Sim, eu voltei, estou viva e agradeço imensamente a paciência, as mensagens de apoio e tudo o mais. Sério, tive um monte de problemas, perdi a inspiração, mas agora está tudo melhor. Respondo todo mundo que enviou comentários amanhã, já está tarde, preciso dormir.
A fic nunca foi abandonada, vou terminá-la, palavra de honra.
Aproveitem a leitura.

Remus acordou no meio da noite, seu lobo interno avisando-o de que Harry estava hesitando na porta do quarto. Ele podia ouvir o coração muito acelerado do filhote e sabia que ele estava tendo problemas para dormir depois de tudo o que tinha acontecido naquela noite.

- É Harry? – Lucius perguntou, muito desperto a seu lado.

- Sim, ele está ali na porta. – Remus disse, acendendo os abajures mágicos com um passe de varinha. – Você não dormiu nada?

- Muitas coisas na cabeça. – O loiro disse. – Vá lá e mande-o entrar. Posso me divertir um pouco vendo-o muito embaraçado por dormir com os pais de manhã.

- Tão malvado. – Remus disse, com um sorriso, ao se levantar.

Remus foi até a porta e quando a abriu, Harry deu um pulo, assustado.

- Ei, filhote, o que aconteceu?

Harry mordeu os lábios, envergonhado.

- Um pesadelo… eu… só… vocês estavam mortos. – O adolescente disse, com pesar. – Todo mundo estava. Pensei que os pesadelos iam ir embora depois que o medimago quebrou os feitiços de Dumbledore.

Lucius, que tinha ouvido o tom quase choroso de Harry se compadeceu do filho, com quem já tinha brigado essa noite.

- Venha aqui, Harry. – Disse com voz imperiosa, ainda confortavelmente deitado em sua cama.

O moreno obedeceu, um pouco intimidado. Ele ainda estava ressabiado com o fato de que tinha feito o pai perder a calma a ponto de dar-lhe um tapa. Lucius deu um tapinha no espaço a seu lado.

- Aqui.

Harry obedeceu de novo, não resistindo quando o loiro puxou sua cabeça para aconchegá-lo em seu peito.

- Você sempre foi o mais sensível, sabia? A atmosfera ao seu redor sempre te deixou tenso ou infeliz, seus pesadelos não são fruto de magia negra, mas de tudo o que viu hoje a noite. Você é muito novo para esse tipo de experiência.

Harry suspirou pesadamente, não queria discutir de novo, os méritos de sua maturidade, ou a suposta falta dela.

- A guerra é feia em qualquer idade. – Replicou, com voz cansada, mas aproveitando cada segundo dos carinhos do loiro em seu cabelo bagunçado.

- Sim, para sua sorte, mentes jovens se curam mais rápido. – Lucius continuou dizendo, dando-lhe um beijo na testa. – Além disso, não precisa se preocupar conosco, Malfoy Manor é inexpugnável, e temos os lobos do seu pai e os aurores do seu padrinho para lutar por nós, ninguém da família pode ser tocado.

- Ainda assim, não quero fechar os olhos. – Harry disse, estremecendo ao se lembrar do sonho. – Por que não posso beber uma poção para dormir?

Lucius se fazia a mesma pergunta, mas Remus tinha sido irredutível. Não queria Harry tomando narcóticos que podiam viciá-lo.

- O que você precisa é de um chá calmante. – O lobisomem disse, já segurando uma xícara, para a surpresa de Harry e Lucius. – Chamei um elfo e ele já foi e voltou, vocês dois têm a tendência de esquecer o mundo quando estão se mimando.

Lucius sorriu, a primeira vez desde que tinha começado aquela confusão.

- Só está com ciúmes porque o filhote gosta mais de mim. – O loiro provocou.

- Nos seu sonhos. – Remus replicou, entregando o chá a Harry e se sentando ao lado do rapaz, deixando-o no meio dos dois.

- Não precisam brigar, sabe? Todo mundo sabe que amo mais o Draco.

Remus riu, mas Lucius prestou atenção no brilho triste dos olhos verdes de Harry, talvez uma das situações que ele sempre temeu já estivesse acontecendo. O moreno tomou o chá e começou a piscar lentamente, e logo dormia, apoiado em Lucius.

- O que diabos tinha nesse chá?! – Lucius perguntou, alarmado.

- Beladona e outras ervas. – Remus disse.

- Beladona? Quem dosou? De onde veio? – Lucius perguntou, com a mente frenética.

- Fique calmo, amor. – Remus disse, sorrindo. – De onde vem todos os nossos remédios? De Severus, claro. Ele também acha a poção para dormir sem sonhos muito tóxica para o Harry, mas esse chá está bem, além disso, que ele tenha dormido tão rápido só prova minha teoria de que ele não aguentaria uma dose da poção, é muito suscetível aos remédios.

Lucius assentiu, voltando a acariciar os cabelos bagunçados de Harry enquanto Remus voltava a apagar as luzes.

- Agora, seja um bom gatinho e vá dormir. Sei que quando tem um dos filhotes por perto se sente melhor.

O loiro não era um lobisomem, mas tinha o instinto de clã e união tão aguçado quanto o de Remus, se ele pudesse manteria Draco e Harry ao alcance de seus olhos o tempo todo, mas alguém tinha que manter a sanidade, já que seu marido cálidos olhos dourados, de bom grado levaria os meninos para o fundo de uma caverna se ele pedisse.

X~x~X

Sirius Black nunca pensou que sua manhã poderia ser pior que a noite. Ele tinha tido que notificar a família de Kingsley sobre sua queda no véu e foi o responsável por organizar o transporte de Rabastan para um local seguro, longe de Azkaban e de um resgaste orquestrado por sua prima. Ele e Severus tinham dormido pouco, o pocionista teve que voltar para a escola, para olhar por seus alunos, e ele teve que atender o chamado histérico de Percy Weasley. O pobre rapaz parecia prestes a entrar em colapso novamente, ele era assistente do Ministro, e quando o homem não apareceu no Ministério mesmo com todos os acontecimentos explosivos da noite anterior, o jovem tinha ido a sua casa, só para encontrar a cena de horror que teria sacudido alguns de seus aurores mais experientes. Bellatrix tinha um senso de estética retorcido e claramente não tinha reagido bem ao ter seu cunhado retirado dela tão abruptamente. O Ministro e sua amante, Lucrécia tinham pagado pela ira de Bellatrix e seu marido, o que era perturbador de ver, pobre Percy que achou isso sozinho. O rapaz teve sorte de não tropeçar em nenhuma das armadilhas que Bellatrix deixou pela casa, sua paralisia pela cena pode ter–lhe salvado a vida. Os aurores já estavam impacientes, querendo trabalhar nisso, mas não podiam, já que esperavam pelo especialista em desarmar maldições, que felizmente era Bill Weasley.

- Ei, chefe, eu estou aqui. – Ao que parece, pensar no jovem ruivo o fazia aparecer.

- Já não era sem tempo, novato. – Sirius rosnou, gostar do garoto não mudava o fato de que precisava transformá-lo num auror de respeito, esse brinco definitivamente precisava sair… quando se deu conta do que pensava, o auror mais velho suspirou, era a influência de Severus em sua vida. Estava ficando cada vez pior, estava se tornando um velho reclamão, ele era o cara das tatuagens rebeldes pelo amor de Merlin. – Primeiro, pode ir ajudar seu irmãozinho ali, sério, se fosse meu irmão caçula e portador, ele não ia poder sair por ai sozinho.

Bill empalideceu quando viu Percy encostado numa parede, pálido e chorando baixinho.

- Mas… o que ele está fazendo aqui? – O mais velho perguntou, sua vontade de dizer que prender portadores em casa era coisa do século V sumiu, eclipsada pela preocupação.

- Ele os achou. – Sirius disse, apontando para os corpos. – Está muito chocado para fazer uma declaração oficial, então, tente acalmá-lo e depois coloque sua bunda magra para detectar e desativar essas maldições, temos que trabalhar aqui.

O ruivo sabia melhor do que discutir com seu chefe, por isso, foi falar com Percy, antes pediu que um dos aurores fosse chamar um dos gêmeos para buscá-lo.

- Ei, Percy, está tudo bem. Eu estou aqui agora, se acalme, irmãozinho. – Bill ficou dizendo enquanto o abraçava, e ouvia o irmão dizer que o Ministro estava morto e que Lucrécia também.

A raiva do Weasley mais velho só aumentou quando ele viu como um dos aurores mais antigos era repelido ao se aproximar dos corpos por uma maldição come-carne, era algo bastante perigoso e mortal, Percy podia ter se machucado seriamente ali. Maldita Bellatrix.

X~x~X

Tom não tinha ficado muito satisfeito com a versão oficial da morte de Lorde Voldemort. O Profeta tinha sido tão eficiente como sempre ao publicar um notícia baseando-se em puros rumores e fantasias da cabeça dos jornalistas, um horror. Dumbledore terminou como um herói abnegado, nenhuma novidade ai, claro, mas alguém tinha descoberto sobre a presença de Harry Potter no local, coisa que a fez pintá-lo como o futuro sucessor do velho, fugindo da escola para lutar contra comensais perigosos, inclusive, falava que tinha lutado contra Voldemort antes que o velho chegasse para terminar com a briga de uma vez por todas, diziam que fora graças a intervenção de Potter que o sacrifício de Dumbledore funcionou e o Lorde caiu. Como se o moleque pudesse vencê-lo… um absurdo atrás do outro.

- Meu senhor? – Narcissa chamou, ela já tinha se interado do ocorrido na noite anterior e por seu rosto crispado, não tinha boas notícias.

- Sim, minha querida? O que aconteceu para deixá-la tão séria pela manhã de um dia tão perfeito para enterrar Dumbledore? – Ele perguntou.

- Bella fez uma visita ao Ministro, digamos que Fudge e Lucrécia provaram um pouco da loucura da minha irmã.

- Fudge não vai fazer falta, mas ela era uma mulher intrigante, que desperdício. – Ele disse, sem dar muita importância. – Isso não me afeta muito, eu já planejava tirar Fudge do Ministério, o problema é que agora sua irmã e alguns dissidentes serão um problema real para a sociedade… mais do que fomos em qualquer momento desde a minha volta. A loucura não é boa conselheira, digo por experiência própria.

- Ela vai querer Rabastan de volta. – Narcissa disse, com tom preocupado. – Talvez se o tiver vá embora.

- Não tenha esperanças vãs, não te cai bem. Bella quer sangue e vingança, se dermos o que ela quer sumirá por anos e voltará para nos atacar quando menos estivermos esperando. – Tom razonou. – Por agora temos que esperar o próximo passo que ela dará, e claro, terei que me dar ao trabalho de colocar cada casa que uso sob um Fidélio.

- E a marca? Tecnicamente Voldemort se foi. – Ela chamou a atenção para esse detalhe.

Tom fez uma careta.

- Por mais que eu deteste perder a regalia de ter Lucius e Severus atados a mim, terei que desfazer o vínculo, uma vergonha. – O homem disse, sem um pingo de remorso. – Sempre gostei de tê-los ao alcance de um chamado.

- Não gosto da ideia de não ter nenhum controle sobre eles, mas se Bella não for capturada logo… vamos precisar da colaboração dos dois, e isso será mais fácil de conseguir sem que tenha uma coleira neles.

O homem suspirou como se o peso do mundo descansasse em seus ombros.

- Tem razão de novo, minha querida. Falarei com Lucius hoje, mas adoraria evitar ver aquele moleque Potter… a sério, a cabeça dele é um caos. Odeio essa conexão.

Narcissa fez valer todos os anos de educação rígida para não rir de Tom Riddle, que nesse momento fazia um beicinho digno de um menino de cinco anos de idade.

X~x~X

Harry estava cansado, o velório e as cerimônias em homenagem a Dumbledore foram algo exaustivo para ele por dois motivos, o primeiro era que desejava profundamente que todos soubessem quem de verdade tinha sido o diretor, o segundo é que teve que aguentar Draco lançando-lhe olhares mortíferos, que só foram a prévia de todo o veneno que o loiro tinha guardado para ele, e o pior é que toda a discussão tinha sido acompanhada por Ron, já que Draco tinha o costume de arrastar o namorado pela mão por onde quer que fossem. Sua sorte era que Ron tinha que voltar para a escola enquanto ele e Draco voltaram para a mansão, Lucius não estava por perto e o moreno desconfiava que ele tinha ido com Riddle atormentar o diretor, e apesar de sentir calafrios imaginando o que eles fariam, não podia sentir pena, ele merecia. Foi uma grata surpresa encontrar a Fenrir e Martin em Malfoy Manor, já que os dois evitavam circular por ali, Harry deu um pequeno pulinho de alegria e correu para abraçar o beta, que era de longe seu lobisomem preferido.

- Juro pela deusa, Remus, seu filhote tem um desejo insano de morte. – Fenrir disse, ao vê-lo com os braços enroscados ao redor do pescoço de seu companheiro.

- Não devia chatear o Harry a menos que queira ficar sem seu companheiro por uns dias… sabe como ele é. – Remus provocou o alfa.

Fenrir bufou, mas olhou com carinho para seu companheiro e beta, que assentia ao ouvir as lamúrias de Harry.

- Eu realmente espero que tenha disciplinado o filhote, nada bom vem desse tipo de comportamento temerário. – O alfa disse, sério.

- Não vai se repetir. – Remus disse.

Draco entregou ao alfa e a seu padrasto os uísques que tinha servido enquanto os dois conversavam.

- Eu não colocaria tanta fé nesse cabeça-de-vento, e não seria tão ruim se alguém colocasse algum juízo na cabeça dele, sabe Fenrir? Aquela cabeça é muito dura, talvez precise de força sobrenatural. – Draco disse, piscando charmosamente para o alfa.

O lobisomem riu.

- Tal pai, tal filho.

Draco sorriu, muito contente de ser comparado a seu pai, mas logo franziu o cenho ao ver que Harry continuava com a cabeça apoiada no ombro de Martin ganhando afagos do beta carinhoso.

- Poderia deixar de mimar meu irmão imbecil? – Ele pediu com voz áspera.

- Não. – Martin respondeu, com vontade de mostrar-lhe a língua. Harry tinha roubado seu coração no instante em que Remus o tinha levado para apresentar a Fenrir anos atrás. – Se quiser tentar me obrigar, pode ficar a vontade.

Harry ia dizer alguma coisa, mas o beta puxou-lhe o cabelo de leve.

- E você, fique quieto ai, não pode fazer tudo para agradá-lo, sabia? Quer lidar com um futuro Fenrir na sua vida? Acha que ele ficou assim como? Foi culpa de todos os idiotas que corriam e pulavam só porque ele rosnava um pouquinho. – Martin sussurrou.

- Tem razão. – O moreno disse, surpreso. – Nunca tinha pensado nisso.

- Claro que não. – Martin disse. – O que acha de vir comigo a mansão do clã enquanto seu pai e Fenrir discutem sobre os novos movimentos? Acredite, eles vão passar horas tentando traçar planos para capturar Bellatrix.

A expressão de Draco se anuviou ainda mais, se é que isso era possível.

- Minha tia enlouqueceu de vez e vocês a estão caçando? – Ele perguntou a Remus, preocupado com sua mãe e a repercussão que isso poderia ter nela.

- Ela matou muitos de nós para ser esquecida, e é uma ameaça real a todos no mundo mágico. Não se iluda pela carapaça de loucura, Bella sempre foi mais perigosa que o Lorde, ele a controlava, mas agora aquela fera não tem mais uma coleira. – Fenrir disse.

- Mas ele ainda tem a marca nela, ele pode torturá-la ou… - Harry disse.

- Não é assim tão simples, se Lorde Voldemort morreu, sua marca precisa desaparecer. – Remus disse. – A parte burocrática do Ministério pode ser enganada facilmente, mas os Inomináveis nunca deixariam uma coisa assim passar batida e os rumores dizem que o novo Ministro será Rufus Scrimgeour, é um auror taimado, não seria seguro manter esse engodo perto de um homem tão experiente. Lucius e Severus já devem estar tratando da dissolução da união entre os comensais. – Remus disse, pensativo. – Vocês dois podem ir com Martin enquanto eu e Fenrir vamos encontrá-los. Há novos filhotes de lobo por lá, tentem se distrair, e não entrem em confusão.

Os adolescentes assentiram, a voz de Remus não admitia réplicas, nem mesmo uma bem-humorada para lembrá-lo que nenhum deles tinha mais seis anos para ser distraído com esse tipo de estratégia.

X~x~X

Ao contrário do que tinha pensado, Harry realmente se sentiu bem ao ir para a mansão do clã de Fenrir, principalmente porque poderia ter um pouco de solidão para refletir sobre algumas coisas. Havia crescido visitando o local e conhecia excelentes esconderijos para fugir dos lobos tão expansivos e intrometidos do criador de seu pai. Um dos melhores lugares era entre a folhagem espessa de uma árvore centenária num canto afastado do jardim, esse também era um dos limites da propriedade, mais alguns metros e estaria na floresta mágica que cercava o local. Ele tinha sido vencido pela curiosidade quando era pequeno e desobedeceu as regras para explorar a vida abundante fora das proteções da mansão. Sorriu, quando se lembrou de que não tinha dado nem quatro passos fora das barreiras do jardim quando Fenrir o tinha agarrado pelo pescoço, como faria com um filhote pequeno, e o içado no ar para olhá-lo muito feio. Não precisava ser um gênio para saber que quando seu pai Remus tinha voltado para buscá-lo, o tinha encontrado deitado de bruços no sofá com o traseiro em chamas pelas palmadas do alfa… mas, pelo menos ele tinha ganhado os afagos e amor de Martin. As lembranças doces foram cortadas por uma mão pousando em seu braço, coisa que o fez pular de susto e gritar, ele só não se desequilibrou porque as mãos fortes de Martin o seguraram e colocaram de novo encostado no tronco da árvore.

- Você me assustou! – Harry disse, com voz acusadora.

- Não pode me culpar por te surpreender se fica suspirando como um adolescente apaixonado. – Martin disse, com um sorriso provocativo. – O que você claramente é.

- Eu não estou suspirando. – Harry disse. – Estou pensando.

- O problema com os homens da sua família é que pensam demais, por incrível que pareça o que menos pensa antes de agir quando se trata de seus desejos pessoais é Lucius. – Martin falou, parecendo distraído. – Ele viu Remus, decidiu que o queria e o seduziu. Qual é o problema no seu caso?

- Eu sou um menino estragado. – Harry disse, com verdadeiro pesar.

Martin franziu o cenho.

- Quem disse isso?

- O que importa? É verdade. – O jovem de cabelos negros disse, dando de ombros. – Eu nunca tive nada que queria e não pude ter, eu estou acostumado a desejar uma coisa e consegui-la.

- E isso é ruim? Por quê? – Martin não sabia exatamente onde Harry queria chegar, ainda que quando se tratava de adolescentes, ele poderia só estar divagando.

- Eu não sofri o suficiente para entender meu papel nessa guerra. Se eu…

- Oh não! Nem pense nisso! – Martin o interrompeu violentamente. – Isso é coisa de Dumbledore, aquele velho maldito.

Harry se assustou ao ver como o beta estava alterado, Martin era a epítome da calma e comedimento na maior parte do tempo, ele precisava disso para controlar Fenrir.

- Eu sei que seus pais preferem esconder certos aspectos da sua vida para te poupar o desgosto, mas… é burrice. – Martin disse, com ar decidido. – Quando o diretor te disse que você é estragado, ele se referia ao fato de que você tem uma família que se importa com você e que te criou com amor. Dumbledore sempre foi um manipulador de primeira, quando os Potter morreram, ele te entregou para sua família trouxa em vez de te deixar ser cuidado por alguém mágico. O problema é que seus tios odiavam magia, e claro, odiavam você por ter poderes, você ficou com eles por um tempo longo demais, quando Remus te resgatou te encontrou trancando em um armário, sujo, faminto e assustado. Seus tios tinham saído para uma viagem de fim-de-semana e acharam que estaria tudo bem te deixar ali, uma vizinha disse que só te tocavam usando luvas e que seu tio te batia frequentemente, você só tinha dois anos e já tinha sofrido mais do que qualquer um deveria.

Harry engoliu em seco, ele não sabia disso.

- O plano dele era que você crescesse num lar abusivo. Crianças traumatizadas e que sofreram de violência são mais fáceis de manipular e controlar que as que tem uma família para confiar. Imagina o quão fácil teria sido pra ele te fazer lutar cegamente contra Voldemort se não tivesse seus pais te dando apoio? Pela deusa, se ele conseguiu te seduzir esse ano mesmo com os dois martelando na sua cabeça dura que o velho não era confiável.

Harry corou ao se lembrar disso. Ainda doía em seu orgulho ter caído na lábia do velho, mas ele parecia tão confiável… pensou que as advertências eram mais uma tentativa de seus pais para protegê-lo do passado de seus pais biológicos e seu papel na guerra.

- Mas não se preocupe, todo mundo vai creditar isso a estupidez adolescente, o que é normal na sua idade. – Martin disse, sorrindo. – E você foi esperto o bastante para evitá-lo por anos, foi mais do que eu esperava de um cabeça quente mantido no escuro, você é curioso e seus pais não te deram muita informação, até estranhei eles terem se surpreendido. E pelo que soube, Dumbledore teve que usar feitiços de compulsão e controle de emoções para te fazer obedecer esse ano, então, está tudo bem.

- Pessoas morreram por minha causa. – Harry lamentou, nenhuma explicação mudaria isso.

- Não, por causa dos lunáticos que os atacaram. Pare de tentar ser o centro de tudo, Bellatrix é insana e perigosa, ela tem a culpa, não você…. E não é egoísta pensar em loiros bonitos ao invés de guerra, é isso que rapazes normais devem fazer.

- Eu nunca me senti atraído por garotos… eu gostava muito da Hermione, deve ser coisa do velho, ele mexeu com a minha cabeça. – Harry teimou.

- Isso é coisa de hormônio, querido. – Martin disse, sorrindo. – Por que você olharia para outra pessoa, garoto ou garota, se tinha aquele monumento de namorada? Ela é inteligente e bonita… estava muito ocupado medindo os peitos dela para pensar na bunda dos jogadores de quadribol. O problema é que você pensou que ela seria sua primeira e última namorada, mas, docinho, ninguém se casa com o primeiro amor… na sua idade, tem que estar correndo atrás de beijos e amassos como se fosse uma loba no cio.

Harry sorriu, claro que Martin usaria essa linguagem colorida para explicar as coisas, mas claro que seu bom humor se esfumou ao ver como seu objeto de desejo e suplício entrava no jardim de mãos dadas com o namorado.

- Agora, você vai me dizer que aqueles dois não são feitos um para o outro? – Ele disse, apontando.

Martin observou como Ron segurava o rosto de Draco com carinho e o beijava, e pela forma com que o loiro sorriu ao separar-se do namorado, amava o ruivo tanto quanto era amado.

- E… se não bastasse eu não gostar homens, sonho com meu irmão adotivo, que por acaso namora o melhor cara do mundo, que é um amigo super querido também. – Harry disse, com a voz trêmula. – Agora, me diga, eu não sou um filho da puta egoísta e estragado?

Martin sentiu o cheiro das lágrimas do filhote picarem seu nariz, ele odiava vê-lo daquele jeito.

- Não, você não é. Um cara egoísta e muito mimado para o próprio bem não estaria sofrendo por isso, e isso faz toda a diferença, querido. – O beta disse, com carinho. – Que você se sinta mal só por sentir atração é um sinal de um caráter certinho e irritantemente angelical, a maior parte das pessoas estaria torcendo para que os dois terminassem, ou ainda pior, tentando fazer com que isso acontecesse.

- Eu não faria algo assim! – Harry disse, violentamente.

- Eu sei, então, não se preocupe, você é um bom rapaz. E talvez tenha razão, talvez esteja confuso… por que não tenta experimentar outros rapazes? Draco é estonteante, genes Malfoy, sabe como é. Isso pode ser só seu corpo te dizendo que deseja um homem e não só uma mulher.

Harry sorriu, aliviado pela primeira vez em uns meses. Martin era um gênio.

- Você está certo! São hormônios, só hormônios! Preciso encontrar um cara bonito para experimentar essa coisa de ser um pouco gay.

O beta sorriu, aliviado por conseguir tirar Harry do estado depressivo, mas ciente de que o rapaz só enganava a si mesmo… mas, Malfoys não gostavam de dividir. Ele desconfiava que Draco não ia assistir passivamente como Harry investia em outros rapazes, isso faria o loiro se sentir menos importante na vida dele, e ficar em segundo lugar não era uma opção para o herdeiro Malfoy. Oh, Remus ia matá-lo se soubesse que ele começou uma tempestade em sua família, seria melhor avisar Lucius, ele sim entenderia seus movimentos.

X~x~X

Tom Riddle era um homem prático e determinado, desde que tinha visto Percy Weasley, sabia que ia tê-lo para si. Tinha vivido o suficiente para saber quando sentia atração por uma pessoa, ele gostava de caçar e seduzir suas presas com lentidão, o jogo era tão bom quanto o sexo em si. Ele entendia atração sexual, era algo natural e saudável, para ele não existiam tabus, se todos estavam felizes, tudo valia a pena, e ele era um mestre em fazer seus parceiros delirarem de prazer. Por isso, quando viu o jovem tão abatido e claramente arrasado no funeral de Fudge, estranhou a sensação de desconforto em sua barriga, ele geralmente não se preocupava sobre o estado de ânimo de seus amantes fora do âmbito sexual.

- O pobre rapaz. – Narcissa lamentou a seu lado, vendo a direção de seu olhar. – Foi ele quem achou os corpos, e era tão ligado ao velho.

- Bem, Fudge era um tolo, então não tinha muito o que ensinar ao rapaz.

- Bem, Lucrécia gostava de ter pupilos, então deve ter ajudado a educá-lo, na medida do possível, claro, já que teve tão pouco tempo. – Narcissa disse.

- Melhor que nada. – Tom replicou. – Agora que a marca se foi, posso entrar no Ministério efetivamente.

- Eles colocaram Rufus Scrimgeour no cargo de Ministro. Ele parece ter toda a eficiência que Fudge não tinha.

Tom fez um som de desprezo.

- Só aparenta, é um zero a esquerda, querida. Vou dar corda para que se enforque, agora mesmo temos que nos focar em lançar nosso jornal… ah, o que as palavras certas podem fazer na mente das pessoas.

- O Ministério não vai gostar de ter um concorrente para o Profeta. – Ela disse, séria. – Será melhor que convença Lucius a ser seu sócio nisso.

- Oh, ele adorou a ideia. Tivemos um momento de reconexão ontem. – Tom disse, insinuante.

Narcissa levantou uma sobrancelha fina.

- Ele tem um lobo bastante possessivo esperando em casa, duvido muito que tenha tempo ou fôlego para escapadas sexuais.

Tom revirou os olhos.

- Lobos e essa mania de monogamia, ontem só teria sido melhor se eu tivesse fodido aquele loiro depois da nossa reunião. – O homem disse, amuado. Realmente, depois de lançar os feitiços no caixão de Dumbledore, garantindo um castigo cheio de lentidão e agonia para o velho, teria sido lindo fechar sua noite com Lucius com um bom sexo, mas o loiro o tinha rejeitado com um sorriso, dizendo que não queria ter que recolher seus pedaços depois que ele tivesse enfrentado o clã de Greyback inteiro.

- Posso imaginar isso. – Ela disse, sorrindo, mas sua cara fechou ao ver a comitiva de Lucius, que chegava no local para as cerimônias de homenagem a Fudge. – Oh, lá estão eles, e trouxeram os meninos… por quê? É muito perigoso.

- Vieram há dois dias quando Bella tinha acabado de assassinar o homem daquele jeito tão inventivo. Você não podia vir porque ela se sentiria muito tentada a te atacar, sabe como está furiosa conosco.

Narcissa assentiu, ele a tinha obrigado a permanecer na mansão depois dos ataques de Bella a Fudge e Lucrécia, por isso tinha perdido a oportunidade de ver seu filho depois de tanto tempo, mas agora ele também já a vira e andava até ela escoltado por Lucius e Severus.

- Bella é muito retorcida, vai fazer alguma coisa, mas ainda não sei o quê. – Ela disse. – Só espero que não ataque meu filho… se o fizer vou ser obrigada a matá-la, lentamente.

Tom não se preocupou em fazer um piada sobre esse protecionismo, era verdadeiro. O olhar férreo que ela tinha ao abraçar o filho não o enganava, era o mesmo que Lily Potter tinha quando o impediu de matar seu bebê… mães eram assustadoras em sua opinião, claro que ele não diria isso em voz alta nem sob tortura.

X~x~X

Bella estava deitada em uma cama confortável, cheia de peles macias enquanto olhava uma bola de cristal flutuando sobre sua cabeça.

- O que está olhando? – Rodolphus perguntou, entrando no quarto.

- Alvos. É o enterro do idiota e da velha teimosa. – Ela respondeu, laconicamente. – Teve sorte?

- Ele não está em Azkaban. – Foi a resposta raivosa. – Seu primo o enfiou num buraco secreto.

- Isso era de se esperar, amor, Sirius sabe como ele é importante para nós, mas não se preocupe, vamos trazê-lo para casa. – Ela disse, sorrindo. – Mantenha nosso contato sob controle, sabe que Severus é desconfiado como uma boa serpente, vai fazer Sirius checar todos os seus homens.

- Deixe comigo, vou mantê-lo numa rédea curta. O que me irrita é não poder fazer nada por um tempo.

- Paciência, meu amor. É a chave para a vingança… e nada contra eles, eu nunca disse nada contra aterrorizar o mundo mágico. – Ela disse, voltando a sorrir como uma lunática. – Ninguém tem o direito de se sentir seguro e feliz. Logo terá seu brinquedinho novo para trocarmos por Rab… aposto que é virgem. – Ela disse, lambendo os lábios e olhando a esfera mágica.

- Não me conte quem escolheu ainda, se vamos ter que esperar, prefiro não saber.

- Temos tempo, Rodolphus. Vingança nunca foi uma tarefa rápida.

Ele assentiu, sua esposa sempre foi melhor estrategista que ele. Deixaria tudo em suas mãos capazes.

X~x~X

O verão não estava sendo como Percy planejou. Ele tinha planejado uma viagem com o Ministro pelo continente, Fudge ia se reunir com os líderes dos países mais importantes, em busca da abertura política necessária para Inglaterra, já tão insular por sua posição geográfica. Ao invés disso, estava no apartamento dos gêmeos sem saber exatamente o que faria da vida, já que o atual Ministro o tinha destituído de suas funções, tudo porque houve um escândalo sobre a negação de Fudge sobre a volta de Voldemort, e muitos o culpavam por não ter feito nada para evitar as mortes que ocorreram no ataque ao Ministério. Claro, como o homem não estava mais vivo para responder por suas ações, Percy foi demitido para marcar a nova era da política, o que era uma jogada inteligente, ele reconhecia, mas não mudava o fato de que o deixava sem emprego quando seu pai tinha que sustentar sua mãe na Toca e ajudar os gêmeos, era uma droga.

Mais uma vez, ele jogou o Profeta na mesinha de cabeceira, irritado pelo fato de não encontrar nenhum anúncio de emprego que se encaixasse em seu perfil, se as coisas não melhorassem, teria que tentar a sorte como garçom ou vendedor de livros por meio período. Foi com esses pensamentos desanimadores que ele ouviu as batidas na porta do apartamento. Curioso, ele foi atender, e abriu a porta sem nem olhar quem era, coisa que irritou sua visita.

- A sério, Percival? Atendendo a porta sem nem verificar em tempos como esse? – Narcissa Black o admoestou.

- Bem, estamos em cima da loja, se passou pelos gêmeos significa que não é um perigo.

Ela franziu o nariz.

- Ainda assim, é uma estupidez. – Ela disse, entrando e se sentando no sofá como ele indicou que fizesse.

- Sinto muito, terei isso em conta.

Tão pronto para obedecer e se atualizar, ela pensou. Claro que Tom percebera isso no rapaz, predadores detectam presas como meio de vida.

- Como você está?

- Muito bem, obrigada. Posso te oferecer um chá?

- Claro, enquanto o prepara me diga se já tem outro emprego em vista.

Percy hesitou, não entendendo o rumo da conversa.

- Na verdade não, por quê?

- Tenho uma proposta para você. – Ela disse, mas sem falar nada novamente até ter uma xícara fumegante em suas mãos. – Deve saber que Tom Riddle pretende lançar um jornal novo na Inglaterra.

- Claro, todo mundo sabe. O Profeta não deixou de falar sobre essa "traição". – Percy disse, divertido.

- Então, ele é um amigo pessoal e precisa de um assistente capaz que o ajude a gerenciar suas propriedades e os negócios. Eu indiquei você.

- Isso é… muito generoso da sua parte. – Percy disse, surpreso.

- Na verdade não, ele tem me usado de secretária. É um déspota, um feitor de escravos, já espantou dois assistentes e… não estou fazendo uma boa propaganda, estou?

- Não, mas aprecio desafios… e preciso do emprego. – Percy confessou. – Sabe como é nossa situação, já estou parado há quase dois meses.

- Nesse caso, já que tem interesse, vou providenciar uma entrevista com ele. Não se preocupe, Tom pode parecer bravo, mas não morde.

Percy sorriu, animado com a perspectiva de um novo emprego, totalmente esquecido da atração que o homem tinha exercido sobre ele na festa e ignorando por completo o sorriso malicioso da mulher a sua frente.

Por favor, não enviem crucio por mensagem ou review. Precisam de mim viva e bem pra continuar.
Sabiam que na pausa dessa aqui escrevi um trio Draco-Harry-Hermione? Já está completo e no meu perfil pra quem quiser conhecer.

Nos lemos por ai! Obrigada pela paciência. E sim, comentários são bem-vindos.