Capítulo 35 - Nada Será Como Antes
− É um grande prazer vê-la novamente - falou Voldemort, fazendo sinal para o comensal tirar a mão da boca de Perla.
− Não posso dizer o mesmo – ela respondeu com frieza.
− Sabe de uma coisa? Você é igualzinha a Helena. Sempre tentando me enfrentar quando pode escolher ficar ao meu lado.
− Prefiro a morte.
− Nesse caso você vai ter, minha querida - ele falou, deixando um dos comensais animados - Mas não hoje. E quando chegar o dia eu terei o prazer de fazer o serviço. Assim como fiz com sua querida mãe.
− Me deixe brincar com ela, mestre - pediu um dos comensais, que tinha uma voz feminina que Perla conhecia muito bem.
− Bella, Bella, sempre querendo machucar a garotinha indefesa - falou Voldemort ironicamente. Perla foi tentando colocar a mão debaixo do travesseiro onde estava sua varinha sem que ninguém percebesse. Ela pensava num jeito de sair dali já que estava em desvantagem de cinco para um - Tudo por causa daquele... como é mesmo o nome dele?
− Sirius Black – Bellatrix respondeu com raiva.
− Ah sim. O traidor do sangue dos Black. É esse aqui - perguntou ele, pegando um porta-retrato na mesa de cabeceira, que tinha uma foto de Sirius com Perla - Você pode conseguir coisa muito melhor. Pena que assim como sua mãe, você escolheu o lado dos perdedores. Deve ter sido influência dos trouxas que te criaram - ele pegou o porta-retrato que tinha a foto dos pais de Perla - Pena que eles já estão mortos. Eu adoraria matá-los.
− Estupefaça - gritou Perla de surpresa, arremessando Voldemort na parede.
− Crucio - gritou Bellatrix, fazendo Perla se curvar de dor. Voldemort se levantou, rindo apesar da boca estar sangrando.
− Eu adoraria ter essa coragem do meu lado. Mas, como isso não é possível, eu vou ter que lhe dar uma lição - disse confiante - Saiam todos. Eu quero ficar a sós com ela. A sós com a garota que se escondeu de mim por dezenove anos. Para mostrar que o sacrifício de Helena foi em vão. Eu sempre ganho.
Todos os comensais saíram, apesar de Bellatrix ter relutado um pouco, mas acabou aceitando as ordens de seu mestre. Voldemort sentou na cama e encarou Perla nos olhos. Ela se sentia muito fraca e sua varinha estava no chão. Ele a pegou e a entregou para a menina.
− Sabe, você é muito parecida fisicamente com sua mãe. Mas não tem os olhos dela. Aqueles olhos fascinavam qualquer pessoa. Mas não posso negar que os seus tenham um brilho especial - Ele puxou a coberta e olhou para a menina - Você é muito bonita, mas infelizmente, eu não toco em trouxas.
− Você não é o meu tipo - respondeu Perla sarcasticamente - Eu prefiro que um trasgo me toque a ser tocada por você.
− Cuidado com o que fala garota! Eu posso atender seu pedido e trazer um trasgo até aqui - respondeu Voldemort, também sarcasticamente - Por que você não aproveita que eu lhe devolvi a sua varinha e me ataca novamente?
Perla ficou quieta e Voldemort riu. Riu com uma intensidade que Perla nunca tinha visto antes. Era uma risada fria, cruel. Uma risada que dava medo.
− Sabe qual é o problema de bruxos fracos? Não conseguem enfrentar seu inimigo depois de terem sua arma devolvida. São diferentes de bruxos como eu, que lutam em condição de igualdade. De armas eu diria, por que não há dúvidas que eu sou muito mais poderoso que você.
− Então por que não me mata de uma vez. Acaba com isso. Não foi o que você fez com a minha mãe? Por que tem tanto problema em me matar?
− Por que não tem graça matar você. Não enquanto você ainda é uma pobre bruxinha filha de trouxas. O dia que você se revelar, aí sim, eu terei prazer em matá-la – Perla não conseguiu entender o que aquelas palavras queriam dizer - Mas essa conversa está me deixando muito entediado. Que tal uma diversão? Crucio.
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− Sirius, se vocês nos trouxe até aqui para nada, você vai se ver comigo! - falou Tiago, que continuava irritado com o amigo ao aparatarem perto do bairro trouxa onde Perla morava.
Eles correram para a rua da casa dela, e viram que tudo estava uma confusão. Diversas pessoas estavam na rua, podia-se escutar muitos gritos vindos de diversas casas, além de algumas possuírem o que os bruxos mais temiam. A marca da Morte. O crânio colossal composto por esmeraldas e uma cobra saindo da boca.
Lílian ficou desesperada ao se lembrar dos pais. Correu na frente dos marotos, enfrentando a multidão que estavam em frente as casas, e depois de muito esforço conseguiu ficar de frente para a casa dos pais. Ela caiu de joelhos no chão. Tiago correu em sua direção.
−Lily, o que... - mas ele não conseguiu terminar a frase. Ela apontou para o alto, onde havia a marca. Seus pais estavam mortos.
Tiago abraçou a esposa, tentando inutilmente acalmá-la. Ela chorava sem consolo. Ele olhou a sua volta a procura de Sirius, mas não viu sinal do moreno.
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Três comensais abriram a porta do quarto de Thaís, mas não encontraram ninguém dentro do aposento. Um deles foi para o outro quarto, enquanto os outros ficaram vasculhando o lugar a procura de alguma coisa.
Thais estava escondida atrás da porta do quarto, pensando no que fazer. Ela sabia que haviam três comensais da morte na casa e imaginou que pudesse dar conta deles. Mas não saberia se ia conseguir sair dali se houvessem mais pessoas lá dentro. Do lugar onde estava conseguia escutar os gritos de Perla vindo do outro quarto. Precisava sair dali para ajudá-la.
Sem pensar duas vezes, ela saiu de seu esconderijo e estuporou um dos comensais. O outro lhe mandou um feitiço, mas ela escapou por um triz. Saiu correndo do quarto em direção ao quarto de Perla, mas se deparou com outro comensal parado na frente da porta do quarto.
Ela tentou voltar, mas o comensal que estava em seu quarto a impediu. Ambos apontavam a varinha para a garota, que não sabia como faria para escapar. Um deles lançou um feitiço. Ela se abaixou na mesma hora, e o feitiço acabou atingindo o comensal que estava perto da escada. Ela correu na direção da escada e começou a descer. Não daria conta de salvar Perla sozinha. Precisava de ajuda.
Ao chegar na sala, havia um outro comensal. Ela tentou atingi-lo com um feitiço, mas ele escapou, e ela acabou sendo atingida por um feitiço que veio do comensal que estava atrás dela, no alto da escada.
Ela caiu no chão e sua varinha foi arremessada longe. O comensal parou em frente a garota e ficou analisando-a antes de começar a rir.
− Diga olá para a morte, trouxa - falou com a varinha apontada para ela.
− Estupefaça - gritou Sirius, que tinha acabado de entrar na casa. O comensal caiu estuporado no chão.
O outro comensal que estava na sala avançou para cima de Sirius, mas depois de lançar um feitiço quatro vezes e escapar cinco vezes de outro, ele acabou conseguindo estuporar o comensal.
− Thais, onde a Perla está? - perguntou ele, tentando ajudar a garota se levantar.
− Lá em cima, Sirius - respondeu ela um pouco tonta - Mas eu não sei quantos comensais estão lá em cima. Você vai precisar de ajuda.
− Você não está em condições de combate - falou Sirius, fazendo-a sentar no sofá e entregando sua varinha - Fique aqui e se algum deles aparecer, você tenta atacá-los.
− Tudo bem – ela respondeu, pegando a varinha, no momento que podia se escutar um grito de Perla vindo do quarto - Cuidado.
Sirius correu para a escada, mas antes que conseguisse subir, mais um comensal apareceu.
- Ora, ora, quem resolveu aparecer por aqui, se não é meu querido primo Sirius Black - falou Bellatrix, retirando o capuz.
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− Lily, eu vou tentar chamar os aurores. Não faça nada até eu voltar - pediu Tiago, deixando Lílian sentada em frente a casa dos pais. Assim que ele se afastou, ela entrou dentro da casa.
Lílian não viu ninguém de imediato. Subiu as escadas e correu para o quarto dos pais. A porta estava entreaberta. Ela a abriu com os olhos fechados, relutando em ver o que tinha dentro do quarto. Assim que a porta estava totalmente aberta, ela os abriu, caindo de joelhos novamente ao ver os pais mortos em cima da cama.
Sentiu uma profunda dor no peito. Queria gritar, queria colocar toda a raiva que sentia naquele momento para fora. Mas um grito a despertou de seus pensamentos. Petúnia estava na casa. E ainda estava viva.
Correu para o quarto da irmã e abriu a porta com um chute. Petúnia estava num canto do quarto. E apenas um comensal estava perto dela, com a varinha apontada para a menina. Lílian não conseguiu pensar direito no que fazer. Só sabia que precisava salvar sua irmã. Ela sacou a varinha e apontou para o comensal.
− Crucio - gritou com todo o ódio, com toda a raiva que havia em seu coração. O comensal caiu no chão e Petúnia correu para os braços da irmã.
− Lily, ele ia me matar - falou ela, chorando como uma criança desolada. Lílian olhava para o comensal, não acreditando que tinha acabado de cometer uma das maldições imperdoáveis.
Tiago chegou logo depois com Fábio e Gideão Prewett. Lílian correu para abraçá-lo, enquanto os outros dois prendiam o comensal.
− Tiago, eu não sei o que estava fazendo... quando eu o vi tentando matar Petúnia eu não consegui pensar direito. Apesar de tudo ela é minha irmã. Eu não podia deixá-la morrer também.
− Tudo bem, Lily - Falou Tiago, tentando acalmar a esposa - Está tudo bem agora. Com você e com Petúnia.
− Meu pais estão mortos - falou Lílian, chorando como uma criança desamparada. Fábio tirou Petúnia da casa, mas Gideão se aproximou do casal.
− Temos que ir na casa vizinha. Parece que as coisas não estão boas por lá - falou ele, apontando para a casa que dava para ver da janela do quarto de Petúnia.
− Perla - falou Lílian.
− Sirius - falou Tiago e os três saíram da casa em direção a casa vizinha.
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− Eu não tenho tempo para brincadeiras, Bella.
− Você nunca teve tempo pra nada - respondeu Bellatrix com ironia - Mas se pensa que eu vou deixar você passar, está muito enganado. Terá que me enfrentar para conseguir salvar sua queridinha.
− Você não me deixa escolha - respondeu Sirius confiante - Expelliarmus.
− Isso é brincadeira de criança, Sirius? - perguntou Bellatrix ao escapar do feitiço - Você não aprendeu nada melhor no seu cursinho de auror?
− Eu estou apenas começando - respondeu ele confiante.
Sirius e Bellatrix começaram a duelar. Logo apareceu mais um comensal na sala, que avançou na direção dele. Mas Thais se levantou e começou a duelar com ele.
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− Sabe para uma filha de trouxas, até que você está resistindo bem - disse Voldemort encarando Perla, que estava deitada na cama, com dificuldades de respirar - Eu posso parar se você quiser. É só me pedir.
− Nunca - respondeu Perla com dificuldade.
− Que teimosia... você não percebe que está perdendo com isso?
− Meus pais me ensinaram a nunca desistir diante de um obstáculo.
− Acha que eu sou isso? Apenas um obstáculo? - perguntou Voldemort surpreso com a colocação da menina.
− Você está longe de ser um obstáculo em minha vida - respondeu Perla confiante, levantando da cama.
− Acha que consegue me ferir?
− Mais do que você pensa!
Voldemort ia responder, mas foi pego de surpresa por um feitiço de Perla que o derrubou no chão. Ela saiu correndo do quarto o mais rápido que conseguiu. Ele apenas se levantou e começou a andar atrás dela.
− Você não pode se esconder de mim, garota - disse calmo, quando Perla estava perto da escada - Você vai precisar de outra lição. Crucio.
Perla caiu escada abaixo, interrompendo o duelo entre Sirius e Bellatrix. Sirius correu para a namorada. Voldemort desceu as escadas junto com mais quatro comensais. Junto com Bellatrix e o comensal que havia sido estuporado por Sirius e já recuperava suas forças, e o que duelava com Thaís, Voldemort estava com seis comensais, contra Sirius, Thais que estava machucada e Perla que estava sem a menor condição de combate.
− Vejo que ainda temos algumas crianças para brincar - falou Voldemort friamente - Eu não disse que queria todos os outros mortos?
− Eu estava acabando com o Black - defendeu-se Bellatrix.
− Pois então, termine o serviço - respondeu Voldemort. Bellatrix se aproximou de Sirius, que entrou na frente de Perla.
− Não acha que vai conseguir combater com todos nós sozinhos, acha Black? - perguntou uma voz masculina de um comensal que estava atrás de Bellatrix. Sirius reconheceu quem era. Os olhos azuis acinzentados eram inconfundíveis, mesmo tendo o rosto oculto pelo capuz. Lúcio Malfoy.
− Ele não está sozinho - respondeu Tiago, que entrou na casa junto com Lílian, Gideão, Fábio, Alice e Frank.
Cada um dos recém chegados começou a lutar com um comensal. Voldemort apenas observava tudo, tentando chegar onde Sirius estava com Perla. Sirius pegou a namorada que estava semi-acordada no colo e tentou sair com ela da casa. Voldemort tentou impedi-lo, mas Tiago apareceu a tempo de impedir que o feitiço mandado por ele acertasse o casal.
Logo, somente Gideão e Fábio ainda continuavam lutando contra os comensais. Lílian, Alice, Tiago e Frank duelavam com Voldemort, que conseguia lutar com os quatro ao mesmo tempo.
Sirius conseguiu sair da casa com Perla e do lado de fora ele encontrou com Remo, que estava desesperado.
− Onde está a Thaís?
− Lá dentro, mas... - respondeu Sirius, mas Remo não esperou ele terminar a frase e correu para dentro da casa.
No lado de fora a confusão era grande. Muitos trouxas estavam assustados com o que estava acontecendo, e além de vários aurores que chegavam a todo momento, tentando impedir as matanças, o esquadrão de feitiços, estavam tendo muita dificuldade em apagar a memória de todos os trouxas e controlar a situação.
Sirius andou um pouco com Perla em seus braços, até parar perto de uma árvore, onde ele encostou a menina. Ela abriu os olhos lentamente e esboçou um sorriso ao ver quem estava com ela.
− Eu sabia que você ia aparecer - falou com muita dificuldade.
− Eu sempre tento te proteger do perigo, mas sempre acabo chegando atrasado.
− Você sempre chega na hora certa - respondeu Perla, colocando a mão no rosto dele - Onde estão os outros?
− Na casa.
− E os meus tios? - Sirius respirou fundo antes de responder.
− Mortos - Perla fechou os olhos novamente ao receber a notícia.
− Me tira daqui - pediu
− Eu vou te levar para o St Mungus - respondeu Sirius pegando-a no colo novamente.
− Não. Me leva para a sua casa - respondeu Perla abrindo os olhos novamente e encarando os olhos azuis de Sirius - Se me levar pro St Mungus eles vão me deixar lá por dias.
− Está tendo crise de Edgar agora é? - Brincou Sirius fazendo Perla rir.
− Apenas não quero ficar nem mais um dia sem você - respondeu ela, selando os lábios do maroto com um beijo rápido e perdendo a consciência em seguida.
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Dentro da casa, o duelo entre Voldemort e os quatro ainda continuava. Vários aurores estava na casa, tentando conter os comensais. Voldemort lançou um feitiço que atingiu Lílian e Alice. Tiago foi pra cima dele e recebeu um feitiço estuporante direto no peito.
Voldemort apontou a varinha para Frank e ia lançar a maldição imperdoável para matar o auror, quando a porta se abriu e Dumbledore entrou. Voldemort encarou Dumbledore por um tempo, antes de desaparatar. Os comensais ao perceberem a saída de seu mestre, fizeram o mesmo. Apenas dois, que estavam desacordados continuaram lá.
Remo, que tinha chegado pouco antes de Dumbledore, tentava acordar Thais, que estava num canto da sala. Aos poucos ela foi recuperando a consciência e abrindo os olhos.
− Remo...
− Você está bem? Como está se sentindo?
− Melhor agora que você chegou.
− Eu vou te levar pra casa - falou ele, mas ao tentar pegar a menina no colo, ele sentiu uma dor no peito.
− O que houve?
− Nada demais - respondeu ele, pegando a menina no colo e a levando da casa. Tiago observou a cena um pouco confuso, pois tinha acabado de recuperar a consciência.
− O outro comensal que nós pegamos na casa dos Evans conseguiu fugir - avisou Fábio para Moody e Dumbledore.
− Veremos isso depois - falou Dumbledore, que estava calmo, apesar de tudo - é melhor sairmos daqui. O esquadrão de feitiços está tendo muito trabalho lá fora para conter a situação. E creio que temos um enterro para preparar.
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O enterro dos Evans e dos Stoller aconteceu dois dias depois. Petúnia acusou Lílian de ser a responsável pela morte dos pais e passou o tempo todo ao lado do noivo, Valter Dursley. Lílian chorou em silêncio no ombro de Tiago, enquanto Perla, que estava se apoiando em Sirius para conseguir ficar de pé, não derrubou uma lágrima sequer.
Assim que o enterro acabou, Perla saiu andando, devagar e com dificuldade, para uma outra área do cemitério. Sirius quis ir atrás dela, mas Lílian o impediu.
− Pra onde ela vai? – ele perguntou num misto de curiosidade e preocupação.
− Para o lugar que ela sempre vai quando esta triste - respondeu Lílian.
− É melhor eu ir atrás dela, Lily. Ela não está em condições de andar sozinha.
− Confia em mim - respondeu Lílian - Eu sei o que estou falando.
Perla parou diante de dois túmulos. Apesar de terem morrido em épocas diferentes, os pais foram enterrados em túmulos vizinhos. Ela sentou em frente a eles e começou a chorar.
− Por que? Essa é a pergunta que eu me faço. Por que? - falou com tristeza e amargura - Todas as pessoas tem um pai e uma mãe e vivem felizes com eles por um longo tempo. E eu tive três pessoas a quem eu poderia chamar tanto de pai como de mãe e, no entanto, nenhum deles estão aqui. Como se já não bastasse saber que meus pais verdadeiros nem ao menos me conheceram, pois morreram sem ter a chance, eu tive que perder meu pai e minha mãe. Aqueles que sempre fizeram tudo por mim. E que nunca entenderam que o que eu mais precisava eles não souberam me dar. Mesmo assim, eu tive pais que me amaram, apesar de serem os pais da minha melhor amiga, eu os tinha como meus pais. E como se não fosse injustiça o bastante eu perder duas vezes, eu tive que perder três. Por que? Por que eu tive que encarar três perdas? Eu só tenho dezenove anos. Isso não é sofrimento o bastante pra mim?
− Tudo tem seu lado positivo - respondeu Lílian sentando ao lado dela.
− Então me diz que lado positivo você consegue ver?
− Eu sei como se sente, Perla. Sei por que eu também sinto. Apesar de só perder meus pais uma única vez, é uma dor tão forte, que me daria vontade de morrer. Daria se eu não tivesse em quem me apoiar. Pode parecer engraçado, mas eu fico me perguntando o que seria de mim agora, se o Tiago não estivesse comigo? Com meus pais mortos e minha irmã que me odeia?
− Eu preferia não fazer parte desse maldito mundo mágico!
− Não seja injusta com você mesma. Acha que estaria se sentindo melhor se nunca soubesse que magia realmente existe?
− Talvez as coisas fossem melhores. Talvez os seus pais estivessem vivos hoje.
− Ou talvez não. E se a resposta fosse não, Perla, como você estaria agora?
− Sem saber de nada disso. Sem saber que estamos dentro de uma guerra.
− E quanto a Sirius? Seria bom jamais tê-lo conhecido? - Perla parou de chorar ao lembrar do maroto - Acha que nós duas teríamos a mesma amizade se não tivéssemos ido juntas pra Hogwarts? Será que você estaria feliz agora, se não tivesse Alice, Remo, Edgar como seus amigos?
− Não. Não sei o que seria de mim sem vocês.
− Lembre-se sempre disso. Por mais que as coisas estejam ruins, tem sempre alguma coisa boa ao nosso lado que nos motiva a viver.
− Você está certa, Lily. Apesar de tudo ser injusto... mas você está certa - falou Perla tristemente - Eu não sei o que faria sem você.
− Não precisa agradecer. Eu sempre fui sua irmã mais velha. Esse é o meu papel, não é? - Perla riu e abraçou Lílian - Bom, é melhor voltarmos, porque tem um certo maroto que deve estar arrancando os cabelos pra saber se você está bem.
− Só se você estiver falando do Remo - respondeu Perla, que estava bem melhor - Porque Sirius não arrancaria um fio de cabelo sequer, mesmo que o mundo estivesse acabando. Acha que ele estragaria o penteado? - As duas riram.
Perla foi com Sirius de moto pra casa do maroto. Apesar dele querer que ela fosse para o St Mungus saber se estava tudo bem, ela não quis ir e ele achou melhor não insistir. Já tinha ficado uma semana brigado com ela. Não conseguiria ficar mais tempo. Ao chegar na casa dele, Perla se assustou com a nova decoração.
− O que aconteceu aqui? – ela ficou assutada ao ver que o apartamento estava todo redecorado.
−Vem, você ainda não viu o principal - respondeu Sirius, pegando Perla pelo braço e a levando para o quarto - O que acha?
− Como? - perguntou Perla espantada, ao perceber que no quarto haviam diversas coisas suas. Sirius abriu o armário deixando-a ainda mais espantada. - Eu não me lembro de ter trazido isso tudo pra cá.
− Você não trouxe - respondeu Sirius calmamente - Eu trouxe. O que achou?
− Sirius, e toda aquela história de cada um termos a nossa casa para termos liberdade?
− Você achou mesmo que eu ia te deixar morar sozinha naquela casa depois do que houve?
−Acha que eu ficando aqui não corro mais perigo?
− Não. Mas aqui você fica mais perto de mim.
− Está me pedindo em casamento, Sirius Black?
− Eu vejo isso como uma relação moderna. Thais e Remo não moram juntos e não são casados? Eu pensei que a gente podia fazer o mesmo. Mas se você não quiser... - Sirius fez uma cara de cachorro sem dono que só ele sabia fazer.
− Eu vou adorar - respondeu ela, beijando-o - Só vou sentir falta do Almofadinhas.
− Eu não te contei? - perguntou Sirius, ficando sério.
− Não me diga que aqueles desgraçados...?
− Eu sinto muito, Perla - respondeu Sirius, a abraçando. Ela fez menção de chorar, mas acabou segurando as lágrimas.
− Um dia eu ainda acabo com o desgraçado que fez isso! - respondeu com raiva, e ficando um pouco tonta.
− Melhor você descansar agora, pequena. Amanhã será um novo dia!
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− Aniversário de Dumbledore? - perguntou Perla surpresa.
− Bom, nós não sabemos se é mesmo o aniversário dele. Mas ele mandou chamar todo mundo da Ordem para uma comemoração - respondeu Sirius.
− E desde quando eu sou da Ordem?
− Você não é - disse Sirius marotamente - Mas é minha namorada e vai comigo.
− Me sinto uma intrusa.
− E eu me sinto o Pontas de antigamente - respondeu Tiago ao olhar os terrenos de Hogwarts.
− E o que isso significa? - perguntou Lílian curiosa.
− Que ele não é mais o Pontas - brincou Sirius - Ele é agora o Sr Potter, chefe de família, responsável por uma ruivinha nada "explosiva".
− Pelo menos eu nunca azarei ninguém só por diversão - respondeu Lílian que tinha ficado bastante vermelha.
− A gente não azarava ninguém por diversão - defendeu-se Sirius - Quer dizer, quando era com o Seboso era mais do que diversão. Era um prazer.
− Coitado dele - falou Frank - Sofreu nas mãos de vocês.
− Coitada de mim e da Alice - falou Perla de bom humor - Eu e ela que aturávamos o stress da Lily quando esses meninos aprontavam alguma.
− Não era tanto assim – Lílian se defendeu parando em frente ao Salgueiro Lutador - será que vocês podem resolver isso? - falou apontando para a árvore que se debatia furiosamente.
− Pedrinho - chamou Sirius - Está na hora de você mostrar pra que serve!
Pedro deu um passo a frente e no segundo seguinte ele tinha desaparecido. Perla olhou para o chão, onde um minúsculo ratinho branco havia aparecido.
− Por que eu não consigo me acostumar com essa idéia? - questionou Perla, enquanto o rato ia em direção a árvore - Mas como vocês fazem quando tem, vocês sabem, quando tem mais gente?
− Nada que um galho de árvore não resolva - falou Tiago.
− Mas você conhece os marotos, Perla - falou Lílian - Eles não perdem uma oportunidade de aparecer, quando tem a chance.
O Salgueiro Lutador parou de se debater, o que significava que Pedro, em sua forma animaga, havia apertado o nó que havia no tronco da árvore. Logo, Alice, Frank, Lílian, Tiago, Sirius e Perla entraram no túnel que levava até a casa dos Gritos.
Quase todos os membros da Ordem estavam na casa, exceto o "aniversariante". Sirius apresentou cada um deles para Perla.
− Este é Alastor Moody, meu chefe e Ben Fenwick...
− É um prazer conhece-la, srta Montanes - falou Fenwick, parando na frente de Perla e beijando a sua mão - Já ouvi muita coisa a seu respeito.
− Eu espero que sejam coisas boas - respondeu Perla sorrindo, deixando Sirius enciumado.
− Se me dá licença, Fenwick, eu tenho que apresentar o resto do pessoal pra ela - falou ele, puxando a namorada - você tinha que sorrir tanto?
− Eu só quis ser simpática! - defendeu-se Perla.
− Simpática? Sei bem... Bom esses dois aqui são os filhos do professor Prewett, Gideão e Fábio.
− Muito Prazer. Eu não sabia que o meu ex-professor de DCAT tinha filhos. Ele nunca mencionou nada!
− Era um segredo de meu pai - falou Fábio.
− Engraçado, mas eu acho que já escutei o nome de vocês em algum lugar.
− Fábio é meu namorado - falou Marlene McKinnon, se aproximando de Perla - Como vai, Perla?
− Bem... se ele é o seu namorado, então você deve ser o namorado da Amélia! - falou Perla para Gideão.
− Na verdade, eu sou o noivo. Amélia e eu estamos noivos.
− Isso é ótimo! Meus parabéns!
− Bom Pê, continuando a te apresentar o pessoal - falou Sirius puxando a namorada mais uma vez - Aquela que está conversando com a Lílian é a Emelina Vance. Ela trabalha no St Mungus com ela. E aquela lá no canto é a Dorcas Meadowes. Ela é uma inominável.
− Você não me disse que haviam outras garotas além de Lílian e Alice!
− Eu esqueci desse... pequeno detalhe !
− Pequeno detalhe? Tem mais alguma que eu ainda não tenha conhecido?
− Bom, tem a ...
− Perla?
− Héstia! Que bom te ver! - falou Perla abraçando a garota a sua frente.
− Vocês se conhecem? - estranhou Sirius.
− Claro que eu conheço a Perla! - respondeu Héstia - Ela sempre estava nos treinos de quadribol da Corvinal.
− Eu me esqueci que ela namorou com o apanhador! - resmungou Sirius.
− Se você não se lembra Black, eu era goleiro! - respondeu Edgar.
− Tanto faz. Dá no mesmo.
− Ed, que bom te ver - falou Perla, abraçando o garoto - E a Kelly como está?
− Enjoada... Ela enjoa por tudo. Enjoa se me ver, enjoa se eu chego perto, enjoa se eu falo. Estou louco pra essa criança nascer logo. Não agüento mais dormir na sala.
− Já sabem se é menino ou menina?
− Não. Kelly quer que seja surpresa. Ela prefere um menino, mas eu gostaria que fosse uma menina.
− Só espero que você não a chame de Perla.
− Por que não? - perguntaram Sirius e Edgar ao mesmo tempo.
− Já não chega eu estar sendo perseguida por um psicopata? Não querem que ela tenha o mesmo destino, ou querem?
− Já que você acabou com a minha única idéia de nome, e você é a madrinha do bebê, que nome você escolhe?
− Eu não sei. O que você acha, Sirius?
− Que tal Helena?
− Helena? - estranhou Perla.
− É. È um bonito nome. Não acha, Edgar?
− Eu gostei. Se a Perla aprovar...
− Tudo bem - respondeu Perla um pouco perturbada.
− Está tudo bem com você, Pê?
- Tá Sirius... – Perla tentou disfarçar o que sentia naquele momento - Quem é aquele? Você ainda não me apresentou!
− Carataco Dearbon - respondeu Sirius - Ele é caçador de Criaturas das Trevas. E o que está conversando com ele é o Elifas Doge. Ele trabalha no Ministério. Assim como o Dédalo Diggle, que você deve se lembrar dele, de Hogwarts.
− Sim, eu lembro.
− E aquele que está com eles eu nunca vi. Acho que é irmão do Dumbledore. E aquele ali que acabou de chegar é o meu amigo Remo que sempre chega atrasado nas reuniões.
− Perla - chamou Lílian do outro lado da sala - Por que você não tira uma foto nossa?
− Eu não tiro foto há tanto tempo... acho que nem me lembro mais.
− Você era uma excelente fotógrafa em Hogwarts - apoiou Alice.
− Eu concordo com isso - falou Edgar, deixando Sirius um pouco enciumado.
− Tudo bem. Vocês venceram.
− Thais, você não vem? - perguntou Remo, ao ver que a namorada ficou ao lado de Perla.
− Deixa a Perla tirar fotos de todos da Ordem primeiro. Depois eu apareço.
Perla tirou várias fotos dos integrantes da Ordem e depois tirou algumas fotos dos amigos e com os amigos, além de ter tirado várias fotos com Sirius. Logo Dumbledore apareceu e eles comemoraram o suposto aniversário do diretor da escola. Estavam todos felizes e não faziam a menor idéia do que estava pra acontecer.
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− O que aconteceu, Mestre?
− Bella – disse Voldemort pensativo - acho que Dumbledore está armando algo contra mim!
− Por que acha isso?
− Essa aparição dele no nosso último ataque.
− E como vamos saber se ele está ou não?
− Acho que chegou a hora de chamar o nosso espião .
− Acha que ele vai concordar em ficar do nosso lado?
− Se não concordar por bem, sei que você tem um jeito especial de fazê-lo aceitar. Ele nos deve isso. Até hoje deixamos que ele espiasse sem fazer nada com ele. Mas a partir de hoje não. Preciso de alguém que me dê informações sobre Dumbledore.
− Eu vou fazer o que pede, milorde.
− Eu sei que vai! - respondeu Voldemort, sorrindo satisfeito.
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Perla trabalhava em seu escritório tentando colocar tudo em dia agora que tinha que trabalhar no Ministério e na empresa que era de sua mãe. Ela estava tão concentrada que não percebeu a entrada de Edgar.
− Chegou a hora! - falou ele nervoso.
− Hora de que, Ed? - perguntou ela calmamente, sem nem olhar pra ele.
− Do bebê, Perla. Ele vai nascer!
− Que bebe?
− O meu filho, Perla - gritou Edgar, fazendo Perla prestar atenção nele.
− Quando?
− AGORA!
Perla foi com Edgar para o St Mungus, onde Lílian estava fazendo o parto de Kelly. Amélia, Tiago e Sirius estavam em frente a sala de parto. Perla foi para junto do namorado. Já Edgar começou a andar de um lado para o outro.
− Eu devia estar lá dentro... é a minha esposa... e o meu filho... quer dizer filha... eu sei lá...
− Edgar, você quer parar com isso? Vai dar tudo certo! - pediu Amélia que estava ficando irritada.
− Eu vou entrar lá!
− Edgar - chamou Sirius, segurando-o pelo braço - Você tem certeza de que vai querer entrar lá dentro, e ver a Kelly com a barriga aberta, com...
− Eu to enjoado - falou Edgar, saindo correndo para o banheiro.
− O bom e velho Sirius Black! Sempre de grande ajuda! - reclamou Perla - Quer saber de uma coisa? Eu vou entrar! - falou ela, entrando dentro da sala de parto.
− Quando você vai tomar jeito?
− Amélia, querida, todos me adoram do jeito que eu sou!
− Como você conseguiu conviver com ele por todos esses anos?
− Pra quem é casado com a Lily, Sirius é brincadeira - respondeu Tiago de bom humor.
Depois de um tempo de nervosismo de Edgar, irritação de Amélia com Sirius e bom humor dos marotos, a porta da sala abriu e Perla saiu de lá com um embrulho nas mãos.
− Ed é uma menina.
− Minha... filha? - falou Edgar, surpreso e feliz ao ver a menina no colo de Perla.
− Sua filha - respondeu Perla, deixando cair uma lágrima de emoção.
− Seja bem vida ao mundo, Helena Bones – disse Edgar pegando a filha no colo.
N/A: Bom, mais um capítulo que demorou a sair. Eu sei que tinha prometido para o Natal, mas infelizmente não deu. Mas eu espero que tenha valido a pena esperar. Eu não gostei mto desse capítulo, achei que ele não ficou do jeito que eu tinha imaginado. Mas eu espero que vocês gostem.
Anaisa: Gostei tanto dos seus mistérios que resolvi fazer um pouco. Mas logo eles serão esclarecidos. E quanto ao final da fic, já posso adiantar que ele não será .
Witches: Pelo menos o Sirius ta melhor agora. Pena que por pouco tempo, por que nós sabemos o que acontece com ele, não é mesmo? Espero que goste do capítulo. Bjos
Ana Luthor: Acho que você foi a única que percebeu...deixa pra lá, senão eu acabo falando o que não devo. Mas tudo bem. AMEI suas reviews, me deixaram muito, mas muito feliz. Quanto ao seu pedido, como já te disse, ele vai ser atendido. Talvez não do jeito que você pediu mas ele vai! Bjos
Friendship Black: Posso garantir que pelo menos por enquanto vai ter um certo maroto para salvar a Perla sempre que ela estiver em perigo. E obrigada também por ler a minha fic. Ainda não tive tempo de continuar a sua, mas vou ler! Bjos
Thais: Eu sei que você adora as suas. Bom esse capítulo não deu pra colocar muita, por que ele foi tão tumultuado. Mas depois tem mais. Bjos
lety potter: Adorei sua review. E espero que você continue gostando da fic, mesmo que ela fique triste. E sim, ela termina logo depois do "sumiço" do Voldemort. Bjos
Anninha: Minha amiguinha do coração. Fico feliz que tenha gostado da homenagem. Espero que você esteja melhor. Suas reviews me deixam mto feliz. Te adoro. Bjos
Je Black: brigada pela homenagem na sua fic. Eu espero que você consiga ler este capítulo antes de viajar. Bjos.
Krol Luz: Fico muito feliz em sabe rque está gostando tanto assim da fic. Não se preocupa, que você não está me pertubando. Eu também fico super ansiosa pelos capítulos novos das fics que eu leio. Espero que .
