Olá!
Enfim, o último capítulo. Fico feliz e triste, ao mesmo tempo. Espero que a sensação de vocês seja a mesma e, então, eu terei feito um bom trabalho.
Por favor, não deixem de comentar! E lembrem-se de que, depois, virá o epílogo.
O epílogo será postado quando eu já tiver escrito também o primeiro capítulo da fic nova, A chave para o coração, que, por enquanto, só teve prólogo, e à qual eu espero que vocês dêem uma chance, como fizeram com essa.
Um beijo bem grande a todos!
Finn tivera dias muito difíceis, mas mantivera sua rotina durante todo o tempo. Além de ser uma pessoa que levava a sério as responsabilidades que assumia, julgou que a melhor maneira de sentir menos a tristeza que invadira sua vida era ocupar a mente o máximo possível.
Naquela manhã tinha ido à academia, onde encontrara Puck, para quem, pressionado, uma vez que Rachel não atendera várias ligações de Lisa, dissera apenas ter brigado com a esposa. Não julgara ser, ainda, o momento para entrar em detalhes, ou talvez esse momento sequer fosse chegar, um dia. Talvez a melhor saída fosse dizer a todos que eles tinham se desentendido e optado pelo divórcio, ao invés de expor ambos, contando que haviam negociado suas vidas e encarado desagradáveis consequências em virtude disso.
O rapaz fizera Box e musculação, nadara um pouco, tomara um bom banho, comera um sanduíche natural com uma vitamina grande, se preparando para as várias atividades que ainda teria, naquele dia, e, ao lembrar-se de que Jesse iria viajar no final daquela mesma tarde, voltara para o apartamento do amigo, a fim de lhe contar a decisão que tinha tomado, enquanto desfrutava do silêncio quase sepulcral da piscina.
"Jesse, eu tava pensan-" Foi falando, ao entrar no apartamento, mas, obviamente, parou ao ver Rachel, e não Jesse, perto da porta. Seus olhos se arregalaram com a absoluta surpresa.
"Oi, Finn." Ela disse, muito sem jeito, fechando a porta, sem encará-lo.
"O que você veio fazer aqui? Se despedir do Jesse? Onde ele tá?"
"Calma, Finn." Ela respirou fundo, porque também estava nervosíssima. "O Jesse deu uma saída... pra que eu pudesse conversar com você." Ele nada disse, então ela continuou. "Não fica com raiva dele, por favor... eu..."
"Eu ia mesmo te procurar, Rachel." Ele a interrompeu, mas também olhava em todas as direções enquanto falava, que não a direção do rosto dela. "Por mais que qualquer pessoa sensata, que soubesse o que aconteceu, fosse achar que você não merece, nem um pouco, a minha consideração, eu não sei virar as costas pra ninguém, sem me sentir culpado."
"Do que você..."
"Eu sei que você precisa que eu volte... e eu... eu não vou viver bem, sabendo que você perdeu absolutamente tudo, então... tudo bem, a gente espera completar um ano pra assinar o divórcio. Eu volto a morar no apartamento."
"Finn..." Ela tentou interromper, mas sua voz saiu baixa e ele continuou.
"A única coisa que eu não quero... que eu não POSSO é ter nenhum contato..."
"Finn..." Ela chamou, novamente, agora em um tom de voz normal, que ele ouviu, mas, mesmo assim, ele não se deixou interromper.
"...físico com você, por menor..."
"Finn! Para!" Ele, finalmente, voltou sua atenção para ela. "Eu não vim te pedir pra fingir mais nada. Eu não mereceria que você fizesse isso por mim e... mesmo que eu fosse ainda mais egoísta do que eu já fui... e capaz de aceitar isso de você... agora, não teria mais utilidade."
"Como assim?" Perguntou, nervoso, passando a mão pelos cabelos.
"Os meus pais já sabem, Finn. Eu fiz minhas malas e voltei pra casa deles, depois de anos... e pedi colo... e contei tudo. Eu não merecia ficar com nada que era da minha tia, se eu não fui capaz de entender o que ela quis me deixar, na verdade." Suspirou, pesadamente, e decidiu sentar um pouco. "É claro que eles ficaram totalmente decepcionados comigo... eles não reconheceram a menina que eles criaram. Eu nem tentei me justificar por ter mentido pra eles... ou por ter feito... tudo que eu fiz. Eu acho que eles só me perdoaram... e me deram colo... e o meu antigo quarto de volta e... tudo... porque eles viram o quanto tudo isso já me destruiu."
"Então, o que você veio fazer aqui, afinal?" Uma parte dele queria que ela implorasse por seu perdão, porque essa parte sem juízo ainda a amava demais e queria tomá-la em seus braços, para que tudo ficasse bem. Outra parte, no entanto, acharia um grande atrevimento, se ela considerasse que ainda merecia mais uma chance, depois de tudo, depois de tantas que ele já lhe havia concedido.
"Eu vim apenas te devolver isso, Finn." Ela tirou da bolsa o cheque que ele tinha entregado a Sebastian, oferecendo o pedaço de papel, que representava uma boa quantidade de dinheiro, a ele. "Não faz sentido nenhum eu aceitar isso. A única coisa que você fez foi me apoiar... e cuidar de mim... me incentivar e... me amar... e eu só te machuquei, te afastei, duvidei de você... da gente. Aquele contrato... ele tinha deixado de existir há muito tempo, quando eu me apaixonei por você, Finn, o que significa que você não descumpriu nada... e não tem que me pagar nada."
"Você tem certeza? Você não tem mais nada." Vendo que ela afirmava, vigorosamente, estar certa do que estava fazendo, ele, finalmente, pegou o cheque e o rasgou.
"Eu vou indo." Ela disse, levantando e pendurando a bolsa em um dos ombros. "Combina com o Seb o que você quer que eu diga, pras pessoas que não sabiam de nada, ok? Eu acho que é o mínimo que eu posso fazer... contar a história que vá ser menos desconfortável pra você."
Ele acenou positivamente e ela caminhou até a porta, mas, quando colocou a mão na maçaneta, mudou de ideia. Ele estava de costas para ela, que andou até ele, e até pensou em tocá-lo, mas hesitou, preferindo apenas falar.
"Finn... tem uma coisa que eu PRECISO te dizer, mesmo sabendo que ela não vai mudar nada. Eu acredito no seu amor, Finn. Tarde demais, eu sei, mas eu quero que você saiba que eu acredito. Eu não acreditava porque eu achava que era impossível amar uma pessoa em tão pouco tempo, mas... eu amo você, Finn... eu te AMO..." uma lágrima molhou a maçã de seu rosto e ela a secou, rapidamente "e isso me mostrou que o tempo não significa nada."
Não aguentando ser indiferente ao que ela estava dizendo, ele virou de frente para ela e eles se olharam nos olhos, pela primeira vez em dias. Ele se conteve, contudo, e não secou outra gota salgada que escorreu pela abatida face dela, parando em seus lábios, que voltaram a se mover.
"Eu não acreditava também porque você tinha segredos, Finn. Eu não estou te culpando... entenda... mas, para uma pessoa insegura, como eu, passando por um monte de mudanças... tendo absolutamente tudo que sempre sonhou, pela primeira vez... qualquer segredo parecia ruim e ameaçador."
"Você tá falando dos planos que eu tinha pro dinheiro que eu tava guardando..."
"É, Finn. Eu to falando, sim, dos planos que você tinha... e que eram uma surpresa. Eu agora tenho certeza que deve ser uma coisa muito boa... e que ia ser uma surpresa boa... mas eu pensei um monte de coisas ruins..."
"Pensou que eu queria boa vida..."
"Eu não me orgulho." Afirmou, séria, deu um sorrisinho triste e caminhou, novamente, para a porta.
"Rachel, espera." Ele pediu e ela se virou, mais uma vez. Como era difícil partir e deixar partir! "Você tem tempo pra ir comigo a um lugar? Eu queria te mostrar uma coisa." Perguntou, ansioso.
"Claro... eu não tenho nada pra fazer hoje."
Na verdade, se ela pudesse escolher, ela iria com ele a todos os lugares, daria a ele todo o seu tempo, pelo resto da vida. Não havia nada que ela quisesse mais do que estar perto dele e, se ele estava oferecendo alguns minutos, algumas horas, ela se agarraria a esse tempo, guardaria esses novos momentos no coração, junto com os outros que tinha vivido ao lado dele.
Mais ou menos uma meia hora depois, eles estavam dentro de um teatro, mais precisamente no palco, sentados em dois pequenos bancos. O teatro ficava nos fundos de um hospital e estava passando por uma reforma. Ao chegarem lá, o Sr. Hudson tinha sido cumprimentado pelos cerca de oito a dez trabalhadores que faziam seu serviço no local, e sugerira, na verdade dando uma ordem, de modo sutil, que eles parassem por mais ou menos uma hora e fossem fazer um lanche, por conta dele. Agora, os Hudson estavam sozinhos e o lugar, extremamente silencioso.
"Eu sei que você tá curiosa a respeito desse lugar. Aliás, você tá curiosa sobre ele há muito tempo, sem nem saber." Ela o olhava, confusa. "Esse era o meu projeto, Rachel... o meu sonho."
"Como assim, Finn?"
"Essa obra. Fazer essa obra no teatro do hospital era um dos meus sonhos... eu corri atrás de patrocinador, mas não consegui e... eu nunca pensei que eu mesmo ia ter dinheiro pra investir na obra, mas quando eu comecei a conseguir juntar, eu fiz alguns orçamentos e vi que não era tão inviável assim. Afinal, não é a construção de um teatro, é uma reforma... e não precisa ficar luxuoso, só deve ser viável que os doentes venham até aqui."
"Finny, isso é tão... lindo!" Ela estava encantada com a generosidade dele, em colocar o próprio dinheiro na reforma de um teatro que era propriedade de um hospital, e estava, aparentemente, abandonado pelos donos deste. Estava tão maravilhada que sequer notou que o chamara pelo apelido. "E eu pensando que você queria comprar algum carro de luxo ou fazer uma viagem exótica." Enterrou o rosto nas mãos, tentando esconder a vergonha que só aumentava.
"Isso mostra que você não me conhece, Ray. E eu poderia dizer que você não pode me amar, se mal me conhece... te culpar por isso... mas a verdade é que ESSA culpa você não tem. Eu não deixei você me conhecer totalmente. Há coisas na minha vida que não estavam naqueles relatórios que você leu, há meses atrás... e que eu nunca te contei. Coisas sobre as quais eu não falei com você, não porque eu não confiasse em você ou porque eu não quisesse, mas... porque DOEM... doem demais e eu não falo sobre elas quase nunca!"
"Você não precisa..."
"Rachel, eu tive um irmão, antes do Kurt. Um irmão biológico. Ben... Benjamin Hudson." Respirou fundo e se levantou, caminhando devagar, enquanto continuava a falar. "Quanto eu tinha sete anos e o Ben, nove, ele ficou muito doente e foi diagnosticada leucemia. Tudo que podia ser feito foi feito, mas ele não resistiu e... morreu, três anos depois. Eu sofri muito, durante anos, e, por causa disso, eu meio que comecei a minha história como ator. Eu vestia fantasias, criava histórias, repetia coisas que eu lia nos livros... tudo pra poder fingir que as coisas estavam bem, que eu tinha o direito de sorrir, que a minha vida e a da minha família não eram aquela."
"Meu Deus, Finn." Ela se levantou também e segurou as mãos dele, não com pena, mas com carinho. Ele permitiu aquele contato, porque era algo de que ele também precisava. "Eu sinto tanto."
"Depois de um tempo, eu percebi que as minhas brincadeiras não funcionavam só pra mim... só pra eu escapar da realidade. Elas também alegravam os meus pais... e até o Ben. Eu decidi ser ator pra transmitir sentimentos pras pessoas... emoções... risos, lágrimas... não importa. Eu decidi que era isso que eu queria fazer. Esse foi o meu primeiro sonho, e eu não desisti dele nem quando o Burt quase implorou pra eu ficar em Lima e trabalhar com ele."
"Trabalhar com ele em que?" Rachel não tinha muita certeza se tinha o direito de perguntar, mas, já que ele estava se abrindo, também não via sentido em não tentar matar todas as curiosidades.
"Administrando as empresas dele... o Jesse sempre brinca que o Burt é dono de metade de Lima e que me quer lá porque nem consegue mais dar conta." Ele riu e ela também, entendendo, afinal, as palavras do amigo. "Mas isso não importa, porque meu lugar não era numa faculdade de Administração ou de Direito... era em NYADA." Ela balançou a cabeça, concordando. "Eu peguei só uma grana que o meu pai me deixou e vim pra cá... e quase nunca eu peço nada ao Burt... não é justo." Ela assentiu, outra vez. "Um dia, eu recebi um panfleto na rua, de um grupo de palhaços que se apresentavam em hospitais e me lembrei que o Ben sempre ficava melhor quando a gente lia pra ele ou quando eu fazia encenações... então eu decidi ser voluntário aqui no hospital. Eu sempre venho, leio histórias, conto piadas, apresento teatro de fantoches, essas coisas. E, quando eu soube que havia um velho teatro, mas que os doentes não vinham aqui por causa do estado de conservação, essa reforma se tornou o meu segundo sonho." Ele sorriu, mostrando que tinha encerrado a história.
"E por que você resolveu me contar tudo isso, Finn?" Ela perguntou, soltando as mãos dele e voltando a ocupar um dos bancos. Não entendia a decisão dele de compartilhar tudo aquilo justamente com ela, e justamente agora que estavam separados.
"Porque eu amo você, Rachel. Porque eu amo você e, por mais que eu não tenha certeza se você merece outra chance... e se você vai ou não estragar tudo de novo... eu preciso ME dar a chance de ser feliz." Ele se aproximou e passou uma das mãos pelo rosto dela, devagar. "Eu não vou ser feliz sem você, Ray. Ter uma família, de verdade, com você é o meu terceiro sonho."
Ela ia dizer algo, mas ficou paralisada, ao vê-lo se ajoelhar em frente a ela, tirar do bolso uma pequena caixinha e abri-la, exibindo um anel com um delicado solitário. Depois que ela tinha concordado em sair para visitar o lugar misterioso com ele, Finn tinha feito Rachel esperar alguns minutos e conseguira achar, no meio de suas coisas, a joia que havia comprado dias antes, e que ainda queria colocar no dedo dela, juntos à aliança que ele esperava que fosse ficar ali para sempre.
"Rachel Hudson, você aceita continuar casada comigo?" Perguntou, finalmente.
Não havia absolutamente nada no universo que ela quisesse mais, então ela se jogou nos braços dele e eles trocaram muitos carinhos e beijos apaixonados, dos quais alguns empregados da obra acabaram sendo testemunhas oculares. Tremendo, ele colocou o anel no dedo dela, como se fosse um anel de noivado e, depois, exatamente como um noivo tradicional faria, seguiu com ela para a casa dos Berry.
Ele tinha muito o que explicar àqueles homens, pois precisava conquistar sua confiança, depois da lambança que fizera, ao ter sido marido de aluguel da filha deles. Ele queria muito convencer Leroy e Hiram de que ele era digno de sua pequena, porque família era uma coisa realmente importante para ele.
Finn percebeu no caminho que, de novo, ele teria que enfrentar dois sogros de uma vez. Só não conseguiu decidir se era melhor ou ainda mais assustador que, dessa vez, tudo fosse de verdade.
Eu disse que era Finchel endgame! rsrsrs
O que acharam?
