O capítulo estava pedindo liberdade, mas Sam tomou as rédeas do capítulo completamente. Leitores queridos, ele precisa de ajuda!
Capítulo 36
Sam observava, enquanto dirigia, o rosto sereno de Dean recostado no banco, inconsciente. Tinha encontrado o irmão coberto de sangue, mas inacreditavelmente ileso, entre os destroços da casa e os receptáculos abandonados e feridos dos demônios. Sua felicidade ao ver o irmão vivo e bem, embora desmaiado, ainda não abandonara seu peito. E era sobre isso que refletia, tentando ignorar o próprio cansaço na estrada, os levando para longe do lugar onde se encontraram com anjos e demônios.
Ele sabia que tudo no que pensara no momento em que o Demônio dos Olhos Amarelos anunciou os termos do trato, foi no irmão. E de algum modo, as coisas iam e vinham em sua cabeça, como uma maré, misturando e clareando seus pensamentos. Ele percebia que para ele, seria muito mais difícil perder o irmão que aquele por quem era apaixonado. Ele percebia que não podia levar Dean à loucura o culpando de privá-lo de Dean, o outro. Mas ao observá-lo ali, indefeso, sujo, ele não conseguia explicar porque estava sentindo aquele calor no peito, aquele calor que devia ser destinado somente àquele dos olhos intensos e voz grave, aquele Dean que não tinha absolutamente nada a ver com seu irmão.
Afastou os pensamentos que pareciam tão assustadores e absurdos, porque, pela primeira vez, ele sentiu algo incestuoso. Ou teve consciência disso, corrigiu-se. Porque ele nunca tinha tido noção de que o carinho que tinha pelo irmão pudesse ser tão grande e que pudesse levá-lo a ter... uhn, desejo?
Era estranho, porque ele não tinha se sentido nem um pouco culpado e tinha sido bem claro com Dean a respeito de seus sentimentos em relação a... Dean. Ele riu alto, nervoso, sinalizando para entrar na cidade onde encontraria um motel qualquer onde descansarem.
"Você vai me pagar por isso." Ouviu claramente a voz arrastada do irmão ao seu lado, teve até um sobressalto. Olhou para o mais velho, Dean mantinha os olhos fechados, mas havia um ligeiro sorriso perverso nos seus...oh meu Deus, lábios.
"O quê?" Sam falou um pouco alto demais, nervoso. Será que agora, o irmão também revelaria que era telepata?
"Se continuar pisando neste jeito na embreagem da minha garota, eu juro que vou te matar." Dean falou, e apesar do sorriso, Sam o conhecia o suficiente para saber que até mesmo um barulho diferente no motor do Impala faria Dean voltar dos mortos e vingar-se, se preciso.
"Deixa pra me matar em outra oportunidade, ou pelo menos, depois que descansarmos. Foi mal." Sam foi pacificador, algo dentro de si não queria ser muito rápido em contar como foram as coisas no celeiro. Ele tinha certeza de que Dean não ia gostar nem um pouco. Na verdade, não ia gostar de ter sido encurralado por demônios duas vezes e escapado ileso na última, graças à barganha de Sam. Ele sabia que o irmão ia ficar mal. Pior do que já estava com toda a situação. E também, seu encontro com o Demônio de Olhos Amarelos e mesmo com o anjo que se denominou Castiel... Aquilo ainda estava entalado na sua garganta. Ainda tinha que tentar entender onde tudo se encaixava; e ter deixado o nemesis de sua família escapar pela segunda vez pesava sobre seus ombros tanto quanto Dean iria se sentir mal com seu trato.
Pelo jeito, Dean ainda estava tentando juntar as peças em sua própria cabeça, porque ficou calado o resto do trajeto. Quando Sam viu um lugar que parecia ao menos decente e barato, estacionou.
"Você está tão quieto que eu tenho medo de perguntar o que está pensando, maninho." Dean suspirou, assim que Sam desligou o carro, aparentemente se recusando a abrir os olhos e a descer do carro.
"Já eu, gostaria de saber o que você está pensando. Mas tudo bem. Encare esta noite como uma trégua, Dean. Eu fui um idiota com você hoje. Eu não quero perder você também. Se é que entende o que eu quero dizer."
Dean fez uma careta, abrindo os olhos. Parecia o sinal para pare de ser tão emo, Sammy. Só que sem palavras. Sam sorriu, abrindo a porta do carro, para ir à recepção. Ainda deu uma olhada para trás, ao sentir o olhar quente do irmão em suas costas. Deu um novo sorriso, assegurando-lhe que estava tudo bem.
Bem que queria que estivesse.
...
Ele acordou num sobressalto, percebendo que tinha cochilado, quando a long neck em sua mão virou sobre ele. O barulho do chuveiro denunciava que Dean ainda estava no longo banho. Lá fora caía uma chuva que deixava tudo abafado e melancólico, claustrofóbico. Ele levantou-se na penumbra, foi até a janela e afastou as persianas, pensando em como contar a Dean sobre o que acontecera no celeiro. Ele não queria fazer o irmão se sentir tão mal. Na verdade, apesar de tudo, sentia-se péssimo por nunca fazer o que era o correto, e sim, o que o seu coração fraco mandava.
Então, teve uma vontade repentina de virar-se, porque sabia que estava sendo observado. A intensidade da presença de Dean, querendo ser notado, era bastante forte.
Antes mesmo de virar-se Sam ensaiou um sorriso e um comentário sobre a noite, mas seus lábios tremeram com a constatação do reencontro, as palavras sumiram.
Dean deu passos vagarosos em sua direção, como um felino. O coração de Sam parecia que ia explodir, confuso porque queria entender porque Dean estava de volta. Estava feliz, mas apreensivo. Ou... não era Dean? A idéia da dúvida arrepiou sua pele, fez o sangue borbulhar pelo seu corpo em direção ao seu sexo, e ele soube que estava muito encrencado neste momento.
A certeza da identidade de qual dos irmãos estava ali, agora neste quarto, aconteceu com um simples gesto, quando Dean tocou-lhe a testa, afastando sua franja dos olhos. Parecia ter um sorriso tímido nos lábios, Sam não podia ter certeza. Antes que pudesse saber o que estava fazendo, projetou o quadril para frente, encontrando o outro corpo, ao mesmo tempo em que o enlaçava pela cintura.
"Sam..." aquela vez tão grave, tão quente, conseguia causar tantos arrepios de excitação pelo corpo do mais novo que ele mexeu a cabeça, como que afastando uma mão invisível de sua nuca. Sob o olhar atento do mais velho.
"Como...?" Sam queria perguntar como ele tinha voltado, se Dean estava bem, "se" tantas coisas; tudo o que conseguia fazer era olhar embasbacado para o rosto perfeito ali, com seu olhar pesado e atento, e sorrir. Sorrir e tocar a testa dele com a sua, sentir o calor de sua pele e respirar culpa por desejar tanto aquele corpo.
"Dean pediu que eu viesse ver você. Ele disse que você precisava de mim. É verdade?"
Sam apertou os dedos na carne do irmão, incrédulo. Seu coração doeu e seus olhos encheram-se de água, imediatamente. Dean, seu irmão, tinha feito isso por ele. Ele sempre soubera que Dean o amava. Como um irmão mais velho implicante, um pouco superprotetor, paternal até, mas ele conseguia sentir o afeto que partilhavam. Mesmo nos piores momentos de Dean. Mas o que ele tinha feito agora, a maneira como ele tinha aberto mão de seu corpo...
"Isto... é assustador, Dean." Sam conseguiu falar, e era sério, ele estava tremendo diante da constatação.
"Ele só tem uma exigência." Dean falou com um olhar sério, apesar de ter um sorriso pecaminoso na boca. Passou o polegar em círculos na pele nua dos bíceps do mais novo, enquanto o encarava.
"Exigência? Que exigência?" Sam estava confuso, surpreso e encantado demais para pensar direito. Ele nunca conseguiria ser um irmão tão bom para Dean quanto ele merecia, era só isso em que pensava. Aquilo tudo era tão surreal que parecia um sonho louco.
"Ele não quer saber dos detalhes."
Sam corou, compreendendo repentinamente. Riu de puro nervosismo. Dean então se abaixou, para tocar seu pescoço com os lábios quentes, murmurando "Será que podíamos...conversar mais... só...depois?"
"Ahn?" Sam nem mesmo conseguiu manter os olhos abertos ao contato cálido de Dean em seu corpo. Ele também tinha muito o que fazer, antes de conversar. Na verdade, tinha passado milhas desejando tocar o corpo a sua frente deste jeito. Jogou a cabeça para trás, aproveitando as leves mordidas ao longo do pescoço."Ahan. Depois."
CONTINUA
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