parece que foi ontem que os pestinhas nasceram.
Disposta a tirar sarro do companheiro, Kagome deu um risinho e então atraiu a sobrinha para si, dizendo:
– Rini lindinha, vem aqui com a tia, vem!
Esperta e risonha, a criança se jogou nos braços de Kagome, que depois de afagá-la um pouco nos cabelos a deixou sobre os joelhos do marido.
– O que você estava dizendo, Inuyasha?
– Que não é justo que o Sesshoumaru tenha uma filha tão bonitinha! - ele falou com cara de bobo, causando risadas nos amigos e depois indagou: – Kagome, já tem um tempão que nós descobrimos que podemos sim ter filhos, então quanto tempo ainda terei que esperar pra gente fazer uma criancinha linda dessas, hein?
– Ih, não começa com esse papo de novo, Inuyasha. Eu já disse que enquanto eu não terminar meu aperfeiçoamento espiritual não posso ter filhos.
– Hunf, cada hora você inventa uma desculpa!
– Pelo visto agora é a vez dela te dar um chá de cadeira, meu amigo - comentou Miroku, risonho.
– Ora, um ano a mais ou dois não é tanto tempo assim, Inuyasha - ajuntou Sango rindo também. – Levando em conta que vocês demoraram mais de oito só para se casarem!
Naquele momento, Seishirou começou a se atracar com Nakuru. Os dois rolavam pelo chão, rosnando, grunhindo, os olhos vermelhos e brilhantes, os rostinhos semitransfigurados exibindo sua origem youkai. Os vizinhos e muitos dos moradores do vilarejo ainda se assustavam com aquelas crianças, mas ali na mansão todos estavam acostumados com aquilo.
– Yeda, quer fazer o favor de controlar esse seu filho - exigiu Sesshoumaru.
– Deixa de ser chato, cachorro-tonto! Eles estão só brincando... Por acaso está com medo de que o meu filho mate o seu?
– Como se esse seu Nakuru fosse páreo para o meu Seishirou.
Ainda no colo do tio, quando Rini se deu conta da briga do irmão com o amiguinho lobo, ela começou a chorar histericamente.
– Ora, seus fedelhos idiotas! Parem já com isso! - mandou Inuyasha. – Vocês estão fazendo a Rini chorar!
Desengonçado, Inuyasha entregou a sobrinha chorosa para a mãe e depois correu até os dois pequenos que os ergueu no alto pelas fraldas. Os pezinhos deles se agitavam no ar e eles se debatiam freneticamente e eis que o meio-youkai teve a infeliz ideia de aproximar os dois do próprio rosto e no mesmo instante foi dolorosamente arranhado e mordido.
Como quem não estivesse presenciando àquela cena cômica, Naraku se manifestou:
– Ah, Sesshoumaru, por esses dias fui até a morada de Toutousai e ele me pediu que lhe transmitisse o recado de que já é tempo de reforçar a bainha de Bakusaiga. E quando seu irmão parar de bancar o idiota, avise-o que se ele quiser levar a Tessaiga para que Toutousai repare a lâmina dela também esse é um momento oportuno, pois ele está com poucas encomendas.
– Quando eu conseguir dar um jeito nesses animais vou te mostrar quem é o idiota, Naraku!
– Se chamar meu pimpolho de animal outra vez, vai se arrepender de ter nascido, cara-de-cachorro - jurou Yeda com um olhar estreito.
– Você não viu que esse peste quase arrancou meu nariz? - vociferou o meio-youkai.
– E eu vou arrancar sua cabeça se continuar dizendo essas coisas horríveis do meu bebê - replicou calma.
Indiferente à discussãozinha dos dois, Miroku comentou:
– Pois se Toutousai está reclamando de estar ocioso, eu irei até lá também e levarei meu báculo e o osso voador da Sango para ele afiá-los.
– Por que meu osso voador também?
– Ora, querida, se você vai mesmo se juntar a nós nas caçadas aos youkais é melhor que sua arma esteja em ordem.
Sango abriu um enorme sorriso e assentiu satisfeita.
Como Inuyasha ainda estivesse padecendo com os dois meninos, muito solidária, Kanna se aproximou dele e esticou os braços para alcançar o irmão caçula. Inuyasha não pensou duas vezes para entregar o lobinho youkai a ela, mesmo que Kanna continuasse muito baixinha e Nakuru já fosse tão pesado quanto um saco grande de arroz.
Nakuru ainda se debateu um pouco no colo de Kanna, mas logo se aquietou quando conseguiu arrancar o kanzashi dos cabelos dela e começou a mordê-lo.
– Ele vai estragar a presilha que eu te dei, Kanna! - exaltou-se Shippou.
– Não vai não... - rebateu ela em sua serenidade imperturbável.
– Claro que vai! Por que você sempre deixa ele fazer tudo que quer?
– Se está tão incomodado assim, Shippou, então arranje outra coisa para ele morder.
– Eu devia dar uma pedra pra ele, isso sim!
Tirando do bolso três pirulitos, Shippou deu um para Nakuru e depois entregou um para Rin, que estava com a filha no colo e o outro para Inuyasha, que ainda estava com Seishirou no braço, mas já pensava em largá-lo com Sesshoumaru. Atentos à confusão, Keiji, Sayuri e Yumi - os filhos de Sango e Miroku - mais que depressa correram até Shippou, rodearam-no e estenderam as mãos a ele, exigindo doces também.
– Eu acho que estou precisando arranjar um emprego... - suspirou o raposinha.
– Um emprego você disse? - indagou a velha Kaede.
Shippou gesticulou que sim com a cabeça.
– Então tenho uma oferta pra você: te pago uma moeda para cada cesto de roupa que você lavar para mim.
– Ah, por favor, senhora Kaede, eu já sou um ótimo ilusionista! Não posso desperdiçar meu talento com trabalhos desse tipo.
– Entendo... Bom, então talvez você possa me ajudar a capturar um youkai gigante que está causando muitos problemas perto daqui. Um ótimo ilusionista como você poderá ser de grande ajuda nessa caçada.
Sem camuflar a falta de valentia, Shippou fez que não era com ele e dissimuladamente perguntou:
– Quanto mesmo a senhora disse que paga para cada cesto de roupa lavada?
Uma ruidosa gargalhada foi a resposta de Kaede.
Kanna então fitou o raposinha, que ficou todo acabrunhado, mas como de costume ela não fez comentários e logo desviou o olhar, retomando a típica expressão inexpressiva e ela estava assim, como uma estátua viva e com o irmãozinho no colo, quando Rin chamou por ela.
– Ei, Kanna, você tem notícias da sua irmã e do Kohaku?
– Sim... Eles estão passando uma temporada na cidadela vizinha, trabalhando na guarda de uma nobre muito rica, mas eu escrevi para eles e avisei da festa, talvez eles ainda apareçam.
A animação estava em seu auge quando todos ergueram os olhares ao céu no momento em que justamente Kohaku e Kagura chegaram ali, montados em Kirara.
Mal a felina youkai pousou no pátio, gerou uma enorme comoção nas crianças. Enquanto Sayuri e Yumi discutiam para ver quem montaria nela primeiro, Keiji, mais ligeiro, tratou de escalar a felina, puxando-lhe o rabo, mas ele acabou despencando no chão, quando Kirara passou à forma pequenina e foi se esconder dentro das roupas de Sango.
– Kirara há quanto tempo você não fazia isso! - exclamou Sango, abraçando a felina com carinho. – Eu estava morrendo de saudades!
Kohaku tinha uma trouxa de pano amarrada nas costas, então ele a colocou no chão e depois tirou de lá de dentro duas trouxinhas menores e as passou para Kagura, que logo em seguida cuidou de ir entregá-las a Rin.
– Nossos presentes para as crianças - disse ela.
– Muito obrigada, Kagura - Rin agradeceu com um sorriso amistoso.
Sesshoumaru meneou a cabeça em agradecimento também e disse:
– Não precisavam ter se incomodado.
– Ora, toda festa fica muito melhor com presentes! - retrucou a Mestra dos Ventos e depois se afastou, com o nariz empinado.
Como se achava perto do casal, Sango escutou o comentário de Kagura e, movida pelos próprios preconceitos, se irritou com a postura esnobe dela. Já fazia algum tempo que Kohaku e Kagura estavam juntos, mas Sango ainda não se conformava com o relacionamento deles. Em sua visão enviesada, os dois não combinavam em nada. Kohaku era generoso e humilde, enquanto Kagura era arrogante e terrivelmente mimada, assim, para seu coração ciumento de irmã mais velha, Kohaku merecia uma pessoa melhor. E Sango ficou cabisbaixa, remoendo essas coisas, até que a voz de Kohaku desviou sua atenção.
– Ei, Sayuri, Keiji, Yumi, parem de brigar pela Kirara e venham aqui! Eu trouxe brinquedos pra vocês também!
Sango então sorriu, vendo os filhos tão alegres recebendo os presentes, porém, seu sorriso logo murchou quando Kohaku estendeu a mão para Kagura, chamando-a com o gesto para junto dele. Vendo os dois lado a lado, sorrindo diante da alegria das crianças, Sango ficou ainda mais inconformada com a situação. Passado um tempo e depois de pegar mais um brinquedo de dentro da trouxa de pano, Kagura falou qualquer coisa ao pé do ouvido de Kohaku e então tornou a se afastar dele. Sango acompanhou com os olhos o caminhar dela.
A Mestra dos Ventos seguia na direção em que seus familiares estavam, porém, antes que os alcançasse, Nakuru se debateu furiosamente no colo de Kanna até conseguir se soltar, então ele correu de encontro à irmã maior e logo se atirava nas pernas dela, pedindo colo.
Rolando os olhos, Kagura puxou o irmão para si.
– Está vendo como ele adora você e sente sua falta, Kagura? - comentou Kanna.
– Não posso dizer o mesmo.
Sango estranhou que apesar do comentário, Kagura apertou o irmão contra o corpo, abraçando-o com carinho e o brinquedo que ela carregava ela o deu para ele. Sango ficou surpresa com tudo aquilo e ao ver Nakuru deitando a cabeça no ombro de Kagura, ela enxergou, sobreposta à cena, a si mesma com Kohaku quando ele era pequeno e deitava do mesmo jeito em seu ombro. Muito perturbada, ela balançou a cabeça para se livrar da lembrança.
Sem nem imaginar as perturbações que inquietavam sua esposa, Miroku se aproximou do cunhado e comentou:
– Kohaku, mas por que toda vez que vem nos visitar você traz brinquedos para eles? Desse jeito eles vão ficar impossíveis de tão mimados e daqui a pouco me levam à falência!
– Pode ter certeza que essa não é minha intenção, Miroku! Mas lá na cidadela tem tantas coisas interessantes que eu não resisto. Se não é a Kagura para me controlar, eu acabo comprando tudo! - o jovem contou bem humorado.
– Pelo visto os negócios vão muito bem pra vocês dois!
– Ah, parece que sim! - ele concordou um tanto sem jeito.
Sango custou a acreditar no que ouvira do irmão e, voltando a olhar na direção de Kagura, que ainda brincava com Nakuru, ela se sentiu confusa. Chegou a se questionar se não estaria mesmo fazendo um mau juízo da cunhada, mas depressa afastou essa ideia do pensamento. Algum tempo se passou e Sango tentava se distrair, afagando a pelagem macia de Kirara, escutando sem escutar as outras conversas ao seu redor e assim ela nem se deu conta quando Kagura se aproximou dela sorrateiramente.
– Vou aproveitar que o Kohaku ainda está distraído com as crianças para te entregar isso... - disse Kagura em um tom contido e deixou um embrulho perto de Sango.
– O que é isso? - a antiga exterminadora questionou cheia de desconfiança.
– Espero que considere um presente.
– Um presente seu para mim? Conta outra...
Kagura deu de ombros e depois tornou a se afastar.
Sango teve ímpetos de atirar o embrulho longe, mas ficou sem jeito ao notar que Kagome olhava em sua direção com uma expressão intrigada. Mais algum tempo se passou até que, não aguentando mais de curiosidade, Sango tomou para si o embrulho e o abriu. Instantes depois, ela estava com um pequeno objeto na palma da mão e fitando-o com um olhar vidrado.
Sempre atencioso, Miroku se aproximou da esposa, tocou-a no ombro e então se espantou quando uma enxurrada de lágrimas inundou os olhos dela.
– Sango querida, o que foi?
– Miroku, isso aqui era do meu pai! Eu procuro por essa shuriken há anos! Como a Kagura conseguiu encontrar isso?
O monge demonstrou surpresa.
– Ah, isso deve ser coisa do Kohaku... - deduziu ele.
– Não é... Eu sempre quis ter uma lembrança do nosso pai, mas o Kohaku não. Ele nunca se perdoou por ter sido o causador da morte do papai, nunca se perdoou por ter se deixado controlar como uma marionete.
Miroku olhou para Kagura, que agora estava novamente ao lado de Kohaku.
– Não é de hoje que ela tenta se aproximar de você, Sango. Ainda que ela faça isso só para agradar o Kohaku, você não acha essa uma bela prova do amor dela por ele?
– Se for ver por esse lado, é claro que sim.
– Então... Já não será tempo de dar fim às mágoas do passado? Se vocês duas fossem mais unidas, Kohaku também ficaria feliz.
Enxugando os olhos, Sango assentiu fracamente.
– Eu não sei se vou conseguir, mas juro que irei tentar...
Enquanto Kagome se aproximava de Sango para entender o que se passara, Inuyasha foi se sentar de frente para o irmão e então questionou:
– Me explica uma coisa, Sesshoumaru, por que a lâmina da sua espada nunca precisa de reparo?
– Porque Bakusaiga é como uma extensão do meu corpo, então eu posso restaurá-la usando meu próprio youki.
– Isso não é pra quem quer, Inuyasha, só para quem pode... - provocou Yeda.
– Por que está me dizendo isso, sua intrometida? Pelo que me consta, você também não tem uma espada como a Bakusaiga!
Yeda ia contestar, mas Naraku foi mais rápido que ela.
– A única razão para Yeda não ter uma espada como a Bakusaiga é porque ela não quer. Porque assim como seu irmão, Inuyasha, ela também é capaz de usar o próprio youki como arma - ele declarou, sem esconder sua adoração pela esposa.
– Isso mesmo! - emendou a youkai lobo. – E para sua informação, cara-de-cachorro, eu sou mais adepta de um estilo de combate chamado Taijutsu, que consiste no combate corporal e sem o uso de armas.
– Ora, não há dúvidas de que a senhora Yeda é muito poderosa, Naraku - interpôs o pequeno Jaken. – Mas é um fato que ninguém pode se igualar ao senhor Sesshoumaru quando o assunto é força.
– O que você disse, Jaken? - indignou-se Yeda.
Todo atribulado, Jaken correu para trás do corpo de Rin, então sim teve a audácia de reafirmar sua opinião em um brado:
– Eu disse que ninguém é mais forte que o senhor Sesshoumaru!
– Repita isso olhando na minha cara, seu vermezinho verde!
– Não fique tão brava assim, Yeda! - Rin tentou apaziguar. – Claro que você também é muito forte.
– Pode até ser, mas isso não tira a razão de Jaken... - disse Sesshoumaru, que também gostava de provocar. – Afinal de contas, você bem sabe, Yeda, que ainda falta muito para chegar ao nível de um daiyoukai como eu.
A youkai lobo e o youkai branco se encararam fixamente e Yeda chegou a rosnar, mas Rin não mais se inquietava com aquele tipo de coisa, na verdade, achava até divertido ver os dois se estranhando. Ela já percebera que a competitividade e a hostilidade verbal eram traços típicos da personalidade dos youkais guerreiros e sempre reparava que Inuyasha, Kagura, Yeda, Naraku, todos eles costumavam se portar da mesma forma, esbanjando convencimento e desdém, mas quando a situação tornava-se realmente perigosa todos zelavam pelo bem estar uns dos outros.
A algazarra era grande quando Kagome se levantou de repente e disse:
– Gente, eu tive uma ideia!
Pouco depois, todos ouviram uma música ressoar vindo de dentro da ala leste.
Uma nova luz vai no céu brilhar
E na terra se refletir
Com amor a nos guiar e amizade a nos unir
Qualquer inimigo vamos enfrentar
– É mesmo, Kagome, fazia tempo que você não usava a caixinha negra dos músicos fantasmas... - comentou o meio-youkai.
– Quantas vezes eu vou ter que explicar que aquilo lá é um Micro System, Inuyasha?
– Quantas quiser, pra mim aquilo sempre será uma caixa mágica!
No futuro a nossa frente
Não há como fugir das lutas e dos desafios
Vamos ter que abrir
Um novo horizonte, um novo céu
Assim como a canção que havia sido tocada no violão pelo irmão de Kagome e maravilhosamente cantada pela própria no dia de seu casamento com Inuyasha, a canção que agora se ouvia também era bem conhecida de todos ali, então logo estavam todos cantando.
Contagiado pela animada melodia, Shippou chamou pelas crianças e não demorou para que todos os pequenos estivessem girando com ele em uma ciranda, mesmo os três menorzinhos não ficaram de fora.
Não há como perder
Se você acreditar que
Nada nem ninguém é mais forte que você
Se você sonhar, vai conseguir
A realidade transformar
Rin cantava toda contente e quando ela percebeu que Sesshoumaru olhava em sua direção com um sorriso lindo nos lábios, passou a cantar com mais entusiasmo ainda. Instantes depois, ela se achegou mais a ele e entrelaçou os dedos de uma das mãos aos dedos dele e então fitou as afiadas garras. Ela adorava contemplar aquele contraste de suas mãos unidas, que realçava tão bem a diferença de suas naturezas.
Carinhoso e receptivo, Sesshoumaru correspondeu ao gesto dela, estreitando ainda mais o contato entre seus corpos e com isso Rin suspirou apaixonada.
Não há como perder
Se você acreditar que
Nada neste mundo é mais forte que o amor
Uma nova estrada se abrirá
Sorrindo amanhã um lindo sol brilhará
– Ei, vocês dois! Deixem de namorico e joguem logo essa bola! - berrou Inuyasha.
Percebendo só naquele momento uma bola colorida caída perto de si, Rin exclamou:
– Já estamos indo, maninho! Você nem pra avisar que a brincadeira já tinha mudado!
Assim entre risadas e diversões, gentilezas e provocações aquela, como tantas outras, foi mais uma festa cheia de alegria que se prolongou ao longo de todo o dia.
Ao cair do luar, Sesshoumaru saiu à varanda de sua ala e se deparou com a esposa, de pé junto ao parapeito, observando as crianças que ainda brincavam no pátio, então ele se aproximou e postou-se bem ao lado dela.
– O que há de tão engraçado? - questionou ele, percebendo uma leve curvatura nos lábios avermelhados.
– Não estou rindo, estou apenas feliz.
Os dois permaneceram em silêncio por algum tempo até que Rin fez uma pergunta.
– Há algo que você queira me contar, Sesshoumaru?
– Como assim?
– Ultimamente, eu tenho tido uma sensação muito forte de que você esconde algo de mim.
Sesshoumaru se surpreendeu com o tom mais maduro dela, e o novo hábito de chamá-lo apenas pelo nome quando estavam a sós e o tratar com menos formalidade também realçavam o amadurecimento dela.
– Rin... Eu preciso que você entenda que há coisas que necessitam de um momento certo para serem ditas.
O silêncio se fez presente novamente e quando ele pensava que o assunto estava encerrado, Rin rebateu:
– Talvez não acredite, mas eu já imaginava que você diria algo assim.
Encostando a cabeça no ombro do marido, Rin deu um curto suspiro, antes de dizer:
– Eu também preciso que você entenda uma coisa.
– E o que seria?
– Preciso que entenda que eu pretendo estar ao seu lado enquanto eu viver; pretendo estar ao seu lado mesmo nas suas batalhas vindouras e claro que não poderei continuar apenas observando de longe.
Sesshoumaru compreendeu de imediato a implicação daquelas palavras, mas mesmo assim foi impossível a ele não se surpreender novamente, porém logo pensou que já devia estar acostumado, pois Rin sempre o surpreendia. Por algum tempo, ele não fez qualquer comentário, sabia que ela estava habituada aos seus prolongados silêncios. Suspirou fundo e por um instante teve o vislumbre de um futuro repleto de lutas, mas a serenidade que sentia emanar dela, levou embora seus temores e ele se permitiu invadir pela esperança de que as adversidades seriam vencidas.
– Eu sinceramente não sei o que o futuro reserva para nós, Rin. Ou para nossos filhos. Tudo que sei é que seu amor me faz muito mais forte. E é por isso que não precisamos temer o que está por vir.
– Temer? Mas desde criança eu soube que estaria a salvo com você, Sesshoumaru. Sempre acreditei na sua força. Se eu estou com você, não tenho medo de nada.
– Então ficaremos bem.
Um balançar de cabeça em firme concordância foi toda a resposta de Rin.
Diante daquilo, Sesshoumaru não disse mais nada e pensou que até ali ele havia alcançado todas as ambições e anseios que já tivera com notório êxito, portanto, desde que perseverasse em se tornar a cada dia mais forte, certamente ele poderia continuar protegendo a mulher que tanto amava e os filhos que ela lhe dera.
~ Fim ~
N/A: Em breve (provavelmente essa semana ainda) serão postados o epílogo e as notas finais. Não percam! :)
