Pov Bella.
Uma semana havia se passado e eu ainda me sentia entorpecida pela perda de meu pai. Edward nesse momento se encontrava sentado contando mais um pouco sobre sua família, eu presumo, já que não prestava atenção suficiente em suas palavras para saber de fato o que ele realmente dizia.
Lembro que ele havia se sentado no primeiro dia em que eu me recusei a sair da cama e ele passou a contar mais sobre sua família e que tanto ele como Damon não era de fato filhos biológicos de Esther, mas que ela os acolherá como se assim o fosse, sem discrimina-los pelo fato de serem frutos de um caso de seu pai biológico.
Eu fiquei admirada com essa recepção e de como Esther era amorosa com os filhos que nem era dela, mas o carinho era nítido na voz de Edward ao falar de sua 'mãe'. Infelizmente tanto ele como Damon não tinha recordações de sua verdadeira mãe.
Eles pareciam se revezar em me fazer companhia e contar pequenas coisas do que gostavam e do que não gostavam. Eu ouvia atentamente, não que isso fosse visível a eles, uma vez que eu sequer dirigia meu olhar a eles ou ao menos uma pequena mostra de que reconhecia suas presenças. Eu não falava ou mesmo respondia suas perguntas, mesmo aquelas ditas de forma direta.
Eu não deixei minha cama, eu quase não comia. Eu simplesmente não queria, mas depois de quatro dias, Jasper me forçara comer e eu comi. Era isso ou eu seria ligada a uma maquina para que eu recebesse alimento, querendo ou não, então todas as vezes que traziam algum alimento para mim eu comia.
Bonnie e Matt visitava meu quarto todos os dias, dizendo palavras de conforto... Palavras que eram ignoradas por mim.
Alice e Greta veio também, elas brigaram pela decoração do quarto, foi um briga interessante e teria sido risível se eu conseguisse focar em algo que não fosse minha dor.
Elas pareciam duas inimigas prontas a tirar o coração uma da outra, Klaus e Jasper tiveram que separar as duas. Eu não comprei o ódio de uma para a outra, parecia... Falso. Toda a cena parecia ensaiada, não que eu pudesse julgar alguma coisa, eu mal as conhecia. A verdade é que eu me sentia culpada por não gostar delas, afinal elas eram sempre muito gentis comigo.
Greta não veio mais depois disso. Alice, no entanto chegou a vir mais uma vez deixando escapar sobre seu antigo relacionamento com Jasper e o fato dele ter-lhe cortado seu cartão de credito recentemente.
Foi à única vez que me permitir dirigir um olhar a um deles. Eu olhei para Jasper.
Eu sequer ouvir suas palavras, tamanha dor em meu peito. Recentemente? Ele havia dito que eu me encaixava em sua vida, e quando seria isso? Quando ele não tivesse com ela? Por que francamente quem dá um cartão de credito a uma ex-namorada se de fato ela era uma ex?
Você deveria ouvi-lo...
Oh cale a boca! Eu gritei em minha mente, calando minha voz interna.
Minha voz interna não falou mais depois disso e eu me senti mais sozinha, um buraco parecia estar se formando em meu peito, como se faltasse algo.
Eu passei a não ouvi-los mais, perdi o interesse em suas palavras. Estava perdida em meu próprio mundo.
Nem mesmo quando eu havia me cortado acidentalmente com um copo e Jasper passou a lamber o sangue de minhas mãos eu sai de meu estupor.
Mas esse pequeno refúgio não iria durar muito mais.
– Já chega! – Grita Damon, segurando meus braços e me puxando da cama de forma que eu ficasse de encontro ao seu corpo. – Já chega! – ele repete mais brando, suas palavras se quebrando um pouco, como se ele quisesse chorar. – Eu não aguento mais. Você não pode fazer isso. Olhe para nós. Nós nos importamos com você, é tão difícil de enxergar?
– Damon, ela só precisa de mais tempo...
– Não Edward, isso tem que ser feito o seu jeito não está funcionando. Ela não está melhorando. – ele praticamente rosna para Edward que se encontra ao lado, antes de voltar sua atenção a mim. – Ele mentiu. Você é boa o suficiente, não consegue enxergar isso? Acha que qualquer um de nós iria ter uma companheira que não fosse? Que desejaríamos algo que estivesse abaixo de nós? Mas que droga! É isso que você quer? Morrer? É tão egoísta que prefere a morte a viver ao nosso lado? Nós desejamos você, queremos você em nossa vida... – suas palavras me tiram de meu estupor, raiva brotando de todo o meu ser.
– Me desejar? – Eu digo soltando meus braços e batendo minha mão em seu peito enquanto prossigo com minhas palavras. – Ah é claro que vocês me desejam, eu e mais outras tantas mulheres no mundo, não é mesmo?
– Querida, isso não é v... Eu ouço as palavras de Jasper, me deixando mais furiosa e antes que ele termine a sentença eu me viro para ele o fazendo recuar um passo, o que teria me divertido em outro momento. Eu uma simples humana consegui assustar um vampiro, mas eu não poderia cuidar nesse momento.
– Não mesmo, querido? – eu digo em uma voz dividida entre fúria e gélida. – E quanto a Alice? Ou é comum para vocês dar cartões de credito a ex-amantes, se é que ela é mesmo ex, e você ainda a traz para debaixo do mesmo teto em que estou.
Raiva brilha em seus olhos e outra emoção que não consigo classificar.
– Tem razão.
Isso me pega desprevenida. Não esperava tal resposta, eu esperava sua negação, isso me deixa sem chão. Incerta de como prosseguir, lagrimas se formando em meus olhos, sem nunca cair.
Ele se aproxima de mim com passos hesitantes, como se eu fosse um animal arisco.
– Eu errei Bella. Eu deveria ter cortado todos os meus vínculos com Alice no momento em que meu relacionamento com ela havia terminado, mas juro que não tenho nenhum envolvimento ou qualquer sentimento romântico em relação a ela há muito tempo. Rompemos há pelo menos quinze anos e tudo que restou foi uma breve amizade, quanto ao cartão de credito, eu concordo com você... Eu não deveria... Eu... - ele soltou um longo suspiro. – Eu não fui bom em terminar meu relacionamento com ela, eu me sentia culpado por não ama-la como ela esperava ou merecia, mas não podia prosseguir com nossa relação e de certa forma ao lhe dar um cartão de credito eu queria minimizar o termino... Eu estava errado. Eu não sou perfeito Bella, mas acredite que tudo que eu havia dito antes a você é verdade. Eu quero você em minha vida.
– Todos querem. – Diz Edward. – Bella, sabemos agora o que faz você ser tão relutante em nos aceitar e compreendemos. Não somos ele. Jamais a machucaríamos e quanto suas palavras, nós vamos repetir para toda a eternidade se preciso que você é boa o suficiente, ou melhor, mais do que boa. Não merecemos você, no entanto somos egoístas o suficiente para não desistir de você. Seria tão ruim tentar dar-nos uma chance? Não só a nós, mas a si mesma?
Eles já haviam deixado bem claros suas intenções desde que me trouxeram aqui. Não teria sido minha escolha em primeiro lugar, mas uma vez que eu estava aqui, não custava dar uma chance a eles... Eu hesitava em meu querer e minha teimosia de negar tal fato.
Gosto de sangue veio aos meus lábios e percebo que em meu nervosismo eu o tinha mordido de forma a romper a pele.
Sinto uma corrente de ar se aproximar e sei que um deles está mais do que próximo nesse momento. Sinto sua mão erguer meu rosto em sua direção. Edward me olha com intensidade antes de deslizar sua língua sobre meus lábios com um gemido baixo e se afastando logo depois.
– Você não ajuda há manter o pouco controle que temos em relação a você. Seu cheiro é inebriante e quando está sangrando desperta em mim... Em nós o desejo de toma-la em nossos braços e faze-la nossa em todos os sentidos. – ele diz.
– Não fique envergonhada, querida. – diz Jasper diante de meu rubor.
– Eu não... – ele arqueia a sobrancelha em questionamento. – Eu pensei que não poderia mais sentir minhas emoções. – eu acuso.
– Eu não podia desde aquele dia. Mas desde que essa semana começou eu passei a sentir todas as suas emoções. – ele me deu um sorriso triste.
Eu olhava para ele absorvendo suas palavras. Durante essa semana...
Eu engasguei.
– Ah Jasper me desculpe eu... – ele me parou.
– Não Bella, não há nada do que se desculpar. Você estava sofrendo pela morte de seu pai, eu entendo.
Meu pai...
Charlie não fora um pai muito presente, contudo eu o amava e sua morte de alguma maneira me fez ver que eu me encontrava sozinha.
Você não está sozinha.
?
Olha na sua frente. Você tem quatro homens que querem você em sua vida, ama-la, protege-la. Dê uma chance, se não a eles, a si mesma. Você pode honestamente dizer que não sente nada por eles?
Eu os amava. Em algum momento dessa tumultuada situação eu me apaixonei por eles. O jeito meigo e romântico de Edward. O atrevimento e mesmo o sarcasmo de Damon. O cavalheirismo e a honestidade de Jasper. A possessividade e a determinação de Klaus.
Eu ainda era chocada pela forma que eles pareciam estar tão determinados em me ter como companheira, mas se eu fosse honesta comigo mesma, eu estava bastante lisonjeada.
Phil estava errado. A constatação desse fato parecia tirar um imenso peso de meus ombros, mas eu estava insegura. Eu não tinha ideia de como prosseguir em uma relação desse tipo.
– Isabella. – Klaus diz me chamando atenção. – Não começamos da forma correta, não lhe demos escolhas, mas cabe a você agora decidir. Creio que deixamos nossas intenções claras, mesmo de forma tortuosa o que queremos de você. Cabe a você se vai aceitar ou não. – ele diz estendendo a mão em minha direção a menos de três passos de onde me encontro.
Eles me olhavam em expectativa. Pela primeira vez eles estavam me dando uma escolha.
– Se você decidir que não é o que deseja, então que assim seja. Veremos uma forma de te manter segura independente de sua escolha. – disse Edward vendo minha duvida.
Klaus continua com sua mão estendida para mim em espera.
Brincar com fogo é um perigoso jogo, um jogo impiedoso. E cada movimento corre o risco de se queimar inteira. Mas quando o mundo vai subir em chamas em cada toque, ir embora é o luxo da negação. Você é forçado a jogar, lançar o dado do destino e esperar que a escolha feita seja a melhor. Por que todos querem acreditar na felicidade, não é mesmo? Só era preciso um passo. Eu suspirei antes de dar esse passo que era tão importante e que definitivamente mudaria minha vida.
O sorriso em seu rosto ao segurar sua mão me fez acreditar que eu havia feito uma escolha boa. Klaus me puxou para seus braços em um abraço afetuoso, eu fechei os olhos inalando seu perfume e sentindo os braços dos outros se juntarem a nós.
Ao me deitar naquela noite eu me sentia em paz com minha escolha. Eles foram gentis em me deixar sozinha e assim absorver tudo que fora dito e o que se passou.
Uma dorzinha em meu baixo ventre me fez sentar e abrir a gaveta do criado mudo em busca de algo para dor. Bonnie trouxera alguns remédios, junto com alguns curativos. Não que os curativos já tenham sido usados visto que toda vez que eu me cortava um deles sempre apareciam para 'beber' o sangue e assim sarar o dano feito. Damon me explicou que algo em sua saliva era curativa, fora o fato que meu sangue de alguma forma deixava-os em um tipo de frenesi.
Eu vasculhei a gaveta em busca de algum comprimido para dor quando um pacote alaranjado me chamou a atenção.
Não. Não. Não e não.
Isso não pode estar acontecendo. Minha mente trabalhava freneticamente enquanto eu segurava o pacote de absorvente em minhas mãos.
Se um pequeno sangramento os fazia agirem... Eu gemi internamente. Eu nem queria pensar no que eles fariam comigo sangrando por três dias...
O que eu vou fazer? Pensei em pânico.
